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Arquivo da Categoria ‘Flamengo’

Um time precisa mais do que raça para vencer

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Uma goleada humilhante sofrida contra o Mirassol, a manutenção de Gilson Kleina no comando, uma esperada reação violenta da torcida que não veio. A partir daí, um componente novo entrou em ação nos jogos do Palmeiras: a vontade com que o time passou a jogar, a maneira como os jogadores passaram a correr e, como consequência, o apoio da arquibancada e algumas vitórias. Uma química empolgante, quase mágica.

Jorginho fala que quer ver seus jogadores com sangue nos olhos após a eliminação na Taça Rio. No jogo seguinte, sem grande evolução técnica, mas com muita correria e suor na camisa, o Flamengo vence o Remo pela Copa do Brasil no Pará e emenda outra vitória na seqüência, no clássico contra o Fluminense.

A raça está na ordem do dia no futebol brasileiro. Se ela estiver presente, o time está praticamente absolvido mesmo se não vencer nem conquistar muita coisa. Representada pela comemoração de um goleiro que faz uma defesa ou de um zagueiro que desarma o adversário e manda a bola pra lateral para depois dar um berro e cerrar os punhos em direção à torcida, ela virou muito do que a arquibancada quer de seu time no Brasil.

Pode ser que a torcida veja o jogador honrando a camisa com estas atitudes. Nem que ele desonre esta mesma camisa com falta de talento para jogar futebol.

Hoje, o São Paulo entra em campo contra o Atlético Mineiro para conseguir uma difícil classificação para as oitavas-de-final da Libertadores. Os jogadores entrevistados durante a semana falaram, falaram, falaram… e tudo o que disseram pode ser resumido em uma palavra: raça. Como se este fosse o único ingrediente que falta ao cambaleante Tricolor na Libertadores.

Sem Jadson nem Luís Fabiano, a responsabilidade está nos pés de Paulo Henrique Ganso. Para boa parte da torcida são-paulina e dos rivais, Ganso é o jogador que representa fielmente aquele que carrega muito talento, mas nenhuma raça quando atua.

Ganso poderá sair do Morumbi sem a classificação e sem demonstrar grande futebol. Mas seguindo a tendência do que se anda valorizando por aqui, a absolvição virá se ele distribuir carrinhos, gritar, correr e sair de campo de uniforme sujo.

Evidentemente, vontade de ganhar é um ingrediente importante para se formar um grupo vencedor. Mas não é o único. Se fosse, tudo seria mais fácil.

Técnicos valem o quanto pesam?

quarta-feira, 20 de março de 2013

Tanto quanto a demissão de Dorival Júnior, o salário de R$ 750 mil que o Flamengo lhe pagava assustou. E colocou luz a uma questão relevante deixada de lado ultimamente, no meio da montanha de dinheiro que os clubes faturam: será que os treinadores brasileiros valem a bolada que estão recebendo?

Dorival Júnior tem alguns trabalhos muito bons na carreira, sobretudo no Santos e Vasco. E algumas outras passagens de menor destaque. E recebia um dos maiores salários do futebol brasileiro. Outros pesos-pesdos são Abel (Fluminense), Luxemburgo (Grêmio), Muricy (Santos) e Tite (Corinthians) .

Apesar das conquistas inquestionáveis da turma aí de cima, qual a grande contribuição que cada um deles trouxe para o futebol brasileiro? Que novidade tática, que método de treinamento surgiu da cabeça destes treinadores?

É compreensível que o Bayern de Munique pague uma nota preta para ter na beira do campo Pep Guardiola. Afinal, foi o treinador que lustrou como nenhum outro o toque de bola hipnotizante e arrasador que virou a marca registrada do Barcelona. Estamos falando do sujeito que forjou o que de melhor apareceu o futebol mundial nos últimos trinta anos. Aí, tem sentido.

O mesmo Flamengo que pagaria uma baba a Dorival Júnior foi campeão brasileiro em 2009 com Andrade no banco. O salário que o ex-volante campeão do mundo recebia na ocasião, não conseguiria nem iniciar uma conversa com qualquer treinador brasileiro de time grande.

O movimento feito pela diretoria do Rubro-Negro de dispensar um técnico que passaria a liderar o ranking dos mais bem pagos do Brasil é interessante. Mesmo que a medida tenha sido tomada por um problema financeiro momentâneo, ao menos indica uma nova forma de se medir o real valor dos homens à beira do campo.

Nem os dirigentes acreditam mais no Estadual

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Duas das maiores torcidas do Brasil estarão em campo no Engenhão. Uma das maiores rivalidades do Rio de Janeiro. Um cara chamado Seedorf, que já jogou por camisas tão pesadas pelo mundo também estará. O Flamengo terá a estréia de um reforço promissor e de um jovem que vem criando enorme esperança na torcida.

Hoje no Engenhao, que Seedorf arrebente, que Bruno Mendes volte a fazer gols, que Carlos Eduardo relembre seus melhores momentos de começo de carreira, que Rafinha justifique a música da torcida que o compara a Neymar. Que chova gols, mas que Jefferson e Felipe evitem mais um monte deles. Que a trave salve outros gols de um lado e de outro.

Se o improvável descrito acima acontecer, 21.277 pessoas terão visto isso pessoalmente, contando que todos os ingressos sejam vendidos. Isso mesmo, a carga de ingressos colocada a venda para o clássico nao chega a 22 mil.

É chegado o fundo do poço. O número de ingressos à venda sinaliza que nem mesmo a Ferj nem os cartolas dos dois clubes acreditam mais no Estadual. Os dirigentes deviam sentir vergonha de oferecer um espetáculo e confessar, meio sem querer, que muito pouca gente vai querer fazer parte disso.

Seedorf, Rafinha, Bruno Mendes, Carlos Eduardo, Flamengo e Botafogo. A bola está com vocês. Que dentro de campo seja mostrado o que significa e o quanto vale um Flamengo x Botafogo.

Love + Flamengo + Timemania. Assuntos mais relacionados do que você imagina

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Lá vem este assunto chato que não interessa a ninguém. Torcedor quer saber é de bola na rede, quer ver o time cheio de craques. Quantas vezes, leitor, você ouviu a frase acima? Quantas vezes você mesmo não disse ou teve vontade de dizer isso?

Pois assuntos chatos da política do esporte estão mais perto do dia a dia do seu clube de coração do que parece. Profissionalismo, gestão responsável, esse papo meio abstrato uma hora bate na porta na forma de crise e muita gente nem percebe.

Em 14 de outubro de 2007 foi assinada a regulamentação da Timemania, a loteria que ajudaria os clubes a abaterem suas dívidas com o governo. Até a aprovação, ocorreram intensos debates no Congresso entre a turma que queria a aprovação pura e simples e quem sugeria uma contrapartida dos clubes: que ele se tornassem empresa. Assim, seus dirigentes poderiam ser responsabilizados por má-gestão. Ganhou a aprovação pura e simples.

Dia 19 de janeiro de 2013, a bomba: Vágner Love sai do Flamengo e retorna para o CSKA. Motivo: o Fla não tinha como pagar a dívida que ainda tinha com o clube russo.

Patricia Amorim fez uma das administrações mais desastrosas da história do Flamengo. A dívida monstruosa que impediu a permanência de Love é só um de seus efeitos. É neste ponto que a chatice da política esportiva respinga diretamente no interesse do torcedor. Se na aprovação da Timemania houvesse responsabilização por gestão temerária de dirigentes, Patrícia Amorim não faria o que fez.

Cartolas irresponsáveis estão espalhados por clubes no Brasil inteiro, o Flamengo não é o único. Para estes dirigentes, manter as coisas como estão é o melhor dos mundos. Por isso o esforço que fazem nos bastidores para seguirem gastando muito sem nenhuma responsabilidade.

Paciência é o reforço que o Flamengo necessita

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

“Você promete não fazer loucuras, tenta não gastar o que não tem.. Mas quando o time começa a perder e a torcida começa a cobrar, você vira torcedor de novo e faz a loucura que for para tirar a água do pescoço.”

A frase acima (dita em uma conversa particular) é de um ex-presidente, que assumiu um clube em frangalhos, prometeu uma gestão profissional e responsável, mas conseguiu cumprir a promessa só por uma parte de seu mandato. Quando no lugar das vitorias vieram as cobranças da torcida, ele fez o que a maioria dos cartolas faz.

A recém-empossada diretoria do Flamengo assumiu um clube também em frangalhos. Com salários atrasados, dívidas impagáveis, sem credito na praça e com receitas futuras fortemente comprometidas. Qualquer um que tenha os
pés no chão pode dizer, com grandes chances de acertar, que o Flamengo não terá muito o que comemorar dentro de campo em 2013.

Diante deste cenário, se os reforços não virão para vestir a camisa e entrar em campo, a força deve vir em forma de… Paciência da torcida. Isto é o que mais o Rubro-Negro vai necessitar nos próximos 12 meses, que prometem ser duros.

Pelo termômetro muito impreciso das redes sociais, a torcida rubro-negra parece entender a situação e parece estar disposta a dar um grande crédito de confiança para a turma que chegou com discurso de austeridade e profissionalismo.

Se isso não ocorrer, vai restar torcer para que, além de métodos profissionais, os novos dirigentes tenham sangue frio para seguir o rumo da reconstrução sem pôr tudo a perder.

4x Messi
Houve quem achasse que Cristiano Ronaldo deveria ganhar o título de melhor do mundo. Mas a verdade é que Messi segue sendo o melhor. E se continuar neste ritmo, não vai ter para ninguém por muito tempo. O argentino é uma máquina de pulverizar recordes.

Copinha
Tudo bem, ainda estamos na primeira fase, que tem aquele jeitão de festival de futebol: muito jogo, pouco talento. Mas pelo que se pode ver até agora, a formula chutão/correria segue dando as cartas no futebol brasileiro. Se a base aprende assim, assim será no profissional.

Quanto vai durar a febre Corinthians?

sábado, 29 de dezembro de 2012

Campeão da Libertadores, campeão do mundo, estádio de Copa do Mundo prestes a ficar pronto, torcida fiel até a medula, arrecadação monstruosa para os padrões brasileiros: o Corinthians tem os ingredientes necessários para iniciar sua hegemonia no futebol nacional e se tornar o clube mais importante do país por longos anos.

De tudo o que foi escrito acima, apenas um dos pontos não se pode garantir, embora seja o que muita gente aposta e que o torcedor corintiano mais deseja: a hegemonia do futebol brasileiro por longos anos.

A razão é a mesma que transformou a hegemonia de outros clubes brasileiros em algo muito mais curto do que se imaginava. É que no Brasil a gestão de clubes é obra muito mais de pessoas do que de processos. Alguns passos errados dados e o que foi construído terá menos potencial do que se espera.

Os exemplos estão aí para serem revistos: o Flamengo na década de 80, o Palmeiras da parceria com a Parmalat, o Internacional supercampeão campeão de 2006 também. Mas ninguém foi mais exemplar do que o São Paulo, campeão em seqüência da Libertadores, do mundo e tricampeão brasileiro em um período de quatro anos.

Em todos os casos, o que deu errado? Eram gestões baseadas mais em pessoas do que em processos. Pessoas saíram, processos não permaneceram. Houve a queda.

O Corinthians deverá passar a brigar sempre por títulos e os períodos de vacas magras deverão ser mais suaves. Mas para se chegar à super-hegemonia as mudanças devem ser mais profundas.

O (bom) discurso de posse do presidente do Flamengo

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Eduardo Bandeira de Mello foi direto ao assunto: o Flamengo é um mau pagador, não tem credito na praça, desrespeita contratos e chega a ser irresponsável em seu papel contribuinte.

O discurso de posse do novo presidente do Fla não poderia ser mais preciso. E melhor! O dirigente não caiu no lugar comum de prometer resolver as mazelas do clube apenas com a sua grandeza. Em vez disso, mostrou que a situação não é boa e que só o trabalho profissional e responsável pode mudar o panorama.

A Chapa Azul chegou ao poder carregando a esperança de uma Nação. O primeiro discurso do novo presidente foi de pés no chão e esta é uma ótima noticia. Se a torcida tiver a paciência necessária para que o trabalho seja feito com tranqüilidade, um bom caminho poderá ser pavimentado.

Corinthians conquistou o mundo. Falta o Brasil

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Em um ano, o Corinthians aniquilou os principais combustíveis que os rivais utilizavam para tentar diminuir o tamanho do clube. Foi campeão da Libertadores, terá seu estádio e foi campeão do mundo pela via “normal”, ou seja, passando pelo título continental antes.

Com isso, viu sua marca ganhar o mundo e deixou de ser o time “sem passaporte” e desconhecido além das fronteiras nacionais. O que mais falta ao Corinthians?

Diante de um panorama tão favorável, o clube tem mais um passo pela frente a ser dado. Ampliar também seus domínios dentro do Brasil.

Uma pesquisa realizada pelo Datafolha e publicada sábado passado na “Folha de S.Paulo” reforça o que outras pesquisas (como a realizada periodicamente pela parceria LANCE!/Ibope) já mostraram: enquanto o Corinthians tem a maioria de seus fãs concentrada dentro do Estado de São Paulo, o Flamengo tem torcedores espalhados por todo o Brasil. Aí estaria a diferença que separaria o tamanho de uma torcida e outra, com vantagem para o Rubro-Negro.

O Corinthians foi o clube de 2012 e nunca em sua história teve tanta exposição na mídia. Após a conquista da Libertadores o Alvinegro dominou a programação de TVs, rádio, internet, além de ocupar amplo espaço em jornais. Ontem, a partir de 7h da manhã, canais abertos e canais a cabo transmitiram incessantemente a festa da chegada. Tudo visto por todo o Brasil. Combine isso com uma estratégia de marketing eficiente e, quem sabe, o frase do lindo hino corintiano poderá virar realidade: “És do Brasil o clube mais brasileiro”.

Sair de cena foi o melhor para Adriano

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Adriano tomou a melhor decisão possível ao anunciar que só voltará em 2013. Se ele fará isso é uma outra história.

O Imperador não tem condição de seguir uma rotina de atleta profissional. Ter compromisso com um clube neste momento só vai trazer uma pressão que ele é incapaz de suportar. Livre de compromissos, ele fará o que quiser da vida. Continuará sendo vigiado, mas não poderá mais ser cobrado. Entre vigilância e cobrança há uma grande diferença.

A partir de agora, Adriano passa de um jogador que está tirando dinheiro e trazendo problemas para todos os clubes por onde passa para o sujeito que torra a grana que ganhou em festas, carrões e baladas.

Sair de cena, porém, é apenas o primeiro passo para Adriano. Não há um laudo médico atestando, mas salvo um enorme engano o jogador tem uma doença grave e traiçoeira porque é sempre confundida com vagabundagem pura e simples.

O que fará no seu período sabático é a questão central. Tratamento médico deveria estar em primeiro lugar na lista de prioridades.

Eixo Rio-SP 1 x 1 Eixo Sul-Minas

sábado, 13 de outubro de 2012

Assim terminou Flamengo x Cruzeiro no Engenhão. Com um erro grave de arbitragem para cada lado, empate. O mesmo placar foi repetido no jogo, um gol para cada lado.

Quando Liedson fez o gol do Flamengo a gritaria sobre o favorecimento ao chamado “Eixo-Rio-SP” começou. Isso porque Love ajeitou a bola com a mão antes de tocar a bola para o companheiro abrir o placar.

Porém, o segundo tempo chegou e o Flamengo só não ficou na frente do placar porque o árbitro apitou um impedimento inexistente de Liedson, que teve o gol anulado.

O árbitro principal não percebeu que o lance era legal, idem o sujeito que fica atrás do gol (um dia ainda vou descobrir a utilidade dele)… a decisão foi do auxiliar, que levantou a bandeira. O lance era simples de se ver.

A lenda dos diferentes “eixos” espalhados pelo país ganha força por alguns motivos. O principal deles: a arbitragem é muito ruim. Esta, em particular, conseguiu errar dois lances grosseiros que interferiram diretamente no placar do jogo. Resultado: torcedor acreditando em forças extra-campo para um lado ou outro.

Arbitragem ruim não só atrapalha o espetáculo, mas também mina a credibilidade do esporte. E este é o perigo maior.