Uma voadora precisa no pescoço de um jogador da base do Vasco provocou reação uníssona em redes sociais, TVs, rádios, etc: punição severa para Gustavo, goleiro do Sport, responsável pelo ato covarde.
A puniçao veio: em vinte minutos a direção do clube de Pernambuco divulgou nota demitindo sumariamente o dublê de assassino. Pronto, a justiça foi feita!
Este espaço não pretende defender o indefensável ato muito menos seu autor, no mínimo um irresponsável. Mas diante de tal barbaridade, algo origatoriamente tem de entrar em discussão: o que os clubes estão fazendo em suas divisões de base?
Vivemos em um país com gravíssimas deficiências de educação, ainda que o país tenha crescido muito nos últimos anos. E educação é questão elementar para o sucesso de uma nação.
Em um cenário como este, clubes não deveriam apenas formar jogadores de futebol, mas ajudar na formação educacional destes moleques, cada vez mais preocupados com o tamanho do moicano e a conta bancária e menos com valores de cidadania.
Gustavo pode ter tido uma educação primorosa em casa e aprendido valores dos mais altos no Sport ou em outros clubes por onde passou.
Aí, estaremos diante de um caso de curto-circuito mental, que provocou seu ato selvagem.
Por outro lado, ele pode nunca ter sido orientado sobre regras da vida em sociedade e chegado ao jogo contra o Vasco acreditando que qualquer um que não seja Sport é inimigo. Deu no que deu.
Em nosso futebol, desde as primeiras categorias, ganhar passou a ter mais importância do que se desenvolver, brincar, se divertir (quando isso é o que crianças devem fazer). Cada vez mais cedo jovens atletas carregam o peso de garantir o sustento não só seu, como da família.
Há alguns anos os clubes usaram o argumento de sua função social (entre outros) para ter a Timemania, loteria que renegociou dívidas milionárias com o governo. Então, que eles ajudem não só na formação de jogadores, mas de cidadãos.













Social