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Arquivo da Categoria ‘Copa Sul-Americana’

Futebol sul-americano sofre com o marketing da “valentia”

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Desde os anos 60 o futebol sul-americano carrega duas marcas fortes: o talento para se jogar bola e a valentia. (esta no pior sentido da palavra).

Por conta da segunda característica, clubes europeus, por anos, se recusavam a jogar contra os sul-americanos, alegando receio de contusões ou de adentrar  em um terreno do vale-tudo que envolvia doping, intimidação, etc.

Os anos se passaram. Razoavelmente ainda somos vistos como o continente em que nascem talentos (menos do que no passado), mas inteiramente ainda somos vistos como o local onde jogar bola é apenas um entre vários fatores que determinam um time vencedor.

Uma  das questões mais importantes nesta história é que na América do Sul isso é visto como virtude e não como problema.  Involuntariamente ou não, faz-se um marketing que valoriza catimba, medo, violência, pressão, etc… “Faz parte da cultura do Sul-americano”, dizem.

O que aconteceu quarta-feira no Morumbi foi o retrato disso. Argentinos desembarcaram aqui para fazer tudo e, quem sabe, jogar bola para tentar o título. O São Paulo tentou jogar bola mas seus seguranças travaram uma batalha contra os rivais no intervalo. Não espere aqui uma posição sobre quem tem razão. Provavelmente ninguém tem e muito provavelmente a verdade nunca chegará.

Quando a Conmebol não se interessa em descobrir e punir responsáveis, isso indica que o que aconteceu no Morumbi faz parte do pacote “futebol sul-americano”. Faz parte do marketing da “valentia” que se prega aqui há anos.

Muita gente se preocupou com a imagem que o Brasil passou para o mundo às vésperas da Copa depois do episódio do Morumbi. A turma da Conmebol deve ter esfregado as mãos, satisfeita com a mensagem que passou.

Clubes deveriam ter elencos melhores. Já é possível

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Jogando com seu time reserva, o Vasco perdeu para o Universitário do Peru em Lima e complicou sua vida na Copa Sul-Americana. Claro que pode inverter o placar em São Januário, com seus titulares em campo e contando com o apoio da torcida.

Porém, a derrota vascaína ou a eliminação do Botafogo são motivos para reflexão. Com cofres muito mais lotados e com a perspectiva de que estejam mais cheios ainda a partir do ano que vem, com o novo contrato de TV, não está na hora de os times brasileiros montarem elencos mais competitivos? Não times titulares, mas elencos mais fortes.

Vasco e Botafogo (para ficarem apenas nestes dois exemplos, mas a conversa serve para qualquer clube grande) já sabiam desde o fim de 2010 que teriam uma Sul-Americana para disputar no segundo semestre de 2011.

Dirigentes, comissão técnica e jogadores até discursaram sobre a importância da conquista da vaga na competição internacional na ocasião. Eles deveriam colocar em seu planejamento, portanto, a montagem de um elenco suficientemente forte para encarar diferentes torneios sem a necessidade de priorizar este ou aquele.

Há alguns anos, dava para entender isso não ser feito. O dinheiro era mais curto e os clubes lutavam para fazer um time titular, que encarava a frente principal do ano. O restante que viesse era lucro.

Agora, o cenário mudou. Já é possível planejar a temporada olhando todas as competições que o clube terá pela frente. O elenco deve ter o tamanho e a qualidade dos desafios que o clube terá. O momento econômico do futebol brasileiro já admite que isso seja feito.