É, seu Mauro Beting…
É, seu Cuca…
É, seu Kléber Leite…
É, seu árbitro…
Méritos enormes ao Resende e ao seu treinador.
Deméritos a todos os acima citados.
MELHOR ESCREVE ANDRÉ ROCHA
O Flamengo repetiu os erros táticos deste início de temporada e poderia ter levado uma goleada histórica na semifinal da Taça Guanabara. Mas os equívocos do árbitro Felipe Gomes da Silva que prejudicaram demais o time de Cuca é que serão lembrados e tirarão o peso da derrota humilhante por 3 a 1 dos ombros do treinador.
A zaga do Fla em linha e sem Angelim é um convite para qualquer ataque, ainda mais sem um meio-campo bem postado para dar sustentação. Impressiona a lentidão de Thiago Salles. Antes do Resende abrir o placar e o jogo perder seu aspecto tático por conta das expulsões, o time do interior já vinha criando chances com facilidade e havia perdido dois gols feitos.
Ofensivamente, o erro rubro-negro, mais uma vez, foi afunilar as jogadas com os alas na esperança que Zé Roberto e Marcelinho Paraíba buscassem os lados do campo. E novamente não funcionou, o que ressalta a pouca inteligência de Cuca na insistência com a estratégia. Obina novamente foi sacrificado na frente, atuando isolado e funcionando apenas como pivô.
O Resende, muito bem organizado pelo técnico Roy em um 3-4-2-1, tinha mais fôlego e fluência no ataque, com Léo armando as jogadas buscando Bruno Meneghel na área. A chegada dos alas e volantes de trás às costas da linha formada por Léo Moura, Ibson e Juan expunha o trio de zaga e Willians, o volante mais plantado e o único a mostrar espírito de luta durante toda a partida.
O jogo começou a ser decidido na prática com o pênalti de Airton em Léo. O volante/zagueiro havia levado um amarelo anteriormente sem nem ter participado do lance que terminou na falta de Fábio Luciano. Com a infração dentro da área, veio o segundo amarelo e a expulsão injusta. Na cobrança, Meneghel bateu mal, mas a bola tocou na trave, nas costas de Bruno e entrou. Era o primeiro sinal que a tórrida tarde de sábado de Carnaval no Maracanã seria trágica.
A desvantagem e o péssimo futebol deixaram o Fla ainda mais tenso. E aí, o árbitro, intencionalmente ou não, minou os nervos dos jogadores ao fazer a equipe repetir cinco vezes a cobrança de um simples impedimento na área rubro-negra. Fábio Luciano perdeu a paciência e o juiz o expulsou direto.
Na segunda etapa, o Resende misturou indolência com cansaço e atraiu um Flamengo desfigurado para o seu campo.Ainda assim, poderia ter matado a partida logo no início, não fosse a péssima pontaria nas conclusões e a atuação heróica de Willians, que salvou Bruno pelo menos três vezes. E após expulsar com justiça o zagueiro Leandro do Resende pelo segundo amarelo e anular corretamente um gol de Josiel, que novamente substituiu Obina e deu mais movimentação ao ataque, o juiz deixou de marcar uma falta sobre Ibson dentro da área em um lance semelhante à penalidade marcada a favor da equipe do interior. No mínimo, faltou critério. Logo depois, veio o golaço de Hiroshi em chute no ângulo de Bruno.
Lutador, o Fla ainda diminuiu com Josiel após jogada do incansável Willians e acreditou no empate. Mas depois de perder duas ótimas oportunidades, o artilheiro do campeonato Bruno Meneghel marcou seu oitavo gol na competição e definiu o placar em contragolpe sobre uma zaga pregada no chão pelo cansaço.
Desta vez, a soberba não foi o pecado do Fla e o vexame fica apenas por conta do resultado surpreendente. A arbitragem foi lamentável e atrapalhou demais o time rubro-negro. Mas foi a desorganização tática da equipe de Cuca, o primeiro a admitir a péssima atuação depois da partida, que começou a desenhar o histórico triunfo do Resende, o primeiro finalista da Taça GB.
ESCREVEU ANDRÉ ROCHA
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