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Posts com a Tag ‘LIBERTADORES’

Cerro Porteño 3 x 3 Santos

sexta-feira, 3 de junho de 2011

 

Maidana, González, Lezcano, Gonçalves, Cano, Caetano, Rojas, Sacia, Spencer, Matosas, Joya, Béla Guttman. Nomes históricos do Peñarol que era bi sul-americano até enfrentar Gilmar, Lima, Mauro, Calvet, Dalmo, Zito, Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé, Pepe, Lula. O Santos campeão da Libertadores de 1962. Que seria bi em 1963. Perderia o tri em 2003. Em 2011 é favorito para conquistar a terceira estrela com Neymar, o craque da competição, melhores pés que atuam neste continente.

E não só com ele. Com Rafael, essencial na classificação no México, na vitória no Pacaembu contra o Cerro, e com pelo menos quatro grandes defesas no empate suado em Assunção por 3 a 3. Passagem à final que começou a ser garantida com aquelas coisas que acontecem em filmes ou histórias campeãs: a redenção de Zé Eduardo, que abriu de cabeça o placar num cruzamento-passe de Elano. Dos poucos lances que o organizador santista acertou atuando numa posição onde não vai tão bem. Onde o Santos espera ansioso o retorno de Ganso como esperou tanto tempo para voltar a gritar “campeón”.

Porque está nas mãos de Rafael e nos pés de um time mais qualificado. Também porque o bom goleiro Barreto, do Cerro, fez o favor continental de sofrer dos mais bizarros e autênticos frangos paraguaios, no segundo gol santista. Bobagem retribuída em fair-play pelo Santos no escanteio seguinte, em uma das tantas falhas de uma defesa que não errava. Mas falhou quase tudo que acertava com Muricy, também no jogo aéreo.

O sufoco ao final das contas, normal em qualquer semifinal de Libertadores (apesar das anormalidades extracampo que insistem em ocorrer nessa competição desorganizada pela Conmebol, que mais pensa em ter um presidente cavaleiro inglês que punir as cavalgaduras das arquibancadas), chega a preocupar.

Mas não tanto contra um Peñarol que perdeu na Argentina para o Vélez por 2 a 1, mas, pelo discutível critério do gol marcado como visitante, segue vivo em busca de mais um título continental. Salvo pelo escorregão de Tanque Silva no pênalti mandake desperdiçado quando já estava 2 a 1 pros argentinos. Salvo pelo lance de gol mal anulado do ótimo Martínez, no primeiro tempo.

O Peñarol tenta seu primeiro título de Libertadores desde 1987 (o que seria o sexto, para se igualar ao Boca Juniors) com uma defesa muito pior e mais lenta que a santista, um meio-campo menos brilhante (porém mais duro que o paulista), e um ataque rápido e insinuante com Martinuccio, mas também de boa presença na bola aérea com Olivera.

Nada, porém, que assuste mais que Neymar em dia de Neymar. E já são tantos os dias de Neymar na Libertadores-11 que fica difícil imaginar que não dê mais uma vez Santos. No ano em que o futebol brasileiro volta a empatar com o argentino em número de decisões de Libertadores. Desde 1960, são 30 para cada país. Desde 1965 o Brasil não tinha o mesmo número de finais que os co-hermanos.

Mas o balanço ainda é negativo. Eles ganharam 22 das 30. Os clubes brasileiros, quando finalistas, ganharam apenas 14 (duas delas tendo outros brasileiros vices em 2005 e 2006).

É a hora de ganhar mais uma. É a hora do Santos.

MENU DO DIA – Decisão Copa do Brasil, semifinal Libertadores

quarta-feira, 1 de junho de 2011

 

No Boteco do Mendes, volto depois de longa ausência:

- Seu Mario Betti, que saudade! Achei que você não bebia mais?!

- Mendes, meu caro, nem mais, nem menos. Mas só tomei um porre na vida. Quando tinha 9 anos. Vai ver que virei o Obelix, que caiu no caldeirão de poção mágica do Panoramix e ficou com os efeitos permanentes. Desde então sou um porre só. Mas, claro, apreciem com moderação, né, Mendes?

- Sim. A persistirem as sintonias, um médico deve ser consultado.

- Quase isso, Mendes, quase isso.

- Então, tem remédio para parar o Neymar, seu Mario Betti?

- Não, Mendes. Nestas plagas, Neymar é Messi. E vai chegar muito próximo a ele. Vai acabar ganhando essa terceira estrela para o Santos.

- Xiiii… Agora eu acho que não tem mais jeito pro Santos. Você zicando assim…

- Mendes, desde antes da Libertadores o time de Neymar e Ganso era meu favorito. Até pela queda dos rivais, cada vez mais vai assumindo essa condição. Deve ser respeitado o Vélez, o Peñarol que vai se superando, mas o Santos tem mais time. Suficiente até para vencer o Cerro, em Assunção.

- Sei não, seu Mario. Lá é duro. Acho que o Santos perde o jogo, mas volta classificado.

- Na pior das hipóteses empata, Mendes. O Cerro tem defesa pesada. No contragolpe, com Neymar, fica difícil para eles segurarem. E seria ainda pior se Muricy usasse por mais tempo o Maikon Leite, ideal para puxar o contragolpe, e em fase muito melhor que o Zé Love.

- Mas você disse na Rádio Bandeirantes que o Zé Eduardo vai ser o Gabiru do Santos?

- Acho. Mas é só um palpite. Ele tem atuado muito mal, embora ajude taticamente a equipe. Inclusive no jogo aéreo, uma jogada forte do Cerro.

- O Maikon Leite é como Youtube do Cerro. Aquele argentino que o técnico não põe para jogar, né?

- O Iturbe é bom de bola. Muito bom. Pesa o fato de ser o tal do novo Messi. Mas ele funciona. É só botar para jogar.

- Desta vez tô contigo, seu Mario. Vai dar Santos. E acho que vai dar Coxa na Copa do Brasil.

- Hoje, em São Januário, Vasco. E, no Green Hell, apesar da pressão e da festa impressionantes da torcida do Coritiba, ainda sou um pouco mais o Vasco. Está atuando melhor, e tem mais banco.

- Sei não, seu Mario… Olha tudo que o Coritiba venceu este ano!

- Pois é. É histórico, é espetacular. Mas pode não dar em título. Por melhor que seja o futebol do time do Marcelo Oliveira, e tem sido mesmo impressionante, é aquele equipe inspirada em fase iluminada que tem como grande craque o próprio time, mais que um ou outro jogador. Marcos Aurélio, por exemplo, fará falta. Por melhor que sejam Anderson Aquino e Bill. E essa sequência de jogos não tão eficientes pode eventualmente abalar um pouco da confiança da equipe.

- É que o Diego Souza tem sido prepondetent… preparoxítino… prevestibular… predispos… preprotonderante… ornitorrinco…

- Preponderante? Sem dúvida. Tem sido um dos maiores desperdícios técnicos do futebol brasileiro. Agora, no Rio, mais solto, com a guarida dos volantes e de ótima dupla de zaga, ele tem funcionado. Resta saber até quando.

- Mas os laterais do Vasco, hein…

- Jogue Allan ou Fagner, ainda é problema. Com Márcio Careca no lugar do Ramón, também. Mas hoje o Vasco é favorito.

- Quanto?

- Não sei. Nem o placar nem a “porcentagem” de favoritismo.

- Desta vez concordo com seu muro. Mas acho que dá Coxa.

- Acho o Vasco. Mas se der Coritiba, teremos outro grande e merecido campeão.

- E vai querer o que para beber?

- Água. Preciso descansar um pouco.

Libertad 3 x 0 Fluminense (4 x 3 agregado)

sexta-feira, 6 de maio de 2011

 

* Os guerreiros no Miercoles dos Diablos brasileiro na Libertadores também sucumbiram. E horroroso, no Paraguai.

* Meia hora de pavor inicial, pancadas de tirar sangue em Fred e Conca, e um pouco mais de estabilidade até nova falha de Berna e o início da derrocada e derrota. O segundo gol foi rara felicidade de Samudio. O terceiro foi consequência.

* Mas a análise fria não mascara uma atuação muito ruim coletiva. Potencializada por atuações individuais ainda piores de um elenco que começou a se perder com as bobagens ditas e feitas por Emerson. Algumas, porém, verossímeis. E que explicam a “inexplicável” derrota de outro favorito.

* O duro é que nem pelo regulamento do gol marcado fora de casa caiu prematuramente o Fluminense. Foi no saldo simples. Aliás, como os demais brasileiros, não há como responsabilizar o regulamento.

* Mas há como imaginar que um goleiro mais confiável, um sistema defensivo mais seguro, e menos problemas de lesão e ritmo, além do turbilhão da saída de Muricy e a indefinição de comando, não teriam levdo o Fluminense a ficar pelo caminho.

Grêmio 1 x 2 Universidad Católica

quarta-feira, 27 de abril de 2011

 

O Grêmio não perdeu para um time qualquer. A equipe chilena é realmente de boa qualidade. Pratto e Cañete, ótima dupla  de conclusão e armação, desarticulou o sistema defensivo gremista e mereceu amplamenta a vitória facilitada pelo desatino de Borges. Quando o Grêmio já perdia num contragolpe de qualidade, ainda mais ajudado por uma marcação que em momento algum ajudou.

O golaço de empate de Douglas reanimou uma torcida acostumada a uma equipe que reage fácil, mesmo com jogador a menos. Mas o nervosismo, o esquema desestruturado, e as qualidades chilenas (e argentinas) fizeram Pratto desempatar, e quase definir de vez a parada no final, em grande jogada que Marcelo Grohe (desta vez) salvou.

Ainda há vida no Grêmio. Mas só porque é futebol, só porque é Grêmio. Porque o futebol recente da equipe não anima.

* Carlos Alberto poderia ter entrado antes se não fosse, digamos, tão Carlos Alberto no espírito. Era nitroglicerina pura num barril do pólvora.

* A Universidad só era Católica se fosse no tempo de Torquemada. Bateu sem dó e sem um apitador para coibi-la.

* Victor, Rodolfo e Lúcio fizeram mais falta que André Lima e Vilson. Tanto quando equilíbrio a Borges, experiência a Leandro, regularidade a Douglas, e futebol a Gilson.

* Fábio Rochemback apanhou, pouco bateu, e muito jogou. É o espírito necessário ao Tricolor, no Chile.

Junior Barranquilla 2 x 1 Grêmio

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

 

O 4-2-2-2 usado por Renato. Sem Lúcio e com Gilson, o jogo não fluiu por ali

 

* Um pênalti em Borges aos 12 do segundo tempo mudaria a sorte de um bom jogo na Colômbia. Um pouquinho menos de força e Rodolfo teria feito um gol antológico, antes da intermediária. Um minuto depois, um pouquinho mais de velocidade do zagueiro gremista e a virada não teria se consumado.

* A bela camisa do Grêmio (pleonasmo) só não foi mais bonita que a atuação de Giovanni Hernández, 34 anos. Empatou o jogo e fez todos os bons lances de um Junior que pode ir além na Libertadores.

* Carlos Alberto até tenta cercar e marcar e roubar bolas. Mas exagera na dose, e fez o Grêmio perder contundência com sua saída precipitada para evitar o provável vermelho.

* Douglas não conseguiu ter a companhia devida na armação. Por mais que Bruno Collaço tenha se esforçado na roubaba em que entrou.

* A ausência de Lúcio não foi compensada defensivamente pela presença de Adilson. Até porque Gilson voltou a ser o lateral que marca mal e pouco ajuda o ataque.

* Fábio Rochemback mais uma vez foi muito bem. Além de importante na bola parada, tem marcado com correção e iniciado bem o jogo.

Cruzeiro 4 x 0 Guarani do Paraguai

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

 

* Cuca e o cruzeirense têm mais é de ficar felizes com duas goleadas seguidas em casa. Mas todos têm de seguir os pés no chão do treinador, desconfortável com o primeiro tempo de pouca inspiração e movimentação. Porém plenamente compensado por mais um festival de gols no fim da partida.

* Wallyson. Um belo gol de sem-pulo, outro de atacante no passe preciso e precioso de Montillo. A fase é impressionante. A aposta de Cuca justificada. Como os dois armadores alimentando Wallyson e Wellington Paulista (ainda que este amuado e enfiado demais).

* Os primeiros 10 minutos em Sete Lagoas foram do Guarani, que mandou bola na trave e perdeu outras chances. As costas de Pablo e Diego Renan ainda são preocupantes. E até na bola aéra o Cruzeiro teve problemas.

* O terceiro e quarto gols saíram de pés de jogadores que entraram no fim (Dudu, Farías e Thiago Ribeiro). Três que não são titulares por falta de espaço, e que devem seguir ajudando. Com paciência e qualidade.

* O inicio avassalador merece ser louvado. Mas não significa tudo. Em 2009 e 2010, Estudiantes e Inter não começaram bem, trocararam treinadores, e foram campeões. Não é querer agourar. Mas um excelente início, mesmo que num grupo complicado como o do Cruzeiro, precisa ser sempre celebrado. Mas com moderação.

O 4-2-2-2 de Cuca. Quase um 2-4-2-2 pelo avanço dos laterais Pablo e Diego com o recuo do Guarani

Ricardo Gomes, ex-São Paulo

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

A maldade é do meu fake oficial, o @mauro_beting: “Ricardo Gomes continua não sendo técnico do São Paulo”.

Maldoso, como de costume. Mas com um pingo de realidade, como toda maldade.

Na ponta do lápis (que adora ser quebrado, e nem sempre resolve quando apontado), foram 38 vitórias, 15 empates e 20 derrotas em 73 jogos. Desempenho de 60%. Não o ideal para quem recebeu um time tricampeão brasileiro. Mas muito bom para quem chegou com esse elenco desmotivado e recém eliminado da Libertadores-09 na 16a. posição do Brasileirão, e o levou ao terceiro lugar, ao final das contas.

Em 2010, com tempo e elenco (por mais discutível que tenha sido sua montagem), pouco acertou a mão. Quando achou o time, com a estreia de Fernandão, a Copa paralisou os campeonatos, e congelou numa tundra o São Paulo, que só voltou a campo em espasmos, e não merecia melhor sorte contra um ótimo e remontado Internacional.

A ousadia que sobrou ao Colorado para trocar o problemático Fossati por Roth faltou ao São Paulo. Agora é facílimo falar. Mas quando a bola parou antes de a vuvuzela roncar, as cornetas tricolores, antes ensarilhadas, estavam caladas. E com toda razão. O São Paulo se achara na Libertadores em duas belas vitórias contra o Cruzeiro que parecia favorito. Como o São Paulo parecia ter achado um jeito para vencer. Para se perder feio desde então. Por responsa do treinador, claro. Mas, mais por tudo, e como quase sempre, dos atletas.

E, sim, também da personalíssima direção do clube, e do departamento de futebol.

É preciso mudar no São Paulo para que as coisas continuem as mesmas.

A saída natural de Ricardo não é o fim. É só o início.

Mas quem assina os cheques também pode começar a pensar em assinar outras cartas de demissão.

São Paulo 2 x 1 Internacional – AO VIVO

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

PRIMEIRO TEMPO – O jogo era Colorado. Com intelïgência, boa técnica e maturidade, o Inter era mais perigoso, obrigara Rogério a duas boas defesas, até os 30 minutos. O São Paulo só chegara em faltas cruzadas por Hernanes. Na primeira, Alex Silva chegou tarde; na segunda, como se fossem mil Jabulanis, Renan cometeu das maiores falhas que já vi, e o zagueiro se aproveitou do erro depois do cruzamento de Hernanes e deu o gol ao São Paulo. Só o Clube da Fé parece fazer um gol assim. Mas não soube se aproveitar do abatimento colorado, e não atacou como deveria depois. Jogo aberto pela falha terrível de Renan, ótimo goleiro, mas com falhas inexplicáveis.

SEGUNDO TEMPO – Com 6 minutos, um golaço de Alecsandro, numa falta de D´Alessandro. Em menos de 2 minutos, Tinga se atrapalhou com Renan, Nei deixou Ricardo Oliveira em posição legal, e o São Paulo voltou ao torneio. Mas não ao jogo. Com a boa mexida de Roth, o Inter foi superior. Taison foi atuar como atacante pela direita, próximo a Alecsandro, com D´Alessandro articulando com o monstro de Tinga. Que, em duas bobagens monstruosas, foi expulso aos 33. Mas Ricardo Gomes foi ainda mais infeliz, levou 72 minutos para apostar em Marlos, e pouco criou. Ao final, as chances foram iguais, e o Inter, pelos 180 minutos, merecia a classificação diante de um nobre São Paulo, que só quis jogar 90 minutos. E, mesmo com a vitória, nem assim foi superior ao Inter.

São Paulo 48% x 52% Internacional

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

SÃO PAULO – Uma das tantas formações possíveis para Ricardo Gomes é tentar espelhar o 4-2-3-1 de Celso Roth. Foi assim que o São Paulo fez bom segundo tempo contra o Ceará. Se Jean teve problemas no Sul, ainda é a melhor opção para a lateral. Dois zagueiros podem segurar a bucha e a qualidade rival, desde que protegidos por Rodrigo Souto. Hernanes vindo de trás qualifica a saída de jogo, ofensivo e incisivo com Marlos e Dagoberto (ou mesmo Fernandinho) abertos, com Fernandão chegando em Ricardo Oliveira.

Um jeito mais ofensivo de armar o São Paulo: espelhar o 4-2-3-1 colorado. A questão é que o time pode ficar vulnerável exatamente pelas individualidades não viverem grande momento

INTERNACIONAL – Tinga retorna e ajuda a combater no meio-campo, e, ao mesmo tempo, dar a saída rápida para o letal contragolpe colorado. D´Alessandro e Taison, vindo de trás, podem fazer os mesmos estragos do Beira-Rio. Como se não bastasse o melhor momento e entrosamento gaúcho, Roth ainda pode contar com Giuliano, Andrezinho e Rafael Sóbis como ótimas opções de banco. O problema ainda é o miolo de zaga, ainda que bem protegido por dois ótimos volantes em boa fase.

O Inter está favorito pelo momento, entrosamento e qualidade técnica. Mas o São Paulo, em Libertadores, merece mais do que respeito de qualquer brasileiro. Por mais que um rival com Giuliano, Andrezinho e Sobis no banco não seja um adversário qualquer

Internacional 1 x 0 São Paulo

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Futebol tem lógica.

O melhor time vence. O mandante vence. O time que quis atacar vence. A equipe em melhor fase vence. Quem joga com ousadia é premiado. Quem também tem história na competição sabe refazê-la. Quem começa com Andrezinho para articular e finaliza o clássico com Giuliano para concluir ganha. Quem tem elenco faz diferença. Quem pode explorar uma banda esquerda com Kléber e Taison (o melhor colorado) tem chances de causar estragos. Quem tem pelo outro lado Nei na fase atual e D’Alessandro pode vencer um tricampeão da América. Quem marca e ainda joga com Sandro e Guiñazú tem bola para reconquistar o mundo, se repetir o desempenho como visitante. Quem tem um goleiro de nível como Renan, e que poderia ter assistido à vitória por 1 a 0 diante do São Paulo nas arquibancadas do Beira-Rio até trabalhar aos 45 do segundo tempo, também pode achar tudo isso. E mais um pouco.

Até porque, do outro lado, o São Paulo atacava com a vontade de um Felipe Massa para ultrapassar Fernando Alonso. Parecia que as ordens de Ricardo Gomes para os tricolores eram “o Inter está mais veloz que vocês. Entenderam a mensagem?”. E ela teve lógica infeliz para os paulistas. Tudo que o São Paulo desaprendeu durante a Copa voltou a campo. Um time enfurnado no próprio campo, sem vontade e sem contragolpe, encasteladoi num 3-4-1-2 que mais parecia um 10-0-0 (ou melhor, num Rogério-0-0-0), com Marlos e Dagoberto perdidos, Fernandão flanando pelo Beira-Rio, Hernanes e Souto não marcando e não armando, os alas presos, os zagueiros que ganhavam a companhia de outros sete “zagueiros”. Todos, de fato, salvos por atuação de Ceni de Rogério. Que impediu que o 1 a 0 se tornasse uns quatro. Tal a superioridade colorada. Tal a premeditada inferioridade tricolor.

O Inter quis vencer, e merecia muito mais. O São Paulo não quis ganhar, não quis jogar, e merecia perder pior. Pela história da Libertadores, pelas circustâncias de um jogo todo gaúcho, pela fase das equipes, 1 a 0 foi um resultado espetacular para os paulistas. Mas um tri sul-americano não pode se contentar só com isso. Pensando e jogando pequeno, o São Paulo não passa. Pensando e jogando como grande, o Inter vai longe.

Ainda tem um outro jogo, uma outra história, uma outra geografia. Mas parece difícil acreditar que o São Paulo seja outro em tão pouco tempo. Ou, no caso, volte a ser São Paulo. Até porque, do outro lado, foi um Inter inteiramente Colorado. Usando o seu solidificado 4-2-3-1 com categoria, inteligência, ritmo e, sobretudo, conhecimento de causa. O Inter sabia o que estava fazendo. O São Paulo parecia não saber nem que jogo era aquele.