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Posts com a Tag ‘Futebol Brasileiro’

Brasil: o país do futebol?

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

A Copa das Confederações está perto – a bola rola no dia 15 de junho – e os torcedores brasileiros se preparam para a estreia de seis estádios que receberão jogos na Copa do Mundo de 2014. Sem investimentos significativos em infra-estrutura nas 12 cidades que receberão jogos do Mundial, nos resta engrossar o bordão “Imagina na Copa!” e torcer para que estas arenas caríssimas possam então melhorar os padrões das competições nacionais.

Segundo um estudo feito pela BDO RCS Auditores Independentes, o Campeonato Brasileiro de 2012 apresentou a maior queda de público total dentre os campeonatos estudados, com 8,2% em relação ao público presente nos estádios na temporada anterior – foram levantados dados do Italiano, Espanhol, Inglês e Alemão. A média de público por jogo em 2011 no Brasil foi de 14.976, caindo para 13.670 na última temporada. O Italiano caiu de 24.136 para 22.492; o Espanhol subiu de 28.177 para 28.796; no Inglês um declínio de 35.273 para 34.600; e no Alemão o crescimento de 42.663 para 45.116.

Com as arenas modernas, os clubes daqui terão a chance de propiciar ao seu torcedor um leque mais amplo de entretenimento no dia de jogo, com restaurantes, lojas, passeios turísticos e segurança, por exemplo. É o que costumam chamar na Inglaterra de Match-day Experience. Diversão para o público significa bons negócios que podem reforçar os cofres do time, se explorados com um departamento de marketing competente. É só seguir os ótimos exemplos da Bundesliga alemã.

Ainda segundo a pesquisa da BDO, a receita bruta em bilheteria brasileira é cerca de 13 vezes menor do que a Premier League – também afetada pela valorização do Euro. Enquanto arrecadamos 43,77 milhões de euros em 2012, os ingleses chegam a 599,57 milhões. O Espanhol, terceira média de público, é o segundo no montante, com 551,50 milhões. A Alemanha chegou a 309,64 milhões e a Itália 179,49 milhões.

Mas esse crescimento financeiro não é apenas elitizar o preço dos ingressos, como fez o Corinthians durante a Libertadores. Isso se sustentará por mais tempo quando o serviço oferecido em seu novo estádio for melhor, tem tudo para ser!

Nossos clubes tiveram uma melhora significativa em arrecadações com direitos televisivos e patrocínios nos últimos anos, tanto que conseguimos repatriar alguns craques e segurar outros. Porém, ainda estamos muito aquém dos europeus. Um dos pontos fundamentais pode ser a precariedade dos estádios, que agora será sanada – com dinheiro público ou não – graças às absurdas exigências da Fifa para realizar uma Copa do Mundo.

Que esse alto preço a ser pago pelo povo brasileiro seja explorado para fortalecer o esporte, e que essas construções recebam a manutenção necessária para que perdurem por um longo tempo.

Como continuaremos sendo o país do futebol com o público pífio nos estádios e o amadorismo de nossas competições? É fácil fazer publicidade dizendo que aqui tudo acaba em festa, mas quero ver essas mesmas cabeças pensando em ações que possam fazer dessas festas uma experiência confortável para o consumidor.

A doce ilusão de um torcedor apaixonado

domingo, 23 de dezembro de 2012

“Não se iluda!”, frase que ouvi de uma pessoa em plena época natalina, fechando meu semblante ao despertar um receio de acreditar que dias melhores virão. Eu não estava desejando os números da Mega Sena da Virada, nem a paz mundial. Queria apenas acreditar que dias melhores virão, e isso inclui meu time de futebol, claro.
Santistas, flamenguistas, vascaínos, palmeirenses – em maior grau de desespero – e outros milhões de apaixonados pelo futebol depositam a esperança na virada de ano para desejarem prosperidade aos seus respectivos clubes na temporada seguinte. Pena que não dependem do Papai Noel ou de qualquer outra força divina, pena que não dependem de seus esforços de comparecerem ao estádio com gritos de apoio ao time, pena que dependem de outros.
O problema é que os outros atendem pelo nome de dirigentes ou cartolas, um grupo de indivíduos formado em grande parte por individualistas. Sendo assim, fica nítido o sentido: “Não se iluda!”.

Assistindo ao sorteio dos grupos da Libertadores realizado pela Conmebol, tive certeza disso ao achar que o evento mais parecia um Amigo Secreto de dinossauros da entidade do que algo voltado para o público. Esqueceram a expectativa das pessoas pela tabela da competição ao trocarem homenagens e elogios inflamados entre si, almejando a cíclica troca de favores.

“Não se iluda!”. Estes monstros pré-históricos infelizmente não entraram em extinção e estão espalhados por aí para fazerem do futebol algo que não condiz com a paixão que o esporte desperta.

Os anos passam e vamos continuar sonhando com reforços, esperando por reformulações e discutindo estrutura dos clubes. Mas enquanto eles perpetuarem no poder, a solução ainda é não se iludir!

A preguiça de pensar dos boleiros

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

No Brasil, são poucos os atletas que conseguem virar bons comentaristas esportivos – atenção, eu disse bons! – depois que encerram a carreira. E esse assunto me chamou a atenção enquanto eu assistia aos playoffs da NFL, as finais do futebol americano. Por lá, a grande maioria que trabalha nas transmissões são ex-jogadores, muito bem preparados para atuar na mídia.

A discussão é muito mais profunda do que a qualidade das transmissões no Brasil, está relacionada a uma diferença gritante em relação aos EUA no sistema de ensino. Por lá, os atletas recebem incentivos de grandes universidades para praticarem esporte em um nível profissional. Em troca da bolsa de estudos e de toda a estrutura para treinar, eles defendem o time universitário, trazendo retorno à instituição em marketing e nas rentáveis competições que disputam.

Quando o atleta se forma no curso superior tem a opção de ser recrutado por uma equipe profissional. Muitos ficam pelo caminho, mas com um diploma que dificilmente teriam condições de pagar. Se aplicarem a cultura que aprenderam com os conceitos básicos do esporte – trabalhar em grupo, responsabilidade, pontualidade, superação, etc. – se tornarão bons profissionais em qualquer outra área.

Já os que se tornam estrelas do esporte e depois se aposentam têm estudos e qualidade para continuarem falando de esporte nas mídias.

Infelizmente em terras brasileiras, onde o jovem é geralmente da periferia e tem menos informação do que qualquer um norte-americano, os poucos que se tornam atletas profissionais dispensam o conhecimento. Grande parte dos jogadores de futebol, que faturam salários exorbitantes, ganham a vida com os pés e não fazem o mínimo esforço para desenvolverem a cabeça. Preferem ficar no Twitter postando que estão na “resenha com os parças” do que se dedicarem a algo de conteúdo.

Não é apenas para virar um comentarista de TV no futuro, mas já poderiam tornar as entrevistas muito mais interessantes e, como consequência, faturar ainda mais.

Falta ética para acabar com o ‘mamãe eu quero’ no futebol!

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Fulaninho nasceu pobre e cresceu na periferia. Jogava futebol descalço no campo de terra batida de sua comunidade, driblava os adversários e os entulhos de lixo ao mesmo tempo. Foi descoberto por um empresário e virou estrela mundial. Ganhou e ganha muito dinheiro, mas também gasta além do que deveria gastar. Por isso, precisa faturar cada vez mais com o intuito da tão falada independência financeira, tudo para manter o padrão de vida que dizem ser necessário para a felicidade.

Essa é uma história fictícia da coluna, mas ao mesmo tempo a mais real. E para alcançar cifras cada vez mais altas – seja para ostentar em uma noitada acompanhado de belas mulheres, com carros de parar o trânsito, roupas de grife, ou apenas para dar conforto à família quando a cabeça for mais ajuízada – os jogadores viram marionetes de mentes maquiavélicas do futebol, sempre movidos por interesses que não condizem com a paixão característica do esporte.

Não sou ninguém para julgar com o que o atleta deve gastar seu dinheiro, ou quanto ele deve ganhar. Porém, acho que como jornalista eu tenho o dever de alertar para que os excessos sejam punidos por torcedores e dirigentes – os poucos éticos que existem – para o bem do futebol brasileiro.

Carlitos Tevez cresceu em Fuerte Apache, favela de Buenos Aires (ARG). Explodiu no Boca Juniors, mas começou a ganhar dinheiro desenfreadamente no Corinthians. Passou por West Ham, Manchester United e Manchester City, todos da Inglaterra. Em comum, sempre deu chilique para abandonar seus clubes, mesmo recebendo em dia.

Esse tipo de irresponsabilidade se tornou corriqueira no Brasil. O jogador assina um contrato com altas cifras, cobra para que o salário esteja em dia, mas de repente diz que tem outra proposta – ou que está deprimido – e se não ganhar três vezes mais não joga por aquele time. Com medo do investimento ir para o limbo, os acuados dirigentes concordam em vendê-lo por menos do que está estipulado no papel. Foi assim recentemente com Kleber, no Cruzeiro e no Palmeiras, com o próprio Tevez, afastado do City, e agora com Montillo, entre outros casos.

Duas medidas necessárias para o bem do futebol: a primeira é que clubes que oferecem salário ao jogador antes de se acertarem com o detentor dos direitos federativos deveriam ser severamente punidos pela Fifa. Em segundo lugar, enquanto um clube não bater o pé e deixá-lo treinado com a base por anos, até o fim do contrato, essa algazarra de “mamãe eu quero” vai continuar.

Lembrando que o Fulaninho, revelado no início desse texto, é um garoto com pouco estudo que carece de esclarecimentos, informação e de vez em quando até de uma boa lição para aprender. Muitas vezes, a família fica acuada pelo dinheiro do garoto e não tem o peito que o pai de Neymar sempre teve para segurá-lo nos eixos. Outras vezes, a família é ainda mais problemática que a extravagância do filho famoso.

O problema é cobrar dos cartolas que ensinem um pouco de ética aos garotos, sendo que, em sua grande maioria, são homens barbados que não sentem a mínima vergonha em fingir que desconhecem a palavra.

Clubes estão gastando sem planejamento

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

O brasileiro ainda não aprendeu a ter dinheiro no bolso e gasta desenfreadamente. O reflexo desse consumismo inconsequente já começa a aparecer nos clubes de futebol. A saúde financeira no futuro é preocupante com a irresponsabilidade dos dirigentes, que depois não respondem pelas dívidas, como acontece com o indivíduo comum.

Em tempos de crise econômica mundial, o Brasil ainda mantém um crescimento significativo no poder aquisitivo, mas vê ao mesmo tempo um número alto de inadimplência. Quanto mais dinheiro no bolso, mais o cidadão gasta, mesmo com coisas desnecessárias, principalmente artigos de luxo.

Esses artigos caríssimos, com preços abusivos e fora da realidade, mas que encontram consumidores dispostos a pagar, também passaram a existir no mercado da bola.

O Corinthians foi o primeiro novo-rico ao oferecer 40 milhões de euros por Carlitos Tevez, cerca de R$ 101 milhões. O presidente Andrés Sanchez estava amparado na bolada que receberá da TV Globo pelos direitos de transmissões das próximas temporadas.

E a lei mais antiga do comércio, a proporção entre a oferta e a procura, já faz com que todos os reforços procurados pelo Timão estejam com o preço inflacionado.

Claro que é ótimo o futebol brasileiro conseguir se igualar ao patamar europeu em salários e para a contratação de jogadores. A questão é apenas se vale a pena.

O Santos abriu mão de receber a multa rescisória de 45 milhões de euros para manter Neymar. Mas o craque traz muito retorno ao clube. Tanto na parte de marketing, valorizando a marca, quanto em cativar novos adeptos. Na visão do torcedor, dinheiro no futebol serve para reforçar o time, certo? E qual o reforço que seria melhor do que Neymar para o Santos? Nenhum!

Já o Palmeiras pagou cerca de 6 milhões de euros por Valdivia e 3 milhões de euros por metade dos direitos de Kleber. Sabia que ambos eram jogadores problemáticos e que estavam mais interessados em dinheiro para as noitadas do que em ajudar o Alviverde. O investimento foi pelo ralo. Aliás, um dinheiro que o clube não tinha para gastar, como aquele cidadão que se enche de prestações para comprar algo que possa ostentar e, depois de se enforcar nos juros, perde o bem e fica devedor na praça.

Agora vejo os olhos dos clubes endinheirados flertarem com Montillo, do Cruzeiro. A saúde financeira dos mineiros não é das melhores e, claro, vão abrir um leilão pelo meia – a oferta e procura. O preço estipulado é de 15 milhões de euros, cerca de R$ 36 milhões. Pense bem torcedor, se vale pagar tudo isso por um jogador – de muita qualidade técnica – mas que brilhou apenas nos últimos anos de sua carreira, aos 27 anos de idade…

O Flamengo já questiona o investimento de R$ 1 milhão por mês para Ronaldinho e os mais sensatos criticam o Grêmio por ter bancado a contratação de Kleber pagando cerca de R$ 500 mil por mês ao jogador.

Mas se os brasileiros, por natureza, estiveram sempre mais acostumados em adquirir novas dívidas do que traçar um planejamento financeiro, será que vão reclamar dos dirigentes rasgando dinheiro dos clubes sem pudor?!

Direitos iguais para todos com as cotas de TV!

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Quando a Rede Globo viu a água bater no nariz, com o Clube dos 13 preparando as licitações para negociar as transmissões do futebol em todas as mídias de forma mais justa do que a preferência dada à emissora desde que me conheço por gente, sussurrou no ouvido de Corinthians e Flamengo prometendo vantagens aos clubes mais populares do Brasil com o intuito de provocar o racha.

Era a hora dos clubes mostrarem união para terem poder de negociação, mas quando cada um pensa no próprio umbigo e rema para o seu lado, a corrente fica fraca. Se na Espanha Barcelona e Real Madrid, que negociam individualmente seus direitos, já estudam redução para não prejudicarem o campeonato, nós no Brasil estamos na idade da pedra ainda tentando fazer o processo inverso.

Fora o jogo sujo político do presidente da CBF, Ricardo Teixeira, que coincidentemente reconheceu o título brasileiro de 1987 do Flamengo na semana do racha, e o egocentrismo do presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, que foi à Copa na África do Sul para fortalecer alianças e ganhar estádio, os dois clubes de maior torcida no Brasil precisam entender que ninguém entra em campo sozinho.

Defendo uma posição radical que todos deveriam aderir à licitação justa, para quem oferecer mais pelas transmissões, e que a divisão deveria ser igual. Isso mesmo, me chame de louco, mas acho que Flamengo e Avaí – por exemplo – deveriam receber a mesma quantia, assim o futebol brasileiro ficaria mais equilibrado, de forma justa, com muitos clubes fortes criando mecanismos de levar o torcedor ao estádio e gerar outras receitas.

Está na hora de aprender um pouco com o profissionalismo dos esportes americanos, que têm regras para manter a mínima igualdade dos times e deixando a Liga cada vez mais valorizada. Assim ganha todo mundo!