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Arquivo da Categoria ‘Olimpíada’

Fracassos olímpicos

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Um nadador tem como melhor marca um tempo apenas 19 centésimos abaixo do recorde mundial. Além disso, é campeão do mundo e chega com enorme expectativa à olimpíada. Acaba apenas com a medalha de prata. Um país que formou o maior praticante de determinada modalidade em todos os tempos além de outros grandes campeões termina sem nenhuma medalha sua participação olímpica no masculino. Um país inventor de uma modalidade e que historicamente domina o cenário acaba os jogos sem nenhum ouro do time masculino, o que não acontecia há 24 anos.

Esses três fracassos olímpicos têm algo em comum: não são fracassos brasileiros. E repercutiram fortemente nos seus respectivos países. O nadador é o australiano James Magnussen. O país que formou o maior campeão de todos os tempos em uma modalidade (boxe) são os Estados Unidos e o campeão é nada menos do que Muhammad Ali. E o país inventor de modalidade que fracasou em Londres é o Japão, que terminou com zero ouros sua participação masculina no judô.

Na Austrália, há em curso uma investigação para entender o fracasso do país nas piscinas. Nos Estados Unidos se discute o fiasco no boxe. E o desempenho ruim do judô ganhou ares de vergonha nacional no Japão.

Se o sucesso olímpico é privilégio para poucos o fracasso é democrático. Todas os países que estiveram em Londres sentiram este gosto amargo em algum momento das duas semanas de disputa. E não falo de participar e perder, mas de chegar como favorito ou com muita tradição e não levar.

Quando Fabiana Murer não salta por causa do vento ou Diego Hipolito cai no tablado, é fácil culpar um suposto amarelismo de nossos atletas. Ou, por outro lado, lembrar que ser atleta no Brasil é um ato de heróismo pela falta de recursos. Assim, ele está absolvido do fracasso.

A diferença é que para cada fracasso norte-americano há sucesso em dobro, triplo, quádruplo em outra modalidade. Por aqui, cada medalhinha perdida é sofrida demais, mesmo com as metas nanicas que o COB se impõe. Porque nossas chances são quase únicas. Haja pressão…

Perder o ouro no futebol é o de menos

sábado, 11 de agosto de 2012

O futebol sempre foi um torneio meio descolado de todo o restante do programa olímpico. Nos últimos anos, quando foi permitida a presença de qualquer jogador com menos de 23 anos e mais três com mais, a distância se acentuou. Nada contra Neymar e companhia, mas eles não têm muito a ver com os outros, que ficam hospedados na Vila Olímpica, que sofrem muito para conquistar uma medalha… enfim, essas histórias heróicas que vimos aos montes nos últimos dias.

Curiosamente, não tenho o mesmo sentimento com relação ao basquete dos Estados Unidos, que também leva seus astros milionários para os jogos. Provavelmente porque o futebol está mais perto do meu cotidiano do que o basquete. Mas admito que a situação é bem parecida.

Mas voltando ao futebol: do ponto de vista de conquista olímpica, o triunfo do futebol para mim não acrescenta muita coisa pelo dito acima. Ele é um torneio meio à parte. Além disso, a vitória não comprovaria o sucesso de uma política esportiva da modalidade, de organização, nada disso. Se vencesse, seria obra do talento natural de nossos jogadores. Assim, é mais fácil se emocionar com a vitória de Arthur Zanetti das argolas do que de um punhado de jogadores ricos, que praticam o esporte mais popular e de maior investimento do país. Repito: nada contra Neymar e companhia e o sucesso na carreira e financeiro de cada um deles.

O problema da derrota, para mim, é outro: quando a Seleção Brasileira não conquista o primeiro lugar em um torneio sem NENHUM grande time e quando sofre contra adversários como Honduras… o sinal de alerta se acende. Porque este time do Mano que perdeu neste sábado, com poucas mudanças, será o nosso time daqui a dois anos na Copa.

Sim, os jogadores estarão mais maduros, o time estará mais entrosado e muita coisa pode mudar. O problema é que a evolução vista até agora de nosso time, olímpico ou não, é muito tímida. Para complicar, há uma pergunta difícil de ser respondida. Se Mano sair, quem deve assumir? Pensamos um pouco e vemos que não temos NENHUM grande técnico no país. Temos alguns bons, verdade, mas não temos nem unanimidade nem maioria nas sugestões. Ou estou enganado?

Levamos uma sova do “Eixo do Mal”, de Cuba e até do Cazaquistão

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Em tese, o quadro de medalhas olímpico serve como parâmetro para medir a qualidade e, consequentemente, a superioridade esportiva de uma nação sobre outra.

Assim, não deixa de ser curioso olhar o quadro de medalhas de Londres e ver Cazaquistão, Irã, Coreia do Norte e Cuba à frente do Brasil. As notícias que chegam a nós sobre estes países não são das mais felizes.

O presidente do Irã não aceita o homossexualismo, o regime é fechado, vira e mexe o país é acusado de tentar fabricar a bomba atômica e faz parte do “Eixo do Mal”, nome dado pelos Estados Unidos aos países mais perigosos (?!?!?!) do mundo.

Cuba é dirigida pela família Castro desde 1959. Aqui, chegam notícias sobre paredão para dissidentes, pobreza, crise de abastecimento, prostituição, etc, etc.

A Coreia do Norte todos os dias é comparada a seu vizinho do sul. Este sim, um ‘”novo rico pulsante” que despeja SUVs nas ruas do mundo inteiro. Já o “irmão pobre” do norte é considerado o regime mais fechado do mundo, tem no poder uma mesma família desde a sua fundação, há fome, frio e dias cinzentos. Parece, está tentando também fabricar a bomba atômica e também faz parte do tal “Eixo do Mal”.

O Cazaquistão ninguém sabe bem o que é. Dirigido pelo mesmo presidente há quase vinte anos, foi uma república da ex-União Soviética. Virou potência olímpica em Londres, com seis ouros até aqui. Como comparação: o Brasil não tem nenhuma chance de alcançar seis medalhas de ouro nos jogos atuais. Torçam para acontecer em 2016.

Nunca estive em nenhum dos quatro países acima, portanto, não posso ter certeza se o que leio é verdade. E o que sei sobre os quatro é o que leio. A questão aqui é que soa no mínimo estranho medir a superioridade de um país por um quadro gelado de medalhas. E se o Brasil estivesse com 15 ouros e lá em cima, a questão seria a mesma. Porque como país não ganhamos medalha nenhuma em muitas coisas mais importantes do que futebol, vôlei ou ginástica nas argolas.

Armações olímpicas

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Jogar para perder para ter vantagem futura no decorrer de um torneio é válido? O que não deveria nem entrar em discussão de tão imoral, aconteceu em Londres. Sul-coreanas, indonésias e chinesas foram eliminadas do torneio olímpico de badmington por claramente jogar para perder. Sacaram na rede, não foram em bolas fáceis, etc. A derrota traria benefícios no encadeamento da chaves no decorrer da competição.

Segunda-feira, Espanha e Brasil se enfrentaram pelo torneio masculino de basquete. Ninguém jogou escancaradamente para perder. Mas ficou claro que as marcações defensivas foram frouxas. Nenê nem entrou em quadra, com dores no pé (entraria se o jogo fosse decisivo, alguém duvida?). O derrotado da partida, em tese, só pegaria o bicho-papão Estados Unidos numa possível disputa pelo ouro. No final o Brasil venceu. Dizer que a Espanha -segunda colocada no ranking da Fiba e atual vice-campeã olímpica- entregou é menosprezar a vitória brasileira. Mas a marcação por zona espanhola até o fim mesmo com a desvantagem no placar não é normal. O Brasil fez 31 pontos só no último quarto, algo que não tinha conseguido fazer em nenhum outro jogo até aqui.

Parênteses: não, o Brasil não é o honesto coitadinho nas entregadas em disputas esportivas. Lembremos do vôlei masculino no Mundial masculino de 2010, que perdeu de propósito para a Bulgária.

Mudanças de regulamento seria o antídoto para marmeladas, como os exames antiping são contra a trapaça de atletas espertalhões. Fato é que por mais que a gente acredite na chama pura da pira olímpica ou na pureza e honestidade das disputas, o ser humano sempre aparece para mostrar que nosso cotidiano é bem diferente do que se deseja que seja nas pistas, piscinas, campos, quadras, etc… A olimpíada até tenta nos mostrar um universo de embates saudáveis, mas estão aí o doping e as entregadas para que a gente acorde e perceba que as duas semanas olímpicas são apenas uma tentativa frustrada de um mundo de fantasia.

Cuidado, Zanetti: 2016 está aí!

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

A medalha de ouro de Arthur Zaneti emociona por vários aspectos: pela vitória em si (óbvio), por ser em uma modalidade que boa parte da população brasileira nem sabia da existência e por ser uma modadalidade em que 99,9% da população não entende nada (e aqui incluo os jornalistas esportivos).

A vitória é bacana também por não ter nem sequer um cartolão do COB presente ao estádio para entregar a medalha. Afinal, essa turma só vai na boa para aparecer. Vale lembrar a presença de Carlos Arthur Nuzman na cerimônia de entrega de medalhas dos 50m livres na natação. Esperava-se o ouro do favorito Cielo, mas veio o bronze.

Voltando à prova das argolas. A conquista de Arthur Zanetti, linda, coloca luz na modalidade que ninguém estava aí no Brasil, mas isso vai valer pouco ou nada. Já tivemos o melhor tenista do mundo e não fizemos nada para desenvolver a modalidade. Isso em um esporte muito mais popular e de fácil compreensão do que a ginástica.

Para Zanetti vai ficar a glória espetacular de conquistar um ouro olímpico. Ele já é mais um dos nossos raríssimos heróis nacionais. O lado ruim é que ficará também a pressão sobre desempenho em 2016. Daqui até lá, o rapaz será esquecido em seus treinos exaustivos em São caetano. Para em 2016 a torcida exigente comemorar se ele ganhar ou taxá-lo de “amarelão” se nova vitória não chegar.

Olimpíada e Copa vão na contramão do mundo

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Integrante da equipe olímpica de remo em 1980 e hoje consultor de comunicação empresarial, Charles Banks-Altekruse publicou artigo no “New York Times” defendendo uma sede eterna para os Jogos Olímpicos. Ou seja, de quatro em quatro anos, uma mesma cidade suíça abrigaria os jogos. Fim do rodízio de continentes, de países e, como efeito, diminuição dos casos de corrupção, gastos absurdos, etc, etc…

Charles Banks-Alterkuse radicalizou, mas já passou de hora de se pensar em mudar o patamar de gastos de Copas do Mundo e olimpíadas. Estes dois eventos em especial, pela audiência e alcances monstruosos que têm, deveriam servir de exemplo para a humanidade de um mundo novo que se deseja construir. Um mundo com menos gastos, que respeite mais o planeta, que espalhe outros valores que não o do luxo, conforto e perfeição absolutas.

Em entrevista publicada segunda-feira no jornal “O Globo”, Jeróme Valcke, secretário geral da Fifa, diz que não há nada o que aprender com a organização dos jogos de Londres porque “a Copa do Mundo é o melhor, é top”. Nós, brasileiros, estamos aprendendo bem a que preço esta “organização top” nos é oferecida, com as milhares de exigências absurdas que não combinam em nada com um país como o Brasil com todos os seus problemas, em que pese seu crescimento recente.

Em Londres, oficialmente fala-se em gastos de R$ 32 bilhões para os jogos, mas os números são contestados. Para a Rio-2016, têm-se um valor de referência de R$ 23 bilhões mas, como o nome já diz, é apenas uma referência e muita gente já admite que gastaremos muito mais. Em Pequim, foram gastos absurdos R$ 70 bilhões.

Em um mundo em que as pessoas começam a ressuscitar bicicletas como meio de transporte, a separar diferentes tipos de lixo, a cobrar de empresas uma ação mais responsável, os organizadores de grandes eventos esportivos viram as costas para estas questões e vão na contramão. Teimam em não mudar, vivendo em um planeta que começa a querer mudanças.