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Arquivo da Categoria ‘Campeonato Brasileiro’

Neymar vai embora. Enfim, veremos Neymar!

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Passamos anos acreditando que a presença de Neymar no futebol brasileiro seria ótima. Mostraria a nossa força de conseguir manter um craque por aqui. Teríamos o jogador desfilando seu futebol em nossos campos, para os brasileiros assistirem.

O problema que ninguém percebeu com antecedência: jogando no Brasil, o futebol de Neymar tem um teto. Ir além disso, depende de outros fatores, que a estrutura do futebol brasileiro é incapaz de fornecer.

Para ser mais do que é Neymar precisa de gramados melhores, precisa enfrentar adversários mais qualificados, precisa de estádios muito mais cheios do que os nossos, precisa de um calendário mais inteligente, precisa disputar torneios mais fortes, precisa ter tempo para pensar mais em jogar bola e menos em publicidade. Nada disso existe aqui

É um paradoxo, mas para que todos possam ver mais de Neymar, Neymar tem de jogar lá fora.

Paciência é o reforço que o Flamengo necessita

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

“Você promete não fazer loucuras, tenta não gastar o que não tem.. Mas quando o time começa a perder e a torcida começa a cobrar, você vira torcedor de novo e faz a loucura que for para tirar a água do pescoço.”

A frase acima (dita em uma conversa particular) é de um ex-presidente, que assumiu um clube em frangalhos, prometeu uma gestão profissional e responsável, mas conseguiu cumprir a promessa só por uma parte de seu mandato. Quando no lugar das vitorias vieram as cobranças da torcida, ele fez o que a maioria dos cartolas faz.

A recém-empossada diretoria do Flamengo assumiu um clube também em frangalhos. Com salários atrasados, dívidas impagáveis, sem credito na praça e com receitas futuras fortemente comprometidas. Qualquer um que tenha os
pés no chão pode dizer, com grandes chances de acertar, que o Flamengo não terá muito o que comemorar dentro de campo em 2013.

Diante deste cenário, se os reforços não virão para vestir a camisa e entrar em campo, a força deve vir em forma de… Paciência da torcida. Isto é o que mais o Rubro-Negro vai necessitar nos próximos 12 meses, que prometem ser duros.

Pelo termômetro muito impreciso das redes sociais, a torcida rubro-negra parece entender a situação e parece estar disposta a dar um grande crédito de confiança para a turma que chegou com discurso de austeridade e profissionalismo.

Se isso não ocorrer, vai restar torcer para que, além de métodos profissionais, os novos dirigentes tenham sangue frio para seguir o rumo da reconstrução sem pôr tudo a perder.

4x Messi
Houve quem achasse que Cristiano Ronaldo deveria ganhar o título de melhor do mundo. Mas a verdade é que Messi segue sendo o melhor. E se continuar neste ritmo, não vai ter para ninguém por muito tempo. O argentino é uma máquina de pulverizar recordes.

Copinha
Tudo bem, ainda estamos na primeira fase, que tem aquele jeitão de festival de futebol: muito jogo, pouco talento. Mas pelo que se pode ver até agora, a formula chutão/correria segue dando as cartas no futebol brasileiro. Se a base aprende assim, assim será no profissional.

Encontro com Ricardo Gomes inspira um milagre

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Pequenas sequelas ainda existem, afinal, estou diante de um sobrevivente. Mas o aperto de mão é forte e confiante. Pela primeira vez desde o AVC que sofreu, vi pessoalmente Ricardo Gomes, segunda-feira.

O encontro com o novo coordenador técnico do Vasco ocorre dias depois de uma coletiva de imprensa do presidente da CBF José Maria Marin para apresentar Luiz Felipe Scolari e Carlos Alberto Parreira como os homens que vão comandar a Seleção em busca do hexa em 2014.

Você vai me perguntar: o que uma coisa tem a ver com a outra? Eu explico: a coletiva da CBF exalou mofo do começo ao fim. E isso não tem a ver com a escolha de Felipão e Parreira, que podem até ter sucesso na empreitada. Incomodou o discurso patriótico, a ausência total de um projeto para o futebol brasileiro, como se o mundo terminasse com o apito final da Copa de 2014. Incomodou a ausência de uma única ideia diferente das que comandaram o futebol brasileiro nos últimos 100 anos.

A conversa com Ricardo Gomes não durou mais do que meia hora. E foi de uma riqueza impressionante. Ricardo não acha que o futebol é um universo isolado da sociedade. Ele fala do esporte e sua relação necessária com a educação, fala do futebol como um negócio profissional. Fala como ninguém que comanda o esporte no Brasil fala e nem quer falar.

Ver Ricardo Gomes inteiro e saudável é presenciar um milagre. Ver que existe gente como ele militando no futebol com ideias novas é presenciar um sonho. Que há de se transformar em outro milagre.

Flu e Palmeiras não estão muito distantes

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

São 42 pontos de diferença na tabela. Um terminou o ano campeão, o outro rebaixado. Um está atolado em uma crise política que trava seu desenvolvimento, o outro aprovou sem muito esforço uma reforma estatutária que muda a forma de eleger o presidente. Fluminense e Palmeiras têm, hoje, um abismo de distância entre eles. Mas, paradoxalmente, não são tão diferentes entre si nem de grande parte dos clubes do futebol brasileiro.

Este mesmo texto poderia começar de outra forma, citando que um clube tem dívida quase que duas vezes maior do que a do outro (R$ 400 milhões x R $ 240 milhões) e que todas as suas receitas estão penhoradas, exceto o aporte financeiro do patrocinador. Falo dos mesmos Fluminense e Palmeiras e, aqui, o Tricolor campeão brasileiro aparece em desvantagem.

Verdade é que os clubes brasileiros, salvo algumas poucas exceções, vivem se equilibrando em uma linha tênue entre o sucesso e o fracasso. Aqui, vale a comparação com outro clube: tirando os 14 pontos na tabela, qual a diferença estrutural hoje entre Flamengo e Palmeiras? Os dois vivem um caos político, com lideranças que não se entendem e não se unem em torno do clube.

O futuro de Fluminense, Palmeiras e outros clubes brasileiros passa pelo que eles constroem hoje para colher amanhã. O Flu aproveita os bons ventos que sopram: tem tudo para construir seu CT e arquiteta um ambicioso e promissor programa de sócio-torcedor. Sem bons ventos soprando dentro de campo, o Palmeiras se apoia nas possibilidades que o novo estádio poderá trazer e nas cotas de TV e patrocínio, que seguirão intactas pelo menos no primeiro ano de Série B.

Vale lembrar que, nos anos 90, o Verdão se assemelhava muito ao que hoje é o Flu. Patrocinador poderoso, muito dinheiro, time fortíssimo e chuva de títulos. Quando o patrocínio foi embora, o clube ruiu.

Mais dinheiro para os mais bem colocados

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Meritocracia é uma palavra difícil, que causa urticária em muita gente. Mas é uma das formas mais justas de se premiar os melhores em qualquer ramo de atividade. Infelizmente não funciona na plenitude no futebol brasileiro.

Falo de dinheiro. Cada clube negociou separadamente seus direitos de TV. Alguns ficaram com muito dinheiro outros nem tanto. Basicamente, o quesito derminante para se apontar quem ganha mais foi a popularidade do clube. Assim, Flamengo e Corinthians ganham mais do que todos os outros.

O assunto aqui é que a divisão das verbas da TV não leva em conta um aspecto relevante: o desempenho dos times dentro de campo. Apenas 30 milhões são distribuídos aos clubes pela colocação no Brasileiro. Ao Náutico, caberá R$ 300 mil, caso ele mantenha a 13a posição atual. Este valor não reflete a diferença do que fez em campo entre ele e o Palmeiras, por exemplo.

Assim, não dá para imaginar que clubes médios nacionalmente possam crescer. Vários já tiveram algum tipo de brilho no Brasileiro por pontos corridos: o Juventude foi (7o em 2004), Coritiba (5o em 2003), Goiás (3o em 2005), Paraná (5o em 2006). Todos caíram depois. Um dos motivos foi a impossibilidade de brigar contra os milionários.

Na Premier League 70% da verba da TV é dividida igualmente entre todos os 20 participantes. 15% da verba leva em conta o desempenho no ano anterior e os outros 15% é pela audiência. Nas ligas americanas, há sistemas de draft cirurgicamente feitos para que o equilíbrio não se desfaça.

Privilegiar o todo é o caminho natural para que nosso principal campeonato siga atraente. Mas para que isso acontecer, seria necessário uma liga forte e independente, em que todos sentassem à mesa de negociações. Mas ainda vivemos na era do cada um por si. A tendência é a de que todos percam no futuro.

Presente e futuro do Flu campeão

domingo, 11 de novembro de 2012

Foram três míseras derrotas em 35 jogos disputados. Melhor ataque, melhor defesa e artilheiro, título garantido com três rodadas de antecedência. A taça só não está na mão porque a CBF prefere fazer uma festa brega daqui a um mês para entregar o caneco. O Fluminense é campeão brasileiro de maneira irrepreensível.

Se você está esperando ler sobre erros de arbitragem, pare por aqui. O assunto aqui é o título conquistado, o que levou objetivamente o Flu a conquistá-lo e o que é possível esperar do futuro.

Por que ganhou?

1 – O elenco é superior aos dos adversários
Goleiro, meia e atacante excelentes. Sistema defensivo muito bom. Reservas à altura dos titulares, elenco homogêneo. Isso conta muito em um campeonato e duro como o Brasileiro. O Flu tinha tudo isso.

2 – Salários em dia
Em nenhum momento da caminhada houve problemas de dinheiro nas Laranjeiras. Por conta do aporte financeiro brutal da Unimed. Trabalhar com tranquilidade é um enorme diferencial, vide Vasco e Flamengo, seus rivais, por exemplo.

3 – Campanha monstruosa fora de casa
Onze vitórias fora de casa. Ninguém chegou nem perto disso no Brasileiro (o Grêmio, segundo no quesito, ganhou seis). Pontos fora de casa são um passo enorme para o título em campeonato por pontos corridos. Não foi diferente desta vez.

Feliz 2013!
Título garantido, o Flu tem o terreno pronto para uma campanha ótima na Libertadores 2013. Tem time, tem dinheiro, não deverá perder nenhum jogador está organizado fora de campo. Entre os brasileiros, é um dos favoritos.

E o futuro?
Sábado, um dia antes da conquista, o Flu realizou uma mudança estatutária e os sócios-torcedores poderão votar para presidente nas próximas eleições do clube. Um sistema de sócio-torcedor lucrativo e eficiente é a aposta de Peter Siemsen para diminuir cada vez mais a dependência financeira da Unimed. Sob este aspecto, foi um golaço. Peter nunca foi contra a parceria, mas sempre quis que ela fosse mais equilibrada do que é hoje. O resultado desta empreitada do sócio-torcedor deve determinar o futuro do clube a médio e longo prazo. Vale lembrar que hoje, a dívida do Fluminense é da casa de R$ 400 mi. Um assombro.

Arbitragem foi absolvida no julgamento do STJD

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

O Palmeiras foi goleado no STJD por 9 a 0 e não conseguiu anular a derrota para o Inter por 2 a 1. No jogo, Barcos fez um gol de mão validado e posteriormente anulado. A forte suspeita é de que alguém viu o lance pela TV e avisou ao árbitro que, então, impugnou o lance.

Como o jogo não foi impugnado, há agora mais tranquilidade e isenção para se discutir assunto mais relevante do que o lance isolado. Afinal, houve interferência externa na decisão do árbitro?

O parecer de todos os auditores do STJD foi o de que não foi possível comprovar se houve ou não. Foram ouvidos os árbitros e o delegado do jogo que, evidentemente, recusaram a tese de auxílio eletrônico. Barcos também foi ouvido e admitiu que o gol foi de mão. Foi só. A repórter da TV Bandeirantes, Taynah Espinoza, não foi ouvida. Ela teria avisado que o gol foi irregular. Não dá para saber se isso é verdade ou não, já que ela não foi interpelada no tribunal sobre o assunto.

O julgamento termina sem ferimentos morais, afinal não se legitimou um gol de mão. Mas não avançou em nada no ponto fundamental: estarão os árbitros utilizando auxílio secreto da TV para resolver lances difíceis?

Há indícios fortíssimos de que sim. Preguiçoso, o julgamento do STJD não chegou nem perto da verdade. Ouviu um punhado de pessoas e decretou: não houve interferência externa.

O caso poderia provocar uma investigação profunda e abrir caixas pretas da arbitragem brasileira. Ficou no superficial e viramos a página, infelizmente.

Leve a taça para Prudente, presidente!

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

O Fluminense pode ser campeão brasileiro de 2012 em Presidente Prudente no próximo domingo. A taça deveria estar no estádio, à espera da conquista, pronta para ser carregada, beijada, mostrada à torcida ainda no calor do momento, quando a emoção está à flor da pele. Em vez disso, ela estará em algum lugar desconhecido, sendo lustrada para ser revelada numa festa dentro de um teatro fechado só quando o campeonato terminar daqui a mais de 20 dias.

Tão lindo quanto um golaço, é ver o capitão do time erguendo um troféu, ainda suado pelo esforço, com a camisa encharcada e suja, revelando todas as marcas da última batalha.

Mas nos últimos anos inventaram uma premiação dentro de um teatro. Em vez da cena descrita acima passamos a ter cartolas barrigudos em seus ternos apertados junto a atletas e suas roupas Armani, Hugo Boss, sei lá o que… perfumes importados, pomadas de cabelo milagrosas, mulheres de trajes de gala bregas com jeitão de casamento. É ali que a celebração da conquista acontece. Nada disso tem a ver com futebol.

Nada contra premiar os melhores personagens do campeonato, como a festa teatral também faz. Pelo contrário. Está é uma excelente iniciativa. Mas que não deveria impedir que a taça estivesse em campo no dia em que o time é campeão. No campo é que as emoções represadas durante longos meses são extravasadas genuinamente. No teatro, temos no máximo… um teatro.

Diferentemente de Ricardo Teixeira, que não gostava do nosso esporte preferido e não tinha vergonha de deixar isso claro, José Maria Marin adora o esporte. Pode-se falar qualquer coisa dele, mas não que não goste, não entenda, não acompanhe e não saiba o que é um campeonato de futebol e uma conquista.

Portanto, Marin sabe que uma taça tem de ser molhada de suor do jogo final, tem de ter a energia do campeão. A taça faz parte do espetáculo da conquista, é o seu símbolo máximo. Leve a taça para Prudente, presidente!

Nem todo mata-mata tem emoção

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

O Campeonato Brasileiro terminou. Com cinco rodadas de antecedência, já sabemos o campeão, os classificados para a Libertadores. Falta alguma definição no pé da tabela, apenas. Os amantes do mata-mata voltaram com força, dizendo que os pontos corridos são sem graça e que as últimas rodadas serão mera formalidade.

Por falar em formalidade, veja isso:

- Em 1993, o São Paulo sapecou 5 a 1 no primeiro jogo da final da Libertadores contra a Universidad Católica O segundo jogo (derrota do Tricolor por 2 a 0) foram meros 90 minutos a espera do apito final. Mera formalidade.

- Em 1987, o Corinthians goleou o Santos por 5 a 1 na semifinal do Paulista. O segundo jogo (empate em 0 a 0) valeu absolutamente nada. Era só a confirmação do que todos já sabiam: o Timão estava na final.
* fiz aqui uma correção graças ao leitor Clecio, que alertou que neste ano não havia critério de desempate por saldo de gols.

- Este ano, o Santos enfiou 3 a 0 no Guarani no primeiro jogo da decisão do Estadual. Que mais além de uma formalidade foi o segundo jogo, que só confirmou o título (vitória de 4 a 2 do Peixe)?

- O Fluminense sapecou 4 a 1 no Botafogo na primeira partida da decisão do Carioca de 2012. O segundo jogo, se não tivesse existido, seria um favor aos dois times.

Como se vê, campeonatos decididos com antecipação não são privilégio dos pontos corridos. Eles podem acontecer em qualquer formato. A culpa do Brasileiro de 2012 terminar tão cedo e com menos emoção não é da fórmula. É da competência do Fluminense.

São Paulo x Flu e o mandamento número 1 do bom zagueiro

domingo, 4 de novembro de 2012

O clássico prometeu muito, o público compareceu (mais de 50 mil no Morumbi!). Se o jogo não foi cheio de emoção, foi interessante taticamente. Claramente em campo os dois melhores times do segundo turno. Bem postados taticamente, com bons jogadores dos dois lados.

Mas foi necessária uma pixotada de cada lado para que saíssem os gols. De dois zagueiros que não costumam brincar em serviço. Gum e Rafael Tolói estão longe de ser um primor técnico. Por isso mesmo sempre fazem o fácil. Quer dizer, quase sempre.

Gum recuou mal uma bola que poderia dar um bico pro lado, Luís Fabiano aproveitou e abriu o placar. Tolói foi proteger uma bola difícil em vez de ceder escanteio ou lateral. Perdeu a bola para Samuel que serviu para Fred marcar.

Atacante pode perder gols quase à vontade. Quando ele faz, está redimido. Zagueiro não pode errar em lances simples, esta é a regra número 1 do bom zagueiro.

Beckenbauer, Oscar, Baresi, Figueroa (coloque na lista outro gigante da defesa que você quiser) não puderam falhar em lances simples na carreira. Difícil lembrar de falhas clamorosas de cada um deles. Logo, Tolói e Gum também não podem.