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Futebol da periferia para os hermanos

por mauro em 28.mar.2012 às 15:31h

Tadeu Vilani é um dos fotógrafos mais talentosos com quem tive a oportunidade de trabalhar. Como eu, gosta de registrar personagens anônimos país afora. Em dois anos de trabalho independente, ele fotografou a paixão das comunidades pobres pelo esporte mais popular do Brasil. O resultado será mostrado em Buenos Aires no Encuentros Abiertos – Festival da Luz, de 1º de agosto a 30 de setembro.

São 25 fotos de várias partes do Brasil, todas em preto e branco. Seis delas eu antecipo aqui no blog. Ah, para quem não sabe, é do Tadeu a foto do cabeçalho do blog, que também fará parte da exposição.

 

 

 

 

 

 

A estreia no futsal aos 65 anos

por mauro em 26.jan.2012 às 13:11h

Olha que legal o depoimento da minha amiga e colega  Aline Custódio.

Sempre admirei a minha mãe pela bravura de ultrapassar todas as barreiras. E foram tantas ao longo de 65 anos de vida da dona Ivone. Mas a mais recente ousadia dela, se posso chamar assim, é ter entrado num time feminino de futsal. Uma equipe formada por senhoras com mais de 60 anos da cidade de Guaíba, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Desde o ano passado, elas se reúnem para bater uma bolinha todas as semanas.

Dona Ivone começou a jogar futebol aos 65 anos (Foto: Aline Custódio)

A decisão de praticar um esporte seria normal se ela não tivesse enfrentado uma isquemia cerebral que lhe tirou por alguns anos a mobilidade do lado direito, reconquistada com dezenas de fisioterapias, e que ainda causa lapsos de memória.

O futebol sempre foi uma das paixões da minha mãe. Torcedora do Grêmio, daquelas que vai a campo ouvindo o jogo no rádio, ela sempre acompanhou mais o Campeonato Brasileiro do que o meu pai. Na nossa casa, os domingos dela são dedicados ao esporte na televisão. Minha mãe tem na ponta da língua  a escalação completa dos times do Brasileirão e do Gauchão. E sabe, sim, o que é um impedimento ou escanteio. Discute de igual para igual com meus tios, meu irmão e com quem quiser falar sobre o assunto.

No time das senhoras de Guaíba, minha mãe é a ala-esquerda. Em dezembro de 2011, elas foram convidadas para jogar um torneio na cidade. Para a surpresa da dona Ivone e do time, ficaram em segundo lugar. Foi a primeira medalha da vida dela. Que venham outras tantas!

Ronaldão, um juiz invocado

por mauro em 11.jan.2012 às 7:40h

Não são as reclamações dos jogadores que mais incomodam o árbitro Ronaldão. São os pedidos para levar cartão. Isso, você leu certo. Para LEVAR cartão.

– Todo jogo tem um cara que diz: ‘Meu filho está olhando, vou fazer uma falta. Você me dá um cartão?’

Com seus cartões gigantes, juiz Ronaldão é sensação no Amazonas (Foto: Emanuel Mendes Siqueira)

Os cartões de Ronaldão viraram um show nos campeonatos de bairro de Manaus. Ele ganhou fama na cidade graças ao amarelo e ao vermelho tamanho GG usados nas partidas. As peças foram feitas por ele, com um plástico duro para não quebrar. Medem 20 por 30 centímetros e costumam arrancar gargalhadas quando mostradas aos jogadores. E onde ele carrega esses cartões, você já deve estar se perguntando. O árbitro fez bolsos especiais na parte de trás das bermudas. Mediu certinho para não se atrapalhar na hora de sacar. Depois, treinou dezenas de vezes para tirar e colocar rápido.

– Ele já apitou com cartões normais, mas estava cabisbaixo. Aquilo é a energia dele – diz Marco Canídia, presidente da Associação Independente dos Árbitros do Amazonas.

A ideia de fazer cartões gigantes surgiu em 1996. Um jogador que recebeu amarelo perguntou cinco vezes se a punição era para ele.

– Fiquei irritado. Será que o cara é cego? Por isso fiz um cartãozão.

Ao contrário do que todo mundo pensa em Manaus, Ronaldão não ganhou esse apelido por ter quase 100 quilos distribuídos 1,80 metro de altura. Nem Ronaldo ele é. O nome dele é Antônio Roberto Pereira da Silva. Virou Ronaldão porque quando jogava futebol usava o cabelo com corte quadrado em cima, como o ex-jogador do São Paulo e da Seleção. Mas largou a bola 15 anos atrás quando ouviu de um dirigente que o juiz de um jogo disputado por ele estava comprado.

– Fiquei muito revoltado com aquilo. Disse para mim mesmo que estudaria para ser um bom árbitro – conta o juiz, que durante a semana trabalha como digitador em uma Delegacia de Polícia.

Ronaldão procurou um livro de regras e estudou sozinho. Começou a apitar peladas até ser chamado para campeonatos amadores. Fez curso de arbitragem há três anos para “lapidar” o conhecimento.

Aos 41 anos, o juiz está famoso na capital amazonense. Sonha agora em passar dos campeonatos de bairros para o Peladão, considerado o maior campeonato amador do mundo. Apesar da brincadeira dos cartões, Ronaldão é um árbitro rigoroso. Não admite deslealdade e se diz intransigente com as tentativas de suborno.

– Quando comecei a apitar, ofereceram R$ 300 para favorecer um time. Discuti com o cara. Às vezes ainda aparece algum engraçadinho, mas agora as pessoas já me conhecem. Podem até falar dos meus erros, mas jamais poderão falar da minha ética – orgulha-se.

Pai de três filhos (de seis, quatro e dois anos), o árbitro só recebe reclamação em casa porque nunca está com a família sábado e domingo. Apesar que nos últimos tempos a mulher parou um pouco de se queixar.

– Agora eu estou famoso. Ela fica orgulhosa de me ver no jornal. Até parou de reclamar – diverte-se o juiz-sensação

 

A dança do futebol de areia no Rio

por mauro em 27.dez.2011 às 14:30h

Mailson Santana, fotógrafo das antigas e meu colega do LANCE! do Rio, circulou pelas praias cariocas e fez belas imagens sobre futebol amador nas areias. Vale a pena dar uma olhada na galeria de fotos abaixo.

Futebol nas favelas pelas lentes dos moradores

por mauro em 22.nov.2011 às 13:49h

Favela em Foco é um projeto de fotografia que reúne fotógrafos das comunidades do Rio de Janeiro, todos formados pela Escola de Fotógrafos Populares. Conheci uma galera do projeto que faz um trabalho muito legal, nas mais variadas áreas. Eles me mandaram algumas fotos bem bacanas que tratam de futebol amador. Vale perder alguns minutinhos olhando as belas imagens.

Crianças jogam futebol na favela do morro Dois Irmãos, Zona sul do Rio de Janeiro (Foto: Ratão Diniz).

 

Garotos jogam na quadra do alto do morro da Providência, a primeira favela do Brasil (Foto: AF Rodrigues)

Defesa do goleiro no treino do Nando, favela do Jacarezinho (Foto: Léo Lima)

Garotos brincam em meio à rua Sargento Silva Nunes, na favela Nova Holanda (Foto: AF Rodrigues)

Menino participa da corrente de um time durante o campeonato de futebol na favela Nova Holanda (Foto: Ratão Diniz)

Garotos jogam bola no meio da rua na Maré durante a Copa do Mundo de 2010 (Foto: Elisângela Leite)


Campinho de terra batida é alegria de meninos na Maré (Foto: Léo Lima)

Vista geral da noite do campo da Paty, na favela Nova Holanda (Foto: AF Rodrigues)

 

Jovens brincam no CIEP Brizolão em São João de Meriti, na Baixada Fluminense (Foto: Ratão Diniz)

 

Habilidoso, menino faz embaixadinhas na favela Nova Holanda (Foto: AF Rodrigues)

Os afilhados de Zico e Ronaldo

por mauro em 12.nov.2011 às 10:08h

Caio tem 10 anos, vive no interior de Minas Gerais. Habilidoso com a canhota, o menino franzino é de pouca conversa com desconhecidos. Yan, 15 anos, é mais falante. Criado no Ceará, mora na Paraíba e joga de segundo atacante. Como quase todos garotos na idade deles, os dois sempre quiseram uma oportunidade em um clube grande. Eles ganharam a chance graças a dois padrinhos de peso. Passaram a semana no Rio treinando nas categorias de base do Botafogo. São os primeiros selecionados pelo projeto Pnera, o site lançado por Zico e Ronaldo.

Caio e Yan foram os primeiros selecionados no projeto do Galinho e do Fenômeno (Fotos:Wagner Meier)

De terça a sexta-feira, os dois mergulharam em um universo desconhecido. Andaram pelo Rio com motorista particular, deram entrevistas, ficaram em um bom hotel no Recreio. Foram apresentados no Botafogo como jogadores famosos são apresentados. Tudo graças a um vídeo colocado no site do projeto. Mas o mais importante foi passar a semana treinando em Marechal Hermes na categoria de base do Fogão. Nos próximos dias ele terão a resposta sobre o desempenho.

— Se aprovam meu teste, venho na hora para cá — diz Yan.

O vídeo dele, gravado pela irmã com uma camerazinha digital, ficou em primeiro lugar no voto popular, 108.562 cliques. Ele fez campanha entre os familiares, na escola e nas redes sociais. Passou noites acordado votando no próprio vídeo. Na chegada ao Botafogo, o contato com a realidade foi ótimo, mas os primeiros treinos foram difíceis.

— Peguei zagueiros grandões, de 17 e 18 anos. Foi sofrido, mas muito bom. Essa chance é sensacional — comemora o adolescente.

Caio também estranhou o primeiro contato. Mesmo escalado entre garotos de 14 anos, não se intimidou. Habilidade ele tem. O vídeo dele, feito pelo pai com lances de jogo, foi o escolhido no site por um júri especializado, com votos de Ronaldo e Zico.

— Meu pai colocou o vídeo meio de brincadeira, mas gostaram — fala o menino de poucas palavras.

É cedo para dizer se os dois irão vingar no futebol. Mas um título já está no currículo: foram os primeiros da peneira de Zico e Ronaldo.

Com a benção dos craques

Mesmo não envolvidos no dia a dia do projeto, Zico e Ronaldo participam da escolha do jogador eleito pelo júri. Os vídeos dos finalistas, dizem os organizadores, são enviados para os craques dar opinião. Caio foi escolhido assim.

Os dois ex-jogadores ficaram impressionados com a habilidade da perna esquerda do garoto de 10 anos, que faz dribles e gols com desenvoltura mesmo jogando com meninos mais velhos do que ele.

Mais de 500 vídeos enviados

A primeira seleção do Pnera teve mais de 500 vídeos, conforme Thiago Bonfim, um dos diretores do projeto. O número deve crescer na segunda edição que está em andamento. Ele observa que o objetivo do site é encurtar caminhos entre talentos e clubes:

– Não temos interesse em empresariar jogadores. Se passarem nos testes, a conversa fica entre a família dos garotos e os clubes.

O projeto paga todas as despesas de uma semana de testes no clube para os meninos e para um responsável. A próxima edição do projeto deve ser em um clube paulista, mas o nome ainda não foi divulgado.

 

Venturoso, o vovô de Fortaleza

por mauro em 28.out.2011 às 17:39h

Ednardo sabe um assunto que não pode comentar em casa. Um assunto que vira em briga certa com a mulher: o fim do Venturoso.

- Se dá algum problema e digo que vou parar com o time, ela fica com raiva de mim. Rapaz, logo mudo de ideia – conta Ednardo José Marques Costa, 50 anos.

Pudera, a história da família se mistura à história do Venturoso, o time de várzea em atividade mais antigo de Fortaleza, com 75 anos. Para Aspásia, a mulher de Ednardo, o Venturoso é um patrimônio familiar. Graças ao time, a casa está sempre cheia aos domingos. Graças ao time, as três filhas e os netos se reúnem todos fins de semana. Graças ao time, fez amigos que levará para toda a vida.

Com 75 anos, time é o mais velho da várzea de Fortaleza (Foto:Divulgação)

Ednardo é o presidente do time. Ele já foi jogador, técnico e diretor. Seguiu o mesmo caminho do pai, seu José, que tem 76 anos e também passou por todas as funções desde que chegou como jogador, aos 17. O Venturoso não tem patrocínio, não tem campo, não tem sede. Não ambiciona virar profissional, não tem pretensão de acumular títulos nem revelar talentos. O objetivo é reunir os amigos, jogar uma pelada todo domingo (em torneio ou amistoso) e depois ir para a “resenha”. A resenha é a cervejinha que rola após as partidas, geralmente acompanhada por uma feijoada, canja ou churrasco “quando aparece uma carne”. Tudo rola na casa de Ednardo. E Aspásia, claro, é a encarregada de cuidar dos comes e bebes.

- Acordo às 5h de domingo para deixar tudo pronto antes de ir para o jogo – conta Aspásia, que ainda lava uniformes sujos deixados pelos jogadores.

Venturoso une a família de Ednardo (Foto:Divulgação)

Os jogos são aos domingos, mas a programação começa religiosamente toda terça-feira, às 19h30. Uma reunião define onde será a partida, contra quem (se não tem torneio em andamento), e como o time irá se deslocar. E, principal, da onde virá o dinheiro para bancar o transporte do pessoal e a resenha. Geralmente o custo semanal fica entre R$ 320 e R$ 350. Uns R$ 150 vão para ônibus e o resto vai para comprar cerveja, comida e ajudar na gasolina para quem mora longe.

- A gente reúne R$ 30 aqui, R$ 10 ali. Cada um ajuda como pode. É difícil arrumar o dinheiro, mas sempre conseguimos – diz Fred Flexa, o Fredão, treinador que está envolvido há 30 anos com o time.

Com a fama conquistada na capital do Ceará, o Venturoso se dá ao luxo de cobrar R$ 100 por amistoso. O dinheiro ajuda no cachê das estrelas do time.

- Para os melhores jogadores a gente paga entre R$ 15 ou R$ 20 por partida, dependendo da qualidade técnica – fala Fred, sério, o que parece até piada para quem está acostumado com os números milionários do futebol.

Toda semana é assim, o Venturoso, que pelo dicionário significa “aquele que é feliz”, leva sua energia para algum canto da cidade.

Você já ouviu falar em camiseta antiagarrão?

por mauro em 17.out.2011 às 13:35h

Olha que negócio diferente os caras inventaram no Rio. Matéria da TV LANCE! do amigo Sandro Miranda.

Camiseta antiagarrão

Futebol à mercê da maré na Bahia

por mauro em 07.out.2011 às 19:18h

Na ilha de Morro de São Paulo, um dos muitos paraísos da Bahia, as peladas que misturam nativos com turistas têm uma rotina curiosa. Lá, o que define os horários dos jogos é a maré. Isso mesmo. Explico:

É que a parte de areia batida, onde a bola rola mais fácil,  é engolida pelo mar durante parte do dia. Por isso, só dá para jogar durante a maré baixa. Nessa época do ano, a água sobe a partir das 9h. Ou seja, é preciso deixar a preguiça de lado. Para jogar bola, somente acordando cedo.

Pelada na ilha de Morro de São Paulo rola enquanto maré está baixa (Fotos: Mauro Graeff Júnior)

 

- Bom é que aqui a galera vem tarde para a praia porque tem festa até de madrugada. Dá pra bater bola antes de trabalhar – contou Rogério Souza, 26 anos, um cearense que trabalha num quiosque e joga antes de começar a trabalhar de garçom.

Banco de reservas é em cadeira de praia e sob guarda-sol

A pelada é daquelas sem goleiro. Canos de pvc formam uma goleirinha com menos de um metro quadrado. Vence quem fizer dois gols. E as dimensões laterais são improvisados. De um lado a linha é formada por guarda-sóis. O outro é o mar. Bola na água é bola fora. Como a maré vai subindo, o campo vai diminuindo de um lado, até por volta das 11h, quando o jogo acaba.

Ah, tem outra coisa legal do futebol lá. Dá uma olhada na foto ao lado. É o banco de reservas. Nada mal, hein.  Morro de São Paulo é uma ilha a 300 quilômetros de Salvador. Linda. Só dá para chegar de barco. Se você gosta ou não de futebol, vale a pena conhecer.

 

O time que nasceu de uma tragédia

por mauro em 16.set.2011 às 15:08h

Dizem que a dor de perder um filho é impossível de ser explicada. Clair Flores da Cunha, 40 anos, também não consegue explicar. O filho dela, Heyder,  morreu num acidente de moto em 2009, no vigor dos seus 20 anos. Da tragédia nasceu o Manos Futebol Clube, time que disputa campeonatos amadores em Viamão, região Metropolitana de Porto Alegre. Foi a maneira encontrada pela mãe arrasada para homenagear o jovem que era louco por futebol.

Nova camiseta do time terá uma foto de Heyder, jovem que morreu em 2009

Heyder foi criado pela mãe. Desde criança chamava a atenção no bairro pelo talento com a bola nos pés. Destacou-se em torneios na cidade, era um dos melhores da rua. Jogou na categoria de base do Inter e no São José de Porto Alegre até ir para o Independente de Limeira (SP). Não adaptou-se no interior de São Paulo e voltou a Viamão, sem deixar de sonhar em viver do futebol.

A esperança foi interrompida por um acidente. No dia 27 de abril de 2009, Heyder dirigia uma moto que bateu em um poste. Ele voltava de uma partida de futsal em que havia marcado três gols. Morreu após 28 dias internado na UTI de um hospital da Capita gaúcha.

- Três meses depois da morte, eu estava em casa pensando nele. Decidi que a melhor maneira de fazer uma homenagem era criar um time. Perto do futebol eu estaria perto dele – recorda Clair, que embaralha a voz ao falar no filho.

Ela chamou os amigos criados com o filho na Vila Augusta Meneguine, na periferia da cidade. Todos toparam, inclusive Marcelo, que estava na carona da moto e sobreviveu. Assim nasceu o Manos, uma referência ao apelido de  Heyder, chamado de Mano desde garoto. Ele era o artilheiro da vila e o que parecia ter o futuro mais promissor entre a “gurizada”. Além de referência com a bola nos pés, era o líder da turma, o amigão de todos.

Clair mantém quarto com as conquistas do filho (Foto:Divulgação)

- Foi chocante demais a morte dele. Jogamos nossas medalhes e uma bola no caixão no dia do enterro. Hoje, jogamos futebol por ele. Quando a bola está rolando, sabemos que ele está com a gente – diz Dinho Garcia, 26 anos, um dos melhores amigos.

Desde a criação o time vem colecionando títulos em campeonatos amadores. O último foi há dois meses, um torneio com 10 times de futebol sete. O Manos tem também equipes de futsal e de futebol 11. O problema é dinheiro para participar das competições. Sem patrocínio, só entram em disputas quando arrumam grana. Fazem rifas com garrafas de vinho e barras de chocolate doadas por comerciantes. Muitas vezes caminham 15 quilômetros para ir aos jogos porque não têm dinheiro para a passagem de ônibus. Ninguém reclama.

Jogadores do Manos costumam levar faixas em homenagem ao amigo (Foto:Divulgação)

O erforço é para levar mais troféus para o quarto de Heyder, mantido intacto desde o acidente. Clair deixou lá as medalhas, as roupas, os pares de tênis no mesmo lugar, como se o filho tivesse para voltar a qualquer momento. Cada nova conquista do time vai para lá.

- Meu ideal de vida é esse time. Ver esses meninos jogando traz um pouco de conforto. O futebol era o que meu filho mais amava. Enquanto eu puder, vou viver para ajudar o futebol.