
O tema sempre volta à tona e a grande maioria dos torcedores defende que um jogador pode fazer o que bem entender em seu horário de folga. Eu não sou médico, mas ouvi alguns sobre o caso de Adriano no Corinthians. Se o tendão do tornelo esquerdo teve que ser reconstruído e está se fortalecendo, forçá-lo durante a noite dançando funk, como fez o Imperador no último fim de semana, vai miná-lo para a hora de cumprir o programa de fisioterapia. Ou seja, mesmo que cumpra a risca seus horários, o que estava programado pode se tornar um esforço extra sem o repouso necessário. E isso serve para qualquer trabalhador afastado por problemas físicos, inclusime para mim, que trabalho na maior parte do tempo sentado. Para um atleta profissional, se é que podemos chamar o atacante corintiano assim, é pior ainda.
Caso fosse normal e fizesse bem para sua recuperação, era só mandar os fisioterapeutas embora e matriculá-lo na escola de dança do Carlinhos de Jesus. Agora, se a volta fora adiada, se sentir nova lesão, os cornetas de plantão vão falar da incompetência dos médicos, como já aconteceu no rival Palmeiras. por isso que a comissão do Timão não está nada satisfeita com Adriano. Prova disso é que Joaquim Grava não foi enfático ao dizer se o Imperador já podia abusar nas pistas das noitadas.
O repórter Caio Carrieri falou com o médico que, assim como os torcedores, se acha no direito de ficar irritado quando a questão é levantada. lembrando que não se trata de uma costumeira festa de um jogador profissional, mas um quase ex-atleta de pé imobilizado e mancando.
Confira a entrevista:
LANCENET!: Boa tarde, doutor. É o Caio, do Diário LANCE!, tudo bem?
Joaquim Grava: Tudo.
LNET!: O senhor está ocupado?
JG: Não, pode falar.
LNET!: Gostaria de saber sobre o Adriano. Como está a recuperação dele?
JG: Ele está em tratamento e está cumprindo todos os seus deveres.
LNET!: No último sábado ele foi visto dançando hip-hop em uma boate no Rio. Ele está liberado para fazer esse tipo de esforço?
JG: Quem libera é o clube. Eu só trato dele. Não tenho condições de liberá-lo. No fim de semana ele tem o direito de fazer o que quiser. Não é prisioneiro…Tenho 35 anos no futebol, já operei vários jogadores que eram piores que ele e ninguém falava nada.
LNET!: Mas, no estágio atual da recuperação, ele pode dançar?
JG: Se ele pudesse dançar, eu seria o melhor médico do mundo. O engraçado é que eu não vejo matéria do Luis Fabiano na imprensa. Não vejo ninguém falando com Rene Abdalla (médico que operou o são-paulino, no dia 20 de maio).
Nota de Redação: No mesmo dia desta entrevista com Grava, quarta-feira, 8 de junho, o LANCENET! publicou matéria com o médico são-paulino analisando a situação clínica de Luis Fabiano.
LNET!: Em que etapa da recuperação ele está atualmente?
JG: Olha, se tivesse algo de errado com Adriano, eu seria o primeiro a falar. Eu sou médico, tenho as minhas atividades, não aguento ficar respondendo todo dia sobre Adriano. Por que você não liga para o Andrés (Sanchez, presidente)?
LNET!: Porque ele não é médico e foi o senhor quem fez a operação…
JG: Você acha que eu sou palhaço? Você está me desrespeitando (em tom elevado de voz). Exijo respeito, tenho 35 anos de futebol e sou um médico conceituado.
LNET!: Mas eu não estou desrespeitando o senhor…
JG: Está, sim. E quero ver você publicar alguma coisa do que eu te falei. Se publicar, eu te processo. Estamos entendidos?
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