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Arquivo de setembro de 2010

A voz do polvo é…

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Segunda fase em andamento, é hora de cravar meus palpites para seis grupos, longe de querer ser o Polvo Paul.

 Lembro que os dois primeiros avançam para a etapa em que realmente as dificuldades serão de um Mundial (menos para brasileiros, poloneses e búlgaros, logicamente).  Coloco na ordem de classificação que acredito que cada grupo terminará.

Grupo G
Itália
Alemanha
Porto Rico

Grupo H
Sérvia
Cuba
México

Grupo I
Rússia
Espanha
Egito

Grupo L
EUA
República Tcheca
Camarões

Grupo M
França
Argentina
Japão

Grupo N
Brasil
Polônia
Bulgária

Concordam?

Piquet de Ancona

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

O trajeto de pouco mais de cinco minutos entre o porto de Ancona até o PalaRossini, nesta quinta-feira, reservou fortes emoções.

O motorista do táxi, sem sombra de dúvidas, deve ter aprendido a pilotar com aqueles condutores de buggy que levam as pessoas à dunas, em Natal, Fortaleza… E perguntam: Com ou sem emoção?”

Não importava se era reta, curva, dentro do túnel, ruas apertadas da região portuária ou estradas mais largas nas proximidades do ginásio… O que valia para ele, pelo que entendi, era chegar o mais rapidamente possível ao local dos jogos da segunda fase em Ancona.

Perto do destino, o chamei de Felipe Massa. Ele aparentemente não gostou.

- Sou o Piquet.

Ah, tá…

Um verdadeiro jornalista multímidia

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Foi bacana ver a realização de um companheiro de trabalho no treino da Seleção, nesta quarta-feira, em Ancona.

Por mais que de longe soe estranho, a presença do Alexandre Oliveira como levantador no time reserva da Seleção só aconteceu porque ele tem condições de ajudar numa emergência, como esta de ficar sem o Marlon por mais de uma semana.

Para quem não sabe, Alê foi reserva do próprio Marlon na Unisul, na temporada 2002/2003. No ano seguinte, foi reserva de Marcelinho, que jogou a última Olimpíada, e estava à frente do próprio Bruninho naquele time, já que o atual titular da Seleção estava seu primeiro ano como adulto.

Em 2005, escolheu por seguir somente a profissão de jornalista. No treino, não fez feio, para quem diz não jogar vôlei “de verdade” há muito tempo. Como Alê mesmo disse, o sonho, ainda como jogador, era um dia chegar à Seleção. E ele foi concretizado, no dia 29 de setembro de 2010. Dúvido que ele vá esquecer deste dia.

Porrada americana

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Acompanhei nesta quarta-feira o treino dos Estados Unidos, que irão enfrentar República Tcheca e Camarões na segunda fase do Mundial da Itália.

Sem exagero, achei que tivesse assistindo a um jogo válido pela competição.

Não teve nada de treino tático, repetição de fundamento… Foi um duelo para valer entre titulares e reservas, com intensidade, muita pancadaria, juiz apitando e nada de se poupar para o jogo “de verdade” do dia seguinte.

O Stanley, oposto, destaque do time na conquista da Olimpíada de Pequim, segue como um trator em todos os tipos de bola. Apesar de falarem que a meta é Londres-2012, é bom ficar de olho bem aperto com os americanos na Itália.

O Polvo Paul vai rir de mim

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Como Polvo Paul definitivamente eu não ganharia a vida. Conferindo as apostas que fiz antes de a primeira fase do Mundial começar, vejo que o aproveitamento não foi dos melhores.

No Grupo G, 100% de aproveitamento, com Itália, Porto Rico e Alemanha.

No H, 0% de acertos. Apostei em Brasil, Polônia e Venezuela. Mas ele ficou com Cuba, Sérvia e México.

Já no I, melhorei um pouco. Acertei Rússia e Espanha, mas troquei Egito por Japão.

No Grupo L, cravei os Estados Unidos. Mas optei por França e Austrália, tendo entrado República Tcheca e Camarões.

No M, chutei Bulgária, Argentina e Egito. Acertei os hermanos, mas entraram, para minha tristeza, França e Japão.

Já aquele mais mais importa aos brasileiros, o N, zerei. Brasil, Polônia e Bulgária foram os certos. Os meus eram Sérvia, Cuba e China.

Derrota cara

terça-feira, 28 de setembro de 2010

A derrota do Brasil para Cuba fará com que os atuais bicampeões do mundo percam praticamente um dia de trabalho na Itália.

Culpa do deslocamento entre Verona e Ancona, cerca de 300 quilômetros. A opção brasileira foi o ônibus, que deixa o Norte do país rumo à costa do Mar Adriático.

Caso tivesse vencido os caribenhos, o Brasil, além de escapar do Grupo da Morte, com Bulgária e Poônia, ainda jogaria em Milão, viagem que dura pouco mais de uma hora, de trem, saindo de Verona.

Como saiu cara a derrota de segunda-feira…

O respeito entre Bernardinho e Velasco

domingo, 26 de setembro de 2010

Muito bacana o respeito e a admiração que Bernardinho e Julio Velasco demonstraram, na entrevista coletiva, após a complicada vitória do Brasil sobre a Espanha, em Verona,

Abaixo, reproduzo nota enviada para o LANCENET! como foi a troca de afagos entre os maiores vencedores com times masculinos de todos os tempos.

Julio Velasco, o dono do mundo na década de 90, com dois títulos mundiais e cinco Ligas pela Itália. Bernardinho, o cara do momento. Bi mundial, campeão olímpico e oito Ligas com o Brasil. Os dois maiores vencedores da história recente do vôlei trocaram elogios após a vitória do Brasil por 3 a 1 sobre a Espanha.

- É o grande mestre para mim. Aprendi com ele como conduzir um grupo, lidar com os astros, depois de vencer seguir vencendo… Com certeza é um grande professor não só para mim, como para todos os técnicos da minha geração – comentou Bernardinho, que primeiramente fez questão de cumprimentar o argentino pelas mudanças que fez no time espanhol antes do jogo. 

Nascido na Argentina e adorado pelos italianos, Velasco, que foi aplaudido de pé na apresentação dos times em Verona, também elogiou a forma com que o brasileiro mudou o panorama do vôlei mundial.

- Vejo o Brasil desde que era juvenil, na Argentina. Lembro daquele time do Moreno (levantador), depois a geração do Bernardo, que foi vice-campeã mundial em 82. Depois, ele pegou o Brasil entre os melhores e o colocou como o melhor. Juntou o estilo do Brasil com a organização dos EUA, dos europeus. Ele também mostrou que o vôlei físico não é o caminho para ganhar tudo. Aquele time maravilhoso tinha Ricardinho, Giba e André Nascimento, que não são altos. E chegou ao topo sem os gigantes. Nosso modelo na Espanha deve ser como este. Faço meus atletas verem o Brasil. Assim eles vão aprender. É uma síntese de como se deve jogar – falou Velasco.

No fim, Bernardinho voltou a pedir a palavra na entrevista coletiva e relembrou um encontro com Velasco em 1992.

- Lembro que ele foi ver um treino meu em 92, em Modena, que naquela época perdia muito mais do que ganhava, e fiquei tímido. Era o melhor técnico do mundo, que tinha visto conquistar o título mundial de 90, no Maracanãzinho, vendo meu treino. Mas ele estava lá em busca de uma experiência diferença, algo que pudesse agregar no trabalho dele. Ter a mente aberta é muito importante e ele mostra isso.

O estranho estilo cubano

domingo, 26 de setembro de 2010

Cuba é quase uma unanimidade no cenário mundial.  Um celeiro de novos talentos, jogadores sempre fortes fisicamente, com extrema habilidade, candidatos a um lugar no pódio neste Mundial da Itália, mas com uma cabeça muito fraca.

Ao vivo é mais fácil compreender a última parte da definição dos caribenhos. Falta concentração, um certo compromisso com a vitória, jogo parece treino, Campeonato Mundial parece amistoso.  Dão a entender que irão vencer quando quiserem,  apenas graças ao talento. Para que ser disciplinado taticamente?

Contra a Espanha, sofreram, mas venceram no tie-break. Contra a Tunísia, por mais que se “esforçassem” seria impossível perder.  O Brasil é que gostam de enfrentar os grandes. Mudam a postura, passam a provocar, jogam com sangue com olhos, como alguns definem o estilo mais aguerrido. Azar no Brasil nesta segunda. Pelo menos, promessa de um jogão, o melhor até aqui do Grupo B.

O drama de Marlon

sábado, 25 de setembro de 2010

Pessoal, segue a íntegra da coluna Saque, publicada na edição deste domingo, no LANCE! Um pouco sobre a dor do levantador Marlon.

Cabisbaixo, Marlon entra no restaurante do Hotel Montresor, em Verona, por volta das 13h30, horário local (8h30 de Brasília). Carrega uma sacola de supermercado, cheia de remédios. Olha em volta, quase mais nenhum cliente, os garçons já recolhem o que restou do almoço das quatro delegações ali hospedadas. A dificuldade para se locomover é aparente. Ele está abatido. Não é para menos.

Acabara de voltar de Modena, localizada a uma hora de Verona, com um diagnóstico, ainda não definitivo, de que a doença que o tirara de quase todos os treinos na Itália, na véspera do início do Mundial, é mais grave do que se imaginava. O nome é estranho (doença de Crohn), mas ele tem na ponta da língua. O que ela representa ainda mais: o risco de ficar fora do Mundial, sua primeira grande chance de iniciar uma competição deste porte como titular da Seleção Brasileira.

O olhar de Marlon mostra o quanto é doído este momento. Muito além do físico. O prato pedido chega e mostra também o quanto o problema mexe com o organismo: um prato de macarrão, sem molho, sem tempero. Para um atleta profissional, que já havia ficado sem o café da manhã, quase um sacrilégio. Um copo de água ainda ajuda a  engolir mais alguns comprimidos. Antes de comer o macarrão, ele ganha a companhia de Álvaro Chamecki, médico que o acompanhou em Verona. Mesmo sendo ortopedista, ele sabe  os cuidados de que o paciente inspira. Algumas garfadas e é hora de Marlon voltar para o quarto, enquanto os demais companheiros estão de saída para o jogo com a Tunísia.

Ver alguém assim não é fácil, mas é o próprio Marlon que dá o recado, sabendo que a família, principalmente, aguardava com expectativa o Campeonato Mundial: “Chorar eu não vou. Pelo menos agora sei o que tenho”.
Dias antes da viagem à Itália, fiz uma entrevista por e-mail com o levantador, que voltaria à Verona, onde jogou por uma temporada, e brigou sempre contra o rebaixamento. Uma das respostas terminava com: “ A superação era constante na Itália”. Hora de transformar suas próprias palavras, Marlon, em mais um momento de superação.

Legítimo cubano, sob a bandeira americana

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Pedro Angel Leon Garcia é um dos bons exemplos da atual geopolítica mundial. Nascido em Havana, ele, como outros milhares de cubanos, deixou o país nos últimos tempos e foi morar nos Estados Unidos.

O curioso é que o árbitro aparece no guia oficial do Mundial como americano. Parte da família ainda mora na ilha caribenha, lugar que ele não pode mais retornar, com risco de ser punido por Fidel Castro, por deserção.

Tive a sorte de encontrá-lo ao desembarcar em Milão, no início da semana, ao lado do brasileiro Rogério Espicalski, representante do país bicampeão do mundo na arbitragem aqui e que apitará, na primeira fase, jogos em Reggio Calabria, sede da seleção americana.

Preferências políticas à parte, gostaria de ver a reação de Pedro, caso aparecesse na escala de algum dos jogos de Cuba, aqui em Verona.