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Irresponsáveis

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

 

Os presidentes de São Paulo e Corinthians falam demais. O do Palmeiras, de menos.

Juvenal e Andrés podem manter sua discussão de boteco nos urinódromos de bares, mas não devem trazer seus ressentimentos pessoais, suas picuinhas profissionais e seus negócios para a mídia e para o torcedor sem modos e meios. Mantenham fora do foco e do fogo os estultos que cobram de reservas dos reservas pelo mau futebol e pelos problemas do Palmeiras, por exemplo.

Cada palavra envenada e com querosene dos presidentes de Corinthians e São Paulo pode incendiar torcidas e pavios curtos. Andrés, ao menos, admite normalmente quando erra e quando detona pólvora. Juvenal, soberbo e jactante, encastelado em seu feudo, evidentemente não se mistura. E não admite que suas preconceituosas declarações não enriquecem o debate, não corrigem injustiças, e não trazem nada de positivo ao futebol – a não ser fios desencapados e audiência para a imprensa.

A irresponsabilidade de Juvenal e Andrés é proporcional ao silêncio e omissão da gente que tenta administrar o Palmeiras e não consegue. Não apenas pelos problemas que o próprio clube cria. Mas pela falta de um pulso mais firme, de uma língua mais dura para enquadrar quem se perde com a bola, com as boladas, com a língua, com a torcida, com as comissões, com tudo.

Andrés tem razão em exigir mais dos cartolas e atletas quando jogador é agredido apenas por ser um jogador de um time em má fase crônica. Mas é o mesmo dirigente que pouco fez quando o próprio clube foi atacado depois da derrota para o Tolima e outras atitudes tão absurdas quanto a que sofreu João Vítor – ainda que também ele aparentemente não tenha sido apenas vítima. É o mesmo cartola que cita salários e luvas de um atacante de um co-irmão que poderia ir para outro co-irmão. Dirigente que, como fundador da Pavilhão 9, deveria conhecer o poder que as torcidas profissionais têm.

Se comentarista fosse, e seria dos bons, porque entende de futebol, negócios e muitas coisas, Andrés poderia falar. Mas Andrés só é ouvido por ser presidente do Corinthians. Precisa pensar e se portar como tal. Como também deveria fazer o mesmo o Juvenal que atira a torto e sem o menor direito, achando-se superior aos pares, e acima das questões, inclusive as legítimas e legais.

Tirone entraria no  balaio de ferro do trio se estivesse há mais tempo na jogada. Ou se minimamente se manifestasse. O que não faz nem no mínimo. Nem no máximo. Nem na média. Ou apenas na média.

Claro que a encrenca com João Vítor não tem a ver com o que costumam brigar presidentes de São Paulo e Corinthians, e com o que não costuma lutar o presidente do Palmeiras. O que falei no “Jogo Aberto” da Band (e que gente que não quer raciocionar troca as bolas com a mesma facilidade com que jogador troca de clube) é que muito da intolerância entre eles acaba levando ao absurdo que se vê em campo, nos CTs e, agora, também nas ruas.

Defender o seu sem atacar o do outro é atitude cada vez mais rara na vida e no futebol. As gratuitas (porém caríssimas) agressões virulentas, verbais, vernaculares e verorissímeis entre presidentes servem para quê?

Estão todos errados. Uns mais, outros menos. Mais ou menos como Felipão e Kleber, no Palmeiras. O treinador palmeirense não tem sido o que foi. Kleber, desde o e enrosco com o Flamengo, ainda menos. Mas, ao menos, um sempre quis ficar no Palmeiras. Outro, que sempre quis retornar ao clube, parece jamais ter se contentado em voltar. Ou ficar.

Não é preciso dizer quem o Palmeiras deve escolher. E, quem permanecer, que deve ser Felipão, precisa também mudar. Melhorar. Para não perder o pouco de elenco que tem a favor. O que não é problema incontornável. Telê Santana, multicampeão pelo São Paulo, entre 1991 e 1994, sempre teve parte do elenco contra. Alguns que estarão na homenagem a ele a ser feita em 10 de dezembro, na reinuaguração do estádio do Ibirapuera, não gostavam do treinador que hoje idolatram.~

A bola resolveu as questões. Problema que o atual elenco do Palmeiras parece distante de conseguir. Ainda mais porque também tem gente de chuteira virada em relação a Kleber dentro do elenco. Outro que, do nada, em pouco tempo, conseguiu perder um jogo que ganhava de goleada.

Administrar grupos é assim mesmo. Tem gente que trabalha comigo e não gostaria de estar ao meu lado. Como tem gente com quem eu não faço questão de trabalhar ao lado. E, mesmo assim, estamos todos juntos. É assim a vida.

Só não pode ser a morte que irresponsáveis alimentam e aumentam quando pensam com os cotovelos e fígados. Se pensam.

(Ah, sim, e o termo “pensar” não faz referência ao português mal tratado por Andrés, que é inculto, mas muito inteligente; e também não pode ser usado em deferência a Juvenal, culto e inteligente, mas que usa o cérebro como a imprensa usa as declarações dele: sempre para o pior lado).

E, sim: Andrés e Juvenal estão entre os maiores presidentes da história dos clubes que bem dirigem. E até nisso eles usam algumas vezes para o pior lado.

Desdemitido

terça-feira, 17 de maio de 2011

Nenhum cartola do São Paulo demitiu Carpegiani na sexta-feira. Mas ninguém nem de perto o manteve.

Não há outro treinador disponível no mesmo nível, categoria e experiência. Não interessa saber quanto é o valor da multa. Mas também isso pesou na decisão indefinida da direção tricolor.

Rivaldo merecia a punição do mesmo modo como o torcedor merece algo mais de um elenco que não é um espetáculo. Nem o horror que o próprio clube construiu.

São Paulo 0 x 2 Santos – Semifinal SP-11

segunda-feira, 2 de maio de 2011

 

  

Até o vencido Carpegiani reconheceu que o vencedor Muricy foi determinante na vitória do Santos sobre o São Paulo, depois de um primeiro tempo de domínio tricolor. No intervalo, depois de 15 minutos finais avassaladores são-paulinos, o santista trocou o (mais uma vez) inoperante atacante Zé Eduardo por um terceiro zagueiro pela direita (Bruno Aguiar); os laterais Jonathan e Leo viraram alas, Arouca e Danilo passaram a atuar lado a lado como volantes, Elano foi adiantado como meia-atacante, e Ganso virou homem de frente ao lado de Neymar. Do 4-3-1-2 ao 3-4-1-2, o Santos passou a marcar melhor a partir do meio-campo, e reequilibrou o San-São.

São Paulo dominou primeiro tempo no 4-3-2-1 contra o Santos no 4-3-1-2

Quando o São Paulo voltava a criar um pouco mais, um contragolpe bastou para Neymar se fazer às costas de Xandão (que não substituiu Rhodolfo a contento), e Ganso achar Elano livre para abrir o placar. O São Paulo se abriu um tanto mais, o Santos recuou e, mais um lance de craques entre Ganso e Neymar deu no segundo gol, o da classificação merecida para um time de trabalho e de talento.

A estratégia confessa de Muricy era de “trabalhar mais a bola na frente, segurá-la mais no ataque”. Para melhorar o jogo ofensivo, reforçou o defensivo. Não por colocar mais gente na zaga. E, sim, mais jogadores de qualidade no meio. Eram quatro atrás e mais três volantes. Na segunda etapa, um zagueiro a menos, dois laterais mais soltos, dois volantes que jogam, mais um livre como meia-atacante.

Deu mais do que certo, muito por conta do talento de Neymar e Ganso, algo pelas falhas rivais. Mas quem não cornetou Muricy ao sacar um centroavante “do Santos de DNA ofensivo” por mais um zagueiro numa defesa a três “que não é característica do futebol brasileiro”? Muitos que, provavelmente, dão mais valor à mexida do banco que aos talentos de campo que devem voltar classificados do México.

A boa sacada de Muricy, apostando no pouco usual 3-4-1-2

 

Se há crítica a ser feita a Muricy é a insistência em deixar Elano tanto tempo em campo. Melhor seria resguardá-lo de início, com Adriano na cabeça da área, Arouca e Danilo pelos lados. Evitaria o desfalque sério para a Libertadores. Mas daí é querer prever o futuro. Tão incerto e imprevisível como qualquer mexida de treinador.

Noite de Copa do Brasil

quinta-feira, 7 de abril de 2011

 

* Como é que pode só empatar com o lanterna do Paulistão e não passar de fase jogando como mandante? Como é que pode, Atlético Mineiro? Como é que pode desmontar o elenco durante o ano e remontá-lo com atletas fora de forma?

* Dorival Júnior é dos melhores treinadores do Brasil. Mas não têm sido feliz em 2011. Não basta apena afastar quem supostamente está de mal com o técnico. É preciso afastar quem está de mal com a técnica. Algo que acomete gente boa e outros nada bons do elenco atleticano.

* O Vasco ganhou da arbitragem um dos pênaltis menos pênaltis dos últimos anos. Por tabela, um jogador a mais, pela expulsão injusta como o pênalti inexistente. Virou com os calções nas mãos e os pés fora da forma contra um bravo ABC.

* O time não tem a ver com a ajuda que ganhou da arbitragem. Hora de respirar aliviado e entender que ainda falta muita coisa à equipe além de entrosamento e confiança. E, sim, laterais mais confiáveis.

* Everton Sena (Santa Cruz) fez das mais impiedosas, inclementes e, para mim, insanas marcações individuais dos últimos tempos. Nunca gostei da prática. Mas, em parte, funcionou para brecar Lucas, que perdeu de fato a cabeça e o equilíbrio por se achar injustiçado ao ser expulso.

* Lucas é ótimo também na humildade. Não vai se perder porque não se acha. Serve apenas de lição depois do sufoco além da medida que teve o São Paulo para eliminar o Santa Cruz em 180 minutos mais pegados que jogados.

* Se mantiver Gilberto, o que parece impossível, é time para brigar pelo acesso da Série D para a C. Se o São Paulo achar a regularidade que se perde com algumas mexidas de Carpegiani, o Tricolor segue como um dos favoritos ao título da Copa do Brasil.

* O Paraná é um time fragilizado que não teve como reverter a desvantagem sofrida na Vila Capanema. Sorte do Botafogo em reconstrução com Caio Júnior.

* Mas já havia um time mais solto e leve no Engenhão. Não é só o dedo do treinador. É algo que é difícil de descrever. Sei lá. Até porque o Botafogo é mesmo muito difícil de entender. Ainda mais neste futebol e nestes dias malucos e corridos, mais que pensados e curtidos.

Rodada 29 – Jogaço em São Januário! Santos! São Paulo!

domingo, 10 de outubro de 2010

! VASCO 3 X 3 GRÊMIO – O Vasco fez uma de suas melhores partidas num belo clássico em São Januário. Mas o gol no final que deixou um 3 x 1 virar 3 x 3 para o Grêmio levou o cruzmaltino às vaias naturais pelo placar. Não pela atuação carioca. Mérito, mais uma vez, do líder do returno.

+ Talvez os melhores jogos de Zé Roberto e Felipe com a camisa do Vasco. Mas não o bom jogo usual de Dedé na zaga. E o resultado também por isso se justifica, num grande jogo, dos melhores do BR-10

+ Jonas. 19 gols noBR-10. Já tem os números de Adriano e Diego Tardelli, no BR-09. E, claro, pode ampliá-los pelo ótimo momento tricolor.

! SANTOS 2 X 0 ATLÉTICO-PR – Sérgio Soares não conseguiu repetir pelo Furacão os grandes desempenhos contra o Santos. Até porque o ataque que não era o ideal(Maikon Leite e Bruno Mineiro) fez muita falta.

+ Alex Sandro, mais uma vez, ajudou a mudar a sorte alvinegra na segunda etapa. De novo entrou muito bem e deu boa dinâmica pela esquerda. Alan Patrick não foi tão bem. Mas Neymar mostrou que, mais focado, pode desequilibrar.

+ Não du para o Furacão. Mas o saldo  segue positivo. Tem crédito.

! GRÊMIO PRUDENTE 2 X 3 SÃO PAULO – Ricardo Oliveira e Lucas. Os nomes que explicam a vitória são-paulina, que quase um pênalti discutível (para usar um eufemismo) deixa virar empate que seria injusto.

+ O centroavante enfim fez gol fora do Morumbi. Mas fará muitos mais se o time mantiver a velocidade e qualidade dos dois nomes acima. Num esquema possível com Marlos e Fernandinho acelerando.

Carpegiani, ex-Atlético-PR, agora São Paulo

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Em campo, Paulo César Carpegiani foi um dos meio-campistas mais técnicos que vi. Como treinador, um dos mais completos que vi. No gramado, era meia com pés de volante. Ou cabeça-de-área (como foi pelo Brasil-74) com cabeça de armador. Não por acaso referência no maior Inter de todos, nos anos 70, não por acaso iniciando em campo, e depois como treinador campeão do mundo, o melhor Flamengo que vi, no final dos 70, início dos 80.

Ainda seria um excelente treinador para o Paraguai, eliminado na Copa-98 apenas na morte súbita pela futura campeã França, e também pela lesão no ombro de Gamarra. No ano seguinte, não ganhou pelo São Paulo. Mas num ano em que o Corinthians foi bi brasileiro – e seria campeão do mundo em janeiro de 2000 -, e o Palmeiras ainda foi campeão da Libertadores, em 1999, há como se entender. Sempre com o São Paulo de Carpegiani raspando a trave, parando nas semifinais para o rival fatalista. Em pontos, o desempenho dele foi dos melhores no Morumbi, desde Telê (1995), e compatível ao de Cuca – que não ganhou, mas deixou boa base no clube. Faturou 64% dos pontos. Teve mais vitórias, fez mais gols, e sofreu menos gols que o São Paulo de 2000 de Levir Culpi, campeão paulista e vice da Copa do Brasil.

Então, por vezes, exagerou na mão, na dose, nas mexidas (só repetiu escalação em 6 dos 69 jogos no Morumbi). Mas por lesões e outros problemas, apenas em 3 jogos pôde escalar todos os titulares. Quase nada.

Como faria outras vezes até montar o RS Futebol, onde lançou Thiago Silva, Naldo e Ederson. De onde saiu para voltar ao banco e ser infeliz no Corinthians que ajudou a montar para ser rebaixado nas mãos de Nelsinho Baptista, com as impressões digitais do final da era Dualib, em 2007.

Fez bom trabalho no Vitória. Excelente, agora, no Atlético Paranaense que parecia lutar para não cair, e deixou na quinta posição.
Quando também deixou o clube para acertar com o São Paulo.
E, entendo, também com o São Paulo acertando no retorno de treinador capaz, experiente e motivado, antenado no mercado (embora menos que Dorival Júnior).E sabedor que a ética é volátil. Ainda mais para o presidente tricolor.

Juvenal Juvêncio, imperador do Morumbi, o autêntico Soberano. Que não dá a menor pelota e nem satisfação à direção do clube. Só ele pensa, age, fala, manda, desmanda.
Só ele.
Juvenal Primeiro e Único.
Que, agora, até deu para fazer entrevista com ele mesmo, parodiando e parafraseando o palmeirense Palaia.
E, também por isso, ninguém mais sabia do acerto com Carpegiani no Morumbi.
E nem na Baixada.

Muitos treinadores querem que o mundinho da bola continue o mesmo, contratado e demitindo treinador a torto e sem direito.

Não que Carpegiani seja desse tipo.

Mas se sobrar para ele, que não reclame.

Já virou praxe essa praga por aqui.
E, infelizmente, cada vez mais, também no mundo.

Só se espera, no Morumbi, que Carpegiani possa ser cobrado apenas a partir de 2011.
Milagre ele já fez recuperando o Furacão em 2010.
Muito mais do que o São Paulo tem apresentado, convenhamos, é bastante difícil. Com qualquer treinador.

São Paulo 0 x 3 Goiás

domingo, 26 de setembro de 2010

+ O São Paulo pisou na bola várias vezes na primeira etapa – literalmente -, e o vivíssimo Goiás sempre esteve lá pela recuperá-la e, em velocidade, enfileirar os 3 a 0 que poderm ser um marca na recuperação esmeraldina.

+ O volante Carlos Alberto como meia-atacante funcionou circunstancialmente. Não parece ser a melhor escolha para todos os jogos. Mas fica uma ideia interessante para atuar fora de casa.

+ Baresi manteve o 3-3-3-1, com Jorge Wágner na segunda linha de três, e Carleto (mais veloz e com chute mais potente) como o terceiro meia à esquerda. Era um jogo equilibrado até a bobagem de Samuel. Depois desandou. Até com Ceni com duas saídas de bola inexplicáveis.

+ Harlei teve atuação primorosa. Fundamental no segundo tempo para evitar que o plcar fosse mais apertado. Talvez até mais justo para o São Paulo. Mas não para o vibrante Goiás.

+ Rafael Moura fez dois. Poderia ter feito mais na primeira etapa, até pela desatenção tricolor nos passes e na saída de bola, levando vários botes do Goiás.

+ Mais que uma questão tática, foram bobagens técnicas são-paulinas que foram bem aproveitadas pelo time de Jorginho. A rotação do meio-campo são-paulino foi boa e merece ser mantida.

+ Porém, a rotação entre Jean e Casemiro na marcação deixou a zaga em dia ruim sem a cobertura devida para a boa movimentação de Felipe.

+ Derrota feia do São Paulo. Mais uma para se perguntar se não valia pensar com carinho em Dorival Júnior. Mas há o consolo que Lucas faz pelo menos três belos e objetivos lances por jogo. No mínimo.

Os times no primeiro tempo. O Goiás num 3-4-1-2 bem fechado, o São Paulo num 3-3-3-1 que não funcionou tecnicamente.

São Paulo 2 x 1 Guarani

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

+ Um bom início tricolor originou o belo gol de Marlos. Mas desatenções defensivas e uma certa ousadia bugrina deram no empate conquistado com um pênalti inexistente. O segundo tempo com Ricardo Oliveira e Dagoberto deu mais qualidade e justiça à vitória tricolor, obtida com um gol do artilheiro que voltou para deixar o São Paulo de Baresi mais forte. Ou o de Dorival Júnior?

Palmeiras 0 x 2 São Paulo

domingo, 19 de setembro de 2010

Choque de realidade

Choque-Rei? Não: o mau clássico do Pacaembu foi apenas mais uma demonstração do baixo nível atual dos dois gigantes. O Tricolor foi menos pior e mereceu vencer pelo talento do jovem Lucas

Palmeiras no 4-3-1-2; São Paulo usou no 3-3-3-1

Em 20 de setembro de 1942, o Palestra morreu líder e o Palmeiras nasceu campeão paulista vencendo o São Paulo por 3 a 1, no Pacaembu, num Choque-Rei que terminou com o Tricolor deixando o gramado, discutindo a marcação de um pênalti. Em 2010, no intervalo depois de um primeiro tempo sem chances e sem bola, o torcedor também poderia deixar o estádio antes do fim. Mas ao menos o São Paulo tinha o excelente Lucas, que fez o suficiente para conquistar o 2 a 0.

Sem o lesionado Rivaldo, Felipão mudou de novo: retornou Fabrício à lateral, e apostou no Valdivia longe do ideal como meia, num 4-3-1-2. Baresi mudou tudo: colocou Rodrigo Souto como zagueiro, armou uma linha intermediária com três (Jean, Casemiro e Richarlyson), três meias (Ilsinho, Lucas e Jorge Wágner), e só Fernandão à frente.

O São Paulo foi melhor até perder Ilsinho machucado, aos 18. Substituído pelo volante Zé Vítor, o time se fechou no 3-4-2-1. E o que não era bom piorou. Deola e Rogério foram espectadores pouco privilegiados de um jogo cuja maior emoção foi a expulsão de Felipão, aos 24.

No segundo tempo, já com Tinga no lugar do lesionado Ewerthon, e Valdivia mais à frente, a partida ficou menos pior. O Palmeiras chegava mais até o zilionésimo balão ser ganho por Jorge Wágner, que serviu de cabeça Lucas para abrir o placar, aos 9, num belo chute. O Palmeiras tentou jogar, mas esbarrou nas severas limitações técnicas e na desordem de um clássico desgovernado por nove volantes em campo. Jogo piorado por arbitragem ainda mais lamentável, que marcava todas as faltas que não existiam.
Aos 31, mais um contragolpe puxado por Lucas definiu o jogo, depois de belo passe para Fernandão ampliar um placar justo para quem foi menos pior num Choque-Rei para esquecer.

Rogério Ceni, 20 anos. Mito inimitável

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Vinte anos de Rogério Ceni no Morumbi.
Treze anos batendo faltas e pênaltis para fazer 90 gols na carreira e na história.
Campeão do mundo, da América, do Brasil, de São Paulo e do Morumbi.
E isso irrita quem não é.

Dezessete anos de Rogério defendendo a meta tricolor.
“Meta” que é a palavra perfeita para definir o craque.
Ele é um profissional que parece bater um tiro de meta já com o objetivo definido. Determinado. Para isso se prepara. Treina. Estuda. Pensa. Faz.
E isso irrita quem não se compromete como ele.

Os 90 gols de falta e de pênalti não são acaso. São caso pensado. Treinado.
Ele é daqueles que treinam até faltar luz no CCT. E por isso acaba sendo tão iluminado quando é necessário. Quando é preciso como Rogério na meta são-paulina. Ainda mais tricolor quando defendida pelo maior craque-bandeira da história do clube.
E isso irrita quem não gosta dele e do São Paulo.

Rogério não dá bola. Porque ele não a larga. É daqueles goleiros que diminuem o tamanho do gol para os adversários. Com Rogério, no banco de 1993 a 1996, titular absoluto desde 1997, o São Paulo, se não ganhou tudo, foi quase tudo. E quase tudo parou nas mãos de Rogério, e passou pelos pés, pela cabeça, pelos dedos do líder incontestável. Para o bem e para o mal.
E isso irrita.

Rogério não é perfeito. Também por ser perfeccionista. Exige tanto que chega a irritar. E a se irritar. Cobra porque se cobra mais que tudo e que todos.
E isso irrita.
Como algumas saídas de meta em forma da cruz que aprendeu com o ídolo Navarro Montoya – que os não poucos críticos reclamam que ele se ajoelha demais; como as adiantadas nos pênaltis; como a fome de jogar de qualquer jeito; como algumas cobranças de falta desnecessárias no passado; como algumas cobranças no elenco exageradas; como algumas cobranças da (e na) direção mal contornadas no vai-não-sai para o Arsenal, em 2001, que quase acabou com parte dessa história impressionante; como algumas poucas falhas em momentos decisivos que acontecem com todos os mortais. Por mais imortal que ele seja no Morumbi.
E isso também irrita.

Ainda mais os adversários que querem ver os erros do mundo nas luvas de Rogério. Parte da empáfia assumida e juramentada e juvenalizada são-paulina passa pelo capitão, líder e exemplo. Mas repare em cada linha bem pensada, articulada e falada por Rogério. Na derrota (que não foi muita), na vitória (que foi tanta em 17 anos), Rogério está sempre lá para defender o São Paulo. Pode perder a linha, vez ou outra. Mas jamais a segurança que passa aos companheiros, aos rivais, e à instituição. À família são-paulina e à família Ceni que defende fora de campo tão bem como ele segura as pontas e os trancos na meta. Neste mundo midiático, escancarado e escandalizado, Rogério preserva e se preserva com categoria. Não se perde na noite e ganha o dia.
E isso irrita.

Porque ele é diferente. Não apenas por fazer defesas como poucos na história do clube, não apenas por fazer gols como ninguém na história do futebol.
Se Rogério pensa muito bem no que fala e no que faz, não pensa em ser lembrado e admirado como um ídolo de todas as torcidas.
Rogério é tão são-paulino que tem o compromisso com o São Paulo. Só.
De ser feliz e amado pelos tricolores. Só.
E não faz questão de ser o ídolo que merecia ser de todos os torcedores.
E isso irrita.

Como devem se irritar os não-são-paulinos que não puderam ver o Liverpool campeão do mundo porque Rogério Ceni segurou todas as bolas do massacre na final de 2005.
A falta na gaveta de Gerrard que Rogério defendeu como se fosse um Ceni.
O chute cruzado num bolo de gente que Rogério defendeu como se fosse um Ceni.
As defesas daquele que foi tudo no Japão como se fosse um Ceni.
E ainda foi o artilheiro do São Paulo na campeoníssima temporada de 2005 como se fosse um Ceni.
E isso irrita.

Um ano depois de Rogério chorar como criança quando eliminado pelo Once Caldas, na semifinal da Libertadores de 2004, em Manizales. Quando pensou que não conseguiria mais (re)conquistar o que já havia ganho como reserva do imenso Zetti. Digno sucessor da escola tricolor de Valdir Peres, Sérgio Valentim, Picasso, José Poy. Grandes, imensos goleiros debaixo das traves, em toda a grande área. Mas nenhum, no São Paulo e no mundo, senhor de todas as áreas como Rogério. E isso irrita.

Talvez Rogério não seja mais goleiro que outros poucos goleiros tricolores.
Talvez Rogério não seja o maior craque entre tantos craques e gênios são-paulinos.
Talvez outros raros tricolores tenham sido tão são-paulinos quanto ele.

Mas não há ídolo como Rogério Ceni.
Como diz com muita razão e enorme paixão o são-paulino, todos os times têm um goleiro. Só o São Paulo tem Rogério Ceni.

E isso não se imita.