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Posts com a Tag ‘Coritiba’

Coritiba 3 x 2 Vasco (3 x 3 agregado, vantagem vascaína no gol fora) – Vasco campeão da Copa do Brasil

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Vascaíno, você lembra como acordou em 24 de março de 2003? Se não recorda exatamente o que foi aquela manhã de segunda-feira, saiba que a sensação é praticamente a mesma que você teve ontem ao levantar da cama depois de erguer a Copa do Brasil numa das mais emotivas celebrações de título dos últimos tempos. Também porque o Vasco, entre os grandes brasileiros, era quem há mais tempo não comemorava um caneco de primeira. Desde aquele março de 2003, depois de vencer duas vezes o Fluminense por 2 a 1, no RJ-03.

A sensação é ainda melhor porque parecia muito longe de ser alcançada no ínicio do ano, com um elenco fragilizado. Um time que só soube perder nos primeiros quatro jogos na Taça Guanabara, num começo antológico e de anedota. Só foi ganhar o sexto na estreia de Ricardo Gomes. Só recebeu um reforço de nível como Bernardo (reserva com bola de titular) no oitavo jogo. E, desde então, ganhou Leandro, Elton, Diego Souza, Alecsandro. Recuperou Felipe como comandante da nau-bala. Firmou Anderson Martins e Eduardo Costa. Reafirmou Fernando Prass e Dedé. Liberou Carlos Alberto. Reencontrou Dinamite com a vitória. Com o Vasco.

Vencedor contra um vice-campeão mais campeão que vice. O Coritiba das 24 vitórias seguidas históricas em 2011. Um Coxa que jogou bem em São Januário na outra semana, no domingo goleou os reservas vascaínos até então 100%, e venceu na grande e emocionante decisão no Couto Pereira um Vasco batido em tiros longos, e nas bolas altas que superaram uma escalação infeliz de Marcelo Oliveira. Quando o Coxa voltou a ser o time rápido e incisivo, com dois meias e dois atacantes, fez além do dever de casa, e só parou em Fernando Prass, de história igualmente bonita no clube.

O Coritiba só não ganhou a inédita Copa do Brasil porque o regulamento privilegia quem faz mais gols fora de casa. Algo melhor que uma disputa de pênaltis que só consagra goleiros. Mas não necessariamente define o melhor de uma competição. Algo que merece discussão, ainda mais num esporte com diferenças cada vez menos… diferentes. Não apenas isso se pode ponderar. Até mesmo a “vantagem” da decisão em casa no jogo de volta. Neste século, tirando a decisão carioca de 2006, a volta olímpica só não foi do visitante em 2003 e 2008. Em decisões pautadas algumas vezes pela imperiosa necessidade de fazer muito mais futebol e gols como mandante por um golzão sofrido em casa no jogo decisivo. Um gol dolorido como a falha feia de Edson Bastos no chutelongo de Éder Luiz. O gol do título. Típico de campeão. Típico do Vasco enfim vascaíno.

MENU DO DIA – Decisão Copa do Brasil, semifinal Libertadores

quarta-feira, 1 de junho de 2011

 

No Boteco do Mendes, volto depois de longa ausência:

- Seu Mario Betti, que saudade! Achei que você não bebia mais?!

- Mendes, meu caro, nem mais, nem menos. Mas só tomei um porre na vida. Quando tinha 9 anos. Vai ver que virei o Obelix, que caiu no caldeirão de poção mágica do Panoramix e ficou com os efeitos permanentes. Desde então sou um porre só. Mas, claro, apreciem com moderação, né, Mendes?

- Sim. A persistirem as sintonias, um médico deve ser consultado.

- Quase isso, Mendes, quase isso.

- Então, tem remédio para parar o Neymar, seu Mario Betti?

- Não, Mendes. Nestas plagas, Neymar é Messi. E vai chegar muito próximo a ele. Vai acabar ganhando essa terceira estrela para o Santos.

- Xiiii… Agora eu acho que não tem mais jeito pro Santos. Você zicando assim…

- Mendes, desde antes da Libertadores o time de Neymar e Ganso era meu favorito. Até pela queda dos rivais, cada vez mais vai assumindo essa condição. Deve ser respeitado o Vélez, o Peñarol que vai se superando, mas o Santos tem mais time. Suficiente até para vencer o Cerro, em Assunção.

- Sei não, seu Mario. Lá é duro. Acho que o Santos perde o jogo, mas volta classificado.

- Na pior das hipóteses empata, Mendes. O Cerro tem defesa pesada. No contragolpe, com Neymar, fica difícil para eles segurarem. E seria ainda pior se Muricy usasse por mais tempo o Maikon Leite, ideal para puxar o contragolpe, e em fase muito melhor que o Zé Love.

- Mas você disse na Rádio Bandeirantes que o Zé Eduardo vai ser o Gabiru do Santos?

- Acho. Mas é só um palpite. Ele tem atuado muito mal, embora ajude taticamente a equipe. Inclusive no jogo aéreo, uma jogada forte do Cerro.

- O Maikon Leite é como Youtube do Cerro. Aquele argentino que o técnico não põe para jogar, né?

- O Iturbe é bom de bola. Muito bom. Pesa o fato de ser o tal do novo Messi. Mas ele funciona. É só botar para jogar.

- Desta vez tô contigo, seu Mario. Vai dar Santos. E acho que vai dar Coxa na Copa do Brasil.

- Hoje, em São Januário, Vasco. E, no Green Hell, apesar da pressão e da festa impressionantes da torcida do Coritiba, ainda sou um pouco mais o Vasco. Está atuando melhor, e tem mais banco.

- Sei não, seu Mario… Olha tudo que o Coritiba venceu este ano!

- Pois é. É histórico, é espetacular. Mas pode não dar em título. Por melhor que seja o futebol do time do Marcelo Oliveira, e tem sido mesmo impressionante, é aquele equipe inspirada em fase iluminada que tem como grande craque o próprio time, mais que um ou outro jogador. Marcos Aurélio, por exemplo, fará falta. Por melhor que sejam Anderson Aquino e Bill. E essa sequência de jogos não tão eficientes pode eventualmente abalar um pouco da confiança da equipe.

- É que o Diego Souza tem sido prepondetent… preparoxítino… prevestibular… predispos… preprotonderante… ornitorrinco…

- Preponderante? Sem dúvida. Tem sido um dos maiores desperdícios técnicos do futebol brasileiro. Agora, no Rio, mais solto, com a guarida dos volantes e de ótima dupla de zaga, ele tem funcionado. Resta saber até quando.

- Mas os laterais do Vasco, hein…

- Jogue Allan ou Fagner, ainda é problema. Com Márcio Careca no lugar do Ramón, também. Mas hoje o Vasco é favorito.

- Quanto?

- Não sei. Nem o placar nem a “porcentagem” de favoritismo.

- Desta vez concordo com seu muro. Mas acho que dá Coxa.

- Acho o Vasco. Mas se der Coritiba, teremos outro grande e merecido campeão.

- E vai querer o que para beber?

- Água. Preciso descansar um pouco.

Coritiba bicampeão paranaense, 2010-11

segunda-feira, 25 de abril de 2011

 

Ganhe 21 jogos seguidos e depois conteste o título estadual do Coxa, conquistado de modo antecipado num 3 a 0 clássico contra o Atlético, na Baixada.

Se Manoel foi expulso muito cedo, o Coxa foi ainda mais atirado e precoce, fazendo da casa atleticana uma extensão do Couto Pereira, como o reserva Tcheco fez de modo tocante, ao doar ao torcedor uma das taças entregues.

Essa combinação campo e arquibancada explica o sucesso da equipe tanto quanto as ideias arrojadas da direção, a mentalidade mantida mesmo com a saída de Ney Franco, o comando seguro de Marcelo Oliveira, a velocidade da armação de jogadas a partir de Rafinha e Davi, a agilidade e conclusão de Marcos Aurélio, e a fase impressionante de Bill – para não dizer de todo o time.

Se não há rival hoje no Paraná (também pelas perdas do Atlético e pelo pior momento da história paranista), a Copa do Brasil pode ver já contra o Palmeiras um adversário temível e respeitável.

Coritiba, 101

terça-feira, 12 de outubro de 2010

A pedidos, reproduzo o texto do blag a respeito do centenário.

O Bangu era o Rio na final do BR-85. Todas as bandeiras cariocas se uniram pelo clube do subúrbio. O rival no Maracanã só defendia as próprias cores. Era zebra. Era a sina do Coritiba. É o fardo de qualquer time de Curitiba. Precisa não só vencer os rivais. Também a desconfiança geral.

São tantas barreiras que até o gol do título teve de superar duas delas; a primeira criada pelo competitivo time do treinador Ênio Andrade: dois coxas ficaram à frente da barragem do Bangu. Quando o centroavante do Coritiba correu para fazer história, cada um foi para um lado, a bola foi no ângulo do goleiro Gilmar. Golaço do time dos alemães Hauer. Labsch. Dietrich. Iwersen. Juchks. Obladen. Kastrup. Maschke. Schlemker. Essenfelder. Sobrenomes alemães do primeiro quadro do Coritiba, há 100 anos. Campeão brasileiro nos pênaltis naquela última noite de julho de 1985. Título que começou a ser ganho naquele gol de Índio – nada mais brasileiro.

Rafael. André. Gomes. Heraldo. Dida. Almir. Marildo. Tobi. Lela. Índio. Édson. Onze nomes curtos. Onze gigantes grafados no Alto da Glória. Do primeiro jogo em Ponta Grossa em 1909 à partida da vida coxa-branca em 1985 no Maracanã tem toda uma história. Toda uma torcida que sabe como foi duro ganhar jogos, campeonatos, respeito e admiração. Como é complicado ganhar manchetes no Sudeste. Como é botar um jogador na seleção em três Copas como um 11 que corria pelos 11 – Dirceu. Como é não ter visto um camisa 10 como Alex jogar um Mundial pelo Brasil. Como foi difícil uma bandeira paranaense defender a verde e amarela do jeito que o Coritiba se superou em 1985.

Aquele tiro longo de Índio pareceu levar um século para entrar. E ainda parece que foi ontem. Vieram dores, desamores, derrubadas. Rebaixamentos no tapetão, puxadas de tapete do Clube dos 13, quedas no campo. Acessos no gramado, acessos de raiva por desatinos e destinos mal traçados e bolados. Barreiras que puderam ser superadas com fé. Com coração. Nas coxas bravas e brancas.

De um clube que vence preconceitos. O time dos alemães que foi o maior do Brasil com um gol de Índio numa falta sofrida pelo negro Tobi. O meia foi derrubado por um banguense de camisa branca no estádio Mário Filho, jornalista autor de “O Negro no Futebol Brasileiro”, clássico da literatura esportiva que explica um dos tantos motivos do sucesso brasileiro nos campos – a rica aquarela étnica do país de coxas brancas, pés negros, pernas mulatas, cabeças amarelas, sangue vermelho, e coração verde de esperança.

Bangu pioneiro na escalação de negros entre as elites alvas do Rio e do Brasil no início do século passado. Bangu que vestia todas as cores cariocas na decisão do Brasileirão de 1985, no Maracanã. Foi o Rio inteiro contra o primeiro finalista paranaense do Brasileirão. O Coritiba de campanha irregular, de saldo de gols negativo, que tinha de enfrentar o colosso do Maracanã como zebra. Como um time que superara rivais melhores – ou mais “qualificados” nas manchetes, não no gramado. Um time que venceria nos pênaltis mais um “favorito”. Calando mais uma vez os gritos contrários. O “quinta-coluna” dos anos 40 de guerra mundial era o primeiro do Brasil na redemocratização da Nova República em 1985. Nascido no Dia da Padroeira do país, em 1909.

Parece mentira. Como era “mentira” o apelido do craque daquele ano, o ponta-direita Lela. Tinha perna curta. Coxa grossa. E era coxa firme. Como foram de corpo e alma Fedato, Duílio, Krüger, Bequinha, Miltinho, Zé Roberto, Alex, Ivo Rocha, Tostão, Hidalgo, Leocádio, Tonico, Neno, Nilo, Jairo, Pizzatto, Pizzattinho, Rei. Nomes e apelidos estrangeiros e brasileiros. Rima que foi solução. Que virou seleção. Que virou campeão. Com garra, força e tradição.

Parabéns, Coritiba. Parabéns pelos próximos 100 anos. Estes já são história. E quantas histórias.

Coritiba, 100 anos

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

O Bangu era o Rio na final do BR-85. Todas as bandeiras cariocas se uniram pelo clube do subúrbio. O rival no Maracanã só defendia as próprias cores. Era zebra. Era a sina do Coritiba. É o fardo de qualquer time de Curitiba. Precisa não só vencer os rivais. Também a desconfiança geral.

São tantas barreiras que até o gol do título teve de superar duas delas; a primeira criada pelo competitivo time do treinador Ênio Andrade: dois coxas ficaram à frente da barragem do Bangu. Quando o centroavante do Coritiba correu para fazer história, cada um foi para um lado, a bola foi no ângulo do goleiro Gilmar. Golaço do time dos alemães Hauer. Labsch. Dietrich. Iwersen. Juchks. Obladen. Kastrup. Maschke. Schlemker. Essenfelder. Sobrenomes alemães do primeiro quadro do Coritiba, há 100 anos. Campeão brasileiro nos pênaltis naquela última noite de julho de 1985. Título que começou a ser ganho naquele gol de Índio – nada mais brasileiro.

Rafael. André. Gomes. Heraldo. Dida. Almir. Marildo. Tobi. Lela. Índio. Édson. Onze nomes curtos. Onze gigantes grafados no Alto da Glória. Do primeiro jogo em Ponta Grossa em 1909 à partida da vida coxa-branca em 1985 no Maracanã tem toda uma história. Toda uma torcida que sabe como foi duro ganhar jogos, campeonatos, respeito e admiração. Como é complicado ganhar manchetes no Sudeste. Como é botar um jogador na seleção em três Copas como um 11 que corria pelos 11 – Dirceu. Como é não ter visto um camisa 10 como Alex jogar um Mundial pelo Brasil. Como foi difícil uma bandeira paranaense defender a verde e amarela do jeito que o Coritiba se superou em 1985.

Aquele tiro longo de Índio pareceu levar um século para entrar. E ainda parece que foi ontem. Vieram dores, desamores, derrubadas. Rebaixamentos no tapetão, puxadas de tapete do Clube dos 13, quedas no campo. Acessos no gramado, acessos de raiva por desatinos e destinos mal traçados e bolados. Barreiras que puderam ser superadas com fé. Com coração. Nas coxas bravas e brancas.

De um clube que vence preconceitos. O time dos alemães que foi

o maior do Brasil com um gol de Índio numa falta sofrida pelo negro Tobi. O meia foi derrubado por um banguense de camisa branca no estádio Mário Filho, jornalista autor de “O Negro no Futebol Brasileiro”, clássico da literatura esportiva que explica um dos tantos motivos do sucesso brasileiro nos campos – a rica aquarela étnica do país de coxas brancas, pés negros, pernas mulatas, cabeças amarelas, sangue vermelho, e coração verde de esperança.

Bangu pioneiro na escalação de negros entre as elites alvas do Rio e do Brasil no início do século passado. Bangu que vestia todas as cores cariocas na decisão do Brasileirão de 1985, no Maracanã. Foi o Rio inteiro contra o primeiro finalista paranaense do Brasileirão. O Coritiba de campanha irregular, de saldo de gols negativo, que tinha de enfrentar o colosso do Maracanã como zebra. Como um time que superara rivais melhores – ou mais “qualificados” nas manchetes, não no gramado. Um time que venceria nos pênaltis mais um “favorito”. Calando mais uma vez os gritos contrários. O “quinta-coluna” dos anos 40 de guerra mundial era o primeiro do Brasil na redemocratização da Nova República em 1985. Nascido no Dia da Padroeira do país, em 1909.

Parece mentira. Como era “mentira” o apelido do craque daquele ano, o ponta-direita Lela. Tinha perna curta. Coxa grossa. E era coxa firme. Como foram de corpo e alma Fedato, Duílio, Krüger, Bequinha, Miltinho, Zé Roberto, Alex, Ivo Rocha, Tostão, Hidalgo, Leocádio, Tonico, Neno, Nilo, Jairo, Pizzatto, Pizzattinho, Rei. Nomes e apelidos estrangeiros e brasileiros. Rima que foi solução. Que virou seleção. Que virou campeão. Com garra, força e tradição.

Parabéns, Coritiba. Parabéns pelos próximos 100 anos. Estes já são história. E quantas histórias.

P.S. E para quem quiser começar uma festa, veja o Green Hell-IV da partida contra o Corinthians:

http://www.coxanautas.com.br/opiniao/cxntv/