O basquete masculino do Brasil não apenas quebrou um longo jejum, como também fez despertar fortes emoções e desencadear uma reação fervorosa contra aqueles que se negaram a atender à convocação.
Foram 15 anos longe do olimpo do esporte, o que fez o basquete se tornar um esporte periférico, coisa de gente velha, esquecido em algum canto do passado. Por isso, é fácil explicar a reação generalizada causada pela conquista da vaga para Londres. Não é exagero afirmar que foi o despertar de um gigante adormecido.
Mas logo após a classificação, a principal discussão não era saber quem foi o grande herói, a grande revelação ou até mesmo o que esperar desta nova geração nas Olimpíadas do próximo ano. O que os basqueteiros logo começaram a discutir foi o futuro daqueles jogadores que recusaram a convocação para o Pré-Olímpico.
Nada de Marcelinho Huertas, Marcelinho Machado, Tiago Splitter ou até mesmo o técnico argentino Rubens Magnano. Os nomes na discussão eram Nenê e Leandrinho.
Para não deixar dúvida, sou totalmente contra a presença deles em Londres. Se não quiseram ralar durante os meses de preparação e encarar a pressão do longo jejum, agora que fiquem em casa e assistam às Olimpíadas pela TV.
Muita gente discorda. Diz que isso seria como punir a Seleção, deixar de fora dois jogadores de talentos incontestáveis e que poderiam ajudar a Seleção na briga por uma medalha.
A questão não é essa. É muito mais do que isso. É o que se espera de uma Seleção. Que ela represente um país. Isso pode parecer patriotismo barato, um velho chavão. Mas do que se trata uma Seleção?
Jogar pela Seleção, seja no Brasil ou na Conchinchina, é representar uma bandeira, uma nação. E ter caráter, saber honrar as cores do país. Ter comprometimento. Acima de tudo, ter vontade de estar lá.
É mais do que isso. É um sentimento. Quem assistiu ao jogo que valeu a vaga olímpica, contra a República Dominicana, deve ter sentido isso. E não é fácil explicar sentimentos. Isso é coisa para poetas.
Ou para leitores que são torcedores. É o caso de Mario de Souza, que escreveu para o blog Slam Dunk uma mensagem que resume muito bem o momento desta Seleção e daqueles jogadores que se negaram a participar.
Reproduzo abaixo o comentário do leitor:
“Nao via basquete há muito tempo. Tinha perdido o t… Mas hoje vibrei, chorei e tive muito orgulho de ver os doze.(…) Quem tem “cojones” para dar a cara a tapa na Argentina deve ganhar o passaporte para Londres. Viva este novo basquete brasileiro. Viva o veterano Marcelinho, viva o novo Marcelão, viva o Tiago, o Marquinhos e todos os outros que nos fizeram mais brasileiros neste domingo.”
Caro Mario, torcer pelo Brasil não é apenas torcer por uma vitória. É se emocionar, vibrar, sentir orgulho daquele time. Quantas vezes não choramos por uma derrota doída, mas com orgulho daqueles que lutaram em campo?
Todo mundo quer vencer e até o espírito olímpico fala que o importante é participar. Pois o basquete brasieliro adicionou mais um ingrediente: não apenas participar, não só ir atrás da vitória, mas lutar com orgulho e prazer.
Por essa razão, àqueles que acham que o Brasil será mais forte com Nenê e Leandrinho, vale refletir até que ponto esses jogadores sentem prazer em estar com a Seleção. E não adianta falar da boca para fora. É preciso demonstrar esse desejo. Coisa que os 12 heróis de Mar del Plata fizeram muito bem.
Quanto a Nenê e Leandrinho, o que eles fizeram? Talvez, um longo diário de férias.
(Texto publicado no LANCE! nesta terça-feira)
A voz da nação
Enquete no site do LANCENET! apontava ontem, por volta de 19h30, o seguinte resultado: 31% queriam a volta de Nenê e Leandrinho para a Seleção Brasileira que vai a Londres, enquanto a maioria, 69%, era contra.
Tapa na cara
Não bastasse o não dos dois desertores da Seleção masculina, o mesmo aconteceu na feminina. Iziane, tida como a principal jogadora em atividade do Brasil, soltou um sonoro não ao Pré-Olímpico. Ela alegou que prefere disputar as finais da WNBA, nos EUA, que é o seu ganha-pão. Mas a história não termina aí. Iziane foi pivô de um lance escandaloso no Pré-Olímpico de 2008, quando desrespeitou o então técnico Paulo Bassul ao se recusar a voltar ao jogo. Desde então, a hoje cartola Hortência tem lutado pela permanência da jogadora na Seleção. A ponto de demitir Bassul para abrir o caminho do retorno de Iziane. Agora, Hortência levou um verdadeiro tapa na cara.
NBA vem aí
Como era esperado, as negociações caminham para o fim da greve nos EUA. Jogadores já estão recebendo mensagens para estarem em forma para o início da temporada, em 1 de novembro. Não deve demorar para o novo acordo salarial ser anunciado. Provavelmente, até o início de outubro.