Posts com a Tag ‘Fernanda Garay’

Brasil vence bem no Rio. Mas pouca gente viu

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Um Maracanãzinho quase vazio recebeu a abertura da  Copa Rio Internacional, nesta sexta-feira, no Rio de Janeiro.

Admito um sentimento meio estranho ao ver o ginásio da próxima Olimpíada com um público tão pequeno (até a publicação deste post a CBV não havia anunciado um número oficial. No “olhômetro” eu não aposto em 600 pessoas). Tentei puxar na memória  uma outra partida oficial da Seleção Brasileira, tanto feminina quanto masculina, com tantos espaços vazios em qualquer ginásio do país. E não encontrei.

Único lugar do ginásio com público. O restante completamente vazio (Daniel Bortoletto)

Único lugar do ginásio com público. O restante completamente vazio (Daniel Bortoletto)

O preço dos ingressos (R$ 80 pista e R$ 60 arquibancada) foi o principal motivo apontado pelos torcedores (ausentes e presentes) para este atípico fenômeno. Para quem não tem direito ao desconto de 50% da meia entrada é realmente bem salgadinho. E não vejo outro fator para isso, já que eram cinco pontos físicos de venda antecipada no Rio, além da comercialização online.

Público, ou melhor, falta de público à parte, a primeira rodada do quadrangular teve vitórias da Bulgária sobre a Holanda por 3 a 2 e do Brasil sobre a Alemanha por 3 a 0.

Repleto de desfalques (Fabiana, Fernanda Garay, Juciely, Joycinha, Adenízia e Suelle viram o jogo das cadeiras do Maracanãzinho), o Brasil esteve em parte do jogo com as alemãs no clima do ginásio: morno. José Roberto Guimarães iniciou o jogo com Dani Lins, Monique, Gabi, Natalia, Carol, Bárbara e Camila Brait. No banco de reservas, nenhuma central, uma líbero (Léia), duas levantadoras (Macris e Roberta), uma ponta (Mari Paraíba) e duas opostos (Sheilla, nitidamente incomodada com o ombro esquerdo e Rosamaria, chamada às pressas e que também será utilizada como ponta). Assim, não era de se esperar muitas mudanças durante o jogo e foi o que aconteceu. No primeiro set, a Seleção só abriu vantagem após uma boa sequências de saques de Dani Lins a partir do 19 a 18, levando a vantagem para 22 a 18. A parcial foi fechada em 25 a 20 após um erro de ataque da Alemanha. A única a entrar foi Sheilla, já na reta final, para aumentar a rede, substituindo Monique.

O saque voltou a funcionar no segundo set. Numa passagem de Natália, o time brasileiro abriu 10 a 6. A construção desta cômoda vantagem não foi suficiente para que o restante da parcial fosse conduzida com tranquilidade, tanto que o empate aconteceu no 12º ponto. E Zé Roberto pediu o primeiro tempo no jogo. Mas nada que fizesse soar o alerta vermelho. Contando com erros de ataque das rivais, o Brasil voltou a abrir após o segundo tempo técnico até fechar em 25 a 18, após ataque de Bárbara.

Gostei da atuação brasileira no terceiro set. Jogadoras atentas na cobertura, bloqueio tocando muito nos ataques alemães, Camila Brait fazendo várias defesas difíceis e nenhum sinal de acomodação pela vantagem no placar. Seriedade e nível de concentração que merecem elogios. E o até então calado Maracanãzinho teve algumas pequenas explosões de merecidos aplausos para o time, que fechou a partida em 3 a 0, com 25 a 15. Rosamaria, Macris, Mari Paraíba e Roberta ainda entraram para jogar um pouquinho.

Neste sábado, às 15h45, o Brasil voltará a jogar, desta vez diante da Bulgária, com transmissão pelo SporTV. Às 18h estarão em quadra Alemanha e Holanda. Será que o público vai aparecer desta vez?

 

 

 

 

 

Sem brilhar, Brasil cumpre obrigação e bate tailandesas

sábado, 11 de julho de 2015

A invencibilidade foi mantida. Mas a atuação não encheu os olhos. Assim defino a vitória brasileira sobre a Tailândia, neste sábado, por 3 sets a 1, parciais de 25-23, 20-25, 25-14 e 25-19, no Ibirapuera.

O quinto triunfo em cinco jogos neste Grand Prix mostrou falhas que não foram nítidas em outras apresentações. Desatenções em coberturas, erros em combinações de ataque, passe instável e dificuldades para virar as bolas com as opostos.

A tailandesa Tomkom em ação (FIVB Divulgação)

A tailandesa Tomkom em ação (FIVB Divulgação)

Com esse cardápio, José Roberto Guimarães mexeu no time por obrigação, não apenas para dar ritmo para as reservas. Joycinha saiu no primeiro set para entrada de Monique, que na parcial seguinte foi substituída por Barbara, que até então vinha sendo usada como central na Seleção. Natalia entrou na vaga de Garay, Adenízia entrou no meio de rede na posição de Carol.

Chamo a atenção para o número de Malika Kanthong, responsável por nove pontos de ataque apenas na segunda parcial.

Depois da derrota no segundo set, Zé voltou com o time que iniciou o jogo.  Talvez pensando: a cota de erros está esgotada. É hora de testar essa formação no momento mais difícil. E a aposta funcionou. O time voltou muito mais ligado, os erros diminuíram e rapidamente a ordem natural das coisas foi retomada. 8 a 3 logo na primeira parcial, vantagem foi aumentando, a ponto de permitir que as trocas para dar ritmo pudessem ser feitas, com Ana Tiemi e Jaqueline entrando na partida. Carol, com seis pontos, foi a destaque no incontestável 25 a 14.

No quarto set,  novamente o time-base foi escalado no início.  E o panorama foi parecido com a parcial anterior. Boa vantagem conquistada logo de cara, com o bloqueio anulando o ataque asiático e caminhada tranquila até o fechamento do set, já com várias reservas em quadra.

Analisando friamente, o melhor do jogo talvez tenha sido o susto tomado no segundo set. Contra rivais mais fortes, na fase final, um cochilo assim pode custar bem caro.

 

Brasil não dá chances para a Bélgica em SP

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Um susto no início do jogo. E depois uma lavada. Assim pode ser definida a vitória do Brasil sobre a Bélgica por 3 sets a 0, parciais de 25-17, 25-16 e 25-14, nesta sexta-feira, na abertura da etapa de São Paulo do Grand Prix.

Foi a quarta vitória em quatro jogos do Brasil no torneio, caminhando tranquilamente até aqui para a classificação para a fase final, que acontecerá em Omaha, nos Estados Unidos. Neste sábado, às 10h, o duelo será contra a Tailândia. No domingo, no mesmo horário, confronto com a Alemanha.

Zé Roberto começou o jogo de hoje com Dani Lins, Joycinha, Gabi, Fernanda Garay, Juciely, Carol e Camila Brait. Considerando que Jaqueline, que estava no banco de reservas, teve um princípio de pneumonia há algumas semanas, dá para considerar esse time a força máxima atualmente.

Comemoração brasileira no Ibirapuera (FIVB Divulgação)

Comemoração brasileira no Ibirapuera (FIVB Divulgação)

E até o 11º ponto do set inicial parecia que havia algo errado na equipe. A virada de bola estava bem abaixo do normal, falhas na relação bloqueio-defesa e uma sensação de que a Bélgica, mesmo sem Van Hecke, sua principal jogadora, poderia aprontar. 0-4, 2-6, 4-8… A diferença, porém, começou a cair quando Carol marcou dois pontos no bloqueio e passou a ser mais acionada por Dani Lins no meio.  A virada aconteceu antes do segundo tempo técnico. E daí para frente as europeias não incomodaram mais.

Carol, personagem de outro texto, que será publicado mais tarde, terminou o primeiro set com seis pontos (quatro no ataque e dois no bloqueio), liderando o Brasil.

Do segundo set em diante, o time esteve mais equilibrado. Gabi foi uma boa opção nas jogadas pelo fundo, Juciely e Fê Garay também cresceram no ataque e bloqueio. O resultado foi o domínio total da equipe brasileira. Até o público deu uma relaxada. A empolgação voltou no fim do segundo set, quando Jaqueline fez sua estreia no GP entrando no lugar de Garay.

No último set, mais mudanças. Monique entrou na saída de rede, com Natalia formando a linha de passe com Gabi e Camila Brait. As belgas até chegaram a esboçar uma reação na metade da parcial, mas nada que ameaçasse a vitória brasileira por 3 a 0, já com Ana Tiemi, Barbara, Jaqueline, Sassá e Adenízia também em quadra.

Um papo com Fernanda Garay

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Titular na vitória do Brasil sobre o Japão, ontem, no quarto e último amistoso da série, a ponta Fernanda Garay conversou com exclusividade com o blog após o 3 a 2, no Maracanãzinho.

Ela fez um balanço da temporada de estreia pelo Dínamo Krasnodar, da Rússia, além de projetar o desempenho da Seleção em 2015.

BALANÇO TEMPORADA 2014/2015

“Acho que o saldo foi muito positivo na temporada. Jogamos Copa da Rússia, Campeonato Nacional, Mundial de Clubes e Copa CEV (segundo principal campeonato euroeu). Das quatro ganhamos duas (Copas da Rússia e CEV), ficamos uma em segundo (Mundial) e na outra não fomos muito bem (derrota nas quartas de final do Russo). Então, posso garantir que o saldo foi positivo”

Garay em ação contra o Japão (Alexandre Arruda/Divulgação CBV)

Garay em ação contra o Japão (Alexandre Arruda/Divulgação CBV)

A EXPERIÊNCIA RUSSA

“A minha expectativa de Rússia não existia. Antes de receber a oportunidade de trabalhar lá, não tinha muita informação. Mas o nível do campeonato é muito forte, adversários com piores colocações costumam dar trabalho nos jogos. Na questão do relacionamento com as jogadoras russas, foi tudo tranquilo. Só não foi melhor pela dificuldade da língua. Elas não falam quase nada de inglês. Então, no começo, me relacionava mais com a Pasynkova (ponta), que falava inglês, com a Sokolova, que fala bem, e, é claro, com a Fabíola o tempo inteiro. Aos poucos fui aprendendo um pouco de russo, mas elas sempre foram simpáticas, me trataram bem. Hoje já falo um pouquinho de russo e isso também ajuda”

TRABALHO COM UM GRUPO MAIOR DE ATLETAS

“Está sendo bom até aqui. As jogadoras estão buscando dar algo a mais, para assim conseguirem se manter no grupo”

MOMENTO

“Fisicamente estou um pouco atrás das demais jogadoras, pois elas tiveram mais tempo de treino (Garay se apresentou com as jogadoras do Rexona, que também disputaram o Mundial de Clubes). Mas estou me dedicando ao máximo para me equiparar a elas, pois teremos uma primeira fase muito forte no Grand Prix, a segunda também, ainda mais sendo no Brasil. A intenção é tentar me recuperar o mais rapidamente possível”

Alguns tópicos da coletiva de Zé Roberto

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Separei algumas declarações que o treinador da Seleção feminina deu, horas atrás, após anunciar a lista com 33 convocadas para a temporadas.

SASSÁ

– Foi uma conversa que tivemos, pois ela sempre colaborou muito durante todos esses anos como integrante da Seleção adulta. Foi sempre muito de grupo, decisiva em todos os campeonatos que participamos. Apresenta essa possibilidade de passe e defesa, além de ser ótima pessoa. A comissão técnica achou que ela seria interessante na posição, dando oportunidade de uma mudança. Não temos dúvidas de que no futuro ela será uma das principais atletas do Brasil. Ela nunca se machucou, é forte fisicamente, sempre se cuidou muito. Que seja feliz nessa nova função.

SHEILLA/FABIANA

– A ideia (de não convocar as duas) começou no Mundial (de 2014). Temos que pensar de uma forma diferente nelas. Estão desde 2002 na estrada, jogando a maioria dos campeonatos pela Seleção. Diria que disputaram 90% deles. A Sheilla acabou o Campeonato Turco no último domingo. Poderia ser até que participasse do Mundial, caso se classificasse, mas o time (Vakifbank) não conseguiu na Liga dos Campeões. Ela está precisando de uma reciclagem, de um descanso, de tranquilidade, até para que renove as energias. A Fabiana é a mesma coisa. Então, chegamos a essa conclusão.

GARAY

– Fernanda é mais jovem que Sheilla e Fabiana. Jogou algumas temporadas fora do Brasil, jogou na Turqua, no Japão, na Rússia. Terá o mesmo tempo de ‘descanso’ das jogadoras do Rexona. Mas é claro que vamos observar o estado dela. Temos que enaltercer o trabalho físico, dar uma sustenstação às atletas nesses meses de treinamento

RECUSAS

– Tivemos que mandar uma lista larga esse ano para o Pan. Essa lista foi acompanhada de um pedido do COB de uma ficha chamada de elegibilidade, porque a atleta tem de estar apta. E duas não assinaram, a Bia, e a Suelen. Disseram não à Seleção. Por opção, preferiram ficar fora. Prefiro falar isso agora para depois ninguém dizer que eu não convoquei.

Vaivém: Russos confirmam Garay por mais um ano

quarta-feira, 25 de março de 2015

O Dínamo Krasnodar, da Rússia, confirmou em seu site oficial a renovação da ponta brasileira Fernanda Garay por mais um ano.

Ela, assim, seguirá fazendo dupla com a compatriota Fabíola na temporada 2015/2016.

Andrey Makarov, dirigente do clube, foi só elogios à atleta:

– Fernanda é uma líder indiscutível, uma pessoa maravilhosa e uma grande jogadora. Uma verdadeira lutadora.  Sua experiência, sua emoção e sua habilidade para manter tudo tranquilo mesmo nos momentos mais difíceis e jogos mais estressantes ajudará muito o time.

Garay está na briga pela Copa CEV e disputará ainda o Mundial de Clubes. No Campeonato Russo, como já alertado nos comentários pelos atentos leitores, o Krasnodar caiu nas quartas de final.

 

O melhor momento de Fabíola?

terça-feira, 30 de dezembro de 2014
Fabíola e Fê Garay na Rússia (Reprodução)

Fabíola e Fê Garay na Rússia (Reprodução)

Título da Copa da Rússia, melhor levantadora e MVP da competição… O fim de ano não poderia ter sido melhor para Fabíola.

A brasileira liderou o Dínamo Krasnodar à conquista de um título após longos 20 anos de jejum, ao vencer Omichka Omsk, no tie-break. Não vi o jogo ontem, mas li vários elogios para a brasileira. Chego a me questionar se Fabíola passa pelo melhor momento da carreira. E talvez a resposta seja sim.

A transferência internacional para um grande centro, o amadurecimento forçado após algumas pancadas (principalmente na Seleção), a adaptação necessária para jogar contra a força e a altura do vôlei russo, sem falar do frio e do idioma.  Fabíola se encontrou ao lado de craques como Sokolova e Kosheleva, tendo Fernanda Garay como porto seguro nos momentos mais complicados.

O torcedor brasileiro espera que esta mesma Fabíola se apresente à Seleção em meados de 2015. E possa fazer sombra para Dani Lins, algo que não tem acontecido nos últimos anos.  Isso pode fazer um bem enorme para o Brasil em seu ano pré-olímpico.

 

 

 

Que atuação irrepreensível!

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Na abertura da terceira fase do Mundial, Brasil fez a China parecer um adversário qualquer, inexpressivo até. O time de José Roberto Guimarães jogou demais, neutralizou todas as principais armas do adversário e transformou um jogo que poderia ser problemático em uma molezinha. O 3 a 0, com parciais de 25-19, 25-16 e 25-15, explica bem a diferença entre os dois, hoje, em Milão.

A Seleção foi tão bem que é difícil apontar um ou outro destaque, sem parecer injusto. Dani Lins fez uma partida impecável na distribuição, deixando alguns jogos abaixo da média para trás. Não me lembro de ter visto a levantadora atuar tão bem até agora na competição. Nas pontas, Jaqueline e Fernanda Garay atacaram como russas e defenderam como asiáticas. Estranho dizer isso, mas a China não representou à altura o nível de defesa que tradicionalmente as seleções da Ásia. Enquanto isso, o Brasil deu show no fundamento, liderado pela líbero Camila Brait, a melhor da competição neste quesito. No meio de rede, Fabiana e Thaisa foram dominantes no ataque e brincaram de bloquear. Pobre Zhu, caçada pelo saque brasileiro e que nem de longe foi sombra do que já apresentou outras vezes. Sheilla foi a jogadora que se destacou menos,  mas ainda assim teve boas passagens pelo saque e pontuou no ataque em algumas bolas difíceis.

O resultado deixa o time muito próximo das semifinais. Nesta quinta, caso a China vença a República Dominicana por 3 a 1/3 a 2 ou perca por qualquer placar, o Brasil já estará classificado sem entrar em quadra, fazendo o confronto de sexta, contra as caribenhas, valer apenas o emparceiramento da próxima fase.

E, além disso, a atuação impecável do time verde-amarelo vai colocar mais pulgas atrás das orelhas dos adversários. O Brasil, único invicto do Mundial, joga ainda melhor com a aproximação do momento decisivo. É para os outros ficarem preocupados mesmo!

PS: Agora com link para um fantástico ponto no início do segundo set. Confiram: http://wp.me/p1b2tr-216

 

Viradaça!

sábado, 27 de setembro de 2014

Fiquei até com vontade de iniciar este texto com um palavrão. Mas me contive. Mas a vitória do Brasil sobre a Turquia, neste sábado, no tie-break, até merecia um desabafo.

Sair de 0 a 2 para 3 a 2, em alguns momentos, me pareceu impossível. Mas a Seleção encontrou o jogo que não entrou nas primeiras parciais para conseguir uma vitória que dá moral para a longa caminhada para o título inédito. Talvez, lá na segunda quinzena de outubro, a gente volte a falar do jogo de hoje como um marco para a conquista, na Itália.

Único adversário que conseguiu a vencer o Brasil no último Grand Prix, a Turquia começou a partida da mesma forma que terminou o anterior lá no Japão. Sacando demais, tirando Jaqueline e Fernanda Garay do sério e desestabilizando o time todo. De um lado, nada dava certo. Do outro, um time voando no primeiro set.

Zé Roberto apostou em Gabi na vaga de Garay e o equilíbriou aconteceu até o 22º ponto da segunda parcial. Daí em diante o bloqueio turco apareceu com tudo, fez três pontos seguidos e o placar mostrava um justo 2 a 0 para a equipe de Massimo Barbolini.

Um ponto de saque, outro de bloqueio e o início do terceiro set foi decisivo para mudar o astral do Brasil em quadra. As jogadoras passaram a sorrir, a desconcentração se transformou em luta por cada bola e o jogo começou a fluir. A defesa, que não conseguia levantar bolas, passou a gerar contra-ataques. O bloqueio passou a parar Sonsirma, Seda e Ozsoy. E a virada de bola, antes instável, teve um aproveitamento muito maior. 1 a 2, 2 a 2 e tie-break. Parecia uma virada inevitável após os primeiros pontos do quinto set, quando a Turquia, em um último esforço para se manter viva no Mundial, abriu 8 a 5. Zé Roberto tirou Dani Lins e Sheilla e colocou Tandara e Fabíola. Garay foi para o saque. E os sorrisos voltaram para o lado verde-amarelo. E o placar logo virou para 10 a 8. Gabi ainda entrou para sacar no lugar de Fabiana e ajudou a vantagem a aumentar. Ao voltar as titulares, Zé fez um afago especial em Fabíola, levantadora que foi cortada às vésperas da última Olimpíada e que também teve um desentendimento com a comissão técnica nas finais do Grand Prix. Reconhecimento de que a reserva foi decisiva quando acionada.

Primeira prova, neste Mundial, que o grupo todo pode fazer a diferença.

Que a virada e os 24 pontos de bloqueio sejam um divisor de águas para a Seleção na Itália!

 

 

 

 

Duas mãos cheias!

domingo, 24 de agosto de 2014

1994, 1996, 1998, 2004, 2005, 2006, 2008, 2009, 2013 e 2014.

Dez vezes Brasil no Grand Prix. Duas mãos cheias de título. Mãos cada vez mais habituadas em levantar troféus, como mais uma vez fez a capitã Fabiana, em Tóquio. Mãos da mamãe Jaqueline, de uma regularidade surpreendente para quem havia ficado um ano sem jogar. Mãos cada vez mais confiantes de Dani Lins ao escolher quem receberá as bolas de ataque. Mãos que gostam de um jogo decisivo, como as de Sheilla. Mãos “estreantes” de Camila Brait durante toda uma campanha de um torneio tão importante, que ganham rodagem para os objetivos mais importantes deste ciclo: Mundial e Rio-2016. Mãos que fazem Fernanda Garay ser uma peça-chave em vários fundamentos. Mãos que bloquearam rivais com uma facilidade de dar inveja neste GP, Thaisa!

Campeãs mais uma vez (FIVB/Divulgação)

Campeãs mais uma vez (FIVB/Divulgação)

Mãos que fizeram, nesta manhã, a pequena revolução japonesa receber uma aula. O time de Manabe que joga sem centrais, que vinha surpreendendo na fase final e que só precisava de dois sets sentiu a pressão imposta pela Seleção. Os dois primeiros sets foram dominados pela equipe de José Roberto Guimarães do início ao fim. As parciais de 25-15 e 25-18 deixam isso bem claro. O saque incomodou o quase perfeito passe japonês, o bloqueio matou ou tocou em várias bolas e o ataque foi paciente para vencer o sistema defensivo exemplar das orientais.

A final foi final de verdade no terceiro set. O tudo ou nada japonês no saque deu trabalho para a linha de recepção brasileira e o placar, quase sempre equilibrado, trocou de mãos até o 20º ponto. Na reta final da parcial, o peso das mãos acostumadas com decisões fez a diferença.  E o ponto que fechou a edição de 2014 do Grand Prix foi de Jaqueline, numa largada (27 a 25).

Nas estatísticas, Sheilla, que começou o Grand Prix com atuações apagadas e preocupantes, provou mais uma vez que gosta de jogo decisivo. Anotou 16 pontos e liderou o Brasil. O block, como o esperado, deu goleada: foram 10 pontos do Brasil e três do Japão. E as donas da casa, em busca da inédita conquista, sentiram a responsabilidade e erraram demais: 29 pontos dados de graça.

Que venha o Mundial, daqui a um mês, na Itália! Mãos à obra para a conquista do inédito título, Brasil!