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O ataque apareceu em Sydney

sábado, 27 de junho de 2015

Deu a lógica em Sydney. O Brasil venceu a Austrália na abertura da quinta rodada do Grand Prix. Dois sets molezinhas e com total domínio (25-17 e 25-18), a baixa de concentração e reação dos times da casa (23-25) e o fechamento do jogo em 25-20.

Em relação às formações que vinham sendo utilizados na gira europeia, a dupla Bernardinho/Rubinho apostou na dupla Riad e Isac no meio de rede, deu chance para o líbero Mário Jr., além de Lipe no lugar de Murilo. Os titulares Bruninho, Wallace e Lucarelli completaram o time.

Na ponta, a mudança surtiu o efeito lógico: o Brasil ganhou poder de ataque. Lipe marcou 13 dos seus 17 pontos no fundamento, terminando o duelo atrás apenas de Lucarelli, que anotou 18 (15 no ataque).

Wallace, aniversariante da semana, veio logo atrás com 16. Tais números mostram como o ataque brasileiro foi eficiente. O oposto terminou com aproveitamento de 68%. Lucarelli teve 62,5% e Lipe, 61,9%. Excelentes estatísticas, que também reforçam a boa distribuição de Bruninho.

No bloqueio, Riad e Isac, a dupla brasileira mais eficiente no setor nesta Liga Mundial após os testes já realizados até agora, não tiveram uma atuação matadora. Juntos fizeram três dos oito pontos do time verde-amarelo.

Ressalta-se a dificuldade de parar o oposto Edgar, que terminou o jogo com 21 pontos, mas com 50% de aproveitamento.

Sem perder sets e com Lucarelli voando no ataque

domingo, 7 de junho de 2015

A quarta vitória brasileira na Liga Mundial foi mais categórica do que as anteriores. Neste domingo, em São Bernardo do Campo, um 3 a 0 na Austrália, com problemas apenas no primeiro set:  31-29, 25-19 e 25-19. Invencibilidade mantida antes da viagem para a Europa e mais resultados dos testes feitos.

Como nos demais triunfos, uma formação titular diferente, agora com Rapha, Wallace, Lucarelli, Lucas Loh, Lucão, Isac e Escadinha.

Poupado no duelo de sexta-feira, Lucarelli, com 20 pontos, liderou o time brasileiro. Mais importante do que a pontuação foi o aproveitamento dele no ataque. Ele recebeu 22 bolas e colocou 18 no chão, com 81% de acerto, um número bem raro de ser ver até para centrais, imagine então para um ponta.

Destaco ainda os 11 pontos de Isac (sete de dez ataques, dois bloqueios e dois aces). O desempenho dele e de Riad até agora abrem uma boa disputa no meio de rede, já que Sidão está fora de combate.

O jogo serviu ainda para testar Thiago Brendle como líbero no set final. É o terceiro jogador da posição a ter chance nesta Liga. A suspensão pode custar bem caro para Mário Júnior.

Vocês gostaram do que viram?

Visão de jogo: Agora é campeão de tudo

domingo, 12 de abril de 2015
Festa celeste no Mineirinho (Alexandre Arruda/Divulgação)

Festa celeste no Mineirinho (Alexandre Arruda/Divulgação)

Texto escrito para a edição desta segunda-feira do LANCE!, sobre a final da Superliga masculina:

Como definir a temporada de um clube que conquistou o título da Superliga masculina e também da divisão de acesso da competição nacional? Enquanto vocês pensam na pergunta, eu procuro explicar os segredos do sucesso do Sada/Cruzeiro.

Neste domingo, no Mineirinho, com 14 mil pessoas, a vitória sobre o Sesi por 3 a 1 garantiu o bicampeonato (consecutivo) na elite do vôlei nacional. E aqui a primeira explicação para o sucesso celeste: os mesmos sete titulares da temporada 2013/2014 começaram jogando a decisão E seis deles já tem contrato para o próximo ano (falta o central Eder). A manutenção do elenco faz com que o entrosamento seja uma arma poderosa do Sada. O técnico argentino Marcelo Mendez, arquiteto por trás dos títulos cruzeirenses, tem o time na mão. E os jogadores se conhecem por uma simples troca de olhares. E tenham certeza de que não é exagero. Basta reparar na sintonia de William e Wallace.

O ponto crítico do jogo aconteceu no terceiro set e comprova outra qualidade do Sada: a cabeça no lugar em momentos decisivos dos jogos. O Sesi teve 24 a 21 e poderia fazer 2 sets a 1. Mas os mineiros souberam neutralizar Lucão em três ataques seguidos e empataram a parcial.  Quando fecharam em 27 a 25, praticamente selaram a conquista. E olha que estamos falando de um adversário que tinha, além do central da Seleção, jogadores do quilate de Escadinha, Murilo, Lucarelli e Marcelinho. E, para ser justo, cito Theo (20 pontos) e Riad (oito pontos de bloqueio), para mim, os dois melhores do Sesi no jogo.

Para tentar encerrar minha explicação sobre o sucesso do Sada, o cubano Leal merece um capítulo à parte. Como jogo fácil o ponta! Foram 21 pontos, o prêmio de melhor jogador da final e a confirmação da grande diferença que ele pode fazer no ataque e no saque. Nesta segunda-feira, na convocação de Bernardinho para a Liga Mundial, existe a expectativa da presença do nome do cubano. Faz tempo que CBV e a comissão técnica da Seleção discutem o processo de naturalização de Leal. Ele quer. A Seleção quer. E mais: precisa de um jogador com estas características para a Rio-2016.

 

Sada/Cruzeiro “não larga o osso” e está em outra final

terça-feira, 31 de março de 2015

2010/2011, 2011/2012, 2012/2013, 2013/2014 e agora 2014/2015.

Cinco temporadas seguidas com o Sada/Cruzeiro na decisão da Superliga masculina. Uma marca pra lá de extraordinária, levando em consideração que a base do grupo é quase a mesma, algo pouco usual no vôlei e no esporte em geral.

É chover no molhado, mas vou elogiar Marcelo Mendez. O argentino, que não gosta dos holofotes e sempre prefere enaltecer a força do seu grupo, é o grande arquiteto deste projeto vencedor em quadra. Consegue liderar um grupo vencedor por todo este tempo sem alterar o tom do voz, algo cada vez mais raro. E admito que sou fã de quem tem esse dom, além de ser um entendedor profundo das questões táticas.

William, Wallace, Filipe, Serginho e Douglas Cordeiro formam a ala dos mais antigos do grupo, presentes desde o início deste processo vencedor. Eder, Isac e Leal têm um pouco menos de tempo de casa, mas já se conhecem há três temporadas. A tal da “química” é um dos segredos do sucesso deste Cruzeiro, que não cansa de estar em quase todas as finais.

E me chamou a atenção, na entrevista pós-jogo ao SporTV, William citando Acácio, Daniel e Maurício, jogadores que participaram de conquistas recentes, e não estão mais no grupo. É realmente um ambiente diferenciado.

Por fim, vale uma menção honrosa ao Minas. Não pelo jogo de ontem, que foi quase um massacre. Mas por ter conseguido se colocar na semifinal sem tanto investimento.

Coluna: O racismo está aí. E segue sem punição severa

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Coluna Saque publicada neste domingo, 1 de fevereiro de 2015. Mas pode virar texto default e sair anualmente, mudando apenas os personagens:

O assunto desta coluna é, mais uma vez, o racismo. Essa praga que cada vez mais aparece em arenas esportivas mundo afora. Essa praga que não aceita diferenças entre as pessoas. Essa praga que acha que B é melhor do que C pela cor da pele, opção religiosa ou orientação sexual. Essa praga que parece ter gostado de frequentar a Superliga.

Esse parágrafo tão atual no cenário do vôlei brasileiro foi escrito no dia 10 de março de 2012, publicado neste mesmo L!. Saiu diretamente do meu arquivo para comprovar uma preocupação que eu tinha. O caso Fabiana, dias atrás, em Belo Horizonte, durante derrota do Sesi para o Camponesa/Minas, infelizmente  confirma, em 2015,  minhas suspeitas, como poderão ler no parágrafo abaixo:

“Se não houver qualquer punição, o sentimento de impunidade, algo já característico e reprovável da sociedade brasileira, fará com que novos casos aconteçam. Tenho certeza. E ajudar a combater essa praga cabe aos clubes, às autoridades policiais e também à CBV. A entidade pode e deve punir os clubes, caso eles não colaborem na tentativa de identificação dos criminosos. Não importa se foi um grupo de torcedores ou apenas um infeliz. Que
se crie uma escala de punições. Multa, perda de mando de jogo, perda de pontos e até suspensão do campeonato”.

Casos Michael, Ramirez, Wallace e Fabiana. Todos durante a Superliga nas últimas temporadas. E quantos foram punidos? Que medidas para reprimir tais atos foram tomadas a partir do 1, do 2 ou do 3 casos? Haverá alguma medida após o quarto péssimo exemplo? Ou vamos aceitar a tese de que o problema é cultural e o esporte não pode fazer nada para ajudar?

A resposta oficial:

– A CBV repudia o ato de racismo, presta total solidariedade a Fabiana e declara que espera não presenciar mais esse tipo de situação.

Isso é muito pouco, CBV!

O recado do campeão para o pretendente

sábado, 8 de novembro de 2014

Sada/Cruzeiro e Funvic/Taubaté fizeram, neste sábado, sem transmissão pela TV, um dos jogos mais aguardados neste início de Superliga. E atual campeão deu um recado ao vencedor do Estadual de SP e bem cotado para disputar o caneco da Superliga nesta temporada.

Em Contagem, vitória mineira por 3 a 0, parciais de 25-9 (!?!), 25-21 e 25-16. Wallace, com 15 pontos, e Leal, com 14, foram os destaques do Sada.

O incrível placar do set inicial pode ser explicado, em parte, pela força do cubano. Ele marcou quatro aces e colaborou para os cruzeirenses abrirem 8 a 1 na primeira parada técnica. E estamos falando de uma linha de passe com Dante, Chupita e Felipe, todos selecionáveis.

Como “desculpa” para o Taubaté a ausência do levantador Rapha e do central Sidão certamente foi sentida. Ainda assim, eu esperava bem mais de quem acabou de faturar um estadual competitivo e já sem a dupla em parte das finais.

Agora é esperar pela reprise no returno ou nos playoffs.

 

Hegemonia mantida em Minas

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Sem muito trabalho, o Sada/Cruzeiro conquistou, neste fim de semana, o pentacampeonato mineiro.

Na final, vitória tranquila sobre o Minas por 3 a 0, parciais de 25-15, 25-16 e 25-15. Filipe e Wallace fizeram dez pontos cada.

Pelo nível atual de investimento dos rivais, um resultado lógico. Mas eu esperava sets um pouco mais disputados.

Pensando na Superliga, o campeão Sada é, mais uma vez, favorito ao título. Já o Minas, que em anos anteriores se meteu entre os primeiros, vai brigar para entrar entre os oito dos playoffs.

Sada/Cruzeiro: William, Wallace, Filipe e Leal, Éder e Isac e o líbero Serginho. Entraram: PV e Lucas Salim. Técnico Marcelo Mendez.

Minas: Everaldo, Franco, Canuto, Yadrian, Otávio, Pétrus e o líbero Lucianinho. Entraram: Felipe, Madaloz, Thiago e Flávio. Técnico Nery Tambeiro.

O tetra Mikou

domingo, 21 de setembro de 2014

Depois do primeiro set, o tetra parecia apenas uma questão de tempo. E faço essa análise pela quase perfeição da atuação do Brasil e a performance apagada da Polônia. Mas a virada dos donos da casa aconteceu, para delírio da torcida em Katowice, e tetracampeonato mundial da Seleção ficou no quase.

Coisas do esporte. Méritos do francês Stephane Antiga, que acertou ao colocar o veterano Zagumny, um remanescente da final do Mundial de 2006, para mudar o jogo. Ele mudou o ritmo da partida, colocando em ação Mika, o atacante que desequilibrou. O bloqueio brasileiro, que estava encaixado, não se encontrou mais no decorrer do jogo e isso fez uma tremenda diferença.

Outro mérito polonês foi ter colocado a cabeça no lugar após a derrota na primeira parcial. O time todo parecia estar sentindo demais a responsabilidade de jogar uma final em casa. Jogadores presos, tensos… E eles se soltaram! Passaram a usar a torcida como combustível, não como adversária. E jogaram melhor do que o Brasil. Tão simples quanto isso.

A Seleção Brasileira errou mais do se aceita para uma decisão. O saque parou de pressionar a linha de passe polonesa, Lucarelli e Lucão tiveram uma queda de rendimento no aproveitamento de ataque, o passe de Mário Júnior não era mais o mesmo e o jogo passou a ficar muito centralizado em Wallace, que virou muita bola, diga-se de passagem. Nesta hora, faltou o Brasil ter mais um atacante em condições de receber mais bolas, já que Murilo estava nitidamente limitado por questões físicas.

Como já escrevi anteriormente, coisas do esporte. Venceu quem controlou mais os nervos em todo o jogo, quem soube tirar do banco de reservas um coelho da cartola e quem jogou melhor. Infelizmente, desta vez, não foi o Brasil.

 

Трамплинг!

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Fiquei com vontade de escrever este texto diretamente no Google Tradutor, deixando não apenas o título em russo. Mas, para poupá-los do trabalho de traduzir tudo de volta para o português, apenas a palavra ATROPELAMENTO foi escrita no idioma do Muserskiy.

Por falar no gigantão, ele, que já nos atropelou uma vez, anotou a placa desta vez?

Infelizmente, compromissos profissionais me impediram de ver o jogo. Mas, pelos que já pude ler a respeito do 3 a 0 (25-22, 25-20 e 25-21), fica evidente  a superioridade técnica em quadra e a comprovação de que um dos pontos que levantei no texto de ontem, na derrota para a Polônia, fez diferença: acostumado com momentos decisivos, o Brasil cresce muito.

“Quando a faca está na garganta”, escreveu Dante, no Instagram. E ele tem razão. O vôlei brasileiro se habituou em sair do fundo do poço em algumas situações que pareciam perdidas. E aqui, que fique claro, não estou defendendo o pachequismo e muito menos na tese de que “todos estão contra nós” ou “vencemos a tudo e a todos”. A tese é a de que a Seleção Brasileira consegue absorver algumas derrotas doídas rapidamente e tira forças, também instantaneamente, de algumas situações pontuais para se levantar. Não vai acontecer sempre, mas tem acontecido frequentemente. E isso com certeza coloca um grilo na cabeça dos rivais em partida com o status e importância da de hoje.

Agora, classificado para as semifinais, o time verde-amarelo terá tempo para recuperar fisicamente alguns jogadores, antes da definição de um lugar na decisão. Murilo é o principal exemplo. Jogou no sacrifício nesta quarta-feira e tem uma grande parcela de mérito pelo triunfo “psicológico”. Nesta hora, uma situação como a do ponta contamina positivamente o grupo, que quer “dar uma vitória de presente” para quem está se sacrificando, se une ainda mais e coloca uma raiva, no bom sentido da palavra, na forma de jogar. E todo esse esforço dele fez a diferença. Wallace, outro que estava baleado dias atrás, colaborou com 14 pontos, um a menos do que Lucarelli, o maior anotador. Certamente, estão doloridos agora. Mas não mais do que a cabeça dos russos.

 

 

 

 

O plantão médico brasileiro versus a pressão polonesa

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Espero um jogo dificílimo para o Brasil na abertura da terceira fase do Mundial, diante da Polônia, em Lodz.

Enfrentar os donos da casa em um momento decisivo sempre é uma tarefa indigesta, ainda mais quando seu principal passador corre risco de não atuar.

Segundo o médico Álvaro Chamecki, Murilo sofreu mesmo um estiramento e fará um teste antes da partida para saber se tem condições de jogo. Notícia pra lá de preocupante, levando-se em conta sua importância no sistema de passe e também sua eficiência no bloqueio.

Mesmo sendo pouco acionado no ataque neste Mundial, o camisa 8 é peça-chave no time por executar quase que com perfeição uma função que o Brasil já teve Nalbert, Giba, Dante, mas atualmente sofre com a reposição. Chupita, que dá outro ritmo no saque e contagia a equipe com vibração, é a opção que resta ao técnico  Bernardinho.

Já Wallace melhorou da torção no tornozelo e Sidão também está bem. Pelo jeito, devem atuar, ainda que longe da condição física ideal. Hora e vez para a força do grupo, que já foi a marca registrada desta Seleção e que tem reaparecido em vários momentos, principalmente com Leandro Vissotto e Rapha nas inversões na Polônia.

Por fim, a provável ausência de Murilo fará com que os poloneses partam para cima no saque, com Wlazly & Cia., sabendo que esta arma pode ser decisiva para um darem um tremendo passo rumo à semifinal. Eles, que já foram cotados como favoritos ao ouro olímpico em 2012 e agora buscam retomar um lugar entre os tops do vôlei da atualidade após uma série de decepções, certamente estão pensando que não existe momento melhor para bater os atuais tricampeões do mundo.  Será que terão força mental para aguentar tal pressão que todo um país os coloca?