Em um texto que li no jornal “The New York Times” recentemente, o autor Neal Gabler lamentou que a era da Informação tenha nos transformado em acumuladores de fatos e não pensadores. Acho que isso reflete muito no mundo atual, inclusive no futebol. Jogadores, técnicos e dirigentes insistem em culpar a imprensa por algumas cobranças que consideram injustas. Porém, a maior teia de aranha do mundo, a internet, impulsiona isso com muito mais complexidade.
As redes sociais ecoam opiniões que mudam a cada segundo, possibilitando assim a construção de heróis dentro do esporte e a mutação dos mesmos para vilões sem a menor profundidade. Muitas vezes passamos a mensagem de alguém para frente sem fazer uma análise cuidadosa se aquela é realmente nossa opinião duradoura ou se é apenas um espasmo de desabafo.
Sim, o futebol é passional e sempre fez uma gangorra com seus protagonistas. Mas agora que tudo é registrado em 140 caracteres no Twitter, a massa acaba influenciada por um moderno telefone sem fio, aquela brincadeira de criança que mostrava o poder do homem em deturpar uma mensagem.
Os torcedores fazem uma espécie de recorte nos pensamentos daqueles que consideram como referência e depois colam tudo de uma vez para se “expressarem”. Nem sempre faz sentido.
Claro que a força não tem apenas o seu lado negro. Fica ao alcance de qualquer interessado usar a ferramenta para cobrar direitos e deveres, podendo até iniciar manifestações, como contra Ricardo Teixeira na CBF. Mas para que surta efeito, é preciso executar a campanha viral com inteligência. Precisamos voltar a ser pensadores. Caso contrário, estaremos fadados aos cinco minutos de fama.















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