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Arquivo de julho de 2012

Zebra que fala búlgaro

terça-feira, 31 de julho de 2012

A Bulgária aprontou a primeira grande surpresa do torneio olímpico de vôlei.

Na manhã desta terça, passou pela Polônia, considerada a favorita ao ouro, por 3 a 1, parciais de 25-22, 29-27, 13-25 e 25-23. Sokolov, com 28 pontos, liderou o time búlgaro.

Foi bom dar uma chacoalhada neste time polonês. Durante a campanha vitoriosa na Liga Mundial, percebi uma certa soberba em alguns atletas. Nunca achei que o motivo era terem vencido várias vezes o Brasil. Mas sim por saberem que estavam realmente um nível acima dos rivais. E caíram na armadilha de entrar com esse saltinho mais alto na Olimpíada, uma competição diferente de qualquer outra.

Vale lembrar ainda que a Bulgária chegou a Londres depois de uma tremenda crise, que culminou com a saída de Kazyski, um dos maiores jogadores da atualidade, e do técnico Radostin Stoychev. O ponta não aceitou a demissão do comandante e comprou a briga contra a Federação. Sem ele, o time perde 50% de sua capacidade ofensiva, no mínimo.

Por fim, esse resultado torna imprevisível o cruzamento das quartas de final. Os poloneses não devem passar em primeiro, fazendo com que Brasil, Rússia e Estados Unidos sejam possíveis rivais logo no primeiro mata-mata. Vem emoção forte por aí!

 

 

Brasil 1 x 3 Estados Unidos. Dois “Brasils” em quadra

segunda-feira, 30 de julho de 2012

O Brasil não resistiu ao favoritismo dos Estados Unidos, nesta segunda-feira, em Londres. 3

A derrota por 3 a 1 pode ser dividida em duas partes: o avassalador domínio americano nos dois primeiros sets e o jogo parelho nas duas parciais seguintes.

A partir do segundo tempo técnico do primeiro set, o time americano brincou de jogar vôlei. Passa com perfeição (Davis é uma excelente líbero), tem muito volume de jogo (Logan Tom é bom sinônimo) e as atacantes definidoras estão em ótima fase (Hooker e Larson jogaram demais). Some-se a isso o passe instável de Paula Pequeno e Jaqueline em boa parte do jogo, a distribuição pouco precisa ontem de Fernandinha, uma defesa inconstante e um ataque que sofre demais para colocar a bola no chão. Assim, as parciais de 25-18 e 25-17 provam a disparidade entre as duas seleções.

Daí para frente, o jogo ficou equilibrado. Como o Brasil conseguiu isso: Dani Lins teve uma distribuição mais segura, já que Fernanda Garay deu mais constância e passe, além de virar uma boa opção ofensiva. Sheilla, que vinha apagadíssima, entrou no jogo e passou a virar alguns contra-ataques. A defesa tocou em mais bolas e Fabiana passou a bloquear (foram cinco dos sete pontos da Seleção no fundamento).

Se tivesse mais tranquilidade, o Brasil poderia ter levado a decisão para o tie-break. Os erros de saque na reta final do set foram decisivos. O time ainda perdeu contra-ataques e viu Larson, com a ajuda da fita, fazer um ponto decisivo, que poderia deixar a vantagem em apenas um ponto.

Os números mostram algumas constatações

- Thaisa, que fez 11 pontos no ataque, passou todo o jogo sem pontuar no bloqueio. Akinradewo também zero.

- Paula e Jaqueline tiveram pouco mais de 60% de eficiência no passe. Como comparação, Garay teve 73% e Logan Tom quase 80%.

- O ataque brasileiro teve aproveitamento de apenas 26%, quase dez pontos percentuais a menos do que as americanas.

- Comparem o desempenho das opostos: Hooker (42% no ataque e 23 pontos); Sheilla (16,6% e 15 pontos).

Se o Brasil do terceiro e quarto sets voltar à quadra nas próximas rodadas, pode sonhar com algo mais. Mas o Brasil das primeiras parciais deve se retirar com urgência de Londres.

A primeira rodada olímpica

segunda-feira, 30 de julho de 2012

O Brasil terminou com 100% de aproveitamento na primeira rodada nas quadras e praias.

No vôlei, um óbvio e esperado 3 a 0 do time masculino no duelo com a Tunísia, time mais fraco do grupo. O time titular foi o que terminou mal a Liga Mundial, com Vissotto no lugar de Wallace.

Bernardinho aproveitou a fragilidade do rival para rodar seus 12 jogadores. Agora é aguardar um teste de verdade nas próximas rodadas.

No restante dos jogos, a Polônia pareceu sentir um pouco o peso de ser apontada como favorita, mas se recuperou e fez 3 a  1 na Itália.  Nos demais jogos, 3 a 0 do início ao fim: ARG 3 x 0 AUS, BUL 3 x 0 GBR, RUS 3 x 0 ALE, EUA 3 x 0 SER.

Entre as mulheres, o Brasil suou para vencer a Turquia no tie-break. O time mostrou alguns erros vistos no Grand Prix, tendo muita dificuldade para virar as bolas em algumas redes, algo que já escrevi no sábado.  Hoje, o jogão com os Estados Unidos será um teste de fogo. Vitória brasileira pode marcar uma arrancada rumo ao bi. Mas, pelos comentários que leio aqui e no Twitter, pouca gente acredita.

Já na praia, os favoritos Emanuel e Alison tiveram dificuldades e venceram de virada a dupla austríaca Horst/Doppler. Nos demais jogos, Juliana/Larissa, Ricardo/Pedro Cunha e Talita/Maria Elisa ganharam por 2 a 0. Nesta primeira fase, acredito que as quatro parcerias terminem invictas.

Brasil 3 x 2 Turquia. Comentem!

sábado, 28 de julho de 2012

Venceu, mas não convenceu.

Esse é resumo da vitória brasileira na estreia em Londres diante da Turquia, parciais de 25-18, 23-25, 25-19, 25-27 e 15-12.

Sim, já era esperado um jogo equilibrado com as turcas. Mas o Brasil, em alguns momentos, teve apagões preocupantes, que ajudaram o time de Marco Aurélio Motta a levar a decisão para o tie-break e sonhar com uma zebra ainda maior. No quarto set, principalmente, a virada demonstrou uma fragilidade emocional que pode ser fatal contra rivais mais experientes.

Parece pouco, mas vencer no 5º set faz com que a Seleção some apenas dois pontos, terminando a rodada atrás de China e Estados Unidos. Para as turcas, o pontinho obtido é lucro. E o grupo com Sérvia e Coreia não será moleza para ninguém.

Pelas estatísticas oficiais dos Jogos, Sheilla foi a maior pontuadora do duelo, com 19 acertos, um a mais do que Darnel. Coletivamente, gostei do bloqueio em alguns momentos da partida. Foram 14 pontos do Brasil no total.  Já o ataque me preocupou. Tivemos problemas para virar as bolas e algumas redes pareciam esroscadas. Em alguns momentos, achei Fernandinha sem sintonia com as centrais, o que sobrecarregava as pontas.

Na segunda rodada, a reprise da final de Pequim diante das americanas. Uma vitória pode marcar a arrancada deste time brasileiro, que ainda parece preso.

Algumas frases pós-jogo:

Zé Roberto

“Tivemos por ponto positivo o bloqueio e a defesa. Mas poderiam ser melhores.  Cometemos erros que não podem ocorrer, principalmente, no quarto set, indecisões, erros de saque e acabou que a Turquia entrou no jogo de novo”

Sheilla

“Acho que relaxamos quando achamos que iríamos ganhar um set fácil (o quarto), mas isso aqui é Olimpíada. Foi um jogo de alerta. Não acho que a gente errou o jogo inteiro. Foi em um momento do jogo”

Fabiana

“Começamos a cometer erros. Sabemos que isso não pode ocorrer. Viemos aqui para buscar a medalha de ouro e só isso interessa”

Marco Aurélio Motta

“No primeiro set demos 12 pontos para o Brasil. Isso prejudicou. Mas perdemos um jogo e isso faz parte da nossa formação, faz parte de um time que está ganhando experiência. O Brasil tem um grande time e em três sets jogamos de igual para igual. Agora é jogar contra a China e ganhar o jogo”

 

 

 

Vídeo com bastidores das russas em ensaio fotográfico

sábado, 28 de julho de 2012

Acho que vocês nunca viram as jogadoras da seleção russa de vôlei assim.

O vídeo foi feito nos bastidores do ensaio fotográfico para a revista OK, especializada em celebridades na Rússia.

Gamova, Makhno, entre outras, como verdadeiras top models. Levam jeito?

De volta, com a Olimpíada

sábado, 28 de julho de 2012

Boa tarde, pessoal!

Começou a Olimpíada! Antes do início, peguei dois dias de folga para recarregar as baterias após um mês de julho mais do que corrido. E, como trabalho em um jornal esportivo, adoraria ter um dia com 30h para dar conta de todas as tarefas e ainda acompanhar os esportes que mais gosto como torcedor.

Falando sobre vôlei, logo mais a Seleção Brasileira feminina entra em quadra contra a Turquia.

Imagino que vocês estejam ansiosos para ver como o time de Zé Roberto vai reagir após o conturbado período de cortes ainda no Brasil. Natália já será testada na estreia? Fernandinha vai sentir a titularidade? O passe brasileiro vai se acertar?

Conversei com Marco Aurélio Motta antes da viagem das turcas para Londres. E ele demonstrou muita confiança em uma boa campanha do time. Realmente acho que o Brasil terá trabalho na estreia. Normalmente, primeiro jogo já é complicado pelo nervosismo e tensão. Junte-se a isso um rival de bom nível e o estágio atual das brasileiras.

Apostas para o jogo de hoje, pessoal?

Um mistério a menos em Londres. Natália vai jogar

quarta-feira, 25 de julho de 2012

A confirmação oficial ainda não aconteceu. Mas Natália estará mesmo entre as 12 jogadoras brasileiras que disputarão o bicampeonato olímpico.

Zé Roberto esperou até o último momento para saber se ela teria condições físicas para disputar os Jogos em alto nível. Ele confia muito na jogadora e sabe que ela pode ser um diferencial em Londres.

Pelas dificuldades que enfrentou nos últimos anos, após o diagnóstico de um tumor na canela esquerda e duas cirurgias, Natália deve estar com muita vontade de jogar. E de retribuir a confiança que teve de Zé Roberto.

Com ela em forma, o Brasil terá um trunfo importante para desbancar o favoritismo das americanas.

Espero também que Camila Brait, que aceitou ir para Londres para ficar de sobreaviso, tenha cabeça boa para entender que seu ciclo será o do Rio-2016.

Meus palpites olímpícos para a Revista ESPN

terça-feira, 24 de julho de 2012

No mês passado, o amigo Rodrigo Borges, editor da Revista ESPN, me pediu uma colaboração para a edição que está nas bancas: projetar as medalhas que o Brasil conseguirá em Londres.

É sempre difícil prever, analisando resultados recentes, a fase dos principais rivais, etc. Se o Polvo Paul, sem pensar em tudo isso acertava, acho que posso cravar alguns palpites também.

Coincidentemente, meu número de medalhas (15) é a meta pública do COB. Amigos mais otimistas apostam em 21, 23 medalhas.  Seguem abaixo minhas previsões.

OURO

- Cesar Cielo – 50m livre
- Emanuel/Alison
- Mayra Aguiar
- Leandro Guilheiro
- Scheidt/Prada

PRATA

- Cesar Cielo – 100m livre
- Vôlei masculino
- Vôlei feminino
- Futebol masculino
- Rafael Silva (judô)

BRONZE

- Maurren Maggi
- Juliana/Larissa
- Futebol feminino
- Diego Hypolito
- Sarah Menezes

Brasil bem cotado entre os especialistas americanos

terça-feira, 24 de julho de 2012

Aproveito um comentário do xará Daniel para publicar a famosa previsão da revista Sports Illustrated. Para quem não  conhece, a publicação americana sempre faz uma edição olímpica com prognóstico de todos os esportes.

Acertam alguns, erram vários outros, algo compreensível se falando no tamanho de uma Olimpíada. A SI é muito respeitada e merece crédito.

Vou adiantar que não concordo com alguns palpites deles sobre vôlei de vôlei de praia. Publicarei os meus até o fim da semana.

Quero ler os palpites de vocês. Usem esse modelinho da SI para postar.

VÔLEI MASCULINO: OURO: BRASIL – prata: Rússia – bronze: EUA

VÔLEI FEMININO: ouro: EUA – PRATA: BRASIL – bronze: Itália

PRAIA MASCULINO: ouro: Todd Rogers/Phil Dalhausser (EUA) – PRATA: EMANUEL/ALISON (BRASIL) – bronze: Julius Brink/Jonas Reckermann (Alemanha)

PRAIA FEMININO: ouro: Kerri Walsh/Misty May-Treanor (EUA) – PRATA: JULIANA/LARISSA (BRASIL) – bronze: Zhang Xi/Xue Chen (China)

Coluna de domingo: Ambiente na Seleção não é dos melhores

domingo, 22 de julho de 2012

Aposto que quase todos vocês achavam, após a leitura do título, que a coluna seria sobre a Seleção Brasileira feminina, que tanta polêmica levantou dias atrás com o corte de Fabíola e Mari. Mas estão enganados.

O campeoníssimo time de Bernardinho vai disputar a Olimpíada em um dos momento mais críticos desta hegemônica era no cenário mundial, iniciada em 2001. O relacionamento entre técnico e jogadores sofreu um desgaste com o tempo. Algo até natural ao se falar de um casamento tão longo. Todos ali dentro ainda se respeitam, mas não se fala mais em família Bernardinho, termo que virou moda anos atrás. Brincadeiras e sorrisos foram trocados por semblantes mais carregados. Pequenos incêndios são abafados com frequência cada vez maior.

O assunto é quase um tabu se tratado publicamente, ainda mais a uma semana da estreia na Olimpíada. Mas nos bastidores poucos escondem o incômodo. As divergências entre Bernardinho e jogadores aumentaram com o tempo. Vão de pequenos detalhes em treinos até a insatisfação pela presença ou ausência de um ou outro atleta na convocação final para Londres. Que fique claro: as discordâncias na Seleção sempre existiram, em diferentes escalas de grandeza, mas foram “resolvidas“ com a colaboração de títulos mundiais, olímpico, da Liga… Hoje, a fase técnica do time é ruim e jogadores importantes estão distantes do auge físico. E por isso essa turbulência interna me preocupa.

Mesmo com tudo isso jogando contra, a Seleção pode voltar com o ouro da Inglaterra e enterrar mais uma crise. Simplesmente por saber vencer, algo que pesa muito em um grande evento. Se isso não acontecer, o movimento para uma mudança radical, que já começou a ser discutida e articulada, vai ser colocado em prática.