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Arquivo da Categoria ‘LIBERTADORES’

Atlético Mineiro 4 x 1 São Paulo

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Dez segundos de jogo. Segundos! Tardelli mandou por cima uma bola que o Atlético trabalha muito bem desde 2012: a ligação direta, o lançamento longo, o chutão para Jô preparar de cabeça para os ótimos armadores que vêm de trás, e vão pra todo lugar. É o próprio Diego a partir da direita, é Bernard vindo da esquerda, é Ronaldinho brilhando por dentro, pela direita, pela esquerda, em todos os lugares onde há um atleticano feliz. E como está feliz. Como está feliz esse time.

Aos dois minutos, Ronaldinho mandou uma bola no travessão. Teriam outras. E teria muito mais Galo na bola parada, na bola rolada, na bola bem pensada por um time que alarga o campo de ataque como nenhum outro. Não é só no arremesso lateral longo de Marcos Rocha. Não é só na ligação direta do time mais vertical e taticamente versátil. É na intensidade e qualidade e quantidade de jogo. Foram 13 oportunidades de gol contra apenas cinco concedidas ao rival. O 4 a 1 foi pouco.

O primeiro gol veio aos 17min38s. O segundo viria aos 17min30s. Parece relógio com hora e minuto e segundo marcado. Mas quem é que marca esse time? Parece uma máquina. E foi. Mais uma vez.

Um a zero, bela chapa de Jô. Dois a zero, mais uma contribuição de Edson Silva, que levantou o braço pedindo impedimento inexistente do artilheiro da noite. Ou estaria o zagueiro assumindo a culpa pelo fuzilamento entre as pernas de Rogério?

Não sei. O sistema defensivo tricolor parecia saber anda menos. Mais um minuto e 28 segundos depois, três a zero Galo. Outro tiro longo de Réver, outra falha de Tolói, outra antecipação de rara qualidade e velocidade de Tardelli,. 3 a 0.

Teve o quarto, com Ronaldinho ganhando sem falta em Wellington (e olha que o Gaúcho bateu muito no volante tricolor) e servindo sem olhar Jô para adiantar o Programa da Globo.

Teria um gol quase involuntário de Luís Fabiano, aos 30. Gol de honra em uma vergonha?

Não. Por que não foi vergonhosa a partida do São Paulo. Ainda que não se justifique tantas atuações de Douglas, que tem jogado em todas, e muito mal em todas as posições. Ainda que não se expliquem tantas falhas de posicionamento e de técnica dos zagueiros e dos volantes, que criaram um quadrado de Bermudas onde o São Paulo marcou de calças curtas como as chances tricolores a cada bola mal passada, mal trabalhada.

Não é vergonha ser goleado por um time tão bom e inspirado como o Atlético. Um Galo que quis jogo o tempo todo. Que não deixou um São Paulo jogar mais uma vez.

O problema para Ney Franco, além dos próprios problemas que ele criou ao escalar Douglas no lugar do ausente Oswaldo, é que só Douglas parecia querer jogo. O que é louvável. Mas como o jogo parece não querer Douglas, o São Paulo parou.

Só não perdeu ainda mais feio por que quando há um adversário jogando e ganhando lindo como o Atlético Mineiro, não há demérito. Apenas constatação.

Vai longe o Atlético.

Melhor: merece ir longe.

 

Boca Juniors 1 x 0 Corinthians

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Mais um palpite furado meu. Disse que o Corinthians voltaria com pelo menos um gol marcado da Bombonera. Que talvez não vencesse o replay da final de 2012. Mas que não perderia. E tinha chance até de retornar ao Brasil com a passagem já carimbada contra um Boca que não soube ganhar os últimos 10 jogos no campeonato nacional. Que não tinha Riquelme – e que, mesmo quando tem o maior jogador e campeão da Libertadores deste século, não tem mais aquele camisa dez seminal xeneize.

Mas que ainda é Boca. Que foi melhor no segundo tempo explorando as laterais que não estão mais tão bem fechadas quanto em 2012, com os volantes que ficaram sobrecarregados, com os atacantes que não foram tão bons, com Cássio não tão seguro, com muitos passes errados na zaga, no meio, na criação, no ataque, com a vontade mais de provocar e catimbar do que de jogar bola.

Foi o Boca de sempre deste século – ainda que bem mais frágil tecnicamente. Não foi o Corinthians que sobra dos últimos meses.

Mas tem volta. Existem duas semanas de preparação e foco. Logo, fogo.

Tem retorno para o Corinthians. Tem ótimas chances de se recuperar no Pacaembu. É só jogar o jogo que não jogou em Buenos Aires. Com o elenco que tem, com tudo que aprendeu ao ganhar a Libertadores de 2012, é outro Corinthians na Libertadores.

Tem de ser outro.

Para vencer um Boca que voltou a ser Boca. Não pela bravata de Riquelme. Mas pelos fatos. Pela vontade de ganhar.

 

 

São Paulo 2 x 0 Atlético Mineiro

quinta-feira, 18 de abril de 2013

 

Foi um dos gritos mais engasgados no gogó tricolor nos últimos tempos. Quando o camisa 01 Rogério Ceni deslocou Victor e marcou de pênalti o gol 111 na carreira, aos 11 minutos do segundo tempo, a garganta são-paulina desentalou o Galo.

O urro no Morumbi foi de arrepiar. Como a celebração ajoelhada de Rogério. Como a comunhão tricolor para vencer o ainda melhor time da competição. Ainda um Galo bom de bola e de briga. Que vai continuar como um dos maiores favoritos ao título. Mas que, agora, terá a companhia indesejada do tricampeão sul-americano na próxima fase. Em um mata-mata equilibrado como foi o clássico no Morumbi.

Jogo de apenas duas oportunidades no primeiro tempo. O são-paulino só celebrou nos 45 minutos iniciais o gol do Arsenal de Sarandi, aos 29. Gol na Argentina que facilitou a vida tricolor. “Bastava” um gol paulista. Como se fosse fácil vencer a defesa do ótimo Réver… Tarefa dificultada por um Atlético que também não criou muito. Apenas duas chances mineiras. Mas não concedeu oportunidade alguma ao São Paulo no primeiro tempo. Tricolor que viveu de Osvaldo até a metade do primeiro tempo, quando Serginho deixou de ser o meia pela direita no 4-2-3-1, e passou a marcar o ótimo atacante paulista, com Marcos Rocha adiantado no cerco a Carleto.

Os 50 mil presentes (muitos atleticanos) não celebraram o primeiro tempo mais marcado e nervoso que outra coisa. Mas, na volta para a segunda etapa, Ney Franco foi mais feliz. Trocou os lados de Osvaldo e Douglas. Colocou o atacante da Seleção para cima do já amarelado (e sempre enervado) Richarlyson, enquanto Cuca escalou o mano Alecsandro no comando de ataque, com Jô pela esquerda fazendo a função que Luan pouco realizou no primeiro tempo.

O São Paulo cresceu. E com Osvaldo fez belo lançamento para Aloísio dominar e ser derrubado por Leo Silva. Era para vermelho para o zagueiro atleticano. Foi só amarelo. Mas foi só Rogério chegar com a sua camisa azul celeste na grande área para o Morumbi soltar aquele gol engasgado. Aquele gol que a má campanha na primeira fase parecia fazer improvável. Aquele gol que a excelente campanha atleticana parecia impossível.

Mas era Rogério. Era São Paulo. Era Morumbi. Um a zero.

Não era mais o São Paulo que se complicou sozinho contra frágeis Arsenal e The Strongest. São Paulo que errou muito fora e dentro de campo. Com falhas esperadas de atletas fracos. Com erros inesperados de mitos como Ceni e Luís Fabiano.

Mas ainda era preciso ter fé para o são-paulino. E esperar o Galo que veio pra frente. Cuca foi abrindo a equipe. Aos 36, cinco minutos depois de entrar em campo, Ademilson recebeu belo passe de Osvaldo, que recebera passe preciso de Ganso.

Dois a zero para o tricampeão da Libertadores.

Dois a zero era goleada para o São Paulo pela excelência do rival. Mas não é nada por tudo que o Tricolor já fez em 1992. Em 1993. Em 2005.

E pode repetir em 2013 se a torcida encher o estádio e não a paciência dos que jogam. E pode ir além se o time também não apoquentar a torcida com partidas atrapalhadas ou sem brio.

O São Paulo voltou a jogar com vontade. Ainda não tão bem quanto possível. Mas já é possível ver algo que parecia perdido.

O Atlético perdeu um jogo que se pode perder. Não pode mais perder a tranquilidade e serenidade que teve em boa parte do jogo e na grande campanha inicial. Quando Ronaldinho não foi o fantasma que se transformou no segundo tempo. Quando alguns ectoplasmas podem atrapalhar a campanha mineira.

Por vezes, a história pesa demais contra.

Ou, no caso do vencedor, pesa muito.

Como pesou.

Como gritou.

Como o São Paulo voltou a ser o São Paulo que merece mais que respeito.

Nos últimos anos, independente do time que veste essa camisa, e este tem suas limitações sem Jadson e Luís Fabiano (como também fizeram falta Bernard e Diego Tardelli do lado atleticano), é camisa para virar expectativas e certezas.

Ainda vejo o Atlético com mais possibilidades de classificação e de título.

Mas é preciso escrever que tem mais um brasileiro nessa história.

E que história.

 

Palmeiras 1 x 0 Libertad

quinta-feira, 11 de abril de 2013

 

Uma das maiores vitórias de um dos menores times do Palmeiras. Mas um dos mais verdes times que já vi em 40 anos de Palmeiras e de Pacaembu. De Porcoembu.

O Palmeiras ainda está longe de ser campeão. Mas não está distante de voltar a ser Palmeiras.

Uma das maiores celebrações que senti apenas por uma classificação para a próxima fase que poucos esperavam pela fragilidade de elenco limitado em qualidade e quantidade. Sem quatro titulares. Sem quatro atletas não inscritos. Sem 11 disponíveis. Sem grande qualidade técnica. Sem notável organização tática – natural para um time que precisa mudar a cada jogo.

Mas com uma torcida que jogou no 35.000-4-2-3-1. Por vezes um 35.000-4-1-4-1. No início, um 35.000-4-4-2. Com a infantil expulsão de Wesley, aos 16 do segundo tempo, um 35.010-0-0. Ou muito melhor: Os 16 milhões de palmeirenses tirando com os pés de Prass um gol certo do bom e catimbeiro time paraguaio, aos 31 finais. Quando milhares cantando o Hino verde no meio da pressão paraguaia oravam por milhões vigilantes pelo mundo.

Com a confiança que o imenso espírito de porco, periquito e Palestra que permeou o Pacaembu na quinta-feira de resgate do torcedor. O Palmeiras não passou apenas de fase. Fez um ritual de passagem para um lugar que parecia perdido no coração, na cabeça, na memória.

O Palmeiras passou ao passado. Voltou ao futuro. Deu um presente ao torcedor que deu ao time limitado vida. Velocidade com Vinicius – o nome do jogo, quem diria. Vitalidade com Mauricio Ramos – que partida. Vida com uma equipe que se doou. Se doeu. Deixou de ser danada e acendeu uma vela na escuridão dos últimos tempos do Palestra.

O time que perdeu um gol fácil com Juninho por que ele é lateral, não centroavante, a um minuto do segundo tempo. Que quase fez um gol de calcanhar com Marcelo Oliveira que não é artilheiro, aos três. Que quase fez outro com Márcio Araújo que não é de frente, aos quatro. Que fez um gol de sorte num chute torto de Wesley com desvio para o pé ruim de Charles, aos oito do segundo tempo.

O Charles Anjo 28, sugere o colega Alexandre Petillo. O Charles do gol que o Calabar, o Cecchini, o Zuccari, o Alemão, o Paulo Sapo e tantos chutaram junto. Junto com a zica.

Sorte que o Palmeiras não sabia o que era desde quando fazia as coisas direito. Sorte de cada palmeirense que ficou com lágrimas nos olhos. Ou molhando o teclado. Não vou contar quem fui.

Desde a derrota para o Goiás, na Sul-Americana, no Pacaembu, em 2010, o que se via era o palmeirense macambúzio. Com aquela sensação de que daria tudo errado. E dava. E não dava mais para nada.

Quando Wesley foi expulso, quando o time mais estruturado, mais entrosado, menos desfalcado do Libertad veio pra frente, pra cima do Palmeiras, não houve mais aquela sensação de que vai dar tudo errado dos últimos anos. De que não tem mais jeito. De que não tem mais Palestra.

A emoção que o palmeirense viveu foi de felicidade. Não de tensão. Ele sabia que, desta vez, a bola deles não iria entrar mesmo com a pressão. Não teria gol de Vagner Love para rebaixar o time no final. Não teria gol no fim do Fred para dar título brasileiro ao rival. Não teria os adversários ficando até com dó de zoar. Não teria mais depressão.

Tinha Palmeiras com um time limitado sendo defendido por uma paixão ilimitada. Tinha Palmeiras em noite de Pacaembu e Palestra.

A mesma emoção que senti há 40 anos quando vim a este estádio pela primeira vez com meu pai sinto agora na primeira grande vitória sem meu pai ao meu lado. Era hoje o jogo para ligar berrando para ele na hora do gol que José Silvério narrou ao meu lado, na transmissão na cabine da Rádio Bandeirantes. Era o jogo para mandar torpedo para meus filhos com um G e 1993 letras O na hora do gol.

Mas a transmissão em HD no Pacaembu trava o sinal do celular. A minha operadora opera mal nesta região. Torpedo e whatsApp não funcionam com a rede wi-fi bugada.

Eu não tinha como me conectar com minha noiva com quem me caso daqui um mês exato. Com minha Silvana triste por que não conseguiu vir ao Pacaembu. Ela que só viu um jogo no estádio quando o futuro sogro dela foi homenageado pelo Santos e pelo Palmeiras na Vila Belmiro, na semana em que morreu, em 2012. Ela que veio ao Pacaembu na despedida e no amém de São Marcos, na semana seguinte.

Ela que queria ver o Palmeiras sendo Palmeiras hoje. Mas que não pôde. Ela trabalhava. Eu estou trabalhando. Não pude trazer meus Luca e Gabriel ao estádio. Não pude levar minha nova filhota Manoela ao Pacaembu. Não pude me conectar com meus amores com a bola rolando e os palmeirenses ralando.

Mas nosso amor nos fez estar unidos. Juntos. Conectados pelo amor, não pela tecnologia.

Como aquele cara lá de cima que me fez palmeirense.

Aquele pai que, hoje, agora, e sempre, deve estar conversando com Waldemar Fiume, Junqueira, Romeu, Heitor e tantos palestrinos. Celebrando como o Palmeiras foi palmeirense hoje. Ainda que não vá longe na Libertadores, e não deve ir mesmo, ele voltou fundo no carinho. No respeito.

Tanta festa e emoção por uma vitória apertada contra um time paraguaio na fase de grupo da Libertadores?

Sim. Como tenho milhões de emoções por um sorriso dos meus filhos, por um beijo da minha Sil.

Amor é isso.

Infelizmente, quem não ama não sabe.

Obrigado, Babbo, por ter colocado o Charles dentro da área naquela bola.

Obrigado, Babbo, por te me ajudado a ser jornalista há 26 anos.

Obrigado, Babbo, mais que tudo, por te me ensinado a amar.

Por ter me ensinado Palmeiras.

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E, sim, esta foto foi tirada hoje, 16h37. Choveu, fez sol, choveu.
Olha o arco-íris.
Como não sei fazer poesia, nem usei essa imagem.
Mas acho que já está tudo aí.
Ou está tudo nesta luz.

Grêmio 0 x 0 Fluminense

quinta-feira, 11 de abril de 2013

 

Meu palpite de bolão era 2 a 2. Mesmo na Arena. Mesmo com o Fluminense sem Fred, Deco, Wellington Nen, Thiago Neves. Mesmo com o Grêmio com Zé Roberto, Vargas, Barcos, Fernando.

Foi um empate sem gols. Mas poderia ter sido vitória carioca. Teve lance de gol mal anulado de Rhayner. Teve grandes defesas de Dida, gol salvo sobre a linha por Souza, expulsão discutível (e infantil) de Cris.

Dá para falar, chiar, cornetar, lamentar bastante. Para os dois lados.

Dá para o tricolor carioca sair com a cabeça erguida pelo empate, e pela vantagem de decidir tudo em casa contra o pior do grupo maluco dos visitantes petulantes.

Dá para o tricolor gaúcho sair de novo não sabendo que é a do time de Luxemburgo. O que ganha legal fora de casa, o que se dá mal na nova casa. O que volta classificado contra o Huachipato.

Neste futebol cada vez mais maluco, elencos e treinadores maduros se comportam como juvenis. Como Cris na expulsão.

Continuo confiando na classificação dos brasileiros no grupo.

Mas a cada jogo confio menos nas possibilidades posteriores.

Corinthians 3 x 0 San José

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Tímidos aplausos para a faixa em homenagem a Kevin estendida pelo pobre time de Oruro.

Merecidas vivas para o campeão de 2012 que ainda não jogou em 2013 um futebol para ser bicampeão da Libertadores.

Mas que tem time, elenco, Tite, torcida, camisa e força para repetir o show que deu no Tijuana, no Pacaembu. Para fazer mais do que fez contra o San José no Pacaembu.

A zaga não foi testada contra o time boliviano. Mas tem Gil voando, seja quem for o companheiro zagueiro. Tem Júlio César na meta, que pode não ser Cássio, mas não compromete. Algo que nem sempre têm mantido o ótimo nível de 2012 os dois laterais corintianos.

Ralf e Paulinho (principalmente este) não se discutem.

Sem Renato Augusto, Romarinho (o melhor dos 3 a 0) vai reconquistado espaço que Emerson perdeu, mas tem se virado. Como Danilo não pode sair. E Jorge Henrique tem sempre de entrar.

Onde joga Pato? Como faz gols Guerrero!

Feliz o Tite que tem tantas soluções.

Mas ainda falta algo.

Talvez, apenas adversários mais fortes. Pode ser isso.

Só sei que, Galo à parte, quem pode muito é esse Corinthians. Na teoria, mais forte que o de 2012. Na prática, ainda não.

Atlético Mineiro 5 x 2 Arsenal de Sarandí

quinta-feira, 4 de abril de 2013

 

Ah, mas é o Atlético Mineiro que está 100% na Libertadores em cinco jogos…

Ah, mas é o Galo invicto há 43 jogos como mandante…

Ah, mas é o time de Ronaldinho Gaúcho que venceu 35 desses jogos desde 2011…

Ah, mas é o time do Cuca que venceu a 12ª partida seguida…

Ah, mas vai para o inferno com esse papo de que “nunca serão”.

Jamais diga nunca para um grande. Não existe derrota definitiva – fora o Maracanazo de 1950, que ainda assim respondeu o Brasil com cinco canecos. Também não existe vitória definitiva – como mal sabe o Uruguai desde então. Não existe zica eterna quando a alma é gigante. Pode demorar mais que o esperado e o desejado, como o atleticano muito mal sabe desde o Brasileirão de 1971, não contando a Copa Conmebol. Mas um dia tudo que por anos e décadas foi negado deixa de ser desengano. Passa a ser real. Passa à eternidade.

O Atlético merece. O Cuca merece. O atleticano, mais que o Atlético e o técnico, merece. A festa que faz pelo ótimo futebol que tem jogado merece caneco. Merece Copa. Merece Libertadores. Isso, claro, se outros rivais deixarem. Como o Corinthians que volta a ser competitivo, com enorme qualidade e entrosamento. Isso se o copeiríssimo Grêmio deixar. Se o Fluminense voltar a engrenar. Se o São Paulo se acertar. Se alguém de fora jogar o que ainda não jogou na Libertadores.

Ainda tem tempo e bola para rolar. O problema é que o atleticano não aguenta mais esperar. Por vezes espernear. É hora de botar a cabeça no lugar e os corpos nas posições bem treinadas por Cuca. É momento de usar a mente e o talento de Ronaldinho Gaúcho para encobrir as incertezas e os goleiros argentinos e sair para o abraço em vez de sair mais uma vez enrolado na bandeira do Independência, do Mineirão, de onde for.

É a hora do Galo. Como, em 2012, foi a do Corinthians que parecia eternamente condenado a ser coadjuvante na Libertadores. Até ser campeão. Invicto. E dali para ganhar o mundo o atravessando. O Atlético está com uma defesa mais ajustada que as rivais, com opções de banco que há décadas não tinha, com gente desequilibrante para criar e fazer gols. Com um comandante sempre competente e cada vez mais sereno. Tem tudo o Atlético de bola e de Galo para ser campeão. Desde que não se perca em lamentações e imolações como mais uma vez fez um clube argentino em solo brasileiro. Como fez o Arsenal militar de Sarandi, em confronto com a polícia militar (mais militar que polícia) no Independência.

Não sou perito na matéria. Mas os que são também pecam pela imperícia. O policiamento nos estádio brasileiros é da era da borracha lascada. Baixam o cassetete e apontam armas para atletas (milicianos?) sem a menor compostura. De todas as partes. Difícil dizer quem tem menos razão no final do jogo no Horto. Jogador não pode fazer o que fizeram em campo e nos vestiários os do Tigre, ops, do Arsenal, ou pior, dos dois, nos últimos meses. Para não dizer o que faziam há décadas muitos argentinos – e também brasileiros. Mas o policiamento nos estádios do Brasil não pode ir ao campo de jogo como se fosse ao de batalha.

Estamos todos errados.

Todos, não. O Galo está certinho. Certíssimo. Se vai ganhar a Libertadores é outra história. Mas que pode fazê-la em 2013, quem discorda?

Palmeiras 2 x 0 Tigre

quinta-feira, 4 de abril de 2013

 

Babbo, aprendi com a minha avó Albertina, a Nonna Ina, sua mãe, que não se deve jamais vaiar os “meninos”. O modo como ela chamava os nossos jogadores. Fosse Ademir da Guia ou Darinta, eram todos os meninos dela. Podíamos não gostar deles do mesmo jeito que a bola também não os tolerava. Mas, com a pelota rolando, no estádio ou pela TV, no estúdio do rádio ou em pensamento, nos 90 minutos não podiámos cobrar. Se possível, nem mesmo cornetar – impossível! Certamente, jamais vaiar.

Nunca saí de um estádio vaiando. Nunca xinguei o time durante o jogo.

(Minto. Palmeiras 0 x 2 Juventus, terça-feira à tarde no Morumbi, Paulistão de 1983. Ticão fez 1 a 0 pro Moleque Travesso. Quando marcou 2 a 0 no final do jogo, lá pelos 42, a bola ultrapassou a linha de meta do Gilmar e eu me levantei sem dizer uma palavra aos seis amigos que vieram comigo. Não falei que estava indo embora. Até por que eles fizeram o mesmo…)

Mas, vaiar, xingar, com a bola rolando, nunca.

Pena que, nos últimos anos, muitos torcedores (sic) resolveram fazer “justiça” e burrice com as próprias patas e cascos. Atacaram atletas do Palmeiras na saída de banco, na entrada de loja do clube, na saída de vestiário, no embarque de avião. Com essa intoletância intolerável, afugentaram reforços do clube. Bons jogadores não vieram com medo dessa violência estúpida.

Hoje, nesta noite de terça-feira no Pacaembu, mais de 20 mil palmeirenses vieram para apoiar o Palmeiras. Não necessariamente o time limitadíssimo e muito desfalcado. Sem Valdivia, Henrique, Wesley, Vilson, Leandro (que havia sido convocado à tarde pelo Felipão para a Seleção), Rondinely, Leo Gago, Leandro Amaro, Maikon Leite e, sei lá, mais uns 37 jogadores lesionados, suspensos ou qualquer outro motivo. Gilson Kleina teve de botar o volante-lateral Marcelo Oliveira de zagueiro pela esquerda – e ele foi muito bem. Abriu o Patrick Vieira e o Ronny pelas pontas, e colocou o Caio Mancha como centroavante. O Souza virou meia mais uma vez. Era o que dava pra fazer. Um time fraco. Mas uma torcida que canta forte.

O palmeirense não merece esse elenco tão fraco. Mas o que ele cantou e vibrou no Pacaembu fez que o time se superasse como poucas vezes nos últimos meses. Se a gente tivesse em talento mais vezes o que teve de vontade no Pacaembu, Babbo, eu estaria aqui contando o nascimento da Terceira Academia. Foi comovente a entrega do time. Foi arrepiante a festa na arquibancada.

Não preciso dizer que, na primeira bola do Patrick Vieira, dos poucos que vinham se salvando em 2013, ele sentiu a coxa. Ficou dez minutos até sair. Quando entrou o Vinicius, nem o Waldemar Fiume aí em cima botou fé. Mas em menos de três minutos ele fez o lance para o Caio marcar um a zero. E fez uma boa partida o Vinicius.

No estádio, na cabine da Bandeirantes, com meus 7,5 de miopia, meus 1,5 de astigmatismo, e meus 10000% de incredulidade, vi o Caio relar na bola passada pelo Vinicius. Muita gente não viu. Caio? Vinicius? Ricardo Bueno? Quem fez o gol?

Palmeiras! Gol! Tanto faz quem fez. O que importa é o que time estava se importando com a camisa. Com a história. Com a glória. Com o Palmeiras. Dividimos cada bola nos multiplicando contra o fraco Tigre. Um time que tinha um Botta que sabia jogar e outros dez que sentavam a bota.

Nós tratamos de correr atrás da bola. E faríamos o segundo gol com sete do segundo tempo, em belo lance completado por Charles. O time tirou um pouco o pé do acelerador e não acertou mais o gol. Mas acertou demais uma partida para se reencontrar com o torcedor. E com o espírito do clube.

Não por acaso, no dia em que Edmundo completava 42 anos. Quando falei com ele à tarde para dar parabéns, pedi um presente ao Animal: 15 minutos em campo no Pacaembu. Ele riu e disse que não dava. Mas podia.

Como Evair também podia. Depois do jogo, recebi os originais do colega Fernando Galuppo de uma autobiografia que eu e ele estamos escrevendo do Matador. Contando a visão de Evair a respeito de 12 de junho de 1993.

Pensando bem, Nonno… quando se fala e se pensa em Edmundo e Evair num mesmo dia de jogo do Palmeiras, só tem como dar certo. Só tem como dar Palestra. Ainda mais com o palmeirense pegando no colo o elenco e o cuidando com o carinho que muitos não tiveram com o clube nos últimos tempos.

Fazia tempo que não via festa tão bonita. Esse jogo deu gosto de ver. Esse jogo deu ainda mais saudade de você, Babbo. Era aquela típica partida que, no dia seguinte, você comentaria muito. Para não dizer que, ao telefone, depois dela, você diria. Brincando-falando sério: “Renasce o glorioso! Vou para a avenida Paulista comemorar!!”

Antes fosse o Palmeiras. Antes fosse você.

Saudade do Babbo. Saudade do nosso time.

Mas, esta noite, no Pacaembu, reencontrei o nosso palmeirense. O seu espírito e o da sua mãe.

The Strongest 1 x 2 Atlético Mineiro

quinta-feira, 14 de março de 2013

Não é fraco não o time boliviano. Se não honra o significado do nome em inglês, também não é equipe qualquer. Tem suas qualidades. Ampliadas pela altitude de La Paz.

O que faz com que o Galo volte da Bolívia mais que com 100% de aproveitamento em quatro jogos. Retorne ao Brasil como absoluto líder da Libertadores na primeira fase. Algo que nem sempre significa sucesso nas próximas fases. Também por que alguns grupos são mãos fáceis que outros. O que não é o caso em questão Muito por mérito atleticano.

O Galo não precisa e não pode se explicar a respeito de fracassos e decepções históricas. Só tem de fazer seu jogo. O que já está mais que ótimo. Como mostrou em La Paz. Superando a falta de ar e de inspiração de Ronaldinho e Bernard com a transpiração. E a felicidade de Serginho fazer lance de meia para Méndez se atrapalhar e entregar a clássificação antecipada. Dando uma bela mão ao São Paulo também.

Corinthians 3 x 0 Tijuana

quinta-feira, 14 de março de 2013

O campeão voltou com a torcida que gritou Corinthians como há muito não se via ouvia. Com alegria e orgulho. Não com a pressão colossal e continental pela conquista da América enfim alvinegra.

Voltou o torcedor ao estádio e o futebol campeão mundial. Melhor. Muito melhor com o gol de Pato e o novo 4-2-2-2. Ou recomposto ao 4-2-3-1 com Romarinho e o 2 a 0 no belo gol de Guerrero.

Ainda melhor com Renato Augusto cercando como Jorge Henrique. Criando e finalizando como o ótimo meia que é. Dando ao Timão um futebol ainda não visto em 2013. Para não dizer não visto havia tempo.

Foi um show de bola contra um time muito bom. O mais argentino dos mexicanos. O Tijuana que mereceria até gol. Mas não vencer um Corinthians inspirado e iluminado. E cheio de vontade de dar olé e chocolate. De calar a catimba alheia na bola, não pela boca.

Só está faltando agora dar à família do jovem morto em Oruro a renda do jogo contra o San José. Medida que demorou demais o clube a se manifestar. Do mesmo modo que a Conmebol pouco faz. E nada se manifesta pela punição ao clube boliviano que deixou entrar o sinalizador. Da mesma falta de modo para não ter visto o lança-chama de Caracas.