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O lucrativo Porto FC é modelo para o Santos?

por Alessandro Abate em 26.ago.2015 às 21:47h

A janela de transferências da Europa fecha no dia 31 de agosto e o FC Porto já comemora o sucesso nas negociações. Porém, o grande mérito do clube português não foi apenas contratar, mas também vender, como é de praxe em sua história. A arrecadação chegou a 115 milhões de euros, um novo recorde para os dragões, superando a marca de 98,7 milhões de euros alcançada em 2004, quando o time venceu a Liga dos Campeões. No ano passado foram 83,8 milhões de euros para os cofres com venda de jogadores.

Enquanto discutimos novos modelos de negócio para o futebol, com maiores arrecadações em direitos de transmissões, marketing e programas de sócio-torcedor, entre outros, o Porto consegue manter paralelamente seu antigo sistema de lucro buscando atletas desconhecidos para valorizá-los e revendê-los. E não estamos falando de uma barriga de aluguel, já que o time que foi oito vezes campeão nacional desde 2003-2004, contra quatro vezes do rival Benfica. De lá para cá, estima-se que os dragões faturaram cerca de 650 milhões de euros apenas em negociações.

O grande sucesso a ser analisado nesse caso não é apenas o lucro, pois estamos falando de um clube de futebol, não de um estabelecimento comercial. Para que toda a engenharia funcione é preciso agradar também a torcida e brigar por troféus, quanto mais visibilidade melhor. Esse ano, por exemplo, foram gastos inéditos 20 milhões de euros para contratar o meia francês Gilbert Imbula, ex-Olympique, na contratação mais cara da história do futebol português, superando os 19 milhões de euros que pagou para contratar Hulk em 2008 (lembrando que o atacante brasileiro foi vendido ao Zenit, da Rússia, por 60 milhões de euros). O goleiro Iker Casillas e o atacante Pablo Osvaldo chegam como outros nomes de peso.

E nem sempre um clube de futebol tem de investir em promessas. O Porto mostra que essa mescla é importante para os jovens, um suporte dentro e fora de campo essencial até se adaptarem e despontarem. Com essas vantagens e uma ótima estrutura, o clube passou a ser considerado um dos melhores lugares para jogadores sul-americanos se adaptarem na Europa, uma vitrine para outros grandes do continente. Foi esse o caminho de Danilo e Alex Sandro. Os dois laterais deixaram o Santos em 2011 custando 13 e 9,6 milhões de euros, respectivamente. Agora foram negociados com Real Madrid e Juventus, por 31,5 e 26 milhões de euros.

Jackson Martinez para o Atlético de Madrid por 35 milhões de euros, Carlos Eduardo (Al Hilal), por 10 milhões, Casemiro (Real Madrid), por 7,5 milhões e Kléber (Beijing GuoAn), por 5 milhões, foram outros da América do Sul engordaram Dragão no ano.

A estratégia alinha valores cruciais das relações comerciais com itens indispensáveis no esporte e na formação de campeões. O resultado inspira outros clubes, mas a fórmula não funcionará em outro lugar se não for minuciosamente aplicada passo a passo em todas as esferas que podem influenciar no ambiente de um time de futebol.

Um modelo ultrapassado de gestão no futebol não é fracassado, desde que funcione com precisão e atinja resultados.

No Brasil, quem mais consegue se aproximar do modelo de negócios do Porto é o Santos. Porém, com uma enorme diferença: O Peixe não compra jogadores para revender depois, o grande lance na Vila Belmiro é fabricar seus próprio craques para exportação. Porém, ao contrário do clube português, o Alvinegro praiano não consegue aliar a arrecadação por venda de jogadores com outras importantes receitas para manter sua saúde financeira. Com renda muito mais baixa que a dos rivais e cotas menores de direitos de transmissão, a visibilidade é menor e isso atrapalha muito nos negócios, tanto como vitrine na valorização dos atletas quanto para manter uma boa equipe, contratando reforços para dar suporte aos garotos lançados da base.

Seleção Brasileira de cifras

por Alessandro Abate em 09.ago.2015 às 16:12h

O jornal espanhol “Marca” fez uma conta interessante e escalou uma seleção com as contratações mais caras da janela de transferências europeia ao custo de €405,5 milhões, aproximadamente R$ 1,5 bilhão. Surpreendentemente, temos três atletas brasileiros nessa equipe – e mais um reserva. Porém, se engana quem afirma que isso pode ser um bom indício para o futuro do futebol brasileiro, que vê sua Seleção amargurada em uma crise desde a eliminação na Copa do Mundo para a Alemanha.
Nossos representantes são o lateral direito Danilo, o lateral esquerdo Filipe Luís e o atacante Roberto Firmino. Douglas Costa figura entre os suplentes no banco, também listado pelo periódico esportivo espanhol.

Pegando como base o fiasco do Brasil na última Copa América, eliminado pelo fraco Paraguai nas quartas de final, não dá para confiar a esse trio acima o papel de protagonistas do único time que veste a tradicional Amarelinha e é pentacampeão mundial.

Danilo custou ao Real Madrid €31,5 milhões, cerca de R$ 120 milhões. O lateral jogou no América Mineiro e passou pelo Santos antes de brilhar pelo Porto. É uma das esperanças para a posição, que vive uma carência no Brasil há anos, mas lhe falta a liderança e o ímpeto de grandes ídolos que tivemos, como Djalma Santos, Carlos Alberto Torres, Leandro, Jorginho e Cafu, entre outros.

O mesmo problema detectamos na lateral esquerda. Filipe Luís foi do Chelsea para o Atlético de Madrid por €16 milhões (cerca de R$ 61 milhões). Além de pragmático, o jogador já mostra uma desvalorização de €4 milhões em relação ao que tinha sido pago pelo clube inglês ao mesmo espanhol.

Firmino, meia-atacante que também pode jogar de centroavante e marcou sete gols na última temporada pelo Hoffeinhem (ALE), custou aos cofres do Liverpool €41 milhões, aproximadamente R$ 157 milhões. Apesar de ser um jogador jovem, de 23 anos, em desenvolvimento, me arrisco a dizer que este também nunca vai passar de regular para bom aos olhos de quem ama futebol. O mesmo para o meia Douglas Costa, que mudou-se do do Shaktar Donetsk para o Bayern de Munique por €30 milhões, ou pouco mais de R$ 115 milhões.

No meu ponto de vista esses atletas citados são futebolistas medianos, que não entram em qualquer seleção de todos os tempos escalada pelos torcedores.

Eu poderia ilustrar o abismo entre nossos craques de hoje e os de ontem citando dezenas de jogadores que valiam muito mais dentro de campo do que fora dele, mas me perderia aqui com tantos nomes.

É claro que pode existir uma diferença brutal entre as cifras exatas e nossa avaliação do talento, que varia de pessoa para pessoa. Nem sempre os dois itens são compatíveis no balcão de negócios que se tornou o futebol. E a Seleção Brasileira se tornou muito mais uma vitrine desse lucrativo mercado do que uma equipe talentosa que joga com arte, a essência de nossa história.

Que ninguém aqui se engane com os números citados acima. Ter jogadores entre os mais valiosos do planeta não significa entre os melhores. E enquanto os melhores jogadores brasileiros forem apenas baseados em números, sofreremos muito pela frente.

Ganso é mesmo uma ave arisca

por Alessandro Abate em 21.jul.2015 às 17:13h

Ganso passou muito tempo insatisfeito no Santos, teve problema na Seleção Brasileira com Mano Menezes e permanece assim no São Paulo. Sua capacidade técnica é incontestável, com passes que podem deixar um atacante na cara do gol a qualquer minuto. Já a deficiência física do jogador precisa ser levada em conta, falta velocidade e um ritmo mais constante na movimentação em campo. Os prós e contras dividem opiniões: vale a pena ter um camisa 10 assim no futebol de hoje? Acredito que vai depender do time e, principalmente, de um bom técnico para montar uma formação adequada. Porém, o que fica difícil é ter alguém no grupo com temperamento imprevisível, como tem demonstrado Paulo Henrique ao longo dos anos.

Nos bastidores, já é nítida a movimentação do estafe de Ganso para sua saída do Morumbi. As justificativas de que ele se sente desvalorizado e praticamente “forçado” a buscar novos ares lembram muito os seus momentos no Peixe.

Para aqueles que não se recordam, Paulo Henrique sentou para negociar com o Corinthians em 2011, enciumado com o tratamento que o Santos dava a Neymar. O Alvinegro Praiano foi campeão da Libertadores e a transferência não vingou, já que a DIS, detentora de parte dos direitos econômicos do atleta, pensou que uma final do Mundial de Clubes poderia valorizá-lo para a tão sonhada venda aos gringos. A proposta nunca chegou e, em setembro de 2012, a cena foi a mesma, desta vez com o São Paulo, que aceitou pagar R$ 16,7 por 32% do maestro e contou com a ajuda da DIS para sacramentar tudo. Em sua última reunião, Ganso se recusou a cumprimentar Luis Alvaro Oliveira, presidente santista na ocasião.

Demorou para o torcedor do Peixe perceber que Ganso é uma ave arisca, que juras de amor nas entrevistas não refletem suas vontades fora das quatro linhas, que seu temperamento pode dar uma guinada tão brusca quanto a bola que sai caprichosamente de seus pés nos passes magistrais.

O técnico Juan Carlos Osorio prefere contar com o talento de um exímio camisa 10 e é contra a saída, pressionado pelo desmanche do elenco e as escassez opções para escalar o São Paulo. Porém, a permanência a contragosto pode custar ainda mais para o colombiano com a contaminação do ambiente. Os chiliques recentes que deu ao ser substituído mostram os nervos à flor da pele, em um cenário parecido vivido na Vila Belmiro.

Ganso vê no Orlando City uma boa oportunidade de fazer um contrato vantajoso financeiramente e jogando em um futebol onde pode brilhar tranquilamente. Isso não seria vantajoso para o São Paulo, que prefere dinheiro na mão pelo atleta ao invés de pagar uma dívida com a equipe norte-americana, empurrando a conta para frente. E esse cenário vai ficar ainda mais complicado daqui para frente.

Uma análise medíocre do futebol brasileiro

por Alessandro Abate em 14.jul.2015 às 15:07h

O Campeonato Brasileiro mostra até agora muito equilíbrio dentro de campo, mas não acho que isso pode ser considerado um elogio. É o resultado de times nivelados por baixo que oscilam muito entre um jogo e outro, prova disso é que Corinthians, São Paulo, Palmeiras, Grêmio e Fluminense viveram momentos de crise na competição, mas rapidamente alcançaram o pelotão de cima, mesmo sem um futebol primoroso. Já Vasco e Santos, que recentemente venceram o Carioca e o Paulista, respectivamente, brigam contra o rebaixamento. Ótimo que a disputa da nossa principal competição seja acirrada até o final, mas preciso continuar lutando para não cochilar ao assistir algumas partidas? É notória a falta de criatividade – tática e técnica – do futebol brasileiro, em decadência que se agrava a cada ano.

Fato é que nossos clubes se afundam em crises financeiras e de gestão, mas grande parte dos apaixonados só consegue observar a ponta do iceberg, que é o desempenho na classificação da competição. O São Paulo, por exemplo, saltou de um resultado com superávit de R$ 0,2 milhão em 2011 para um déficit de R$ 100,1 milhões em 2014. Não dá para culpar a desvalorização do produto futebol ou a crise financeira do país.

Porém, nosso torcedor não protesta contra essas atrocidades. A grande maioria dos rubro-negros que conheço não querem saber sobre o belo trabalho do presidente Eduardo Bandeira de Mello fez para que as contas fechassem na última temporada com um saldo positivo de R$ 64,3 milhões. Se o dirigente endividasse o clube e estivesse na primeira posição da tabela seria enaltecido, com foi Andrés Sanchez no Corinthians.

Para o bem do esporte bretão, está na hora de olharmos mais para fora das quatro linhas. As manobras da bancada da bola para mudar itens da MP 671 do Profut são tão importantes de debater nas redes sociais do que aquele gol perdido pelo pereba que veste a camisa do seu clube.

Vivemos em um mundo onde o fim é mais importante que o meio, e não deveria ser assim. Está na hora aplicarmos o fair play em nossas vidas para deixarmos ser medíocres.

A corrida pelo ouro do Brinco

por Alessandro Abate em 26.jun.2015 às 16:43h

O presidente do Guarani, Horley Senna, disse em entrevista ao LANCE! claramente que o clube poderia fechar suas portas por falta de verba, desistindo de disputar a Série C do Brasileirão. Soltou a bomba como se não houvesse amanhã, como se não houvesse consequências, mas logo recuou ao perceber o efeito de suas palavras irresponsáveis. Então editou o conteúdo, afirmando para outros veículos que estava mencionando apenas a parte social do Bugre. Ligou para o técnico Paulo Roberto Santos e tentou acalmar o elenco.

O estrago estava feito, segundo o próprio treinador, já que essas declarações causam efeitos irreversíveis. Há quem diga que é culpa da imprensa, que apenas noticiou o que foi dito, e não da má gestão praticada nas últimas décadas. Acho que o papel dos jornalistas poderia ter sido até melhor em relação à situação da equipe campineira.

Não mergulhamos a fundo nessa nebulosa disputa pelo Brinco de Ouro. A Maxion Empreendimentos Imobiliários, do Grupo Zaffari, arrematou o estádio por R$ 105 milhões em um leilão no último dia 30 de março. Enquanto isso, a Magnum, de Roberto Graziano, alega que tinha um acordo mais vantajoso com o Alviverde antes da execução, tentando convencer a Justiça de que o melhor é anular o leilão. O caso fez com que o Ministério Público do Trabalho pedisse o afastamento da juíza Ana Cláudia Torres Vianna, com a suspeita de que ela não estivesse sendo imparcial.

A medida tomada pelo MP impediu uma definição imediata do processo, já que a possibilidade de anulação do leilão permitiria o pagamento imediato aos credores e traria ao Guarani, por meio da Magnum, um “respiro” financeiro com o pagamento de verbas mensais referentes a patrocínios.

O próprio Horley desabafou após a intervenção do Ministério Público: “Se continuar assim, daqui a pouco, o Guarani não vai conseguir se manter vivo e nem poderá honrar seus compromissos”. E esse tom de criança mimada me parece o mesmo usado ao LANCE!, como se as ameaças de fechar o tradicional clube pressionassem a prefeitura de Campinas a “mexer uns pauzinhos”. O tiro então saiu pela culatra mais uma vez. O mandatário do Guarani vai precisar muito mais do que uma encenação para dar o Brinco de Ouro de bandeja para Roberto Graziano, com quem tem ligações fortes.

E quem perde nesse jogo de cifras milionárias é o torcedor, que fica cada vez mais distante do passados de glórias do clube com a perspectiva obscura do futuro.
Só espero que o bugrino de verdade torça para que o bom jornalismo ajude a clarear a verdade, e não se engane com veículos preparados para defender o presidente do Guarani a qualquer custo, literalmente!

Futebol no interior vive de muito amor

por Alessandro Abate em 27.mai.2015 às 16:35h

A discussão sobre o fim dos campeonatos estaduais não é nova. Um dos argumentos que concordo para acabarmos com essas competições é o aperto no calendário. Ver o Campeonato Brasileiro começar, uma semana depois das finais pelo país, sem nem dar tempo ao torcedor de criar uma boa expectativa é um fator que desvaloriza a maior competição nacional que temos. Porém, alguns dias, como o de ontem, me fazem repensar a ideia radical que poderia acabar com clubes pequenos tradicionais do nosso futebol. A vitória por 3 a 0 da Votuporanguense sobre o Taubaté, em partida da final da Série A3 do Paulistão, resgata para mim alguns aspectos importantes do esporte esquecidos na sua elite.

No último dia 13, eu estava torcendo por uma vitória da Votu pela identificação que tenho com a cidade e pelo amor ao clube de dois grandes amigos: João Carlos e Fábio Ferreira, que acompanham o time como comentaristas da Rádio Cidade. A vitória sobre o Grêmio Osasco acabou carimbando o acesso do clube à Série A2. Mas para a cidade não era um simples acesso. Via mensagem por telefone celular, Fábio me narrou a conquista com um amor que descreve a essência do futebol:

“Ale, foi histórico cara! Emocionante, pqp! Toda a diretoria chorando, estamos na A2. Em dois ou três anos aposto que chegaremos à elite. E melhor ainda, com o empate da Inter temos tudo para fazer a final e derrubar o estádio com um título. Seria histórico, e um final digno ao glorioso estádio Plínio Marin”.

A Votuporanguense garantiu vaga na decisão, como sonhava a torcida, que queria se despedir em grande estilo do seu estádio, vendido para um empreendimento imobiliário em troca de uma nova arena em outro local da cidade – mudança que divide opiniões entre os apaixonados.

Em reportagem de Leonardo Saueia e Gabriel Carneiro, o L! revelou histórias pitorescas da final, como a do chefe dos gandulas do CAV, Chicão, que tem dois filhos atuando pela equipe. E são essas histórias que tornam o futebol especial.

Fábio e João Carlos devem ter tido um domingo mais que especial ontem, com uma goleada por 3 a 0 que será narrada de pai para filhos nas ruas de Votuporanga. Por isso podemos rever os formatos e o calendário, mas não podemos nunca menosprezar a força desses clubes.

CBF não precisa de mais lucro

por Alessandro Abate em 13.mai.2015 às 20:33h

A polêmica envolvendo os naming rights do estádio do Palmeiras, comprado pela Allianz pelos próximos 20 anos por R$ 300 milhões, teve mais um capítulo bizarro na primeira rodada do Brasileirão, quando letreiros com o nome Allianz Parque no anel inferior tiveram a marca da seguradora alemã tampada.

Segundo a WTorre, foi uma determinação da CBF, que não permite que marcas que não têm acordo de patrocínio com o Brasileiro sejam exibidas naquela posição, já que Globo e CBF consideram esses letreiros uma segunda linha de publicidade estática, sendo a primeira linha as placas ao redor do campo.

Ao meu ver, faltou pulso firme ao Paulo Nobre, presidente do Verdão, ao dizer que clube e a WTorre não têm poder de vetar a decisão. Allianz Parque não é o nome do estádio? Então por que aceitar veto do nome na transmissão pela TV ou em letreiros de indicação no local? Só a detentora de direitos televisivos e a federação podem ganhar dinheiro?

Essa é uma forma de manter clubes brasileiros falidos e totalmente dependentes da CBF. Quando se discute a profissionalização no marketing e inovação para a captação de novas fontes de renda, os que obtém algum sucesso são retaliados.
Isso sem falar que na hora de construir modernas arenas para a Copa do Mundo no Brasil o discurso era de viabilizar o lucro, afinal, muito peixe grande engordaria com a subida desses monumentos. Porém, passado o frenesi, agora parece crime divulgar os naming rights – lembrando que o estádio do Palmeiras foi construído com investimento privado e não entrou na farra da Copa.

A resistência contra o Allianz Parque mingua ainda mais a esperança de outros clubes para obter esse tipo de patrocínio – e a sonhada venda do nome da Arena Corinthians fica a cada dia mais difícil.

Enquanto o lucro da CBF for mais importante do que o lucro dos clubes, nosso futebol continuará falido.

Verdão evoluiu rápido até a final do Paulistão

por Alessandro Abate em 20.abr.2015 às 19:40h

A classificação obtida na Arena Corinthians diante do maior rival coloca o Palmeiras na final com plenas condições de conquistar o título do Paulistão. Mesmo sendo um time montado para colher frutos com mais tempo de trabalho, tamanha a reformulação depois de quase ser rebaixado no Brasileirão do ano passado, o Verdão evoluiu rápido com o técnico Oswaldo de Oliveira. O clima de união entre os jogadores é nítido e o elenco mostra que tem bons valores para suprir qualquer titular.

A primeira fase da competição não serviu muito como parâmetro, o Verdão buscava sua melhor formação e nomes importantes demoraram para estrear. Oscilou bastante, mas teve a cooperação da torcida, que entendeu a necessidade de mais entrosamento e não cobrou a equipe nas atuações ruins.

Nas quartas, o placar apertado contra o Botafogo já mostraram o esboço de um Palmeiras mais maduro, sem desespero para furar a retranca e com variações táticas.

A semifinal era um teste de fogo. Além de pegar o Timão invicto, e quase imbatível em sua arena, Oswaldo deu azar de perder Zé Roberto por lesão e Victor Luis por suspensão, tendo que improvisar um zagueiro na posição. Mesmo sem atletas importantes, o treinador fez alterações ousadas quando perdia por 2 a 1 e foi premiado.

Arouca e Gabriel dão solidez ao meio para Robinho, Valdivia e Cleiton criarem. Rafael Marques é peça versátil na frente e a liderança de Prass e Zé Roberto agregam.

Patrocínio inoportuno mostra ganância de dirigentes

por Alessandro Abate em 14.abr.2015 às 16:10h

Quanto mais clamamos pela profissionalização do futebol brasileiro, quando mais discutimos formas alternativas de arrecadação para o fortalecimento dos clubes, mais aqueles dirigentes inescrupulosos ignoram a ética e o bem do esporte para agirem em causa própria. É isso que explica o fato da Federação Paulista de Futebol ter aceitado os patrocínios da Crefisa e Faculdade das Américas para a camisa dos árbitros na fase final do Paulistão. E o mais prejudicado foi o Palmeiras, que também é patrocinado pelas duas empresas na temporada.

Foi um dos acordos de publicidade mais inoportunos da história. Crefisa, FAM e FPF não precisavam disso. O dinheiro só serviu para uma propaganda ruim depois que torcedores passaram a cogitar um suposto esquema de favorecimento para o Verdão, por mais absurdo que pareça. O problema é que, pressionados pela opinião pública e discussões na mídia, os árbitros entram com um peso a mais para apitar as partidas do Palmeiras. Coincidência ou não, Marcelo Rogério teve uma atuação desastrosa no Allianz Parque, deixando de dar dois pênaltis para o Alviverde e errando em um lance crucial de impedimento do ataque do Botafogo, que por pouco não abriu o placar na derrota por 1 a 0.

Garanto que o árbitro Marcelo Rogério não ficou mais rico por usar a camiseta com as marcas estampadas, ganhou muito menos dinheiro que a FPF, responsável pelo negócio, mas teve a tarefa de apitar dificultada. Se eu estivesse em sua pele, marcaria contra o Verdão na dúvida.

Em um país onde a corrupção impera, agir contra o bom senso em tempos de internet fomenta o ódio e indignação. Mas alguns ainda agem como se estivessem acima da lei.

A Fifa passou uma recomendação à CBF para que o patrocínio fosse retirado, já que, segundo seu estatuto, esse tipo de patrocínio é proibido. O pedido foi acatado, mesmo com o presidente da comissão de arbitragem da FPF, Coronel Marcos Marinho, teimando que não havia nada de errado com a situação. O estrago já foi feito, e poderia ter sido muito maior.

Timão sofre diante de Ponte ‘mais leve’

por Alessandro Abate em 12.abr.2015 às 14:20h

A supremacia do Corinthians passou seus momentos de maior aperto na temporada diante da Ponte Preta. Jogando em casa, o Timão foi acuado pela equipe campinense na primeira etapa e só não saiu atrás do marcador graças a um erro da arbitragem, que anulou o gol legal de Renato Cajá, aos 37 minutos, assinalando um impedimento inexistente.

A ausência de Guerrero, diagnosticado com Dengue, pode ser uma das justificativas pela queda de rendimento da equipe, principalmente por não manter a posse de bola no campo de ataque.

Mesmo pior do que o adversário, o time de Tite ainda teve chances de abrir o marcador, principalmente com as infiltrações de Elias, Jadson e Renato Augusto pelo meio de campo. Mas a Macaca contra-atacava com velocidade e eficiência, usando bastante as laterais e ocupando o buraco entre a defesa e o ataque do Corinthians. Cássio trabalhou mais que Matheus Inácio.

Porém, depois do intervalo, o Timão passou a subir a marcação e conseguiu compactar mais as suas linhas, se expondo menos. Aos poucos então o setor ofensivo foi buscando mais espaço, pacientemente, já que as duas linhas de quatro da Ponte estavam bem alinhadas, deixando sempre um na sobra.

O gol corintiano surgiu após bela troca de passes para furar a retranca. Jadson deu de peito para Renato Augusto, que passou para Love fazer o pivô, de costas para o gol. Jogada ao melhor estilo “one-two” do videogame. O atacante devolveu para Renato finalizar. Matheus tocou nela, mas tão firme.

Em desvantagem, a Ponte Preta partiu para cima. Faltou ao melhor time do Paulistão contra-atacar. Postado atrás e correndo atrás dos rápidos Rildo e Biro-Biro, a zaga do Timão sofreu enquanto o relógio corria. Cássio teve que fazer pelo menos mais duas grandes defesas para garantir a classificação.