Os seguidos fracassos do Imperador e as passagens pífias por São Paulo e Corinthians, por falta de comprometimento, caíram em esquecimento pela torcida do Flamengo.
Não há como explicar a força do amor. Mesmo naquele relacionamento mais conturbado, cheio de obstáculos e cada vez mais idealizado do que vivido, o apaixonado sempre acredita que tudo pode ser diferente, como se tivesse o poder de usar uma borracha para apagar as decepções e um lápis para reescrever novos capítulos. E claro que no futebol, tão passional, não poderia ser diferente.
Durante um treino recreativo do Flamengo na manhã de sábado, o atacante Adriano foi pela primeira vez ao campo depois de sacramentar o seu retorno ao Flamengo, no início desta semana. E não é que cerca de 300 torcedores presentes nas arquibancadas aplaudiram o Imperador!
“Só depende dele para provar que pode voltar”, era o pensamento compartilhado e declarado pelos flamenguistas presentes na Gávea, ignorando completamente os seguidos fracassos profissionais e pessoais do atleta nos últimos anos.
Só mesmo o amor dessa torcida para confiar em alguém que já traiu a esperança de muitos outros. A lembrança do goleador na conquista do título de campeão brasileiro de 2009 cega o Flamengo, como aquele que vive de memórias da longínqua boa fase de um relacionamento, sem perceber o tempo passar, esperando que os dias melhores voltem. A inércia da paixão!
Um amigo meu costuma dizer que quem vive de passado é museu, e é preciso abrir os olhos para perceber a linha tênue entre a insistência no amor ou na burrice.
Todo mundo tem a sua hora de tirar o time de campo, reconhecer que não dá mais para sonhar com algo que só é bom quando se está dormindo, não no mundo real.
Que esse torcedor do Flamengo saiba a hora de acordar para retomar a seriedade no clube, ou mais um fracasso vai acabar em pizza.














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