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Um Palmeiras que precisa de sorte e tudo mais!

quarta-feira, 15 de maio de 2013
Bruno no fatídico lance (crédito: Ari Ferreira)

Bruno no fatídico lance (crédito: Ari Ferreira)

Esperei um dia para escrever sobre a eliminação do Palmeiras na Libertadores para o Tijuana. Eu queria analisar mais o VT do jogo, ler mais sobre a derrota alviverde e entender mais o sentimento do torcedor. O fatídico lance do goleiro Bruno desmontou um Verdão ainda não bem montado, mas não foi esse o único motivo do fracasso.

O time mexicano começou retrancado, bem armado, mesmo sendo fraco tecnicamente. Já a equipe de Gilson Kleina entrou com a raça que conquistou a torcida, com a mesma fragilidade técnica do adversário, e com sacos de cimento no lugar das chuteiras dos jogadores.

Toques de lado, pacientes, são importantes quando se está procurando um espaço no ferrolho adversário. Mas o Palmeiras não acertava um desses passes sequer, muito menos tinha astúcia de encontrar brechas para chegar ao gol. A perna pesava na hora de fazer a bola rolar, na hora de cruzar, na hora de chutar. Talvez por medo de decepcionar o estádio lotado, talvez apenas por falta de talento.

E o lance de Bruno foi assim, coisa de gente cheia de coragem, mas assustada ao mesmo tempo. Coisa de quem faz tudo pela sua bandeira, mas o tudo que consegue não é o bastante.
O Palestra Itália foi o Palmeiras da década de 80, e dos mais esforçados. Mas faltou fundamento, faltou inteligência, faltou sorte. Quem sobra em campo pode até ter uma noite de azar, mas não o Verdão dos últimos 14 anos.

A torcida precisa cantar e vibrar para a Série B. O time precisa dela, pois hoje a linha é só raça. E aos poucos, quem sabe, a perna pese menos, para que os sacos de cimento fiquem pelo caminho.

Palavra santa antes das duas decisões

quinta-feira, 2 de maio de 2013
Marcos, em entrevista concedida ao LANCE! no fim do mês de abril

Marcos, em entrevista concedida ao LANCE! no fim do mês de abril

Poucas pessoas conhecem mais o gol do Palmeiras do que Marcos. Para ser mais preciso, só Emerson Leão, que fez 617 jogos contra 532 do Santo. Com o conhecimento de quem já viveu glórias e passou apuros, o eterno camisa 12 não via muito segredo para a reação de Bruno: no campo, apagando as falhas.

Palavras de ídolo, antes das partidas contra Santos e Tijuana, ao L!. São Marcos lembrou de um fato e praticamente fez uma previsão sobre o que aconteceria.
“Quando meu pai faleceu, em 2008, foi a melhor partida que eu vi do Bruno, de um goleiro do Palmeiras, na Vila Belmiro. Ele fez milagre lá, o Palmeiras ganhou. Vai voltar para a Vila e, quando ele joga bem em um lugar, lembra disso. Ele gosta. E vai ter uma fase de Libertadores para se consolidar”.

Palavras ditas em 26 de abril, não publicadas na entrevista que você leu nestas páginas na última terça. Estão gravadas.

Ainda está distante a volta de Prass, que hoje é mais goleiro do que Bruno. Mas teremos um novo titular? Anote outras santas palavras: “Você pode pensar do lado ruim: ai, meu Deus, será que Bruno dá conta? Ou pensar no lado bom: vai que o Bruno dá conta e o Prass volta para a reserva. Futebol é difícil”.

Marcos entende.

Quando ser ‘limitado’ vira uma virtude

sexta-feira, 12 de abril de 2013
Paulo Nobre conversou com os jogadores do Verdão nesta sexta, na Academia

Paulo Nobre conversou com os jogadores do Verdão nesta sexta, na Academia

A grande reação do Palmeiras na temporada faz alguns palmeirenses, aqui no blog e em redes sociais, se irritarem com aqueles, inclusive este colunista, que chamam o time de “limitado”. Palmeirense, não se irrite por isso. Não se esqueça que, há poucos dias, você mesmo xingou (e não foi de “limitado”) a equipe que levou 6 a 2 do Mirassol. O elenco não mudou da noite para o dia. Mas o comportamento mudou.

Ser “limitado” no dia de hoje, no caso do Verdão, só aumenta o mérito de todos (time, técnico, diretoria, torcedores) que conseguiram a classificação na Copa Libertadores. As tais limitações foram superadas, alguns jogadores passaram a jogar um futebol que não jogavam (Marcelo Oliveira, Charles, Vinícius). Outros não parecem mais sentir a pressão, caso de Juninho.

O Palmeiras soube entender suas limitações, soube crescer com elas, corrigir falhas, superar limites. A equipe jogou bem nos últimos três jogos, com escalações e problemas diferentes, contra Ponte, Tigre e Libertad.

O torcedor foi fantástico, com demonstração de força que não é comum no Brasil em momentos difíceis. Os seis do Mirassol aconteceram outro dia. Nada disso importou aos 35 mil de quinta do Pacaembu, e aos quase 20 mil da vitória contra o Tigre.

Ser “limitado” e vencer desta forma não é para qualquer um. É para gigantes. Forças de camisa e torcida que, ao contrário do que muitos dizem, entram em campo, sim. Veremos até onde o Alviverde pode chegar.

Camisa não joga? Joga, sim, senhor

quinta-feira, 4 de abril de 2013
Charles, autor de um gol na terça, aplaudiu a torcida no Pacaembu

Charles, autor de um gol na terça, aplaudiu a torcida no Pacaembu

Uma camisa como a do Palmeiras não pode, em hipótese alguma (esteja rebaixado, com desfalques, time fraco…) levar seis gols do Mirassol. Como também não pode deixar de vencer um limitadíssimo Tigre, em casa, numa Libertadores.

Dizem que camisa não joga sozinha, obviamente, pois depende de quem a veste. Mas há situações em que o peso dela tem de prevalecer. Não foi isso que aconteceu na aberração de Mirassol, foi isso que aconteceu na última terça.

O Palmeiras, com rica história no torneio sul-americano, se recuperou no Grupo 2 com o peso de sua camisa e de sua torcida. Não há razões para ilusão, nem para achar que o time é excelente.

Um time fraco e desfalcado venceu outro fraco. Dois fracos, com a diferença que um deles se chama Palmeiras. Os 11 que foram a campo, cientes de suas limitações, entenderam isso no Pacaembu. Quem é maior levou.

Se a mesma pegada for repetida contra o bom (e menor) Libertad, na quinta, as chances serão boas, apesar da superioridade técnica atual dos rivais paraguaios.

A cota de erros terá de ser ainda menor diante do líder do grupo. A torcida, que incentivou como se espera na terça, agora tem o estímulo necessário para colocar mais de 30 mil no Pacaembu.

Apoio de fora, atenção dentro de campo, aplicação e vontade podem fazer o Verdão assumir a liderança, compensando limitações técnicas. Nessas horas, a camisa faz, sim, diferença. Ela será respeitada pelo adversário. E tem de ser  por quem a veste.

No bipolar Verdão, qual é a de hoje?

terça-feira, 2 de abril de 2013
Jogadores do Palmeiras festejaram a vitória contra o Linense, sábado, no último minuto

Jogadores do Palmeiras festejaram a vitória contra o Linense, sábado, no último minuto

Não será surpresa se o Palmeiras fizer um bom jogo e vencer o Tigre. Na mesma proporção, não será surpreendente uma péssima partida do Verdão, com derrota nesta noite.

Coisas do bipolar e indefinido time de Gilson Kleina em 2013. Pode ser aquele com excelente posicionamento em campo e enorme aplicação do empate contra o Corinthians, melhor time do Brasil. Pode ser aquele horroroso e vergonhoso do baile para o Mirassol.

Pode ser aquele que quase não foi ameaçado contra o bom Botafogo. Ou aquele péssimo do empate contra o fraquíssimo Azulão.

Com ou sem desfalques, a qualidade técnica do time pouco muda. A escalação naquele 2 a 2 com o maior rival foi: Prass, Weldinho, Henrique, Maurício Ramos e Marcelo Oliveira; Márcio Araújo, Vilson, Souza e Wesley; Patrick Vieira e Vinícius. Muito diferente do time do papelão de Mirassol?

Prass; Weldinho, André Luiz, Marcos Vinícius e Juninho; Márcio Araújo, Charles, Léo Gago e Wesley; Leandro e Caio começaram jogando na quarta passada.

Será parecido contra o Tigre. A limitação do elenco, ainda pior na Libertadores, faz com que a personalidade fraca do bipolar Palmeiras apareça mais do que a forte. O “psicólogo” Kleina pode ajudar com menos improvisações, escalando o bom Patrick Vieira…

Qual será a surpresa do dia?

Ridículo e desastroso

quinta-feira, 7 de março de 2013
Kleber teve uma noite desatrosa na Argentina

Kleber teve uma noite desatrosa na Argentina

O Palmeiras perdeu para um time ridículo de uma maneira ridícula. O empate já seria ruim contra a pior equipe da chave. Não há adjetivo para a derrota, como ela foi.

Kleber teve nos pés a chance de ser herói, e cair nas graças da torcida logo em seu primeiro jogo como titular. O Verdão venceria, seria o segundo colocado da chave, “eliminaria” o Tigre e ficaria só a um pontinho do Libertad.

Kleber, que não jogou e errou sozinho, foi o vilão. Não tem jeito. Pior do que o gol perdido foi a desastrosa declaração. Nenhum funcionário, de qualquer empresa, pode justificar uma falha com a palavra displicência. Trágico.

O atacante terá de jogar muito para recuperar sua imagem. Charles também perdeu clara chance. Vilson foi expulso. A zaga dormiu no gol da derrota. Vários erros, “abafados” por Kleber.

Tropeço no jogo mais duro da chave

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
Valdivia não conseguiu vencer a boa marcação de Guiñazú ontem

Valdivia não conseguiu vencer a boa marcação de Guiñazú ontem

O Palmeiras fez nesta quinta o jogo mais difícil da chave. Após duas rodadas, ficou evidente que o Libertad é o time mais forte do grupo: está acima do Verdão, e muita acima dos fracos Tigre e Sporting Cristal.

A derrota foi normal. Não há motivo para desespero. É preciso cabeça no lugar, algo que faltou em boa parte do jogo em Assunção. Até mesmo o experiente Valdivia, muito mal na etapa final, levou um cartão amarelo de graça ao dar um chilique no banco no primeiro tempo. Desnecessário, algo que não pode se repetir.

O palmeirense precisa ter consciência das limitações da equipe. Não dá para se iludir e sonhar com o título da Libertadores com o elenco atual. Mas dá, sim, para esperar pela classificação e depois tentar a sorte no mata-mata. O Verdão é mais time do que o péssimo Tigre e pode buscar a vitória em Buenos Aires, quarta. É só jogar futebol e não cair em provocações dos fracos argentinos.

Desde que pontue na Argentina, o Palmeiras voltará para duas partidas em casa, contra o mesmo Tigre e o Libertad, com grandes chances de garantir a vaga. A derrota desta quinta é “aceitável”.

Toca a bola! E desliguem as cornetas

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
Gilson Kleina sabe da importância de Wesley e orienta o atleta nos treinos

Gilson Kleina sabe da importância de Wesley e orienta o atleta nos treinos

Wesley foi vaiado por alguns torcedores ao ser substituído no domingo. Foi prontamente aplaudido pelos jogadores. Na quarta, alguns poucos palmeirenses em Cumbica cobraram o volante no saguão do aeroporto ao vê-lo embarcar com o time: “toca a bola!”.

É preciso um pouco de cuidado com relação a isso. E entender que Wesley é um jogador de qualidade, que pode ser muito importante para o Palmeiras em 2013.

É fato que ele foi fominha no clássico contra o Corinthians e desperdiçou ataques. Como é exagero o rótulo que alguns já querem colocar na testa do jogador.

Senti, no último domingo, uma impaciência excessiva de alguns no Pacaembu com o volante. Gritos de “toca” quando Wesley mal tinha recebido a bola e nem a cabeça tinha levantado. Menos!

O volante errou, sim, no Dérbi. Mas no mesmo jogo, deu duas assistências. E vem fazendo papel importante no esquema de Gilson Kleina. Não se esconde em campo, marca e busca alternativas de jogo com a bola. Não é brilhante, mas ninguém pode negar que o atleta tem recursos.

Wesley precisa, claro, jogar para o time. Um time, aliás, que deu demonstrações públicas de estar ao lado do jogador. Não cabe ao torcedor, tão cedo, ficar contra. Wesley precisa tocar a bola. E alguns palmeirenses precisam desligar as cornetas. Ou é ruim ter um atleta como ele na equipe?

O Palmeiras melhorou seu futebol. Nesta quinta, faz o jogo mais difícil do grupo na Libertadores. Terá outra batalha na Argentina, na quarta, e depois um clássico. É o momento em que a aguerrida, porém limitada equipe, será testada com mais força em 2013. Wesley é peça importante deste Verdão.

Lista fraca não só para a Libertadores

domingo, 10 de fevereiro de 2013
Paulo Nobre apresentou Brunoro na última quinta-feira na Academia

Paulo Nobre e Brunoro terão ainda mais trabalho paa reforçar o elenco do Palmeiras

* Coluna “Papo da Academia” do LANCE! deste domingo

Prass, Ayrton, Maurício Ramos (Vilson), Henrique e Juninho; Márcio Araújo, João Denoni (Souza), Wesley e Valdivia; Maikon Leite e Kleber.

Essa será a base do Palmeiras na fase de grupos da Libertadores, na melhor das hipóteses (nenhum jogador se machucar). Valdivia e Kleber, por exemplo, não devem estar em campo na estreia de quinta-feira, no Pacaembu.

Nem em pesadelo é o time que o palmeirense esperava no retorno à competição sul-americana. Leandro Amaro, que começou 2013 dispensado, ganhou uma vaga diante do momento caótico.

O resultado prático da bomba de sexta para o torneio foi a troca de Barcos, ex-melhor atacante do Palmeiras, por um zagueiro. Sem palavras, a nova diretoria deixou claro ao torcedor que abriu mão da competição sul-americana. E ainda varou a noite em negociações para inscrever a tempo o novo e ótimo camisa 28 do Grêmio.

Barcos não faria do Verdão um candidato ao título da Libertadores. A saída da referência do time e da torcida fazem do clube um candidato ao fiasco, não apenas no torneio sul-americano.

Kleber, o novo 9, só tem contrato até junho com o Palmeiras. O grande objetivo de 2013 é voltar para a Série A. Mas até mesmo para jogar a fraca Série B com tranquilidade é preciso de mais qualidade. O pacotão aberto do Grêmio também não resolverá nada.

Não dá pra reclamar

sábado, 22 de dezembro de 2012

César Sampaio, hoje gerente de futebol, ergueu a única taça de campeão da Libertadores do Verdão, em 1999

Sporting Cristal (PER) e Libertad (PAR) são os atuais campeões do Peru e do Paraguai, respectivamente. Mas por mais problemas que tenha o campeão da Copa do Brasil, não dá para o Palmeiras reclamar da sorte. O Verdão se livrou de Grêmio, São Paulo e Vélez, por exemplo, na fase de grupos de Libertadores.

É o único clube já campeão do torneio na chave, que terá ainda Tigre (ARG) ou Deportivo Anzoátegui (VEN).

O possível confronto com os argentinos é o que merece atenção especial. Se no campo o Tigre é péssimo, não há dúvidas que os problemas com o São Paulo na Copa Sul-Americana já acirram os ânimos no reencontro com brasileiros. César Sampaio começou um trabalho de bastidores.

O Palmeiras tem tempo ainda para se reforçar. O grupo 2 pode servir para a equipe ganhar corpo. É obrigação se classificar nesta chave, muito mais light do que “a última”.

O Verdão não joga a Libertadores desde 2009. Como repórter, acompanhei in loco as partidas daquela edição, duríssima para a equipe num grupo com Colo Colo (CHI), LDU (ECU) e Sport. O Palmeiras era mais forte do que o atual, verdade. Mas sofreu até o último segundo, quando se classificou com um inesquecível golaço de Cleiton Xavier no Chile.

Marcos foi Santo nas oitavas contra o Sport e, mesmo sem perder, dois empates eliminaram o time de Luxemburgo diante do Nacional (URU), nas quartas. O palmeirense chegou a sonhar com o bi na época.

A esperança hoje, com o Verdão rebaixado no Brasileirão, é mínima. Mas a Libertadores sempre prega surpresas. Uma boa campanha na fase de grupos, um bom cruzamento nas oitavas podem fazer qualquer equipe de tradição, como é o Palmeiras, crescer no torneio.

A partir daí, será preciso força na hora de encarar as potências sul-americanas. A torcida pede reforços com bagagem de Liberta.