Dez segundos de jogo. Segundos! Tardelli mandou por cima uma bola que o Atlético trabalha muito bem desde 2012: a ligação direta, o lançamento longo, o chutão para Jô preparar de cabeça para os ótimos armadores que vêm de trás, e vão pra todo lugar. É o próprio Diego a partir da direita, é Bernard vindo da esquerda, é Ronaldinho brilhando por dentro, pela direita, pela esquerda, em todos os lugares onde há um atleticano feliz. E como está feliz. Como está feliz esse time.
Aos dois minutos, Ronaldinho mandou uma bola no travessão. Teriam outras. E teria muito mais Galo na bola parada, na bola rolada, na bola bem pensada por um time que alarga o campo de ataque como nenhum outro. Não é só no arremesso lateral longo de Marcos Rocha. Não é só na ligação direta do time mais vertical e taticamente versátil. É na intensidade e qualidade e quantidade de jogo. Foram 13 oportunidades de gol contra apenas cinco concedidas ao rival. O 4 a 1 foi pouco.
O primeiro gol veio aos 17min38s. O segundo viria aos 17min30s. Parece relógio com hora e minuto e segundo marcado. Mas quem é que marca esse time? Parece uma máquina. E foi. Mais uma vez.
Um a zero, bela chapa de Jô. Dois a zero, mais uma contribuição de Edson Silva, que levantou o braço pedindo impedimento inexistente do artilheiro da noite. Ou estaria o zagueiro assumindo a culpa pelo fuzilamento entre as pernas de Rogério?
Não sei. O sistema defensivo tricolor parecia saber anda menos. Mais um minuto e 28 segundos depois, três a zero Galo. Outro tiro longo de Réver, outra falha de Tolói, outra antecipação de rara qualidade e velocidade de Tardelli,. 3 a 0.
Teve o quarto, com Ronaldinho ganhando sem falta em Wellington (e olha que o Gaúcho bateu muito no volante tricolor) e servindo sem olhar Jô para adiantar o Programa da Globo.
Teria um gol quase involuntário de Luís Fabiano, aos 30. Gol de honra em uma vergonha?
Não. Por que não foi vergonhosa a partida do São Paulo. Ainda que não se justifique tantas atuações de Douglas, que tem jogado em todas, e muito mal em todas as posições. Ainda que não se expliquem tantas falhas de posicionamento e de técnica dos zagueiros e dos volantes, que criaram um quadrado de Bermudas onde o São Paulo marcou de calças curtas como as chances tricolores a cada bola mal passada, mal trabalhada.
Não é vergonha ser goleado por um time tão bom e inspirado como o Atlético. Um Galo que quis jogo o tempo todo. Que não deixou um São Paulo jogar mais uma vez.
O problema para Ney Franco, além dos próprios problemas que ele criou ao escalar Douglas no lugar do ausente Oswaldo, é que só Douglas parecia querer jogo. O que é louvável. Mas como o jogo parece não querer Douglas, o São Paulo parou.
Só não perdeu ainda mais feio por que quando há um adversário jogando e ganhando lindo como o Atlético Mineiro, não há demérito. Apenas constatação.
Vai longe o Atlético.
Melhor: merece ir longe.














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