*Coluna publicada na edição deste sábado do LANCE!. Vou usar meu blog para publicar os textos deste mês. Não é sobre futebol português, mas vale registrar…
A supervalorização de Ganso e Montillo
As novelas envolvendo os futuros de Ganso e Montillo tomaram o noticiário esportivo nas últimas semanas. E mexido com os torcedores. Vende ou não vende? Santos e Cruzeiro, respectivamente, seguem irredutíveis nas negociações: liberação apenas com o pagamento da multa rescisória. Estratégia ousada e, ao meu ver, arriscada. Bastante arriscada.
Segurar no elenco um craque insatisfeito é a desvalorização do próprio patrimônio. Conturbação do ambiente e queda do nível técnico são apenas alguns problemas que podem surgir a curto prazo. Mas o imbróglio também diz respeito aos cofres dos clubes – o retorno financeiro também pode ser afetado. Será que novas propostas astronômicas vão chegar? Não acredito.
Que fique claro, não estou dizendo que Santos e Cruzeiro precisam aceitar qualquer oferta que chegar e, em seguida, correrem o risco de ficarem se perguntando: “Poderíamos ter vendido por mais? Valeu a pena?”. Com certeza, existem interessados dispostos a oferecer valores vantajosos e dentro da realidade. A oportunidade pode ser única e precisa ser aproveitada.
Com exceção a Neymar, não acredito que outro talento atuando nos gramados brasileiros seja digno dos milhões estipulados na multa. Lucas? Talvez, daqui a uma ou duas temporadas, dependendo também da sequência na Seleção Brasileira. Agora, sinceramente, Ganso e, principalmente, Montillo, não correspodem às cifras nos papéis. Não é simplesmente uma questão de opinião pessoal, é também uma análise rápida na relação custo-benefício, levando-se em conta revenda, idade e, claro, técnica.
Aos 22 anos, Ganso já operou os dois joelhos e está longe de ser aquele jogador que encantou o Brasil em 2010. Caiu muito de produção. Isso sem mencionar que o camisa 10 santista é visivelmente problemático (ou mal assessorado). Qual grande clube europeu toparia desembolsar 50 milhões de euros (cerca de R$ 118 milhões) por ele? Nenhum. Anzhi Makhachkala (RUS), Tottenham(ING) e Paris Saint-Germain (FRA) podem oferecer metade deste valor nos próximos dias. É a chance de ouro para o Peixe fazer dinheiro.
E o que dizer da situação de Montillo? A Raposa pagou 3,5 milhões de dólares (na época, aproximadamente R$ 6,2 milhões) para tirá-lo da Universidad de Chile no segundo semestre de 2010. Ótima contratação. O Flamengo que o diga, não? Hoje, o clube tem em mãos uma proposta tentadora – para não dizer, absurda ou maluca – do Corinthians de 8,5 milhões de euros (aproximadamente R$ 20 milhões). Os dirigentes cruzeirenses seguem batendo o pé e querem 15 milhões de euros. Uma insanidade ainda maior.
Tudo bem, o meia argentino comeu a bola nas duas últimas edições do Campeonato Brasileiro e entrou na lista de ídolos recentes da Raposa. Não tem como negar que ele, aos 27 anos, está entre os principais jogadores que atuam aqui. Ainda assim, está de longe de valer o que o Timão aceita pagar. Bem longe. Com esse dinheiro, a equipe mineira poderia sanar boa parte de sua dívida e ainda investir em um ou dois reforços de peso. Um time forte e competitivo para esquecer de vez a pífia temporada de 2011. É uma boa troca.
Que Cruzeiro e Santos não sigam o mesmo erro do São Paulo, que, em meados de 1998, recusou uma proposta milionária do futebol europeu por Dodô. Na ocasião, o atacante tinha 24 anos, e vivia grande fase (havia sido o artilheiro do Campeonato Paulista, em 1997). A supervalorização foi um tiro que saiu pela culatra. Pouco tempo depois, ele caiu de rendimento e mostrou que era apenas um fazedor de gols bonitos. Bom jogador, sem dúvida, mas bem longe de ser um craque com tamanhas cifras por trás. Acabou negociado com o Santos por “preço de banana”…
Três toques
Meu Deus!
A revelação do vice-presidente Roberto Frizzo de que o interesse no meia Carlos Alberto surgiu por indicação de um ex-pastor evangélico da Igreja Bola de Neve é mais um exemplo de que o futebol do Palmeiras está jogado às traças. Impressiona a quantidade de gafes e erros da atual gestão. Assim como no ano passado, o técnico Luiz Felipe Scolari vai ter trabalho para tentar contornar o que vier a acontecer nos bastidores…
Se cuidem, goleiros…
Os goleiros do futebol brasileiro terão trabalho nesta temporada. Qualidade é o que não vai faltar aos ataques de Corinthians, Fluminense, Grêmio, Internacional e Santos: Emerson e Liedson, Fred e Rafael Sóbis; Kleber e Marcelo Moreno; Dagoberto e Leandro Damião; Neymar e Borges. Qual é a melhor dupla? Pergunta complicada. Pelo entrosamento e qualidade individual, acredito que os santistas levam vantagem e vão brilhar outra vez.
Parabéns, Flu!
Wagner? Jean? Bruno? Que nada! A chegada de Rodrigo Caetano para assumir o cargo de diretor executivo de futebol é a grande contratação do Fluminense para 2012. O dirigente realizou um ótimo trabalho no Vasco da Gama e merece tamanha valorização. Em São Paulo, Edu Gaspar (Corinthians) e César Sampaio (Palmeiras) têm tudo para obter o mesmo sucesso na área. A visão de quem já esteve do outro lado é fundamental.