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Arquivo da Categoria ‘RAIO X’

MANO A MANO – Raio X: Chivas x Internacional

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Um esquema possível do Chivas. O 4-2-3-1 que deu muito certo no Chile, como visitante. Com Araujo marcando mais, com Báez atacando pela direita, dando velocidade pelos cantos com Fabián. O Inter seria o mesmo, em qualquer esquema rival.

ALECSANDRO X REYNOSO + MAGALLÓN – O camisa 4 e capitão Reynoso tem 29 anos. Meio pesado, alto (1m84), “Sansón” (pelos cabelos longos) não tem velocidade. No jogo aéreo defensivo, costuma ter os problemas que causa na área contrária. Indo em direção à bola, é perigo. Tentando evitar o cabeceio rival, nem tanto. Fará bom duelo aéreo com o centroavante colorado. Alecsandro é um que sabe preparar por baixo os lances. Sabe atrapalhar a saída de jogo alheia. E terá de fazer tudo isso e muito mais no duríssimo jogo no México. Ainda mais complicado porque Reynoso é experiente e não alisa. Magallón, o número 3, o Chiva de Hierro, deve ser o zagueiro pela esquerda. Também atua na lateral direita. Esteve na África do Sul. Outro que é baixo (1m78). Outro que não dá segurança pelo alto. Um dos caminhos colorados na partida. A recuperação dele também não é grande coisa.

TAISON X DE LUNA – O lateral-direito foi zagueiro-esquerdo na bela vitória contra a Universidad, no Chile, por 2 a 0. E teve problemas pelo lado e por baixo, também. Não é de apoiar, embora deva sair para o jogo em Guadalajara. Como Esparza (campeão mundial Sub-17 em 2005), ex-titular da posição, teve fratura em dedo do pé. A De Luna foi em janeiro. A de Esparza, mais recente. Como qualquer um, De Luna terá problemas para conter a excelente fase do não menos Taison. Mais focado, compenetrado, mais atento taticamente, está mais solidário. Segue se mexendo bem e batendo em gol com categoria. No 4-2-3-1 de Roth, achou-se pela esquerda, onde sempre se deu melhor. No segundo tempo dos 2 a 1 para o São Paulo, também foi bem como segundo atacante, próximo a Alecsandro, pela direita. No México, melhor que comece mais atrás. E não deixe o companheiro de ataque isolado. Se tentar marcar como sabe jogar, o Inter leva vantagem. Ainda mais com o apoio mais que qualificado de Kléber.

GIULIANO X ARAUJO (OU BÁEZ) – O volante camisa 5 do Chivas também é zagueiro. Promissor. Outro campeão mundial Sub-17 há cinco anos, no Peru, metendo 3 a 0 no Brasil, na decisão. Era o capitão. Pato Araujo tem apenas 21 anos, e pés educados como a cabeça. Entrou na universidade. Com apenas 1m75, melhor que seja mesmo volante que zagueiro. Mas tem potencial para voos maiores. Fará duelo de ótima qualidade com Giuliano, se o jovem colorado for o escolhido para suprir ausência mais que sensível do suspenso Tinga. Mas só o Inter, pela fase que vive, para deixar no banco um talento como o de Giuliano. Além dos salvadores gols contra Estudiantes e São Paulo, entrou nos minutos finais, no Morumbi, como um veterano. O talento e a vocação ofensiva poderão ser letais no contragolpe, no México. A opção Andrezinho também é interessante, num jogo como visitante, e contra rival de qualidade. Esquecer o 4-2-3-1 e mudar taticamente o Inter para um 4-3-1-2 não é bom negócio para Roth, se assim optasse por Wilson Mathias. Melhor espelhar taticamente os esquemas. Parecidos e de ótimo nível. Ainda que o Chivas venha num 4-4-2, com Arellano próximo a Bravo, e Fabián (ou Medina) abertos pela esquerda, com Araujo no banco para dar lugar a um time mais criativo (no caso, com Báez recuado como volante, e Mejía mais de olho em Giuliano), o Inter não pode e não deve mudar seu estilo de jogo.

D’ALESSANDRO X PONCE – O enganche argentino colorado voltou a jogar. E, como todo o Inter, muita bola. A partir da direita no 4-2-3-1 de Roth, ou mesmo mais centralizado, é homem para desequilibrar. No México, impedirá o apoio do lateral-esquerdo Ponce (23). Já rodado (31 anos), baixo como todo o time, não é para tirar o sono de D’Alessandro. Nem para dar muitos espaços ao argentino. Em dia normal, outra vantagem no confronto para o colorado, que também precisa ajudar demais a fechar o cerco no meio. Tirando a velocidade de um time que sabe trabalhar no meio-campo, ou mesmo explorar a ligação direta para o rápido ataque. Ponce apoia mais que o lateral pela direita. Mas não é de bater a bola e nem chegar ao fundo.

GUIÑAZÚ X MEJÍA – A posição de origem é a de zagueiro. Mas também sabe atuar como volante o jovem camisa 20 de 22 anos. Mejía é bastante dinâmico, e ajuda a dar velocidade a um time muito interessante quando contragolpeia (como fará no Beira-Rio), e quando precisa ficar com a bola (como tentará fazer, se o Inter deixar, no México). “Chore” Mejía é outro que nasceu na base do Chivas. Mais à esquerda, normalmente, deverá ficar de olho em Guina, quando o argentino passar do outro lado. Belo duelo tático, técnico e de raça. Mas a experiência do argentino pode valer muito mais. Dois que vão ajudar no combate. Mas que sabem o que fazer com a bola. O argentino colorado, um tanto mais. Chore Mejía é outro da turma Sub-17 de 2005. Se o time atuar no 4-2-3-1, ou mesmo no 4-4-2, é um que está garantido no meio-campo. Se estiver ao lado de Araujo, Mejía irá ao jogo. Se atuar Báez mais recuado, ele ficará mais preocupado com Giuliano.

SANDRO X BAUTISTA – Ele gostava, nos tempos de centroavante, de usar uma chuteira de cada cor, e beijá-la depois dos gols que já não faz tantos. Até porque tem sido mais meia-atacante do 4-2-3-1 mexicano que referência de área como o ótimo Bravo. Bautista (7), El Bofo, o carequinha, é bom atacante, e tem se virado bem como meia-atacante. 31 anos, 1m85, é outro dos seis que estiveram na Copa-10. Um deles, Chicharito Hernández, já ficou fora do país, negociado com o Manchester United. Mas o time manteve a velocidade e boa técnica. Sandro, em grande fase, deverá ser um dos responsáveis pela marcação, embora Bautista caia mais à direita, para o lado de Guina. Como marca melhor e é mais jovem, melhor que Sandro fique atento ao Bofo bom de cabeça e com técnica interessante. E que todos fiquem espertos com a troca constante de posição entre ele e Bravo. Mexida que costuma dificultar a marcação já muito difícil pela movimentação, boa técnica e intensidade do Chivas. Se o time mexicano atuar no 4-4-2, é capaz de Bautista ganhar o auxílio pelos lados de Arellano (mais ofensivo) e Medina (mais cerebral) pelos cantos. O time segue com a mesma qualidade, mas um tanto mais ofensivo.

KLÉBER X BÁEZ (OU ARELLANO) – Belo duelo entre um dos melhores e mais experientes e técnicos laterais do Brasil contra o mais polivalente e dos mais velozes mexicanos. 23 anos, 1m70, o baixinho é fera. Tem ótima técnica, muita velocidade, e pode ser lateral-direito, volante pela direita, até mesmo meia-atacante centralizado. Mas é como winger, o meia aberto pela direita do 4-2-3-1 mexicano, que pode causar estragos pela técnica e velocidade. É um que sabe acompanhar os avanços precisos de Kléber tanto quanto jogar às costas dele. Perigo para o Inter. E mais uma função pra Guiñazú executar. Ao mesmo tempo que Báez, Araujo e De Luna terão trabalho em triplo com Kléber e Taison, que forma excelente ala esquerda. Outra opção é o Chivas atacar com Arellano pela direita, com Báez mais recuado, como volante que também pode ser, entrando no lugar de Araujo.

NEI X FABIÁN (OU MEDINA) – Ponto a ser explorado pelos mexicanos é o ótimo meia-atacante “El Japones” Fabián, técnico, abusado, incisivo e veloz, contra o discutível Nei. Outro que tem se saído melhor do que é, pelo excelente momento colorado. Mas contra Fabián, vai ter de marcar mais do que sabe. O camisa 8 revelado pelo Chivas vive ótimo momento. Sabe driblar e cortar por dentro, para bater. É o terceiro meia pela esquerda, que chega à frente para tabelar com Bravo. Medina também é nome para não mudar tanto as características mexicanas. Outro bom jogador que pode entrar desde o início.

BOLÍVAR + ÍNDIO X BRAVO – “Omarcito” Bravo é fera. 30 anos, 1m68, mas rápido como um diabo. Finaliza bem, se mexe com inteligência, trocando de posição com meia-atacante Bautista, é o centroavante do 4-2-3-1 mexicano. Mas joga bem por qualquer lado do ataque. Se não fará tanto estrago na problemática zaga colorada pelo alto, por baixo, pode ser letal. Em menos de um ano de La Coruña, não foi bem, em 2008-09. Fez bela dupla com Javier Hernández. Esteve em 2006, mas não na Copa-10. É o melhor atacante da equipe. Tanto pode jogar isolado, quanto ganhar a ajuda da velocidade de Arellano, num esquema mais próximo ao 4-4-2, com dois meias pelos lados, os wingers, rápidos e técnicos como Arellano e Medina.

RENAN X MICHEL – Renan é dos maiores talentos para goleiro nascidos no Brasil nos últimos tempos. Cedo foi para o Valencia, cede perdeu a condição de titular por lesão, cedo foi para um time ruim como o Xerez, cedo retornou ao Brasil, cedo reestreou no Inter do coração, rapidamente falhou demais, rapidamente levou gol injustificável contra o São Paulo, rapidamente se recuperou e se classificou para a decisão da Libertadores. Joga muito mais do que não tem jogado. Será essencial em confronto tão difícil. Do outro lado, um goleiro mais experiente, 31 anos, de seleção mexicana (terceiro goleiro da Copa-10. Mas baixo – 1m78. “Gato” Michel, como Renan, é de berço torcedor do time pelo qual joga. Rápido, tem bom posicionamento. Mas, como todo sistema defensivo do “rebaño”, não é bom nas bolas altas. Na média, o Renan usual é muito melhor. Mas ainda não foi o Renan que se conhece no retorno ao Beira-Rio.

CELSO ROTH X JOSÉ LUIS REAL – Um maldoso amigo colorado diz que o Inter fez tudo certo ao demitir o infeliz Jorge Fossati e apostar no discutido Roth porque, nos três meses iniciais, Roth faz tudo certo, não se desgasta com elenco, diretoria, torcida e imprensa, e pode dar o que o Inter tem merecido pelo que fez depois da Copa. De fato, faz sentido. E tem feito demais Roth no retorno ao Beira-Rio. Pegou um Inter embrumado e entrevado mesmo semifinalista com Fossati, abandonou a zaga a três e a turma de frente com apenas dois meias e um atacante. Armou o time num equilibrado 4-2-3-1, recuperou animicamente Taison e D’Alessandro, ganhou ótimas opções como Tinga, Renan e Rafael Sobis, e colocou o Colorado como favorito. Mas contra um ótimo time de um poderoso clube mexicano. Com boas alternativas táticas e técnicas à frente. Sem o peso de ser obrigado a ganhar a Libertadores contra um rival “relaxado” por já estar no Mundial. “Relaxamento”, porém, que pode ser ótimo para o Inter, que não precisará jogar a vida, como foi em 2006.

A mais provável escalação do Chivas, com Arellano e Medina (Fabián) como wingers, meias-extremos pelos cantos, adiantando Bautista para encostar enm Bravo, e com dois volantes que sabem jogar, como Báez e Mejía. Talvez sobrasse mais espaço para o contragolpe colorado desse jeito de atuar mexicano, um 4-4-2 com jeito de 4-2-3-1, dependendo do recuo de Bautista

ALTERNATIVAS

MEDINA – “Venado” Medina, o camisa 10, é opção de ataque pela esquerda. É tanto homem de frente como winger pelos dois lados, o meia-extremo bem aberto pelos dois cantos – normalmente mais à esquerda. Outro que deixa o jogo do Chivas rápido e com boa técnica. Finaliza com categoria e inteligência. Esteve na Copa-10. Outro que pode fazer parte do 4-4-2 mexicano. Alternativa mais ofensiva, em casa.

ARELLANO – Meia-atacante que atua mais à direita, o camisa 9 é o winger, um meia-extremo por aquele lado. É mais atacante que meia, pela boa velocidade. El Mago sabe driblar e começou como volante. 1m74, é boa opção para começar o jogo, mais próximo de Bravo, se Real optar por um 4-4-2 inicial.

RAIO X – Mano a Mano de Internazionale x Bayern de Munique

sexta-feira, 21 de maio de 2010

 

JÚLIO CÉSAR X BUTT – Covardia. Nem quando vice-campeão europeu pelo Bayer Leverkusen o goleiro alemão Butt inspirava muita confiança. Talvez seja o nome (em francês, com um T a menos, é “gol”). Nada bom para um goleiro nada confiável. Seria um excelente reserva, como foi tantas vezes de Kahn. Agora, apenas quebra um galho. Incomparável a JC, o melhor do mundo em tantos meses. Mas, dever dizer, com algumas falhas que raramente se viu na carreira brilhante. Não é o melhor momento dele. Ainda assim, superior a Butt. De longe.

MAICON X ALTITOP – O lateral-direito brasileiro e o meia aberto pela direita turco vivem ótimo momento. Com a bola, o jogador do clube bávaro irá para cima, mas por dentro, contra o brasileiro. Sem a bola, fará importante papel na contenção, como o terceiro meia pela esquerda, substituindo o excelente francês Ribéry. Vantagem técnica e tática para o lateral da Inter.

LÚCIO + SAMUEL X OLIC – As duas equipes atuam num mesmo 4-2-3-1. Espelhadas taticamente, os confrontos individuais podem decidir. No ataque alemão, apenas o croata Olic (em fase espetacular, vice-artilheiro da UCL) para dois excelentes zagueiros, no auge de suas carreiras, também. Empate ultratécnico. Por baixo, o croata está demais. Pelo alto, contra o brasileiro, não tem jogo. O caminho alemão é pela direita, para cima de Samuel. É mais fácil jogar por ali para o atacante, torcedor confesso da Inter, na Itália, onde Olic treinou por um tempo, em 1998, e ficou ainda mais fã de Ronaldo.

CHIVU X ROBBEN – Pau para toda obra, o romeno é zagueiro, é lateral-esquerdo, e até volante pela esquerda, num 4-3-1-2, como já foi com Mourinho. E quase sempre muito bem. O duro será encurtar espaços de Robben, melhor jogador do Bayern. O excelente ponta holandês pode atuar em qualquer lado. Mas é pela direita do clube de Munique que foi letal contra Fiorentina, Manchester United e Lyon. É o pé canhoto que desequilibra. O romeno terá de fazer uma barreira com Zanetti, provável volante pela esquerda de Mourinho (pela sensível ausência do brasileiro Thiago Motta, suspenso). Outra alternativa é o capitão argentino, há 15 anos brilhando na Inter, seguir pela lateral esquerda, com Chivu como volante. Quando Robben cortar por dentro, entrando em diagonal com sua infernal canhota, um dos dois destros estará no encalço. Parada duríssima, que apenas taticamente pode ser compensada por Mourinho. Robben, hoje, ganha de qualquer um. De qualquer time.

CAMBIASSO + ZANETTI X MÜLLER – O volantaço argentino, absurdamente esquecido por Maradona, é outro que vive o auge. Não apenas defensivamente, como brilhou comandando a tropa nerazzura no cerco de Barcelona, no Camp Nou. Cambiasso também aparece no ataque para fazer gols ou construir jogadas pelo pentacampeão italiano. O homem é fera. E parece pronto para vencer o promissor meia-atacante Müller. Boa revelação do Bayern, não tem sentido tanto o noviciado. Essencial para encostar em Olic no 4-2-3-1 de Van Gaal, também precisará ajudar na contenção à saída do volante interista. Dono de ligeira vantagem no confronto. Seja com a ajuda de Zanetti, pela esquerda (ou mesmo pela direita), seja com Chivu. Em ambos os casos, melhor Cambiasso pela direita. Como canhoto, ficaria mais difícil acompanhar, como volante pela esquerda, uma entrada em diagonal de Robben, da direita para o centro da área italiana.

CONTENTO X PANDEV – O artilheiro camaronês pode atuar pela direita ou pela esquerda sem problemas, no 4-2-3-1 de Mourinho. Troca de lado com o canhoto macedônio Pandev sem problemas. Mas como Contento (ou Badstuber) deve sair menos, embora saiba atacar (até pelo prenome Diego Armando), o canhoto (e menos ágil e hábil) Pandev deve dar conta. Deixando o veloz Eto’o azucrinando pela esquerda, impedindo o apoio qualificado de Lahm pela direita alemã. Um duelo menor na grande decisão. Com tintas interistas. Mais uma vez.

VAN BOMMEL + SCHWEINSTEIGER X SNEIJDER – A dupla de volantes do Bayern sabe jogar. Até demais. São muito mais armadores recuados como volantes que homens de contenção. Muitos dos problemas da vazada e incerta linha de zaga alemã vêm daí. Se o passe sai correto dos pés do capitão holandês Van Bommel, se o jogo ganha velocidade com a partida de Schweinsteiger para o ataque a partir da esquerda, o sistema defensivo se abre. E contra um Sneijder iluminado, o principal assistente da UCL, fica ainda mais difícil. A única boa nova para o Real Madrid que o vendeu para a Itália por apenas 15 milhões de euros é que no caso de dar a Inter (meu palpite, com 51% de probabilidade, no máximo!), o clube merengue recebe 3 milhões a mais do time italiano. Ou, no caso, usa o dinheiro acordado para amortizar os 8 milhões que deverá pagar para rescindir o contrato de José Mourinho. Sneijder dita o ritmo da Inter, e tem sido eficiente em qualquer cobrança de falta. É o nome a ser encaixotado pelo Bayern, que normalmente não consegue realizar esse tipo de marcação, até pela característica dos homens de meio. Pela fase de Sneijder, pelas dificuldades naturais da dupla de volantes-armadores de Van Gaal, ligeira vantagem interista nesse confronto.

LAHM X ETO’O – O duelo mais técnico pela beirada do campo ofensiva. Eto’o tem sido meia no 4-2-3-1 da Inter. Mais comprometido taticamente, acompanha o avanço do lateral rival. E Lahm sabe jogar, criar, cruzar, abrir o jogo, ou mesmo derivar para dentro. Com Robben faz uma ala letal. É por ali que sai o melhor do Bayern. É por ali que Eto’o, Zanetti e Chivu precisam barrar a dupla. Empate ultratécnico.  

VAN BUYTEN + DEMICHELIS X DIEGO MILITO – Não é o duelo dos sonhos. Mas a temporada do artilheiro argentino – e italiano – foi tão impressionante que qualquer defesa o temeria. Ainda mais a alemã, com um belga e um argentino discutíveis. Bons pelos altos, mas com recuperação lenta pata enfrentar um ataque (e um contragolpe) veloz e inteligente. Pelo chão, lançado em velocidade, o argentino é muito mais eficiente. E não fica tão atrás e tão por baixo no jogo aéreo. Vitória interista neste confronto.

JOSÉ MOURINHO X LOUIS VAN GAAL – O holandês busca o bi. Foi campeão com um brilhante Ajax, em 1995. Logo depois foi trabalhar no Barcelona. Onde teve como assistente o português marrento – e mais brilhante. “Ele fazia ótimos relatórios dos rivais. Muito competente e trabalhador. Mas não imaginava que se tornaria um treinador deste nível”. Falou Van Gaal. Que deixou parecer que não vê com ótimos olhos a chegada do ex-assistente ao Santiago Bernabéu para treinar o Real Madrid. Deixou entender que Mourinho talvez seja “retranqueiro” demais para a escola merengue. Talvez… Mas, neste sábado, não só a Inter parece mais forte. O treinador também é. Não tanto quanto “The Special One” se acha. Mas, certamente, mais que Van Gaal – outro que tem um espelho gigantesco no vestiário. Mourinho parece mais pronto para o bi – foi campeão pelo surpreendente Porto, em 2004.  Treinador que desde 23 de fereveiro de 2002 não perde um jogo de campeonato nacional como mandante: são 136 jogos invictos, com 80% de aproveitamento.

INTERNAZIONALE X BAYERN DE MUNIQUE – Pontos corridos, apostaria Inter. Seco. Num mata-mata molhado, ainda Inter. Num jogo só, 90 minutos – mesmo podendo ter 120, ainda sou um pouco mais Inter. Nestes 90 minutos, 2 x 1 Inter. Por mais que respeite a história tetracampeã europeia do Bayern (1974 a 1976, e ainda 2001), por mais que o futebol alemão pregue tantas peças (como a eliminação do United em Manchester), por mais que o clube alemão tenha melhorado durante o torneio, a Inter eliminou Chelsea e Barcelona. É a pentacampeã italiana. Tem mais gente desequilibrante. Se não terá Motta, o time alemão não terá Ribéry. Vantagem para a Inter tentar o tri. Honrando o tático (por vezes chático) time bi europeu, em 1965 e 1965, com o mago Helenio Herrera.

RAIO X – ESTUDIANTES X CRUZEIRO

terça-feira, 7 de julho de 2009

PALPITE? Empate. Para não cravar vitória do Cruzeiro. Será difícil como qualquer jogo decisivo de Libertadores contra um tri sul-americano. Mas será um novo tri no Mineirão, no jogo de volta.

BOSELLI X LEONARDO SILVA – O baixinho é chato, perigoso, ardiloso. Sabe preparar o lance para quem vem de trás. Mexe-se bem. Vive ótima fase. Já sabe o que é ter sido campeão da Libertadores, como reserva do xeneize Palermo, em 2007. Pelo alto, perde para a melhor fase de Leonardo Silva. Mas, por baixo, pode ganhar. Também porque é rápido e se posiciona bem para cabecear. Pode não ganhar na altura. Mas chega antes pela velocidade. Leo vai ter de repetir as ótimas atuações de 2009 para evitar a chegada pincharrata.

FERNÁNDEZ X ANDERSON – Chaaaaaato o outro baixinho de bom nível do time de La Plata. Destro, pega bem na bola de qualquer lado. Rápido, costuma girar e bater de primeira. Ajuda na recomposição defensiva e costuma fazer muitas faltas. Além de tentar cavá-las. Também pega bem na bola e é bom batedor (não melhor que Benítez e Verón). Tarefa dura para Anderson, que não tem sido o ótimo zagueiro que foi para a Europa. É ponto frágil do melhor armado time cruzeirense.

BENÍTEZ X JOHATHAN – O meia aberto pela esquerda é opção até para atuar no meio, quase não dê para o craque Verón (que deve jogar, apesar do desconforto muscular na perna direita). Canhoto, Benítez bate muuuito bem na bola. A parada dele pode ser letal, sobretudo com a chegada dos altos zagueiros. Abusado, dribla bem, vai para cima. Mas alterna grandes atuações, como nas decisivas do título argentino de 2006, com longos momentos de apneia técnica. O bom é que, de olho nele, estará Jonathan. Outro cruzeirense no auge. Sempre ótima opção no apoio. Nem tanto na marcação. O que causa certa apreensão fora de casa, e contra um bom meia como Benítez. Alguns dos volantes precisam dar um pé por aqui.

PÉREZ X GERSON MAGRÃO – Mais tático que o eventual substituto Galván (mais ousado e ofensivo como a outra opção pelo lado esquerdo, o reserva Núnez, que normalmente entra na segunda etapa e consegue bons lances em diagonal, driblando e pedindo para ser derrubado); Pérez sabe marcar, mas também joga. Tem bom fôlego. E ajuda a cercar o eventual apoio de Magrão. Que, claro, precisa marcar. Mas não abdicar do jogo.

VERÓN X MARQUINHOS PARANÁ – Duelaço. Em qualquer lugar. Verón tem mais de 90% de chances de jogar. Com ele, o ortodoxo 4-4-2 de Alejandro Sabella funciona ainda melhor. Verón sabe inverter o jogo, sabe dominar os tempos da partida, sabe armar um time, sabe bater faltas, e sabe desequilibrar um rival. Sem ele, a opção de outro volante pela esquerda – Matías Sánchez – é a mais conservadora. Tarefa ainda para Marquinhos Paraná, que precisa usar a excelência de seu momento não apenas para ajudar e ajustar o dique defensivo celeste. Também para armar o Cruzeiro. O Estudiantes é time que aceita ser pressionado mesmo em La Plata.

WÁGNER X BRAÑA – O volante mais marcador argentinho também sabe jogar. Mas terá dificuldades se entrar em campo o Wágner do Morumbi. Não o do Olímpico. Aliás, o melhor teipe para Adilson exibir para os atletas é o da vitória contra o São Paulo. É tudo aquilo que o Cruzeiro precisa fazer para voltar com o tri bem encaminhado. Wagner, claro, vai ter de dar mais um pé atrás. Mas ainda mais fundamental é se mexer atrás de Braña e de Véron (ou Sánchez ou até mesmo Benítez, com Galván aberto à esquerda).

RAMIRES X RÉ – O lateral do Estudiantes pode atuar na esquerda e na direita. Pela ausência de Angeleri (que só volta no fim do ano), quebra o galho por aqui. Outra opção é Cellay, zagueiro que pode fazer a lateral direita – se recuperado fisicamente. Ramires também pode fazer a festa pela esquerda, desvencilhando-se de Braña, atuando entre Ré (ou Cellay) e o zagueiro-direito Schiavi. Ramires joga fácil em qualquer circunstância. Desequilibra um rival no contragolpe, e pode ajudar no combate. Mais que necessário em La Plata.

KLÉBER X DESÁBATO – As forças de paz da ONU já estão de sobreaviso. Bate muito o argentino. O mesmo que teve treta com Grafite, em 2005. Tem boa colocação. Mas é lento. Pela fase brilhante. Kléber pode fazer a festa e arrumar um vermelho. Cuidado para não levar junto. É o ponto de desequilíbrio do Cruzeiro. Onde acredito em ótimo resultado mineiro.

WELLINGTON PAULISTA X SCHIAVI – Jogo duro por aqui. Schiavi só chegou para a semifinal. Está ainda mais lento. Tem presença de área, já é tri de Libertadores pelo Boca. Mas Paulista é outro que pode cantar de raposa para cima da zaga. Sobretudo se trabalhar bem a bola no chão.

FÁBIO X ANDÚJAR – A fase argentina de goleiros é tão braba que o bom futuro goleiro do Catania é titular de Maradona… Não que seja ruim. Mas não é bom a ponto. Embora tenha batido recorde histórico de Gatti de invencibilidade na Libertadores, não é de arrancar suspiros, até pelo perfil tranqüilo – e, nisso, é ótimo como Fábio. Ambos vivem grande fase. Mas o cruzeirense, até quando esteve em fase irregular, já era dos melhores do Brasil. Fosse argentino, há muitos anos seria titular da seleção dos co-hermanos. Outro duelo onde o Brasil vence. Por pouco, mas o suficiente. De novo dá Cruzeiro.

DÍAZ – O lateral-esquerdo uruguaio não é uma sumidade no apoio, e é desatento na marcação. Com a bola, Jonathan deve atacá-lo. Kléber também tem mais de buscar o jogo por aqui, como fez contra o gremista Fábio Santos. É um dos pontos frágeis de um sistema defensivo débil pelo chão. Se Cellay atuar, Ré vem para a esquerda, onde joga melhor, e onde marca muito melhor que Díaz. Como a equipe atua num 4-4-2, o lateral é mais marcador. E os lances pela esquerda são bem feitos por Benítez.

FABINHO – Se atuar na cabeça da área, será o líbero defensivo de Adilson, na sobra à frente dos zagueiros. Ótimo também para conter o jogo aéreo (na bola parada) argentina. Com a bola, vez ou outra pode se juntar ao meio. Além de participar da bateria aérea celeste.

RAIO X – Cruzeiro x Grêmio

quarta-feira, 24 de junho de 2009

KLÉBER X LÉO – Duelo de seleção. Literalmente. Também pelo próprio “duelo”, no sentido clinteastwoodiano. Kléber vive o melhor momento da carreira, e tem sido letal. Nunca fez tantos gols, nunca preparou tantos gols, nunca apanhou tanto, e, dever dizer, não tem batido tanto. Pode ser expulso. Só que leva junto um. Léo é dos melhores zagueiros do Brasil. Por vezes, se perde. É um enorme risco a expulsão dupla. Mas é seguro que travem um senhor combate – no bom sentido.

WELLINGTON PAULISTA X RÉVER – Também pode ser Thiago Ribeiro. Mas deve ser a primeira opção, melhor no jogo aéreo defensivo, e que fez boa partida (como todos) no Morumbi. O zagueiro e também volante gremista é outro entre os melhores do país. Nas duas áreas. Também por isso a preocupação nas bolas paradas. Como todo o Grêmio, ele está se readaptando a atuar com apenas um companheiro ao lado. Demanda tempo. Até porque precisa fazer a cobertura do falho lado esquerdo tricolor.

WÁGNER X TÚLIO – Contra o São Paulo, uma excelente atuação. Contra o Grêmio, há como se esperar mais do mesmo do organizador ofensivo celeste. Túlio deve ser o volante mais atento a ele. E precisa estar mais esperto do que tem estado. Ele e todo o Grêmio. Além de não se perder em provocações e indisciplinas que têm custado caro a ele durante a carreira.

JONATHAN X FÁBIO SANTOS – A fase do lateral celeste é excepcional. Nunca jogou tanto tecnicamente, nunca correu tanto à frente, e até tem se saído melhor na marcação. Enfrentando um lateral que não vinha jogando bem como ala, e segue sem atuar bem como lateral. Fábio Santos é bom jogador. Mas não tem sido no Olímpico. E precisa marcar o que não tem marcado para segurar o forte lado direito mineiro.

GERSON MAGRÃO X RUY – Dois alas com pés de armador. Mas só um tem atuado bem. Muito bem. O cruzeirense está se acertando até na marcação, e segue sendo alternativa confiável no apoio e na armação celeste. Ruy vinha muito mal como ala, e tende a funcionar ainda menos sendo obrigado a marcar. Como as outras opções também não foram felizes na mudança do 3-4-1-2 de Roth para o 4-2-2-2 de Autuori, o Grêmio vai com Ruy para o Mineirão. E pode não voltar bem justamente por isso.

HENRIQUE X ADILSON – Dois volantes que sabem jogar e se aventurar ao ataque. O cruzeirense fez um golaço de Nelinho, no Morumbi, como bem definiu o nosso André Kfouri. Não é um jogador brilhante, mas sabe fazer seu papel com correção. Adilson é outro que pode ajudar a carregar o piano, e pode até tocar mais que “O Bife”. Precisa e deve jogar mais. Não apenas combatendo.

TCHECO X ELICARLOS – O cruzeirense fez uma partida muito boa no Morumbi na contenção e Marlos que, como o armador gremista, atua mais à direita. Precisa bisar a atuação para evitar que Tcheco organize o jogo. Evitando as faltas que o próprio armador tricolor sabe cobrar e colocar nas cabeças devidas. Mesmo estando longe do habitual – quando atua pelo Grêmio.

SOUZA X MARQUINHOS PARANÁ – Um senhor embate. Empate muito técnico. O cruzeirense tem se saído bem demais. Na sobra à frente dos dois zagueiros no Morumbi, foi mais uma vez irrepreensível. Precisando jogar mais com o time no Mineirão, tem capacidade para tanto. Até para ajudar a minimizar a ausência de Ramires. Porém, o dever é estar de olho em Souza, principal criador gremista – embora já tenha atuado bem melhor em 2009. O tricolor precisa se movimentar mais e tentar aquilo que o previsível time tricolor não tem conseguido.

MÁXI LÓPEZ X LEONARDO SILVA – O gringo tem jogado tudo que o restante do time não tem feito. Muito mais do que eu imaginava. E é do tipo que cresce em decisões, ainda que não tenha a guarida devida. O duro será enfrentar outro cruzeirense que vive o melhor momento na carreira. O jogo aéreo tricolor será tolhido pelo gigante azul.

ALEX MINEIRO X LÉO FORTUNATO – Um time está iluminado quando um zagueiro comum (para usar um eufemismo) atua como jogou no Morumbi, e como tem atuado pelo Cruzeiro. Tarefa que pode ser facilitada pela fase pouco inspirada de Alex Mineiro. E se vier Herrera, muda a correria. Mas nem tanto a qualidade atual.

FÁBIO X MARCELO GROHE – Fosse Victor na meta tricolor, um empate ultratécnico. Mas Grohe não é mau goleiro. Mas não é Victor. E Fábio nunca esteve tão Fábio quanto agora. É dos melhores goleiros do Brasil, cada vez melhor no confronto, cada vez saindo melhor da meta, cada vez melhor colocado.

ADILSON BAPTISTA X PAULO AUTUORI – Capitão América campeão da Libertadores-95 pelo Grêmio. Campeão sul-americano pelo Cruzeiro em 97 (fora o título vencido pelo São Paulo, em 2005). Outro confronto à altura do clássico. Autuori ainda não foi feliz no Grêmio, e sente a dificuldade em mudar de esquema e de futebol no meio do torneio; Adilson vai superando resistências e vencendo rivais e problemas (e mesmo algumas trocas mais que discutíveis) pela impressionante capacidade de trabalho. No Brasil, não há hoje um técnico que pense tanto futebol, que curta tanto trabalhar quanto ele.