Pequenas sequelas ainda existem, afinal, estou diante de um sobrevivente. Mas o aperto de mão é forte e confiante. Pela primeira vez desde o AVC que sofreu, vi pessoalmente Ricardo Gomes, segunda-feira.
O encontro com o novo coordenador técnico do Vasco ocorre dias depois de uma coletiva de imprensa do presidente da CBF José Maria Marin para apresentar Luiz Felipe Scolari e Carlos Alberto Parreira como os homens que vão comandar a Seleção em busca do hexa em 2014.
Você vai me perguntar: o que uma coisa tem a ver com a outra? Eu explico: a coletiva da CBF exalou mofo do começo ao fim. E isso não tem a ver com a escolha de Felipão e Parreira, que podem até ter sucesso na empreitada. Incomodou o discurso patriótico, a ausência total de um projeto para o futebol brasileiro, como se o mundo terminasse com o apito final da Copa de 2014. Incomodou a ausência de uma única ideia diferente das que comandaram o futebol brasileiro nos últimos 100 anos.
A conversa com Ricardo Gomes não durou mais do que meia hora. E foi de uma riqueza impressionante. Ricardo não acha que o futebol é um universo isolado da sociedade. Ele fala do esporte e sua relação necessária com a educação, fala do futebol como um negócio profissional. Fala como ninguém que comanda o esporte no Brasil fala e nem quer falar.
Ver Ricardo Gomes inteiro e saudável é presenciar um milagre. Ver que existe gente como ele militando no futebol com ideias novas é presenciar um sonho. Que há de se transformar em outro milagre.













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