Trabalho no LANCE! desde dezembro de 2009 e, nesta casa, sempre fiz a cobertura do Botafogo. Em 2010, comecei a ir nos estádios por todo o Brasil para acompanhar o Glorioso e a maior emoção que tive como jornalista foi justamente em um clássico diante do Fluminense, até aqui o único de 2011. Foi um confronto histórico. Virada, revirada, duas expulsões, duas cavadinhas. Senti o Engenhão vivo neste dia.
Em 6 de fevereiro, Botafogo e Fluminense duelaram na primeira fase da Taça Guanabara. O Tricolor vinha embalado pelo título Brasileiro, já o Glorioso ainda tentava encontrar seu esquema ideal. Admito que eu não acreditava muito em uma vitória do Alvinegro, mas tudo conspirou pela Estrela Solitária. E Loco Abreu brilhou.
Primeiro, o camisa 13 bateu pênalti de cavadinha e perdeu. O clima pesou. Porém, três minutos depois, o uruguaio teve outra oportunidade (que caiu do céu) e repetiu a dose na batida, que desta vez entrou, para delírio da massa alvinegra. Era o empate do Bota. Herrera decretou números finais ao jogão: 3 a 2.
O triunfo deu moral ao Botafogo, mas o time não embalou no Estadual. O que ficou foi a lembrança. Para este sábado, creio em mais uma grande partida entre os vovôs do Rio.
Abaixo, coloco o que escrevi sobre o jogo para o jornal de 7 de fevereiro:
Definitivamente, Loco Abreu tem aquilo roxo. Tanto é, que ele faz questão de mostrar isso nas comemorações. De vilão a herói em menos de cinco minutos, ontem o atacante fez História, com H maiúsculo. É daqueles jogadores fora de série, dono de uma estrela do tamanho da que o clube que representa possui. Mágico, frio, de cabeça erguida, El Loco justificou apelido e cavou o nome para sempre no Clássico Vovô.
Não tem como a visão do Botafogo ser diferente, não tem como o olhar alvinegro ir para outro lugar. Quando a camisa 13 do Glorioso vai para a penalidade, as arquibancadas esperam hipnotizadas. Porém, aos sete minutos do segundo tempo, a infalível cavadinha falhou e o maior motivo de orgulho dos alvinegros nos últimos 15 anos virou piada. Diego Cavalieri ficou no meio do gol e Abreu transformou-se em farsa.
De burro para baixo, o uruguaio recebeu adjetivos que jamais havia escutado com a camisa do Botafogo. Seria o fim da idolatria, mas não foi, porque Abreu é um ídolo nato. Na subida seguinte ao ataque, outro pênalti.
Na batida, El Loco. Na rede, finalmente a cavadinha. A jogada voltou ao patamar das maravilhas alvinegras, Loco Abreu recuperou o posto de imortal e o Glorioso empatou em 2 a 2 com o Tricolor.
O lance épico teve como prólogo uma primeira etapa nervosa, na qual o time não entregou-se.
Depois da doce insanidade, a torcida jogou junto e Herrera fez o gol da consagração, do ufa, daquela que foi uma das maiores vitórias que o Botafogo teve no Engenhão. Triunfo de líder, na raça, na vontade, no coração e nos colhões de Loco Abreu. Mítico, utópico, lendário: este é o Botafogo de El Loco, um doido iluminado.
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