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Arquivo da Categoria ‘COPA-10’

MANO A MANO – ESPANHA X HOLANDA

sexta-feira, 9 de julho de 2010

VILLA X HEITINGA X MATHIJSEN – A defesa holandesa não é grande coisa. E pode ser campeã do mundo, como continua garantindo aproveitamento de 100% nos seis jogos. Já superou o Brasil, mesmo tendo falhado no golaço de Robinho. Venceu o Uruguai com dificuldades, também por essas falhas de DNA. E pela orientação tática de Van Marwijk, que deixa um time mais fluido, sem grande pegada no meio-campo. A dupla holandesa não é alta, não é tão boa de cabeça, e não é rápida. Conta o melhor atacante da Copa, um dos melhores jogadores do Mundial, o excelente David Villa (para mim, o craque da Euro-08, mesmo não tendo atuado na decisão), perigo real e imeadiato para os holandeses. Villa mais próximo da área, como atuou na maioria das segundas etapas, e como jogou muito bem contra a Alemanha, é a melhor solução para a falta de ritmo de Torres.

INIESTA X BOUHLAROUZ OU VAN DER WIEL – Um dos maiores armadores do mundo, Iniesta tem sido, ao lado de Villa, o melhor e mais regular espanhol. Mesmo que, por vezes, com Del Bosque, não jogue a bola do Barça. Nem se encontre taticamente como deveria. Mas ele voou contra os atarantados alemães. Ainda mais no segundo tempo, quando Del Bosque fez o que deveria ter feito desde o início: abrir Pedro para cima de Boateng (depois Jansen), e deixar Iniesta flutuando entre atuar bem aberto pela esquerda, e articular um pouco mais por dentro. Nesse espaço, à frente do lateral-direito holandês, e atrás do volante-direito Van Bommel, Iniesta pode brilhar ainda mais. Algo que poderá levar o treinador holandês a escalar o mais rochoso (também conhecido como violento) Boulahrouz, mais marcador e experiente que o jovem Van der Wiel. Se a Holanda quiser atacar, melhor este último. Se pretender marcar mais – e deve ser o caso -, Boulahrouz é a menor pior escolha.

PEDRO X VAN BRONCKHORST – O lateral-esquerdo fez um gol magnífico contra o Uruguai. Tem marcado direitinho, muito melhor do que se esperava, com seus 35 anos. Capitão, é homem de irrestrita confiança do treinador, desde o Feyenoord. Até por falta de melhores opções, é o que tem a Holanda. O duro é que a Espanha, sem Torres, em má forma, pode atacar pela direita com Jesús Navas, bastante técnico e rápido. Um meia-atacante como o titular da Euro-08 (David Silva). Poderia Del Bosque colocar Iniesta pela direita, e abrir o jogo com Mata, pela esquerda. Mas é melhor mesmo abrir o ex-Pedrito, cada vez mais Pedrón, pelo lado direito. Canhoto, corta por dentro, e explora o pior pé de Van Bronckhorst. Se for mais solidário, e simplificar alguns lances, ganha o duelo na técnica e na velocidade.

XAVI X DE JONG – O todocampista catalão foi contra os alemães o que não vinha sendo na Copa. Marca, arma, chega na área, finaliza, pensa o jogo. Parecia cansado. Ou travado pelo esquema de Del Bosque. O fato é que jogou demais contra os alemães. Como normalmente brilha pelo Barça, e foi o destaque eleito na Euro-08. O tiki-taka espanhol (jogo rápido de troca de passes) passa por Xavi. Se ele está bem como esteve na semifinal, a bola é espanhola. Se ele não está bem como não esteve nas partidas iniciais, a Espanha refuga. Ainda mais um time tão técnico e entrosado pela base do Barcelona. Ideia e ideal do jogo nascidos com o Barça ironicamente holandês, a partir de 1971. Quando Rinus Michels chegou ao clube, dois anos antes de Johan Cruyff. Moldando uma ideia de futebol que até hoje perdura, passando pelo próprio Cruyff treinando o Barça multicampeão da primeira metade dos anos 90. Passando por Van Gaal, nos anos 90, e por Rijkaard, campeão da Europa, em 2006. Essa ideia ainda norteia o grande Barcelona de Guardiola. Ele jogando o que jogou contra os alemães, e o que não deixou o ótimo rival jogar, ele faz a diferença. Para tanto, De Jong terá de marcar tudo que nem sempre consegue. É um volante comum. Como foi o seu substituto De Zeeuw, no primeiro tempo contra os uruguaios. Uma alternativa mais difícil de ser usada é Van der Vaart. Mais recuado, como volante, em muitas vezes, fez ótima Euro-08. Contra o Uruguai, não foi bem. E não parece ser o melhor caminho. Mesmo que qualifique a saída de jogo, mesmo que tente empatar tecnicamente o meio-campo, não parece ser a melhor solução.

XABI ALONSO X VAN BOMMEL – O volante-direito do Bayern de Munique melhora a cada partida. Não apenas como volante do 4-2-3-1 usual holandês, ou como quarto meia, pelo centro-direita, no 4-1-4-1 eventual de Van Marwijk. Fará um duelo interessante com Xabi Alonso. O madridista não é veloz. Mas tem um impressionante tiro de longa distância. Sabe passar bem. E é outro que tem marcado bem. A questão é ficar de olho em Van Bommel, e ainda dar um pé a Capdevilla na contenção a Robben. Se tiver pernas e gás para tanto, ao menos uma das tarefas poderá desempenhar. É uma das tarefas táticas de Van Bommel se soltar com a bola e tentar articular o jogo mais vezes.

BUSQUETS X SNEIJDER – O volante do Barcelona colocou no bolso o ótimo Ozil, na semifinal. Terá de fazer tudo isso e muito mais na decisão contra o meu craque da hora – Sneijder. O meia-atacante centralizado do 4-2-3-1 holandês acaba com essa história – ao menos por hora – de que uma imensa temporada derruba um jogador na Copa. Sneijder foi o melhor da Internazionale campeã da Europa, da Itália e da Copa da Itália. E segue jogando tudo isso pela Holanda. O esquema de jogo também ajuda. É o mesmo 4-2-3-1 da Inter. Mas com características distintas. Sneijder é e pode ser mais ofensiva pelo time holandês. Tem feito gols de todos os jeitos, incluindo de cabeça contra o Brasil, e outro na falha conjunta de Júlio César e Felipe Melo. Além de pensar o jogo, passa muito bem, e tem chegado ainda melhor. Busquets terá de marcá-lo não apena na cabeça da área. Mas também segui-lo pelos cantos, com a ajuda eventual de Xabi Alonso ou dos dois laterais, sempre adiantados pela zaga espanhola.

CAPDEVILLA X ROBBEN – O lateral-esquerdo do Villarreal não é grande coisa. Apoia direitinho. Mas não marca bem e não gosta de assumir responsabilidades. Vai ter de se virar contra o melhor ponta-direita do mundo. Um, porém, que anda devendo bola na Copa. Voltando de lesão, sente a falta de melhor ritmo. Mas sentirá mais a Espanha se não o blindar. Apenas Capdevilla parece pouco. Xabi Alonso seria o back-up. Mas ele terá Van Bommel para marcar. É o caso de a Holanda avançar seu volante pela direita para atrapalhar a marcação espanhola pela esquerda.

SERGIO RAMOS X KUYT – O atacante holandês faz ótima Copa. Não é craque, jamais será. Mas corre, marca, cerca, cruza. Só não tem boa finalização. Por isso melhor ele longe da área. O problema é que, com isso, ele acaba ocupando a posição melhor de Van Persie, que não está se sentindo bem de costas para a meta. No entanto, para cercar o apoio do lateral-direito espanhol que avança bastante, é boa a opção de deixar Kuyt por ali.

PIQUÉ + PUYOL X VAN PERSIE – A zaga espanhola não é uma beleza – o que seria muito difícil, em todos os sentidos, pela presença de Puyol. Mas a dupla catalã treina e joga junto, e bem, pelo Barça. Se atuam muito à frente, adiantados, como adoram os espanhois (e o que é péssimo para enfrentar ataques rápidos como os holandeses), têm no entrosamento uma grande vantagem. Até pelo ótimo momento de Puyol. O trabalho pode ser facilitado pelo mau momento físico e técnico de Van Persie, dificultando pela posição tática dele. Claro que tudo pode mudar de um jogo a outro, como aconteceu com próprios espanhois.

CASILLAS X STEKELENBURG – O holandês fez belas defesas contra eslovacos e brasileiros, e voltou a ser o goleiro irregular no gol de Forlán. Não é confiável. Diferentemente do melhor goleiro da Copa, o madridista Casillas. Cada vez melhor, rodado e experiente, vive o auge. E é outro fator que dá maiores chances aos espanhois.

Holanda no 4-2-3-1 usual, que pode virar 4-1-4-1 com o avanço de Van Bommel; Espanha em algo que varia do 4-1-4-1 ao 4-2-3-1

Era Dunga – Crepúsculo

domingo, 4 de julho de 2010

Antes do balanço do treinador na Copa:

Por que, pela primeira vez em 21 anos, a CBF trabalhou num domingo?

Por que, pela primeira vez na história do site da entidade, uma nota tão importante publicada num domingo?

Por que um profissional sério (por vezes demais) e correto (nem sempre) foi demitido pela internet, no dia em que chegou ao Brasil, e depois de duas linhas lacônicas e muito mal educadas, que desrespeitam qualquer pessoa, ainda mais alguém que desde 1983 serve tão bem o futebol brasileiro?

Mas, no fundo, qual a surpresa?

Ricardo Teixeira é isso. Ouve o clamor das arquibancadas e o clarim da imprensa só para colocar um treinador no cargo. E o despede sem se despedir.

Não é novidade.

Qual o melhor nome para o lugar de um Dunga que não deveria ficar – e nem ser demitido assim?

Felipão.
Mas, homem de palavra, o penta mundial fica na nova-velha casa palmeirense.

Quem, então, para 2014?

Como Ricardo Teixeira, quase sempre, não tenho a menor ideia.

Só sei que precisa ser razoavelmente rápido o anúncio do novo treinador – preferencialmente, alguém que não seja tão novo assim. O Brasil precisa se preparar como Brasil para 2014. E mais ainda: para ser campeão onde só ele, campeoníssimo mundial, não foi: em casa. E depois de duas decepções de Copas. E sem Eliminatórias a disputar, o que é sempre muito ruim.

Mas ainda o potencial futebolístico brasileiro é enorme. Ainda é o maior do mundo. Mesmo quando tenha sido reduzido pela ideia um tanto tacanha do comandante. Que fechou demais um grupo, não o abriu para necessárias e salutares renovações, e acabou perdendo um jogo perdível. Perdendo gente importante, sem ter com quem repor pelas limitações severas de seu crédito bancário. Boas opções em 2007 que não se repetiram em 2010. Como, aliás, quase todo o mundo que já foi brasileiro esperava pelas infelizes escolhas do selecionador Dunga.

Pai Dunga exagerou na paternidade e na mão firme do grupo. Se ninguém se perdeu pela língua nas entrevistas exageradamente regradas e fechadas, também pouco se viu de alegria e relaxamento nas folgas espartanas. Atleta também é gente. Futebolista brasileiro também é artista. Precisa esticar os membros. Precisa folgar para não parecer aquela mistura de Robinho com Demônio da Tasmânia e Doutora Havanir contra a Holanda. Ou, em resumo, não precisa trocar as bolas e os ossos rivais como um Felipe Melo sem freio. Campeão absoluto do prêmio Ferro-Play da Fifa.

Se Dunga acertou ao não conceder privilégios, erraram com ele ao não dizer que alguns privilégios eram contratuais. Se Dunga sempre quis o melhor para o Brasil até para evitar o circo de Veggis, errou ao armar um cerco que enclausurou a família. Se evitou rusgas, criou atritos desnecessários que só acirraram um ambiente de fato bom. Melhor até mesmo que o futebol que acabou devedor em 45 minutos fatais.

Como acontecem com as boas famílias, Dunga.

Como também aconteceu com aqueles times que você não gosta, os de 1982 e 1986.

Equipes, porém, que saíram melhor que a de 2010.

E deixaram muito mais lições e imagens positivas.

Mas, mesmo assim, para um treinador iniciante, o saldo final é muito bom.

Só não é melhor porque não há como vencer sempre.

Mas, no Brasil, sempre será mais fácil vencer jogando brasileiro. Com alegria. Com comprometimento. Com coerência. Com tudo que você bem sabe, Dunga. Mas que, infelizmente, nem sempre acontece num time e numa Copa. Ainda mais com alguns nomes incertos. Com algumas atitudes nem sempre felizes.

Não há como vencer sempre. Mas sempre parecia haver um jeito de vencer melhor com essa geração. E com boa gente que ficou de fora, no Brasil. Como o Brasil ficou de fora do mundo, em 2010.

Brasil 2010 – Balanço final

sábado, 3 de julho de 2010

TRABALHO EM PROGRESSO. EDITANDO ENQUANTO COMENTO JOGOS DA COPA PELA RÁDIO BANDEIRANTES. OS NOMES QUE FALTAM AINDA SERÃO EDITADOS

JÚLIO CÉSAR – NOTA 7 – Pouco abaixo do esperado. Um dos melhores, se não o melhor goleiro do planeta. Mas foi infeliz no gol de empate holandês, na confusão com Felipe Melo, que também o atrapalhou. No mais, como sempre, um goleiro confiável uma liderança positiva. Infelizmente, como costuma acontecer em partidas para esquecer, não era a melhor tarde de JC. Ainda assim, dos melhores goleiros da Copa.

MAICON – NOTA 7 – Na ótima média usual. Cresceu com o Brasil na marcação. Um golaço na estreia, mas uma desatenção que resultou no gol norte-coreano. Melhorou nas demais partidas, e fez um grande primeiro tempo contra os holandeses, dando poucas chances a Kuyt, e ainda voando pela ponta direita. Dos melhores laterais da Copa, pela bola que joga, e pelo físico impressionante.

LÚCIO – NOTA 8 – O melhor zagueiro-direito do Mundial. Melhor brasileiro contra Portugal, teve só uma falha contra a Coreia do Norte. No mais, uma excelente Copa. Mais uma. Foi o melhor brasileiro em 2000-10. Manteve o ótimo nível. Uma pena.

JUAN – NOTA 8 – O melhor contra o Chile. Mais atarefado que Lúcio por ter de cobrir Michel Bastos e Felipe Melo. Sem culpa nos gols holandeses, ainda quase deixou um dele no primeiro tempo, e salvou outros dois holandeses, na segunda etapa. Outro que manteve o nível, e fez o Mundial que dele se esperava.

MICHEL BASTOS – NOTA 4 – Foi muito bem contra o Chile, contra o ótimo Alexis Sánchez. Contra Robben, cometeu ao menos 3 faltas para cartão. Ficou uns 20 minutos além do recomendável em campo, pela teima de Dunga, que ainda não havia aprendido com os erros dos cartões recebidos a Kaká e Ramires, por inexperiência do treinador. Jogou 10 minutos como meia aberto pela esquerda, quando Gilberto entrou contra os chilenos. No mais, o lateral mediano que foi em toda carreira. Um bom ala na França. Mas não o lateral que o Brasil precisava numa Copa do Mundo. Menos ainda para marcar Robben. Por mais que tenha um bom primeiro tempo, com a ajuda de Felipe Melo e Juan, ainda assim não poderia se sair bem no Mundial. Ainda mais com a assessora que fazia pergunta encomendada em entrevista coletiva. Mas a culpa não é dele por não jogar bem na função que não era dele. A responsa, no caso, é do treinador que o escolheu. Se não tinha grandes opções para a lateral esquerda brasileira, ainda assim tinha melhores que Michel e Gilberto.

GILBERTO SILVA – NOTA 6 – Dá para dizer que não decepcionou. Fez uma boa Copa. Muito boa partida contra o Chile, quando anulou Mark González e, depois, travou Valdivia. Contra a Holanda, fez um ótimo primeiro tempo, como todo o Brasil, contra o excelente Sneijder. Depois, o homem que ele deveria ter marcado fez dois gols: nenhum, porém, por responsa dele; no primeiro, Michel Bastos deixou Sneijder cruzar, JC e Felipe Melo se atrapalharam, e a Holanda empatou. No segundo, Felipe largou o catatau meia holandês para virar o placar. No mais, uma boa Copa, Sem muitos problemas contra Hong, na estreia, bons e tranquilos jogos contra os trancados e recuados marfinenses e portugueses. Ao final das contas, uma passagem vencedora pelo Brasil em 3 copas.

FELIPE MELO – NOTA 5 – Capaz de um passe espetacular para Robinho abrir o placar nas quartas-de-final. Incapaz de manter o equilíbrio psicológico durante as partidas, e mesmo tático. Bobeou com menos de um minuto no segundo tempo, atrapalhou-se com JC no empate, não marcou Sneijder no desempate, e ainda chutou duas vezes Robben antes de pisá-lo, caído no gramado de Port Elisabeth. E o pior é que Felipe Melo ainda disse que não merecia ser expulso… Infelizmente, Felipe Melou o sonho do hexa. Mas não se pode demonizá-lo. Se não era mesmo a melhor opção como volante pela esquerda do Brasil (outra responsabilidade de Dunga), também não era o horror com que ele maltratava os rivais e, por vezes, a Jabulani. Teve ótimos momentos com a Seleção. Mas foi se perdendo (e a cabeça também) pela Juventus, em 2009-10. Chegou mal das pernas e da bola. E manteve o mau momento pelo Brasil.

ELANO – NOTA 7 – Caso típico e raro de jogador que atua melhor pelo Brasil que pelo clube. Talvez não fosse o caso de levá-lo para o Mundial. Menos ainda escalá-lo como titular. Mas foi muito bem, com dois gols e boa movimentação, além de dar um pé atrás. Outro que foi melhor que a encomenda. E o Brasil sentiu sua ausência, até pelo desempenho decepcionante de Daniel Alves.

KAKÁ – NOTA 5 – Não estava fisicamente perfeito. Compreende-se. Mas, ainda assim, poderia se esperar mais. OK, Dunga não deu um companheiro de nível e de bagagem a ele – Ronaldinho Gaúcho. OK, não tinha um substituto à altura – Ganso ficou pelo Brasil. Apenas Júlio Baptista era pouco, quase nada, como nada foi contra Portugal. E o resultado foi abaixo do esperado. Contra a Coreia do Norte, poucos se salvaram. Sem ritmo, ele não foi bem. Nos 3 a 0 contra Costa do Marfim, deu o primeiro gol, e participou ativamente dos gols e nos melhores lances brasileiros. Pena que tolamente perdeu a cabeça e, mesmo expulso injustamente, só não foi mais infantil que Dunga, que não o sacou de campo. Perdeu um jogo e mais ritmo. Ainda assim foi bem contra o Chile, e, contra a Holanda, só quase fez um golaço, muito bem defendido por Stekelenburg. Enfim, muito pouco para tanto jogador. Só não digo que Kaká decepcionou porque, honestamente, pela temporada que teve, pelos problemas físicos, não esperava tanto. Mas, claro, é mais que ficou devendo, pelo conjunto da obra, e pela responsabilidade de um camisa 10.

ROBINHO – NOTA 7 – Muito bem contra a Coreia do Norte, discreto contra a Costa do Marfim, não atuou contra Portugal. Bem contra o Chile, um ótimo primeiro tempo, um gol e a melhor jogada do Mundial aos 30 minutos, contra os holandese, quando comeu dois, serviu Luís Fabiano que, de taquito, deixou Kaká quase marcar um golaço. Pena que se perdeu emocionalmente, dava mais broncas que doutora Havanir com azia. E acabou não ajudando. Entendo que, na média, fez um bom Mundial. E fez as chances que criou. Ainda assim continua não sendo todo o jogador que poderia ser. Ou que aparentava ser.

LUÍS FABIANO – NOTA 6 – Esquecido na má estreia brasileira, foi o Man of the Match na ótima partida contra Costa do Marfim, com dois belos gols – incluindo o mais lindo e irregular que já vi. Contra Portugal, ele e o Brasil se pouparam. Fez boa partida contra o Chile. E, além do belo lance já descrito, teve apagadíssima atuação contra os holandeses. Mais bateu que jogou. Pelo que jogou, pelo que joga, decepcionou. Ou apenas confirmou o que ótimas partidas pelo Brasil em 2008 e 2009 confundiram: é um senhor atacante. Mas não um titular absoluto da Seleção numa Copa.

GOMES – Não jogou. E quando esteve em campo nos amistosos pré-Copa, foi muito bem.

DONI – Só treinou. Ao que se sabe, porque não era possível ver os treinos.

DANIEL ALVES – NOTA 4 – Titular e discreto contra Portugal. Idem contra Chile. Idem contra a Holanda. Afunilou, mais correu que pensou, bem menos jogou do que sabe. Pelo que poderia jogar como o terceiro meia do 4-2-3-1, eventualmente até como lateral-esquerdo, decepcionou.

THIAGO SILVA E LUISÃO – Zagueiros reservas não atuaram, e nem precisariam, pela qualidade dos titulares.

GILBERTO – NOTA 4 – Entrou duas vezes na posição que só Dunga ainda o enxerga – como lateral. E não entrou bem nas duas vezes. Não era o caso de ter sido convocado como lateral – onde não joga mais. E nem mesmo como meia – onde não vinha jogando bem pelo Cruzeiro.

JOSUÉ – NOTA 4 – Não era para ter sido convocado. Não era para ter sido escalado contra Portugal. Mesmo se ainda fosse o Josué do São Paulo e da temporada anterior pelo Wolfsburg, não era o caso. Não foi.

KLEBERSON – NOTA 4 – Poderia ter sido a opção para Felipe Melo. Se fosse o de 2002. Ou aquele antes de machucar no ombro, em 2009. Não o volante reserva do Flamengo, que só jogou bons 45 minutos contra o Corinthians, no Pacaembu. Quase nada para servir uma Seleção desservida no meio-campo, mesmo lotada e loteada de volantes

RAMIRES – NOTA 7 – Foi melhor que todos contra a Tanzânia. Entrou muito bem contra o Chile – mas levou amarelo tolo – tão infantil quanto Dunga, que o manteve em campo, e acabou o perdendo para o jogo decisivo contra a Holanda. Daria muito mais qualidade, velocidade e saída de jogo para o Brasil. Marcando tanto quanto Felipe, batendo muito menos, e jogando muito mais.

JÚLIO BAPTISTA – NOTA 4 – Mal jogou muito mal contra Portugal. E não fez o que poderia. Também porque não poderia. Não era a alternativa para Kaká, mesmo com Kaká jogando tão pouco.

NILMAR – NOTA 7 – Entrou muito bem contra Portugal, atacando, armando e até marcando. Deveria ter sido usado mais vezes. E só jogou na dele quando a Holanda havia virado o placar.

GRAFITE – Jogou pouco tempo. Como havia jogado pouco tempo contra a Irlanda e mesmo assim veio ao Mundial onde fizeram falta Neymar e Ganso.

DUNGA – NOTA 6 – Depois comento mais. Mas dá para dizer que se perdeu mais fora que dentro de campo. Mais nas palavras que nos atos.

Uruguai 1 x 1 Gana (4 x 2 nos pênaltis)

sábado, 3 de julho de 2010

Eles fizeram o Maracanazo-50. Ele criaram o vuvuzelazo 2010, quando fizeram o segundo dos 3 a 0 na África do Sul. Agora, no Soccer City, recriaram o Vuvuzelazo Parte 2: A Morte das Estrelas Negras de Gana. Quando a África parecia ser “Baghana Baghana”, o Uruguai fez de novo. E sem o capitão Lugano, fora de combate com meia hora. E sem Luis Suárez, que foi muito mais goleiro que Muslera, impediu o gol da vitória africana no penúltimo lance, foi expulso, e nem viu a bola de Gyan explodir no travessão, no primeiro pênalti, digamos assim, da disputa que se seguiu depois, na outra meta.

Quando Muslera enfim se deu bem, defendeu dois (um deles muito bem), e Abreu deu a tradicional cavada para refazer a história uruguaia numa semifinal de Copa. Voltando a 1970, quando tinham um senhor time. Diferente dessa equipe que mudou taticamente mais uma vez (começou num 4-4-2), acabou no 4-3-2-1 que tem dado mais certo, criou as mesmas chances de Gana, e foi mais feliz na profunda infelicidade de Gyan. Homem de caráter. Que mandou pelos ares na prorrogação o pênalti da classificação, e mandou no ângulo o seguinte, já valendo para a disputa.

Gyan foi enorme. Melhor também que Gana, que achou o primeiro gol aos 46, num tiro de longe, de efeito e de Jabulani de Muntari, que até agora Muslera ainda não pulou na bola. Uruguai que empatou numa bela falta de força, efeito e Jabulani de Forlán, com a ajuda do goleiro que se antecipa em todas as bolas – principalmente as que não deve – Kingson.

Jogo lá e cá. Igual. Típico para pênaltis. Que foram uruguaios. Na raça charrua de um povo abençoado pela entrega comovente de um time que, mais uma vez, não é um esquadrão. Não é melhor que Alemanha ou Argentina, quem cair hoje. Que é inferior ao Brasil. Não é melhor que Portugal. Mas será ao menos um dos quatro melhores da Copa, não necessariamente do mundo. Não tem nada demais esse Uruguai. Ao não ser o fato que o Uruguai é sempre demais.

BRASIL 1 X 2 HOLANDA – AO VIVO – Felipe Melou

sexta-feira, 2 de julho de 2010

PRIMEIRO TEMPO

Grande primeiro tempo. Melhor o Brasil, que criou 4 chances contra apenas uma rival. Também porque Robben foi encaixotado por Michel Bastos que bateu demais, por Felipe Melo que deu belíssimo passe para o gol de Robinho (o melhor do primeiro tempo), e pelo imenso Juan. Sneijder teve poucas chances com Gilberto Silva. Lúcio anulou Van Persie, e Maicon voou para cima de Kuyt.

Van Bommel teve a liberdade para virar muito mais um meia num 4-1-4-1. Mas pouco criou. O Brasil foi bem melhor no ataque, no contragolpe, e teve a mais sensacional jogada do Mundial, num come de Robinho em dois pela ponta esquerda, o toque de letra de L.Fabiano para Kaká tirar do goleiro, que fez defesa sensacional. Bonita como a partida que o Brasil faz, e deve repetir no segundo tempo. É só não recuar, manter o rodízio entre Kaká e Robinho, e seguir encaixotando Robben.

Equipes como sempre, no 4-2-3-1. Mas Mathijsen sentiu no aquecimento, e entra Ooijer, mais lento e pesado, embora melhor no jogo aéreo

SEGUNDO TEMPO

Era Felipe Melo.

Deu o belo passe para o gol, mas, em menos de um minuto, brincou e quase deu o empate. Numa falta estúpida – mais uma de Michel Bastos, pedindo para ser expulso e Dunga pedindo para ser criticado -, cobrança rápida, Sneijder jogou na área, Felipe Melo atrapalhou Júlio César (QUE TAMBÉM FALHOU, DEVER RECONHECER, AINDA QUE TARDIAMENTE), tocou na bola, e fez contra. Dunga enfim sacou Michel, mas só tinha outro lateral adaptado e sem ritmo – Gilberto. Quando o Brasil seguia mais nervoso, levou a primeira virada em Copas de 1998. Com um gol de cabeça do homem mais baixo em campo – Sneijder, solto na área por Felipe Melo.

Então Dunga sacou o único atacante – que pouco fazia – e deixou Nilmar para ganhar as bolas de cabeça…

REÍNICIO DE JOGO

Van Bommel ficou um pouco mais atrás, e a Holanda veio para cima. Mas Felipe e Michel caíram como todo o Brasil, e o gol de empate o time entrou em parafuso

16min do 2o. tempo

Com Michel Bastos pedindo para ser expulso - ele nunca foi lateral confiável, e não vinha sendo -, Dunga demorou para sacar Michel e escalar um ex-lateral que não vinha bem como meia

27min do 2o. tempo

Nilmar no lugar de Luís Fabiano, Robinho mais próximo, mas um buraco ainda maior pela ausência de Felipe Melo

MANO A MANO – Uruguai x Gana

quinta-feira, 1 de julho de 2010

FAVORITO – Uruguai. Na técnica, na raça e no preparo físico superior – além de Gana ter jogado depois, e 30 minutos a mais que os uruguaios, eles já não estavam tão bem fisicamente no segundo tempo dos jogos contra alemães e norte-americanos.

ESQUEMAS TÁTICOS – 4-3-2-1 uruguaio x 4-2-3-1 ganês.

LUIS SUÁREZ X VORSAH + MENSAH – Sem o suspenso Jonathan Mensah, o zagueiro (e também volante) do Hoffenheim Vorsah deve ser o companheiro de zaga de Mensah, do Sunderland. Suárez vive ótimo momento. Também é bom de cabeça. A zaga de Gana é boa. Mas não melhor que o artilheiro do Ajax.

FORLÁN X ANNAN – Sem o lesionado Essien, Gana perde qualidade, vitalidade e experiência. Ponto para o meia-atacante uruguaio, que tem atuado mais recuado desde os 3 x 0 na África do Sul.

CAVANI X KEVIN-PRINCE BOATENG – O meio-irmão do lateral-esquerdo alemão quebrou Ballack. Mais bate que joga, embora saiba chegar à frente, como no belo gol contra os EUA. Mais recuado que o usual, Cavani tem sido o ponto mais frágil do tridente uruguaio. Empate tático e físico.

PÉREZ X SARPEI – O volante pela direita uruguaio mais marca que joga. O lateral-esquerdo africano apoia menos. Vão se marcar num duelo tático.

ÁLVARO FERNÁNDEZ X PAINTSIL – No Porto, o meia pela esquerda uruguaio é mais ofensivo. Na seleção, é muito mais um terceiro volante pela esquerda. Machucado, dá espaço para o xará Fernández, mais franzino, destro, que prefere jogar do outro lado. Tem melhor chegada, mas precisará marcar mais que jogar. Vai fazer um duelo mais direto com o lateral ganês, que não apoia tanto. Álvaro, como Pérez, também terá de ficar esperto na cobertura ao meia aberto pelos cantos, no 4-2-3-1 de Gana.

ARÉVALO RÍOS X ASAMOAH – Nos últimos 2 jogos uruguaios, eles trocaram de função, Pérez e o esforçado volante do Peñarol. Devem fazer o mesmo contra o rápido e forte Asamoah, o meia-atacante centralizado, que muitas vezes encosta em Gyan. Outro duelo tático e físico interessante.

FUCILE X INKOOM – O lateral-esquerdo uruguaio também atua com eficiência na lateral direita. Está muito bem e deve fazer duelo interessante contra Inkoom, boa opção de velocidade pela direita.

MAXI PEREIRA X MUNTARI – Veterano de 2006, campeoníssio pela Internazionale (mesmo como reserva), Muntari não faz boa Copa. Só começa o jogo pela suspensão do melhor ganês, o filho de Abedi Pelé, o meia-atacante Andre Ayew. Mas é por ali que Gana pode fazer a diferença. Maxi é pesado. É melhor como ala que como lateral.

LUGANO + VICTORINO X GYAN – Lugano faz grande Copa. Victorino, não. Gyan poderá cair mais pela direita, explorando o reserva do lesionado Godín. Lugano terá de jogar por dois.

MUSLERA X KINGSON – O goleiro ganês melhor muito. O urugaio, não. Não é um grande duelo. Mas a ligeira vantagem é africana.

Uruguai no 4-3-2-1 contra Gana no 4-2-3-1. Maiores chances sul-americanas

MANO A MANO – Raio X de BRASIL X HOLANDA

quarta-feira, 30 de junho de 2010

LUÍS FABIANO X HEITINGA + MATHIJSEN – Vantagem absoluta do atacante brasileiro sobre a baixa e lenta zaga holandesa. Heitinga (número 3, apenas 1m80, Everton, 27 anos) pode atuar como volante ou como zagueiro pela direita. É um bom jogador. Como o zagueiro-esquero Mathijsen (4, 30 anos, 1m85, Hamburgo) também é eficiente. Mas nada demais. Sabe jogar como lateral-esquerdo, mas é no miolo de zaga que é mais eficiente. Mas nem tanto no jogo aéreo, muito menos por baixo. As triangulações de Kaká com Luís Fabiano que criaram belos gols contra Costa do Marfim e Chile terão espaço contra os holandeses. Pela fragilidade do miolo de zaga, e também pela pouca proteção dos volantes Van Bommel (muito mais um armador recuado) e De Jong.

ROBINHO X VAN DER WIEL – O lateral-direito do Ajax (2, 22 anos) sabe apoiar, na mesma escola e estilo de Reiziger. Mas marca menos. Com a bola, Robinho precisará ficar esperto no cerco, como tem feito pelo Brasil – como muito bem fez Nilmar contra Portugal. Marcando, porém, a vantagem será do brasileiro. Principalmente se mantiver a intensa movimentação a partir da esquerda, trocando de lado com Kaká, que tem saído bem pela esquerda, no segundo tempo dos jogos.

KAKÁ X DE JONG – Volante de 25 anos do Manchester City, marca duro, tem um passe correto, mas nada demais. Baixo (1m74), desde a Euro de 2008 atua na função. Antes com Engelaar, agora com Van Bommel. Ainda um problemático meio-campo, que não dá segurança à discutível dupla de zaga, e a um goleiro igualmente instável. É mais provável que ele, que joga mais à esquerda, e, por vezes, um tanto mais atrás que Van Bommel, quem deverá seguir Kaká, no primeiro tempo. Ou Robinho, no segundo tempo.

DANIEL ALVES X VAN BRONCKHORST – Sem Elano, daqueles casos raros de jogadores que atuam melhor pela Seleção que pelo clube, a alternativa mais equilibrada e entrosada é Daniel Alves. Mesmo que o lateral baiano não esteja tão bem assim das bolas. Ainda não foi o que tem sido usualmente pelo Brasil. Uma alternativa seria o suspenso Ramires. Nilmar entrou bem em Portugal e saberia desempenhar a função de terceiro meia à direita, ainda que mais à frente que Elano. Mas Dunga está correto em manter Daniel Alves. Contra o veterano lateral-esquerdo Van Bronckhorst (5), 35 anos, do Feyenoord. Ele virou lateral no Barcelona de Rijkaard. Poderia ser o volante pela esquerda que já foi, mas não mais o meia que tentou ser. Sem tanta velocidade, mas ainda com boa técnica e experiência, pode travar bom duelo com o baiano. Mas se Daniel não afunilar tanto, se apostar na velocidade, é mais um duelo a ser vencido pelo brasileiro.

GILBERTO SILVA X SNEIJDER – O volante brasileiro tem atuado cada vez melhor. Colocou no bolso Mark González, no primeiro tempo, e ajudou a blindar Valdivia, na segunda etapa. Está muito bem. E precisará estar nos cascos para segurar um dos principais armadores da Copa e do mundo. O holandês Sneijder (26 anos, campeoníssimo em 2009-10 pela Internazionale) vive grande fase. Movimenta-se muito – e bem-, pensa e passa o jogo, finaliza cada vez melhor. Pela dinâmica, pode cansar o veterano Gilberto Silva. É um nome para desequilibrar o clássico.

FELIPE MELO OU JOSUÉ OU KLEBERSON X VAN BOMMEL – Ramires entrou muito bem como volante pela esquerda. Pena que fez falta tão tola e infantil quanto a teima de Dunga em deixá-lo em campo com 3 a 0 no placar contra o Chile. Sem ele, Felipe Melo é a melhor – ou menos pior – alternativa. Porque não precisa só ficar de olho no volante-direito holandês. É preciso ser o back-up para Michel Bastos na contenção a Robben. Talvez por isso Felipe seja melhor que Josué, que não é mais o mesmo. E, mesmo quando não estava no auge, não era todo esse volante. Se Felipe conter o pé e não se perder e não pedir para ser expulso, é o menos pior nome. Já que Kleberson não vive grande momento, e é muito mais um armador para sair para o jogo que o necessário segundo volante.

MICHEL BASTOS X ROBBEN – Um dos piores negócios da história do Real Madrid (ao vendê-lo por apenas 25 milhões de dólares para o Bayern de Munique), o ponta-direita Robben é dos melhores jogadores do mundo em 2010. E já era dos melhores do planeta desde que estourou na Euro-04. Não fossem tantas lesões, já seria tudo que tem sido. Aquele cara que, ao receber a bola no primeiro tempo, contra a Eslováquia, recebeu um comentário do narrador Carlos Fernando, no Bandsports, que cantou a bola antes do golaço. Lance que ele mesmo já havia dito que aconteceria. Jogada que eu e o repórter André Coutinho, da Band News FM, cantamos como gol no início da jogada. Batata. Todo mundo sabe que Robben faz isso. Mas quem é que sabe como pará-lo quando ele deriva da direita para o centro e bate com imensa categoria, precisão e força? Só Messi tem sido tão letal. Só a dupla tem sido mais “previsível”. O duro é evitar tudo isso com Felipe Melo na cobertura, e apenas Michel Bastos na lateral. Mesmo que o lateral discutível adpatado por Dunga tenha se saído muito bem contra o ótimo Alexis Sánchez.

MAICON X KUYT – Corre muito, marca bastante, chega bem ao fundo, mas finaliza como se fosse o fim do planeta. Pela esquerda, foi bem contra os eslovacos, e pode aportar boas jogadas em diagonal. Também deve seguir Maicon até o fim. O atacante do Liverpool dá velocidade ao ataque, e ajuda na contenção. Mas perde o duelo para Maicon. Fácil.

LÚCIO + JUAN X VAN PERSIE – A melhor dupla de zaga da Copa deve engolir o perigoso Van Persie. Excelente atacante, mas não um grande centroavante do 4-2-3-1 holandês. Por vezes, contra os eslovacos, trocou de função com Kuyt, explorando bem a pancada de canhota. Não tivesse se machucado tanto pelo Arsenal, talvez estivesse em melhor momento na carreira. Mas é alto, tem boa velocidade, e não pode ter espaço. O que normalmente não concedem Lúcio e Juan. Este também atento a Robben. Na categoria e entrosamento, mais uma vitória brasileiro no mano a mano.

JÚLIO CÉSAR X STEKELENBURG – O goleiro do Ajax não é ruim. Mas não é tão bom como foi contra a Eslováquia. É um goleiro comum. Diferente do cada vez melhor e mais confiável Júlio César, mesmo com as costas daquele jeito.

SALDO FINAL – O Brasil tem mais time e entrosamento. Pode não ter hoje dois jogadores em grande fase como Robben e Sneijder, mas é uma equipe mais equilibrada. E sabe explorar muito bem o contragolpe que a Holanda, tradicionalmente, concede a qualquer time brasileiro – para não dizer qualquer rival. Como a defesa holandesa não é boa como a nossa, o Brasil está um nível acima dos rivais.

Ambas as equipes atuam no 4-2-3-1

Espanha 1 x 0 Portugal

terça-feira, 29 de junho de 2010

O melhor time ganhou. Teve o dobro de chances que um rival que empacou e empatou com o Brasil, e repetiu o mesmo acanhado 4-1-4-1. Esperando uma Espanha que mais uma vez não foi brilhante. Mas foi melhor, teve mais a bola, mais chances, e vai longe na Copa, até pela chatice paraguaia.

Quando espelhou taticamente o 4-1-4-1, ganhou no conjunto e na qualidade individual.

Mas, para mim, o gol de Villa foi irregular. Impedido, pouca coisa, mas impedido.

Seleção 1a. fase da Copa

sábado, 26 de junho de 2010

A pior Copa de todos os tempos tem uma seleção para lá de discutível numa primeira fase indiscutivelmente medíocre.

No meu time, analisando todos os jogos sob minha ótica com 7,5 graus de miopia, 1 de astigmatismo, e mais alguns troços que me impedem de ver tão bem quanto você, os meus 11.

Ah, sim. Poderian entrar o Lúcio na zaga. Quem sabe o Luís Fabiano ali na frente. Mas um time que só fez um jogo realmente digno de Brasil ainda não merece o reconhecimento que terá ao final da competição, cada vez mais com cheiro de Argentina e Brasil.

Um time como não sde vê por aqui: um só volante, 3 meias, e 2 atacantes. O melhor deles, atér agora? Messi. Com Ozil bem perto do genial argentino

MANO A MANO – Brasil x Chile

sábado, 26 de junho de 2010

LUÍS FABIANO X Contreras + Fuentes + Jara – No usual 3-3-1-3 chileno, o trio defensivo do excelente e abusado Marcelo Bielsa é Medel, Ponce e Jara. Mas os dois primeiros estão suspensos pelo acúmulo de amarelos. O que sobra ao treinador argentino é Contreras, zagueiro e lateral-direito do Paok grego, e Fuentes, da Universidad Catolica. Se Medel (número 17), o que marca mais à direita, não é grande coisa, se o o da sobra Ponce (3) também não é, imagine, então, Contreras e Fuentes… Bielsa é o treinador que mais assiste ao futebol, um dos que mais trabalham no limite do exagero, mas não é milagroso. Se ainda tivesse Elías Figueroa, vá lá. Até o equino Mario Soto já serviria para dar algumas pancadas. Mas é pouca zaga para enfrentar um imenso Brasil – se, claro, o Brasil voltar a jogar brasileiro. Ou o que fez em boa parte da vitória contra Costa do Marfim. É jogo para Luís Fabiano, que sempre fez gols importantes contra os chilenos. Uma hipótese também viável para Bielsa é atuar com uma linha de quatro na zaga, prendendo ou Isla, pela direita, ou Vidal, pela esquerda. Esperando mais o Brasil do que fez quando levou de três em Santiago, pelas Eliminatórias. Justamente a dupla que atuou tão mal nos 3 a 0… Para piorar, o zagueiro-esquerdo Jara (18, 24 anos, West Bromwich), é muito baixo – 1m78. O que se especula no Chile, já que Bielsa não dá pistas, é uma zaga a quatro, com Isla e Vidal presos como laterais, o baixo Jara na zaga-esquerda, e Contreras pela direita. O desenho segue abaixo.

A opção pelo 4-2-3-1 também é viável para Bielsa. Com o recuo dos pontas Alexis Sánchez e Beasejour, ele trava Maicon e Michel Bastos.

ROBINHO X ISLA – Até pelos desfalques, difícil saber se Bielsa manterá o 3-3-1-3 ou, se como acontece em quase todas as equipes, irá mudar o esquema para se ajustar ao time brasileiro. A opção de uma zaga numa linha de quatro é viável, também, pelo Brasil jogar com apenas Luís Fabiano na frente. Em todo caso, como lateral-direito ou ala, Isla (4, 22 anos, Udinese) é quem terá de se virar contra Robinho. Fez parte do ótimo time sub-20 chileno no Mundial do Canadá, em 2007. Na Itália, pela versatilidade, tanto atua mais defensivamente quanto ofensivamente, aproveitando-se da vitalidade. Pode jogar nos dois lados, e mesmo mais à frente. Até como volante e zagueiro. É um bom duelo, mas com cheiro de Robinho, se estiver 100%.

KAKÁ X CARMONA – O jovem volante de 23 anos da Reggina italiana (camisa 6) é outro típico jogador chileno. Muito baixo (1m79), mas com boa velocidade. Se bate algo além da conta, tem boa antecipação para fazer sombra em Kaká. Mas não muito mais além disso. Se o meia-atacante brasileiro repetir a partida contra Costa do Marfim (o que pode não acontecer, pela falta de ritmo perdida com a suspensão), é mais um duelo direto brasileiro favorável pela fragilidade defensiva rival.

ELANO X VIDAL – O número 8 é outro que faz várias funções. Pode marcar pelos lados, pode ser um ala ou lateral de bom nível, e sabe jogar no meio-campo. Desde 2007 atua no Bayer Leverkusen. Com 23 anos, já é rodado, tendo feito parte do bom time sub-20 chileno daquela temporada. Quando atuava mais ofensivamente, a ponto de ser vice-artilheiro do torneio sul-americano. Duelo tático e técnico interessante. Com a bola, Vidal vai apoiar. Sem ela, terá de se virar para cercar Elano. Ou Daniel Alves. Ou Ramires. Ou até Nilmar ou Robinho, já que a dupla pode atuar, e bem, pelos lados do 4-2-3-1 de Dunga. Um time mais ofensivo e possível. Desde que não seja um time de Dunga.

FELIPE MELO OU JOSUÉ OU RAMIRES OU KLEBERSON + GILBERTO SILVA X MATÍAS FERNÁNDEZ – Gilberto Silva, pelos números da Fifa, é o brasileiro que mais correu até agora, na Copa. Também porque Felipe Melo (e Josué, no 2o. tempo contra os portugueses) não seguraram a bronca. Contra provavelmente o bom meia-atacante Matías Fernández (24 anos, número 14, nascido em Buenos Aires, e que atua no Sporting), jogador abusado, que sabe armar e entrar por dentro, articulando com os três da frente no usual 3-3-1-3 de Bielsa. É ele o tal “número 1″ chileno. Problema para um Brasil ainda inconstante na marcação à frente da área.

MICHEL BASTOS X ALEXIS SÁNCHEZ – Se o lateral adaptado por Dunga tem muitos problemas contra qualquer atacante que cai por ali, terá ainda mais contra o ótimo chileno, um dos melhores desta Copa e do mundo. “El Niño Maravilla” de 24 anos, da Udinese, é um meia-atacante muito hábil e veloz, que sabe driblar pela direita e por dentro, cruza bem, e entra legal em diagonal. Abusado, foi ele quem ajudou Felipe Melo a se atrapalhar e ser expulso na vitória brasileira no Pituaçu, nas Eliminatórias, por 4 a 2. É o nome ideal para interpretar o 3-3-1-3 de Bielsa. O melhor do time.

JUAN + LÚCIO X VALDIVIA – Os problemas de contusão do bom atacante Suazo deixaram Valdivia no time, mais à frente do que normalmente atua “El Mago”. E assim ele fez boas três partidas, e merece continuar na equipe. Até por repetir característica que o notabilizou no Palmeiras e no Brasil: o drible tão fácil quanto abusado. Se ainda não é um emérito definidor, melhorou bastante, como todo o Chile. Uma boa e sólida partida de Lúcio e Juan pode ajudar a atrapalhar o caminho do mago.

MAICON X BEAUSEJOUR – O lateral brasileiro é dos melhores do mundo e da Copa. O ponta-esquerda chileno é teima típica de Bielsa. Poderia apostar na maior técnica e qualidade de Mark González. Mas como fazia com Kili González na grande Argentina de 2000 a 2002, ele gosta de seu homem pela esquerda ser um armador menos contundente e hábil, mas mais tático e brigador. É o caso do discreto Beausejour, de 26 anos, do América mexicano. Filho de haitiano, é um lutador de boa velocidade e não mais que isso. Mas ajuda a compor o meio e dá um certo equilíbrio tático a um time sempre ousado. Do mesmo jeito que seu treinador.

JÚLIO CÉSAR X BRAVO – Na sexta-feira, veja a saída de Júlio César fechando o ângulo de Raul Meireles. Veja também a saída de Bravo da meta no belo gol de David Villa. Os dois lances são perfeitos. E só JC é do mesmo nível. Bravo é fraco. Apenas 1m83, não tem grande impulsão, nem reflexo. Muita bola para o caminhãozinho dele ter sido apelidado de “Condor Chico”, em homenagem a Roberto Rojas. Pela Real Sociedad espanhola, fez em ferevereiro seu primeiro gol na carreira, batendo falta. Mas um problema no joelho o tirou de campo. E perdeu a forma, que nunca foi nada extraordinária. É mais um facilitador para o Brasil, favorito contra um time bom e atirado no ataque. Mas que não pode fazer milagre sem uma grande defesa, e com apenas um titular – que também não é grande coisa.

DUNGA X BIELSA – El Loco levou 7000 vídeos para a Copa de 2002 – e foi eliminado na primeira fase. Caiu no grupo da morte, e se deu muito mal. Mas tem uma bela história no futebol. O trabalho é excepcional, e soube aproveitar-se da melhor geração chilena nos últimos 20 anos. Por vezes, a vontade em sempre atacar causa estragos, como foi no Nacional, no turno das Eliminatórias. Era um péssimo momento do time de Dunga, e um excepcional chileno. Bielsa veio num ainda mais ofensivo 3-2-4-1. O Brasil foi mais incisivo, na resposta, com Robinho, Diego e Ronaldinho Gaúcho, com L.Fabiano à frente. E uma felícissima jornada no contragolpe brasileiro fez uma senhora vitória de Dunga. Na partida de volta, na Bahia, Bielsa adotou algo que fazia com a Argentina, entre 1999 e 2002: em vez do 3-3-1-3, ele recuava os dois pontas para o meio, e fazia um 3-3-3-1. Algo que também poderá fazer no Ellis Park, segunda-feira.

SURPRESA? MILLAR – O meio-campista de 28 anos do Colo Colo pode pintar no meio-campo chileno. Entrou bem contra a Espanha, e pode ser um jogador livre tanto para dar um pé atrás quanto para armar.

O Chile pode manter a zaga com 3, adiantando Vidal pela esquerda, para bater com Elano. Millar ficaria mais livre, e poderia ser uma saída tática interessante