Em uma decisão polêmica, o STJD acatou o protesto do Palmeiras, que alega interferência externa com informações da televisão, após o árbitro Francisco Carlos Nascimento anular um gol de mão de Barcos que tinha sido validado, e o resultado da partida contra o Inter está suspenso até julgamento. Então choveram comentários na internet atacando o absurdo de rever o caso, já que a decisão do lance acabou sendo correta. Porém, o que me chama a atenção é a capacidade de algumas pessoas em distorcer a discussão.
Gol de mão vale sim, como o de Maradona na Copa do Mundo de 1986. Adriano Imperador, Henry, Klose e Túlio foram outros exemplos de tentos polêmicos em partidas importantes. Claro que não sou a favor de resultados deturpados por malandragem e acho uma besteira falar que fazem parte do futebol. Mas o futebol tem regras, e nela a decisão do árbitro é soberana.
Já escrevi muitas colunas me colocando a favor do recurso eletrônico para lances como esse de Barcos, quando o jogo já está parado e que não dependem de interpretação. Mas isso não pode ser feito de forma velada sem a autorização da Fifa.
Falar que o quarto árbitro viu a mão na bola é dar um tapa na cara da sociedade, é achar que os milhares de espectadores do jogo são estúpidos. Se são homens o suficiente para montarem um esquema de auto-proteção, que os envolvidos assumam e defendam que a atitude tomada é para o bem do futebol, para que isso possa ser julgado ou se desenvolver.
Torcedores rivais precisam entender que a revolta do palmeirense é a mudança de regra – QUE NÃO MUDOU! – justo na sua vez de jogar. De uma hora para outra o árbitro se deu o luxo de parar o jogo e esperar o veredito pela voz da consciência em seu aparelho eletrônico. Não pode.
Vivemos em uma sociedade regida por regras e leis, por incrível que pareça, porque principalmente não Brasil não vejo boa vontade de segui-las. Pegue o julgamento de um crime e veja que algumas provas não podem ser usadas por não estarem enquadradas com a lei, exatamente como neste caso do futebol. Por mais que mostrasse o certo, o replay não poderia ser usado.
Mas a jurisprudência que o STJD pode abrir se marcar outro jogo é perigosíssima, imagina quantos recursos pedirão novos jogos? Por isso não acredito que o Palmeiras sairá vitorioso no caso, mas a polêmica com o Verdão vai pelo menos abrir uma discussão que não pode ser mais adiada.
Chega de sujeira por baixo dos panos no futebol, não é com um esquema ilegal para amenizar lances ilegais que vamos moralizar o esporte.













Social