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Arquivo da Categoria ‘futebol internacional’

A final do Paulista ganhou importância

domingo, 19 de maio de 2013

Santos e Corinthians decidem o Campeonato Paulista neste domingo em uma final que provavelmente será marco inicial de mudanças importantes nas duas equipes.

Do lado do Santos, o título poderá ser o último da era Neymar no clube. A saída do atacante para a Europa parece cada vez mais próxima e inevitável. Até a diretoria, que repeliu todas as investidas sobre o jogador até então, mudou o discurso com receio de não ver a cor de nenhum dinheiro caso ele saia quando o contrato terminar. Assim, a conquista ganha mais importância para o clube, que já tratava o Paulista como prioridade, com a possibilidade de conquistar o tetra.

Do lado do Corinthians, o Paulista era falado no diminutivo até outro dia. Havia uma Libertadores em andamento e o estadual era nada mais do que um bônus para o time que ganhou tudo recentemente. A eliminação da última quarta-feira para o Boca mudou o modo de ver as coisas. No discursos de vestiário pós-eliminação, o título paulista ganhou uma importância inédita.

Além disso, a decisão pode ser marcada como a despedida de Paulinho. Volante moderno, da Seleçao, um dos principais jogadores deste time. Sem Paulinho daqui pra frente, Tite terá de remontar sua dupla de volantes, setor do campo muito responsável pela diferença entre o Timão e a maioria dos clubes brasileiros hoje. Vale lembrar que formar boas duplas de volante tem sido tarefa muito bem feita no Parque São Jorge ultimamente.

A eliminação da última quarta-feira trouxe o Corinthians para mais perto dos outros times. Ser hegemônico em um futebol tão equilibrado como o brasileiro não é tarefa simples. Do outro lado, o Santos sem Neymar não é time para brigar por muita coisa.

A final de hoje ganhou uma relevância que não tinha até outro dia. O sucesso hoje pode ajudar a uma transição mais suave para uma nova etapa da vida dos dois clubes.

Borussia é um fiapo do futebol romântico

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Há oito anos o Borussia Dortmund estava à beira da falência. Devia, por baixo, 170 milhões de euros. Se desfez do estádio de seus principais jogadores e via um futuro no mínimo sombrio pela frente.

A chegada de um novo presidente, Reinhard Rauball, ajudou na virada. Dívidas foram renegociadas, o estádio voltou ao poder do clube, apostas foram pinçadas no mercado em detrimento de astros consagrados… e a parte mais feliz da história você já sabe: uma torcida apaixonada lota a arquibancada em todo jogo; Lewandowski, Hummels, Gotze e etc vão fazendo miséria em campo e o time está na final da Liga dos Campeões.

A chegada do Borussia à decisão do campeonato de clubes mais importante e bilionário do planeta é um fiapo que une o futebol moderno e super-profissional com aquilo que todo mundo tenta achar e não consegue atualmente: uma faísca que aponte um caminho do sucesso que não seja o de ganhar mais dinheiro, contratar os melhores e mais caros jogadores e consequentemente levantar taças em sequência.

Longe de ser uma discussão maniqueísta. Real Madrid, Barcelona e Bayern de Munique, os três outros semifinalistas da Liga dos Campeões, têm torcedores tão apaixonados como aqueles que todo fim de semana lotam o Signal Iduna Park, o estádio do Borussia. Mas também têm muito mais dinheiro e seu sucesso dentro de campo se deve também a isso.

O Borussia, longe de ser um timeco qualquer, faz da paixão de sua torcida um dos ativos importantes para o sucesso. Tanto que parte de sua arquibancada é destinada à população de menor poder aquisitivo. O ingresso para assistir aos jogos do Borussia em Dortmund são os mais baratos entre os quatro semifinalistas.

A cada dia no Brasil temos que nos acostumar com o hiper-profissionalismo no futebol e todas as suas novidades: estádio virou arena, nome de estádio virou naming rights, torcedor virou sócio-torcedor e por aí vai. Nada contra. Se os clubes brasileiros quiserem ser competitivos em tempos de globalização, não há como seguir na idade da pedra. Mas é bom saber que há um clube que faz sucesso, enfrenta gigantes muito mais ricos e não faz do dinheiro sua única arma.

“O futebol não é um produto. É cultura”. Este é o lema dos dirigentes do Borussia Dortmund.

Quem consegue decifrar este jogador?

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Dias antes de a bola rolar, a pressão sobre ele era enorme. Sem outros protagonistas do time em campo, não havia outra saída: ele tinha que tomar conta do jogo decisivo e garantir uma improvável classificação.

Depois do jogo, ouviu-se isso da boca do líder e maior símbolo da equipe: – Ele jogou pra car…

Ao mesmo tempo, eu recebia um torpedo animado de um amigo (que torcia contra o time que havia, afinal, se classificado). – Ele bem é ótimo para o Brasil!

Ainda ao mesmo tempo apareciam comentários nas mídias sociais diminuindo sua atuação. – Não jogou nada. Osvaldo foi quem decidiu. – Se isso é tudo o que ele pode fazer, custou uma fortuna.

A esta altura você já deve saber que o personagem em questão é Ganso, o indecifrável camisa oito do São Paulo.

Passados seis meses de sua conturbada e badalada contratação, ninguém sabe o que esperar de Ganso. Ou melhor: se espera sempre o melhor Ganso possível, presente em uma temporada da carreira, quando ainda atuava pelo Santos. Menos do que isso, é um fracasso. E esta exigência é muito injusta com o meia tricolor.

Contra o Atlético Mineiro, ele não errou passes, se movimentou o quanto seu físico frágil permitiu e fez o lançamento decisivo e milimétrico para o segundo gol do São Paulo, aquele que garantiu a classificação para as oitavas-de-final da Libertadores. Se Jadson (que não estava em campo) tivesse produzido o que Ganso produziu seria alçado a peça indispensável do time e com obrigação de ser chamado para a Seleção. 

Mas de Ganso exige-se sempre mais. Pelo preço que custou, pelo salário que ganha. Mas também por sermos órfãos de um tipo de jogador que não existe mais.  Ganso não tem culpa disso.

Um time precisa mais do que raça para vencer

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Uma goleada humilhante sofrida contra o Mirassol, a manutenção de Gilson Kleina no comando, uma esperada reação violenta da torcida que não veio. A partir daí, um componente novo entrou em ação nos jogos do Palmeiras: a vontade com que o time passou a jogar, a maneira como os jogadores passaram a correr e, como consequência, o apoio da arquibancada e algumas vitórias. Uma química empolgante, quase mágica.

Jorginho fala que quer ver seus jogadores com sangue nos olhos após a eliminação na Taça Rio. No jogo seguinte, sem grande evolução técnica, mas com muita correria e suor na camisa, o Flamengo vence o Remo pela Copa do Brasil no Pará e emenda outra vitória na seqüência, no clássico contra o Fluminense.

A raça está na ordem do dia no futebol brasileiro. Se ela estiver presente, o time está praticamente absolvido mesmo se não vencer nem conquistar muita coisa. Representada pela comemoração de um goleiro que faz uma defesa ou de um zagueiro que desarma o adversário e manda a bola pra lateral para depois dar um berro e cerrar os punhos em direção à torcida, ela virou muito do que a arquibancada quer de seu time no Brasil.

Pode ser que a torcida veja o jogador honrando a camisa com estas atitudes. Nem que ele desonre esta mesma camisa com falta de talento para jogar futebol.

Hoje, o São Paulo entra em campo contra o Atlético Mineiro para conseguir uma difícil classificação para as oitavas-de-final da Libertadores. Os jogadores entrevistados durante a semana falaram, falaram, falaram… e tudo o que disseram pode ser resumido em uma palavra: raça. Como se este fosse o único ingrediente que falta ao cambaleante Tricolor na Libertadores.

Sem Jadson nem Luís Fabiano, a responsabilidade está nos pés de Paulo Henrique Ganso. Para boa parte da torcida são-paulina e dos rivais, Ganso é o jogador que representa fielmente aquele que carrega muito talento, mas nenhuma raça quando atua.

Ganso poderá sair do Morumbi sem a classificação e sem demonstrar grande futebol. Mas seguindo a tendência do que se anda valorizando por aqui, a absolvição virá se ele distribuir carrinhos, gritar, correr e sair de campo de uniforme sujo.

Evidentemente, vontade de ganhar é um ingrediente importante para se formar um grupo vencedor. Mas não é o único. Se fosse, tudo seria mais fácil.

1o gol do Galo seria anulado numa pelada

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Um jogador de alguma forma distrai o goleiro adversário pedindo água, é atendido e aproveita o momento para criar uma jogada (totalmente lícita, diga-se) e fazer o gol. O que aconteceu no Estádio Independência quarta-feira nunca seria validado se tivesse acontecido na pelada que você, leitor, joga toda semana.

O jogo poderia acabar em briga. Ou a turma do deixa-disso entraria em ação, daria bola ao ar e o jogo prosseguiria. Com direito a cervejinha, churrasco e abraços depois do jogo.

Qual a diferença entre o que aconteceu no Independêndia e o que teria acontecido na sua pelada? O jogo da Libertadores está balizado pela Lei. A pelada com seus amigos está balizada pela moral.

Na Libertadores estão em campo 22 caras que fazem do futebol sua profissão. A vitória ou a derrota tem enorme valor. No seu futebol, o máximo que você está fazendo é fingir que é craque uma vez por semana.

Não há nada de ilegal no lance do primeiro gol do Galo. E, considerando que Ronaldinho Gaúcho utilizou de malandragem, o fez com maestria. Fazer tudo o que for possível para ludibriar o adversário dentro da Lei é quase que uma questão de sobrevivência no futebol profissional.

Na pelada, Neymar teria vida curta se cavasse faltas como faz profissionalmente. Porque a pelada não abre espaço para malandros nem juvenis. Ali é o jogo jogado. A moral (este valor que está acima da Lei) é o que vale.

Paciência é o reforço que o Flamengo necessita

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

“Você promete não fazer loucuras, tenta não gastar o que não tem.. Mas quando o time começa a perder e a torcida começa a cobrar, você vira torcedor de novo e faz a loucura que for para tirar a água do pescoço.”

A frase acima (dita em uma conversa particular) é de um ex-presidente, que assumiu um clube em frangalhos, prometeu uma gestão profissional e responsável, mas conseguiu cumprir a promessa só por uma parte de seu mandato. Quando no lugar das vitorias vieram as cobranças da torcida, ele fez o que a maioria dos cartolas faz.

A recém-empossada diretoria do Flamengo assumiu um clube também em frangalhos. Com salários atrasados, dívidas impagáveis, sem credito na praça e com receitas futuras fortemente comprometidas. Qualquer um que tenha os
pés no chão pode dizer, com grandes chances de acertar, que o Flamengo não terá muito o que comemorar dentro de campo em 2013.

Diante deste cenário, se os reforços não virão para vestir a camisa e entrar em campo, a força deve vir em forma de… Paciência da torcida. Isto é o que mais o Rubro-Negro vai necessitar nos próximos 12 meses, que prometem ser duros.

Pelo termômetro muito impreciso das redes sociais, a torcida rubro-negra parece entender a situação e parece estar disposta a dar um grande crédito de confiança para a turma que chegou com discurso de austeridade e profissionalismo.

Se isso não ocorrer, vai restar torcer para que, além de métodos profissionais, os novos dirigentes tenham sangue frio para seguir o rumo da reconstrução sem pôr tudo a perder.

4x Messi
Houve quem achasse que Cristiano Ronaldo deveria ganhar o título de melhor do mundo. Mas a verdade é que Messi segue sendo o melhor. E se continuar neste ritmo, não vai ter para ninguém por muito tempo. O argentino é uma máquina de pulverizar recordes.

Copinha
Tudo bem, ainda estamos na primeira fase, que tem aquele jeitão de festival de futebol: muito jogo, pouco talento. Mas pelo que se pode ver até agora, a formula chutão/correria segue dando as cartas no futebol brasileiro. Se a base aprende assim, assim será no profissional.

O absurdo da torcida única no novo Mineirão

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

A inauguração já foi estranha: sem jogo, com camisas de clubes proibidas na torcida, mas com show do Jota Quest. Agora, a primeira partida de futebol no Mineirão reformado para a Copa terá torcida única. Será dia 3 de fevereiro no clássico Cruzeiro x Atlético-MG pelo Campeonato Mineiro. Só cruzeirenses no estádio. Lamentável.

Se alguma coisa justifica a dinheirama que está sendo gasta nos estádios da Copa do Mundo é que teremos estádios modernos depois de 2014. Estádios novos, torcedores tratados como consumidores e voltando às arquibancadas, formando um círculo virtuoso. Uma nova era no futebol brasileiro começará! Começaria, porque a corrente será quebrada já na primeira oportunidade de se mostrar um novo modo de pensar e gerir o negócio.

A justificativa da torcida do Cruzeiro é a de que o Atlético-MG, quando mandar seus jogos no Independência, também terá torcida única. Assim, contragolpeou na mesma moeda.

Uma situação dessas vai além da rivalidade entre os clubes. É assunto para a Federação Mineira de Futebol e a CBF intervirem. E cobrarem do Estado segurança para os torcedores. Está em jogo uma mudança nos hábitos do torcedor brasileiro.

Famosos por embates violentos entre as torcidas de Atlético-MG e Cruzeiro, Minas perde uma chance enorme de acenar para o país que os novos estádios trarão de fato a paz. Quando se proibe duas torcidas de conviverem, é sinal de que a casca está bonita, mas a estrutura segue podre por dentro.

Libertadores x Estaduais

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

A conversa na virada de ano sobre futebol estava animada, a ponto de um participante decretar: “a Libertadores é muito pior do que os estaduais.” Os argumentos eram pertinentes: o mais importante campeonato sul-americano é uma mistura de várias coisas, entre elas uma tentativa de se jogar futebol, muitas vezes inibida por violência, intimidação, roubalheira e condições mínimas para se praticar esporte.

Não dá para dar valor a um campeonato em que policiais são obrigados a proteger jogadores com escudos para evitar um bombardeio de tudo o que é objeto vindo da arquibancada, dizia o sujeito, ótimo nos seus argumentos.

Alguma coisa está muito errada quando alguém inteligente, que acompanha e adora futebol, defende que o campeonato mais importante do continente é pior do que um estadual sem graça, sem prestígio, sem nada. E o problema começa com um calendário insano, que obriga por exemplo, o São Paulo a ter menos de um mês de férias porque terá já em janeiro compromisso pela Libertadores.

A revolta do sujeito da minha conversa contra a Libertadores não é compactuada pelos dirigentes dos clubes brasileiros que disputarão o torneio em 2013. Todos já decretaram a competição como prioridade para o ano. Os estaduais serão jogados com reservas, times mistos, etc… A não ser que haja pressão por parte da TV, que paga (caro) pelos campeonatos e não vai querer ver seu produto esculhambado. Está no seu papel de detentora dos direitos.

Todo mundo sabe o fascínio que a Libertadores desperta em clubes, torcedores e jogadores. Um campeonato como este, não poderia ser comparado a nenhum outro em nenhum aspecto. Ainda mais com um ridículo estadual. Deveria ser o campeonato principal, mais importante e ponto. Quando alguém coloca isso em dúvida com argumentos pertinentes, percebemos claramente o que cartolas fazem com sua principal joia.

Corinthians conquistou o mundo. Falta o Brasil

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Em um ano, o Corinthians aniquilou os principais combustíveis que os rivais utilizavam para tentar diminuir o tamanho do clube. Foi campeão da Libertadores, terá seu estádio e foi campeão do mundo pela via “normal”, ou seja, passando pelo título continental antes.

Com isso, viu sua marca ganhar o mundo e deixou de ser o time “sem passaporte” e desconhecido além das fronteiras nacionais. O que mais falta ao Corinthians?

Diante de um panorama tão favorável, o clube tem mais um passo pela frente a ser dado. Ampliar também seus domínios dentro do Brasil.

Uma pesquisa realizada pelo Datafolha e publicada sábado passado na “Folha de S.Paulo” reforça o que outras pesquisas (como a realizada periodicamente pela parceria LANCE!/Ibope) já mostraram: enquanto o Corinthians tem a maioria de seus fãs concentrada dentro do Estado de São Paulo, o Flamengo tem torcedores espalhados por todo o Brasil. Aí estaria a diferença que separaria o tamanho de uma torcida e outra, com vantagem para o Rubro-Negro.

O Corinthians foi o clube de 2012 e nunca em sua história teve tanta exposição na mídia. Após a conquista da Libertadores o Alvinegro dominou a programação de TVs, rádio, internet, além de ocupar amplo espaço em jornais. Ontem, a partir de 7h da manhã, canais abertos e canais a cabo transmitiram incessantemente a festa da chegada. Tudo visto por todo o Brasil. Combine isso com uma estratégia de marketing eficiente e, quem sabe, o frase do lindo hino corintiano poderá virar realidade: “És do Brasil o clube mais brasileiro”.

A velha lição de um novo Corinthians

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Até ser rebaixado, em 2007, o Corinthians era um símbolo de potencial monstruoso mal aproveitado por administrações péssimas. Desde então, uma reviravolta no clube do Parque São Jorge o transformou.

Em cinco anos, o Corinthians errou muito pouco. E acertou em quase tudo. Contra tudo e contra todos, segurou Tite após a eliminação vergonhosa contra o Tolima; fez um programa de sócio-torcedor que virou referência no futebol brasileiro; aumentou consideravalmente sua arrecadação, desde a chegada de Ronaldo, se transformando numa máquina de fazer dinheiro. E assim, chegou ao topo do mundo.

Pode-se ressaltar a movimentação inacreditável da torcida, pode-se falar que Tite armou um time fortíssimo, pode-se falar que Cássio é um goleiraço e muitas outras coisas. Mas o principal motivo de o Corinthians ter virado modelo no futebol brasileiro está fora das quatro linhas.

Com a taça na mão e o bolso cheio, o Corinthians nos ensina mais uma vez a lição que muitos dirigentes insistem em desprezar: não se faz mais um clube vencedor sem organização e profissionalismo. Quem insistir em não enxergar isso verá a distância aumentar.