Essa entrada na justiça da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) pedindo a impugnação do edital para a construção do Parque Olímpico no Autódromo de Jacarepaguá me parece mais jogo de cena, perante uma comunidade automobilística ansiosa por informações a respeito do novo autódromo do Rio.
Senão, vejamos, ao informar em seu site oficial sobre a decisão tomada no dia 20, a CBA diz:
“A obra a ser licitada prevê o uso da área onde está situado o Autódromo de Jacarepaguá e fere o convênio firmado entre a União, a Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, o Comitê Olímpico Brasileiro e a CBA conforme consta nos autos do processo administrativo 14/200.608/2007. O local onde está situado o circuito foi desapropriado e decretado como de utilidade pública pela Administração Pública através do decreto E 5672/72 com a finalidade da construção do autódromo. O uso dessa área para a construção de um Parque Olímpico está condicionado à construção e entrega de uma nova praça desportiva voltada para esportes a motor de padrão internacional.”
Em suas observações, a CBA está mais do que certa. O acordo celebrado na Justiça, em 2007, para a realização do PAN era a de que após a competição continental, o autódromo deveria ser recuperado. Com a candidatura olímpica, posteriormente foi feito outro acordo, em 30 de junho de 2008, onde ficou acertado que se o Rio ganhasse a sede de 2016, um novo autódromo seria erguido em outro local para a construção do Parque Olímpico em Jacarepaguá.
Mas a CBA que agora entra na Justiça, como se nada soubesse e fosse a mocinha enganada na história, publicou o seguinte release em seu site no dia 15 de maio de 2010:
“Rio de Janeiro, 12 de maio de 2010 – O Ministério do Esporte, por meio da Secretaria de Alto Rendimento, a Prefeitura do Rio de Janeiro e a Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) se reuniram ontem, terça-feira, 11 de maio, em Brasília, para tratar da construção do novo autódromo internacional do Rio na região de Deodoro, zona norte da cidade.
Em razão da construção do Parque Olímpico dos Jogos Rio 2016, a ser erguido na área onde está o atual Autódromo de Jacarepaguá, o governo federal propôs à CBA e à Federação de Automobilismo do Rio que o novo circuito fosse construído em um espaço próximo do Complexo Esportivo de Deodoro, construído para os Jogos Pan-americanos Rio 2007.
Na reunião, as partes decidiram dar início ao processo de providências para a construção. Será formado um grupo técnico com representantes das três partes para estudar o projeto da nova pista. O grupo terá prazo de dois meses para ouvir todas as partes interessadas, em especial o setor de automobilismo, e apresentar suas conclusões.
Os dois governos assumem o compromisso de compatibilizar o cronograma das obras do novo circuito em Deodoro com as obras do parque olímpico no autódromo de Jacarepaguá, de modo a não inviabilizar o calendário do automobilismo nacional.
De sua parte, a CBA se incumbe de ouvir as entidades do automobilismo para preparar o projeto técnico, de forma que o novo autódromo atenda a todos os requisitos do esporte. A Confederação vai oferecer aos governos todo o suporte técnico para o projeto de construção e buscar a homologação das entidades do setor.
Além do autódromo, novo circuito deverá ter um kartódromo, espaços multiuso e áreas esportivas como quadras e ginásio. Prevê-se ainda a implantação de projetos sociais e escolinhas voltadas para o automobilismo.
Para o presidente da CBA, Cleyton Pinteiro, a solução “atende ao anseio dos automobilistas de que o Rio de Janeiro tenha novamente um autódromo de padrão internacional. A partir da construção da nova pista, os grandes eventos automobilísticos mundiais poderão retornar ao Rio”.
Agora, pergunto: se a CBA participou de todo o processo, como diz o release de 2010, como, agora, entra na Justiça?
Outra questão, sempre indaguei o secretário nacional de Alto Rendimento, Ricardo Leyser, sobre a questão do acordo judicial de 2007. E ele sempre respondeu: “a CBA concordou em erguer o autódromo ao mesmo tempo que o Parque Olímpico”.
Aí, volto a perguntar: “se havia esse acordo, porque a CBA, agora, tenta se fazer de vítima e entrar na Justiça? Quem descumpriu o combinado o governo federal, responsável por erguer o autódromo, ou a CBA?
Confesso que ainda não achei o mocinho na história…
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