publicidade


Arquivo da Categoria ‘EUROPA’

Pep olha para o futuro

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

ESCREVE DASSLER MARQUES

A mídia internacional esperava por Pep Guardiola na Premier League, o que era, ao natural, a possibilidade mais palpável. Em especial o Manchester City, em que o treinador já chegaria com dois escudos importantes, Txiki Begiristain e Ferran Soriano, seus chefes no Barcelona e dirigentes da equipe inglesa. Ele ainda reside em Nova York desde que deixou o Camp Nou, o que indicava o desejo de se familiarizar com o idioma inglês. E, economicamente, City e Chelsea poderiam oferecer muito mais.

Que Guardiola não pensa como a maioria, você precisa reconhecer. Goste dele ou não, há de se questionar quem, por exemplo, deixaria o Barcelona depois 14 títulos em quatro temporadas. Garante-se ainda que, para seguir, ele queria dispensar, entre outros, Gerard Piqué, Daniel Alves e Villa. Pep disse sim ao Bayern de Munique no fim de 2012, segundo assegura o El País. Faltava Jupp Heynckes confirmar sua aposentadoria, o que ocorreu na terça-feira e permitiu a oficialização do negócio.

Na Bundesliga, Guardiola terá a possibilidade de provar o que Lionel Messi, em especial por razões econômicas, não pode fazer: comprovar que também é acima da média, muito acima, fora do Barcelona. O Bayern de Munique concordou com três anos de contrato, o que deu segurança a Pep para assinar e tentar escrever outra grande história. As semelhanças entre Bayern e Barcelona começam com categorias de base fortes (Lahm, Schweinsteiger, Müller, Kroos, Badstuber e Alaba). Aos bávaros, faltava um treinador de competência comprovada para dar os títulos que uma geração fantástica de jogadores ainda não conseguiu.

As semelhanças se seguem também pela direção com ex-jogadores competentes e identificados à instituição, especialmente o diretor esportivo Matthias Sammer, contratado a peso de ouro há poucos meses. Passa ainda pela paixão nas arquibancadas. São mais de 120 mil associados aos bávaros, a torcida mais numerosa da Alemanha. A Bundesliga, por sinal, tem a maior média de público da Europa.

A contratação de Pep Guardiola também passa uma mensagem importante ao futebol alemão como um todo, onde o processo de formação é o único a fazer frente ao dos clubes espanhóis. O novo treinador do Bayern, especialmente caso tenha o sucesso esperado, pode irradiar o pensamento que a Federação Alemã tem sobre futebol desde o fracasso na Eurocopa 2000. Será especial ver Pep, Joachim Löw e Jürgen Klopp e seu Borussia Dortmund trabalhando com filosofias que têm vários pontos em comum.

Ainda a longo prazo, a presença de Guardiola também traz mídia a um torneio em franca ascensão. O Fair Play Financeiro da Uefa tem tudo para diminuir o abismo financeiro de clubes que usam dinheiro de origem além dos gramados para comprar jogadores, o que é padrão entre os ingleses e impensável na Bundesliga. Em especial no Bayern, há capacidade de investimento como de qualquer gigante europeu, mas a administração é firme e as contas fecham só pelo futebol. É certo que Pep pensou em tudo isso ao escolher a Alemanha.

ESCREVEU DASSLER MARQUES

Real Madrid 0 x 2 Barcelona

domingo, 11 de abril de 2010

 

O Real Madrid é uma balada chique com lista de convidados VIP na porta. Mas, lá dentro, é um evento corporativo, arrastado, chato, que não funciona, bom apenas para o babado, “Caras” e poses e pôsteres.

O Barcelona tem sido uma festa de rua – no caso, desfile de rambla. A galera se junta por amizade e afinidade e dá certo, e dá gosto, e dá prazer.

 

Não é só a questão técnica que qualifica times históricos como já é este Barcelona. É também de berço. Um time possível catalão, na acepção, teria, como base, Valdés na meta, Piqué e Puyol na zaga, Xavi e Iniesta armando mais atrás, Fábregas (que o Arsenal levou para a Inglaterra aos 16 anos) criando mais à frente, e uma linha ofensiva com Pedro e Bojan pelos cantos, e Messi (que chegou a Barcelona aos 12 anos para ser incorporado às canteras do clube) livre como tem flanado e flertado com o Olimpo da bola.

 

Um time todo feito na casa. Uma equipe espetacular como tem sido o futebol da equipe este ano. No passado. E, pelo visto, em um ótimo tempo. Uma equipe que nem precisa jogar tudo para fazer o estrago feio no Santiago Bernabéu, no sábado. Sem Ibrahimovic, Guardiola, cada vez mais responsável pelo sucesso da equipe, adiantou Messi no comando de ataque, plantou a surpresa Daniel Marques à frente, pela direita, com Pedro pela esquerda. Ambos, porém, mais recuados que o usual. Um 4-3-3 quase um um 4-1-4-1. Jogo igual até, num contragolpe, Xavi (cada vez mais espetacular), fazer o golaço com Messi. Como escreveu no twitter falso deste que vos escreve o Avelino Bego, “O Xavi trouxe de volta a Lei do Passe”. Apertando o triângulo como se fosse um joystick, Xavi está começando a irritar de tão brilhante. E com as linhas defensivas tão adiantadas, a linha pede para ser burra.

 

Na segunda etapa, Guardiola mudou tudo. E foi ainda mais feliz. Deslocou Puyol da lateral direita para a esquerda. Recuou Daniel Alves para a dele. Fixou Busquets na cabeça da área, fez uma linha de quatro com Pedro (agora à direita), Xavi, Keita e Maxwell (adiantado na linha de quatro no meio), e deixou o tal de Messi à frente. Teve mais um golaço de Pedro, em mais um passe espetacular de Xavi (que desde março de 2008 não erra um passe). Só não teve mais dois gols porque Casillas impediu doisde Messi (em passes de adivinhe quem…).

 

Enfim, Messi só fez um gol. Crise! Xavi só deu duas assistências e mais dois passes preciosos. Mais crise!!! E o Barcelona venceu de novo um Real que só havia vencido em casa. Um Madrid que tem tudo para ser o melhor vice-campeão da história espanhola. Porque o campeão está impossível. E não só por Messi + Xavi.

 

Por tudo que o caríssimo companheiro de Esporte Interativo escreveu aqui, em seu blog. Leia Vitor Sérgio Rodrigues, como pediu também o meu fake – QUE NÃO SOU EU, POR FAVOR. Um baita texto de um baita comentarista

 

http://diario.esporteinterativo.terra.com.br/vitorsergio/

 

P.S.: Respeitosamente, do Real Madrid deixo para outro post. Até porque o time faz campanha brilhante no Espanhol. Ainda pode sonhar com o título. Merece o respeito histórico. Estaria muito bem se não tivesse um rival tão qualificado. Mas, hoje, é mais um dia para muito mais enaltecer o vencedor que criticar o perdedor.  

Milan 0 x 4 Internazionale

sábado, 29 de agosto de 2009

* José Mourinho disse que não vai estourar champanhe pelos 4 a 0 no derby della Madonina. E o pior é que está certo. Mesmo pressionada na primeira meia hora, a Inter parecia saber muito bem o que estava fazendo. Bastou um gol para derrubar o instável Milan.

* A tola expulsão de Gattuso escancarou um jogo que já era neroazzurro (estava 2 a 0). Sem forçar, a Inter ganhou, e muito bem. Snejider estreou como se estivesse há anos na Inter. Já Ronaldinho… Parece há anos não jogar o que sabe. O que, infelizmente, tem sido a realidade.

* Há como Leonardo insistir no 4-3-1-2, com liberdade para ele. Desde que haja mais velocidade pelos cantos e comprometimento na marcação de todos. Inclusive do próprio Ronaldinho.

* Ótimo para Dunga que J.César, Maicon e Lúcio atuem juntos num time estruturado e entrosado. E do jeito que muito bem tem atuado Thiago Motta…

Kaká, 65 pau; Cristiano, 96: tá certo isso?

sexta-feira, 12 de junho de 2009

O Manchester United tem mais dinheiro que o Milan.

Cristiano Ronaldo é mais jovem que Kaká.

Vá lá, o português foi o melhor do mundo em 2008; o brasileiro, o craque da Fifa de 2007, um ano antes.

Mas a diferença é essa toda? Por Kaká, 65 milhões de euros? Por Cristiano, 96?

Não é muuuuita diferença?

Embora, aqui com meus botões, grana, mesmo, foi a Lazio ter pago 48 milhões de euros ao Valencia por Mendieta.

Pelé não acerta com o Real Madrid

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Mas Kobe Bryant pode ser um dos zagueiros. Barack Obama deve ser o vice-presidente de futebol. Angelina Jolie é a mais cotada para ser cheerleader. Roger Federer deve ser o psicólogo. O sultão de Brunei deverá ser o tesoureiro do clube.

Dinheiro não traz felicidade. Mas ajuda pacas.

E não há como imaginar que não dê certo um time com Kaká e Cristiano Ronaldo. E mais Robben numa das pontas. E, provavelmente, David Villa no comando de ataque.

Resta, porém, investir numa boa dupla de zaga. Eu pensaria seriamente em gastar os tubos em Ferdinand e Vidic, já devidamente entrosados no Manchester United que precisa de ainda mais dinheiro.

Real Madrid 2 x 6 Barcelona

domingo, 3 de maio de 2009

Um time é histórico quando termina com um campeonato sem que ele tenha acabado.

Uma equipe é tremenda quando faz tremer o rival na própria casa mítica.

Uma esquadra é antológica quando enfileira gols e chances contra um clube como o Real Madrid como se ele fosse um Recreativo. Huelva…

Um time é uma aula de futebol quando tem a bola por 58% na casa rival, ataca muito mais que o anfitrião, finaliza o triplo de vezes contra um dono de casa que precisava vencê-lo, e comete menos da metade das faltas que o time que é goleado.

Um senhor time de futebol se faz atacando como se não houvesse amanhã. Ou como se o futuro fosse sabido como o passado.

Uma equipe insaciável como o Barcelona de Messi, Eto’o e Henry não toma conhecimento do rival e joga como se brincasse de fazer a coisa séria.

Um time como o Barcelona não pode ter o campo que o Real Madrid concedeu (e que o Chelsea, na terça-feira, não deu por decreto – acertadamente).

Uma equipaça como essa também joga ainda mais lindo contra as defesas a quatro espanholas que insistem em marcar – mal – lá na frente.

Mas tudo isso é nada perto do tudo que foi mais uma atuação antológica de um time que dá gosto de ver. Lindo de admirar, maravilhoso de torcer.

Manchester United 1 x 4 Liverpool

domingo, 15 de março de 2009

[[[[[MAIS DESSAS GRANDES EQUIPES EM 'O JOGO DO BETING', TERÇA-FEIRA, NO LANCE!']]]]

Se não foi a melhor semana da vida do Liverpool, difícil imaginar outra maior: 4 x 0 no Real Madrid, em casa, e 4 x 1 no United, em Manchester.

Em 180 minutos, 8 gols. E poderia (deveriam) ter sido mais.

Não foram apenas pálidas partidas dos rivais. Foram atuações monstruosas do Liverpool, mostrando que é possível marcar como time pequeno e ainda jogar lindo como time grande.

Internazionale x Milan

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

ESCREVE ÉDER FANTONI

(http://www.fanaticosporfutebol.com.br/?page=noticia&nts=486818)
Inter x Milan: 100 anos de história

Elegância, rivalidade, paixão, ódio e ídolos: são apenas alguns dos ingredientes do dérbi de Milão, que completa um século

Uma cidade, dois times, três cores e mil histórias para contar. O confronto entre Inter e Milan é mais do que uma simples partida de futebol e não se resume apenas em lances controvertidos, gols e belas jogadas.

A moda em Milão nunca está ultrapassada. Muito pelo contrário. A cada dia ela se renova e ganha o mundo com sua elegância. Assim podemos dizer também sobre as duas equipes da capital da Lombardia.

O passado deixa o Derby della Madonnina ainda mais atrevido, sofisticado e atraente. É o único clássico do planeta que reúne duas equipes da mesma cidade que já ganharam a Liga dos Campeões e a Copa Intercontinental. Um look diferente, especial. Nenhum outro dérbi na Itália acumula tantos títulos e poucos jogos possuem cem anos de história como este.

Foi num domingo, no dia 10 de janeiro de 1909, quando Milan e Inter se enfrentaram pela primeira vez: vitória dos milanistas por 2 a 1. De lá pra cá, muita rivalidade, emoção, ídolos, vilões e um punhado de lances históricos. Cada jogo uma peculiaridade, uma história pra contar e lembranças que jamais serão apagadas.

O confronto

Geral: 269 partidas

Vitórias da Inter: 91

Gols marcados: 396

Empates: 72

Vitórias do Milan: 106

Gols marcados: 432

Campeonato Italiano: 171 partidas

Vitórias da Inter: 61

Gols marcados: 248

Empates: 52

Vitórias do Milan: 58

Gols marcados: 233

Contos que se confundem também com o Brasil. José Altafini, por exemplo, que marcou quatro gols em uma partida contra a Inter, no dia 27 de março de 1960, com o resultado de 5 a 3 a favor do Milan. Kaká fez seu primeiro gol com a camisa rossonera justamente no dérbi, assim como Ronaldinho, que deu a vitória ao seu time no último jogo entre as equipes: 1 a 0.

Ronaldo, o fenômeno, já foi idolatrado e odiado pela torcida interista. Quando voltou a Milão marcou um gol no clube que tanto o venerou. Se os nerazzurri querem esquecer Ronaldo, eles também não querem nem lembrar da data 11 de maio de 2001, quando o Milan aplicou uma sonora goleada: 6 a 0.

O jogo separa também um duelo particular: Mourinho x Ancelotti. O técnico português sentiu apenas uma vez o gostinho de disputar um dérbi de Milão e não foi feliz, já que viu seu time perder por 1 a 0. Já Ancelotti possui experiência de sobra: são 11 vitórias, 5 derrotas e 3 empates. Os estrangeiros também dão as cartas no clássico: 68 jogadores que nasceram fora da Itália já marcaram gols no dérbi pela Inter, enquanto pelo Milan já foram 76.

Cada página virada é uma emoção, um momento, algo de que só quem viveu pode explicar o sentimento de participar de um clássico como este. Há muito mais por contar, como Paolo Maldini, o jogador com maior número de presenças no dérbi. Os gols de Pippo Inzaghi, Shevchenko e Kaká.

A memorável apresentação dos nerazzurri em outubro de 2006, na vitória por 4 a 3 e assim como os gols de Ibrahimovic. Mas domingo é dia de escrever um novo capítulo para essa história. A capital da moda vai tremer. A passarela, como sempre, será o Estádio Giuseppe Meazza – San Siro para os milanistas.

Por lá teremos um desfile que pode deixar a grife nerazzurra bem folgada na ponta da tabela e afundar os rossoneri. Uma derrota pode significar um ciao ciao ao scudetto, já que a Inter abriria onze pontos de vantagem. José Mourinho não tem problemas para escalar sua equipe. Adriano volta de suspensão e poderá ser escalado como titular ao lado de Ibrahimovic.

Na última partida, contra o Lecce, a Inter deu uma prova de força: vitória por 3 a 0 com mais uma boa atuação do sueco Ibracadabra. O atacante aguarda o clássico para poder fazer suas mágicas. Já o Milan decepcionou no sábado: empate em casa contra a Reggina, última colocada.

É hora de mostrar seu verdadeiro valor. Mas vencer os nerazzurri não será nada fácil: Kaká está machucado e, mesmo que tenha melhorado, não deverá estar pronto para jogar. Assim, Ronaldinho pode ganhar a chance de continuar entre os titulares, com Pato no comando de ataque.

Será o primeiro clássico de Beckham, mas pode não ser o último. Porque o Derby della Madonnina pulsa. É hora do show, do desfile, da emoção, do jogo. Domingo, à partir das 17h30 (horário de Brasília), o grande clássico de Milão ganhará mais uma página, que estará para sempre na memória de cada amante do futebol.

Entre no clima do grande clássico da capital da moda. Veja a seguir a avaliação do Fanáticos por Futebol sobre os protagonistas de mais um Dérbi della Madonnina:

Júlio César 7,0 x 5,5 Abbiati

O goleiro brasileiro leva vantagem sobre o italiano. Seguro, Júlio César conquistou a confiança da torcida e hoje é um dos melhores arqueiros da Itália. Pato terá que se desdobrar para marcar um gol. Abbiati não tem a mesma categoria e já foi muito criticado, mas suas últimas atuações calaram a boca dos críticos. De qualquer maneira, não passa confiança.

Maicon 7,5 x 5,0 Zambrotta

O lateral-direito da seleção brasileira tem sido um dos grandes destaques da Inter nesta temporada. É um dos jogadores de maior vigor físico da Série A. Se destaca bastante na frente, apoiando e também marca gols. Já Zambrotta parece viver um declínio em sua carreira: não vem fazendo boas partidas. Não cruza e peca na marcação. O que vale é a experiência.

Burdisso 5,5 x 5,5 Maldini

O zagueiro argentino nunca teve a confiança do técnico José Mourinho, até que ganhou algumas oportunidades nas últimas partidas. Se posiciona bem na defesa, mas Pato pode levar a melhor. Maldini é a lenda rossonera. Um ídolo, que pode estar jogando seu último dérbi. Já não é mais aquele menino de antes e a idade pesa. Mesmo assim, ainda possui muita categoria. Mas o Milan necessita de mais segurança e agilidade.

Córdoba 7,0 x 5,0 Senderos

Ivan Córdoba tem uma técnica apurada. Tem baixa estatura, mas uma grande impulsão. É rápido e sabe comandar a defesa. Senderos chegou ao Milan e até agora pouco mostrou. Após sofrer com contusões, o jogador voltou pesado e não consegue acompanhar os atacantes. Vai ter problemas com Ibrahimovic.

Santon 5,5 x 6,0 Jankulovski

O lateral-esquerdo da Inter é uma grande revelação. Mourinho possui grande simpatia pelo atleta, mas ainda não produziu muito pelo time. Poderá se tornar um grande jogador, mas Maxwell não vinha devendo nada para ele. Jankulovski não é um jogador técnico. Sua grande habilidade é chegar com velocidade pela esquerda e arriscar bons chutes a gol.

Zanetti 6,5 x 7,5 Beckham

O capitão interista é um jogador versátil. Com mais de 600 jogos com a camisa nerazzurra, Zanetti sabe o que significa um clássico. Pode contribuir bastante para o meio-de-campo. Já o inglês chegou ao Milan como uma incógnita. Mas ele vem surpreendendo e conquistou seu espaço entre os titulares. Muita disposição em campo. Tem apoiado bem pela direita, dando bons passes.

Cambiasso 8,0 x 7,0 Pirlo

Briga de cachorro grande. O argentino é a alma do meio-de-campo interista. Marca como ninguém, apóia bem e sabe conduzir a bola. Talvez seja um dos jogadores mais produtivos do time. Pirlo passou por uma lesão no início da temporada, o que atrapalhou um pouco. Jogando mais recuado, o jogador dá um toque de classe ao meio-de-campo do Milan. Será importante no esquema de Carlo Ancelotti para o jogo contra os nerazzurri.

Muntari 5,5 x 6,5 Ambrosini

Mourinho confia no seu pupilo. A torcida torceu o nariz quando Muntari chegou, mas ele até que não decepcionou. De todo modo, ainda falta qualidade e, muitas vezes, cabeça para ele mostrar um melhor futebol. Ambrosini se beneficiou com a contusão de Gattuso e ganhou a vaga no meio-de-campo. Tem mostrado boa disposição.

Stankovic 6,5 x 6,0 Seedorf

O sérvio é inteligente e pode trazer problemas para a defesa do Milan. É um organizador de jogadas, que muitas vezes parece meio sumido, mas pode despontar uma boa jogada dos pés dele. Já o holandês tem sido contestado pela torcida rossonera nos últimos jogos. Mesmo com a habilidade de sempre, o jogador mostra, muitas vezes, lentidão e prende demais a bola. Mas numa partida como o dérbi, ele pode fazer a diferença com sua inteligência.

Ibrahimovic 9,0 x 5,5 Ronaldinho

Ibracadabra está pronto para dar mais um show. O atacante é o grande destaque da Inter nesta temporada. Passes geniais, bons dribles, chutes precisos e gols, muitos gols. Deve levar vantagem contra a pesada defesa do Milan. Ronaldinho só deve ir para o jogo graças à contusão de Kaká. O gaúcho teve um bom começo de temporada, mas caiu de produção e não tem produzido o esperado. Os toques de lado e a pouca produtividade tem feito Carlo Ancelotti o deixar no banco.

Adriano 5,5 x 8.0 Pato

Nos últimos jogos, o Imperador mostrou que deseja voltar a ser um grande atacante: como Ibra. Marcou gols contra Genoa e Sampdoria, até ser suspenso por agredir um adversário. Ele volta no clássico, resta saber como estará. Pato está voando. O atacante finalmente parece ter pegado o jeito do futebol italiano. Tem marcado muitos gols e mostrado muita velocidade nas suas arrancadas. Vai dar trabalho para a zaga interista.

José Mourinho 7,0 x 5,5 Carlo Ancelotti

O técnico da Inter não tem sido genial, mas sim prático. O futebol veloz do início da temporada deu lugar a uma Inter burocrática. Muitas vezes sem padrão de jogo, mas sempre forte. O português vai lançar seu time ao ataque contra o Milan. Ancelotti que se cuide. Essa temporada não tem sido fácil para o treinador. Além de sofrer com os contundidos, Carletto tem sido poucas vezes ousado e erra ao recuar sua equipe quando está vencendo. O Milan pode fazer uma partida espetacular, como empatar com o último colocado.

ESCREVEU ÉDER FANTONI

Felipão fora do Chelsea

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Em 41 jogos, ótimo aproveitamento de 68% dos pontos. Apenas 5 derrotas.

Mas era um Chelsea que não perdia em Stamford Bridge desde fevereiro de 2004. Antes mesmo da chegada do não menos mítico José Mourinho. Um Chelsea que só ganhou um ponto em 15 possíveis nos clássicos decisivos. É muito pouco.

Como foi muito pouco tempo para despedir Felipão. Pelo apreço profissional e pessoal, sou suspeito. Mas das grandes e das tantas virtudes do gaúcho é virar o jogo, qualquer um, depois de um (in)certo tempo. Não foi dado. O tempo não é mais dinheiro na casa de Abramovich.

Perde o Chelsea. Perde Felipão. Um casamento que vivia em crise. Mas não precisava ter terminado tão cedo. Tão mal.

HISTÓRIA EM JOGO – Inglaterra 3 x 6 Hungria – 1953

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

[[[[[[MAIS DO CLÁSSICO EM "O JOGO DO BETING", na terça-feira, no LANCE!]]]]]]]

VEJA OS GOLS: http://www.myvideo.de/watch/3603969/England_Hungary_3_6_1953_november_25

PRÉ-JOGO -Invicta havia 22 jogos (19 vitórias), campeã olímpica em 1952, a magia magiar enfrentaria a pátria-mãe do futebol, que estava invicta em Wembley, e não perdia um jogo em casa para uma seleção não-britânica desde 1901. Para a imprensa inglesa, aquela tarde de quarta-feira de 25 de novembro de 1953 seria o “Match of the Century” – o jogo do século. Exagero? No mínimo, é o amistoso mais importante da história do futebol. Um divisor de águas, um multiplicador de bolas.

A Hungria era não só uma revolução técnica, tática e física – era um projeto de Estado, a melhor propaganda do governo comunista. Os atletas eram literalmente soldados do ideal do bloco soviético – quem não servisse o time do Honved (“defensores da pátria”) teria de servir como soldado na fronteira do país…

Em campo, faziam lindo: a equipe inovava no aquecimento pré-jogo, no posicionamento tático do centroavante (mais recuado, idéia já adotada no MTK húngaro), no apetite pelo ataque, e no detalhado estudo dos rivais. E, claro, era uma seleação baseada numa equipe – o Honved, o time do exército, dos “hómi”. Sete dos titulares jogavam juntos havia anos.

Inventores do jogo, os ingleses só haviam participatado de uma Copa, em 1950 – e fizeram feio. Já não tinham a soberba e a convicção de que eram os donos da bola. Estavam invictos em Wembley até aquele 25 de novembro de 1953. Era um ótimo jogo para mostrar que ainda poderiam ser chamados (ou auto-intitulados) de senhores do jogo se vencessem aquele timaço húngaro, dirigido pelo meticuloso Gusztav Sebes.

Em outubro, ele assistira em Wembley ao empate do English Team com a seleção mundial. 4 x 4. Antes do jogo, na véspera, calçara chuteiras e medira o campo londrino. Pediu ao presidente da Federação Inglesa três bolas para treinar com o time húngaro. Elas eram mais pesadas e duras que as usadas no país. Sebes chegou a observar a posição do Sol para melhor preparar a equipe para vencer os ingleses. Durante três semanas, treinou a seleção contra equipes armadas como deveriam atuar os pais do futebol.

Os ingleses também não quiseram fazer feio e foram estudar os húngaros nos amistosos anteriores. Não havia internet e TV a cabo. Mas já havia espião na guerra fria da bola.

Sebes tinha como filosofia deixar os craques decidirem a forma de atuar. Só falava de tática nas grandes partidas e decisões. Como aquele amistoso. No imperdível livro “Puskas – uma lenda do futebol”, de Roger Taylor e Klara Jamrich, ele explica o que pretendia fazer em Wembley:

- Queria [o centroavante] Hidekguti flutuando em um redemoinho de posições fluidas de nossos atacantes para confudir a zaga inglesa. Eu sentia que a defesa deles se sentiria obrigada a segui-lo e isso abriria espaços para o Boszik vir de trás e armar com Puskas e Kocsis. Quanto mais nós nos movimentássemos, mais problemas criaríamos. Lá na defesa, a idéia era contar com o recuo de nossas pontas, e com o Zakarias na zaga, deixando o Lorant como líbero.

O técnico húngaro estudara os ingleses. Mas os atletas húngaros não conheciam os rivais. E vice-versa. O capitão inglês Billy Wright admite que ficou mais tranquilo ao ver as chuteiras leves dos rivais se comparadas às chancas britânicas…

Ele admite que foi um dos tantos erros que cometeu naquela tarde de quarta-feira.

OS TIMES

INGLATERRA – 3-2-2-3 (WM): Merrick (1); Alf Ramsey (2), Johnston (5) e Eckersely (3); Wright (4) e Dickinson (6); Taylor (8) e Sewell (10); Stanley Matthews (7), Mortensen (9) e Robb (11).

HUNGRIA – 1-3-2-4: Grosics (1); Lorant (3); Buzanszky (2), Zakarias (6) e Lantos (4); Boszik (5); Puskas (10); Budai (7), Kocsis (8), Hidekguti (9) e Czibor (11).

LANCE A LANCE

NO TOSS: Puskas fica com a bola depois de cumprimentar o capitão Wright. Ele admite ter ficado muito nervoso naquele momento. Para relaxar, deu sete embaixadinhas até tocar para o ponta Czibor, que também fez sua graça antes de a bola rolar. Era um modo de transferir o pavor para o rival.A Hungria deu o pontapé inicial atacando à direita da cabine de transmissão de Wembley.

COMEÇOU – No primeiro lance, o centro-médio Boszik lançou Budai (pronuncia-se Budaí) aberto pela direita. Era a saída usual de jogo húngara.

43s – 1 x 0 HUNGRIA. HIDEKGUTI (pronuncia-se algo como IDAKUTI). Zakarias se antecipou a Mortensen na intermediária, no abafa dos visitantes, e tocou a Boszik que serviu o camisa 9. Ele limpou fácil Johnston e, já dentro da área, mandou no ângulo direito da meta inglesa. Golaço. Aplaudido por boa parte do estádio. Interessante é que em 26s a Inglaterra já dava a saída. Não havia celebração efusiva de gol. Contando com um arremesso lateral, os pais do futebol só tocaram duas vezes na bola e já perdiam por 1 x 0 antes do primeiro minuto.

2min – Dois bons ataques ingleses e ótimo contragolpe de Czibor. Jogaço aberto de duas equipes que sabiam de bola – mas absolutamente não se conheciam. Como pedido por Sebes, os pontas Budai e Czibor iniciam o jogo desde a intermediária, pelas pontas. Mas os húngaros forçam mais o jogo pela direita. Nas palavras de Puskas, em cada partida, “bastava 5 minutos para a gente entender o que era preciso fazer, quais as deficiências do adversário. O treinador não precisava falar com a gente”.

* Formação de barreira? Jogador parado à frente da bola para evitar a cobrança? Não naquela tarde de 1953. Era diferente. Parecia falta de educação. Como marcar muito forte no meio. Os até quatro atacantes ingleses (com o avanço do meia Sewell) praticamente atuavam no mano a mano contra a linha de três zagueiros húngaros, protegidos na sobra por Lorant. Boszik era o centro-médio clássico. Todas as bolas passavam por ele. Assim como muitos meias ingleses também…

7min – Livre na entrada da área, o Major Galopante Puskas enfia a bomba. Merrick defende. Johnston (que não sabia se acompanhava Hidekguti ou se ficava no miolo da área…) só observa. Ingleses dão o mesmo espaço que os húngaros. Como o mundo todo deixava os rivais jogarem um pouco mais. Ingleses jogam bem, mas erram passes demais, a partir do goleiro. O jogo húngaro é quase todo com Budai, pela direita, livre pela má marcação de Dickinson (preocupado com Kocsis) e Eckersely.

9min – Brilhante troca de passes até finalização de Budai nas mãos do goleiro. Lance começou na esquerda com Czibor. Budai joga demais. Eckersely marca o ponta rival como se fosse um daqueles guardas ingleses que não podem se mexer.

10min – Kocsis perde gol feito, de cabeça (seu forte), em belo lançamento de Puskas. É a quarta chance de gol húngara, nascida em erro do enorme Stanley Matthews, ponta-direita que tentou arrumar o time, e deu mais um passe torto. Ingleses sentem a categoria rival.

11min – ABSURDO! GOL MAL ANULADO DA HUNGRIA. Árbitro Leo Horn (Holanda) evita vexame maior marcando impedimento inexistente de Hidekguti, em bela tabela com Puskas. Ele entrou sozinho pelo meio da área (os ingleses são os pais do futebol, e essa zaga, a mãe da Hungria!). Um dos gols mais mal anulados da história.

14min – 1 x 1 INGLATERRA. SEWELL. A Hungria atacou com seis até o desarme de Johnston. Ele armou belo lance em velocíssimo contragolpe que pegou a sempre exposta zaga húngara num três contra três. O meia-esquerda apareceu sozinho na área, à frente de Grosics (pronuncia-se Grô-shi-sh), e bateu fraco, de canhota, cruzado. Belo gol, na primeira jogada inglesa.

15min – Hidekguti divide com o goleiro e quase desempata. Nada abala a convicção ofensiva dos visitantes.

* Nos escanteios ofensivos, rapidamente batidos, os húngaros colocam até quatro atacantes na área rival – acima da média daqueles tempos; os ingleses se defendem com oito na grande área.

18min – Kocsis (pronuncia-se Kô-shi-sh, mais ou menos isso) divide com a zaga e perde gol feito. A sexta chance magiar. E como joga esse Hidekguti!!! Por ora, é o melhor em campo, disparado, seguido de perto pelo gigantesco Boszik, que agora começa a arrumar o meio-campo defensivamente, recuperando um tonel de bolas. Mas o Hidekguti… Elegante, esguio, sai da área e abre espaço para Kocsis e Puskas. Um monstro. Inteligente e abusado. Pelo jogo, é fácil imaginar como o placar chegou a esse tamanho. Mas, honestamente, até agora, não esperava tão bom futebol da Inglaterra (do meio para a frente), e tanto espaço dado pelas duas equipes – já posso imaginar como a Alemanha ganhou a Copa, menos de um ano depois, na Suíça…

19min – GOL. 2 X 1 HUNGRIA. HIDEKGUTI. Czibor avança pela ponta esquerda, serve Puskas que é derrubado por Johnston. Árbitro não marca o pênalti e é salvo pela sequência do lance. No melê seguinte, num bate-rebate, Hidekguti acerta a bomba, que bate na zaga, encobre o goleiro, e faz justiça ao placar. Sétima chance húngara em menos de 20 minutos de jogo. E que jogo!

20min – Budai, livre, bate mal, à direita de Merrick. Impressionante o astral negativo inglês. Parece que já sabem que serão impiedosamente goleados. Perdem a bola como se fossem meninos sub-10 diante de um exército romano. Time definha até fisicamente. Parece que os ingleses jogam o futebol de 1953, e os húngaros atuam com a velocidade de 2009.

21min – God save the Queen. Hidegkuti bate na zaga. Nona chance em 21 minutos.

22min – Parem as rotativas! Eckersely ganha a primeira de Budai!

23min – GOL. PUSKAS. 3 X 1 HUNGRIA. GOLAÇO. Aplaudidíssimo por Wembley. Budai recua e lança Czibor, o ponta-esquerda, que aparece pela direita (!?), livre às costas de uma aparvalhada linha de impedimento mal feita pelos ingleses. Ele avança, vai ao fundo e serve Puskas, no bico da pequena área direita. Num come seco, ele deixa o capitão Wright perdido e estatelado no gramado, e fuzila Merrick. Superioridade técnica, tática e física absoluta. O maior espetáculo da terra. O jogo é melhor do que eu imaginava. Locutor húngaro se derrete. Com imensa razão e paixão. Para Puskas, foi “o mais lindo gol de toda a carreira. E não foi um lance por nós ensaiado. Foi uma jogada que ocorreu naturalmente, que tive de resolver no reflexo”. Para Wright, “em nove em dez daqueles lances eu conseguiria o desarme… Mas aquele lance era justamente contra o Puskas…”

[[[[[[[PELA CÂMERA DE TRÁS - http://www.myvideo.de/watch/385167/3_6_fuer_Ungarn_gegen_England]]]]]

25min – O pau come em Wembley. Ingleses entram duro, húngaros respondem na maldade.

26min – GOL. 4 X 1 HUNGRIA. PUSKAS. Deveria ser algum édito real: Ninguém faz barreira na Inglaterra?! Budai é derrubado na meia direita. Árbitro marca a falta. Ninguém fica na frente da bola, nem se faz a barreira. Boszik chega como quem não quer nada e, da meia direita, bate rasteiro, não muito forte. No meio do caminho, Puskas estica o pé esquerdo o suficiente para desviar a bola, que entra mansa, no canto direito de Merrick. Gol de sorte para um time que vinha levando azar como alegria ao jogo. Doze chances, quatro gols húngaros. Ou eram muito ingênuos, ou o futebol era realmente muito diferente. Não necessariamente para melhor.

31min – Incrível! A Hungria não cria um lance de gol há 5 minutos! CRIIIIISE!!!!

32min – Não se pode falar… Kocsis cabeceia nas mãos de Merrick. Impressionante a impulsão do meia húngaro – de fato, mais centroavante que Hidekguti.

35min – Mortensen cabeceia e Grosics faz grande defesa. Primeiro cruzamento certo inglês, sempre no segundo pau.

37min – Com a maior cadência húngara, sem o pé no fundo, ingleses criam mais um bom lance, com o apagado Taylor. Será que cutucaram as feras com a bola curta?

* O esquema húngaro pode ser definido basicamente como um 4-2-4. Na prática, é 1-3-2-4, com Puskas recuando um pouco, mas quase sempre se comportando como o quinto elemento à frente, trocando de função com Hidekguti.

39min – Budai perde o 14o. grande lance de gol. Chuta mal o ponta. Mas joga e corre muito.

42min – Termina o MEU primeiro tempo. O que tenho de gravação vai até aqui. Pouco antes do gol inglês.

42min – GOL. 2 X 4 INGLATERRA. MORTENSEN. Um milagre britânico terminar APENAS com quatro gols na sacola. A fase é tão ruim que não há imagem gravada do gol.

PLACAR VIRTUAL DO PRIMEIRO TEMPO – INGLATERRA 4 X 14 HUNGRIA

FIM DO PRIMEIRO TEMPO.

Fala o zagueiro Johnston: – A tragédia do nosso time foi a sensação de total impotência. Não sabíamos como fazer alguma coisa diante daquela perspectiva terrível de sermos goleados. Eu não sabia se seguia o Hidekguti ou se ficava…

Fala Puskas – As nossas embaixadinhas no aquecimento até certo ponto atemorizaram os ingleses. Mas foi o gol no primeiro tempo que definiu nosso estado de espírito e nosso jogo. Ganhamos confiança para fazer nossa parte e nosso jogo ofensivo.

COMEÇA O SEGUNDO TEMPO.

2min – Grande lance do genial Stanley pela ponta direita, boa defesa de Grosics (que passara mal antes do jogo – nervosismo). Os húngaros resolvem esperar os ingleses, iniciando o jogo mais atrás, com menos velocidade, abusando mais da técnica de seus organizadores. No lance de perigo, o atacante machuca o rosto e é carregado por Grosics e Lorant para fora do gramado. Não havia maca.

5min – GOL. 5 X 2 HUNGRIA. BOSZIK (pronuncia-se algo como Bôs-shiq). Falta pela meia direita. De onde saiu o quarto gol húngaro. Você acha que alguém se importa em fazer barreira? Puskas não bate direto. Faz bem. Hidekguti faz melhor, mete a bola na cabeça de Kocsis, que manda na trave esquerda. No melê, a bola vai sobrar na meia direita para o imenso Boszik bater cruzado, no canto de Merrick, que pulou tarde, e se atrapalhou com o desvio da bola. Os húngaros são demais. Mas os ingleses colaboram.

8min – GOL. 6 X 2 HUNGRIA. HIDEKGUTI. HAT-TRICK do camisa 9. Depois de 21 segundos de posse de bola e de uma tabelinha de cabeça entre Budai e Kocsis, Puskas deu um balãozinho por sobre a zaga inglesa e achou o centroavante aberto pela ponta. De primeira, ele acertou o sem-pulo e fez outro golaço. Muito aplaudido pela torcida inglesa. Até o árbitro holandês se rende e dá um tapinha nas costas do genial camisa 10 magiar.

9min – Puskas (pronuncia-se Push-kásh) quase amplia depois de um chutão do goleiro Grosics. A defesa inglesa é de corar editor de tablóide sensacionalista britânico.

11min – Pênalti estupidíssimo cometigo pelo irregular goleiro Grosics, que fez lambança das grossas numa bola morta, derubando Mortensen.

12min – GOL. 3 x 6 INGLATERRA. RAMSEY (campeão mundial em 1966, dirigindo a Inglaterra). De pênalti, no canto esquerdo do goleiro. O impressionante foi o tempo que “demorou” para ser executada a cobrança: 24 segundos!!!

14min – Como se fala salseiro em húngaro? Czibor (pronuncia-se mais ou menos Txí-bori) , mais acionado pela esquerda, limpa a área, inverte o lance com Budai que, de novo, pega mal na bola. Segue o massacre.

15min – Aleluia. Falta frontal, pouco além da linha da grande área. A INGLATERRA FEZ BARREIRA! Quatro homens. Já é alguma coisa. E Lantos (pronuncia-se Lan-tôsh) mandou o chute na primeira barreira britânica.

17min – Falta para a Inglaterra. Meia direita. Seis húngaros na barreira. Em vez de bater direto, Dickinson resolve abrir na linha de fundo para Stanley… A bola vai direto pra linha de fundo. Enfim, os pais do futebol não sabem formar barreira, não sabem bater falta contra uma barreira…

* Treinador berrando do lado de campo? As imagens são definitivas. Não se viu nenhum treinador, em nenhum momento do jogo…

21min – Czibor recua um pouco mais e ajuda no combate ao excelente Matthews, dando um pé ao lateral Lantos. Puskas ganha liberdade para atuar mais aberto pela esquerda. Melhora a produção defensiva húngara, com Zakarias (pronuncia-se Zô-koriash), o zagueiro central da linha de três, muito bem no desarme, facilitando a vida do líbero Lorant, que fica atrás deles.

23min – Não se pode elogiar… Lorant falha, e Grosics se antecipa ao veloz Mortensen.

*** NÃO TENHO AS IMAGENS A PARTIR DOS 28min ****

PLACAR VIRTUAL DO SEGUNDO TEMPO (sem os últimos 17min)

INGLATERRA 3 X 4 HUNGRIA.

PLACAR VIRTUAL TOTAL: INGLATERRA 7 X 18 HUNGRIA.

PÓS-JOGO – Até o uniforme do English Team foi modificado a partir daquele massacre. As camisas e calções mais, digamos, fofos e folgados foram trocados pelos mais justos. Até com a gola em V dos húngaros serviu de inspiração para novos uniformes.

O 4-2-4 começou a atropelar o WM nas formações táticas européias e sul-americanas.

ATUAÇÕES:

INGLATERRA: 3-2-2-3:

1 – Gil Merrick (Birmingham City) – Nem Gordon Banks salvaria a rainha. Merrick, menos ainda. Nota 5.

2. Alf Ramsey (Tottenham) – Futuro campeão mundial como treinador do English Team, o zagueiro-direito fez um gol de pênalti, e até que não levou tanto baile de Czibor. 5.

5. Harry Johnston (Blackpool) – Perdido taticamente, o zagueiro-central fez brilhante lance no gol de empate de Sewell. Mas deixou Hidekguti desequilibrar. 4.

3. Bill Eckersley (Blackburn Rovers) – Ridículo. Budai fez o que quis. Sempre perdido, sempre atrasado o zagueiro-lateral-esquerdo. Nota 1 (pela qualidade do rival, só por isso).

4. Billy Wright (Wolverhamton) – O médio-direito e capitão inglês não achou Puskas e também sofreu com Hidekguti. Como todo o time, passou mal a bola. 3.

6. Jimmy Dickinson (Portsmouth) – O médio-esquerdo teve de proteger Eckersley, tentar conter Kocsis (que jogava às costas deles), e ainda saber por onde andava Hidekguti. 2.

8. Ernie Taylor (Blackpool) – O meia-direita morreu de medo. Errou quase todos os passes, mesmo com a liberdade dada pelos húngaros. 2.

10. Jackie Sewell (Sheffiel Wednesday) – O meia-esquerda fez o belo primeiro gol, teve o imenso Boszik à frente (e atrás, pelos lados, por cima…), mas ao menos tentou jogar. 5.

7. Stanley Matthews (Blackpool) – Que jogador o eterno ponta-direita inglês! O único que tentou e ganhou vários lances de Lantos. No segundo tempo, recuou para armar. 7.

9. Stan Mortensen (Blackpool) – O forte e rápido centroavante levou perigo à exposta zaga húngara. Fez o segundo, e passou a bola do primeiro gol. 6.

11. George Robb (Tottenham) – Jogou? Não atacou, não criou, não marcou. 1

TREINADOR – Walter Winterbottom – O que deveria ter feito antes? O que poderia fazer durante? Nota 3.

HUNGRIA – 1-3-2-4

1. Gyula Grosics (Honved) – Inseguro, capaz de boas defesas e falhas históricas, jogava adiantado, pelo novo esquema. 6.

(substituído aos 28min por Sandor Geller [MTK])

2. Jeno Busanszky (Dorog) – O lateral-direito anulou o nulo Robb e não teve muito trabalho. 6.

3. Gyula Lorant (Honved) – O líbero foi o melhor dos zagueiros. Firme na antecipação, espanava sem dó. 7.

6. Joszef Zakarias (MTK) – O zagueiro-esquerdo (ou o central na linha de três), meio-campista de origem, teve dificuldades com Mortensen. Mas sabia jogar. 6.

4. Mihaly Lantos (MTK) – O lateral-esquerdo sofreu com Matthews. Como os da época, só marcava. E não tanto. 5.

5. Jozsef Boszik (Honved) – O centro-médio que todo mundo quer. Sobrecarregado na marcação pelo esquema que o deixava isolado no meio-campo, ainda assim desarmava o rival e armava o time. Participação direta em dois gols com o bom chute e a técnica admirável. 10.

10. Ferenc Puskas (Honved) – O meia-esquerda e capitão era o gênio da equipe. Um gol monumental, outro de sorte, uma assistência soberba, e um segundo tempo quase como ponta-esquerda. Monstro. 10.

7. Laszlo Budai (Honved) – O ponta-direita chutava mal. Mas era hábil, rápido e ainda ajudava atrás. Atuação facilitada pela ausência do lateral inglês. 9.

8. Sandor Kocsis (Honved) – Artilheiro da Copa-54, o emérito cabeceador não jogou tudo em Wembley. Perdeu muitos gols, mesmo atuando bastante dentro da área. 8.

9. Nandor Hidekguti (MTK) – Fez três gols, armou todo o ataque, abriu espaços a partir de trás. A (r)evolução tática num só jogador. Um show. O melhor entre os bambas. 10.

11. Zoltan Czibor (Honved) – Menos explorado, mais tático, menos incisivo, mas sabia correr o campo todo. 8.

TREINADOR – Gusztav Sebes. Dez. Por extenso. E, no caso, por intenso.

O NÚMERO – A Hungria finalizou 35 vezes. Os ingleses, 5.

O PÚBLICO – 100.000 pessoas – aproximadamente – aplaudiram efusivamente a vitória húngara.

A FRASE – Até aquele jogo, nós [ingleses] pensávamos que todo mundo era nosso pupilo, que nós éramos os mestres. Contra a Hungria, tudo mudou. Eles eram os masters. Nunca mais fomos os mesmos (Bobby Robson, treinador inglês).

A REVANCHE – Em 24 de maio de 1954, o troco, em Budapest. 7 x 1 Hungria. Ainda a maior derrota do English Team. Mais uma goleada a favor do time que só perderia a invencibilidade na final da Copa de 1954, na virada da Alemanha.

O CASO – Nos anos 70, vários jogadores das duas equipes se reuniram, na Inglaterra. No salão de entrada do evento, Alf Ramsey falou em voz alta, quando chegou um senhor nitidamente fora de forma: “Você é o… Bill? Bill Eckersely? É você?”. Ramsey não conseguia reconhecer o lateral inglês. Puskas ficou sabendo e não se agüentou: “Realmente, hoje está parecendo o jogo de 1953. Os ingleses mal conseguem saber os nomes dos próprios companheiros”.

LEGADO TÁTICO – O 3 x 6 pode ser considerado o réquiem do WM (3-2-2-3) inglês, que havia nascido em 1925. Mas não se pode dizer que foi apenas a questão tática que derrubou horroroso o time da casa. Fisicamente, os húngaros voaram em Wembley; tecnicamente, era um assombro de equipe – também pelo entrosamento (sete jogavam juntos no Honved, mais três no MTK)- e pelos treinos exaustivos; taticamente, o 4-2-4 (muitas vezes um 4-1-5, com o avanço de Puskas) também facilitou o passeio em Wembley.

Os dois pontas húngaros eram (ou deveriam ser marcados) pelos dois zagueiros-laterais ingleses – e eles ainda recuavam para ajudar na contenção aos pontas rivais; como Hidekguti saía da área o tempo todo, o central Johnston se perdeu e boiou, mais que sobrou; para piorar, os dois marcadores do quadrado do meio-campo não encontraram Kocsis e Puskas, que se mexiam muito, e jogavam demais. E ainda tinha Hidekguti, o melhor em campo. Praticamente três criadores ficaram livres – e mais o centro-médio Boszik, jamais acompanhado pelo meia-esquerda inglês Sewell.

Razoavelmente livre ficava o meia-direita inglês Taylor, com o recuo de Zakarias para a zaga. Mas ele parecia foragido em campo. Escondeu-se. Os três zagueiros húngaros tiveram muitas dificuldades com o ataque inglês, sobretudo Matthews e Mortensen. Mas a pálida partida do ponta-esquerda Robb facilitou para o lateral Buzanszki (pronuncia-se Bú-zanshqi). Se tudo ainda desse errado, sobrava Lorant, de boa atuação na zaga, e o goleiro Grosics, que ao menos uma vez saiu da área para afastar com os pés, como um segundo líbero.

A grande sacada tática húngara era a intensa e inédita movimentação, combinada com a frágil marcação inglesa. O lance que é a epítome do jogo e do modelo húngaro é o terceiro gol, o de Puskas, com a limpada para trás (o drag-back) que dizimou o capitão Wright e a armada inglesa. Nele, o ponta-esquerda Czibor vai ao fundo pela direita, o meia-esquerda Puskas aparece como centrovante, o ponta-direita Budai arma como meia.

No frigir das bolas: futebol total, 20 anos da Laranja Mecânica holandesa.

AGRADECIMENTOS: GUSTAVO ROMAN (gugaroman@hotmail.com] – pelas imagens, e André Rocha, pela idéia.