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Arquivo da Categoria ‘CARIOCAS’

Flamengo 0 x 2 Botafogo

segunda-feira, 4 de março de 2013

Estava na hora de o Botafogo vencer o Flamengo no Engenhão. Só não imaginei que fosse no primeiro minuto, na cortesia de González que Júlio César conferiu. Só não imaginava que fosse no último minuto, com o rápido Vitinho aproveitando o desespero rubro-negro para vencer uma meta sem Felipe, que lá na frente tentou fazer o gol que tanto evitou atrás, e não foi nem a canela brocadora capaz de realizar a façanha.

Jefferson não deixou. A zaga rebateu o que veio. Seedorf e Fellype Gabriel organizaram o que puderam. O melhor time no domingo venceu. O melhor dos últimos dias no Rio ficou pelo caminho. Normal para regulamentos perigosos. Ainda mais natural para equipes em construção. A zaga rubro-negra está longe de ser confiável. A criação do time de Dorival ainda vai melhorar e ganhar ritmo.

Mas não será agora. O Botafogo não deixou. E pode fazer a merecida festa em final equilibrada contra o Vasco.

Adeus, Petkovic – Flamengo 1 x 1 Corinthians

domingo, 5 de junho de 2011

 

Em 27 de maio de 2001, decisão do RJ-01, Petkovic bateu de longe uma falta no ângulo esquerdo do vascaíno Helton. Golaço que garantiu o tri estadual ao Flamengo, na vitória por 3 a 1. Os outros dois gols foram de Edilson, camisa 11 que atuara – e muito bem – pelo Corinthians.

Em 5 de junho de 2011, terceira rodada do Brasileirão, no Engenhão, outro camisa 11 rubro-negro de passagem vitoriosa pelo Parque São Jorge foi bater uma falta de longe, pela meia direita. A bola de Renato Abreu morreu no canto esquerdo da meta rival. Numa cobrança de falta espetacular como a de Pet, em 2001.

Quase tão impressionante como outra batida há 20 anos, em 5 de maio de 1991, no Maracanã, quando o corintiano Neto chutou quase da linha lateral uma falta que entrou no ângulo direito do rubro-negro Gilmar, na vitória paulista por 3 a 2, no Maracanã.

Renato honrou no golaço indefensável para Júlio César o muito que jogou Petkovic no Flamengo. O gol 39 de um clássico equilibrado quase foi na  mítica marca dos 43 minutos, como na final de 2001. O 43 da última camisa de Pet na arrepiante festa que os quase 43 mil rubro-negros presentes propiciaram ao sérvio mais que brasileiro, no intervalo do jogo, durante a volta olímpica final. Eles valeram o ingresso pago, e a entrada de Dejan na galeria rubro-negro como mais um gringo campeão na Gávea.

Como em 2009, quando Pet repetiu na espantosa arrancada para o hexa do Brasileirão o feito de outro mito flamenguista aposentado até renascer campeão (Agustín Valido, herói do tri estadual de 1944), o sérvio calou os não poucos críticos por sua escalação em jogo tão difícil contra o Corinthians. No primeiro tempo de ligeiro domínio paulista, ele foi dos melhores rubro-negros, com lançamentos longos e cobranças perigosas de faltas e escanteios.

O Corinthians mandava no Engenhão desde os 37 segundos, quando Willian e Liedson quase abriram o placar que seria alvinegro aos 18, num belo gol armado pelo (bom) estreante Weldinho, que passou por Egídio como quis para Willian, o meia pela direita do 4-2-3-1 de Tite fusilar Felipe.

O Flamengo cresceu só nos minutos finais do primeiro tempo, mesmo com Ronaldinho e Leo Moura com dificuldades até para dominar a bola. No intervalo, o Flamengo melhorou. Não pela tocante despedida de Pet, mas pela boa entrada de Negueba aberto pela direita, com Bottinelli centralizado. No mesmo 4-2-3-1 do rival, e com mais agilidade com a entrada de Diego Maurício, o Flamengo criou o que só o Corinthians parecia fazer e mandou no jogo. Também pelas lesões que levaram às saídas de Liedson e Jorge Henrique.  Mas que fizeram estrear, e num bom nível, o volante Edenilson e o atacante Emerson Sheik.

Domínio que talvez não fizesse merecedor da vitória, num jogo com um tempo corintiano e outro flamenguista. Mas ao menos para dar a Pet mais um entre tantos pontos que ele conquistou em campo e, principalmente, entre os torcedores rubro-negros.

Muricy Ramalho, ex-Fluminense

terça-feira, 15 de março de 2011

 

Em 1969, começando a carreira de treinador pelo Fluminense do coração e da alma, Telê Santana soube que a direção do clube tradicionalíssimo exigia que os atletas do futebol não mais entrassem pelas célebres catracas reservadas aos sócios. Deveriam adentrar ao clube pelas portas dos fundos. Foi por onde saiu Telê, pulando o muro, para só voltar tempos depois.

Ele entendia que um clube como o Fluminense não poderia tratar daquele jeito os atletas que o representavam pelos campos e pelo mundo. Se os seus comandados não eram “dignos” de entrar pela frente, ele preferia sair pelos fundos.

Muricy não saiu pelos fundos. Mas, em termos, tomou atitude digna e corajosa semelhante a de um de seus exemplos no futebol, de quem foi auxiliar por mais de três anos, no início da vitoriosa carreira de treinador.

Sem as condições pedidas e sugeridas, pegou suas coisas e voltou para perto de casa, do lar, do filho adolescente, da sua vida simples. Porque o Fluminense não entregou aquilo que exigia. E nem era elenco, que o do Flu é muito bom. E nem era salário, que é dos maiores do país. Era um CT. Era um gramado da altura das Laranjeiras. Era a estrutura do campeão brasileiro de 2010. Do mais que centenário Fluminense. Com algumas coisas e situações mais antigas que o próprio clube.

Muricy pode até se acertar com o Santos. Tem casa no Guarujá, é uma cidade que gosta, perto da casa dele.

Mas não será agora.

E, mesmo se for, o que será um acerto para ele, não necessariamente para a turma de Ganso, Neymar e Elano, não se poderá dizer que ele armou tudo para ser mais feliz em São Paulo.

Porque Muricy é daqueles raros profissionais que não pensa só em grana e na estrutura prometida e não entregue.

É um cara de família. Que pensa nela. Que morre de saudade dela.

Mesmo adorando o Rio e o Fluminense, em muitas coisas parecido com o São Paulo de berço, não foi dado o que ele pedia. E o que futebol de alto nível exige.

Muricy tem moral para cobrar.

E o Fluminense que não foi trocado por ele por uma CBF que oferecia ainda menos não pôde dar. E nem pode dele exigir mais. Não só por aquilo que deixou de ser – treinador da Seleção Brasileira. Também por aquilo que o Fluminense deveria ser e ainda não é.

Ainda que se pudesse cobrar mais futebol do time em 2011. Ainda que mesmo assim havia como entender os problemas pela fase de Conca, pela lesão de Fred, pelas carências defensivas. Muricy estava devendo em 2011. Mas o Flu devia mais a ele.

Muricy não vinha sendo muito feliz nas Laranjeiras em todos os sentidos.

Mas é preciso entender e respeitar a escolha dele.

Ainda que desfalcando ainda mais um Fluminense tão debilitado, desfalcado e depauperado na Libertadores onde começara como um dos favoritos. Onde não sei mais onde vai acabar.

Talvez ele pudesse esperar mais tempo para dizer adeus, e não deixar o elenco entregue.

Mas, certamente, o Fluminense tem mais débitos que ele.

1002 gols. 1002 despedidas. Um milhão de obrigados

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Obrigado, Romário.

Em nome do pai Edevair, dos filhos do gol, e dos santos espíritos das arquibancadas, muito grato por ter jogado uns minutinhos a mais no retorno do América à primeira turma do Rio.

Deu mídia? Deu. Deu dinheiro? Vai dar. Deu gosto. Deu. Deu saudade. Deu. Deu dó? Para alguns, sim.

Mas para quem sabe que futebol é muito mais que um gol, deu prazer saber que, só por uns instantes, quem melhor soube o que foi o gol nem precisou fazê-lo.

Obrigado, Romário.

Pela milésima segunda vez. E pelas milésimas despedidas.