Já ouvi muito falar que o futebol é sujo! Não deveria, apesar do lado passional, prefiro tratar o esporte como um negócio, profissional. Uma pena ainda termos poucos profissionais sérios para a importância desse mercado no Brasil. Sou otimista, nosso marketing esportivo evoluiu, os clubes têm mais poder econômico, a estrutura de alguns centros de treinamentos são invejáveis… mas grande parte de dirigentes ainda acha que está acima do bem e do mal.
Depois de passar alguns dias de folga no fim do ano, me enchi de satisfação enquanto atualizava os acontecimentos do futebol: Alexandre Pato fechou com o Corinthians e Montillo com o Santos, conforme o LANCE! havia noticiado no plantão de Natal.
Olha que li muitos e-mails de cruzeirenses revoltados com nossa equipe porque estávamos “forçando” a situação do meia argentino, coro que ganhou força com a frase do presidente do Cruzeiro, Gilvan de Pinho Tavares, dias antes de concretizar a transferência: “Não procede essa informação de que está próximo do acordo. Nós não tivemos interesse na proposta que o Santos apresentou semana passada e não é verdade que o Montillo esteja próximo de acertar com o Santos”.
O maior problema não é tentar manter a negociação em sigilo, se negar a falar ou não atender o telefone. É a irresponsabilidade de manipular a massa com frases que não são verdade. Tivemos também outros casos. O presidente do Palmeiras, Arnaldo Tirone, tentou explicar o sumiço de Valdivia com versão diferente do gerente de futebol César Sampaio. Barcos e seu irmão divergiram sobre o futuro do atacante no Palestra Itália. E, por último, o empresário Antenor Joaquim cravou ao LANCE! que Jobson não jogaria no São Caetano antes de entrar em uma reunião, que selou a contratação do polêmico jogador, sendo que já havia deixado o Barueri por se recusar a jogar em um time sem torcida, como o Azulão.
Um dos pontos principais da formação de caráter de um homem homem é perceber que manipular e possuir são possíveis com relação a objetos, mas quando falamos de relações com outras pessoas, falamos de sentimento. O sentimento às vezes interfere de tal forma que pode impedir de enxergarmos como as coisas são, dificultando o acesso à verdade. Por isso a boa educação não deve erradicar os sentimentos, mas ser transparente com as outras pessoas para o convívio em sociedade. Caso contrário, iremos perpetuar o estágio atual que nos encontramos, onde não se acredita em nenhum valor e onde as respostas emocionais são imprevisíveis, como defende o escritor britânico C. S. Lewis.
Está na hora das torcidas aprenderem a desconfiar das versões oficiais, assim como boa parte da nossa imprensa. De cobrarem transparência no futebol para não serem tratados como palhaços em um circo sem a mínima graça. E aos que continuam achando que não falar a verdade faz parte da profissão, meus mais profundos pêsames.













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