Vascaíno, você lembra como acordou em 24 de março de 2003? Se não recorda exatamente o que foi aquela manhã de segunda-feira, saiba que a sensação é praticamente a mesma que você teve ontem ao levantar da cama depois de erguer a Copa do Brasil numa das mais emotivas celebrações de título dos últimos tempos. Também porque o Vasco, entre os grandes brasileiros, era quem há mais tempo não comemorava um caneco de primeira. Desde aquele março de 2003, depois de vencer duas vezes o Fluminense por 2 a 1, no RJ-03.
A sensação é ainda melhor porque parecia muito longe de ser alcançada no ínicio do ano, com um elenco fragilizado. Um time que só soube perder nos primeiros quatro jogos na Taça Guanabara, num começo antológico e de anedota. Só foi ganhar o sexto na estreia de Ricardo Gomes. Só recebeu um reforço de nível como Bernardo (reserva com bola de titular) no oitavo jogo. E, desde então, ganhou Leandro, Elton, Diego Souza, Alecsandro. Recuperou Felipe como comandante da nau-bala. Firmou Anderson Martins e Eduardo Costa. Reafirmou Fernando Prass e Dedé. Liberou Carlos Alberto. Reencontrou Dinamite com a vitória. Com o Vasco.
Vencedor contra um vice-campeão mais campeão que vice. O Coritiba das 24 vitórias seguidas históricas em 2011. Um Coxa que jogou bem em São Januário na outra semana, no domingo goleou os reservas vascaínos até então 100%, e venceu na grande e emocionante decisão no Couto Pereira um Vasco batido em tiros longos, e nas bolas altas que superaram uma escalação infeliz de Marcelo Oliveira. Quando o Coxa voltou a ser o time rápido e incisivo, com dois meias e dois atacantes, fez além do dever de casa, e só parou em Fernando Prass, de história igualmente bonita no clube.
O Coritiba só não ganhou a inédita Copa do Brasil porque o regulamento privilegia quem faz mais gols fora de casa. Algo melhor que uma disputa de pênaltis que só consagra goleiros. Mas não necessariamente define o melhor de uma competição. Algo que merece discussão, ainda mais num esporte com diferenças cada vez menos… diferentes. Não apenas isso se pode ponderar. Até mesmo a “vantagem” da decisão em casa no jogo de volta. Neste século, tirando a decisão carioca de 2006, a volta olímpica só não foi do visitante em 2003 e 2008. Em decisões pautadas algumas vezes pela imperiosa necessidade de fazer muito mais futebol e gols como mandante por um golzão sofrido em casa no jogo decisivo. Um gol dolorido como a falha feia de Edson Bastos no chutelongo de Éder Luiz. O gol do título. Típico de campeão. Típico do Vasco enfim vascaíno.













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