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  1. 07.jul.2009

    RAIO X – ESTUDIANTES X CRUZEIRO

    por Mauro Beting

    PALPITE? Empate. Para não cravar vitória do Cruzeiro. Será difícil como qualquer jogo decisivo de Libertadores contra um tri sul-americano. Mas será um novo tri no Mineirão, no jogo de volta.

    BOSELLI X LEONARDO SILVA – O baixinho é chato, perigoso, ardiloso. Sabe preparar o lance para quem vem de trás. Mexe-se bem. Vive ótima fase. Já sabe o que é ter sido campeão da Libertadores, como reserva do xeneize Palermo, em 2007. Pelo alto, perde para a melhor fase de Leonardo Silva. Mas, por baixo, pode ganhar. Também porque é rápido e se posiciona bem para cabecear. Pode não ganhar na altura. Mas chega antes pela velocidade. Leo vai ter de repetir as ótimas atuações de 2009 para evitar a chegada pincharrata.

    FERNÁNDEZ X ANDERSON – Chaaaaaato o outro baixinho de bom nível do time de La Plata. Destro, pega bem na bola de qualquer lado. Rápido, costuma girar e bater de primeira. Ajuda na recomposição defensiva e costuma fazer muitas faltas. Além de tentar cavá-las. Também pega bem na bola e é bom batedor (não melhor que Benítez e Verón). Tarefa dura para Anderson, que não tem sido o ótimo zagueiro que foi para a Europa. É ponto frágil do melhor armado time cruzeirense.

    BENÍTEZ X JOHATHAN – O meia aberto pela esquerda é opção até para atuar no meio, quase não dê para o craque Verón (que deve jogar, apesar do desconforto muscular na perna direita). Canhoto, Benítez bate muuuito bem na bola. A parada dele pode ser letal, sobretudo com a chegada dos altos zagueiros. Abusado, dribla bem, vai para cima. Mas alterna grandes atuações, como nas decisivas do título argentino de 2006, com longos momentos de apneia técnica. O bom é que, de olho nele, estará Jonathan. Outro cruzeirense no auge. Sempre ótima opção no apoio. Nem tanto na marcação. O que causa certa apreensão fora de casa, e contra um bom meia como Benítez. Alguns dos volantes precisam dar um pé por aqui.

    PÉREZ X GERSON MAGRÃO – Mais tático que o eventual substituto Galván (mais ousado e ofensivo como a outra opção pelo lado esquerdo, o reserva Núnez, que normalmente entra na segunda etapa e consegue bons lances em diagonal, driblando e pedindo para ser derrubado); Pérez sabe marcar, mas também joga. Tem bom fôlego. E ajuda a cercar o eventual apoio de Magrão. Que, claro, precisa marcar. Mas não abdicar do jogo.

    VERÓN X MARQUINHOS PARANÁ – Duelaço. Em qualquer lugar. Verón tem mais de 90% de chances de jogar. Com ele, o ortodoxo 4-4-2 de Alejandro Sabella funciona ainda melhor. Verón sabe inverter o jogo, sabe dominar os tempos da partida, sabe armar um time, sabe bater faltas, e sabe desequilibrar um rival. Sem ele, a opção de outro volante pela esquerda – Matías Sánchez – é a mais conservadora. Tarefa ainda para Marquinhos Paraná, que precisa usar a excelência de seu momento não apenas para ajudar e ajustar o dique defensivo celeste. Também para armar o Cruzeiro. O Estudiantes é time que aceita ser pressionado mesmo em La Plata.

    WÁGNER X BRAÑA – O volante mais marcador argentinho também sabe jogar. Mas terá dificuldades se entrar em campo o Wágner do Morumbi. Não o do Olímpico. Aliás, o melhor teipe para Adilson exibir para os atletas é o da vitória contra o São Paulo. É tudo aquilo que o Cruzeiro precisa fazer para voltar com o tri bem encaminhado. Wagner, claro, vai ter de dar mais um pé atrás. Mas ainda mais fundamental é se mexer atrás de Braña e de Véron (ou Sánchez ou até mesmo Benítez, com Galván aberto à esquerda).

    RAMIRES X RÉ – O lateral do Estudiantes pode atuar na esquerda e na direita. Pela ausência de Angeleri (que só volta no fim do ano), quebra o galho por aqui. Outra opção é Cellay, zagueiro que pode fazer a lateral direita – se recuperado fisicamente. Ramires também pode fazer a festa pela esquerda, desvencilhando-se de Braña, atuando entre Ré (ou Cellay) e o zagueiro-direito Schiavi. Ramires joga fácil em qualquer circunstância. Desequilibra um rival no contragolpe, e pode ajudar no combate. Mais que necessário em La Plata.

    KLÉBER X DESÁBATO – As forças de paz da ONU já estão de sobreaviso. Bate muito o argentino. O mesmo que teve treta com Grafite, em 2005. Tem boa colocação. Mas é lento. Pela fase brilhante. Kléber pode fazer a festa e arrumar um vermelho. Cuidado para não levar junto. É o ponto de desequilíbrio do Cruzeiro. Onde acredito em ótimo resultado mineiro.

    WELLINGTON PAULISTA X SCHIAVI – Jogo duro por aqui. Schiavi só chegou para a semifinal. Está ainda mais lento. Tem presença de área, já é tri de Libertadores pelo Boca. Mas Paulista é outro que pode cantar de raposa para cima da zaga. Sobretudo se trabalhar bem a bola no chão.

    FÁBIO X ANDÚJAR – A fase argentina de goleiros é tão braba que o bom futuro goleiro do Catania é titular de Maradona… Não que seja ruim. Mas não é bom a ponto. Embora tenha batido recorde histórico de Gatti de invencibilidade na Libertadores, não é de arrancar suspiros, até pelo perfil tranqüilo – e, nisso, é ótimo como Fábio. Ambos vivem grande fase. Mas o cruzeirense, até quando esteve em fase irregular, já era dos melhores do Brasil. Fosse argentino, há muitos anos seria titular da seleção dos co-hermanos. Outro duelo onde o Brasil vence. Por pouco, mas o suficiente. De novo dá Cruzeiro.

    DÍAZ – O lateral-esquerdo uruguaio não é uma sumidade no apoio, e é desatento na marcação. Com a bola, Jonathan deve atacá-lo. Kléber também tem mais de buscar o jogo por aqui, como fez contra o gremista Fábio Santos. É um dos pontos frágeis de um sistema defensivo débil pelo chão. Se Cellay atuar, Ré vem para a esquerda, onde joga melhor, e onde marca muito melhor que Díaz. Como a equipe atua num 4-4-2, o lateral é mais marcador. E os lances pela esquerda são bem feitos por Benítez.

    FABINHO – Se atuar na cabeça da área, será o líbero defensivo de Adilson, na sobra à frente dos zagueiros. Ótimo também para conter o jogo aéreo (na bola parada) argentina. Com a bola, vez ou outra pode se juntar ao meio. Além de participar da bateria aérea celeste.

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    • 24.jun.2009

      RAIO X – Cruzeiro x Grêmio

      por Mauro Beting

      KLÉBER X LÉO – Duelo de seleção. Literalmente. Também pelo próprio “duelo”, no sentido clinteastwoodiano. Kléber vive o melhor momento da carreira, e tem sido letal. Nunca fez tantos gols, nunca preparou tantos gols, nunca apanhou tanto, e, dever dizer, não tem batido tanto. Pode ser expulso. Só que leva junto um. Léo é dos melhores zagueiros do Brasil. Por vezes, se perde. É um enorme risco a expulsão dupla. Mas é seguro que travem um senhor combate – no bom sentido.

      WELLINGTON PAULISTA X RÉVER – Também pode ser Thiago Ribeiro. Mas deve ser a primeira opção, melhor no jogo aéreo defensivo, e que fez boa partida (como todos) no Morumbi. O zagueiro e também volante gremista é outro entre os melhores do país. Nas duas áreas. Também por isso a preocupação nas bolas paradas. Como todo o Grêmio, ele está se readaptando a atuar com apenas um companheiro ao lado. Demanda tempo. Até porque precisa fazer a cobertura do falho lado esquerdo tricolor.

      WÁGNER X TÚLIO – Contra o São Paulo, uma excelente atuação. Contra o Grêmio, há como se esperar mais do mesmo do organizador ofensivo celeste. Túlio deve ser o volante mais atento a ele. E precisa estar mais esperto do que tem estado. Ele e todo o Grêmio. Além de não se perder em provocações e indisciplinas que têm custado caro a ele durante a carreira.

      JONATHAN X FÁBIO SANTOS – A fase do lateral celeste é excepcional. Nunca jogou tanto tecnicamente, nunca correu tanto à frente, e até tem se saído melhor na marcação. Enfrentando um lateral que não vinha jogando bem como ala, e segue sem atuar bem como lateral. Fábio Santos é bom jogador. Mas não tem sido no Olímpico. E precisa marcar o que não tem marcado para segurar o forte lado direito mineiro.

      GERSON MAGRÃO X RUY – Dois alas com pés de armador. Mas só um tem atuado bem. Muito bem. O cruzeirense está se acertando até na marcação, e segue sendo alternativa confiável no apoio e na armação celeste. Ruy vinha muito mal como ala, e tende a funcionar ainda menos sendo obrigado a marcar. Como as outras opções também não foram felizes na mudança do 3-4-1-2 de Roth para o 4-2-2-2 de Autuori, o Grêmio vai com Ruy para o Mineirão. E pode não voltar bem justamente por isso.

      HENRIQUE X ADILSON – Dois volantes que sabem jogar e se aventurar ao ataque. O cruzeirense fez um golaço de Nelinho, no Morumbi, como bem definiu o nosso André Kfouri. Não é um jogador brilhante, mas sabe fazer seu papel com correção. Adilson é outro que pode ajudar a carregar o piano, e pode até tocar mais que “O Bife”. Precisa e deve jogar mais. Não apenas combatendo.

      TCHECO X ELICARLOS – O cruzeirense fez uma partida muito boa no Morumbi na contenção e Marlos que, como o armador gremista, atua mais à direita. Precisa bisar a atuação para evitar que Tcheco organize o jogo. Evitando as faltas que o próprio armador tricolor sabe cobrar e colocar nas cabeças devidas. Mesmo estando longe do habitual – quando atua pelo Grêmio.

      SOUZA X MARQUINHOS PARANÁ – Um senhor embate. Empate muito técnico. O cruzeirense tem se saído bem demais. Na sobra à frente dos dois zagueiros no Morumbi, foi mais uma vez irrepreensível. Precisando jogar mais com o time no Mineirão, tem capacidade para tanto. Até para ajudar a minimizar a ausência de Ramires. Porém, o dever é estar de olho em Souza, principal criador gremista – embora já tenha atuado bem melhor em 2009. O tricolor precisa se movimentar mais e tentar aquilo que o previsível time tricolor não tem conseguido.

      MÁXI LÓPEZ X LEONARDO SILVA – O gringo tem jogado tudo que o restante do time não tem feito. Muito mais do que eu imaginava. E é do tipo que cresce em decisões, ainda que não tenha a guarida devida. O duro será enfrentar outro cruzeirense que vive o melhor momento na carreira. O jogo aéreo tricolor será tolhido pelo gigante azul.

      ALEX MINEIRO X LÉO FORTUNATO – Um time está iluminado quando um zagueiro comum (para usar um eufemismo) atua como jogou no Morumbi, e como tem atuado pelo Cruzeiro. Tarefa que pode ser facilitada pela fase pouco inspirada de Alex Mineiro. E se vier Herrera, muda a correria. Mas nem tanto a qualidade atual.

      FÁBIO X MARCELO GROHE – Fosse Victor na meta tricolor, um empate ultratécnico. Mas Grohe não é mau goleiro. Mas não é Victor. E Fábio nunca esteve tão Fábio quanto agora. É dos melhores goleiros do Brasil, cada vez melhor no confronto, cada vez saindo melhor da meta, cada vez melhor colocado.

      ADILSON BAPTISTA X PAULO AUTUORI – Capitão América campeão da Libertadores-95 pelo Grêmio. Campeão sul-americano pelo Cruzeiro em 97 (fora o título vencido pelo São Paulo, em 2005). Outro confronto à altura do clássico. Autuori ainda não foi feliz no Grêmio, e sente a dificuldade em mudar de esquema e de futebol no meio do torneio; Adilson vai superando resistências e vencendo rivais e problemas (e mesmo algumas trocas mais que discutíveis) pela impressionante capacidade de trabalho. No Brasil, não há hoje um técnico que pense tanto futebol, que curta tanto trabalhar quanto ele.

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