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Arquivo da Categoria ‘Mundial Japão-2010’

Quando os números dizem algo

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Um dia depois da decepção em Tóquio, ainda vejo muita gente tentando desmerecer o Brasil, ignorando as virtudes da Rússia.

Para quem ainda acha que a Seleção perdeu o título mundial para um “bêbado” qualquer, observem apenas uma estatística, que fez muito a diferença na final.

No ataque, o time russo teve três das quatro melhores jogadoras. A jovem Kosheleva teve 53,88% de aproveitamento e foi a primeira colocada. A gigante Gamova veio em terceiro, com 51,51%. Em quarto, a experiente e craque Sokolova, com 50,22%. A única intrusa foi a chinesa Yunwen Ma, com 53,27%, mas com uma quantidade muito menor de bolas atacadas: 95, enquanto Gamova, por exemplo, bateu 188 bolas.

A intenção nem sequer é comparar com o Brasil, que teve Sheilla em sexto, Natália em 14º e Jaqueline em 17º. É simplesmente mostrar que a Rússia teve méritos para vencer.

Não busquem culpados. Gamova desequilibrou

domingo, 14 de novembro de 2010

O domingo não começou da forma imaginada pelo Brasil. Ver pela terceira vez o sonho virar pesadelo no tie-break contra a Rússia é realmente demais. Mas, apesar de toda frustração gerada, é preciso ter cuidado para não eleger culpados por uma medalha de prata num Campeonato Mundial.

Para mim, o melhor resumo que pode ser feito é: a gigante Gamova desequilibrou e carregou o time russo nas costas no momento decisivo.  Vejam esta impressionante estatística: ao somar a pontuação da oposto no jogo de ontem, na semi olímpica de Atenas-2004 e na final do Mundial de 2006, chega-se a impressionantes 95 pontos.  Ou seja, quase quatro sets.

O erro do Brasil foi não ter conseguido pará-la, ou melhor, ter sacado com mais eficiência para não deixar o passe chegar tão redondo às mãos das levantadoras adversárias, fazendo com que outras atacantes fossem mais usadas. É do jogo. Infelizmente, neste caso, a favor das europeias.

Sobre o Brasil, foi louvável ver como o time conseguiu se reerguer sem Paula Pequeno, Mari e com a indefinição na posição de levantadora. Fabíola foi bem em alguns momentos da competição, mas na final sentiu bastante a responsabilidade. Zé Roberto fez mágica, em alguns momentos do Mundial, com o que tinha em mãos. Merecia, pelo caráter, competência e forma de dirigir este time, o título. Não levou. Mais uma vez, terá trabalho para recolocar a cabeça deste time no lugar e impedir que o trauma russo volte a atrapalhar na caminhada rumo ao bi olímpico em Londres-2012.

Brasil x Rússia: mais um dia inesquecível

sábado, 13 de novembro de 2010

Como este blog terá de ser atualizado cedo no domingo, antecipo para vocês a coluna Saque do LANCE! sobre Brasil e Rússia. Quem se lembrar o que fazia em dois dias marcantes citados abaixo, conte para todos saberem.

Você, leitor que gosta de esporte e está pelo menos na casa dos 30 anos, vai se lembrar com detalhes do que fazia no dia 1/5/1994, quando Ayrton Senna morreu ao bater na curva Tamburello, no GP de Ímola de F-1. Eu, por exemplo, ainda adolescente, estava em casa, na pequena Descalvado, interior de São Paulo, vendo a corrida pela TV ao lado de Luiz Gonzaga, meu pai.

Você, leitor apaixonado por vôlei e um pouco mais novo, deve ter os mesmos detalhes dos marcantes dias 26/8/2004 e 16/11/2006.

Seis anos atrás, já em Belo Horizonte, no início de minha vida de casado, vi pela TV a derrota brasileira para a Rússia, no tie-break, na semifinal da Olimpíada de Atenas. Estava com o lap top no colo, na sala, com o texto pronto, já no fim do quarto set, para publicar no recém-lançado site Planeta Vôlei, de quem era colaborador à época. Quando a Seleção fez 24 a 19, tendo 2 a 1 em sets, deixei o título pronto “Brasil na final”, o texto escrito, apenas com o resultado da última parcial em aberto. Como vocês se recordam,
as russas viraram e venceram no quinto set por 16 a 14. Os 37 pontos de Mari não foram suficientes e uma explicação até hoje é buscada para explicar o inexplicável.

Já em 2006, ainda em BH, terminei de ver o jogo no hospital. Calma, calma. O motivo era nobre. No dia da derrota brasileira para as russas, na final do Mundial do Japão, precisei sair de casa com a partida em andamento para levar Patrícia, minha esposa, para a maternidade. Thiago, nosso primeiro filho, estava para nascer. No trajeto residência-hospital, não vi o quarto set, que marcou o empate das europeias. Já ansioso, na recepção, tentava imaginar o que acontecia em Osaka ao fazer os trâmites de documentação para acesso ao leito. Perdi também quase todo o tie-break e só tive a chance de acompanhar os três pontos finais já no quarto da maternidade, minutos antes de viver um dos momentos mais marcantes da minha vida na sala de parto.

Hoje, na sala do meu apartamento no Rio, vou acompanhar pela TV mais um Brasil x Rússia. O lap top estará no colo, provavelmente com Thiago bagunçando com Luca, o irmão mais novo, ao lado, e Paty tentando acalmá-los. E espero que seja esta a lembrança de mais um dia inesquecível,  mas com final totalmente feliz.

Zé é o cara

sábado, 13 de novembro de 2010

Perguntei no último post quem é o principal responsável pela campanha brasileira no Mundial e deixei para dar minha opinião após entender a ótica dos internautas. E concordo com a maioria. José Roberto Guimarães é o cara.

O técnico conseguiu remontar a equipe com a ausência de Paula Pequeno e Mari, titulares absolutas, e corajosamente optou por Fabíola, a levantadora reserva, ao perceber que o time havia começado de forma instável no Mundial. Pela competência e por tudo que sofreu contra a Rússia na Olimpíada de 2004 e no Mundial de 2006, Zé merece muito o título.

Paciência, Brasil!

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Depois de dois dias em reunião e sem conexão, o blog se desculpa e volta às vésperas de Brasil x Japão.

Uma semifinal surpreendente, visto que as donas da casa ocupavam um lugar secundário no vôlei mundial nas últimas décadas.

Uma semifinal também que pode parecer fácil, mas não será. Apesar de o Brasil estar numa crescente na competição, as japonesas são chatas. Defendem muito, não desistem de nenhum lance, jogam com o passe na mão o jogo todo. Fazem o adversário jogar  cada ponto no esforço máximo. Mentalmente será o jogo mais cansativo até agora no Mundial.

Ainda assim, o Brasil é favorito. Para comprová-lo, vai depender muito da força de suas atacantes. E, neste quesito, Natália é insuperável. Se tiver também paciência, o time de Zé Roberto estará na final do Mundial pela segunda vez consecutiva.

Do outro lado, a Rússia é favorita contra os Estados Unidos. Minha aposta é a repetição das finalistas de 2006.

Brasil na semi. Quem é maior responsável?

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Um 3 a 0 sem piedade sobre a Alemanha e a classificação para a semifinal do Campeonato Mundial. 

Depois de deixar dúvidas nos primeiros jogos na competição com atuações preocupantes, o Brasil reagiu, passou a jogar bem e garantiu seu lugar entre os quatro primeiros colocados antecipadamente, de forma invicta e de maneira convincente. Já virou o favorito ao título para alguns analistas e rivais.

Para você, quem é o principal responsável por isso?

Zé? Fabíola? Sheilla? Fabiana? Fabi? Natália? O grupo?

Quero ler sua opinião aqui antes de dar a minha.

Toda ajudinha é válida

sábado, 6 de novembro de 2010

Sem sustos, o Brasil passou pela Tailândia e segue 100% no Mundial. Além da vitória, a boa notícia é que os rivais também está ajudando o time de Zé Roberto.

Com o triunfo da Itália sobre a Alemanha, a diferença entre a dupla de invictos Brasil/Estados Unidos para os demais concorrentes pelas vagas na semifinal aumentou. Agora, são dois pontos para o bloco com Holanda/Itália/Alemanha.

Caso o time brasileiro passe por Cuba na próxima rodada, a classificação poderá acontecer até com duas derrotas nos jogos seguintes, contra alemãs e americanas. Como a derrota vale um ponto, dois tropeços fariam com que o Brasil, ao menos, empatasse em pontos caso alguma seleção do trio que divide o terceiro lugar vença todos os jogos até o fim da segunda fase. Aí a classificação seria definida nos pontos average.

Em resumo: o Brasil está muito próximo da disputa pelas medalhas no Mundial.

Anotaram a placa?

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

O Brasil que todos queriam ver finalmente deu o ar da graça no Mundial feminino. Uma vitória categórica sobre a Itália, a confirmação do primeiro lugar do Grupo B e a vaga na semifinal bem encaminhada, antes mesmo de a segunda fase começar.

O placar de 25 a 7, no terceiro set, dificilmente será esquecido pelos dois times. Um arrasador. O outro completamente arrasado, humilhado.  A melhor definição é a de Zé Roberto:

-  Foi uma partida quase perfeita, cometemos pouquíssimos erros. É uma vitória histórica.

Na classificação da segunda fase, Brasil e Estados Unidos começam com seis pontos. A Alemanha tem cinco, enquanto Cuba, Holanda, República Tcheca e Itália somam quatro. A Tailândia tem três.

Desta forma, duas vitórias nos quatro jogos que terá pela frente (Tailândia dia 6, Cuba 7, Alemanha 9 e EUA 10)  serão suficientes para avanço para a semifinal. O duelo com as americanas pode servir apenas para definição do cruzamento para a semi.

Uma ótima notícia para uma Seleção que vem conseguindo afastar a desconfiança que ela mesmo deixou transparecer no início do Mundial.

A semi é logo ali

terça-feira, 2 de novembro de 2010

O Brasil não agradou, Zé Roberto reclamou, mas o primeiro lugar do Grupo B ficou bem próximo após a vitória sobre Porto Rico. Principalmente graças ao tropeço da Itália diante da República Tcheca por 3 a 2 em Hamamatsu.

Nesta quarta-feira, o esperado duelo com a Azzurra define a liderança. Para as brasileiras, é primordial passar pelas italianas, levar uma campanha perfeita para a segunda fase e deixar as rivais ainda mais pressionadas, pois acumularão duas derrotas para a sequência do Mundial.

Na próxima etapa da competição, os quatro primeiros do Grupo B duelarão com os classificados do C, com os resultados da primeira fase valendo. Como apenas as americanas estão invictas, o Brasil teria a vantagem de poder até perder um jogo e mesmo assim avançar para as semifinais.

Um panorama animador, já que, além de pegar os Estados Unidos, o atual time campeão olímpico terá pela frente Alemanha, um rival bem conhecido, e quem se salvar nas duas vagas restantes entre Tailândia, Croácia e Cuba. Trio que por enquanto não mostrou nada que mereça deixar as brasileiras com medo.

A vaga na semifinal e a disputa por uma medalha depende muito, então, da vitória sobre a Itália nesta quarta-feira.

Íntegra da coluna

domingo, 31 de outubro de 2010

Caros, segue, como prometido a íntegra da coluna do LANCE! publicada hoje.

O quanto é preciso ficar preocupado

Admito que este início de Campeonato Mundial feminino está estranho. Alguns favoritos patinam, outros se afundam, enquanto times médios, sem grandes resultados internacionais, colocam as manguinhas de fora.

O efeito desta situação “derruba palpite” é deixar ainda mais improvável uma competição sem um bicho-papão. Os prognósticos  são cada vez mais arriscados. E olha que estamos na primeira fase, longe do momento decisivo.

O Brasil, que poderia ser o grande nome, apoiado pelo título olímpico de 2008, já comprovou a falta que sente de Paula Pequeno e Mari. O triunfo suado, no tie-break, diante da República Tcheca deixou nítida a dependência ofensiva do time na oposto Sheilla, autora de 27 pontos.  O meio-de-rede, que havia brilhado contra o Quênia, desta vez foi menos acionado. Natália e Jaqueline, nas pontas, tiveram um aproveitamento baixo no ataque. Assim, é nítido que as levantadoras vão apelar mesmo para a bola de segurança com Sheilla. Contra um rival mais gabaritado, a estratégia poderá ser suicida. Como bem disse José Roberto Guimarães após o triunfo sobre as tchecas, um título mundial não se ganha sem regularidade. Por enquanto, é uma ótima definição para o Brasil, que tem bola para deixar os adversários com muito mais medo.

Já entre os concorrentes, Cuba é a grande decepção. Duas derrotas por 3 a 0 para Croácia e Alemanha. Na melhor das hipóteses, vai avançar para a segunda fase como quarta colocada do Grupo C. As caribenhas podem esquecer qualquer sonho de pódio. Bom ficar de olho nas alemãs, muito bem dirigidas pelo italiano Giovanni Guidetti. O teste contra as americanas é um ótimo parâmetro para o restante do torneio.

A pseudo-favorita Rússia, por enquanto, é o time da virada. Foi capaz de perder o primeiro set para República Dominicana e Turquia, respectivamente, e depois vencer parciais por 25-9 e 25-11, por exemplo. Prova de instabilidade total, mesmo mal que atinge as brasileiras. E também as americanas. Ah, e as italianas…

Com este panorama, não é apenas o time de Zé Roberto que acendeu o sinal amarelo. Até por isso, a preocupação, por enquanto, não deve ser exagerada.