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Arquivo de julho de 2012

Maicon e Jadson precisam jogar um pelo outro

terça-feira, 31 de julho de 2012

Vendo os treinos do São Paulo, sempre achei que Maicon e Jadson não poderiam jogar juntos. Ainda tenho dúvidas se é a melhor formação para o meio de campo, mas tem dado certo e Ney Franco está certo em dar sequência. Em evolução, a tendência é a dupla melhorar cada vez mais.

Os dois não têm cacoete de marcação. Muitas vezes, “correm errado”, como se diz na linguagem do futebol. E é justamente neste ponto que precisam melhorar. É comum ver um buraco entre o primeiro volante (nesta quarta-feira será Rodrigo Caio) e os dois armadores. Cabe também aos alas, já que o time agora joga no 3-5-2, ajudá-los fechando os espaços.

Jadson não vai perder o lugar no time. Tem habilidade superior a de Maicon. É mais decisivo e importante na bola parada, além de somar gols e ser o garçom do time. Até por isso, é comum ver Maicon correndo por ele. Volta para dar combate no volante ou lateral. Isso porque sabe que Paulo Assunção foi contratado e Wellington está para voltar. Um deve ser titular.

Se Ney optar por outro volante, Maicon pode sair. Mas dependendo do rendimento, vai se garantir. E aí pode sobrar para João Filipe.

Um precisa ajudar o outro. Como Ceni já disse, quanto mais gente que joga e tem técnica, melhor.

‘Ôôô… o capitão voltou, o capitão voltou…’

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Torcida levou bandeirão no Morumbi em homenagem ao capitão (Foto: Gabriel Saraceni)

A tão esperada volta de Rogério Ceni aconteceu. Não foi perfeita, porque o goleiro acabou vazado uma vez. Mas para ele, como disse na coletiva de sexta-feira, o importante era vencer.

A festa para o capitão começou antes de a bola rolar. Fora do estádio, muitos torcedores com a camisa 01 e gritos de adoração ao goleiro. Dentro do Morumbi, mais incentivo, bandeirão e um mosaico.

Ceni foi pouco exigido. Trabalhou mais com os pés, ao receber bolas recuadas dos zagueiros, e com a garganta, orientando a defesa e os mais jovens. No intervalo, fez questão de falar com Ademilson e Rodrigo Caio, com quem seguiu abraçado para o vestiário.

O capitão ainda demonstra falta de ritmo, o que só vai adquirir com o tempo. Em dois lances, já no segundo tempo, errou em duas saídas, furando com a mão e com o pé. A única defesa foi no primeiro tempo. Na verdade, nem sequer aconteceu, já que Adryan estava impedido. Mesmo assim, Ceni segurou.

Em sua avaliação, no fim do jogo, Rogério se achou um pouco perdido e sentiu dores na coxa direita. Reflexo de quem fez sua última partida em dezembro do ano passado. Só pelo espírito de luta da equipe, que se mostrou empolgada  com o capitão de volta, já valeu a pena. A cada gol, Rogério vibrou muito. Mesmo assim, não deixou de orientar e sabe que ainda falta muito.

Pelo time do São Paulo, Ceni será mais criticado

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Rogério está em condições de voltar (Crédito: Tom Dib)

Aos 39 anos, Rogério Ceni se dedica todos os dias, há seis meses, para voltar a fazer o que mais gosta. O problema é que quando realizar esse objetivo, ele terá pela frente uma defesa instável, algo que ficou evidente em Goiânia.

E Ceni tomará gols. Talvez muitos, assim como Denis tem levado. Culpa do reserva? A grande maioria não. Será culpa do camisa 01? Provavelmente não.

Mas, com Rogério, a repercussão será outra. Muito maior. Cada gol sofrido trará à tona a teoria de que o goleiro precisa parar, de que está acabado para o futebol. Algo injusto devido ao atual momento. Pelo time do Tricolor, gols não podem ser referência.

Enquanto os rivais vão provocar, os são-paulinos poderão aproveitar seu maior ídolo. Há seis meses o torcedor não vive a expectativa de ver o goleiro atravessando o campo para bater uma falta. Há seis meses o São Paulo não tem seu maior líder em campo.

A espera está acabando. Domingo, ele tem grandes chances de enfrentar o Flamengo. Boa sorte a Rogério Ceni. Com esse time, o capitão vai precisar.

Desse jeito, não vai a lugar algum

quinta-feira, 26 de julho de 2012

São Paulo não viu a cor da bola no primeiro tempo (Crédito: Carlos Costa)

O São Paulo não tinha ontem Lucas, Luis Fabiano e Rogério Ceni. Mas mesmo que não tivesse Denis, Rhodolfo, Toloi, Edson Silva, Douglas, Denilson, Maicon, Jadson, Cortez, Ademilson, Willian José e Ney Franco não daria para admitir ir para o intervalo perdendo por 4 a 1 para o fraco e lanterna Atlético-GO.

O árbitro errou ao marcar pênalti que originou o segundo gol? Sim. Mas não se pode afirmar que isso influenciou no resultado.

O time inexistiu. Em campo, os 11 atletas pareciam não se conhecer. Jadson e Maicon não acertavam uma jogada. Willian José também não incomodava ninguém.

Na defesa, um sofrimento. Principalmente por cima, mas também por baixo, o Dragão conseguia criar lances de perigo, que quase todos terminaram com a bola na rede.

Ney Franco mexeu no intervalo. A entrada de Casemiro na vaga de Edson Silva deu certo. Rodrigo Caio no lugar de Douglas nem tanto. O titular estava bem no jogo e apoia com qualidade melhor.

Com três gols de diferença no placar, era inevitável que o Tricolor fosse para cima e que os donos da casa ficassem mais recuados.

Se não houvesse reação, algo de muito grave estaria acontecendo. A reação apareceu e o São Paulo quase empatou. Se empatasse, o resultado não deixaria de ser ruim.

O discurso de brigar por, pelo menos, uma vaga na Libertadores precisa ser mostrado em campo.

Ney cobrou e a marcação melhorou

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Como o próprio Ney Franco havia dito na última sexta-feira, “o São Paulo precisava parar de olhar o adversário”.

E a cobrança do treinador nos trabalhos durante a semana parece ter surtido efeito, ao menos diante do Figueira. Denilson, mais recuado, e Maicon, mais à frente, ajudaram muito na marcação e cobriram bem as subidas de Douglas e Cortez ao ataque.

Os dois laterais, inclusive, imprimiram marcação pressão – outro pedido do comandante durante  treino da última semana – na saída de bola da equipe catarinense e dificultaram o trabalho dos meias adversários, que não conseguiram levar a bola da defesa para o ataque com qualidade.

Ainda que o Figueirense não tenha um dos ataques mais vistosos do Brasileirão, os três zagueiros são-paulinos não deram “sopa para o azar” e, com atuações seguras, evitaram que as redes de Denis fossem balançadas ontem.

À exceção de uma bola em que o goleiro saiu mal do gol, os catarinenses não levaram mais perigo.

E Ney Franco, com sua primeira vitória em três jogos à frente do Tricolor, ganha uma grande dúvida sobre qual esquema utilizar daqui para frente. Apesar de preferir o 4-4-2, o esquema com três defensores, além de dar mais segurança atrás, faz crescer o número de opções na frente, fruto da liberdade que o 3-5-2 dá aos alas.

Ceni faz gol e ‘gasta’ a voz em coletivo

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Rogério Ceni orientou muito os companheiros (Foto: Eduardo Viana)

Foi só um jogo-treino no CT da Barra Funda. Mas a presença de Rogério Ceni em campo fez a atividade ser diferente. O capitão, cada vez mais, está próximo de voltar. Na tarde desta quinta-feira, nova prova do quanto está com saudade de estar de vez entre os companheiros.

Durante cerca de 45 minutos, o camisa 01 foi notado quieto em poucos momentos. Passou a maior parte falando com os zagueiros, meias e até com os atacantes. Ademilson e Willian José foram cobrados para acertar o posicionamento, assim como o trio de zaga e os alas. Embaixo das traves, pouco pôde fazer para evitar os três gols que sofreu. Um, logo no início. Outro, com falha de Paulo Miranda na hora de recuar. Por fim, um chute indefensável de longe.

No ataque, linda cobrança de falta. Frontal ao gol de Léo, tocou por cima da barreira, no ângulo. Caprichosa, a bola ainda subiu, bateu na rede e caiu no chão. Sem chances.

Mas não é só o empenho como goleiro – apesar de isso ser importante para ele – que conta nessa hora. O Tricolor está carente de alguém experiente. Alguém que fale com os garotos e que seja ouvido por eles. Fale coisas que os façam evoluir, ganhar respeito e também tranquilidade.

Mas não pense o elenco que com a volta de Ceni as coisas vão ficar mais tranquilas e ele vai assumir toda a bronca. Do mesmo jeito que tem personalidade para chamar para si a responsabilidade, Rogério também sabe dividí-las e exige o máximo de cada um. No coletivo, só uma prova. Com ele de volta, Ney Franco ganha um grande aliado para acertar o time.
Veja algumas frases do camisa 01 durante a atividade

“Vai até o fim, Ademilson. O zagueiro é seu e tem de acompanhar. Não pode largar e precisa recompor também”

“É hora de marcar. Eles não podem sair jogando com facilidade. Aperta, aperta! Faz dar o chutão e quebrar”

“Olha a volta. Sempre de frente para a bola, com atenção. O jogo ainda não acabou (depois que o time marcou um gol)”

“Não desiste, Willian. Fecha o espaço e cobre quem subiu”

“Até o fim, Maicon, até o fim. Boa, é isso aí (roubou a bola)”

“Boa, Luiz (Eduardo). Estou contigo, pode tocar (recuar). Não pode errar, não pode”

“Adianta, Lucas (Farias). Presta atenção em quem vem pelo seu lado. Tem que ficar de olho e depois dar opção de frente”

“Não pode errar, gente. Aqui atrás não podemos errar”

“Capricha, Casão (Casemiro). É importante ter a posse de bola. Tem de valorizar a posse”

“Vai, Edson (Silva), antecipa. Sem dar espaço, sem perder a bola. Boa (desarme). Não pode perder este tipo de lance no meio”


Se não vender, São Paulo tem que fazer projeto para Lucas

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Lucas está com a Seleção Brasileira em preparação para a Olimpíada (Foto: Mowa Press)

A proposta de R$ 82 milhões por Lucas é muito boa. Pelo contrato, o São Paulo ficaria com 80% se vender agora e 70% se o negócio se arrastar até agosto.

Sem patrocinador master de camisa, premiação por título (último foi em 2008) e com presença razoável de torcedores no Morumbi, a única grande fonte de renda hoje são as cotas de televisão. Vender um atleta pode ser a saída. Mas também pode virar um problema.

Ao lado de Rogério Ceni e Luis Fabiano, Lucas está entre os principais jogadores do time. Além do futebol decisivo, que o faz figurar nas listas de Mano Menezes desde o ano passado, e como um dos melhores da posição nas competições, também é identificado com os torcedores. É sempre um dos mais ovacionados nas arquibancadas e retribui o carinho como poucos.

Não tenho o poder de decidir se Lucas tem ou não que deixar o Tricolor. Mas, apesar da tentadora proposta do Manchester, da grandiosidade do clube para ele atuar, o meia-atacante tem apenas 19 anos. Ainda tem muito para amadurecer e crescer no seu país, que daqui a dois anos voltará a receber uma Copa do Mundo.

É preciso partir do São Paulo a vontade de ficar com o jogador. O salário (R$ 130 mil) não está entre os maiores no clube, mesmo ele sendo um dos mais importantes. O trabalho de marketing e de arrecadação de parceiros praticamente não existe. O que se faz bem é a ativação em redes sociais, algo realizado pelo staff do atleta, e não pelo Sampa. A assessoria de imprensa do clube, quando não tem interferência da diretoria, também trabalha bem em relação à conduta de Lucas.

Se for para ficar como está, é melhor vender o garoto. Caso contrário, ele poderá jogar contrariado. Lucas receberia até R$ 10 milhões pela transação, além de luvas e salário mais do que triplicado. Cifras que seduzem os pais e o empresário. Por isso, é preciso agir rápido.

Lucas não é fenômeno de marketing e de futebol, mas tem potencial para crescer em ambos. Cabe ao Tricolor descobrir o caminho.

Trabalho com futuro bastante promissor

segunda-feira, 9 de julho de 2012

A primeira entrevista coletiva de Ney Franco como técnico do São Paulo dá
mostras de que o trabalho pode render bons frutos. O estilo apaziguador e aberto para conversas vai seguir na linha utilizada por Milton Cruz durante as duas últimas semanas e que surtiu efeito.

O atual modelo e conduta contrasta com o anterior e certamente isso ajudará a todo elenco, principalmente porque Ney conhece grande parte dele em razão do trabalho nas categorias de base durante o tempo de Seleção.

A volta de líderes como os experientes Luis Fabiano e, principalmente, Rogério Ceni aumentará o diálogo entre técnico e jogadores. Apesar de ser uma coisa aparentemente simples, estava em falta pelos lados do Morumbi ultimamente e agora pode fazer a diferença.

O sucesso de Ney Franco abre brecha para mudar também o conceito da atual direção. A conversa parece passar longe de lá em alguns momentos e o modelo de gestão centralizador deveria se espelhar no estilo do comandante.

O caminho para um trabalho bem feito começou ontem e tem tudo para colocar o São Paulo no caminho das conquistas novamente. O próprio histórico de Ney Franco contribui para isso.