
Desenho conceitual do novo autódromo, em Deodoro (Divulgação)
Na segunda-feira, enquanto os organizadores dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio-2016 se reuniram, em Copacabana, com o Comitê Olímpico Internacional (COI), no Centro, me encontrei com dois responsáveis pelo projeto do novo autódromo do Rio, em Deodoro: o coordenador de Projetos André Brandão e o consultor Ambiental Ricardo Kohn, ambos da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Brandão e Kohn me explicaram todo o projeto ambiental preparado para Deodoro e como será o modelo de gestão. E para ser sincero, se tudo o que estiver lá for cumprido. Não vejo o porquê de não ser feito no local escolhido. E vamos às razões.
A justificativa do Ministério do Esporte, que contratou a FGV para realizar o projeto, é a de “ocupar para preservar”.
O terreno escolhido e que é alvo de investigação do Ministério Público Estadual (MPE), por causa de possibilidade de destruir parte de vegetação da mata atlântica, já foi invadido por posseiros, mesmo sob os cuidados do exército.
No local, foram erguidas casas e há até criação de porcos. E 25% da área está ocupada por capim e o terreno vem sofrendo sucessivas queimadas e entrou em processo erosivo.
O Exército também já largou o terreno e não realiza mais atividades por lá, porque transferiu todas para o estado de Goiás.
Ou seja, começou o processo de favelização. Concordam?
Pelo projeto do novo autódromo, toda a área desmatada será revitalizada. Além disso, os três morros do local não serão desmatados. Permanecerão como está. Como pode ser visto na figura acima.
Na ilustração, as áreas mais verdes são onde existem mata atlântica e as mais claras são as desmatadas e com vegetação de capim. Notem que a perda de mata nativa é pequena, enquanto a área a ser recuperada será grande.
O projeto do novo autódromo prevê que todas as preocauções ambientais sejam tomadas e compensadas, caso ocorra alguma perda.
Na quarta-feira, o MPE visitou o local e deixou com os responsáveis um questionário para ser respondido até o dia 18. E um outro detalhe que poucos sabiam: já existe uma pré-licença emitida pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea).
No próximo post, falo sobre as questões sociais e de sustentabilidade do autódromo de Deodoro, as pistas de kart e treinos…
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