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É possível mudar com Muricy no comando?

por Alessandro Abate em 03.ago.2014 às 16:59h

São Paulo voltou com tudo após parada para a Copa do Mundo. Pena que esse ritmo alucinante e evolução tática só duraram um tempo da partida contra o Bahia, vitória por 2 a 0. Depois disso, o time de Muricy Ramalho não conseguiu desenvolver em campo o que se espera, considerando a qualidade do plantel.

E algo me chama atenção nas entrevistas concedidas pelo treinador após os fracassos. Ou Muricy justifica o placar enaltecendo o futebol da equipe, nos passando a impressão de que ele não deve ter assistido o mesmo jogo, ou o comandante detona tudo, como se não fosse responsável pela incompetência dos jogadores.

A impaciência de Muricy Ramalho com atletas, dirigentes, torcedores e jornalistas, se agrava a cada rodada do Brasileirão. Parece um complô, uma grande teoria da conspiração contra o indefeso treinador, que sabe tudo – a vasta lista de títulos conquistados no currículo prova isso – e não precisa se reinventar.

Ao contratar Kaká, argumentei com meus colegas de redação que a chance do treinador se atrapalhar com tantas opções para as mesmas posições era grande.

Muricy não tentou adequar uma formação tática para utilizar o potencial máximo de suas estrelas, e não foi a primeira vez que sofreu com esse dilema em sua carreira. Para ele, quando o craque não se adequa ao sistema, o treinador está isento de culpa em um eventual fracasso.

O Tricolor Paulista não tem uma defesa forte, isso está claro. Por mais que os jogadores do setor tenham qualidades técnicas, pecam no posicionamento e na hora de decidir as jogadas – o que também é responsabilidade de quem comanda. Desta forma, a tática de decidir os jogos nos detalhes, que consagrou Muricy Ramalho, não funciona. É preciso então um time que sufoque, que use a qualidade de Kaká, Ganso, Pato, Kardec e Luis Fabiano para marcar mais gols do que leva. E será que isso vai acontecer com Muricy?

Mentalidade retrógrada na Seleção Brasileira

por Alessandro Abate em 17.jul.2014 às 18:28h

Será interessante ver o trabalho do Palmeiras com o argentino Gareca no comando para a sequência do Brasileirão. Analisando seus antigos trabalhos, é notório que o treinador tem qualidade, porém, pode sofrer resistência dos jogadores, ou simplesmente não se adaptar.

Os hermanos Tobio e Mouche, contratados pelo Verdão a pedido do técnico, se apresentaram ontem falando que não terão tratamento especial, ideia já ventilada na cabeça de muitos torcedores temerosos em um motim patriota do elenco contra os “invasores”.

A escolha da diretoria palmeirense foi importante em um momento de reflexão para o futuro do futebol brasileiro. Quebra o ciclo dos mesmos nomes que trocam as cadeiras de “professores” nos clubes como se fossem peças de um carrossel, sem perspectiva de novos horizontes, forçando os mesmos cenários na mesma velocidade, podendo até causar náuseas.

Acredito que o conhecimento mais importante para a evolução do indivíduo e, consequentemente, de uma sociedade, é a troca de repertórios culturais entre as pessoas. Conhecimento adquirido na internet é valioso, mas pode não ter o mesmo efeito porque muitas vezes são aplicados como fórmulas prontas. A vida não permite um script pronto. E no futebol não é diferente!
Em uma Copa do Mundo espetacular no quesito técnico como a que acabamos de ver, notamos que a globalização do esporte evoluiu até os países mais improváveis. O intercâmbio de jogadores, as transmissões de campeonatos e a potencialização dos mercados contribuíram para a profissionalização. Assim, os bobos sumíram do futebol, como diz o velho ditado.

É soberba demais acharmos que somos o país do futebol e não precisamos trocar experiências para evoluir. Ou alguém ainda acha que se o Neymar permanecesse no Santos atingiria tal maturidade que mostrou nesse Mundial? Não estou falando menosprezar o que temos por aqui, mas em querer aprender mais, em sempre manter a mente aberta para crescer. Nosso povo tem sim o talento nos genes, mas é preciso desenvolvê-los, não ficar esperando que alguns desabrochem sem qualquer cultivo.

O trabalho de mudar o futebol no Brasil começa pelos professores responsáveis em desenvolver os talentos, em convencer os clubes a trabalhar com profissionalismo e planejar. Mas nossos técnicos não estão preparados para isso, têm repetido a mesma teimosia ao achar que podem ganhar dentro de campo como generais lutando contra os pessimistas e conspirações criadas pela mídia apenas por perseguição.

Vimos essa diferença gritante na Copa do Mundo entre Joachim Löw, da Alemanha, e Luiz Felipe Scolari, do Brasil, tanto no trabalho quanto na forma de atingir o resultado – no futebol é possível ser campeão mesmo sendo inferior, mas não tão campeão como esse time da Alemanha, perfeito dentro e fora de campo.

Eu apostaria em um treinador estrangeiro. Poderia até não dar certo, mas aprenderíamos muito. Está na hora de buscarmos novas saídas, ou cometeremos os mesmos erros.

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A Seleção Brasileira nesta Copa do Mundo estava tão preocupada em passar mensagens subliminares de união e garra que esqueceu de jogar futebol. Sobre Neymar, já até nos acostumamos a ver algumas de suas atitudes midiáticas, mas dentro de campo ele apresentou um bom futebol. Porém, me espantou um pouco a forma com que David Luiz foi abraçado pelo povo e suas falhas acabaram ofuscadas pela imagem forte que criou. O zagueiro falhou muito nas derrotas e saiu como herói. Louvável reconhecer sua vontade, mas pelo futebol ele merecia ser tão criticado quanto outros perseguidos.

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A escolha de Gilmar Rinaldi para o cargo de coordenador de Seleções da CBF é inexplicável. Além da imcompatibilidade de colocar um empresário de jogadores nessa posição, qual experiência ele acumula para isso? Gilmar éum homem correto, mas está na hora errada no lugar errado. É como pegar um dono de restaurante para gerir uma loja, falta bagagem.

O brasileiro não sabe perder!

por Alessandro Abate em 07.jul.2014 às 12:53h

Tenho pena da pessoa que abre uma rede social para perseguir alguém com ameaças e ofensas racistas. É inadmissível e injustificável. Pense então em fazer isso por causa de futebol, como no caso dos brasileiros que estão atacando o colombiano Zúñiga e sua família pela contusão de Neymar que o tirou da Copa do Mundo. Mostra que o lado irracional da paixão é capaz de estragar completamente a nobreza do esporte.

O brasileiro nunca priorizou essa tal nobreza. Quando perdemos, como em 1998, é porque o Mundial estava “comprado”. Em 2006 a culpa foi do Roberto Carlos, que estava arrumando o meião no lance do gol da França. Já na África do Sul, em 2010, criticamos Felipe Melo e Julio Cesar. Mas nunca fomos derrotados porque faz parte do esporte, porque o adversário mereceu. Afinal, nós somos o país do futebol e ninguém pode ser melhor em nenhuma hipótese.

Agora vamos enfrentar Alemanha na semifinal, um time montado há duas Copas com um trabalho magnífico dentro de campo. Jogadores carismáticos que mostraram fora de campo o que é ser ídolo de verdade quando se respeita cada fã. E que torceram pelo Brasil porque queriam enfrentar os melhores. Ganhando ou perdendo amanhã, nos ensinaram muito. Mas são poucos que estão dispostos a aprender.

O jeitinho brasileiro também invade nossa forma de torcer. E será bem mais coerente culpar Zúñiga em caso de eliminação. Ninguém vai falar que nossa Seleção poderia ter se preparado melhor. Então vamos continuar chorando com a contusão de Neymar como se ele nunca mais fosse jogar bola. Uma comoção desproporcional que parou o país, típica de mau perdedor. Sei que a Seleção vai terminar esse Mundial com dignidade, mas não espero o mesmo do povo caso o título não venha.

Festa no interior! Itu e Red Bull gigantes!

por Alessandro Abate em 07.abr.2014 às 15:48h

O Campeonato Paulista tem sido muito criticado ultimamente, assim como os outros estaduais, por apertar o calendário do futebol brasileiro de forma nociva. Enquanto discutimos se devem ou não acabar, alguns times do interior de São Paulo dão seus últimos, e profundos, suspiros. Ontem foi o dia do Ituano fazer história ao dar um passo importante rumo ao título, após vitória surpreendente sobre o Santos, por 1 a 0, no Pacaembu.

O Galo de Itu chegou ao quinto jogo sem levar um gol, fruto de uma equipe treinada por Doriva com um posicionamento perfeito e coeso por todo o campo, com jogadores que se entregam muito e capazes de aproveitarem as bobeiras dos adversários para liquidar as partidas.

A campanha não é por acaso, começa fora de campo com o excelente trabalho de Juninho Paulista como gestor. E esse tipo de administração extremamente profissional pode salvar o futuro de tradicionais equipes do interior paulista, ou de novas equipes que estão surgindo.

Novas como o Red Bull Brasil, que conquistou ontem o tão sonhado acesso para a elite do Paulistão e que pode ensinar muito para o nosso futebol com a proposta de marketing e gestão inovadoras. Uma lição para os tradicionais e arcaicos América de Rio Preto e Noroeste de Bauru, que ontem foram rebaixados na Série A3 e terão de disputar a quase amadora Segunda Divisão do Paulista (Quarta Divisão de acesso).

Claro que o dinheiro traz disparidades enormes dentro do futebol, mas o planejamento pode sim encurtar essa distância. Por isso o Ituano se tornou tão gigante quanto Juninho Paulista – na tradição de Itu, onde tudo é grande!

O Peixe foi muito mal na decisão, mas ainda tem plenas condições de vencer a segunda partida e conquistar o título. Mais condições que tinham Corinthians, São Paulo e Palmeiras. Oswaldo Oliveira tem um time técnico capaz de furar o ferrolho de Doriva, mas pode esbarrar na ansiedade dos garotos, que deve triplicar para o segundo jogo.

Mas agora a festa é do interior!

Visão da última rodada do Paulista

por Alessandro Abate em 23.mar.2014 às 21:32h

O clássico na Vila Belmiro mostrou a maturidade dos novos garotos do Santos, que souberam administrar a vantagem construída e finalizaram a primeira fase do Paulistão na liderança geral, após a vitória por 2 a 1 sobre o rival Palmeiras.

A mescla entre jovens e experientes coloca o Peixe como um dos favoritos ao título. Geuvânio mais uma vez brilhou com duas assistências e mostra que hoje é muito mais maestro do que Ganso, que já foi dono desse posto santista um dia. Já Thiago Ribeiro continua sendo objetivo e efetivo nas horas difíceis.

Um dos problemas do Santos nos últimos anos era a defesa, que sofria com a lentidão de Edu Dracena e Durval. Este ano, mesmo com os problemas de contusão, o setor tem crescido bastante durante a competição.

A maturidade da equipe de Oswaldo Oliveira é justamente o ponto fraco do Palmeiras. Ontem, a equipe de Gilson Kleina criou muitas oportunidades, principalmente no segundo tempo, mas esbarrou em grande exibição de Aranha e falta de capricho nas finalizações. Vejo um Verdão bem arrumado, ainda com potencial para ser campeão, mas falta tranquilidade nos jogos que precisam ser decididos nos detalhes.

A derrota para o Peixe pode não ter sido um desastre para o Alviverde, que tem boas perspectivas de um caminho mais fácil até a final.

O São Paulo corre por fora, sem tanto alarde depois de tantos altos e baixos durante a primeira fase da competição. Muricy gosta de chegar justamente assim, e já começa a encaixar peças importantes para arrumar a máquina. Ontem, com os reservas em campo, Ademilson e Lucas Evangelistas brilharam. Mostraram que são boas opções para o time na fase de mata-matas.

Enquanto isso o Corinthians vai tirar férias. Tempo para Mano Menezes refletir. A vitória sobre o fraco Atlético Sorocaba, por 3 a 0, não quer dizer muita coisa.

Foi uma rodada melancólica, sem surpresa entre os rebaixados e classificados. Um Paulistão de regulamento ruim que pode ficar ainda pior se outro grande tropeçar.

Visão da oitava rodada do Paulistão

por Alessandro Abate em 17.fev.2014 às 15:47h

Romarinho abriu o marcador no Pacaembu e o Déjà vu caiu com um doce sabor na boca do torcedor do Corinthians. Diante de um Palmeiras nervoso, era só a equipe de Mano Menezes segurar o resultado para dar uma boa limpada nas nuvens que andavam escurecendo o Parque São Jorge. Só que o gosto amargou com o gol de Alan Kardec, garantindo a invencibilidade do Verdão no ano – o único do Paulistão após a derrota do Santos, em Penápolis.

Mano não mereceu a vitória quando recuou sua equipe no melhor momento. Kleina também não mereceu vencer, mesmo com a ofensividade das últimas substituições, que demoraram muito para acontecer. Mas Fernando Prass – um gigante de defesas incríveis no clássico – e Kardec não mereciam o pior, e foram os que saíram mais fortalecidos do Pacaembu ontem.

Jadson fez boa estreia e saiu aplaudido, mostrando que pode ser peça importante no meio de campo corintiano para a temporada. E sua saída do jogo, assim como a de Romarinho, foram substituições cruciais para a quebra de ritmo, que foi fatal.

Outro grande clube que bobeou na rodada foi o São Paulo. Ceni disse que o time jogou bem taticamente contra a Portuguesa, já Ganso criticou a postura defensiva do adversário. Porém, a Lusa teve um gol mal anulado e criou as melhores chances, enquanto o Tricolor mostrou pouco entrosamento e falta de velocidade em campo. Muricy Ramalho segue mexendo muito, prejudicado pelo planejamento tardio da diretoria. Pabon, por exemplo, fez um bom jogo, mas ainda precisa de tempo para se adaptar totalmente.

Já a derrota do Santos não pode ser considerada como bobeada: foi um massacre do Penapolense. Os jogadores do Peixe saíram irritados e acusando os adversários por falta de humildade. Talvez a euforia do time do interior pela goleada aplicada, por 4 a 1, no time que tinha a melhor campanha do Paulistão tenha incomodado os santistas. Mas o Peixe, que era a sensação da competição com a garotada, não jogou nada e foi muito infeiror.

Novos estádios não podem ser mantidos apenas com futebol

por Alessandro Abate em 27.jan.2014 às 19:45h

A Arena das Dunas, em Natal, abriu as portas com jogos dos dois maiores clubes da cidade, ABC e América-RN, em rodada dupla, do Estadual e do Campeonato do Nordeste. Mesmo sendo um dos últimos a iniciar as obras, o que preocupava muita gente, o estádio foi finalizado dentro do novo prazo estipulado pela Fifa e não estourou o orçamento previsto.

Claro que no evento-teste ainda ficaram alguns pontos a serem aprimorados, mas começar logo com um desafio tão grande, comportando torcidas rivais e uma logística de duas partidas na sequência, mostrou preparo para a Copa do Mundo.

Em uma viagem a convite da OAS, empresa que vai administrar a Arena das Dunas – mais a Fonte Nova e a nova Arena do Grêmio –, conversei com Carlos Eduardo Paes de Barros, diretor-superintendente da OAS, sobre a operação necessária para manter o negócio lucrativo no futuro em uma cidade que não é um dos maiores centros do futebol brasileiro.

Questionamos muito a respeito do legado que a construção desses novos estádios vai deixar, mas talvez tenha nos faltado profundidade para estudar as possibilidades que as arenas multiuso podem proporcionar. No caso de Natal, a OAS participou de todos os processos de construção, facilitando assim a versatilidade do local. O novo modelo inaugura uma nova fase para o entretenimento e geração de fontes de renda, como redes de alimentação, ações de marketing, exposição de publicidade e eventos de grande e médio porte.

Um bar temático vai funcionar no local todos os dias, mesmo sem jogos. Uma praça em frente ao local pode abrigar grandes shows e feiras de exposição. Estes são só alguns exemplo de como devemos explorar mais as áreas esportivas do Brasil, não apenas em dias de jogos.

Claro que o acordo com os clubes locais também é essencial. No Rio Grande do Norte, por exemplo, ABC e América-RN vão mandar 60% de seus jogos na Arena das Dunas, o que pode aumentar a rentabilidade não só para a administradora, mas também para os clubes – apesar de o ABC já ter estádio, o Frasqueirão, por exemplo.

A questão é agora cobrar dos gestores dos novos estádios brasileiros que as obras possam agregar valor à sociedade local, passando a ser uma ferramenta de integração social, oferecendo serviço de qualidade para os clientes. Se os administradores esperarem que o futebol seja a única salvação financeira para a manutenção dos estádios, fatalmente vai ocorrer o que mais tememos no pós-Copa: eles se tornarem grandes elefantes brancos.

Que se inaugure uma nova era com as novas arenas, com o consumidor-torcedor tendo, essencialmente, conforto e sendo respeitado, seja qual for o evento que o estádio abrigará.

COSTUMES ANTIGOS

Os orientadores da Arena das Dunas tiveram trabalho para manter as pessoas no lugar marcado pelo ingresso. O público exige conforto nos novos estádios, quer ser tratado como cliente, mas segue agindo de forma primitiva. Não adianta ter pontos de acesso, cadeiras novas e serviços adequados se não houver uma nova conduta do próprio consumidor. O ingresso do futebol é hoje um dos mais caros programas de entretenimento e a conduta, tanto do serviço quanto dos clientes, precisa mudar.

Rivaldo se expõe

por Alessandro Abate em 23.jan.2014 às 11:21h

Rivaldo foi um dos melhores jogadores que já vi atuar, mas considero o seu fim de carreira um dos mais melancólicos. Aos 41 anos, o presidente do Mogi Mirim segue insistindo em jogar e esteve em campo ontem pelo Mogi Mirim, na partida diante do São Paulo, pelo Paulistão.

O ex-craque é o presidente do Sapão e resolveu juntar-se à delegação da equipe, que também conta com o seu filho Rivaldo Júnior. Seria um fato curioso se o cartola/atleta ainda tivesse gás para seguir em atividade, mas suas últimas passagens por São Paulo e São Caetano foram bizarras, nem de perto lembraram o ídolo que foi.

Eleito o melhor jogador do mundo pela FIFA em 1999 e decisivo para Seleção Brasileira nas Copas de 1998 e 2002, o craque não anda pisando na bola apenas dentro de campo, mas também fora dele.

Muitos diziam que faltava marketing pessoal para que ele faturasse mais do que estrelas da publicidade, como Ronaldo Fenômeno. Então Rivaldo se sentiu injustiçado e passou a agir de forma mais negativa ainda com a síndrome do “Patinho Feio”. Passou a ter problemas de relacionamento com pessoas ligadas ao futebol e com a imprensa.

Desde que voltou ao Brasil para jogar pelo São Paulo, em 2011, teve problemas com o técnico Carpegiani e decepcionou não apenas a torcida do clube, mas todos aqueles que ainda esperavam algo.

Na temporada passada, Rivaldo acertou com o Azulão, rebaixado no Estadual, enquanto o Mogi Mirim chegou até a fase semifinal. No meu modo de ver algo incompatível e totalmente desnecessário para quem tem tanta bagagem.

Os tombos poderiam ter ensinado algo a ele, mas nunca mudou de comportamento e preferiu seguir se expondo. Triste para quem já viu suas jogadas, que consagraram um dos craques mais completos da história.

*Coluna publicada na edição impressa do LANCE! desta quinta-feira (23/01)

O efeito Jérôme Valcke no Brasil

por Alessandro Abate em 09.jan.2014 às 17:36h

Pouco depois de Jérôme Valcke afirmar que a Copa do Mundo de 2022, no Qatar, seria disputada no fim do ano para fugir do verão local, a Fifa desmentiu o seu secretário-geral, dizendo que esta era apenas a sua opinião, e garantiu que a decisão só será tomada após o Mundial deste ano. E falar o que bem entende tem sido praxe na conduta de Valcke, como fez recentemente ao citar a lerdeza do brasileiro para organizar a Copa.

O secretário, inclusive, tem criado problemas diplomáticos entre a Fifa e alguns países. Por aqui, irritou a presidente Dilma Rousseff ao dizer que o Brasil precisava de “um chute no traseiro”. O incêndio foi apagado por uma visita de Joseph Blatter, mandatário da entidade. Porém, a rusga ainda incomoda.

Não importa se ele está certo ou não, mas a falta de diplomacia, essencial para quem ocupa um cargo desses, fortalece as críticas contra os dirigentes do futebol mundial. Isso pode potencializar cada vez mais a indignação do povo brasileiro com o evento. Se na Copa das Confederações os protestos afugentaram patrocinadores e turistas, agora podem mudar o rumo da bola.

Blatter não tem força para manter a ordem na casa e nem carisma para fazer a população esquecer a empáfia. Pouco a pouco a Torre de Babel vai desmoronando, e a Copa do Mundo de 2014 será crucial para o futuro da entidade. Afinal, os atos de corrupção que marcaram a história da nossa civilização sempre mostram que, quando os escândalos vêm à tona e a massa se revolta, cada um faz o que for necessário para tentar salvar a própria pele.

O Governo vai disponibilizar 10 mil homens da Força Nacional para conter protestos violentos nas 12 cidades-sede. A situação é de apreensão, e Jérôme Valcke precisa parar de riscar fósforos em um país que esboça o desejo de mudar.

Menos bola e mais ostentação na Copinha

por Alessandro Abate em 05.jan.2014 às 14:34h

Tenho boas lembranças das férias de verão na minha infância, quando eu aguardava ansiosamente pelo início da temporada no futebol, e o pontapé inicial costumava demorar bem mais. Eu ficava grudado em um rádio de pilha no litoral tentando ouvir qualquer notícia sobre contratações do meu time.

Sem internet e TV a cabo, eu tinha que insistir para voltarmos da praia na hora do almoço e não perdia um programa esportivo na TV aberta, que tinha a imagem chuviscada captada pela antena com um pedaço de Bombril na ponta.

O LANCE! não existia, e para ler outro jornal eu precisava acordar o meu pai cedo com o intuito de ir até a banca antes que todos se esgotassem. Quando tinha sucesso, eu devorava o caderno de esportes.

E minha fome de futebol se acalmava quando começava a Copa São Paulo de Futebol Júnior. Era o primeiro time que vestia a camisa do meu clube no ano, e era importante prestar atenção de havia alguma revelação com condições de ser aproveitada no principal.

Ontem, vendo a tabela da competição desta temporada, me bateu um saudosismo. São 104 equipes, sendo que a grande maioria dos elencos são compostos por jogadores que nem pertencem ao clube, mas escalados por empresários cada vez mais influentes com dirigentes e treinadores. Dá preguiça de ver!

Quem vê o formato atual esquece que a primeira edição do torneio, em 1969, foi criada com o intuito de confraternização para celebrar o aniversário de São Paulo, que acontece no dia 25 de janeiro. Hoje, porém, se tornou uma ferramenta política da Federação Paulista de Futebol e um balcão de negócios desordenado.

As grandes estrelas das últimas Copinhas têm pressionado ainda mais os grandes clubes a firmar contratos de altas cifras, um risco necessário que muitas vezes gera um prejuízo imenso no futuro. Como no caso do atacante Lulinha, que assinou um longo acordo com o Corinthians, de salário caro, e que nunca vingou.

Além disso, com tantos participantes, a quantidade de equipes sem a mínima condição técnica é imensa. Não sou radical a ponto de tentar elitizar a Copinha, afinal, ter times dos extremos do país, cheios de histórias curiosas e esperança, é um dos charmes da competição. Mas isso acaba banalizado com os 104 inscritos.

A profissionalização do fut brasileiro não anda em sintonia com o interesse dos torcedores, os principais consumidores do produto. Prefere atender a minoria de dirigentes, técnicos, jogadores e empresários que se lambuzam com o dinheiro, cada vez mais mal distribuído. E assim alimentamos cada vez mais a safra de jogadores mais preocupados com a ostentação do que com a bola.


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