VILLA X HEITINGA X MATHIJSEN – A defesa holandesa não é grande coisa. E pode ser campeã do mundo, como continua garantindo aproveitamento de 100% nos seis jogos. Já superou o Brasil, mesmo tendo falhado no golaço de Robinho. Venceu o Uruguai com dificuldades, também por essas falhas de DNA. E pela orientação tática de Van Marwijk, que deixa um time mais fluido, sem grande pegada no meio-campo. A dupla holandesa não é alta, não é tão boa de cabeça, e não é rápida. Conta o melhor atacante da Copa, um dos melhores jogadores do Mundial, o excelente David Villa (para mim, o craque da Euro-08, mesmo não tendo atuado na decisão), perigo real e imeadiato para os holandeses. Villa mais próximo da área, como atuou na maioria das segundas etapas, e como jogou muito bem contra a Alemanha, é a melhor solução para a falta de ritmo de Torres.
INIESTA X BOUHLAROUZ OU VAN DER WIEL – Um dos maiores armadores do mundo, Iniesta tem sido, ao lado de Villa, o melhor e mais regular espanhol. Mesmo que, por vezes, com Del Bosque, não jogue a bola do Barça. Nem se encontre taticamente como deveria. Mas ele voou contra os atarantados alemães. Ainda mais no segundo tempo, quando Del Bosque fez o que deveria ter feito desde o início: abrir Pedro para cima de Boateng (depois Jansen), e deixar Iniesta flutuando entre atuar bem aberto pela esquerda, e articular um pouco mais por dentro. Nesse espaço, à frente do lateral-direito holandês, e atrás do volante-direito Van Bommel, Iniesta pode brilhar ainda mais. Algo que poderá levar o treinador holandês a escalar o mais rochoso (também conhecido como violento) Boulahrouz, mais marcador e experiente que o jovem Van der Wiel. Se a Holanda quiser atacar, melhor este último. Se pretender marcar mais – e deve ser o caso -, Boulahrouz é a menor pior escolha.
PEDRO X VAN BRONCKHORST – O lateral-esquerdo fez um gol magnífico contra o Uruguai. Tem marcado direitinho, muito melhor do que se esperava, com seus 35 anos. Capitão, é homem de irrestrita confiança do treinador, desde o Feyenoord. Até por falta de melhores opções, é o que tem a Holanda. O duro é que a Espanha, sem Torres, em má forma, pode atacar pela direita com Jesús Navas, bastante técnico e rápido. Um meia-atacante como o titular da Euro-08 (David Silva). Poderia Del Bosque colocar Iniesta pela direita, e abrir o jogo com Mata, pela esquerda. Mas é melhor mesmo abrir o ex-Pedrito, cada vez mais Pedrón, pelo lado direito. Canhoto, corta por dentro, e explora o pior pé de Van Bronckhorst. Se for mais solidário, e simplificar alguns lances, ganha o duelo na técnica e na velocidade.
XAVI X DE JONG – O todocampista catalão foi contra os alemães o que não vinha sendo na Copa. Marca, arma, chega na área, finaliza, pensa o jogo. Parecia cansado. Ou travado pelo esquema de Del Bosque. O fato é que jogou demais contra os alemães. Como normalmente brilha pelo Barça, e foi o destaque eleito na Euro-08. O tiki-taka espanhol (jogo rápido de troca de passes) passa por Xavi. Se ele está bem como esteve na semifinal, a bola é espanhola. Se ele não está bem como não esteve nas partidas iniciais, a Espanha refuga. Ainda mais um time tão técnico e entrosado pela base do Barcelona. Ideia e ideal do jogo nascidos com o Barça ironicamente holandês, a partir de 1971. Quando Rinus Michels chegou ao clube, dois anos antes de Johan Cruyff. Moldando uma ideia de futebol que até hoje perdura, passando pelo próprio Cruyff treinando o Barça multicampeão da primeira metade dos anos 90. Passando por Van Gaal, nos anos 90, e por Rijkaard, campeão da Europa, em 2006. Essa ideia ainda norteia o grande Barcelona de Guardiola. Ele jogando o que jogou contra os alemães, e o que não deixou o ótimo rival jogar, ele faz a diferença. Para tanto, De Jong terá de marcar tudo que nem sempre consegue. É um volante comum. Como foi o seu substituto De Zeeuw, no primeiro tempo contra os uruguaios. Uma alternativa mais difícil de ser usada é Van der Vaart. Mais recuado, como volante, em muitas vezes, fez ótima Euro-08. Contra o Uruguai, não foi bem. E não parece ser o melhor caminho. Mesmo que qualifique a saída de jogo, mesmo que tente empatar tecnicamente o meio-campo, não parece ser a melhor solução.
XABI ALONSO X VAN BOMMEL – O volante-direito do Bayern de Munique melhora a cada partida. Não apenas como volante do 4-2-3-1 usual holandês, ou como quarto meia, pelo centro-direita, no 4-1-4-1 eventual de Van Marwijk. Fará um duelo interessante com Xabi Alonso. O madridista não é veloz. Mas tem um impressionante tiro de longa distância. Sabe passar bem. E é outro que tem marcado bem. A questão é ficar de olho em Van Bommel, e ainda dar um pé a Capdevilla na contenção a Robben. Se tiver pernas e gás para tanto, ao menos uma das tarefas poderá desempenhar. É uma das tarefas táticas de Van Bommel se soltar com a bola e tentar articular o jogo mais vezes.
BUSQUETS X SNEIJDER – O volante do Barcelona colocou no bolso o ótimo Ozil, na semifinal. Terá de fazer tudo isso e muito mais na decisão contra o meu craque da hora – Sneijder. O meia-atacante centralizado do 4-2-3-1 holandês acaba com essa história – ao menos por hora – de que uma imensa temporada derruba um jogador na Copa. Sneijder foi o melhor da Internazionale campeã da Europa, da Itália e da Copa da Itália. E segue jogando tudo isso pela Holanda. O esquema de jogo também ajuda. É o mesmo 4-2-3-1 da Inter. Mas com características distintas. Sneijder é e pode ser mais ofensiva pelo time holandês. Tem feito gols de todos os jeitos, incluindo de cabeça contra o Brasil, e outro na falha conjunta de Júlio César e Felipe Melo. Além de pensar o jogo, passa muito bem, e tem chegado ainda melhor. Busquets terá de marcá-lo não apena na cabeça da área. Mas também segui-lo pelos cantos, com a ajuda eventual de Xabi Alonso ou dos dois laterais, sempre adiantados pela zaga espanhola.
CAPDEVILLA X ROBBEN – O lateral-esquerdo do Villarreal não é grande coisa. Apoia direitinho. Mas não marca bem e não gosta de assumir responsabilidades. Vai ter de se virar contra o melhor ponta-direita do mundo. Um, porém, que anda devendo bola na Copa. Voltando de lesão, sente a falta de melhor ritmo. Mas sentirá mais a Espanha se não o blindar. Apenas Capdevilla parece pouco. Xabi Alonso seria o back-up. Mas ele terá Van Bommel para marcar. É o caso de a Holanda avançar seu volante pela direita para atrapalhar a marcação espanhola pela esquerda.
SERGIO RAMOS X KUYT – O atacante holandês faz ótima Copa. Não é craque, jamais será. Mas corre, marca, cerca, cruza. Só não tem boa finalização. Por isso melhor ele longe da área. O problema é que, com isso, ele acaba ocupando a posição melhor de Van Persie, que não está se sentindo bem de costas para a meta. No entanto, para cercar o apoio do lateral-direito espanhol que avança bastante, é boa a opção de deixar Kuyt por ali.
PIQUÉ + PUYOL X VAN PERSIE – A zaga espanhola não é uma beleza – o que seria muito difícil, em todos os sentidos, pela presença de Puyol. Mas a dupla catalã treina e joga junto, e bem, pelo Barça. Se atuam muito à frente, adiantados, como adoram os espanhois (e o que é péssimo para enfrentar ataques rápidos como os holandeses), têm no entrosamento uma grande vantagem. Até pelo ótimo momento de Puyol. O trabalho pode ser facilitado pelo mau momento físico e técnico de Van Persie, dificultando pela posição tática dele. Claro que tudo pode mudar de um jogo a outro, como aconteceu com próprios espanhois.
CASILLAS X STEKELENBURG – O holandês fez belas defesas contra eslovacos e brasileiros, e voltou a ser o goleiro irregular no gol de Forlán. Não é confiável. Diferentemente do melhor goleiro da Copa, o madridista Casillas. Cada vez melhor, rodado e experiente, vive o auge. E é outro fator que dá maiores chances aos espanhois.

Holanda no 4-2-3-1 usual, que pode virar 4-1-4-1 com o avanço de Van Bommel; Espanha em algo que varia do 4-1-4-1 ao 4-2-3-1
Social