Centenarazo!
Uruguai pressiona, perde gols, Júlio César faz os milagres usuais, o Brasil fica acuado, mas, no contragolpe, faz 4 x 0. Vitória típica da Seleção de Dunga. A primeira em Montevidéu em 33 anos. A maior do Brasil no Uruguai
Trinta e três anos é muito tempo. Sete partidas (quatro derrotas e três empates), nem tanto. 0s 4 a 0 do Brasil sobre o Uruguai foram históricos. A atuação, nem tanto. O melhor ataque das Eliminatórias, o uruguaio, teve ao menos dez chances de gol. O Brasil, mais uma vez no contragolpe, teve oito. E marcou a metade. Com dois gols dos representantes da melhor defesa da competição – Daniel Alves (que ainda salvou na boca da meta mais dois gols uruguaios) e Juan (que fez de cabeça, e ainda ajudou a anular o artilheiro europeu da temporada – Diego Forlán).
Belíssimo placar. Atuação, nem tanto. Típica partida do Brasil de Dunga. Os laterais presos (Kléber não apoiou e não marcou), e Daniel Alves avançando pouco para uma Seleção brasileira. Mas, quando ele foi, ganhou um gol de Viera, num chute de 40 metros, o primeiro brasileiro, aos 11, que quicou no horroroso gramado, e traiu o goleiro.
O Uruguai seguiu martelando, também pelo recuo excessivo dos três do meio brasileiro. Gilberto Silva era quase um quinto zagueiro, com Elano e Felipe Melo mais volantes que armadores pelos lados, afundados em nossa área. Kaká distante deles, e sem o brilho usual. Robinho apenas aberto pela esquerda, e só Luís Fabiano brigando demais com a zaga. A ponto de sofrer, aos 32min, um pênalti de Váldez não marcado pelo árbitro que deixou o jogo correr.
O 1 a 0 Brasil já era muito quando, aos 35, num escanteio, Juan cabeceou e Viera defendeu. A bola foi parar de novo à direita, desta vez para o passe preciso de Elano na cabeça de mais um zagueiro-artilheiro: Juan, 2 x 0 Brasil. Pronto. O Uruguai saiu ainda mais para o jogo, e Júlio foi ainda mais o excepcional goleiro que é.
O Uruguai voltou do intervalo com três atacantes, mais Forlán recuado como meia, e abriu-se de vez para o contragolpe brasileiro. Algo que não se pode fazer jamais: numa bela trama, Luís Fabiano fez 3 a 0, aos 6. O Uruguai ainda lutou, mas o Brasil acertou o pé no contragolpe. O árbitro errou ao expulsar Luís Fabiano, aos 19. E, mesmo com um a menos, dez minutos depois, Kaká fez o quarto, no pênalti infantil que ele mesmo sofreu.
Na maior vitória brasileira no Uruguai em 93 anos de clássico.
Numa partida para celebrar pela felicidade suprema que é ter a meta defendida por um goleiro como Júlio César.
Numa goleada para louvar a capacidade ofensiva do ataque, ou melhor, do contragolpe brasileiro.
Mas num jogo que merece debate: o Brasil só funciona no contra-ataque? Nosso contra-ataque é a melhor defesa?
ABAIXO, o minuto a minuto escrito DURANTE a goleada brasileira.
FAIXA DA TORCIDA URUGUAIA – “1950-2014 – A história deve continuar”
MACHUCADOS – Maicon
SUSPENSOS – Lugano e Cristián Rodríguez.
URUGUAI – 4-4-2. Viera-1; Maximiliano Pereira-16, Valdez-2, Godín-3 e Cáceres-11; Martinez-5, Perez, Eguren-8 e Alvaro Pereira-14; Suárez-9 e Forlán-10 (capitão) – TÉCNICO – Oscar Tabarez
BRASIL – 4-3-1-2. Júlio César-1; Daniel Alves-2, Lúcio-3 (capitão), Juan-4 e Kléber-6; Gilberto Silva-8; Elano-7 e Felipe Melo-5; Kaká-10; Luís Fabiano-9 e Robinho-11. – TÉCNICO – Dunga.
BANCO – Gomes; Ramires; Nilmar
ÁRBITRO – Saul Laverni (Argentina) – Guistavo Esquivel (Argentina) e Ariel Bustos (Argentina)
COMEÇOU – 16h02.
5min – Jogo de estudos, logo, chato. Brasil aposta na bola longa, Uruguai tenta jogar.
8min – Juizão deixa o jogo seguir, e não marca falta dura de Kléber em Martínez.
10min – Forlán sai bastante da área, e tenta armar no gramado muito ruim do Centenário.
11min – Uruguai assume o ataque. Brasil, o contragolpe.
11min20s – GOOOOOL. 1 X 0 BRASIL. DANIEL ALVES. DA MEIA-DIREITA. PÉ DIREITO. GLUGLUGLUGLUGLU. Bomba de longe, a bola bateu no gramado horroroso, e matou Viera, que foi muito mal no lance.
12min – Uruguai responde em jogada de fundo, em falha da zaga brasileira.
13min – Gol caiu do céu, e das mãos do goleiro uruguaio. Hora de trocar a bola, e não recuar ainda mais, dando campo e bola pro rival.
14min – Martinez, impedido, faz gol. Mas de novo passou como quis por Kléber.
18min – Daniel Alves agora salva o empate, em mais um lance de bola parada charrúa, antecipando-se a Alvaro Pereira. PLACAR VIRTUAL 1 X 1.
20min – AMARELO. L.Fabiano. Falta dura e tola na lateral do campo. Está fora do jogo contra o Paraguai…
21min – Mais uma bola cruzada que passa pela área brasileira.
21min – Adivinhe: Daniel Alves salva o segundo gol dos homens, sobre a linha, em boa jogada pela direita. Na sequencia, bomba de longe, a zaga bobeia. Tá difícil. Recuamos demais. PLACAR VIRTUAL – 2 x 1 URUGUAI.
26min – Eguren, de cabeça, à direta de JC. Cruzamento da direita, ninguém acompanhou o volante. PLACAR VIRTUAL 3 x 1.
29min – Segue a pressão. Os caras em cima da gente, e não conseguimos sair. Kaká distante dos três do meio, e esses três muito enfiados em nossa área.
31min – Bela arrancada de Felipe Melo, que serviu L.Fabiano, que chegou tarde.
32min – Pênalti que o argentino não marca. Kaká lança e L.Fabiano cai na área, derrubado por Valdéz. Nada. Brasil dá uma aliviada na pressão. Apenas por fazer o meio sair de trás.
34min – Belo calcanhar de Robinho pra D.Alves, Cáceres salva. Equilibramos o jogo.
35min – Juan de cabeça, bela defesa de Viera, depois de escanteio da direita.
35min – GOOOOOOOL. 2 X 0 BRASIL. JUAN. CABEÇA, DENTRO DA ÁREA. No rebote do goleiro e do bico de Eguren, a bola sobra para Elano, pela direita, que cruza bem no primeiro pau para o zagueiro, que se antecipa e faz o segundo gol. PLACAR VIRTUAL – 3 X 2.
38min – Alvaro Pereira sozinho toca no canto direito de JC, que faz espetacular defesa. Na sequencia, Suárez divide com o goleiro, que alivia com os pés. PLACAR VIRTUAL – 4 x 2 URUGUAI.
40min – Bela arrancada de Kaká pela esquerda. Brasil vai bem no contragolpe contra um Uruguai que segue se mandando à frente. E Kléber continua sem marcar bem pela lateral. Toda bola é cruzada na área brasileira.
43min – Suárez, cara a cara, bate: JC, pra variar, fecha o ângulo e defende. Na sobra, Suárez bate, a bola vai pra fora. Que fase a do goleiro. E já dura uns três anos. PLACAR VIRTUAL – 5 x 2 URUGUAI.
INTERVALO – Típica partida do Brasil de Dunga. Contragolpe, recuado, Júlio fazendo milagre, aproveitamento total das chances: 2 x 0 Brasil. Mas é preciso jogar mais.
RECOMEÇOU – 17h07
MUDOU URUGUAI – Saiu o volante-direito Pérez e entrou o centroavante Loco Abreu-13. Eles trocam o 4-4-2 pelo 4-3-3. Suárez abre como ponta pela direita, Abreu fica centralizado, Alvaro Pereira abre pela esquerda, e Forlán recua um pouco. É algo mais próximo ao 4-2-1-3, com Martínez e Eguren com os volantes.
6min40s – GOOOOL. GOLAÇO. 3 X 0 BRASIL. LUÍS FABIANO. PÉ DIREITO. DA PONTA DIREITA. Os caras dão mole, dão espaço, dão contragolpe, a seleção nem precisa jogar muito. Belo contragolpe puxado por Robinho, com Kaká, com o passe final de Elano para Fabiano estufar a rede. Definitivamente: não se pode atacar o Brasil. Qualquer Brasil. PLACAR VIRTUAL – 5 x 3 URUGUAI.
9min – Robinho pela mal na bola e joga à esquerda bom contragolpe nacional. PLACAR VIRTUAL 5 x 4 URUGUAI.
10min – Zurdazo de Forlán, uma bomba de canhota, boa defesa de JC. PLACAR VIRTUAL – 6 X 4 URUGUAI.
12min – AMARELO. Valdéz.
13min – Luís Fabiano perde ótima chance, em grande defesa de Viera. PLACAR VIRTUAL – 6 x 5 URUGUAI.
15min – Desta vez é Godín que faz falta na entrada da área sobre o imparável L.Fabiano e o árbitro nada marca. No contragolpe, o Brasil faz a festa. Não tem jeito: para enfrentar a Seleção Brasileira, qualquer que seja nosso time, qualquer que seja nosso técnico, é dever não dar o espaço que foi dado ao contragolpe brasileiro. É pedir para perder feio. E nem precisa o Brasil jogar bonito.
17min – Maximiano Pereira manda o zurdazo à esquerda de JC. PLACAR VIRTUAL 7 X 5 URUGUAI.
18min – L. Fabiano aparece livre e bate para ótima defesa de Viera. PLACAR VIRTUAL 7 x 6 URUGUAI.
19min – VERMELHO. L.Fabiano pula para não se chocar com o goleiro, e não simulou pênalti. Caiu na área porque a Lei da Gravidade é anterior a do futebol. Menos para o árbitro, que deu o segundo amarelo, e o expulsou injustamente. Brasil fica no 4-3-2, com Kaká e Robinho à frente, G.Silva à frente da zaga, Ramires e F.Melo pelos lados.
20min – MUDOU – Saiu Alvaro Pereira, e entrou Fernández, no Uruguai.
20min – MUDOU – Saiu Elano, e entrou Ramires. É o caso de Dunga poupar gente para o jogo duríssimo contra o Paraguai.
24min – Ramires recebe livre pela direita e mandou mal, à direita, na sua estreia pelo Brasil. PLACAR VIRTUAL 7 x 7.
26min – PÊNALTI! Kaká derrubado na área em pênalti infantil de Godín. Desnecessário, em belo passe de Daniel Alves.
29min12s – GOOOOOOL. 4 X 0 BRASIL. KAKÁ. PÉ DIREITO. MEIA ALTURA, CANTO ESQUERDO. Goleiro do outro lado. Que coisa. PLACAR VIRTUAL – BRASIL 8 X 7. E com um jogador a menos.
MUDOU URUGUAI – Saiu Suárez, entrou Cavani no ataque.
34 – E o Uruguai segue no ataque. Mas já é a maior vitória brasileira no Centenário. Apenas quarta na história.
35min – Mais duas defesas impressionantes de JC, no mesmo lance. PLACAR VIRTUAL – BRASIL 8 X 8.
38min – NO TRAVESSÃO! Bomba de Abreu na frente de JC. PLACAR VIRTUAL – URUGUAI 9 X 8.
40min – MUDOU – Sai Robinho e entra Júlio Baptista; sai Kaká e entra Josué. Demorou a mexer Dunga.
41min – VERMELHO. Maximiliano Pereira chuta Ramires. Bem expulso. 10 x 10 em campo.
44min – Adivinhe. Espetacular defesa de Júlio César. Já perdeu a graça. PLACAR VIRTUAL – URUGUAI 10 X 8.
45min – AMARELO. Eguren. Falta dura.
ACABOU – A maior vitória da história do Brasil em 93 anos de clássico no Uruguai.
NOTAS -
JÚLIO CÉSAR – Seis estupendas defesas. Ou maravilhosas. Ou sensacionais. Que fase! E fase que já dura meses! Nota 10.
DANIEL ALVES – Cresce nas decisões da Seleção. Levou sorte no primeiro gol, e salvou mais dois no primeiro tempo. Se teve problemas com Alvaro Pereira, mais não merece ser cobrado. Nota 8.
LÚCIO – Rebateu quase tudo, e teve problemas no jogo aéreo. Salvo por JC – 6.
JUAN – Melhor que o companheiro, sofreu com Abreu e com a movimentação de Forlán. Salvo por JC, mas fez um gol – 7.
KLÉBER – Apoiou pouco e sofreu muito com Martínez. Deixou várias bolas serem cruzadas na área – 5.
GILBERTO SILVA – Eficiente demais, teve de atuar quase como um quinto zagueiro. Mas ainda queria um Brasil mais aberto, mais brasileiro, mais leve no meio – 6.
ELANO – Belo passe para o gol de Juan, muita luta e trabalho para fechar o lado direito – 6.
[RAMIRES - ótima movimentação para uma estreia. Se jogar mais vezes como volante no Cruzeiro, pode ser titular - 6]
FELIPE MELO – Discreto como sempre, teve mais trabalho para ajudar Kléber – 6.
KAKÁ – Para o jogador que é, pareceu cansado e sem muitas ideias. Ainda assim, sofreu o pênalti e articulou o terceiro gol – 7.
[JOSUÉ - sem nota]
LUÍS FABIANO – Sofreu um pênalti não marcado, recebeu dois cartões discutíveis, fez um belo gol, e esteve muito isolado – 8.
ROBINHO – Apagado, muito aberto pela esquerda, poucos lances objetivos ou de efeito – 6.
[JÚLIO BAPTISTA - sem nota]
DUNGA – A maior vitória brasileira no Uruguai, a primeira em 33 anos, 4 x 0? Ainda assim, há como discutir um Brasil muito recuado, que só funciona quando o rival dá o campo e o mole que deu a defesa uruguaia. Mas não há como rebaixar a nota do treinador – 8]
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