O brasileiro ainda não aprendeu a ter dinheiro no bolso e gasta desenfreadamente. O reflexo desse consumismo inconsequente já começa a aparecer nos clubes de futebol. A saúde financeira no futuro é preocupante com a irresponsabilidade dos dirigentes, que depois não respondem pelas dívidas, como acontece com o indivíduo comum.
Em tempos de crise econômica mundial, o Brasil ainda mantém um crescimento significativo no poder aquisitivo, mas vê ao mesmo tempo um número alto de inadimplência. Quanto mais dinheiro no bolso, mais o cidadão gasta, mesmo com coisas desnecessárias, principalmente artigos de luxo.
Esses artigos caríssimos, com preços abusivos e fora da realidade, mas que encontram consumidores dispostos a pagar, também passaram a existir no mercado da bola.
O Corinthians foi o primeiro novo-rico ao oferecer 40 milhões de euros por Carlitos Tevez, cerca de R$ 101 milhões. O presidente Andrés Sanchez estava amparado na bolada que receberá da TV Globo pelos direitos de transmissões das próximas temporadas.
E a lei mais antiga do comércio, a proporção entre a oferta e a procura, já faz com que todos os reforços procurados pelo Timão estejam com o preço inflacionado.
Claro que é ótimo o futebol brasileiro conseguir se igualar ao patamar europeu em salários e para a contratação de jogadores. A questão é apenas se vale a pena.
O Santos abriu mão de receber a multa rescisória de 45 milhões de euros para manter Neymar. Mas o craque traz muito retorno ao clube. Tanto na parte de marketing, valorizando a marca, quanto em cativar novos adeptos. Na visão do torcedor, dinheiro no futebol serve para reforçar o time, certo? E qual o reforço que seria melhor do que Neymar para o Santos? Nenhum!
Já o Palmeiras pagou cerca de 6 milhões de euros por Valdivia e 3 milhões de euros por metade dos direitos de Kleber. Sabia que ambos eram jogadores problemáticos e que estavam mais interessados em dinheiro para as noitadas do que em ajudar o Alviverde. O investimento foi pelo ralo. Aliás, um dinheiro que o clube não tinha para gastar, como aquele cidadão que se enche de prestações para comprar algo que possa ostentar e, depois de se enforcar nos juros, perde o bem e fica devedor na praça.
Agora vejo os olhos dos clubes endinheirados flertarem com Montillo, do Cruzeiro. A saúde financeira dos mineiros não é das melhores e, claro, vão abrir um leilão pelo meia – a oferta e procura. O preço estipulado é de 15 milhões de euros, cerca de R$ 36 milhões. Pense bem torcedor, se vale pagar tudo isso por um jogador – de muita qualidade técnica – mas que brilhou apenas nos últimos anos de sua carreira, aos 27 anos de idade…
O Flamengo já questiona o investimento de R$ 1 milhão por mês para Ronaldinho e os mais sensatos criticam o Grêmio por ter bancado a contratação de Kleber pagando cerca de R$ 500 mil por mês ao jogador.
Mas se os brasileiros, por natureza, estiveram sempre mais acostumados em adquirir novas dívidas do que traçar um planejamento financeiro, será que vão reclamar dos dirigentes rasgando dinheiro dos clubes sem pudor?!
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