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Só falta Roland Garros! Saibro promete

por Fabrizio Gallas em 21.abr.2013 às 13:05h

É necessário louvar a atitude e persistência de Djokovic. Chegou ao torneio nem sabendo que iria jogar pela torção no tornozelo. Decidiu na véspera, jogou mal os primeiros jogos pedindo atendimento e vencendo no sufoco. Foi evoluindo e se consagrou com o troféu. Quando todos esperavam, inclusive eu, que não jogaria ou não chegaria longe, foi lá e ganhou de Rafael Nadal na final. Um troféu que fica na memória do sérvio por tudo que passou e que dá uma baita confiança principalmente para Roland Garros.

E somente tênis de altíssimo nível, beirando a perfeição para destronar o espanhol de Monte Carlo após oito títulos seguidos e 46 triunfos consecutivos. Djokovic se torna o maior vencedor de finais no saibro diante de Nadal (três vencidas, as outras em Madri e Roma).

Se Roma o saibro é mais ralo proporcionando um jogo um pouco mais veloz e em Madri existe a altura também ampliando a velocidade da bola, para Roland Garros as condições são similares ao evento no Principado. Logo, com este triunfo e nível de atuação, o sérvio fica numa ótima posição para alcançar tal feito.

Na final deste domingo, Djokovic passeou num primeiro set onde foi um pouco ajudado pelo saque mais fraco e bola mais curta do espanhol. Nadal ajudou o sérvio a abrir aquela vantagem de 5/0 e por pouco não aplicar um pneu. Quando alongou as bolas e buscou agressividade, Nadal colocou o sérvio na parede, fez Nole errar e teve boas chances de vencer a parcial com 4/2 e 6/5 e saque. Nadal não soube jogar o seu melhor para fechar ao passo que o natural de Belgrado foi pra cima e mereceu a virada.

Apesar da derrota, não vejo como um baque nas pretenções de Nadal para o saibro. Djokovic é seu último desafio nesse retorno após a lesão no joelho e as dores nas costas o atrapalharam no final de Monte Carlo onde titubeou nas últimas rodadas. O segundo set feito pelo espanhol foi muito bom e deve animá-lo para seguir treinando firme e buscar mais eficiencia num jogo agressivo que viveu altos e baixos esta semana. Ano passado, Nadal venceu três vezes Nole no saibro jogando pra cima e com bom serviço e precisão. Hoje, quando conseguiu adotar esse estilo foi mais efetivo.

Por essas e outras, temos a possibilidade de uma temporada de saibro sensacional com muita disputa com Nadal e Djokovic no comando. Não podemos nos esquecer de Roger Federer que descansou bastante e teve tempo de preparação. De David Ferrer que sempre é forte no piso e quem sabe Andy Murray. Se melhorar a movimentação e paciência para trabalhar o ponto, o britânico pode dar muito trabalho.

Curtinhas:

Teliana Pereira na final do quali do WTA de Marrakech virando um primeiro set de 1/5. Ela furou os qualies em Bogotá e Charleston este ano e prova que vem jogando cada vez mais entrando nos principais torneios. Tem uma boa chance, contra uma eslovaca 295 do mundo, de entrar na chave nesta segunda-feira e seguir somando pontos rumo ao top 100.

Os maiores desafios para Nadal e Djokovic

por Fabrizio Gallas em 20.abr.2013 às 16:57h

Por muito pouco, um ponto apenas, as semifinais não foram uma das mais chatas dos últimos tempos nos Masters. Jo Tsonga resolveu dar uma dose de emoção ao primeiro jogo pois no segundo, Fábio Fognini, basicamente não entrou em quadra, não lutou, não mostrou gana e só levou discretas vaias da torcida pois em Monte Carlo há muitos italianos e o povo é bem mais educado do que em certos lugares mundo afora.

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A final deste domingo entre Nadal x Djokovic traz alguns componentes interessantes. De um lado o espanhol tem seu maior desafio desde voltou da lesão no joelho contra o melhor tenista do mundo no momento e do outro, o sérvio tem o melhor do saibro de todos os tempos e octacampeão em Monte Carlo.

Antes que joguem pedras é preciso esclarecer. Nadal ganhou sim de Federer no piso duro, uma vitória importante pra sua confiança. Mas o suíço este ano está por enquanto um nível abaixo na parte física para o sérvio por exemplo. Isso não diminui o grande retorno do espanhol com cinco finais nos cinco torneios conquistados e chance do quarto título, só o faz ter uma espécia de “ultimate challenge” para sacramentar a volta sonhada.

A parte física sempre é um fator preponderante no jogo dos dois e ambos conviveram com problemas na semana. Djokovic começou com as dores no tornozelo e nas últimas rodadas evoluiu. Mesmo assim, não julgo que o problema esteja sanado de um dia pro outro, ele evoluiu na confiança, mas os rivais exigiram menos. E Nadal relatou dores nas costas nos últimos encontros, sendo que hoje os problemas teriam aparecido ao fim da partida. Segundo ele dores de uma falta de boa preparação pelo tratamento de duas semanas no joelho após Indian Wells.

Pelos fatores descritos acima surge a incógnita e dificuldade para se cravar um favorito. Nadal tem em Monte Carlo seu habitat natural, sua quadra bem lenta onde conhece como poucos e é bem confiante, mas a oscilação pelas dores e sim uma pressão pelo recorde de nove títulos a ser alcançado pesam ao passo que Djokovic vem do problema do tornozelo e costuma ter mais dificuldades de impôr um jogo agressivo contra Rafa num piso tão lento.

Como todo clássico, Nadal x Djokovic será decidido nos detalhes e pelo cenário, temos uma boa chance de drama neste domingo às 9h. Jogo imperdível.

Curtinhas:

Bellucci contra Robin Haase ou Pablo Carreni-Busta em Barcelona, ATP 500 com chance de pegar Ferrer na fase seguinte. Nada agradável essa chave.

Se o problema das costas de Nadal persistir nesse domingo, seria prudente desistir de Barcelona e repousar para torneios mais importantes em Madri e Roma.

Rogerinho somou hoje sua nona vitória seguida e pode ganhar neste domingo, em Santos, seu segundo challenger seguido. Vem aproveitando muito bem a série de challengers no Brasil que termina em SP na semana que vem. Saiu da posição 109 na semana passada e será top 90 na próxima segunda-feira podendo ascender ao 85º posto se vencer o torneio. Tem a vaga em Roland Garros garantida e está bem próximo de Wimbledon.

João Souza, o Feijão, vem batendo na trave e segue rondando entre os 110 melhores. Mais uma boa chance de encaixar uma boa semana em SP para entrar no top 100.

Pontos positivos dos jovens brasileiros. Guilherme Clezar voltando ao top 200 com a semi em Santos. Bia Maia e Thiago Monteiro na final na Turquia. A paulista buscando seu 1º título profissional fora do país e Thiago o segundo na Turquia.

Federer volta ao Nº 2, mas estaria fora do ATP Finals

por Fabrizio Gallas em 18.abr.2013 às 15:13h

A quinta-feira NÃO é um dia de vibração para o torcedor de Roger Federer e sim para ficar um pouco preocupado. Se o ATP World Finals de Londres fosse hoje, o suíço estaria FORA da disputa.

O natural da Basileia perdeu a oitava colocação da temporada para o francês Jo-Wilfried Tsonga e ocupa o nono lugar com 1170 pontos.

O ranking da temporada não conta os descartes de defesa dos pontos e só é divulgado pela ATP depois do US Open quando começam as definições pela vaga no torneio que reúne os oito melhores do ano, mas desde já podemos acompanhar o desempenho dos tenistas para avaliar quem está melhor ou pior e as possibilidades de classificação.

Novak Djokovic lidera com 3300 pontos contra 2720 de Andy Murray, 2370 de David Ferrer e 2080 de Rafael Nadal. Tomas Berdych é o quinto seguido por Juan Martin Del Potro e Ricard Gasquet. Dependendo dos resultados da próxima semana em Barcelona, Federer pode ser ultrapassado por Nicolas Almagto que vem 165 pontos atrás, no décimo lugar.

A temporada do suíço é abaixo das expectativas pelo que ele fez ano passado e durante toda sua carreira. Ainda sem finais e sem títulos o suíço tirou 60 dias de férias, não jogou Miami e nem Monte Carlo e precisará voltar firme para não deixar a peteca cair.

A volta ao segundo lugar do ranking pela queda de Andy Murray em Monte Carlo é uma boa notícia, mas nem tanto para ser comemorada. Já em Madri, Roger defende o troféu enquanto que o escocês descarta pouco e um troca-troca nesse posto pode ocorrer até o fim de Roland Garros.

O que é mais preocupante, só que para nós brasileiros. Thomaz Bellucci é o 112º melhor tenista do ano com 165 pontos. Ele por enquanto cairá pro 44º posto no ranking de entradas da ATP na segunda-feira. É preciso uma reação visto que a defesa maior de pontos começa para julho.

O melhor brasileiro no ranking do ano alguém adivinha ? Rogério Silva, no 85º posto (é o 97º node entradas). João souza, o Feijão, é o 116º (114 no de entradas) e pode passar Bellucci se vencer hoje em Santos.

Saibro, o martírio de Murray – Em 2009 foram poucas semanas e agora por enquanto poucas semanas no número dois do mundo. Para se fixar nesta posição e brigar pelo número 1 é preciso regularidade nos resultados e não ter um calcanhar de aquiles. O saibro continua sendo o martírio de Andy Murray. Perder para Stanislas Wawrinka não é nenhuma zebra, agora tomar 6/1 6/2 é um alerta de que muita coisa está errada – hoje a direita foi péssima.

O escocês terá algumas semanas para trabalhar e evoluir, caso contrário será mais uma vez coadjuvante na terra batida e o sonho do topo ficará muito distante.

Sacrificado – Djokovic está claramente jogando no sacrifício e até se arriscando. Repito o primeiro post. Será que vale à pena esse esforço todo e um possível agravamento da lesão ?

A torção no tornozelo se não for bem cuidada por acarretar até outro problema no pé ou perna do atleta. O brasileiro Rogério Silva sofreu com isso no ano passado e precisou fazer palmilhas especiais para sanar dores no pé que começaram após uma torção de tornozelo.

É louvável que o sérvio esteja mostrando raça para ganhar o torneio em sua casa, mas é preciso pensar bem. Roland Garros está batendo na porta. Essa precisa ser a prioridade.

O risco e a modéstia

por Fabrizio Gallas em 16.abr.2013 às 10:57h

Novak Djokovic decidiu. Vai jogar Monte Carlo. De acordo com relatos, conseguiu treinar com mais intensidade nesta terça-feira e com a alegria de sempre.

O sérvio vem de uma torção no tornozelo sentida nove dias atrás na vitória sobre Sam Querrey na Copa Davis contra os Estados Unidos e era dúvida para jogar a competição.

Seria um risco essa participação do sérvio no torneio ? Sem dúvida, aos quase 26 anos, Nole já viveu situações parecidas e sabe dos riscos que corre atuando logo após vir de um problema físico.

Certamente pesou na balança jogar em sua casa (sim, ele mora há anos em Monte Carlo), a defesa dos 600 pontos da final de 2012 e o fato de ter disponível algumas semanas para descanso até seu próximo evento, em Madri, onde descarta apenas 180 das quartas.

Mas não se engane quem pensar que ele vai entrar 100%. Mesmo que não o faça, é capaz de chegar longe, inclusive numa final, abaixo de sua máxima capacidade. Todavia o primeiro jogo será importante na avaliação da real condição. Muito abaixo do 100% implicará numa eventual desistência. Mesmo com o descanso posterior é melhor priorizar o tratamento para evitar maiores problemas de olho no principal foco, Roland Garros, único Slam que não possui.

Sem David Ferrer, com um Djokovic baleado, o favoritismo em tese de Nadal sobe pelo menos no momento. Ele venceu oito vezes em Monte Carlo e rechaçou ser o principal favorito ao título, relatando ainda não estar seguro com o joelho. Para muitos uma tática para tirar pressão o qual concordo em parte. Acredito que também a formação dada pelo treinador Toni Nadal o leve a uma modéstia e grande respeito aos adversários. Veremos amanhã e em alguns dias se Nadal mantém-se aquele trator dos primeiros torneios.

Curtinhas:

Bellucci perdeu até um pouco fácil para Kohlschreiber relatando muitos erros. Um mau início para a temporada do saibro e como consequência a saída do top 40. Todavia agora basicamente o brasileiro só terá a somar nas próximas semanas.

Bellucci treinou com Nadal na segunda-feira. Simulou um set onde abriu 5/2, mas perdeu por 7/6 (7/2).

Alemanha, mais uma pedreira!

por Fabrizio Gallas em 10.abr.2013 às 14:19h

É, a sorte não esteve ao lado do Brasil na formação dos confrontos dos Play-Offs do Grupo Mundial. Enfrentaremos a Alemanha, fora de casa, entre os dias 13 e 15 de setembro.

O time alemão é homogêneo, possui ótimos jogadores de simples que atuam bem em qualquer piso e ainda pode formar boas duplas. A definição de piso e sede do confronto sairá dentro de alguns meses, mas minha aposta é no piso duro provavelmente coberto para evitar a troca abrupta após o US Open e série de torneios na superfície. Logo assim, a grama, no meu pensamento, viria em segundo plano, mas seria outra boa escolha para os germânicos.

A equipe vem jogando no saibro nos quatro últimos encontros em casa e sediou o último confronto no piso rápido em 2009. Ano passado, contra a Argentina, eles escolheram o piso lento.

As opções de jogadores são de Tommy Haas, Florian Mayer e Philipp Kohlschreiber para simples e duplistas como Philipp Petzschner e Christopher Kas.

Em cinco meses muita coisa pode mudar, mas, no momento, Haas é o que mais incomodaria pela volta ao bom momento com semis em Miami vencendo Novak Djokovic. Todavia, Tommy não atua em Copa Davis em simples desde 2007, só participando nas duplas recentemente. Mas o número 1 local passou por problemas físicos com cirurgia e só nos últimos meses que vem retomando seu melhor tênis.

Vale lembrar que o time alemão passou por uma crise recentemente onde Kohlschreiber era contrário ao antigo capitão Patrick Kuhnen que acabou deixando o cargo. Ele ameaçou não jogar, mas participou do confronto da Argentina. Sabe-se também que Kohlschreiber tem um atrito com Haas.

A análise seria parecida com a feita para o confronto nos Estados Unidos. Nossa dupla é afiada e tem boas chances de vencer, até maiores do que a com os irmãos Bryan, e Bellucci também tem a qualidade para marcar os dois pontos de simples. O nosso segundo simplista, seja quem for, precisa estar muito inspirado.

Será mais um confronto muito difícil, mas não é impossível. Já estivemos bem perto de vencer os americanos fora e a um ponto de ganhar da Rússia, também na casa deles.

As Melhores Opções para o Brasil

por Fabrizio Gallas em 09.abr.2013 às 10:07h

Com um pouco de atraso escrevo sobre este final de semana de Copa Davis e as possibilidades de confrontos do Brasil para os Playoffs do Grupo Mundial. Me desculpe, caro leitor, mas também sou filho de Deus e necessito de folgas.

Mesmo assim acompanhei o andamento dos confrontos e me surpreendi com a vitória da Argentina sobre a França. Richard Gasquet, como é de costume, fugiu da raia para defender seu país em um duelo com muita pressão de torcida em confronto onde teve o heróico Carlos Berlocq dando o ponto decisivo aos argentinos e quase batendo o top 10 Tsonga no primeiro dia. Mais um exemplo de que em Davis o ranking é o que menos interessa.

David Nalbandian mais uma vez esteve apto apenas nas duplas. A cada torneio que o vejo jogar e por essas decisões fico com a sensação que ele só sobrevive no circuito por conta da Davis e vem sendo decisivo nas duplas.

Mesmo assim, o sonhado título argentino passa pela volta de Juan Del Potro que declarou não querer jogar a competição em 2013. A República Tcheca foi desfalcada e bateu o Cazaquistão fora de casa, mas deve ter os retornos de Berdych e Stepanek para o confronto em casa contra os hermanos em setembro. No piso rápido, a melhor opção para jogos de cinco sets é Del Potro. Nalbandian, com as condições que apresenta, não anima, Juan Monaco é menos eficiente e Berlocq não inspira nenhuma confiança.

Djokovic mostrou raça e mesmo com a torção no tornozelo venceu Querrey e mandou os americanos pra casa em Boise. A surpresa foi mais uma derrota dos irmãos Bryan com 15/13 no quinto set. Eles eram considerados imbatíveis em Copa Davis até este ano onde perderam seus dois jogos, um deles para Marcelo Melo e Bruno Soares. Acabou fazendo a diferença.

A Sérvia joga em casa contra o Canadá e deveria escolher o saibro para minimizar o saque e o jogo potente de Milos Raonic. Mas a decisão passa por Novak Djokovic. Será que ele vai topar sair do piso duro americano para o lento logo após o US Open ? Algo que os sérvios devem estar discutindo nas próximas semanas.

Com a lesão no tornozelo, Djokovic vira dúvida para Monte Carlo. Ele naõ sofreu ruptura de ligamento, mas médicos recomendaram rigoroso descanso nos próximos dias. O Masters 1000 começa já na próxima segunda-feira. Forçar pode significar problemas para o segmento do saibro com Madri, Roma e Roland Garros que é seu maior objetivo. E Monte Carlo é o único Masters descatável aos top 30.

O Brasil não jogou no final de semana, perdeu pontos no complicado ranking da competição (ranking de quatro anos que vai cortando percentagem dos somados no ano anterior) e foi ultrapassado por Austrália e Bélgica.

Nossas chances de jogar em casa são boas, mas algumas delas péssimas como contra a Suíça e a Espanha, os times de Federer/Wawrinka e Nadal/Ferrer e cia. As melhores contra a Áustria de um decadente Jurgen Melzer e Croácia de um Marin Cilic sem resultados expressivos no piso lento.

A melhor opção fora de casa seria a Bélgica que tem um time bem acessível tanto em simples quanto nas duplas em qualquer piso. No restante, viajar à Austrália seria ruim para um eventual confronto na grama contra Tomic e Hewitt e não muito bom contra a Alemanha do renovado Tommy Haas e os sempre eficientes Florian Mayer, Kohlschreiber e o duplista Christopher Kas. O Japão é o único embate que teria sorteio. Kei Nishikori na equipe representa problemas, sem ele, o time japonês fica bem mediano e fraco para o piso lento.

Final fraca. Federer e Nadal pela 1ª vez fora do top 2 desde 2003

por Fabrizio Gallas em 31.mar.2013 às 16:12h

Emocionante só nos últimos games e muito pela condição física deficiente e entrega dos dois em quadra. Em termos de nível técnico os números falam por si só, 95 erros não-forçados e 37 bolas vencedoras. Foram 15 quebras de serviço em 31 games disputados, ou seja, a cada dois games, um era de quebra.

Resumindo. Para um Masters 1000 fraco com ausências de Federer, Nadal e várias desistências por lesões, um joguinho bem fraco para fechar o caixão do que esse ano ficou bem longe de ser considerado o quinto Grand Slam.

O público reflete neste aspecto. Foram 307.809 pessoas esse ano contra cerca de 330 mil ano passado. A única, das 24 sessões, a bater o recorde foi a de quinta-feira à noite com os jogos de Berdych x Gasquet e Serena x Radwanska nas quartas do Masters 1000 e semi do WTA Premiere.

Falando do Murray. Lado positivo de ter ganho jogando mal basicamente boa parte do torneio incluindo a final. Ganhou quanto tinha a pressão enorme de ser o favorito após a eliminação de Djokovic. Dado importante pra ele. E sinto pena de Ferrer que merecia a vitória, tinha tudo no finalzinho para sair com o troféu, mas novamente falhou no mental na hora de fechar entregando a partida pro rival. Ainda carece de um título grande contra um top 4, deixou uma bela chance escapar. Mesmo retornando ao top 4, fica ainda aquela sensação de que apenas está ali por um acaso, pela saída de Nadal por conta da lesão.

Com o título, Murray retorna ao número dois pelo qual ficou apenas algumas semanas em agosto de 2009. E pela primeira vez desde 2003 que nem Federer e nem Nadal estarão no top 2 sejam juntos ou apenas um deles. Um dado significativo e que retrata a menor consistência nos dois últimos meses de ambos, seja por resultados ou por lesões. Federer é o único top 5 a não ganhar títulos esse ano e parece não estar muito de olho nisso visto sua ausência de Miami e provável em Monte Carlo.

O detalhe interessante é que no emparelhamento das chaves de Masters 1000 de Madri por exemplo e talvez Roland Garros, se as posições se mantiverem, poderíamos ter no mesmo lado da chave Djokovic ou Murray com Federer na semi e Nadal nas quartas. Interessante não ?

No feminino, Sharapova começou muito bem, mas perdeu consistência quando Serena foi crescendo na partida e acabou tomando 10 games seguidos. Claramente a americana merece o número 1, é superior quando está bem fisicamente e com motivação. A final feminina, apesar do pneu no último set, teve bem mais qualidade que a masculina. Sinto pena de Maria também que perdeu a 12ª em 14 jogos contra Serena e sua quinta final na Flórida. Não vejo ímpeto pra ela mudar sua característica, procurar mais variação (slices ou jogar a rival de um lado a outro) para vencer a americana. Vencerá quando Serena não estiver bem.

Um marco pro tênis. Grama valorizada. Wimbledon valorizado

por Fabrizio Gallas em 29.mar.2013 às 16:39h

Os torneios na grama, há décadas, caíram no desuso muito pelo crescimento do foco do mercado direcionado aos eventos no piso rápido sobretudo nos Estados Unidos e também a difícil manutenção deste tipo de superfície. Algo ruim para o tênis que basicamente foi criado nesta superfície com o seu templo em Wimbledon.

Mas a pressão dos últimos anos de jogadores como Nadal e por que não Roger Federer mudaram uma tendência que tem como esta sexta um marco importante pro tênis.

Wimbledon passará a ser jogado três semanas após Roland Garros a partir de 2015 e não mais duas como anteriormente possibilitando uma maior preparação e descanso dos principais tenistas que devem chegar mais afinados com o piso para o Grand Slam londrino diminuindo um pouco a costumeira sequência de zebras. Em consequência disto, abre-se uma semana a mais para os torneios na superfície lendária e Stuttgart é a primeira competição confirmada fazendo sua migração e saindo do saibro e também mudando de julho para a semana pós-Roland Garros, em junho.

O que eu venho martelando nesse blog há anos é que a grama merece um grande evento antes de Wimbledon. Anteriormente com duas semanas realmente ficava difícil, agora com três, facilita para negociações da abertura de um ATP 500. A infra-estrutura de quadras e o tamanho da chave de Queen´s (48 jogadores) dão o caminho para tal torneio. Só que a queda de braço poderia ser grande com Halle, Alemanha, que sempre foi seu maior concorrente nessa série nesse piso dividindo as atenções dos tops.

Outro imbróglio que a ATP precisa resolver até o fim deste ano é o dos torneios de saibro. Stuttgart já foi digamos, sacrificado, e outro que está na mira da mesma mudança é Gstaad. Sendo assim, a mini-temporada no piso lento em julho, que já não atraia grandes nomes, está fadada ao fundo do poço. E com cada vez menos eventos nessa gira, sofrem os tenistas latino-americanos e o brasileiro Thomaz Bellucci que usavam o mês de julho numa série de três, quatro semanas na superfície lenta para somar pontos. O paulista, fez semi em Stuttgart e foi campeão em Gstaad em 2012.

Rio Open terá custo de US$ 25 milhões, já se planeja e aprende com erros do Brasil Open

por Fabrizio Gallas em 26.mar.2013 às 14:33h

Foi lançado nesta terça-feira o Rio Open numa bela a organizada coletiva de imprensa no Hotel Sheraton no Rio de Janeiro. Para se ter noção da importância do evento, estiveram presentes a presidente da WTA, Stacey Allaster, o CEO das Américas da ATP, Mark Young, e o brasileiro André Silva, diretor do ATP World Finals e CEO dos Jogadores da ATP. O torneio ainda fez homenagens a ex-tenistas brasileiros como Thomaz Koch, Ricardo Acioly, Nelson Aerts, Miriam D´Agostini e Joana Cortez.

Pela organização e luxo da coletiva de imprensa promovida pela empresa IMX, fico com a expectativa de que o torneio carioca, entre os dias 15 e 23 de fevereiro seja um dos melhores do circuito e bem melhor do que o Brasil Open que passou recentemente com muitas críticas dos jogadores na construção da quadra e nas bolas. E a IMX parece ter aprendido com os erros dos agora concorrentes mandando um recado.

“Vimos o que aconteceu e estamos ainda mais motivados pra fazer o torneio que não só será o maior e sim o melhor da América Latina. Estamos planejando tudo com antecedencia, pra que tudo ocorra 100%. Não existe hipótese nenhuma pra ter problema na quadra, nossa equipe já está cuidando dessa parte e pela experiência da empresa , temos um know-how de eventos de tênis”, garante Márcia Casz, vice-presidente de esportes da IMX. A bola do torneio será a HEAD.

O custo total do torneio, segundo Márcia, gira em torno dos US$ 25 milhões em estrutura, premiação, logística e etc – de acordo com a organização tudo de verbas de patrocínios, nada de verba pública. O evento será no Jockey Club, na Gávea, utilizando ao todo oito quadras para receber chave de 32 jogadores no masculino e outros 32 no feminino. Todas as quadras existentes do clube estão passando por um processo de reforma e será montada uma quadra central com capacidade para 7 mil pessoas no meio do gramado do Jockey, uma área que há pouco tempo foi liberada pelo clube para receber eventos. Ao todo, o torneio terá espaço para 9 mil pessoas por dia com uma ampla área para diversão e alimentação.

“Esperamos que o publico brasileiro aceite o evento como deve acontecer, queremos ficar aqui pra sempre. Espera que se torne um festival anual de tênis e que os torcedores possam curtir”, disse Mark Young.

Os tenistas terão disponíveis outras duas quadras para treinos em clubes adjacentes que pode ser o Piraquê ou o Paysandu ou outro ainda a confirmar.

No masculino a premiação será de US$ 1,25 milhões, quantia básica pros outros 11 ATP 500 de hoje em dia, mas o suficiente para trazer bons nomes numa semana onde não teremos outros concorrentes de eventos 500 e nem um Masters 1000 colado. O sonho de consumo é Novak Djokovic que recentemente assinou com a IMG, parceira da IMX, algo que poderia facilitar sua negociação para estar por aqui. Os nomes só começam a ser divulgados a partir de agosto ou setembro e o torneio espera em torno de duas até três estrelas do top 10.

No feminino, a premiação será de US$ 250 mil, mas mesmo com a tentativa de se trazer uma do top 10, ficará difícil visto que na mesma semana será jogado o Premiere de Dubai, nos Emirados Árabes. O torneio seguinte, em Florianópolis (SC), será mantido no piso duro. Segundo Allaster, uma exigência da WTA visto que o evento precede Indian Wells e Miami e seria uma boa preparação para as jogadoras.
O Rio Open será, pelo menos no masculino, um evento permanente visto que não há contrato e sim uma data comprada que é cedida apenas se o mesmo não consegue arcar com os custos. De acordo com Fernando Soler, um dos managers da IMX, foram cinco outras sedes buscando a compra do evento de Memphis, EUA, pelo qual o Rio será o substituto. O evento a princípio será no Jockey em 2014 e 2015, existindo uma possibilidade de mudança de local para 2016 dependendo das circunstâncias.

Não vejo a hora da realização do maior torneio da história do tênis brasileiro e que pode servir de trampolim para outros torneios maiores.

Venda de ingressos - Novidades apenas no segundo semestre, talvez para agosto.

Garra de Bellucci. Miami perdeu o status…

por Fabrizio Gallas em 24.mar.2013 às 10:56h

O nível de atuação de Thomaz Bellucci não me animou tanto, eu diria que foi um jogo de regular pra bom visto que o rival cometeu alguns erros. Mas o que foi notável e importante foi a luta demonstrada por ele e cabeça positiva para se manter no jogo, se livrando dos break-points que Janowicz teva a disposição. A torcida brasileira o apoiou, não o jogou pra baixo como em São Paulo e teve papel fundamental na vitória do brasileiro.

Ganhar jogando mal é importante e ainda mais para Bellucci nesta fase negra que vivia de cinco derrotas seguidas. Para se ter noção, é apenas a primeira vez do ano que ele vence duas seguidas.

Na terceira rodada o rival é Andreas Seppi, um tenista que troca mais bolas de fundo e dá mais ritmo para Bellucci. Com mais confiança e um tenista melhor ranqueado, a esperança é de uma atuação melhor e sem pressão. Bellucci disse que o problema na perna esquerda sentido contra Janowicz a princípio não foi nada grande, apenas um desconforto.

E o torneio de Miami segue sem empolgar tanto e cada vez mais com desistências. Já se contabiliza, com duas rodadas no masculino e duas e meia no feminina, onze desistências sem contar as ausências de Federer e Nadal. E estamos chegando aos três meses de torneio, todos deveriam estar bem não é ?

Pelo número de ausências e a menor premiação em relação a Indian Wells, Miami perde seu status de quinto Grand Slam. O torneio da Flórida não tem o Desafio Eletrônico em todas as quadras como Indian Wells. Resta alguma dúvida de qual é o “quinto Grand Slam” ? Pelo menos deste ano não, a competição de Miami terá que reagir para 2014.