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Posts com a Tag ‘Brasileirão’

A retrospectiva do deserto palmeirense

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Em 2002 eu trabalhava como monitor do acampamento Nosso Recanto, não era permitido assistir televisão durante o expediente e recebi a confirmação do rebaixamento do Palmeiras no Brasileirão pelo meu coordenador na época, Pereira. No ano seguinte acompanhei a odisseia com o Botafogo e a volta triunfal.

Os garotos Vagner Love, Lúcio, Diego Souza e Edmílson eram carismáticos, perfeito para a carente torcida, que sofria desde a saída da Parmalat em 2000 e eliminação da Libertadores em 2001. No jogo que selou a subida, vitória sobre o Sport, em Garanhuns, eu também estava no NR, mas desta vez outro coordenador, Paulo Rogério Madá, me deixou encarregado de ficar na sala de TV com os convidados que queriam ver o confronto.

O ano de 2003 foi a reconstrução do orgulho Palmeirense. Neste período eu conheci a Gabriela, uma pessoa especial que mudou minha vida ao me incentivar a fazer a faculdade de jornalismo. Mas orgulho e crescimento não foram palavras que inflamaram a política alviverde.

Vagner Love se tornou ídolo, e Mustafá acabou com a esperança de uma volta triunfal. Uma derrota dolorida nos pênaltis para o Paulista de Jundiaí do Estadual, com um gol mágico de Pedrinho no último lance, a eliminação traumática na Copa do Brasil para o Santo André e uma vaga na Libertadores foram o máximo sem o camisa 9 nos jogos decisivos do Paulistão e negociado no meio do Brasileirão. Eu já via tudo mais de perto, foi quando entrei como estagiário da diagramação do LANCE!.

O ano seguinte começou com Bonamigo e terminou com Leão. Um time de Marcinho, Juninho Paulista e Gamarra. Eliminação da Libertadores para o Tricolor e um modesto nono lugar no Paulistão foram esquecidos com nova vaga na Libertadores, após triunfo épico sobre o Fluminense no Palestra Itália. E 2005 foi o ano do conturbado título do Corinthians/MSI e da minha primeira matéria assinada no LANCE!: “O segredo dos artilheiros”.

Marcelo Vilar teve de assumir o time na Libertadores de 2006 porque ninguém mais aguentava o Leão. O interino quase levou o Palestra a uma vitória sobre o São Paulo, acabou prejudicado pela arbitragem no fim em pênalti marcado para o rival. Tite assumiu bem, até ser demitido por Palaia. Outro rebaixamento só não aconteceu graças a tropeços de Ponte Preta e Goiás. Enquanto isso eu cobria pela TV LANCE! o auge do São Paulo, sobrando no Brasileiro.

Em 2007, com Caio Júnior, nova decepção do Paulistão e eliminação na Copa do Brasil para o Ipatinga. A classificação para a Libertadores, consolação por algumas vezes, escapou na última rodada com derrota para o Atlético-MG em casa. Cobri a tragédia ignorada pelos palmeirenses, que fizeram festa na saída do estádio com a confirmação do rebaixamento do rival Corinthians.

Luxemburgo voltou ao clube em 2008 com uma parceria: a Traffic. Um belo time montado acabou com o jejum de 12 anos sem levantar uma taça ao sagrar-se campeão paulista sobre a Ponte Preta. O São Paulo ainda sobrava no Brasileirão com uma arrancada incrível, mas desta vez o Verdão tinha pelo menos forças para brigar pelo título e garantir vaga na Libertadores. Eu já era editor do LANCE!, uma ascesão que nem esperava, mas graças a muito trabalho.

Com uma equipe mais jovem, Luxa fez o Verdão e Keirrison – acreditem! – voarem no início do Estadual de 2009, porém, o Santos de Neymar supreendeu nas quartas. A Libertadores teve os momentos emocionantes, como o gol de Cleiton Xavier no último minuto contra o Colo Colo (CHI) e a vitória sobre o Sport nos pênaltis. Até que desavenças entre o treinador e a diretoria pela saída do K9 para o Barcelona encerraram outro ciclo de Vanderlei. Jorginho assumiu e surpreendeu. O título do Brasileirão ficou ainda mais perto com as chegadas de Vagner Love e Muricy Ramalho. Até que… o que parecia ganho se tornou um pesadelo. Nas últimas dez rodadas somou apenas nove pontos e não foi nem para a Libertadores. Belluzzo, que tinha feito tudo o que podia, se perdeu em sua paixão ao ver o projeto se desmantelando com um fim melancólico, iniciado em um erro de arbitragem contra o Fluminense e terminado com uma briga entre os companheiros Obina e Maurício contra o Grêmio. O L! também tinha seu projeto audacioso e fui convidado para fazer parte da equipe que lançaria um jornal popular do grupo: o MAIS.

Ano de Copa do Mundo tira um pouco o foco, fato. Ruim com Muricy e pior com Antonio Carlos, o Palmeiras repatriou três ídolos para tentar se levantar: Kleber, Valdivia e Luiz Felipe Scolari. Nada fez efeito e o time sofreu novo vexame ao ser eliminado pelo Goiás em casa na Sul-Americana. Eu já tinha dado minha colaboração ao jornal irmão caçula do LANCE! e estava de volta à redação ao maior Diário Esportivo do país. Toda a esperança ficaria para o ano seguinte.

Arnaldo Tirone foi eleito presidente. E 2011 começou com boa campanha no Paulista, mas acabou eliminado pelo Corinthians nos pênaltis. A coisa só iria piorar com o ambiente enfervecido por Scolari e a saída forçada de Kleber, que mudaria seu status de ídolo para inimigo dos palestrinos. Uma derrota vexaminosa por 6 a 0 para o Coritiba na Copa do Brasil e luta contra o rebaixamento no Nacional de novo. Na temporada, como editor dos dois clubes, acompanhei mais de perto o Santos campeão da Libertadores, com Muricy, e o Corinthians conquistando o Brasileirão, com Tite. Coitados dos palmeirenses!

Nada tinha mudado para 2012, a não ser a chegada de Barcos, um grande jogador pedido por Felipão. Mas por um milagre daqueles comuns na vida do treinador, o Palmeiras conquistou a Copa do Brasil. Era tudo perfeito para um ano histórico em 2013, com a inauguração da Arena Palestra Itália. O limitado time achou que poderia curtir o título sem riscos. Scolari já não fazia mais efeito nos vestiários e Gilson Kleina chegou para ficar marcado como o técnico do rebaixamento. O Alviverde não esboçou nem uma reação e caiu com duas rodadas de antecedência.

Foram exatos 10 anos e um dia nesse período. Fiz minha faculdade de jornalismo, estagiei, virei repórter e editor. Ganhei 15kg, tive alguns amores, conheci muita gente. Joguei futebol todo esse tempo pelo Ouro Preto, meu time de futebol de várzea que completou 10 anos em 2012 também. Sofri com a SeleLANCE!, duas vezes eliminada na Copa de Imprensa depois de fazer melhor campanha. Uma das minhas irmãs, Giuliana, morou no Canadá, voltou e está indo para Dubai. A Camila casou! Perdi pessoas queridas, me frustrei, fiquei feliz, aprendi a viver em um novo mundo regido pelos personagens virtuais e de relações descartáveis. O jornalismo mudou completamente, o JT fechou as portas, a TVLANCE! virou LANCE!TV… Os jogadores se blindaram com assessores e ensaiaram mais frases, o Brasil passou de campeão mundial a coadjuvante da Espanha. Chorei com a volta por cima de Ronaldo, chorei de novo com sua aposentadoria e chorei mais ainda com São Marcos.

O Corinthians ganhou a Libertadores…

Só que a política do Palmeiras continua a mesma, com as mesmas pessoas ultrapassadas, agora dez anos mais velhas. A cena do presidente Arnaldo Tirone na praia do Leblon um dia após o descenso, resume o que foi essa década para o Palestra Itália: areia! E estamos falando do maior campeão nacional de todos os tempos, que não merece esses dirigentes incapazes de respeitar até o luto da torcida.

A capa do LANCE! foi perfeita: “Volta Palmeiras, mas volta diferente!”

Barcos estava sozinho, Fred não…

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Barcos e Fred sempre foram decisivos neste Brasileirão. Uma pena que os dois atacantes entraram em campo ontem para um duelo desigual. Com o desespero do rebaixamento, o palmeirense não teve o mesmo suporte que o tricolor para triunfar.

Um exército poderoso e organizado estrategicamente contra um aglomerado de alguns valentes, outros perdidos, culminou no quinto título nacional do Fluminense pelos pés de Fred, o líder de uma era vitoriosa do clube das Laranjeiras.

Na primeira etapa o equilíbrio entre os dois camisas 9 começou com oportunidades perdidas. Barcos subiu livre, de cabeça, mas mandou para fora. O capitão do Flu respondeu com o mesmo fundamento e viu a bola tocar na trave.

Porém, o momento e a qualidade técnica dos companheiros passou a pesar. O centroavante Fred teve mais espaço quando virou ponta, deixou o miolo da área para Rafael Sobis fazer o pivô. Fechando pela diagonal da ponta para o meio, ele pegou o rebote de Bruno e marcou o primeiro no último lance antes do intervalo.

O segundo gol veio com o mesmo posicionamento, Fred fechou pela direita e cruzou: Maurício Ramos tentou cortar e fez contra.

Já Barcos sofria forte marcação, tentava girar de costas para o gol, sempre com um marcador na sobra porque Obina não encostava e não abria espaços, era peso morto.

Sem inteligência dos companheiros com a bola rolando, o argentino teve que usar a sua no posicionamento, aproveitando a bola parada, como sempre. Balançou a rede com gol de artilheiro que sabe fazer bonito ou feio, mas faz.

Assim como Fred, o palmeirense repetiu a dose logo depois e atraiu a marcação na área. Patrick Vieira surgiu livre logo atrás e fechou o olho para mandar na rede.

O jogo ficou nervoso, a esperança nos pés dos decisivos. Só que festa se faz em grupo, e tragédia se consolida quando só um pode salvar. Os dois foram heróis, como sempre, mas Fred fez o terceiro do Flu e garantiu o que era garantido.

Santos: Só deu fome e sono até o castigo no fim!

sábado, 10 de novembro de 2012

Sábado de plantão alongado com a rodada noturna dos clubes paulistas no Campeonato Brasileiro. Ainda bem que pudemos entrar um pouco mais tarde e dormi até a hora do almoço, pois seria difícil enfrentar o sono assistindo o primeiro tempo do Santos contra o Atlético-GO, no Bezerrão.

Claro que a importância do confronto já dava indícios do desinteresse, mas sempre fica a esperança de ver Neymar fazendo algo mirabolante. Poderia ser um jogo para colocá-lo na briga pela artilharia, mas o camisa 11 ficou devendo para o torcedor do Distrito Federal com apenas algumas arrancadas pela esquerda.

Destaco como positiva a chegada de Felipe Anderson na ponta do losango, formado com Adriano, Henrique e Arouca. O meia ganhou confiança após a saída de Ganso e encosta mais para tabelar com o pivô André.

Mas foi pouco, me chamou menos a atenção do que o alvoroço na redação do LANCE!, dos que estavam escalados para o jogo do Corinthians, quando chegaram as pizzas pedidas para o jantar.

O cheirinho de comida me torturou ainda mais, então comecei a questionar o repórter Bruno Cassucci se não veríamos um chute a gol pelo menos. No mesmo minuto veio o gol, que não foi de chute, mas pela cabeça de Bruno Rodrigo, no estilo Muricybol.

Faltando cinco minutos para o fim do jogo, nada havia mudado. Então o time da casa aproveitou a preguiça santista para empatar. Justo! Mas a virada foi castigo, com toque do árbitro na jogada e pênalti ridículo de Rafael.

Comemorar faz parte do futebol

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Fico irritado em alguns casos de saudosismo no futebol. Quando a comparação com o passado ocorre de forma demasiada, torna tudo mais amargo. Falar que o jogo de antigamente era mais bonito, jogadores mais craques, que atuavam por amor a camisa… Cada tempo é um tempo e compará-los não é matemática, não faz sentido. Mas para alguns temas seria bom um túnel do tempo com o intuito de percebermos o quanto estamos chatos hoje em dia. O melindre com as comemorações de gols talvez seja um dos que mais me incomoda.

Quando o Viola imitou um porco contra o Palmeiras na final do Paulistão de 1993, sabe o que os jogadores do Verdão fizeram? Engoliram a provocação e jogaram muita bola na segunda partida da decisão, respontendo com uma goleada e título em cima do rival. Agora, Romarinho comemora e Luan vem tirar satisfação como um cão raivoso, como se aquilo fosse fazer algo pelo time.

O pior é saber que Luan pode ficar fora o mesmo tempo que Neymar, suspenso depois de levar o terceiro amarelo por correr no Couto Pereira comemorando um gol. Absurdo!

Romário, o original, cansou de calar o estádio com bola na rede e gesto para a torcida. Muitas já sofreram com isso, mas faz parte do futebol. Hipocrisia falar que isso incita violência, que é responsabilidade de imbecis fantasiados de torcedores. Esses sim não fazem falta em quaisquer tempos.

Usem o passado como bom senso, para recuperarmos o bom senso. Comemorar faz parte do futebol!

A difícil missão de achar um bom técnico e mantê-lo em alta

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

O torcedor do Palmeiras vive o pior momento. Nesta quinta-feira foi confirmada a demissão de Luiz Felipe Scolari do comando técnico da equipe. Uma medida drástica para ver se o time ainda reage na luta contra o rebaixamento. Mas a diretoria cogita Emeron Leão para o cargo. É para acabar com a esperança de qualquer um! Como deixar que um treinador tão ultrapassado, fracassado recentemente no São Paulo, ser cogitado? E fica o dilema no Palestra: um treinador boleiro para deixar os jogadores à vontade ou um carrasco para o tratamento de choque? Bom, pelo menos alguns já sonham em não ter que ver mais Luan, Marcio Araujo e outros em campo.

Muricy Ramalho continua sendo um caso a ser estudado pelos gurus dos treinadores. Vitorioso e contestado, sempre! Na pior fase do Santos dos últimos anos, o clube ainda foi campeão paulista recentemente. Mas sem Neymar tem aproveitamento de time da zona do rebaixamento do Brasileirão. E parece que a paciência da torcida vai se esgotando com o estilo de jogo Muricibol, ou seja, no chuveirinho que mais parece uma goteira.

Ney Franco chegou como o salvador no São Paulo. O tricolor acredita que o time tem potencial e ficou parado no tempo com o Rei Leão. Mas com o novo comandante já se passaram 18 jogo e nada. O técnico ainda mexe mal e não dá jeito na defesa, já é uma decepção para alguns são-paulinos. O mineirinho é devagar demais para a necessidade de um título no clube?

Quem diria que Tite, tão contestado no início de trabalho no Corinthians, é hoje o treinador que mais agrada sua torcida?! Talvez por fazer de um time sem estrelas individuais se tornar em um grupo tão forte, o corintiano já nem liga mais para as vitórias por 1 a 0. O pragmatismo virou eficiência. A Fiel assiste os rivais de camarote, pelo menos até o Mundial de Clubes da Fifa, com o risco de pegar um novo Mazembe.

Qual a saída para o Verdão? Felipão deve sair?

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

O palmeirense esperou tanto por um título… não merece isso que está acontecendo após a conquista da Copa do Brasil. Sempre discursei que haviam equipes bem piores e que a reação ia acontecer no Brasileiro. Passaram-se mais de dez rodadas e nada. Até essas equipes piores reagiram.

Sempre acreditei que faltava um pouco de sorte ao Alviverde, derrotado mesmo jogando melhor. Mas a sorte não veio e o jogando melhor acabou. Tanto faz!

A maneira com que a equipe se entregou diante de Atlético-MG e Vasco encurrala qualquer otimista. Sair na frente em São Januário e depois assistir os zagueiros assistindo os vascaínos subirem do jeito que queriam na área é muito triste para os torcedores, que têm sido exemplares, espetaculares.

Será que não é hora de Felipão pedir as contas? Ele já fez muito pelo Palmeiras, e fará mais ainda se entender que não pode mais dar um choque nos jogadores. O discurso de Cesar Sampaio no Rio de Janeiro tinha essa brecha nas entrelinhas.

E você, palestrino? Acha que o prazo de Felipão se expirou e essa é uma das únicas alternativas para tentar um milagre?

Palmeiras acerta ao diminuir o preço do ingresso

sábado, 8 de setembro de 2012

O clima de apoio da torcida empurrou o Palmeiras na vitória sobre o Sport, quinta-feira, no Pacaembu, sem dúvida nenhuma. E os mais de 30 mil presentes no estádio foram incentivados pelo desconto de 50% nos ingressos dado pela diretoria do clube, uma medida sensata no momento de desespero que vive o Verdão na classificação do Campeonato Brasileiro.

O que me incomoda é saber que os bilhetes de arquibancada só custaram R$ 20 reais, que não é de graça mas pode-se considerar preço justo, por uma situação excepcional.

Reclamamos dos estádios vazios no Brasil e sempre citamos como causa o desinteresse por competições inchadas e horários ruins para a locomoção do torcedor. Mas dificilmente falamos em preço. Afinal, nos orgulhamos de dizer que nossa economia cresceu, que novas classes sociais adquiriram poder de compra e esbanjamos dinheiro com um padrão de vida altíssimo no país.

Mas gastar cerca de R$ 500 reais para ver um show da Madona só tem funcionado porque é eventual. O futebol precisa de fidelidade na renda arrecadada em muitas partidas da temporada, como funciona com os carnês para o ano todo vendidos pelos principais clubes europeus.

Agora faça uma simples conta de custo e benefício para os dirigentes atentos: é melhor ter 10 mil pagantes em um jogo com ingressos vendidos por R$ 40 ou 20 mil por R$ 20 cada um? A renda de R$ 400 mil seria a mesma em ambos os casos. Mas com as entradas mais baratas, a força nas arquibancadas seria dobrada. Isso sem falar no que o crescimento pode trazer: venda de produtos licenciados, adesões em programas de sócio-torcedor, identificação com o time…

Pelo serviço precário que oferecem nos estádios por aqui, deveria ser mais barato ainda, e sempre!

As lições da NFL para o futebol brasileiro

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Após o fechamento aqui do LANCE! desta quarta-feira, procurei meu amigo corintiano no messenger para falar que o mistão em Florianópolis prejudicou o Palmeiras, mesmo com a “pressão” sobre o Figueira no fim. Ele respondeu que não viu o jogo porque estava acompanhando a primeira partida da temporada da NFL, a Liga de Futebol Americano. Logo depois um são-paulinho me chamou para perguntar por que o Tricolor não passou de um empate diante do Intenacional em casa: também estava assistindo New York Giants x Dallas Cowboys.

Não é de hoje que percebo o desinteresse pelo Brasileirão. Estádios vazios, muitos jogos na televisão, horários ruins… E assim o futebol americano vai ganhando cada vez mais espaço no Brasil. Desta vez a bola oval não foi transmitida apenas pela ESPN, que tem já o seu público cativo, um pouco mais elitizado pelos pacotes de TV por assinatura. O Esporte Interativo deve impulsionar ainda mais a popularidade com o alcance da televisão aberta e pela internet.

Não sou louco de dizer que a NFL vai ultrapassar o futebol no gosto dos brasileiros, longe disso. Mas a questão é que uma competição mais profissional, responsável coma saúde financeira de suas equipes, equilibrada, organizada, com uma tabela de horários fixos e de acordo com a necessidade do torcedor, com dirigentes que colocam os interesses do esporte acima de tudo, que trabalham nas franquias porque são profissionais e não precisam beliscar rendas com transações obscuras, entre outros inúmeros itens, mostra que a bola redonda ainda está na idade da pedra no Brasil. E isso chama a atenção dos apaixonados por esportes, que direcionam certa parte da atenção para a liga que vai tratá-los como consumidores de um mercado lucrativo.

Não é à toa que o Esporte Interativo, uma marca moderna com extrema influência no público de formadores de opinião da internet que atua na mídia esportiva comprando os direitos de transmissões dos principais eventos do mundo, se interessou pelo nítido crescimento do futebol americano no Brasil.

Espero que esse começo de nova concorrência pode servir de start para que os dirigentes do futebol abram os olhos rumo à tão esperada profissionalização de todos os setores do esporte. Há muito o que aprender com a NFL, e uma fatia dos torcedores já começou a perceber isso.

Os mesmos erros do Santos sem Neymar

domingo, 2 de setembro de 2012

Neymar em campo é sinônimo de improvisação, arte, habilidade… mas sem ele o Santos fica tão previsível que eu poderia escrever uma análise tática da equipe que serviria para todos os jogos sem o craque. Toques de lado, excesso de cruzamentos – errados – e falhas de marcação culminaram em mais um revés no Brasileiro, mesmo jogando melhor que o Sport.

Muricy Ramalho poderia ter deixado o time mais ofensivo ontem escalando Bernardo ou Victor Andrade para a articulação ao lado de Felipe Anderson, porém, o escolhido foi Gerson Magrão. Apesar de ser um símbolo das opções escassas para substituir a Joia, Gerson não foi mal. Mas atuando como um volante pela esquerda para auxiliar Juan na marcação, o time não poderia ter sofrido um gol aos três minutos de jogo com um cruzamento de Cicinho bem por ali.

Adriano ficou na cabeça de área e Arouca teve mais liberdade pela direita, foi bem quando fechou pela diagonal. Em uma dessas foi derrubado, falta escandalosamente não marcada.

Felipe Anderson esteve sonolento e displicente como sempre e Patito estabanado, assim a bola não chegava no pé de André.

Na segunda etapa Muricy corrigiu com Victor Andrade no lugar de Juan. Gerson virou lateral e fez a bola chegar na cabeça de André, que descontou. O time acelerou o ritmo, mas não soube desatar o nó defensivo do Sport.

Nenhum erro justifica o chilique de Tite. Puro barraco!

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Eu nunca estou em casa no horário da novela, mas alguns dias que pude jantar fora da redação comecei a reparar na gritaria da TV enquanto a Gi, minha namorada, assistia Avenida Brasil. Confesso que a trama começou a me interessar e assisti alguns capítulos decisivos, como a grande maioria dos brasileiros. Claro que os fatos apelativos colaboram para a grande audiência, e no fim todos somos um pouco influenciados pela trama.

Talvez esse fato possa explicar o chilique do técnico Tite no último domingo, após a derrota corintiana para o Santos, por 3 a 2, na Vila Belmiro. Revoltado com a arbitragem do auxiliar Emerson de Carvalho, que validou um gol de André com três impedimentos no mesmo lance, o comandante perdeu a sua postura de calmabilidade para adotar o jeito Carminha de ser. Os berros, os olhos esbugalhados e os socos na mesa foram dignas de atitude de oscar, uma grande atuação ao nível de Adriana Esteves.

Será que a Avenida Brasil nos torna um pouco mais neuróticos ou é um espelho da tolerância zero que as pessoas têm hoje em dia? Intolerância essa que fez Tite descarregar um caminhão de melancias em Neymar:

- O Guilherme (Andrade) foi pisado por ele. Quantas partidas jogamos contra eles e que nível de lealdade teve o Corinthians? Falo de forma categórica: teve lance de deslealdade do Corinthians? No jogo aqui, o Emerson foi expulso por um carrinho imprudente. Depois que o árbitro deu o vermelho, o Neymar se levantou e acabou. Perder e ganhar faz parte, mas simular é mau exemplo para garoto, para quem está crescendo. Tem de dar um chega.

Se Neymar simula ou não é outra discussão, mas da forma como foi exposto pelo treinador a vergonha é para Tite, ainda mais pelo seu cargo. Mas a Joia santista também aprendeu com um personagem da novela: Nina! Foi categorico e dissimulado ao dizer que ia da consciência dele, pois a sua estava tranquila. Sim, o santista tem também o seu lado malvado vingativo, mas sabe fazer os rivais se passarem por loucos.

Já o bandeirinha então pode ser o Max, aprontou e se arrependeu. Foi punido mais severamente do que outros que também erraram feio neste campeonato.

A situação causou um grande mal estar na Vila do Divino Belmiro. Dirigentes santistas entendem que o Corinthians deve pedir publicamente desculpas. Eu concordo que, de cabeça fria, Tite poderia reconhecer que errou também e isso não pode ser justificado pelo erro dos outros. Enquanto isso, o barraco segue rolando solto na Avenida Brasileirão.