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Posts com a Tag ‘Dante’

Vaivém: A situação atual do RJX

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Muita gente tem perguntado sobre o RJX, atual campeão da Superliga. As informações que tenho são as seguintes:

- Os dirigentes do time ainda buscam co-patrocinadores que possam “recuperar” parte da verba que a OGX, de Eike Batista, deixará de investir. Os números, de acordo com diferentes fontes, variam, podendo chegar a 40% do total investido na temporada passada. A promessa era ter uma definição até o fim da semana.

- A busca por mais verba deixou algumas negociações estagnadas. Um caso é o de Thiago Alves, que ainda não renovou, mas é uma das prioridades.

- Bruninho, Mário Júnior, Riad e Thiago Sens já estão apalavrados e o mercado já dá como certa a permanência do quarteto.

- A situação de Dante é incerta. Hoje, a tendência maior é de saída. Ele, inclusive, recebeu sondagem do Sada/Cruzeiro.

- João Paulo Bravo é, sim, uma possibilidade de reforço.

- Como já escrevi aqui dias atrás, o central Maurício, ex-Vivo/Minas, é um reforço garantido.

 

Virada e título do RJX em um jogo pra lá de estranho

domingo, 14 de abril de 2013

Acabo de chegar do Maracanãzinho, palco da final entre RJX x Sada/Cruzeiro. E temos muito assunto para discutir aqui no blog hoje e nos próximos dias também.

Começo por uma análise do jogo. Arrisco a dizer que foi a final mais estranha que já vi.

Pelo nível técnico das duas equipes e pelo equilíbrio das campanhas, eu esperava um jogo mais parelho, com parciais apertadas e disputa até o ponto final. E isso não aconteceu em nenhum dos quatro sets. 15-25, 25-18, 25-18 e 25-14 são resultados de sets que ninguém apostaria. Não reflete os times que estavam em quadra.

Quando um deles jogou, o outro sumiu. O então campeão Sada/Cruzeiro começou o jogo de forma avassaladora. O saque entrando e desestruturando a linha de passe do RJX. Dante sendo o alvo principal e não conseguindo fazer com que a bola chegasse na mão de Bruninho. Sem passe A ou B nas mãos, o levantador ficava sem sua bola de segurança: o meio.

A receita para o bicampeonato parecia certa. Mas o jogo mudou. E radicalmente.

Dante e Thiago Alves passaram a dar segurança no passe. O saque de Lucão começou a fazer muitos estragos. E Bruninho passou a realizar uma distribuição inteligente, dividindo bem as bolas entre Theo, os centrais e os ponteiros. Neste jogo de xadrez, o RJX parece ter colocado o Sada/Cruzeiro em xeque-mate. E nos três sets vencidos pelos cariocas o panorama foi o mesmo.

Senti os cruzeirenses menos vibrantes do que o normal. Talvez tomados por um certo sentimento de frustração por estarem jogando muito abaixo do que poderiam. E não conseguiram se reerguer. Marcelo Mendez invertou o 5-1, trocou Leal por Maurício, depois manteve o ponta reserva e tirou Filipe. Nada surtiu efeito. A decisiva dupla William/Wallace também não fez os estragos que está acostumada. E, como disse na transmissão da CBN, os sets já se definiam antes do segundo tempo técnico. Era só trocar pontos e esperar a vitória carioca.

É preciso dar mérito a quem merece também, apesar de os erros terem chamado mais a minha atenção do que belos rallies, por exemplo. O RJX não se abalou com o primeiro set e soube controlar o restante do jogo. Marcelo Fronckowiak, agora bicampeão como técnico e vencedor da Superliga também como jogador, leu o jogo com perfeição e viu quais peças do outro lado não estavam funcionando. E soube apontar para seus comandados o caminho a seguir.

O VivaVôlei foi dado para Thiago Alves. Eu teria escolhido Dante. Foi o melhor jogo do ponteiro que vi no ano. Talvez dos últimos quatro anos, me confidenciou depois uma figura importante da conquista.

Parabéns ao RJX pelo título. Ao Sada/Cruzeiro, reconhecer as falhas, pelo que ouvi nas entrevistas, é uma demonstração de grandeza. E vida que segue.

 

 

Primeiro semifinalista cumpre obrigação

quarta-feira, 13 de março de 2013

Melhor time da fase de classificação da Superliga masculina, o RJX é o primeiro semifinalista da edição 2012/2013.

Nesta terça, em São Bernardo do Campo, mais uma vitória tranquila do time de Marcelo Fronckowiak sobre o rival do ABC por 3 a 0, parciais de 25-18, 25-17 e 25-15.

Em nenhum momento o RJX foi incomodado ou pressionado. Nem mesmo o apagão durante o jogo foi capaz de alterar o panorama.

Theo, com 16 pontos, liderou a equipe carioca. Vale também destacar o crescimento do jogo de Dante. O ponta, que começou a Superliga com um problema físico e demorou para mostrar sua melhor forma, está numa ascendente justamente no momento final. Ontem, ele recebeu 13 bolas no ataque e colocou 10 no chão.

Timaço no papel graças ao investimento milionário de Eike Batista, o RJX está cada vez mais consistente. Talvez seja o grande diferencial em comparação com a equipe da temporada passada. Lucão faz uma ótima Superliga, Theo e Dante estão aparecendo bem nos playoffs, a contusão de Bruninho no tornozelo não passou de um susto, Mario Junior dá segurança ao passe e à defesa…

É o time a ser batido? Em tese, sim.

A segunda parte dos comentários de RJX x Sesi

sábado, 26 de janeiro de 2013

Para fazer justiça ao belo espetáculo que a arbitragem quase estragou, neste sábado, no Rio, o prometido post com a parte técnica da vitória do Sesi sobre o RJX no tie-break.

Vamos aos tópicos:

1) O levantador Everaldo, que vinha de longa inatividade, foi eleito o melhor em quadra. Realmente ele tem méritos pela virada, já que substituiu o jovem Thiaguinho com o placar apontando 2 a 0 para o time da casa, até então líder da Superliga. Eu, porém, teria dado o VivaVôlei para o oposto Lorena.

Foram 26 pontos, com um aproveitamento de quase 50% no ataque, além de aparecer em momentos decisivos no saque e no bloqueio. É uma característica do oposto chamar a responsabilidade em jogos parelhos, principalmente quando a torcida adversária é maioria. Ele se motiva quando o cenário descrito acima se forma. Nem sempre, porém, Lorena tem equilíbrio emocional para superar tal situação. Contra o RJX, ele conseguiu e foi o destaque do Sesi na minha opinião.

2) Muito honesta a atitude de Murilo já no fim do quinto set, ao admitir que uma bola tocou em seu pé após bloqueio do RJX. Com a marcação, o time da casa abriu dois pontos e poderia ter vencido o duelo caso mantivesse a virada de bola. No atual mundo competitivo em que vivemos, cada vez mais individualista, com o ser humano sempre dando um jeitinho para levar vantagem, o ponta não quis “vencer a qualquer custo”. Se existisse um troféu fair-play, deveria ser entregue ao jogador do Sesi.
 
Não vou citar A, B ou C que não se acusaram em lances parecidos. Isso é tão normal no esporte, que arrisco a dizer que 99 de 100 jogadores já iludiram a arbitragem em jogadas assim. Na nossa cultura, ver a Seleção Brasileira ganhar um pontinho na malandragem contra Argentina ou Cuba, por exemplo, é permitido. Só que se algum rival faz isso conosco, vamos chamá-lo de desonesto.

3) Concordo com Nalbert. Lucão é, por enquanto, o melhor jogador da Superliga.

O ex-jogador fez esse comentário durante a transmissão da Globo. Neste sábado, o central fez 15 pontos (dez no ataque, dois no bloqueio e três no saque). Sem computador os números desta rodada, Lucão é o quarto maior pontuador da competição, líder no bloqueio e tem o sexto melhor saque (vai ganhar posições após os jogos do fim de semana). A fase é boa. E quem tem a ganhar também é a Seleção.

4) A transmissão o chamou de Da Silva. Eu prefiro Paulo Vitor, como está na camisa. O oposto, que substituiu Theo em quase todo o jogo, tem potencial. Foram 16 pontos e a impressão de que pode alçar voos mais altos na carreira. Teve mais do que 50% de aproveitamento no ataque e não se escondeu do jogo.

5) Por fim, um comentário sobre Dante. O ponta está longe do seu melhor momento. Foram apenas quatro pontos, muito pouco para um craque como ele em quatro sets disputados. Os problemas físicos estão limitando o ataque do camisa 18.

 

Boa notícia para o RJX

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

O joelho esquerdo, que tanto atormentou Dante nos últimos meses, deu uma trégua.

Depois de sessões de tratamento com laser, para diminuir a inflamação no local, ele está livre das dores e já treina com bola com o restante do elenco do RJX. O próximo passo é ser liberado a saltar, algo que deve acontecer até o fim do mês.

- Não sinto dores, não tenho limitação de movimento, e venho fazendo academia e treinando com bola com o time. Estou evoluindo bem e, em algumas semanas, já devo estar treinando com saltos, sempre aos poucos, cada vez com mais intensidade, e seguindo com o tratamento – disse Dante.

Cirurgia de Dante é descartada

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Na apresentação do RJX para a temporada 2012/2013, Dante deu uma boa notícia para os torcedores.

Ele não precisará fazer uma cirurgia no joelho, como chegou a ser cogitado. Não vou repetir aqui todo o drama que ele passou, principalmente na final olímpica. É só darem mais uma olhada na entrevista que eu e Felipe Mendes fizemos com ele e que foi publicada no último domingo, no LANCE!: http://wp.me/p1b2tr-174

Leia aqui a reportagem publicada nesta quinta-feira, no LANCENET!, sobre a situação de Dante.

http://www.lancenet.com.br/mais-esportes/Dante-precisar-operar-joelho-esquerdo_0_769123179.html

Entrevista com Dante – segunda parte

domingo, 2 de setembro de 2012

Como prometido no sábado, a outra parte da entrevista com o Dante, publicada neste domingo, no LANCE!.

Revela o lado humano do jogador como pai e  marido. Verdadeira história de superação.

Boa leitura!

Foi na família, mais precisamente no filho Antônio, de 4 anos, que o ponteiro Dante, da Seleção Brasileira masculina, pensou quando teve de deixar a quadra no terceiro set da decisão olímpica, em Londres, contra a Rússia, por conta de dores no joelho esquerdo. E foram os ensinamentos aprendidos com o filho que fizeram o experiente jogador ir para o sacrifício no tie-break. O ouro não veio, mas Dante não tem o sentimento de culpa por não ter tentado.

Após a Olimpíada de Pequim-2008, o ponteiro ficou afastado da Seleção por dois anos para cuidar de Antônio. Ao lado da mulher Sibele e da filha Giovanna, hoje com 8 anos, ele acompanhou o drama do filho, que sofria com um problema no coração. Uma cirurgia precisou ser feita antes mesmo de o bebê completar um mês de vida.

Após vencer essa batalha, Dante enfrentou outra: Antônio sofreu paralisia cerebral. Hoje, o ponteiro comemora pois seu filho está bem de saúde. Morando no Rio há um ano, quando veio jogar no RJX, o jogador aguarda o resultado dos exames realizados nos joelhos para saber se vai precisar operar. Ele sofre com uma dor crônica no joelho direito há muito tempo, fruto de uma artrose na articulação patelar, além de uma calcificação no tendão patelar.

Nesta conversa, Dante conta como a doença do filho mudou o seu modo de pensar a vida e o ajudou a superar as dores no joelho nos Jogos de Londres.

Na final, você foi para o seu limite físico?
Quando saí, não estava mais aguentando. Meu joelho não me permitia fazer certos movimentos. Mas não quis transmitir o problema para ninguém. Se você mostra fraqueza, o bicho pega. Eu travava os dentes para jogar.

Antes do quinto set, no banco, Bernardinho fala com o Fiapo (fisioterapeuta) “prepara ele” no tie-break.
O Fiapo perguntou: “E aí?” Eu pedi mais dois remedinhos e fui para o pau. Uma final olímpica merece qualquer tipo de sacrifício. Não conseguia raciocinar direito por causa da dor, mas estou tranquilo. Eu me sacrifiquei pela Seleção.

Quando você voltou, pensou que a lesão poderia se agravar?
Hora nenhuma pensei nisso. E nem poderia pois assim não jogaria. As consequências eu deixei para pensar depois da partida.

E quando esfriou, foi uma noite complicada para dormir?
Doía, não vou mentir. À noite nem tanto pois ainda estava sob efeito dos remédios. Mas no dia seguinte estava muito dolorido. Hoje, porém, não estou tomando nada.

No que você pensou naquele momento? No filho, na família?
Claro! Meu maior exemplo é o Antônio, que lutou pela vida e hoje graças a Deus está ótimo. Quando saí, me foquei nele. A dor no joelho não é nada perto do que meu filho passou. Tenho um guerreiro em casa e busquei força através dele. Se eu não tivesse jogado o tie-break acho que hoje estaria me culpando.

O Antônio mudou muito a sua forma de ver e analisar a vida?
Não só a vida e quem acompanhou o caso sabe o quanto foi difícil. Antes eu pegava uma gripe e já reclamava, ficava assustado. Parecia que o mundo ia acabar. Aprendi a não ficar reclamando das pequenas coisas e passei a dar valor a isso. O Antônio veio e mostrou o quanto vale uma vida. Foi um aprendizado para todos nós. Ele mudou a minha vida. É um guerreiro por natureza.

Você estava jogando na Grécia quando o Antônio nasceu. Foi o pior momento da sua vida por conta do problema de saúde dele?
Foi porque eu não sabia o motivo da cirurgia. A operação foi para corrirgir um problema no coração e isso foi curado. Mas depois teve a paralisia cerebral. No Brasil, ele entrou num aparelho, totalmente forte. E ali, em três vezes, correu risco de morrer. Muita gente fala que o índice de mortalidade nessa fase é alto. Mas ele resistiu às três vezes.

E a Giovanna? Parece que a criança mais velha vê uma situação como essa de forma diferente.
A Giovanna é uma filha maravilhosa, uma protetora para o Antônio. Ela sabe tudo o que está se passando com o irmão. Sabe as horas de tomar o remédio, os nomes das terapeutas. E ela não reclama da vida. Outro dia caiu da bicicleta, bateu a boca, que sangrou. Ela começou a chorar, mas logo parou ao lembrar do que o irmão passou.

E ela gosta de vôlei?
Ela fala que é a mascote do RJX. Passou a gostar de vôlei quando viemos para o Rio. Vai sempre nos treinos comigo, pega bolas, o pessoal brinca com ela. A Giovanna quer ir a jogo, entende o esporte e fica brava comigo no telefone dizendo o que eu deveria ter feito numa partida, me dá conselhos.

Como será para o pai Dante se a filha virar jogadora de vôlei?
Por incrível que pareça, ela diz que não quer. Ela quer ser cantora. Mas ainda é cedo. E não vou fazer pressão. Vou deixá-la tomar a decisão. Mas, se for jogadora, vou ficar contente e darei alguns conselhos.

Voltando ao assunto do físico, por este ser um ciclo especial, da Rio-2016, dá para abrir mão de alguma coisa para você chegar bem, sem lesões na Olimpíada?
Em 2013, eu pretendo dar uma descansada da Seleção. Quero estar inteiro nos três últimos anos. Se o Bernardinho continuar como técnico da Seleção, vou conversar com ele sobre isso, ver o que acha.

Essa foi sua quarta Olimpíada e você jogou no sacrifício, como o Nalbert em Atenas-2004 e o Giba agora. Isso serviu de lição?
É isso que vamos conversar. Fui para o sacrifício em 2012. Quem me conhece sabe que não arrego. Mas quero estar 100% em 2016. Porém, se tiver de ir para o sacrifício novamente, encaro sem problema.

O que você faz quando não está no vôlei? Sei que você tem negócios na sua fazenda em Itumbiara em parceria com os jogadores de võlei João Paulo Bravo e Marlon.
Fico com a família, gosto de ir a praia, passear com o Antônio e a Giovanna, ir ao cinema. A paixão pelo gado vem desde o meu bisavô. Minha família sempre mexeu com gado de corte, mas eu prefiro o Nelore. Há cinco anos eu criei o Nelore D18 e entrei nesse mercado. O João adorava fazenda e virou meu sócio em fevereiro de 2011. O Marlon entrou cinco meses depois.

E como funciona esse negócio envolvendo a raça Nelore?
O que fazemos é o melhoramento genético da raça. E o que é isso? Você tem de extrair a melhor qualidade do animal. É um ciclo. A filha tem de ser sempre melhor do que a mãe. E também temos animais para a disputa de campeonatos. E como se ganha dinheiro nisso? Quanto mais posições você ganha com seu animal, mais valorizado ele fica. Ainda estamos num patamar modesto, mas pretendemos chegar nos caras grandes. Além de ser um negócio, é uma terapia maravilhosa.

Tem nomes engraçados?
Não, pois são letras. Mas agora que você falou, vou falar com meu gerente. Quando nascer um bicho nervoso, esquentado, vou colocar Bernardinho (risos).

Você consegue acompanhar de perto os negócios?
Só vou lá nas férias, mas acompanho tudo pela TV, assisto aos leilões no Canal Rural e no site Programa Leilões. Nas viagens com a Seleção, eu fico no quarto vendo isso e o Rodrigão, que divide quarto comigo há 12 anos, fica jogando pôquer o dia inteiro.

Entrevista com Dante (primeira parte)

sábado, 1 de setembro de 2012

Neste domingo, a edição do LANCE! terá como um dos seus conteúdos especiais uma entrevista com o ponta Dante, da Seleção Brasileira e do RJX. Vale a pena ir à banca mais próxima e comprar o jornal.

A conversa que eu e o repórter Felipe Mendes tivemos com ele, na Praia da Barra da Tijuca, no Rio, rendeu bastante. Dante não fugiu de nenhum questionamento, não pediu para evitar assunto A ou B. Além da página dupla publicada no jornal impresso, que aborda um lado mais humano e familiar do camisa 18, tínhamos material suficiente para publicação de um segundo capítulo da entrevista.

Então, resolvi usar o blog para publicar esse material exclusivo que não entrou no jornal.

O texto começa com as declarações de Dante sobre a incrível final olímpica com a Rússia. Ele fala sobre a preparação, o jogo e os bastidores do vestiário, já com a medalha de prata no peito. Analisa também a Bulgária (surpresa positiva) e a Polônia (surpresa negativa) nos Jogos.

Em um segundo momento, o assunto passar a ser a Olimpíada de 2016. Ele faz um exame de futurologia, já pensa no Maracanãzinho lotado para os jogos do Brasil e também faz um balanço do comando de Bernardinho.

Por fim, o assunto passa a ser Superliga.

Você reviu a final contra a Rússia pela TV?
Eu não quero nem ver. Esses jogos eu prefiro não ver. Eu não costumo ver jogo pois é passado. Sei muito bem o que fiz, o que errei. Ficar vendo e torcendo mesmo sendo VT para que a bola vá para fora ou dentro. Prefiro não.

A sacada do técnico russo desarmou vocês?
Tinha tudo para dar errado e deu certo. Nós sabíamos que o Muserskiy era o jogador de confiança do Grankin (levantador). E o que nós fizemos? Eles tinham um tripé: o Muserskiy, o Mikhaylov e o Volkov. Se nós conseguíssemos minar um por um, a Rússia se perderia ao longo do jogo. E foi o que aconteceu. Isso deixou a gente um pouco chateado pois cumprimos o nosso papel de minar esses jogadores. Quando ele colocou o Muserskiy, com 2,18m, de oposto, e colocou o Mikhaylov de ponteiro, passando bem, aí lógico que a confiança deles foi retomada. Em entrevista o Muserskiy disse que foi acertando as bolas e que na quinta o time veio com ele. Eles jogando folgado são imbatíveis, têm uma força bruta impressionante. Mérito do Vladimir Alekno (técnico). O jogo estava tudo perdido e eles fizeram uma tática suicida depois de duas porradas nos dois primeiros sets. Foi ousado e deu certo.

Como foi a conversa de vocês depois do jogo? Essa foi a última Olimpíada de uma geração que ganhou tudo.
Foi uma conversa de agradecimento, de alegria apesar do velório no vestiário por conta da derrota. Conversamos e agradecemos. Ricardo, Giba, Serginho e Rodrigão… O que a Seleção é hoje se deve muito a eles. Foi muito boa essa trajetória.

Como foi chegar aos Jogos Olímpicos com desconfiança e críticas?
Engraçado que essas críticas foram somente da imprensa brasileira. A mundial colocava o Brasil como um dos favoritos. Às vezes não conseguimos entender isso. Não fizemos uma boa Liga Mundial e isso é um fato, mas nosso objetivo não era a Liga. Por que alguns críticos não falaram mal da Polônia na Olimpíada? Falaram que a Polônia era grande candidata a ganhar a Olimpíada. Não sei se ela estava preparada para disputar os Jogos. Quem foram três primeiros da Olimpíada? Rússia, Brasil e Itália. Rússia e Itália nem foram para as finais da Liga Mundial. E o Brasil chegou na final daquele jeito. Antes de falar tem de esperar terminar o ano. Mas nós tínhamos consciência do nosso potencial. Nosso momento era a Olimpíada.

Aqui no Brasil, muitas vezes, chamam de amarelão o favorito que não é campeão. Você acha que a Polônia amarelou?
Não sei se a Polônia amarelou. Uma coisa é você jogar como coadjuvante, sem pressão. Outra é jogar com pressão, sendo favorito. Eles ganharam bem a Liga Mundial, então chegaram badalados em Londres. Acredito que a Polônia ficou pronta no momento errado, enquanto as outras estavam 40%, 50%. Quando juntou 100% deu no que deu. Aí que você vê a diferença. O jogo da Polônia em Londres não foi o mesmo da Liga.

A Bulgária foi a grande surpresa?
Foi, nós fizemos um amistoso em Londres. Foi meio que diferente, um jogo muito tranquilo, mesmo a gente não estando 100%. Foi surpresa mesmo. Sem o melhor jogador (Kazyiski) e fizeram uma Olimpíada maravilhosa.

A medalha de prata de Pequim tem um gosto muito diferente da de Londres?
Foi praticamente quase a mesma coisa, teoricamente. Em Pequim ganhamos o primeiro set, eles errando muito. Depois deram a reviravolta e venceram. A prata em Londres teve esse gosto ruim porque tivemos dois match points. Acredito que não perdemos a decisão no finalzinho. Erramos uns quatro contra-ataques antes no terceiro set. Se tivéssemos colocados um no chão, talvez fosse diferente.

Esses jogos revisitam a sua cabeça? Os grandes jogos vencidos no momento decisivo.
Nós ganhamos várias partidas, campeonatos com a bola batendo na trave e entrando para o nosso lado. E dessa vez bateu e foi para a fora. Chegamos a Londres com muitas críticas, alguns falando que o Brasil nem ia conquistar medalha. Mas nós chegamos focados e a campanha que fizemos era para chegar à final. Já final é um outro campeonato, é um jogo só, uma porrada só que vale a medalha de ouro. Muita gente diz que ganhar o bronze é melhor do que a prata porque o bronze você ganha com a vitória, enquanto a prata você perde o ouro. Eu não acredito. O bronze você ganhou, mas perdeu na semifinal, perdeu a chance de disputar algo maior. Foi muito bom. Essa derrota para a Rússia vai ficar marcada porque nós tivemos o jogo dominado. A gente sentia isso do outro lado e eles conseguiram uma reviravolta impressionante, com uma formação que tinha tudo para dar errado e deu certo.

Vocês sentiam que eram marcados pela arbitragem na época em que ganhavam tudo?
Sentíamos. A gente via bola pegando nos dedos do adversário e o juiz marcado fora. Mas a cena mais inusitada foi contra a sérvia. que o árbitro da mesa levantou e mudou o ponto pois a bola tinha tocado no adversário. Mas muita gente dizia que não aguentava mais ver o Brasil campeão, que isso seria ruim para o investidor pois só um ganha. Tentavam ao máximo colocar o Brasil em situações ruins, como no esquema de viagem da Liga Mundial. Se pudessem atrapalhar o Brasil, faziam. Com o Ary (candidato à presidência da FIVB), esperamos que isso mude um pouco.

Você vai ser um líder em um ciclo especial, dos Jogos do Rio. Como você acha que vai ser essa responsabilidade?
Se antes já tínhamos uma grande responsabilidade, imagina agora? Vai ser o dobro, o triplo. Mas acredito que estaremos preparados. Será um evento em casa, o vôlei, se Deus quiser, estará nas cabeças. E ser campeão em casa terá um gosto diferente. Pretendo encerrar com a Seleção aqui no Rio, na minha casa, será maravilhoso. Pressão vai existir e temos consciência disso. Podem ter certeza que estaremos preparados para isso.

Por você o Bernardinho continua?
Continua. O Ary já falou e se o presidente falou ele deve ficar. O Bernardo ainda tem fogo para queimar na Seleção. Tem que ver com a família dele. A Fernanda quer que ele escolha Seleção ou clube.

São 11 anos da era Bernardinho e fala-se muito em desgaste na relação. Como é essa relação atualmente?
Bem tranquila. É lógico que existe atrito. Quem não tem atrito numa família, com a mulher, os pais ou irmão? Isso vai existir, somos seres humanos. E o que tiver de ser discutido, será discutido na hora. o mais importante desse grupo era que brigávamos, mas logo depois já estávamos de bem de novo. Resolvíamos na hora. O Bernardinho está há 11 anos. Ele sabe como você é e nós sabemos como ele é. Ele confia demais no grupo dele e nós confiamos nele.

Hoje tem mais diálogo do que antes?
Tem. Há 11 anos todo mundo tinha 20, 22, 23 anos… Totalmente diferente de hoje. Claro que nessa idade você tem de treinar mesmo, se aperfeiçoar. Aí você vai ficando mais velho e tem a experiência. Tem de treinar? Tem, mas não como fazia quando mais novo. O seu corpo sente mais. Você consegue treinar, mas não se recupera como quando era mais jovem.

Ficou surpreso como o Ricardinho conseguiu entrar tão facilmente neste grupo depois do afastamento?
Ricardo foi recebido de braços abertos. Nós acolhemos ele. Não teve nenhum conflito. Veio com alto astral, positivo. Veio para somar e ajudar a Seleção.

Como você vê essa nova geração que vai ter a responsabilidade e jogar a Rio-2016?
Acho que está pronta. Antes de 2016 tem o Mundial de 2014. Somos tri consecutivos. Temos vários campeonatos-testes até lá para adquirir mais experiência e confiança. mas acredito que o Brasil estará bem representado. A base vai se manter dos últimos dois, três anos. Jogadores jovens de idade, mas com experiência de torneios jogados. Se o Bernardo for o técnico, não deve fazer grandes mudanças.

O Brasil joga muito fora do país. Você acha que será importante a molecada jogar mais em casa neste ciclo, com torcida, mais pressão?
Lógico. Tem o sentimento, o frio na barriga, vem tudo na pele mesmo, aquela sensação maravilhosa. A responsabilidade de estar defendendo sua Seleção dentro de casa é grande. Tem de ganhar. Isso faz com que os jovens cresçam. Tem atleta que sente, mas outros encaram o desafio. E temos muitos que não sentem.

Já parou para pensar no Maracanãzinho lotado em 2016?
Sim. Maracanãzinho não vai caber gente. Vai faltar espaço. Ainda é cedo, mas você já começa a criar um filme na cabeça. Hoje é a minha casa. Jogo lá pelo RJX. Já conhecemos os caminhos ali dentro e eu já começo a sonhar com 2016.

Pensando lá na frente, quem você imagina que estará brigando pelo ouro em 2016?
O Weber vem fazendo um trabalho bacana na Argentina. o único problema que eu acho é que os jogadores são baixos. Quando vai brigar com os russos, búlgaros, italianos, a não ser que encaixe um dia maravilhoso, não consegue ganhar. Se for brigar na força, não dá. Mas tem jogadores de muito talento. E fiquei sabendo que está vindo uma garotada do juvenil que é até melhor dos que estão nos profissionais. Mas não deve fugir muito do que aconteceu agora. A Rússia foi campeã mundial juvenil e deve se manter bem. Itália tem uma equipe jovem, com Zaytsev, os ponteiros…

Você disse que em 2016 vai encerrar seu ciclo na Seleção. Hoje você já pensa no que vai fazer quando parar?
Cuidar da fazenda com certeza. Mas eu vivi do vôlei. Não sei fazer outra coisa que não seja ligada à fazenda e ao vôlei. Seria injusto demais eu não pensar mais nesse esporte. Tudo que ganhei devo ao vôlei. Eu pretendo um dia ser diretor ou técnico, não sei ainda. Sonho em montar um time em Goiás. Goiânia tinha de ter um time. Tem grandes empresas que têm condições de patrocinar um clube de alto nível.

Como você acha que será essa Superliga?
Acho que a última Superliga vai continuar sendo a melhor. Saíram alguns times-chave, saíram os patrocinadores que bancavam equipes importantes. Dessa vez acho que o campeão vai sair de umas cinco equipes. Cimed tinha uma base forte que não vai ter. Vôlei Futuro não vai investir, Montes Claros acabou. Alguns jogadores saíram do Brasil. Este ano deu uma reduzida na qualidade. Mas tem equipes boas vindo, como o Canoas, com André Nascimento e Gustavo.

Como você vê o RJX?
Agora temos um time mais competitivo. Não que ano passado não fosse, mas deu uma melhorada. Falar antes que vai ser campeão é muito fácil. No papel está comprovado que o RJX é bom. Agora é treinar. E este ano temos mais tempo para treinar. É o tal do problema do calendário. Chegamos de uma competição no Japão em que a Seleção jogou muito jogos em poucos dias e acham que é fácil acabar num fim de semana e já jogar no fim de semana seguinte. Isso é matar o atleta. Os times que tinham jogadores na Seleção demoraram a se acertar. Não tinha como manter o nível. Este ano é diferente. Tivemos um período de folga. Vamos nos apresentar agora e a Superliga começa só em novembro. Há tempo para descanso e para treinar.

A situação dos joelhos de Dante

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Um encontro entre o ponta Dante e o médico Ney Pecegueiro, no Rio de Janeiro, ainda nesta semana, vai definir como será o tratamento do problema nos joelhos que atormenta o jogador.

Dante sofre com uma dor crônica no joelho direito há muito tempo, fruto de uma artrose na articulação patelar, além de uma calcificação no tendão patelar. Na final olímpica contra a Rússia, ele sentiu dores no joelho esquerdo. Na ocasião, ele reclamou de uma “pontada” no local ainda no segundo set, mas seguiu em quadra até o fim do terceiro, quando não aguentou mais e saiu para entrada de Giba. No tie-break, Dante voltou, já no sacríficio, mas sem a mesma força para saltar.

- Esse joelho (o esquerdo) não pode doer. Ele é meu ponto de apoio. Forço tudo em cima dele. Passei a Olimpíada inteira em tratamento – lamentou Dante, em Londres.

Ney é médico da Seleção e também do RJX, time de Dante, que poderá ficar sem um dos seus principais jogadores no início da Superliga, com previsão de começar em novembro.

Ainda é impossível precisar o tempo de afastamento que o ponta teria, caso passe mesmo por uma operação. Segundo os médicos, o prazo para recuperação pode variar de um a quatro meses. Ainda não está oficialmente descartada a possibilidade de tratamento com fisioterapia.

Dante, com a aposentadoria de Giba, Escadinha e Rodrigão, deverá se tornar o atleta mais experiente da Seleção neste novo ciclo olímpico. O jogador, de 31 anos, disputou as últimas quatro edições da Olimpíada: Sydney-2000, Atenas-2004, Pequim-2008 e Londres-2012, acumulando um ouro e duas pratas no currículo.

Brasil vence um teste de verdade na Liga Mundial

domingo, 10 de junho de 2012

Finalmente um jogo com cara de decisão. Tenso, brigado, com jogadores socando o chão após os erros, repleto de provocações. No melhor teste pré-Londres até agora, o Brasil venceu a Polônia por 3 a 1 (26-24, 25-17, 23-25 e 25-23), assumindo a liderança do Grupo B da Liga Mundial.

O time brasileiro realmente estava engasgado com os poloneses, que haviam vencido as duas partidas anteriores em 2012. Foi fácil perceber nas reações dos jogadores que o confronto não era qualquer um. Os europeus sabiam que pilhar os donos da casa era uma arma e conseguiram, em vários momentos, usá-la.

Individualmente, algumas menções são importantes:

1) Thiago Alves tem aproveitado, como poucos, as chances dadas por Bernardinho. Entrou no lugar de Dante, com um problema nas costas,  melhorou a virada de bola e deu mais vibração para o time. Foram 13 pontos marcados, sendo três deles no saque. Hoje, pelo que está jogando, Thiago seria um dos quatro pontas em Londres.

2) Muita gente aqui no blog criticou Wallace por aparecer apenas em jogos menores. Diante da Polônia, marcou 23 pontos e novamente foi o maior anotador do time. O oposto teve força para superar um início ruim, se manteve no jogo e provou, para quem ainda duvidava, que pode se manter no time titular.

3) Bruninho iniciou o jogo como titular na partida mais importante da Liga até agora. Isso significa que ele ainda é o preferido de Bernardinho, mesmo após o retorno de Ricardinho. O entrosamento que tem com o elenco pesa. As bolas de meio com os centrais estão mais calibradas. A presença do camisa 17 serviu e servirá bastante para o crescimento de Bruninho. Gostei da atuação dele na distribuição em grande parte do jogo, além das inúmeras defesas feitas. Outro que teve um teste de fogo e foi bem.

4) Escadinha é outro que está crescendo, lembrando os bons tempos de anos atrás. Segurou a onda no passe, o que ajudou muito Bruninho.

5) Por fim, um comentário que se faz necessário. Bernardinho tem passado dos limites em suas reclamações à beira da quadra. Não é de hoje que o técnico tem exagerado, seja pela Unilever ou pela Seleção.  O cartão amarelo que levou, no fim do quarto set, quase colocou em risco a vitória brasileira. Segundo Marcelo Courrege, repórter da Globo que estava atrás do banco de reservas, ele xingou o polonês Kubiak (jogador bem encardido e provocador), que iria sacar. Vale lembrar que o segundo árbitro era português. Nem é preciso dizer que ele entendeu palavra por palavra. Reclamar, ainda mais em um jogo com tantas provocações, faz parte. Mas existe um limite e Bernardinho tem perdido a razão ao ultrapassá-lo.