Em 2002 eu trabalhava como monitor do acampamento Nosso Recanto, não era permitido assistir televisão durante o expediente e recebi a confirmação do rebaixamento do Palmeiras no Brasileirão pelo meu coordenador na época, Pereira. No ano seguinte acompanhei a odisseia com o Botafogo e a volta triunfal.
Os garotos Vagner Love, Lúcio, Diego Souza e Edmílson eram carismáticos, perfeito para a carente torcida, que sofria desde a saída da Parmalat em 2000 e eliminação da Libertadores em 2001. No jogo que selou a subida, vitória sobre o Sport, em Garanhuns, eu também estava no NR, mas desta vez outro coordenador, Paulo Rogério Madá, me deixou encarregado de ficar na sala de TV com os convidados que queriam ver o confronto.
O ano de 2003 foi a reconstrução do orgulho Palmeirense. Neste período eu conheci a Gabriela, uma pessoa especial que mudou minha vida ao me incentivar a fazer a faculdade de jornalismo. Mas orgulho e crescimento não foram palavras que inflamaram a política alviverde.
Vagner Love se tornou ídolo, e Mustafá acabou com a esperança de uma volta triunfal. Uma derrota dolorida nos pênaltis para o Paulista de Jundiaí do Estadual, com um gol mágico de Pedrinho no último lance, a eliminação traumática na Copa do Brasil para o Santo André e uma vaga na Libertadores foram o máximo sem o camisa 9 nos jogos decisivos do Paulistão e negociado no meio do Brasileirão. Eu já via tudo mais de perto, foi quando entrei como estagiário da diagramação do LANCE!.
O ano seguinte começou com Bonamigo e terminou com Leão. Um time de Marcinho, Juninho Paulista e Gamarra. Eliminação da Libertadores para o Tricolor e um modesto nono lugar no Paulistão foram esquecidos com nova vaga na Libertadores, após triunfo épico sobre o Fluminense no Palestra Itália. E 2005 foi o ano do conturbado título do Corinthians/MSI e da minha primeira matéria assinada no LANCE!: “O segredo dos artilheiros”.
Marcelo Vilar teve de assumir o time na Libertadores de 2006 porque ninguém mais aguentava o Leão. O interino quase levou o Palestra a uma vitória sobre o São Paulo, acabou prejudicado pela arbitragem no fim em pênalti marcado para o rival. Tite assumiu bem, até ser demitido por Palaia. Outro rebaixamento só não aconteceu graças a tropeços de Ponte Preta e Goiás. Enquanto isso eu cobria pela TV LANCE! o auge do São Paulo, sobrando no Brasileiro.
Em 2007, com Caio Júnior, nova decepção do Paulistão e eliminação na Copa do Brasil para o Ipatinga. A classificação para a Libertadores, consolação por algumas vezes, escapou na última rodada com derrota para o Atlético-MG em casa. Cobri a tragédia ignorada pelos palmeirenses, que fizeram festa na saída do estádio com a confirmação do rebaixamento do rival Corinthians.
Luxemburgo voltou ao clube em 2008 com uma parceria: a Traffic. Um belo time montado acabou com o jejum de 12 anos sem levantar uma taça ao sagrar-se campeão paulista sobre a Ponte Preta. O São Paulo ainda sobrava no Brasileirão com uma arrancada incrível, mas desta vez o Verdão tinha pelo menos forças para brigar pelo título e garantir vaga na Libertadores. Eu já era editor do LANCE!, uma ascesão que nem esperava, mas graças a muito trabalho.
Com uma equipe mais jovem, Luxa fez o Verdão e Keirrison – acreditem! – voarem no início do Estadual de 2009, porém, o Santos de Neymar supreendeu nas quartas. A Libertadores teve os momentos emocionantes, como o gol de Cleiton Xavier no último minuto contra o Colo Colo (CHI) e a vitória sobre o Sport nos pênaltis. Até que desavenças entre o treinador e a diretoria pela saída do K9 para o Barcelona encerraram outro ciclo de Vanderlei. Jorginho assumiu e surpreendeu. O título do Brasileirão ficou ainda mais perto com as chegadas de Vagner Love e Muricy Ramalho. Até que… o que parecia ganho se tornou um pesadelo. Nas últimas dez rodadas somou apenas nove pontos e não foi nem para a Libertadores. Belluzzo, que tinha feito tudo o que podia, se perdeu em sua paixão ao ver o projeto se desmantelando com um fim melancólico, iniciado em um erro de arbitragem contra o Fluminense e terminado com uma briga entre os companheiros Obina e Maurício contra o Grêmio. O L! também tinha seu projeto audacioso e fui convidado para fazer parte da equipe que lançaria um jornal popular do grupo: o MAIS.
Ano de Copa do Mundo tira um pouco o foco, fato. Ruim com Muricy e pior com Antonio Carlos, o Palmeiras repatriou três ídolos para tentar se levantar: Kleber, Valdivia e Luiz Felipe Scolari. Nada fez efeito e o time sofreu novo vexame ao ser eliminado pelo Goiás em casa na Sul-Americana. Eu já tinha dado minha colaboração ao jornal irmão caçula do LANCE! e estava de volta à redação ao maior Diário Esportivo do país. Toda a esperança ficaria para o ano seguinte.
Arnaldo Tirone foi eleito presidente. E 2011 começou com boa campanha no Paulista, mas acabou eliminado pelo Corinthians nos pênaltis. A coisa só iria piorar com o ambiente enfervecido por Scolari e a saída forçada de Kleber, que mudaria seu status de ídolo para inimigo dos palestrinos. Uma derrota vexaminosa por 6 a 0 para o Coritiba na Copa do Brasil e luta contra o rebaixamento no Nacional de novo. Na temporada, como editor dos dois clubes, acompanhei mais de perto o Santos campeão da Libertadores, com Muricy, e o Corinthians conquistando o Brasileirão, com Tite. Coitados dos palmeirenses!
Nada tinha mudado para 2012, a não ser a chegada de Barcos, um grande jogador pedido por Felipão. Mas por um milagre daqueles comuns na vida do treinador, o Palmeiras conquistou a Copa do Brasil. Era tudo perfeito para um ano histórico em 2013, com a inauguração da Arena Palestra Itália. O limitado time achou que poderia curtir o título sem riscos. Scolari já não fazia mais efeito nos vestiários e Gilson Kleina chegou para ficar marcado como o técnico do rebaixamento. O Alviverde não esboçou nem uma reação e caiu com duas rodadas de antecedência.
Foram exatos 10 anos e um dia nesse período. Fiz minha faculdade de jornalismo, estagiei, virei repórter e editor. Ganhei 15kg, tive alguns amores, conheci muita gente. Joguei futebol todo esse tempo pelo Ouro Preto, meu time de futebol de várzea que completou 10 anos em 2012 também. Sofri com a SeleLANCE!, duas vezes eliminada na Copa de Imprensa depois de fazer melhor campanha. Uma das minhas irmãs, Giuliana, morou no Canadá, voltou e está indo para Dubai. A Camila casou! Perdi pessoas queridas, me frustrei, fiquei feliz, aprendi a viver em um novo mundo regido pelos personagens virtuais e de relações descartáveis. O jornalismo mudou completamente, o JT fechou as portas, a TVLANCE! virou LANCE!TV… Os jogadores se blindaram com assessores e ensaiaram mais frases, o Brasil passou de campeão mundial a coadjuvante da Espanha. Chorei com a volta por cima de Ronaldo, chorei de novo com sua aposentadoria e chorei mais ainda com São Marcos.
O Corinthians ganhou a Libertadores…
Só que a política do Palmeiras continua a mesma, com as mesmas pessoas ultrapassadas, agora dez anos mais velhas. A cena do presidente Arnaldo Tirone na praia do Leblon um dia após o descenso, resume o que foi essa década para o Palestra Itália: areia! E estamos falando do maior campeão nacional de todos os tempos, que não merece esses dirigentes incapazes de respeitar até o luto da torcida.
A capa do LANCE! foi perfeita: “Volta Palmeiras, mas volta diferente!”














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