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Resumo da rodada: Inter vai incomodar?

por Alessandro Abate em 29.set.2014 às 16:54h

Graças à irregularidade de Corinthians e São Paulo, a disputa por uma vaga no G4 está mais disputada do que nunca neste Brasileirão. E a luta contra o rebaixamento continua da mesma forma, acirrada e embolada. Já o Cruzeiro, que fazia uma campeonato à parte, pode ser ameaçado pelo Internacional em caso de vitória colorada na próxima rodada, em confronto direto disputado no Mineirão, em Belo Horizonte.

A vitória colorada neste domingo, por 4 a 2, sobre o Coritiba, deixa a equipe gaúcha a seis pontos da Raposa. Se triunfar contra o líder no próximo sábado, o Inter de Abel Braga poderá ficar apenas três pontos atrás.

E como entender a queda vertiginosa do São Paulo? A derrota por 3 a 1 para o Fluminense, no Morumbi, deixou a torcida são-paulina impaciente. A equipe brigava pelo título após um triunfo incontestável sobre o líder Cruzeiro, mas agora soma apenas um ponto dos últimos 12 disputados. Muricy Ramalho, que não estava no banco contra o Flu por problemas de saúde, pode repetir o fiasco de 2009, quando dirigia o Palmeiras na briga pelo título e nas rodadas finais ficou fora da Libertadores.

Mesmo na descendente, Muricy não é tão contestado por sua torcida como Mano Menezes no Corinthians. Diante do Atlético-PR, o Timão foi inoperante mais uma vez. Foi a primeira vez que o Alvinegro perdeu a 2 partida consecutiva no Brasileirão-2014, mas o excesso de empates e a falta de criatividade fazem o treinador ficar pressionado.

Grêmio e Galo venceram de novo e embolaram a parte de cima da tabela, jogando o Corinthians para a sétima posição.

Na zona perigosa do descenso, onde a situação era mais dramática, destaque para a vitória do Bahia, por 2 a 1, sobre o Flamengo. O Tricolor do Aço embalou e respira sob o comando de Gilson Kleina, que está em situação mais cômoda que o seu ex-clube, o Palmeiras.

A rodada poderia ter sido boa para o Verdão, que estava vencendo o Figueirense e escapando da zaona da degola até os 30 minutos do segundo tempo, quando o time da casa fez três gols em cinco minutos e afundou a equipe de Dorival.

O circo rege a impunidade no Brasil

por Alessandro Abate em 15.set.2014 às 22:33h

O meia Petros, do Corinthians, teve a pena de suspensão de 180 dias reduzida pelo Pleno do STJD. Depois do efeito suspensivo, vai cumprir apenas três partidas por ter trombado com o árbitro Raphael Claus no clássico contra o Santos. A punição inicial pode até ter sido exagerada, mas ainda prefiro o erro por excesso do que por omissão. Pior quando se pune para depois voltar atrás, é completamente desmoralizante e causa um reflexo negativo na sociedade. No Brasil tudo vira permitido porque sempre tem jeitinho para tudo.

O esporte poderia – e deveria – ser um espelho para refletir uma luz no fim do túnel, mas é justamente o contrário por aqui. Já os EUA, a coisa é bem diferente. O milionário Donald Sterling, proprietário de Los Angeles Clippers, foi banido da NBA por comentários racistas à sua esposa. E esse é apenas um exemplo.

Recentemente, um vídeo de uma câmera de segurança no elevador flagrou Ray Rice agredindo sua esposa. O atleta foi imediatamente demitido pelo Baltimore Ravens e suspenso por tempo indeterminado pela NFL, mesmo sendo uma das maiores estrelas do futebol americano atualmente. Inicialmente, antes do vídeo se tornar público, Rice,que foi campeão em 2013 com os Ravens, havia sido suspenso por duas partidas da temporada 2014, gerando críticas a Roger Goodell, comissário que comanda a NFL. Ou seja, a pena foi reparada para que o exemplo ficasse mais claro para a sociedade. E nem os apelos de Janay Rice, a mulher agredida, mudaram a decisão.

Outro caso polêmico contra a impunidade aconteceu na Copa do Mundo de 2014, quando o atacante uruguaio Luiz Suárez foi suspenso por nove jogo por morder o zagueiro italiano Chiellini.

No futebol brasileiro, os julgamentos parecem um circo. Argumentos esdrúxulos e falta de bom senso imperam entre os personagens bizarros. As punições não seguem um padrão e são motivadas muitas vezes por interesses clubísticos.

O Supremo Tribunal de Justiça Desportiva existe para proteger o esporte. Mas quem nos protege dele?

#Somostodosidiotas

por Alessandro Abate em 31.ago.2014 às 16:55h

Racismo é coisa de ignorantes. E esse ato repudiante vai continuar se repetindo enquanto for combatido com ignorância também. Não é uma campanha midiática chamando todos de macacos que vai fazer a sociedade entender a profundidade desse problema e a dor que ela causa às vítimas de ofensas racistas, como sofreu Aranha na última quinta-feira, em Porto Alegre. Que os entusiastas das hashtags me desculpem, mas eu não sou um macaco, sou um ser-humano, exatamente igual ao goleiro Aranha, aos volantes Aroucas e Tinga, ao zagueiro Paulão, ao lateral Daniel Alves e, principalmente, a todas as pessoas comuns e anônimas que são discriminadas todos os dias pelo mundo, seja pela cor ou por outro motivo.

Temos sim o dever de repudiar atitudes racistas, mas não temos o direito de fazer um linchamento covarde quando um caso vem à tona, o que já virou praxe no ambiente hostil da internet. Lutar contra um crime não é cometer outro escondido atrás de uma nuvem de hipocrisia.

A torcedora gremista flagrada pelas imagens da ESPN na Arena do Grêmio supostamente gritando “macaco” – é claro para mim que ela falou, mas é assim que a justiça tem de funcionar, não somos juízes de direito para condenar – vai ser ouvida pelas autoridades, e para isso serve a lei. Se for constatado que ela cometeu um crime, tem de ser punida. Esse é o caminho, e precisa de rigidez para que o ato não volte a ser cometido por outras pessoas. Porém, que justiça é essa que, minutos depois das imagens serem veiculadas na TV, já divulgava os perfis de redes sociais da cidadã para o início de um linchamento covarde com pessoas que usam termos e ameaças tão violentos quanto o racismo? Será que esses “justiceiros” sabem o que é respeito e igualdade social ou só agem assim para mostrarem engajamento com causas nobres?

Muita gente faz isso porque tem o mesmo nível de ignorância de uma pessoa preconceituosa. Isso precisa mudar com projetos de conscientização, que está diretamente ligada à educação do país. Só que fiquei espantado a irresponsabilidade de alguns jornalistas experientes, que deveriam ser algumas das cabeças pensantes da sociedade, apontando a moça para o ódio irracional como um símbolo de vingança.

A casa da gaúcha, que fica na Zona Norte de Porto Alegre, foi apedrejada. Ela ainda não havia sido encontrada. Também pudera, pode acabar sendo agredida de forma mais covarde ainda na rua.

Dessa forma damos passos largos no caminho de uma sociedade sitiada, onde a justiça será feita pelas próprias mãos e as autoridades não passarão de um modelo falido. Olho por olho, dente por dente.

Prefiro acreditar ainda que fiz uma faculdade de jornalismo para compartilhar repertório cultural com meus leitores. Levar a informação de forma clara para que todos tenham a capacidade de se engajarem por um mundo melhor. Inflamar a massa contra A ou B não vai sanar os nossos principais problemas. A luta é dura, mas tem de ser travada com inteligência.

Não vamos vencer o racismo com posts e ameaças na internet, é preciso fornecer conteúdo para conscientizar a população

Reprodução do LANCE! de domingo, 31/8/2014

É possível mudar com Muricy no comando?

por Alessandro Abate em 03.ago.2014 às 16:59h

São Paulo voltou com tudo após parada para a Copa do Mundo. Pena que esse ritmo alucinante e evolução tática só duraram um tempo da partida contra o Bahia, vitória por 2 a 0. Depois disso, o time de Muricy Ramalho não conseguiu desenvolver em campo o que se espera, considerando a qualidade do plantel.

E algo me chama atenção nas entrevistas concedidas pelo treinador após os fracassos. Ou Muricy justifica o placar enaltecendo o futebol da equipe, nos passando a impressão de que ele não deve ter assistido o mesmo jogo, ou o comandante detona tudo, como se não fosse responsável pela incompetência dos jogadores.

A impaciência de Muricy Ramalho com atletas, dirigentes, torcedores e jornalistas, se agrava a cada rodada do Brasileirão. Parece um complô, uma grande teoria da conspiração contra o indefeso treinador, que sabe tudo – a vasta lista de títulos conquistados no currículo prova isso – e não precisa se reinventar.

Ao contratar Kaká, argumentei com meus colegas de redação que a chance do treinador se atrapalhar com tantas opções para as mesmas posições era grande.

Muricy não tentou adequar uma formação tática para utilizar o potencial máximo de suas estrelas, e não foi a primeira vez que sofreu com esse dilema em sua carreira. Para ele, quando o craque não se adequa ao sistema, o treinador está isento de culpa em um eventual fracasso.

O Tricolor Paulista não tem uma defesa forte, isso está claro. Por mais que os jogadores do setor tenham qualidades técnicas, pecam no posicionamento e na hora de decidir as jogadas – o que também é responsabilidade de quem comanda. Desta forma, a tática de decidir os jogos nos detalhes, que consagrou Muricy Ramalho, não funciona. É preciso então um time que sufoque, que use a qualidade de Kaká, Ganso, Pato, Kardec e Luis Fabiano para marcar mais gols do que leva. E será que isso vai acontecer com Muricy?

Mentalidade retrógrada na Seleção Brasileira

por Alessandro Abate em 17.jul.2014 às 18:28h

Será interessante ver o trabalho do Palmeiras com o argentino Gareca no comando para a sequência do Brasileirão. Analisando seus antigos trabalhos, é notório que o treinador tem qualidade, porém, pode sofrer resistência dos jogadores, ou simplesmente não se adaptar.

Os hermanos Tobio e Mouche, contratados pelo Verdão a pedido do técnico, se apresentaram ontem falando que não terão tratamento especial, ideia já ventilada na cabeça de muitos torcedores temerosos em um motim patriota do elenco contra os “invasores”.

A escolha da diretoria palmeirense foi importante em um momento de reflexão para o futuro do futebol brasileiro. Quebra o ciclo dos mesmos nomes que trocam as cadeiras de “professores” nos clubes como se fossem peças de um carrossel, sem perspectiva de novos horizontes, forçando os mesmos cenários na mesma velocidade, podendo até causar náuseas.

Acredito que o conhecimento mais importante para a evolução do indivíduo e, consequentemente, de uma sociedade, é a troca de repertórios culturais entre as pessoas. Conhecimento adquirido na internet é valioso, mas pode não ter o mesmo efeito porque muitas vezes são aplicados como fórmulas prontas. A vida não permite um script pronto. E no futebol não é diferente!
Em uma Copa do Mundo espetacular no quesito técnico como a que acabamos de ver, notamos que a globalização do esporte evoluiu até os países mais improváveis. O intercâmbio de jogadores, as transmissões de campeonatos e a potencialização dos mercados contribuíram para a profissionalização. Assim, os bobos sumíram do futebol, como diz o velho ditado.

É soberba demais acharmos que somos o país do futebol e não precisamos trocar experiências para evoluir. Ou alguém ainda acha que se o Neymar permanecesse no Santos atingiria tal maturidade que mostrou nesse Mundial? Não estou falando menosprezar o que temos por aqui, mas em querer aprender mais, em sempre manter a mente aberta para crescer. Nosso povo tem sim o talento nos genes, mas é preciso desenvolvê-los, não ficar esperando que alguns desabrochem sem qualquer cultivo.

O trabalho de mudar o futebol no Brasil começa pelos professores responsáveis em desenvolver os talentos, em convencer os clubes a trabalhar com profissionalismo e planejar. Mas nossos técnicos não estão preparados para isso, têm repetido a mesma teimosia ao achar que podem ganhar dentro de campo como generais lutando contra os pessimistas e conspirações criadas pela mídia apenas por perseguição.

Vimos essa diferença gritante na Copa do Mundo entre Joachim Löw, da Alemanha, e Luiz Felipe Scolari, do Brasil, tanto no trabalho quanto na forma de atingir o resultado – no futebol é possível ser campeão mesmo sendo inferior, mas não tão campeão como esse time da Alemanha, perfeito dentro e fora de campo.

Eu apostaria em um treinador estrangeiro. Poderia até não dar certo, mas aprenderíamos muito. Está na hora de buscarmos novas saídas, ou cometeremos os mesmos erros.

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A Seleção Brasileira nesta Copa do Mundo estava tão preocupada em passar mensagens subliminares de união e garra que esqueceu de jogar futebol. Sobre Neymar, já até nos acostumamos a ver algumas de suas atitudes midiáticas, mas dentro de campo ele apresentou um bom futebol. Porém, me espantou um pouco a forma com que David Luiz foi abraçado pelo povo e suas falhas acabaram ofuscadas pela imagem forte que criou. O zagueiro falhou muito nas derrotas e saiu como herói. Louvável reconhecer sua vontade, mas pelo futebol ele merecia ser tão criticado quanto outros perseguidos.

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A escolha de Gilmar Rinaldi para o cargo de coordenador de Seleções da CBF é inexplicável. Além da imcompatibilidade de colocar um empresário de jogadores nessa posição, qual experiência ele acumula para isso? Gilmar éum homem correto, mas está na hora errada no lugar errado. É como pegar um dono de restaurante para gerir uma loja, falta bagagem.

O brasileiro não sabe perder!

por Alessandro Abate em 07.jul.2014 às 12:53h

Tenho pena da pessoa que abre uma rede social para perseguir alguém com ameaças e ofensas racistas. É inadmissível e injustificável. Pense então em fazer isso por causa de futebol, como no caso dos brasileiros que estão atacando o colombiano Zúñiga e sua família pela contusão de Neymar que o tirou da Copa do Mundo. Mostra que o lado irracional da paixão é capaz de estragar completamente a nobreza do esporte.

O brasileiro nunca priorizou essa tal nobreza. Quando perdemos, como em 1998, é porque o Mundial estava “comprado”. Em 2006 a culpa foi do Roberto Carlos, que estava arrumando o meião no lance do gol da França. Já na África do Sul, em 2010, criticamos Felipe Melo e Julio Cesar. Mas nunca fomos derrotados porque faz parte do esporte, porque o adversário mereceu. Afinal, nós somos o país do futebol e ninguém pode ser melhor em nenhuma hipótese.

Agora vamos enfrentar Alemanha na semifinal, um time montado há duas Copas com um trabalho magnífico dentro de campo. Jogadores carismáticos que mostraram fora de campo o que é ser ídolo de verdade quando se respeita cada fã. E que torceram pelo Brasil porque queriam enfrentar os melhores. Ganhando ou perdendo amanhã, nos ensinaram muito. Mas são poucos que estão dispostos a aprender.

O jeitinho brasileiro também invade nossa forma de torcer. E será bem mais coerente culpar Zúñiga em caso de eliminação. Ninguém vai falar que nossa Seleção poderia ter se preparado melhor. Então vamos continuar chorando com a contusão de Neymar como se ele nunca mais fosse jogar bola. Uma comoção desproporcional que parou o país, típica de mau perdedor. Sei que a Seleção vai terminar esse Mundial com dignidade, mas não espero o mesmo do povo caso o título não venha.

Festa no interior! Itu e Red Bull gigantes!

por Alessandro Abate em 07.abr.2014 às 15:48h

O Campeonato Paulista tem sido muito criticado ultimamente, assim como os outros estaduais, por apertar o calendário do futebol brasileiro de forma nociva. Enquanto discutimos se devem ou não acabar, alguns times do interior de São Paulo dão seus últimos, e profundos, suspiros. Ontem foi o dia do Ituano fazer história ao dar um passo importante rumo ao título, após vitória surpreendente sobre o Santos, por 1 a 0, no Pacaembu.

O Galo de Itu chegou ao quinto jogo sem levar um gol, fruto de uma equipe treinada por Doriva com um posicionamento perfeito e coeso por todo o campo, com jogadores que se entregam muito e capazes de aproveitarem as bobeiras dos adversários para liquidar as partidas.

A campanha não é por acaso, começa fora de campo com o excelente trabalho de Juninho Paulista como gestor. E esse tipo de administração extremamente profissional pode salvar o futuro de tradicionais equipes do interior paulista, ou de novas equipes que estão surgindo.

Novas como o Red Bull Brasil, que conquistou ontem o tão sonhado acesso para a elite do Paulistão e que pode ensinar muito para o nosso futebol com a proposta de marketing e gestão inovadoras. Uma lição para os tradicionais e arcaicos América de Rio Preto e Noroeste de Bauru, que ontem foram rebaixados na Série A3 e terão de disputar a quase amadora Segunda Divisão do Paulista (Quarta Divisão de acesso).

Claro que o dinheiro traz disparidades enormes dentro do futebol, mas o planejamento pode sim encurtar essa distância. Por isso o Ituano se tornou tão gigante quanto Juninho Paulista – na tradição de Itu, onde tudo é grande!

O Peixe foi muito mal na decisão, mas ainda tem plenas condições de vencer a segunda partida e conquistar o título. Mais condições que tinham Corinthians, São Paulo e Palmeiras. Oswaldo Oliveira tem um time técnico capaz de furar o ferrolho de Doriva, mas pode esbarrar na ansiedade dos garotos, que deve triplicar para o segundo jogo.

Mas agora a festa é do interior!

Visão da última rodada do Paulista

por Alessandro Abate em 23.mar.2014 às 21:32h

O clássico na Vila Belmiro mostrou a maturidade dos novos garotos do Santos, que souberam administrar a vantagem construída e finalizaram a primeira fase do Paulistão na liderança geral, após a vitória por 2 a 1 sobre o rival Palmeiras.

A mescla entre jovens e experientes coloca o Peixe como um dos favoritos ao título. Geuvânio mais uma vez brilhou com duas assistências e mostra que hoje é muito mais maestro do que Ganso, que já foi dono desse posto santista um dia. Já Thiago Ribeiro continua sendo objetivo e efetivo nas horas difíceis.

Um dos problemas do Santos nos últimos anos era a defesa, que sofria com a lentidão de Edu Dracena e Durval. Este ano, mesmo com os problemas de contusão, o setor tem crescido bastante durante a competição.

A maturidade da equipe de Oswaldo Oliveira é justamente o ponto fraco do Palmeiras. Ontem, a equipe de Gilson Kleina criou muitas oportunidades, principalmente no segundo tempo, mas esbarrou em grande exibição de Aranha e falta de capricho nas finalizações. Vejo um Verdão bem arrumado, ainda com potencial para ser campeão, mas falta tranquilidade nos jogos que precisam ser decididos nos detalhes.

A derrota para o Peixe pode não ter sido um desastre para o Alviverde, que tem boas perspectivas de um caminho mais fácil até a final.

O São Paulo corre por fora, sem tanto alarde depois de tantos altos e baixos durante a primeira fase da competição. Muricy gosta de chegar justamente assim, e já começa a encaixar peças importantes para arrumar a máquina. Ontem, com os reservas em campo, Ademilson e Lucas Evangelistas brilharam. Mostraram que são boas opções para o time na fase de mata-matas.

Enquanto isso o Corinthians vai tirar férias. Tempo para Mano Menezes refletir. A vitória sobre o fraco Atlético Sorocaba, por 3 a 0, não quer dizer muita coisa.

Foi uma rodada melancólica, sem surpresa entre os rebaixados e classificados. Um Paulistão de regulamento ruim que pode ficar ainda pior se outro grande tropeçar.

Visão da oitava rodada do Paulistão

por Alessandro Abate em 17.fev.2014 às 15:47h

Romarinho abriu o marcador no Pacaembu e o Déjà vu caiu com um doce sabor na boca do torcedor do Corinthians. Diante de um Palmeiras nervoso, era só a equipe de Mano Menezes segurar o resultado para dar uma boa limpada nas nuvens que andavam escurecendo o Parque São Jorge. Só que o gosto amargou com o gol de Alan Kardec, garantindo a invencibilidade do Verdão no ano – o único do Paulistão após a derrota do Santos, em Penápolis.

Mano não mereceu a vitória quando recuou sua equipe no melhor momento. Kleina também não mereceu vencer, mesmo com a ofensividade das últimas substituições, que demoraram muito para acontecer. Mas Fernando Prass – um gigante de defesas incríveis no clássico – e Kardec não mereciam o pior, e foram os que saíram mais fortalecidos do Pacaembu ontem.

Jadson fez boa estreia e saiu aplaudido, mostrando que pode ser peça importante no meio de campo corintiano para a temporada. E sua saída do jogo, assim como a de Romarinho, foram substituições cruciais para a quebra de ritmo, que foi fatal.

Outro grande clube que bobeou na rodada foi o São Paulo. Ceni disse que o time jogou bem taticamente contra a Portuguesa, já Ganso criticou a postura defensiva do adversário. Porém, a Lusa teve um gol mal anulado e criou as melhores chances, enquanto o Tricolor mostrou pouco entrosamento e falta de velocidade em campo. Muricy Ramalho segue mexendo muito, prejudicado pelo planejamento tardio da diretoria. Pabon, por exemplo, fez um bom jogo, mas ainda precisa de tempo para se adaptar totalmente.

Já a derrota do Santos não pode ser considerada como bobeada: foi um massacre do Penapolense. Os jogadores do Peixe saíram irritados e acusando os adversários por falta de humildade. Talvez a euforia do time do interior pela goleada aplicada, por 4 a 1, no time que tinha a melhor campanha do Paulistão tenha incomodado os santistas. Mas o Peixe, que era a sensação da competição com a garotada, não jogou nada e foi muito infeiror.

Novos estádios não podem ser mantidos apenas com futebol

por Alessandro Abate em 27.jan.2014 às 19:45h

A Arena das Dunas, em Natal, abriu as portas com jogos dos dois maiores clubes da cidade, ABC e América-RN, em rodada dupla, do Estadual e do Campeonato do Nordeste. Mesmo sendo um dos últimos a iniciar as obras, o que preocupava muita gente, o estádio foi finalizado dentro do novo prazo estipulado pela Fifa e não estourou o orçamento previsto.

Claro que no evento-teste ainda ficaram alguns pontos a serem aprimorados, mas começar logo com um desafio tão grande, comportando torcidas rivais e uma logística de duas partidas na sequência, mostrou preparo para a Copa do Mundo.

Em uma viagem a convite da OAS, empresa que vai administrar a Arena das Dunas – mais a Fonte Nova e a nova Arena do Grêmio –, conversei com Carlos Eduardo Paes de Barros, diretor-superintendente da OAS, sobre a operação necessária para manter o negócio lucrativo no futuro em uma cidade que não é um dos maiores centros do futebol brasileiro.

Questionamos muito a respeito do legado que a construção desses novos estádios vai deixar, mas talvez tenha nos faltado profundidade para estudar as possibilidades que as arenas multiuso podem proporcionar. No caso de Natal, a OAS participou de todos os processos de construção, facilitando assim a versatilidade do local. O novo modelo inaugura uma nova fase para o entretenimento e geração de fontes de renda, como redes de alimentação, ações de marketing, exposição de publicidade e eventos de grande e médio porte.

Um bar temático vai funcionar no local todos os dias, mesmo sem jogos. Uma praça em frente ao local pode abrigar grandes shows e feiras de exposição. Estes são só alguns exemplo de como devemos explorar mais as áreas esportivas do Brasil, não apenas em dias de jogos.

Claro que o acordo com os clubes locais também é essencial. No Rio Grande do Norte, por exemplo, ABC e América-RN vão mandar 60% de seus jogos na Arena das Dunas, o que pode aumentar a rentabilidade não só para a administradora, mas também para os clubes – apesar de o ABC já ter estádio, o Frasqueirão, por exemplo.

A questão é agora cobrar dos gestores dos novos estádios brasileiros que as obras possam agregar valor à sociedade local, passando a ser uma ferramenta de integração social, oferecendo serviço de qualidade para os clientes. Se os administradores esperarem que o futebol seja a única salvação financeira para a manutenção dos estádios, fatalmente vai ocorrer o que mais tememos no pós-Copa: eles se tornarem grandes elefantes brancos.

Que se inaugure uma nova era com as novas arenas, com o consumidor-torcedor tendo, essencialmente, conforto e sendo respeitado, seja qual for o evento que o estádio abrigará.

COSTUMES ANTIGOS

Os orientadores da Arena das Dunas tiveram trabalho para manter as pessoas no lugar marcado pelo ingresso. O público exige conforto nos novos estádios, quer ser tratado como cliente, mas segue agindo de forma primitiva. Não adianta ter pontos de acesso, cadeiras novas e serviços adequados se não houver uma nova conduta do próprio consumidor. O ingresso do futebol é hoje um dos mais caros programas de entretenimento e a conduta, tanto do serviço quanto dos clientes, precisa mudar.


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