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Posts com a Tag ‘África do Sul’

A Alemanha multirracial

sábado, 3 de julho de 2010

O sucesso da Alemanha na Copa do Mundo revela um país que começa a entender, aceitar e, mais do que isso, orgulhar-se de seu caráter multirracial. 11 dos 23 jogadores que estão na África do Sul são descendentes de imigrantes que, historicamente, são tratados de maneira preconceituosa no território nacional.

A Alemanha de Ozil (turco), Boateng (ganês), Khedira (tunisiano), Cacau (brasileiro), Klose e Podolski (poloneses) é o inverso da França de Evra, Sagna, Diarra (senegaleses), Govou (de Benin) ou Cissé (da Costa do Marfim).

A primeira se mostra unida e e está na semifinal da Copa do Mundo, exibindo o melhor futebol entre todas as 32 seleções até aqui.

A segunda foi humilhada na primeira fase e escancarou sua falta de união, um terrível espírito de cada um por si e um total desprezo às cores francesas.

Há quatro anos, na Copa de 2006 presenciei ao vivo o renascimento de um país do ponto de vista da unidade. Era a Alemanha na copa do mundo que sediou.

Não havia uma só janela de casa ou prédio no país que não ostentasse uma bandeira amarela, vermelha e preta. O time da Alemanha de 2010 parece ser um desdobramento e um espelho daquele novo país que se mostrou ao mundo.

A extrema-direita alemã não aceita o time de Ozil e companhia como genuinamente alemão, mas na última eleição parlamentar o partido que a representa teve menos do que 1,5% dos votos.

O último parágrafo de uma uma reportagem da revista alemã “Der Spiegel” sobre o assunto resume o sentimento do país.

Um senhor alemão branco de olhos azuis entra em uma loja e vê na manchete de um jornal a foto de Ozil, autor do gol da Alemanha contra Gana. Ele diz:

- Um turco nos salvou.

O dono da loja responde:

- Esse aí não é um turco. É alemão.

Feliz 2014!

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Quando o juiz apitou o fim do primeiro tempo de Brasil x Holanda, a impressão que se tinha é que a classificação estava muito bem encomendada.

O time mandou no jogo, fez 1 a 0 rapidamente e perdeu inúmeras chances de ampliar. Repito a frase: “perdeu inúmeras chances de ampliar”.  A Holanda foi engolida. Tivesse feito pelo menos mais um gol (e chances não faltaram), a semifinal estaria garantida. Era um primeiro tempo perfeito para o jeito que esta Seleção joga.

O segundo tempo foi outro a partir do momento em que o Brasil sofreu o gol. Aí, todas as deficiências do time de Dunga se escancararam: a falta de alguém no banco que pudesse dar nova dinâmica ao jogo, os excessos de Felipe Melo (que acabou justamente expulso), a falta de equilíbrio emocional diante de um placar adverso.

A desorganização total apareceu em campo, com zagueiros indo ao ataque, volantes lançando… tudo errado.

A Copa do Mundo começou para o Brasil. Não está errada esta frase. Falo da Copa de 2014, que temos que organizar sob todo o rigor exigido pela Fifa.

Porém, mais do que estádios de primeira linha, organização e uma recepção perfeita aos turistas de todo o planeta, precisamos mostrar também o futebol brasileiro. O genuíno futebol brasileiro.

Temos quatro anos para revelar ao mundo que podemos praticar um futebol não só eficiente, mas bonito, atraente… enfim, um futebol brasileiro.

2010 é passado. Para 2014 queremos mais do que um time guerreiro. Queremos um time que encante. Afinal, em 2014 seremos os donos da festa. E ela terá de ser nossa na final.

Falta um personagem em campo nesta Copa

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Os quatro personagens mais marcantes da Copa do Mundo até o momento são: a Jabulani, a vuvuzela, a arbitragem e Maradona, não necessariamente nesta ordem.

Destes quatro, apenas um faz parte do grupo que deveria ser protagonista do espetáculo. No caso, Maradona, que tem feito à beira do campo seu ótimo show particular, abraçando e beijando seus jogadores, vestido naquele indefectível terno (que aliás não tem nada a ver com seu way of life, vamos  dizer).

Mas Maradona não é (mais) jogador. Se não aparecer algum personagem mais forte dentro de campo até o final, a Copa do Mundo pode ficar na história como a copa da Jabulani, da vuvuzela e, principalmente, dos erros de arbitragem.

E claro, de Maradona.

O Mundial não está ruim. Até aqui os jogos das oitavas foram bem interessantes. Alemanha x Inglaterra foi histórico pelo chocolate, mas ficará lembrado pela bola que não entrou, mas entrou. Assim como a final de 66 ficou marcada pela bola que aparentemente não entrou, mas entrou.

A Jabulani, outro personagem da África do Sul, será devidamente analisada pela Fifa, como já anunciou a entidade, mas só depois da final, em 11 de julho.

Quanto à vuvuzela, tapem seus ouvidos ou abaixe o volume da TV.

Em 2006 batemos na trave de ter uma Copa sem um grande personagem. Zidane  apareceu na final, mas como vilão.

Ainda dá tempo de o Mundial da África apresentar uma figura humana para ser eternizada. Por enquanto o posto é de Maradona, que já é eterno e não está dentro de campo.

Quem é Marcelo Bielsa?

domingo, 27 de junho de 2010

O texto abaixo foi escrito pelo meu amigo jornalista argentino Mariano Dayan, do Diário “Olé”. Para que a gente entenda um pouco mais quem é Marcelo Bielsa, o técnico do Chile que enfrenta o Brasil nesta segunda-feira pelas oitavas-de-final da C0pa. Lembrando que Bielsa é argentino e já dirigiu a seleção de lá.

Marcelo Bielsa

Por Mariano Dayan
do diário “Olé”

“Dos técnicos sul-americanos na América do Sul, certamente, Bielsa é o menos sul-americano. O líder da revolução chilena, o nome que adora a ex-presidente chilena Michelle Bachelet, o que deixou todos os chilenos apaixonados, faz um culto ao futebol ofensivo e vertical.

Muito menos pausado e horizontal que o típico futebol sul-americano, tentando sempre jogar a uma velocidade maior. Seu grande defeito é justamente esse, o de se apegar a esse estilo de jogo independentemente do rival e da situação, suas equipes sempre atacam, a qualquer preço.

Na Argentina, Bielsa ficou marcado pelo fracasso da Copa de 2002. Vinha de uma Eliminatória brilhante e foi eliminado na primeira fase, ao somar quatro pontos e empatar na última partida com a Suécia.

Por isso, a capa do Olé de sábado foi “Passou”, porque enfim tirou a espinha em um Mundial.

Desta vez, diferentemente da Argentina, tem menos no individual, mas conta com talentos como Alexis Sánchez, Beausejour, Suazo, Matías Fernández.

E agora, contra o Brasil, faltarão jogadores importantes como Medel, peça-chave no meio de campo. Contudo, esse homem analítico como ninguém, obsessivo como poucos, um apaixonado pelo futebol cujas entrevistas coletivas são sempre para se acompanhar de perto, certamente colocará o Chile como protagonista na partida.

Se é que o Brasil deixará, claro, mas Bielsa sempre quer ser protagonista. Nunca por decisão própria, esperará o rival para contra-atacar.

Homem respeitado por seus princípios, porque nunca dá entrevistas exclusivas, somente em entrevistas coletivas, porque não tem intimidade com seus jogadores, porque vive para seu trabalho, Bielsa já tirou o peso de suas costas e, pela primeira vez, está nas oitavas de final.

Já é amado no Chile pelo que fez, dando um estilo à sua equipe, com sua característica ofensiva, de toque rápido pelo meio de campo. E vai tentar mais, seguro com sua característica, contra o Brasil.”


Análise do Brasil contra Portugal

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Minha análise do Brasil na partida contra Portugal. Leia e mande a sua.

DE BOM
- Julio Cesar. O melhor goleiro do mundo.

- O time está classificado para as oitavas em primeiro lugar no grupo e ficou do lado mais fácil da chave. Isso é ótimo.

- Lucio, cada vez mais seguro. Outro partidaço do capitão.

DE RUIM
- Não há opção para subistituir Kaká. Julio Baptista, que foi bem em outras ocasiões, desta vez não deu opção ao time, que não soube o que fazer para furar o bloqueio português.

- O lado esquerdo do Brasil não existe. O time só sabe sair para o jogo pela direita, com Maicon.

PREOCUPA
- Felipe Melo pode acabar cavando uma expulsão de bobeira nesta Copa do mundo.

- Será que aquela proteção toda nas costas de Julio Cesar é só para dar segurança mesmo ao goleiro?

- Que dores musculares Robinho tem? Sem ele, a Seleção perde muito em movimentação

- Nos três jogos da primeira fase a zaga não foi tão segura como nas Eliminatórias. Lucio  foi exceção.

Dunga: de vilão a herói

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Esta é a minha coluna publicada no diário LANCE! desta quinta-feira, 24/06. Leia e dê seus pitacos.

Dunga: de herói a vilão

Até a Copa do Mundo começar Dunga era o inimigo público número 1 do Brasil. Aquele que tinha tirado Ronaldinho Gaúcho, Ganso e Neymar da Copa, aquele que destruiu o jeito alegre do futebol brasileiro.

Aquele que iria conseguir cair fora na primeira fase na África do Sul. O “grosso”, o “mal-educado”, o “burro”.
Pois uma manobra aparentemente involuntária do treinador o trasformou em herói nacional da noite para o dia.

Dunga “peitou” a Globo. Fez lá uma grosseria com o jornalista Alex Escobar na entrevista coletiva, impediu que a emissora fizesse exclusivas com seus jogadores, povocou a reação da emissora e pronto: virou o “corajoso”, o “honesto”, o “brasileiro”, o “cara que ganhou tudo o que disputou”, o sujeito que “ousou barrar a toda-poderosa”.
Não que Dunga tivesse arquitetado isso. Simplesmente agiu como sempre desde que assumiu a Seleção: na base do “somos nós contra todos”.

No embate fantasioso entre a TV Globo e Dunga, o povão ficou do lado do treinador. Só no discurso, claro. Nesta sexta-feira a audiência da Globo será muito maior do que de qualquer outra TV brasileira que transmita a partida contra Portugal.
Mas em tempos de Copa, nervos à flor da pele, todos precisam de “inimigos” para combater. Da mesma fora que Dunga coloca qualquer um que o critique como alguém que está torcendo contra, o povo elege a Globo como rival, seguida pelo restante da imprensa.

Porém, a emissora não será a inimiga eterna do povo brasileiro neste assunto. Dunga retomará o posto de vilão. Basta que ele não traga o hexa.

O Dunga me enganou

segunda-feira, 21 de junho de 2010

A coluna que escrevi no diário LANCE! desta segunda-feira, 21/06 (leia aqui) tem um erro crasso. Eu escrevi que pela primeira vez Dunga não havia atacado a imprensa. Pois o técnico da Seleção Brasileira me enganou.

Mesmo após a incontestável vitória contra a Costa do Marfim ele seguiu com suas ironias e falta de educação. A vítima desta vez foi o jornalista Alex Escobar, da TV Globo. Dunga interpelou o jornalista que fez um sinal de negativo com a cabeça durante uma resposta do técnico na coletiva.

Detalhe: Escobar no momento falava pelo telefone com outro jornalista da emissora, Tadeu Schmidt, e o gesto não foi endereçado para o treinador.

Dunga, então, balbuciou palavrões contra Escobar, que foram captados pelo microfone da sala.

Lamentável, para dizer o mínimo. Até quando o time vence Dunga faz da relação com a imprensa um guerra.

A minha proposta é a seguinte: vamos todos esquecer Dunga. A Seleção Brasileira não tem nada a ver com isso e é muito maior e mais importante do que o Dunga e do que a imprensa.

Deixemos que ele pregue ao vento sua verborragia. E a imprensa, que siga tentando levar informação ao torcedor. Esta é a função dela. Bola pra frente e fim de papo.

Agora, vão dizer o que?

domingo, 20 de junho de 2010

A Seleção Brasileira mostrou características que torcida e críticos pediam: talento, individualidade e não só comprometimento e obediência tática.

Foi a soma de todos estes fatores que levaram o time à vitória contra a Costa do Marfim e,  consequentemente, à classificação para as oitavas-de-final da Copa do Mundo.

O Brasil contra a Costa de Marfim é o sonho de consumo de Dunga. Muito obediente e comprometido, com essas características fazendo o papel de uma espécie de proteção para que os jogadores talentosos façam o que sabem.

Neste sentido, deu tudo certo. Kaká foi bem e Luís Fabianoesencantou com um golaço.

A boa atuação da Seleção deixou críticos (eu incluído) e boa parte da torcida menos ferozes, afinal, o que dizer depois da vitória e diante do que os outros favoritos na África do Sul fizeram até agora?

A partida também deixou outras pessoas sem ter o que dizer. Aqueles que reclamam da mão de Maradona em 86 ou de Henry no jogo que classificou a França para a Copa.

Sem tirar o mérito do golaço de Luís Fabiano, mas ele deu duas belas ajeitadas de mão antes de chutar a bola para o gol.

Quem tinha muito o que dizer contra os críticos ontem era Dunga. Porém, pela primeira vez desde que chegou à África do Sul, preferiu não apontar sua artilharia para a imprensa.

A vítima da vez foi o árbitro.

Em resumo, uma jornada ótima para todos: vitória brasileira com bom futebol e Dunga despejando sua raiva sobre o juiz da partida.  Que continue assim!

ADENDO A ESTE POST:  Dunga me enganou! ele mais uma vez foi grosseiro na entrevista coletiva. Leia aqui.

Primeiro gol da Copa é notícia boa para o Brasil

sexta-feira, 11 de junho de 2010

O primeiro gol da Copa do Mundo da África do Sul pode ser um sinal do que será este mundial, pela maneira como as Seleções se comportaram.

E se o que aconteceu nesta sexta-feira no Soccer City realmente for a tônica do torneio, é uma ótima notícia para o Brasil.

O gol saiu de uma contra-ataque fulminante dos sul-africanos. O time de Parreira recuperou a bola na intermediária, campo de ataque e, com seis toques, Tshabalala estava na cara do gol, com um único zagueiro em seu encalço, mas sem conseguir alcançá-lo.

O chute perfeito no ângulo esquerdo do goleiro mexicano, finalizou a jogada.

Antes de este gol sair, em um contra-ataque, o jogo era morno. Defesas bem postadas (bem mais ainda a do México), chutes de longa distância, nenhuma penetração na área adversária. Muitos cruzamentos, poucos perigosos.
O gol de empate mexicano nasceu de uma falha incrível da zaga sul-africana. Daqueles que desmontam qualquer esquema.

Por que o primeiro gol da Copa pode ser uma boa notícia para o Brasil? Porque o melhor contra-ataque do mundo é o brasileiro. Se a da África do Sul for a copa dos contra-ataques, a Seleção de Dunga saberá o que fazer. E é difícil imaginar que a zaga brasileira falhará como falhou a da África do Sul.

Também é difícil imaginar que os times vão se abrir contra o Brasil. Mas uma roubada de bola e um contra-ataque perfeito podem furar uma retranca. O primeiro gol da Copa, com seis toques, foi só uma amostra desta tendência.