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Arquivo da Categoria ‘AMARCORD’

Obrigado, seu Marcos

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

 

Ele não é só um dos melhores goleiros que vi. Mas uma das melhores pessoas que
existem para defender nossas cores e credos. Foram 20 anos pulando os tantos
quilos para nos fazer pular de alegria e orgulho e ficar de joelhos agradecendo
por seus milagres palmeirenses e brasileiros, campeões estaduais, nacionais,
continentais e mundiais.

 

Não por acaso, estreou um ano antes de o clube acabar com os 16 de fila. Quando seu
time voltou a ser Palmeiras. Campeão de tudo. Campeão do Século XX. E, você, Marcos,
um vencedor de primeira. E até de Segunda. Que você é daqueles que não precisam
ser. Bastam estar.

 

Você não precisa de título e de canonização. Você não é santo. Você é Marcos. Marco
plural e singular no amor não só a um clube e à sua gente. Mas ao respeito que
você impõe e fecha questão como quando fecha o ângulo e tranca a sua meta.

 

Ganhando Libertadores e o chavão do jipão, defendendo pênaltis dos rivais, defendendo
seu time até quando ele não tinha mais ataque e nem defesa e nem jeito. Sendo o
São Marcos até quando são tolos os de verde nos campos e arquibancadas. Você é
dez. Melhor: você é 12. Camisa de reserva. Número de reserva de moral.

 

O dia temido chegou. Aquele em que olharíamos para o gol do Palmeiras e você não
estaria na meta onde a Academia de goleiros sempre esteve muito bem servida –
como continuará agora. A gente sabia que essa longa noite sem sonho e sono
chegaria. Mas ainda não estamos prontos. Eu ainda menos.

 

Não sei o que escrever a respeito não só do ídolo, do craque, do goleiro, do
palmeirense, do caráter, da pessoa e, se permitir, do companheiro. Tantos que
até não são verdes já se manifestaram. E ainda vão escrever coisas maiores e melhores.
Mas entre tantas coisas e causos que aprendi só de torcer por você é que não somos
mais que os outros. Mas, como palmeirenses, também não somos menos. Sabemos dos
nossos limites tanto quanto de nossas glórias. Por isso um santo sentiu e ficou
de joelhos pelas dores que em toda carreira o impediram de sair ainda maior do
que já foi. Ainda mais santo. Ainda maior que nosso anjo guardião.

 

Quando eu contar aos filhos do Luca e do Gabriel o que você fez por nós, juro que vou
tentar ser o mais justo aos fatos. Mas ainda assim meus netos vão dizer que é
mentira. Que é um exagero. Que isso tudo é um milagre. E é.

 

Os que creem em São Marcos que nos guarda e no Ademir que nos Guia sabem que não é
preciso ver para crer. Basta torcer.

 

Obrigado, seu Marcos. Votos de felicidade de um devoto desde 1999.

Doutor, eu não me engano… Atlético Mineiro 2 x 3 Corinthians

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

 

Caro Bruno, a vó Dione havia perdido o seu avô João quando você nem tinha um ano. Agora acho que você sabe o que é perder quem te ama sem pedir e perguntar… Do jeito que a gente ama um time. Como o seu avô fez o seu pai Edu ser Corinthians até no leito de morte da mãe.

Primeiro tempo em Ipatinga. Dois a zero Atlético Mineiro. Dona Dione não suportou as dores no hospital. O seu pai Edu estava ao lado dela. O seu tio Joãozinho veio voando de fora do país. E, para piorar, o Corinthians perdendo, quem sabe também a a liderança do turno para o Flamengo. A avó deve ter sentido toda aquela dor machucada no nosso campinho de vida. Chegou ao céu pouco antes de recomeçar o jogo. Deve ter feito o pedido a Ele:

- Meu Deus, para melhorar a vida dos meus filhos e do meu neto Bruno: pelo menos dê uma força lá embaixo. Eu sei que o Atlético Mineiro também precisa de muita oração para sair dessa. Que precisa de uma família tão unida quanto a nossa. Tão dolorida como agora. Sei que o presidente do Galo ainda vai comprar mais um 30 times até o final do ano. Mas, meu Deus, só para ajudar minha família: dê um jeito naquele jogo de Ipatinga. Dê uma alegria pros Almeidas, vai?

E se você não havia entendido como o Corinthians empatou em menos de dez minutos, e completou a virada até o final do jogo, saiba a primeira coisa que o meu velho amigo Edu Almeida me disse, no hospital, de madrugada:

- Você viu a virada do líder, Mauro?

Vi, Edu. E, viu, Bruno: pode parecer estranho. Mas é assim que são os adultos quando falam de futebol. São mais crianças que você. São tão infantis quanto seu João Genésio, seu avô. Ele nasceu corintiano no meio do mato. Foi pra cidade fazer família e dinheiro. Fez amigos pelo futebol que viu todos os domingos da juventude no Pacaembu, e outros tantos dias e noites nos estádios.

“Ver” é força de expressão. Seu João ficava tão nervoso que, quase sempre, acendia o cigarro na barraquinha mais distante da meta de Gilmar ou Barbosinha, e ficava lá ouvindo a partida. Assistir ao jogo? A fé era grande. Mas crer para ver era um passo maior que o Corinthians.

Ele não viu um monte de coisas nos estádios. Aliás, ficou 22 anos sem ver algo de bom pelo Corinthians. Mas ele estava sempre lá. Como a sua avó vai continuar estando com você, Bruno. Cuidando da família e das alegrias. Ajudando lá de cima quando as coisas aqui embaixo não andam ou não jogam bem. Não vai ser sempre que vai acontecer a virada de Ipatinga. Mas sempre vai ser algo especial porque ela vai continuar contigo, Bruno. O melhor jeito de reunir uma família é a fé. Também no futebol ela não se explica.

De tanto ouvir os jogos dentro do estádio, o seu avô João aprendeu a reconhecer gols pelos gritos das torcidas. Sabia diferenciar um grito corintiano do urro palmeirense e do berro são-paulino. Sem ver ele já tinho visto de tudo. E de tanto ouvir gozava os amigos de outras cores fazendo com que ouvissem o “Salve o Corinthians, o campeão dos campeões” pelas ruas do centro de São Paulo.

Contratava uma bandinha para tocar o hino depois das grandes vitórias e títulos. Quando o Corinthians perdia para o Palmeiras, e o troco era inevitável, seu João abria o bolso e pagava em dobro. A banda, fiel como jogador profissional, mandava para escanteio a partitura de “Quando surge o alviverde imponente”. Naquela segunda-feira de vitória do Palmeiras, ninguém entendia aquele hino do Corinthians tocando no Largo São Francisco.

Seu João viu (ouviu) de tudo. O Corinthians fez rir, fez chorar. Fez a vida do seu João, faz a do filho Edu, e fará a do neto Bruno. E faz também a de muita gente boa que ganha a vida para fazer melhor a de corintianos, palmeirenses e torcedores de todas as cores. Por mais que essa mesma gente troque de clube como a gente troca de camisa, por mais que os cartolas troquem o clube como a gente troca dinheiro, a banda do seu João vai continuar passando e tocando o hino do Corinthians.

Agora, seu João e dona Dione vão fazer um barulhão lá em cima, Bruno. Até porque, você sabe como é família: a gente torce sempre por ela. Até quando o seu João é Corinthians, e a dona Dione é Palmeiras. Mas, aqui, ela também torce pela alegria da família. Ela também é Sport Club Almeida Paulista.

Santos 3 x 0 Peñarol – Decisão da Libertadores-62

segunda-feira, 13 de junho de 2011

 

O Santos só uma vez jogou completo na Libertadores-62. Na finalíssima, em Núñez, cancha do River Plate. Só na terceira partida contra o Peñarol Pelé jogou. Bastou. Dois gols Dele, um de Coutinho que a arbitragem deu para Caetano, contra, e o Santos fez a América pela primeira vez. 3 x 0 no Peñarol então bicampeão sul-americano, e campeão do mundo em 1961.

O 4-2-4 santista para encarar o 4-2-4 carbonero. Os laterais não apoiavam, e os lances fluíam pelos lados com dois pontas de qualidade: Dorval entrava mais em diagonal, embora abrisse com dribles a marcação rival; Pepe recuava um pouco mais, e jogava mais aberto pela esquerda. Pelé e Coutinho infernizavam em tabelas, com o Rei se mexendo por todo o campo, e Coutinho saindo bastante da área; na intermediária, Zito e Mengálvio trocavam bastante de lado, e tanto ajudavam uma defesa fechada em Buenos Aires quanto iniciavam, com a bola no chão, ataques e contra-ataques santistas

 

PRIMEIRA BATALHA - No primeiro jogo, no Centenário, em 28 de julho de 1962, o Santos vencera por 2 a 1, de virada. Lima era o lateral-direito da defesa que sofreu o primeiro gol do equatoriano Spencer (ainda o maior artilheiro da história da Libertadores), aos 18 minutos. Mais não sofreu no jogo de ida. Porque a dupla de zaga Mauro e Calvet manteve o padrão. O primeiro, de futebol refinado que valeu o apelido de Marta Rocha pela elegância comparável a da Miss Brasil 1954, limpou a área santista com a categoria habitual, mas também jogando duro quando preciso contra o excelente ataque carbonero. Do lado esquerdo defensivo, Calvet cobria o lateral Dalmo e pouco concedeu à velocidade, malícia e qualidade do rival. Com gols de Coutinho, o Santos venceu em Montevidéu, de virada, por 2 a 1. E sem Pelé. Mas com Pagão. Desses que fazem qualquer um acreditar em todos os Santos naquele período mágico.

SEGUNDA BATALHA - Na volta, na Vila Belmiro, bastava o empate, em 2 de agosto. Ainda sem Pelé, recuperando-se da mesma lesão que o tirara da Copa-62. Spencer abriu o placar uruguaio, aos 15 minutos, depois de driblar dois santistas. Dorval empatou aos 27, em grande jogada individual. Mengálvio virou o placar, aos 35, num chute longo, no ângulo de Maidana. No segundo tempo, o Santos seguiu em cima, perdeu duas grandes chances, até levar o empate, aos 3. Spencer, mais uma vez. Gilmar reclamou que o meia uruguaio Sasía havia jogado terra nos olhos dele no momento do cruzamento de Joya. O árbitro chileno Carlos Robles nada marcou no lance usual do armador uruguaio. Na confusão, uma garrafa atingiu o bandeirinha Domingo Massaro.

Dada a saída depois de longa paralisação, Sasía virou o jogo. Mais reclamação santista. Desta vez, de suposta falta em Calvet. Quando o jogo recomeçou, Pagão empatou, aos 22. Antes mesmo de dar 45 minutos, Robles terminou o jogo com festa de campeão para o Santos. 3 x 3. O resultado que o time brasileiro precisava.

Pagão empata virtualmente o segundo jogo. 3 x 3. Um gol que valeu num jogo que não valia mais

 

Na prática, havia sido 3 x 3, e o título para o time paulista. No papel, porém, a história era outra. Na súmula entregue no dia seguinte, Robles relatou a baixaria, invasões, ameaças e agressões e afirmou que encerrara o jogo com 3 x 2 para os uruguaios. Temendo o fim do planeta na Vila com a suspensão da partida, além do encerramento da própria vida (ele foi ameaçado e agredido nas confusões), Robles fingiu dar prosseguimento a um jogo já acabado pela violência. O gol de Pagão aconteceu no final de mentirinha. o Santos, oficialmente, perdera o jogo que vencera.

A FINALÍSSIMA – Haveria o terceiro jogo, então, em campo neutro. O Santos não queria. Mas teve de aceitar. Ainda conseguiu adiá-lo para o fim de agosto, dia 30. Com arbitragem europeia (o holandês Leo Horn). Decisão em Buenos Aires. Se a maioria era argentina na arquibancada, só houve o Santos em campo.

O Peñarol manteve o ótimo time no 4-2-4 do treinador húngaro Béla Guttman, campeão europeu pelo Benfica, em 1961, e paulista em 1957, pelo São Paulo. Um dos pais do 4-2-4 que o Brasil adotaria na Suécia, em 1958, com seu auxiliar-técnico no São Paulo, Vicente Feola, comandando a Seleção brasileira na primeira conquista mundial. O time carbonero tinha Maidana na meta, o paraguaio Lezcano e mais Cano, Edgardo González e Néstor Gonçálvez na zaga. No meio, Caetano e Matosas, com Pedro Rocha, Sasía, Spencer e Joya no ataque poderoso blindado por boa marcação santista, e mais uma excelente atuação de Gilmar.

O goleiro bimundial pelo Brasil (e, depois, pelo próprio Santos, em 1962-63), fez pelo duas defesas de Gilmar nos 90 minutos ensolarados em Núñez. O volante multímodo Lima mais uma vez quebrou o galho como lateral-direito e não deixou o ponta peruano Joya fazer ainda mais nome em cima dele.

7min da decisão em Núñez, ainda 0 x 0: Pelé deixa a perna no zagueiro paraguaio Lezcano, que também entrou duro. Maidana reclama de Pelé. O Rei se defendia atacando contra um Peñarol que sabia jogar,e não batia tanto

 

Também no 4-2-4, o treinador Lula armava o Santos com Gilmar; Lima, Mauro, Calvet e Dalmo; Zito e Mengálvio; Dorval, Pelé, Coutinho e Pepe. Com a bola marrom, os laterais pouco avançavam. Porque bastavam e sobravam pontas como Dorval e Pepe, que driblavam e cruzavam. E, no caso de Pepe, o maior artilheiro terráqueo do Santos, as faltas da intermediária eram batidas em gol. Pelo menos duas vezes tentou no primeiro tempo de domínio santista. Conquistado com o golaço de Coutinho, que recebeu pela esquerda, passou como quis pela zaga rival e bateu de canhota, cruzado. Caetano tentou salvar e acabou mandando para o fundo da rede.

Com a vantagem conquistada aos 9 minutos, o Santos até cedeu terreno. Mas bastava o recuo de Dorval e Pepe na recomposição defensiva para dar espaço ao letal contragolpe armado por Pelé e Coutinho, bem municiados por Zito e Mengálvio, que jogavam, não deixavam jogar e ainda ditavam o ritmo daquelas impressionantes camisas brancas em Buenos Aires.

Mas foi no segundo tempo que a intensa movimentação de Pelé e Coutinho, autores de tabelinhas espetaculares, acabou por demolir o rival. Pelé, aos 3 do segundo tempo, limpou na entrada da área e bateu sem chances para o ótimo Maidana. Ainda faria um lance sensacional, desde o campo santista, até dar a bola para Coutinho chutar para grande defesa do goleiro qiue depois jogaria no Palmeiras.

O Santos merecia mais um gol contra ótimo adversário, porém batido e abatido. Faltando um minuto, Ele recebeu de Coutinho, desde a linha de fundo, ajeitou a bola e venceu muralha uruguaia postada na linha de meta. Nem com toda a banda oriental dentro da área havia como parar aquelas camisas brancas que se abraçavam no gramado invado pelos fotógrafos, como no mês anterior o Brasil fizera a festa bicampeã mundial em Chile.

Estava aberto o caminho para a conquista bimundial santista. E contra um gigante bicampeão sul-americano, vencido sem dó quando o Santos, mais uma vez, só jogou futebol. E não tudo que alguns torcedores jogaram no gramado da Vila, na segunda partida.

Lima (lateral-direito, camisa 4), Zito (volante-5), Dalmo (lateral-esquerdo-3), Calvet (zagueiro-esquerdo-6) , Gilmar (goleiro-1) e Mauro (zagueiro-direito-2); Dorval (ponta-direita-7), Mengálvio (meia-direita-8), Coutinho (centroavante-9), Pelé (ponta-de-lança-10) e Pepe (ponta-esquerda-11)

 

O CAMPEÃO – Um Santos iluminado. De 16 de dezembro de 1961, quando faturou o bi paulista 60-61, até 16 de novembro de 1963, quando venceu o Milan por 1 a 0, no Maracanã, e conquistou o bi mundial, o Santos disputou nove títulos. E venceu todos eles:

Campeão paulista e da Taça Brasil de 1961.

Campeão paulista e da Taça Brasil de 1962.

Campeão da Libertadores e do Mundial de 1962.

Campeão da Libertadores e do Mundial de 1963.

Campeão do Rio-São Paulo de 1963 (não disputou o de 1962).

Campeão de tudo e de todos. E nem sempre com Pelé em campo.

HISTÓRIA EM JOGO – Liga dos Campeões – Final 1963 – Milan 2 x 1 Benfica

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

 

Você já viu na série HISTÓRIA EM JOGO as cinco conquistas  do Real Madrid, de 1956 a 1960.

http://blogs.lancenet.com.br/maurobeting/2010/10/01/historia-em-jogo-liga-dos-campeoes-da-europa-final-1960-real-madrid-7-x-3-eintracht-frankfurt/

Você já viu o Benfica ganhar do Barcelona na decisão das traves quadradas

http://blogs.lancenet.com.br/maurobeting/2010/10/11/historia-em-jogo-liga-dos-campeoes-1961-benfica-3-x-2-barcelona/

A sensacional vitória de um ainda melhor Benfica, agora com Eusébio e Simões, contra o Real Madrid, em 1962:

http://blogs.lancenet.com.br/maurobeting/2010/10/18/historia-em-jogo-liga-dos-campeoes-final-1962-benfica-5-x-3-real-madrid-2/

Seria a hora do tri português. Na primeira decisão de Liga sem um clube espanhol.

 

Cesare Maldini e Coluna antes do clássico em Wembley

Mas havia pela frente, em Londres, o primeiro italiano campeão da Liga dos Campeões. Não por acaso, ainda o maior vencedor entre os italianos na Europa.

Um time de ótima qualidade técnica. Recheado de estrangeiros como os brasileiros Altafini e Dino Sani. Mas com um espírito italianíssimo. Competitivo. Por vezes viril. Até violento. Mas merecidamente vencedor.

Ficou, porém, uma marca profunda e doída na alma encarnada. Aos 14 do segundo tempo, empate por um gol, o médio-esquerdo rossonero Trapattoni atingiu maldosamente e por trás Coluna. O craque português ficou três minutos fora. Voltou, mas se retirou depois de sete minutos com dores no tornozelo. Recebeu tratamento no vestiário e retornou em oito minutos. Mal andou. Mal jogou. E assistiu à justa vitória que independia daquela absurda pancada.

“Sem o nosso grande capitão, não tivemos como conseguir a vitória”, ainda se lamenta Eusébio.

As dores ficaram por muito tempo. Não apenas no tornozelo ferido de Coluna. Fala o Monstro de Inhaca, cidade em Moçambique onde nasceu o grande condutor do Benfica, em trecho do blog “Planeta Benfica”:

- O treinador italiano Nereo Rocco considerava-me um dos jogadores mais temidos. Quando o Trapattoni me lesionou, estive 15 minutos a receber assistência junto à linha mas não dava para continuar a jogar. Apenas estive a fazer figura de corpo presente.

Coluna diz que a consciência de Trapattoni deve ter pesado por muito tempo. Num programa da RAI, muitos anos depois, Coluna esteve presente. Trap, não. “Ele não teve coragem de me encarar”, afirma o meio-campista português.

A mágoa é tamanha que Coluna afirmou que um dos dias mais tristes da vida dele foi quando Giovanni Trapattoni assumiu a direção do Benfica. Nem mesmo o título português de 2005, depois de 11 anos sem conquistas, serviu para amenizar a dor que já tem quase 50 anos. E não há o que cure Coluna.

LOCAL – Estádio de Wembley, Londres, Inglaterra. 22 de maio de 1963. 45.700 presentes.

LEIA COMO FOI A LIGA DOS CAMPEÕES 1962-1963

http://en.wikipedia.org/wiki/1962%E2%80%9363_European_Cup

VEJA OS GOLS DA FINAL DE LONDRES

http://www.youtube.com/watch?v=APgFzgF3ZyE&feature=related

Milan no WM clássico, com três na zaga, dois medianos defensivos, dois meias de imensa qualidade, dois pontas que se mexiam muito, e um senhor centroavante; Benfica foi o primeira finalista de Liga a atuar com uma linha de quatro na zaga, dois no meio, e quatro mais à frente. O típico 4-2-4. Mas não foi ele o determinante do sucesso italiano

AUSÊNCIAS – Por lesão, Barison (ponta-esquerda do Milan e da Squadra Azzurra na Copa-66) e Germano (zagueiro-central do Benfica). Entratam Pivatelli e Raul.

PRIMEIRO TEMPO

COMEÇOU – Milan, de branco, ataca à esquerda; Benfica, com o uniforme encarnado, à direita. Milan no WM básico (3-2-2-3), Benfica como primeiro finalista de Liga num 4-2-4. Os bandeirinhas estavam invertidos ao que se vê hoje no futebol. Corriam pelas pontas esquerdas.

1min – Marcação bem alta do Milan, pressionando o excelente ataque português. Time italiano mais ofensivo e, de cara, partida mais intensa, veloz e marcada que as decisões anteriores. Mas, para Cesare Maldini, pai de Paolo, zagueiro-central do Milan, a equipe entrou com muito respeito em campo. Para não dizer temor. “Porém, nós tínhamos grandes craques. Mais que todos, Rivera”. E o meia-esquerda tinha apenas 19 anos…

9min – Numa dividida com o centroavante brasileiro Altafini (o Mazola campeão do mundo em 1958), Costa Pereira sai da área e faz a falta na entrada da área. Goleiro português, ingenuamente, entrega a bola na mão de Altafini, que a coloca rapidamente no chão e bate em gol. Árbitro formava a barreira e não valida a cobrança. Meia-direita brasileiro Dino Sani (também campeão mundial em 1958) cobra à direita da meta portuguesa.

11min – Costa Pereira se atrapalhou sozinho com a bola e a perdeu pela linha de fundo… Foi o melhor goleiro português. Mas era atrapalhado e jeitoso…

12min – O excelente meia-esquerda Rivera chuta para boa defesa de Costa. Time italiano espeta bastante bolas longas. Benfica marca mal e não arma bem.

Gianni Rivera, o Golden Boy do Milan, o maior craque italiano do clube

15min – Parece nervoso o bicampeão europeu. Erra muitos passes e lançamentos. Eusébio, desequilibrante, mais à esquerda, é bem marcado (individualmente) pelo médio-direito peruano Benítez.

18min – Enfim o Benfica que se conhece. Grande lance do colossal Coluna para o centroavante Torres tocar de canhota para Eusébio desperdiçar a chance de abrir o placar. Time português equilibra em Wembley.

18min – GOL. 1 X 0 BENFICA. EUSÉBIO. PÉ DIREITO. DENTRO DA ÁREA. Espetacular arrancada da Pantera Negra Eusébio, que recebeu no meio-campo, em posição legal (dada pelo lateral-direito David), entre o zagueiro-central Cesare Maldini e o lateral-esquerdo Trebbi, e às costas do médio-esquerdo Trapattoni. Jogada de categoria de Coluna, e arrancada irresistível de Eusébio, que partiu e bateu cruzado, na rede lateral direita do goleiro Ghezzi. Para Rivera, ali parecia que não teria mais jogo, que os portugueses iriam vencer mais uma vez. “Mas, aos poucos, fomos retomando o controle do jogo, e eles não tiveram tantas chances”.

21min – Eusébio arrisca de longe, bem Ghezzi.

23min – O volante pela direita Santana (meia direita na decisão de 1961) se joga mais à frente, por vezes largando Rivera, encostando em Eusébio, que se atira mais ao ataque, e cai pelos dois lados. Milan, mesmo agora dominado e perdendo por um gol, só explora o contragolpe, o “contropiede” característico italiano. Facilitado pela marcação milanista. Forte, claro, mas um tanto distante do excelente meio e ataque português.

26min – Eusébio sente lesão na perna e é atendido pelos médicos.

27min – Costa dá um bico para o galalau do Torres fazer a perede e o telhado de cabeça, tocando para Simões bater de canhota para fora. Eusébio segue ao lado do gramado sendo atendido pelo médido benfiquista

28min – Eusébio enfim retorna. Mancando.

O ponta-de-lança Eusébio x o médio-esquerdo Trapattoni. Um dos grandes duelos do clássico

29min – Joga demais Bambino Rivera. Apenas 19 anos de idade, parece ter 29 anos de futebol em Wembley. Já deu dois rolinhos nos rivais. Saindo da esquerda para a direita. O ponta-esquerda Pivatelli (substituto do lesionado Barison) faz o mesmo corte em diagonal.

29min – Altafini cabeceou sozinho na pequena área, na rede lateral direita de Costa Pereira, depois de cruzamento da direita de Rivera. com a parte de fora do pé direito, com efeito absurdo. Como, anos depois, com ainda mais categoria, amava fazer Johan Cruyff.  Rivera também batia escanteios assim. Um monstro.

30min – Entre Humberto e Raul, Rivera faz lançamento espetacular para Altafini matar mal no peito e perder a quarta chance de gol rossonera.

30min – Altafini cabeceou depois de cruzamento da direita de Dino Sani para boa defesa de Costa Pereira.

31min – Eusébio dribla dois e Ghezzi faz bela defesa. Virou jogaço em Londres.

31min – Altafini passa por 4 e manda bomba no ângulo de Costa Pereira, que faz grande defesa para escanteio.

32min – Melê na área portuguesa, David quase empata. Pressão rossonera.

33min – Altafini estica a perna e não empata, chegando um pouco tarde. Melhora demais o Milan nos últimos 10 minutos, também porque o Benfica ficou travado demais no 4-2-4, com Coluna muito preso no meio-campo, deixando os pontas e Eusébio e Torres muito isolados. Todo o Benfica mexe e se joga bem menos.

40min – Empate seria mais justo, agora. Benfica recuou demais e não consegue acerta um contra-ataque. Bem aberto pela direita, Rivera organiza todo o jogo milanista.

41min – Coluna enfia a bomba para boa defesa de Ghezzi.

45min – Altafini cabeceou no canto para grande defesa de Costa Pereira. 

INTERVALO – Milan começou melhor, Benfica dominou depois do gol, mas, nos 20 finais, não fosse Costa Pereira, time italiano, mais dinâmico, teria virado contra um bicampeão europeu engessado e com os compartimentos estanques.

Humberto, Raul, Cruz, Cavém, Coluna e Costa Pereira; José Augusto, Santana, Torres, Eusébio e Simões. O time que levou a virada em Wembley

 

PLACAR VIRTUAL 1O. TEMPO – MILAN 8 X 5 BENFICA

SEGUNDO TEMPO

1min – Dino Sani pega torto de canhota, à esquerda. Primeira chance rossonera.

Dino Sani, o armador pela direita do campeão europeu de 1963

3min – Altafini impedido. Milan recomeça bem melhor que um recuado e acuado Benfica.

4min – Costa Pereira, mais ou menos como o grande argentino Carrizo (muito melhor que o português), atuava bastante adiantado para a época. Mas não adiantava muita coisa. Ele era mais atrapalhado que qualquer outra coisa. Em vez de pegar uma bola que sobrou com as mãos dentro da área, deu um bico de graça para Pivatelli pegar sem-pulo de prima, da meia esquerda, mas à direita da meta encarnada. Segunda chance italiana, depois de bela troca de bola. Milan já merecia melhor sorte.

5min – Torres escapa pela esquerda e chuta (mais uma vez) mal de canhota, depois de bobagem de Maldini, o lento central italiano.  

11min – Grande arrancada de Eusébio, mas Simões foi ser solidário, de cabeça, quando deveria finalizar direto. Desatenção milanista no contragolpe português.

12min – GOL. 1 X 1 MILAN. ALTAFINI. PÉ DIREITO. Da entrada da área, depois de belo lance de Rivera, o centroavante ítalo-brasileiro fez na raça o merecido gol de empate, aproveitando um rebote da zaga. Mal celebrou e caiu no gramado: cãimbras. O médico do Milan correu para atendê-lo. Foi o 13o. gol na competição, superando a marca anterior que era de 12, do genial Puskás, do Real Madrid.

14min – Seria cartão vermelho para Trapattoni. Perdeu um passe e mandou um pontapé por trás em Coluna, que partia para o ataque. Uma lástima. Coluna sai de campo para tratar o tornozelo direito. Altafini aproveita e também sai do gramado para ser atendido na lateral.

16min – Primeira real chance portuguesa no segundo tempo. Uma bomba de José Augusto para baita defesa de Ghezzi, para escanteio, depois de grande lance de Simões, pela esquerda.

17min – Resposta milanista com Rivera, da meia esquerda, mas ele bate à direita de Costa. Bela trama com Altafini e Mora, começando por Rivera, que chegou driblando meio Benfica.

17min – Coluna retorna mancando. Sempre lembrando que as alterações não eram ainda permitidas.

Eusébio, Costa Pereira e Coluna. O trio moçambicano do Benfica

17min – Altafini recebe por dentro e bate para grande defesa de Costa Pereira. Bonita jogada de Mora cortando em diagonal, a partir da direita. Ótima movimentação dos pontas do Milan.

19min – Simões passa pelo lateral-direito David como quer, cruza e Ghezzi soca a bola; no rebote, Santana enche o pé e Ghezzi faz das mais impressionantes defesas que já vi, mandando a escanteio. Todo o Milan aplaude o goleiro, juntamente com Wembley.

20min – GOL. 2 X 1 MILAN. ALTAFINI. PÉ DIREITO. DENTRO DA ÁREA. Bobagem total no meio-campo, Raul toca na fogueira para Humberto se atrapalhar com a bola. Pivatelli toma da atrapalhada zaga benfiquista (saudosa do grande Germano), lança Altafini em posição legal, partindo do próprio campo. Ele avança e toca para Costa espalmar. Mas, no rebote, o atacante vira o placar, mesmo ainda arrastando a perna direita. Tanto que passa a atuar mais à direita, quase fazendo número. Como Coluna, maldosamente atingido por Trap.

Eusébio e Trapattoni, o zilionésimo encontro de gigantes, em Wembley

21min – Um membro da comissão técnica italiana desmaia de emoção… 

25min – Praticamente sem mais tocar na bola, enfim Coluna vai para o vestiário. Benfica fica com um a menos. Jogador que deu a pancada segue em campo. Impressionante como ainda iria demorar o International Board para mudar essa excrescência da regra do jogo.

28min – Rivera da meia esquerda chuta para boa defesa de Costa Pereira. Mas o Milan, ainda que com a vantagem no placar e numérica em campo, recua e apenas especula no contragolpe, o tradicional “contropiede” italiano.

32min – Wembley aplaude o retorno do guerreiro Coluna a campo. Sem poder mexer nas equipes, não era inusitado um atleta lesionado dar um tempo e depois voltar a campo, depois de ter passado pelo vestiário.

35min – Ghezzi era um grande goleiro. Mas não batia os tiros de meta do clube rossonero.

38min – O Benfica não reage. Mesmo com 11 x 11, o Milan era melhor. Mas, para Rivera, eram “11 x 10 e meio. Porque Coluna jogava demais, mesmo assim”.

43min – Altafini desperdiça para fora a sétima chance milanista na segunda etapa.

FIM DE JOGO – Ganhou o melhor time, o que mais buscou o jogo, o que teve maios chances e, também, o que mais bateu.

FALA, RIVERA: “Foi uma grande partida de duas grandes equipes. Mas acredito que tenhamos criados mais chances de gols. Apenas por isso vencemos um jogo que poderíamos perfeitamente ter perdido”.

 

PLACAR VIRTUAL 2o. TEMPO – MILAN 7 X 2 BENFICA

PLACAR VIRTUAL – MILAN 15 X 7 BENFICA

Maldini, Benítez, Rivera, Altafini, Mora e Pivatelli (os atacantes em pé); Ghezzi, Trebbi, David, Trapattoni e Dino Sani (agachados), em Wembley

ATUAÇÕES

MILAN – Escalado num WM (3-2-2-3) clássico, o time rossonero criou mais chances nas duas etapas, e, com a lesão de Coluna, com 60 minutos de jogo, teve meia hora para virar a partida. Forte na defesa (nem tanto nas laterais), criativo no meio-campo, dinâmico à frente, e com um centroavante inspirado (14 gols em todo o campeonato). NOTA 8

GHEZZI – 32 anos à época, 7 de seleção, foi Inter de 1951 a 1958, Milan de 1959 até se aposentar, em 1965. Um ano ele passou (1958) no Genoa até ser trocado por Buffon, tio-avô do grande goleiro italiano deste século, campeão mundial em 2006. A rivalidade entre os dois grandes goleiros passava até pela mulher de Buffon, que havia sido namorada de Ghezzi. Também conhecido como Kamikaze pelo arrojo na meta, tinha reflexos impressionantes e saltos espetaculares – quando  não dispensáveis. Ao menos uma defesa de cinema, das mais impressionantes da história. NOTA 8

DAVID – O lateral-direito era muito forte fisicamente. Mas teve a inglória tarefa de marcar o excelente Simões. Mais perdeu que venceu o duelo. Jogou cinco anos pelo Milan, e 4 pela Squadra Azzurra (mas disputou apenas 3 jogos). Inclusive na célebre Batalha de Santiago, derrota da Itália para o Chile, na Copa-62, quando acertou feio o chileno Sánchez e foi expulso. NOTA 5.

MALDINI – O capitão Cesare era o zagueiro-central rossonero. O stopper. Alto para a época (1m82), um tanto lento, mas de espírito rochoso e capacidade de antecipação exemplar. Jogou de 1954 a 1966 no Milan, depois de começar a carreira na Triestina, clube de sua terra natal. Cinco anos pela Seleção Italiana que iria dirigir na Copa-98. Treinou o Paraguai no Mundial de 2002. Mas foi como auxiliar-técnico de Enzo Bearzot que conquistou seu maior trunfo, ganhando aCopa-82. Pai de Paolo Maldini, milanista de 1985 a 2008. NOTA 7.

TREBBI – O lateral-esquerdo passou 8 anos no Milan. Por dois anos atuou na Itália. Como a maioria da época, era um zagueiro-lateral, preocupado apenas em marcar o ponta-direita rival. Como José Augusto saía muito para o meio, teve dificuldades para acompanhá-lo. Lento, pouco técnico, outro que também virou treinador. NOTA 5.

BENÍTEZ – “El Conejo” (coelho) era um médio-direito e zagueiro peruano. Jogou três anos no Boca Juniors até ser levado para passar mais três temporadas no Milan. Atuaria até 1970 na Itália, em mais cinco clubes, antes de encerrar a carreira no Peru. Onze partidas pela seleção nacional. Boa marcação e velocidade, gostava mesmo de atuar como cabeça de área. Teve de marcar Eusébio, quando ele caía mais à esquerda. Com a bola, também jogava. Fazia dupla pétrea com Trapattoni na contenção. Mas batia bem menos que o companheiro. NOTA 6

TRAPATTONI – O médio-esquerdo italiano foi essencial para tirar Coluna do jogo e garantir a vitória milanista. Batia demais, como, naquele mesmo ano, anulou Pelé (com dor de barriga), atuando pela Squadra Azzurra (onde só jogou 4 anos, e, na Copa-62, lesionado, só assistiu à pífia campanha italiana). Como volante e homem de marcação, como zagueiro ou até lateral, como campeoníssimo treinador, virou sinônimo de futebol objetivo e pragmático, nem sempe agradável de ver, poucas vezes um gentleman do fair-play. Atuou pelo Milan de 1957 a 1972. Como treinador, o período de glória foi pela Juventus, de 1976 a 1986. Mas foi vencedor na Internazionale, Bayern de Munique, Benfica. Para resumir, ganhou um Mundial e uma Liga dos Campeões pela Juve, em 1985; 3 Recopas da Europa; uma Copa da Uefa; uma Supercopa europeia; 10 títulos nacionais (em quatro países diferentes, um recorde mundial, ao lado do austríaco Ernst Happel); mais outras copas nacionais.  Por quatro anos dirigiu a Squadra Azzurra. Na Copa-02, foi eliminado nas quartas-de-final pela Coreia do Sul, também beneficiada pela arbitragem. Não é das mais simpáticas figuras do futebol mundial. Mas merece respeito. NOTA 5

DINO SANI – O meia-direita brasileiro foi um senhor volante com pés de armador. Ou um meia com inteligência tática para armar. Enfim, um todocampista. E, depois, um baita treinador, que começou a montar o grande Internacional dos anos 70. Técnico que poderia ter assumido o Brasil antes de Zagallo, em março de 1970. Não quis, pela amizade com o demitido João Saldanha. Como atleta, foi revelado pelo Palmeiras, em 1950. XV de Jaú, Comercial paulitano, São Paulo (1954 a 1959), Boca Juniors (1959 a 1961), Milan (1961 a 1964) e Corinthians (1965 a 1968). Começou como titular a Copa-58, onde terminaria reserva de Zito. Em 1962, atuando na Itália, foi substituído no Brasil bicampeão por Zequinha. Em Wembley, tanto dava um pé atrás e tinha de seguir (e ser seguido) por Coluna, quanto também armava e finalizava ao lado de Rivera. NOTA 7.

RIVERA – Gianni, o “Ragazzo D’Oro”, o “Golden Boy”, o garoto de ouro do Milan, foi o craque da decisão com apenas 19 anos. Para não dizer que foi o maior jogador da rica história rossonera. Contra tantos estrangeiros de imensa qualidade, no mínimo foi o melhor italiano a atuar pelo clube – capitão por 12 anos. Foi o primeiro do país a ganhar o “Bola de Ouro” da France Football, em 1969. Está na lista de 2004 de Pelé dos 125 maiores do centenário da Fifa. Revelado pela Alessandria, em 1958, atuou pelo Milan de 1960 a 1979 (658 jogos, 164 gols). Chegou com 16 anos pelas mãos do grande meia-esquerda uruguaio do Milan – Schiaffino. Era tanto um mezzala (um meia-esquerda ou direita, quase um ponta-de-lança) quanto um regista (o organizador da equipe, um armador puro por todo o campo). Foi tudo na decisão em Wembley. Das mais notáveis partidas de um jovem jogar, pela qualidade, intensidade, técnica, tática, maturidade. Por tudo.  Não era muito chegado ao gol, embora tenha sido um dos artilheiros do Italiano de 1973. Atuou em quatro Copas, de 1962 a 1974.  Mas absurdamente era reserva do não menos imenso Mazzola, em 1970. Quanto o treinador Ferrucio Valcareggi inventou de só colocar (quando colocava) Rivera no segundo tempo dos jogos, sacando o meia-atacante interista. Havia como atuarem juntos. Mas o treinador criou a célebre staffetta que só prejudicou a Squadra Azzurra em 1970. NOTA 9 

MORA – Seis anos de seleção, 7 de Milan, Mora jogou com a 11. Mas era 7. Ponta-direita. Só que também corria para outro lado, entrava em facão por dentro. Fazia muita coisa, como a maioria dos bons pontas italianos. Jogou a Copa-62. A de 1966, não, por conta de uma fratura exposta na tíbia e na fíbula, que acabou abreviando sua carreira. Ótima movimentação. NOTA 7

ALTAFINI – No XV de Piracicaba e no Palmeiras, no Brasil onde foi titular no início da Copa-58, José Altafini era Mazola. Como Valentino Mazzola, pai do interista Sandro, senhor craque do grande Torino dos anos 40, tragicamente morto num acidente aéreo, em 1949. Tinham certa semelhança física. Logo depois do Mundial conquistado pelo Brasil, Mazola foi vendido para o Milan, onde atuou até 1965. Napoli até 1972, Juventus até 1976, e encerrou a carreira na Suíça, em 1980. Virou um ótimo apresentador e comentarista na Itália, onde atuou pela Squadra Azzura por dois anos. Também na Copa-62. Mais tarde, afirmou ter sido um erro ter atuado pela Itália, o que o deixou sem condição de lutar por um lugar no grupo brasileiro que seria bi mundial, no Chile. Forte, velocíssimo, raçudo, boa técnica, excelente presença de área, sabia jogar fora da área. No fim de carreira, pela Juve, atuava aberto até como ponta. Em Wembley, sentiu a perna no primeiro gol. No segundo, saiu desde o próprio campo, mesmo puxando a perna direita. Um monstro. É o quarto maior artilheiro do calcio. Desde 2009, é o comentarista em italiano do Pro Evolution Soccer. Ao menos alguma coisa em comum ele tem com este que vos tecla. NOTA 8

Altafini, o Mazola, em outra partida pelo Milan

PIVATELLI – Era centroavante quando começou na base da Inter. Rodou a Itália no ataque. Esteve no  grupo que disputou a Copa-54. Os últimos dois anos de carreira foram no Milan, onde parou de jogar pouco depois de Wembley, com 30 anos. Com o treinador Nereo Rocco, até de zagueiro atuou. Na decisão, a partir da ponta esquerda, rodou todo o ataque, e ainda ajudou no meio. Mas sem muito brilho. Foi o substituto do lesionado Barison. NOTA 5.

NEREO ROCCO – El Parón jogou como meia a partida que classificou a Itália para ganhar a Copa-34. Mas não participou do Mundial. Como treinador foi mais feliz. Neto de austríacos, tinha rígida disciplina, e, por vezes, problemas com seus atletas. Ainda como atleta, se encantou com o ferrolho suíço e com a figura do líbero atrás dos zagueiros. Foi assim que acabou criando o catenaccio, o “cadeado” nas zaga italianas, célebre desde a Triestina por ele dirigida, em 1946. Ele colocava mais um zagueiro atrás da linha de três defensores, sacando um dos meias. A equipe atuava basicamente num 1-3-3-3. Time mais fechado e baseado no contropiede, o contragolpe italiano. Mas o Milan de Wembley era mesmo um WM clássico, um 3-2-2-3. Em Milão, nessa primeira passagem gloriosa, de 1961 a 1963, Rocco soltou mais o time bastante talentoso. Foi a melhor das tantas equipes vencedoras dele. Voltaria a ganhar o título europeu em 1969, pelo Milan.

 

BENFICA – Bicampeão, aproveitou um contragolpe e abriu o placar. Recuou demais, e sentiu a ausência de Germano, na zaga. Com um Coluna a menos a partir dos 14 minutos, definhou. Ninguém jogou tudo que pôde. Ainda assim, pela fibra e qualidade, se superaram. Atuou no 4-2-4. Foi o primeiro finalista de Liga a jogar dentro desse esquema. O que não pareeceu determinar a sorte do jogo. Era apenas mais um esquema para um futrebol que enfim começava a mudar taticamente. NOTA 7

COSTA PEREIRA – (Ver o perfil dele no texto da decisão de 1961 e 1962). Grandes defesas de puro reflexo e intuição com grandes falhas no posicionamento, em fundamentos básicos mal trabalhados, numa certa presunção na meta. Um goleiro muito irregular. A falha fatal na decisão de 1965, contra a Internazionale, em Milão, o levou a voltar a Portugal numa cadeira de rodas para amenizar as críticas da torcida (embora, de fato, estivesse machucado). Não por acaso o apelido que o magoava: “Costa dos Frangos”. Em Wembley, cometeu bobagens ao jogar mais adiantado que o bom senso recomendava. Mas fez grandes defesas, como no lance do gol da virada rossonera. NOTA 6 

Costa Pereira, o melhor e mais controvertido goleiro português

CAVÉM (Ver o perfil dele no texto da decisão de 1961 e  1962). Ponta-esquerda em 1961, médio-direito em 1962, agora lateral-direito. Bom duelo com Pivatelli. NOTA 6

HUMBERTO – O zagueiro-direito foi outro que bobeou no gol fatal do Milan. Mas era zagueiro de boa técnica e presença. Toda a carreira foi encarnada. Foi titular na derrota na primeira partida da final do Mundial de 1962, vencida pelo Santos, no Maracanã, por 3 x 2. NOTA  5

RAUL – Sete anos de Benfica, 11 jogos por Portugal. Mas bobeou no gol da virada e sofreu demais com Altafini. Substituiu o excelente Germano como zagueiro-esquerdo do 4-2-4 do Benfica. NOTA 5

CRUZ - (Ver o perfil dele no texto da decisão de 1961 e  1962). De médio-esquerdo a lateral-esquerdo não mudou muito o jogador taticamente utilíssimo. Mas sofreu com as incursões em diagonal de Mora. NOTA 5

SANTANA – Ver o perfil dele no texto da decisão de 1961). Meia-direita do WM da final de Berna, ele foi o volante pela direita do 4-2-4 de Wembley. Sofreu demais com Rivera. E não armou como sabia. Ainda assim, se virou por dois com a lesão de Coluna. Pela raça, NOTA  7

COLUNA – (Ver o perfil dele no texto da decisão de 1961 e  1962). Na garra, depois da entrada brutal de Trap, aos 14 do segundo tempo, ainda se segurou. Mais recuado no 4-2-4, jogou menos com o time. Mas  jogou demais para a equipe, como sempre. O Monstro de Inhaca honrou o apelido. NOTA 7

JOSÉ AUGUSTO – (Ver o perfil dele no texto da decisão de 1961 e  1962). Menos dinâmico e brilhante que em outras decisões. NOTA 7

TORRES – Dez anos de Seleção, Benfica de 1959 a 1971, o alto (1m91) e forte centroavante tinha técnica apreciável, velocidade considerável para o tamanho, e imponente presença de área, sobretudo no cabeceio. Foi o treinador que levou Portugal ao Mundial do México, em 1986. Fazia parte de um ataque poderoso. E não fez feio. NOTA 6

EUSÉBIO – (Ver o perfil dele no texto da decisão de 1962). Um golaço, belas arrancadas contra Benítez e Trapattoni. Mas ainda pareceu faltar algo para alguém tão especial e qualificado. Não era e não foi o Novo Pelé. Mas a Pantera  Negra de Moçambique, certamente, foi o maior jogador nascido na África, foi quem talvez mais pareceu Pelé, no estilo, na força, na técnica, na velocidade e, por que não, no faro pelo gol. NOTA 8

SIMÕES – Ver o perfil dele no texto da decisão de 1962). Outro que jogou muito. Mas poderia dar ainda mais. Dribles, velocidade, poder de fogo. Um senhor ponta. NOTA 8

FERNANDO RIERA – Nos anos 40, como atacante, defendeu a seleção do Chile, e jogou na França. Marcou um gol pelo time chileno na Copa-50. Mas se superou como treinador. Em 1962, levou a anfitriã à terceira colocação, eliminada apenas pelo Brasil bicampeão. O sucesso o levou ao Benfica. Em 1963, dirigiu a Seleção da Fifa que disputou amistoso contra a Inglaterra na celebração dos 100 anos do futebol. Treinou o Boca, o Nacional, o La Coruña, e os principais clubes chilenos. Foi o primeiro a adotar o 4-2-4 numa decisão de Liga dos Campeões. NOTA 7.

Raul, Humberto, Cruz, Cavém, Coluna e Costa Pereira; José Augusto, Santana, Torres, Eusébio e Simões em outra partida do Benfica em 1963

ARTHUR HOLLAND (Inglaterra) – O árbitro deixou Trapattoni tirar Coluna de campo. Mas era infeliz praxe de época não coibir o jogo tão violento. NOTA 4

A PARTIDA – NOTA 7. Um jogo que vai sinalizando a entrada em campo de equipes cada vez mais pragmáticas e trancadas.

OS NÚMEROS (COMPILADOS POR GUSTAVO ROMAN)

  Milan Benfica
Faltas cometidas 9 14
Faltas no ataque 2 6
Faltas na defesa 7 8
Desarmes 38 27
Desarmes ataque 6 7
Passes errados 56 43
Finalizações 23 14
Linha de Fundo 2 5
Impedimento 3 1

 O Milan desarmou mais e finalizou mais. Mas errou mais passes, também.

 

 

A ideia desta série é de ANDRÉ ROCHA e de GUSTAVO ROMAN, que providenciaram análises, informações e imagens.

Quer ver o jogo na íntegra?

Procure gugaroman@hotmail.com

 

HISTÓRIA EM JOGO – Liga dos Campeões – Final 1962 – Benfica 5 x 3 Real Madrid

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Cartaz da final de Amsterdan, vencida por um grande Benfica por 5 x 3

Você já viu na série HISTÓRIA EM JOGO as cinco conquistas  do Real Madrid, de 1956 a 1960.

http://blogs.lancenet.com.br/maurobeting/2010/10/01/historia-em-jogo-liga-dos-campeoes-da-europa-final-1960-real-madrid-7-x-3-eintracht-frankfurt/

Você já viu o Benfica ganhar do Barcelona na decisão das traves quadradas

http://blogs.lancenet.com.br/maurobeting/2010/10/11/historia-em-jogo-liga-dos-campeoes-1961-benfica-3-x-2-barcelona/

Agora é hora do bi benfiquista. Contra o Real Madrid que era penta. E continuou penta contra o maior dos Benficas.

O de Coluna. Germano. Costa Pereira. E, agora, também de Simões. E da Pantera Negra Eusébio, com apenas 19 anos.

O timaço que venceu um Real com Di Stéfano e Puskás. Mas com os anos pesando.

E deu Benfica.

Merecidamente. Na “Noite dos Pontapés Distantes”. Um jogo de muitos gols, e muitos gols de fora da área – metade deles.

Ao final de mais um jogaço decisivo da Copa dos Campeões da Europa, como então era chamada, Eusébio correu para perto de seu maior ídolo, o hispano-argentino Di Stéfano. Pediu e ganhou a camisa azul usada pelo gênio. Sem a camisola encarnada, logo Eusébio foi alçado pelos companheiros e torcedores na celebração que tomou conta do gramado. Com a mão direita, Eusébio socava o ar, ensandecido; com a esquerda, fazia volume dentro do calção com o maior troféu que ele até hoje guarda, na sua casa. A camisa do Real Madrid batido sem dó.

LOCAL – Estádio Olympisch, Amsterdã, Holanda. 2 de maio de 1962. 65 mil presentes.

A LIGA DOS CAMPEÕES 1961-1962

http://en.wikipedia.org/wiki/1961-62_European_Cup

OS GOLS DA FINAL DE AMSTERDÃ

http://www.youtube.com/watch?v=IhLAn5oGHok

Benfica num WM (3-2-2-3) torto, com o meia-direita Coluna mais à esquerda, próximo do meia-atacante (mais atacante que meia Eusébio), um autêntico ponta-de-lança daqueles anos. Do estilo comparável ao de Pelé; Real Madrid também no WM, mas com Di Stéfano tão atrás que era quase um esquema com três volantes. Duas variantes interessantes do moribundo WM de então

COMEÇOU O JOGO – De camisas escuras, mais para o lilás, o Real Madrid ataca à esquerda da cabine de TV; de uniforme tradicional encarnado, o Benfica vai ao jogo à direita.

2min – Di Stéfano mergulha de peixinho e quase abre o placar depois de falta cruzada da direita. Desatenção do excelente zagueiroi-central português Germano. Real começa com tudo, em partida nervosa, com passes errados e entradas duras.

4min  - O excelente, rápido e driblador ponta-esquerda Simões bate fechado, da esquerda, um escanteio com o pé direito (prática pouco comum, então). Melê na área até a boa saída do goleiro madridista Araquistáin – que não passava muita segurança à equipe.

6min – Simões driblou dois e só foi parado em boa defesa do goleiro rival. Benfica passa a dominar o jogo. Está bem melhor do que na final passada. Também porque é um time muito melhor dotado tecnicamente, com as entradas de Eusébio e Simões, e a manutenção de Coluna, Germano e José Augusto. Além do respeito e do entrosamento adquiridos. Do outro lado, é um Real Madrid envelhecido e tecnicamente enfraquecido.

7min – Coluna tenta sair pela direita mas é desarmado por Di Stéfano. O craque argentino é cada vez menos um centroavante (que é Puskás, nesta final na Bélgica), e cada vez mais um armador pela esquerda. Para não dizer um terceiro homem de marcação no meio. Impressionante a disposição do veterano argentino. Mas ele não só ajuda atrás. Também arma à frente. La Saeta Rubia sai em velocidade para o contragole, faz bela tabela com Puskás, e só não abre o placar porque, para variar, o não menos irrepreensível Germano aparece para salvar a zaga lusitana.  

Eusébio, Costa Pereira e Coluna

8min – Ele fazia os 100 metros em menos de 11 segundos. E fez algo parecido ao sair muito atrás do lateral-direito Mário João e chegar muito à frente dele. O ponta-esquerda Gento era demais. Em tudo. Estava impedido na sequência do bom lance armado por Di Stéfano.

15min – Enfim aparece o talento e a força de quem muito se esperava em Bruxelas. Eusébio pegou um rebote na área mas bateu mal, com muita força, por sobre a meta. Todo o lance foi do gigantesco Coluna, que teve de se readaptar no esquema, um tanto mais atrás e à direita, para dar suporte à presença de Eusébio, quase como quarto  atacante do Benfica. Jogo igual. E bom. Puskás começa a aparecer, recuando para armar o jogo e lançar os pontas Tejada e Gento. Porque Di Stéfano segue longe da árearival. Talvez para ajudar os dois médios defensivos merengues (Felo e Pachín), que não são grande coisa, e têm muito trabalho com Eusébio, Coluna e mais a entrada por dentro do ponta-direita José Augusto. Para piorar, Del Sol é outro de discreta atuação na meia direita merengue.

17min – Primeira falta do jogo. Felo, médio-direito, dá uma senhora porrada em Coluna. Hoje, caso para amarelo. Benfica segue um tanto melhor no jogo, até pelo recuo e excessiva lentidão merengue.

17min – GOL. 1 X 0 REAL MADRID. PUSKÁS. PÉ ESQUERDO. FORA DA ÁREA. Estava lento o Madrid? Pois é… Mário João cruzou aquela falta feia sobre Coluna na área espanhola. Zaga corta, rebote na intermediária para Tejada tocar de primeira, de puxeta, para Di Stéfano; o gênio argentino lançou por elevação o Major Galopante Puskás, ainda no próprio campo. Ele partiu em condição legal, aproveitando-se da marcação alta da zaga portuguesa. Sozinho, Puskás chegou até praticamente a marca do pênalti, para bater cruzado, de canhota, no canto de Costa Pereira, que demorou a sair, e ainda saiu pouco, até a linha da pequena área. Como na final de 1960, o rival tinha a bola, as melhores chances, mas bastou um vacilo para o Real mostrar sua força diante do então campeão europeu.

Puskás, o craque húngaro, em outra partida pelo Real Madrid. Dos maiores canhotos de todos os tempos

23min – GOL. 2 X 0 REAL MADRID. PUSKÁS. ESQUERDA. FORA DA ÁREA. Falta na intermediária de ataque batida rapidamente para Puskás. Ele recebe sem a marcação nem do médio-direito Cavém (que havia sido ponta-esquerda um ano antes, na decisão de Berna), nem do médio-esquerdo Cruz. Aí fica fácil. Ainda mais para o destrutivo talento do craque hispano-húngaro. Antes da chegada do excelente central Germano, Puskás avança e bate cruzado, no canto esquerdo de Costa Pereira. Ele foi mal e foi tarde à bola, que ainda quicou no gramado holandês e o matou de vez.

24min – Benfica não merecia estar perdendo por 2 a 0. E começou a domar a bola e o jogo com Coluna. Passou por três, na raça, força e técnica. Time português se atira ao ataque, e Real recua todo.

25min – GOL. 1 X 2 BENFICA. ÁGUAS. CANHOTA. DENTRO DA ÁREA. O popular gol na hora certa. Falta na meia esquerda, Coluna rolou para Eusébio chegar de longe e mandar ver a perna direita na bola. Ela bateu na trave esquerda e, no rebote, meio sem jeito, Águas diminuiu o placar, em condição legal, também se aproveitando do goleiro que foi tarde para a bola. Como de costume, os flashs dos fotógrafos atrapalhavam a visão dos atletas. E não se coibia a prática.

26miun – Um jogaço, o Benfica é todo ataque, o Real Madrid se defende como dá. E como dá gosto de ver a aplicação tática de Di Stéfano! Jogou como poucos na história, e marcou como raríssimos entre os craques de ataque.

Di Stéfano, La Saeta Rubia, com a camisa escura usada na final de 1962

 

28min – Benfica marca pressão lá na frente, no ataque. Eusébio atua mais à esquerda, próximo ao atacante Águas, e fazendo eventualmente sensacional parceria com o ponta Simões. Coluna recua para organizar o time desde atrás, e dar um pé aos médios Cavém e Cruz. Só dá Benfica.

30min – Eusébio vem para o jogo e arruma contragolpe com Simões. Na tabela, o Pantera Negra manda por sobre a meta. O médio0-direito espanhol Felo não consegue conter Eusébio. E não apenas porque não era grande coisa. Também porque Eusébio era demais.

31min – Mais um passe errado de Gento. O 2 x 1 é muito para a atuação madridista.

32min – Puskás se atira mais uma vez tentando cavar faltas. Mesmo batendo mais que o rival, o Benfica também joga mais.

35min – GOL. 2 X 2 BENFICA. CAVÉM. CANHOTA. MEIA DIREITA. Cavém toca para Águas chutar de trivela. Eusébio ajeita no peito e recua para Cavém acertar belo chute no ângulo direito da meta de traves quadradas do Heysel. Goleirinho espanhol foi andando até a bola… Festa no estádio de Bruxelas pelo empate português.  Um gol mais que justo.

No álbum de figurinhas dos bicampeões europeus, destaque para o polivalente Cavém, que jogou em 9 posições pela camisa encarnada em sua rica passagem pelo clube

34min – Costa Pereira continua mal no jogo. Sai (mais uma vez) sem necessidade da meta (e quando poderia ter fechado o ângulo para Puskás, no primeiro gol,nada fez…), e toca a mão na bola, fora da área. A tempestade de gols na Bélgica também se explica pela má jornada dos dois goleiros. O espanhol também sai muito de sua meta. E muito mal.

36min – Gento, livre pela esquerda, pega mal na bola, depois do primeiro bom lance do meia Del Sol.

38min – GOL. 3 X 2 REAL MADRID. PUSKÁS. CANHOTA. DENTRO DA ÁREA. Contragolpe de Puskás, ainda na intermediária. Tejada tabelou com Felo, hoube um bate-rebate, e a sobra com Puskás, que mandou um canhotaço indefensável para Costa Pereira. Gol de centroavante, de artilheiro, de craque. Golaço num jogaço.

40min -Lindo chapéu de Gento em Mário João. Para delírio dos fotógrafos e, provavelmente, dos poucos patrocinadores de placas estáticas. Entre eles, Pepsi e Martini.

41min – Gento escapa pela esquerda e cruza no segundo pau para Di Stéfano cabecear na “barra do Benfica”, como se desesperou o narrador português. Melhor bastante o Real Madrid no fim da ótima primeira etapa.

INTERVALO – Grande e equilibrado primeiro tempo. Benfica teve mais a bola, jogou melhor a maior parte do tempo, mas o Real Madrid foi mais contundente e preciso. Primeiro tempo nota 8. Puskás, o melhor (nota 10), Simões (9), o melhor benfiquista

PLACAR VIRTUAL 1O.TEMPO – REAL MADRID 7 X 5 BENFICA

Charge da equipe bicampeã  da Europa

SEGUNDO TEMPO

2min – Melhora o Benfica. Também pelo crescimento técnico de Coluna e Simões, dois monstros. A blitz faz com que o Real Madrid só consiga dar “pontapés de baliza”, os tiros de meta.

5min – Gento corre e recebe algumas bolas longas desde a defesa. É pouco para a enorme pressão benfiquista. Um time melhor que o campeão de 1961. Muito melhor.

5min – GOL. 3 x 3 BENFICA. COLUNA. PÉ DIREITO. Puskás tenta dar um pé atrás mas tem a bola tomada por Coluna. Ele avança pela meia direita e manda um “pontapé fortíssimo”, na rede lateral direita do goleiro, que caiu tarde na bola. Justo. Para não escrever que seria ainda mais se tivesse virado o time português.

6min – Falta feia do lateral-esquerdo Ângelo sobre o bom ponta-direita Tejada. Hoje seria lance para cartão amarelo.

8min – Coluna é o senhor do gramado. Joga demais, em todas as áres e cantos do campo.  José Augusto sai da direita e articula por dentro, e só dá Benfica, com o Real Madrid não conseguindo articular o contragolpe.

10min -Puskás esquecido na frente. Mas faz belo lance com Gento, que passa por dois, só que o disperso Del Sol desperdiçou.

12min - Melê na área depois de lindo lance de Zé Augusto. Simões só não virou o jogo porque a zaga salvou. Parece pregado fisicamente o Real Madrid.

14min – Num lance isolado, o lateral-direito Casado cai e se machuca.

16min – Coluna desarma Del Sol, dribla um rival, e lança Simões que voa para cima do cambaleante Casado. Mais que nunca o caminho é pela esquerda. Não havia substituição à época.

16min – Benfica prejudicado pelo árbitro. Gol mal anulado de José Augusto por impedimento do ataque benfiquista. Belo lance de Eusébio. Lance era do árbitro, que deixou o bandeirinha 2 na linha de fundo. Mais um erro do sempre complicado árbitro holandês Leo Horn.

17min – Pênalti muito mal marcado a favor do Benfica. Quase tão absurdo quanto o marcado a favor do Real Madrid na decisão de 1960. Mário João desarmou Gento e tocou para Eusébio, rente à linha lateral direita, escapar desde o próprio campo, passar por Di Stéfano, desacelerar como craque que era, entrar na área pela direita e se atirar sobre o lateral-esquerdo Miera. O juizinho Leo Horn caiu na manha da Pantera Negra de Moçambique e marcou um pênalti absurdo. Não foi nada. Alias, quase Eusébio se machucou ao cair. Hoje, ainda seria amarelo por simulação. Não adiantaram os merengues reclamarem muito – para a época.

17min – GOL. 4 X 3 BENFICA. EUSÉBIO. PÊNALTI. PÉ DIREITO. No canto direito do goleiro, na barra de sustenção. O goleiro madridista caiu para o outro lado. Apesar do pênalti inexistente, virada merecida.

20min – Primeiro lance do nível do Real, com jogada envolvendo Puskás e Di Stéfano, que bateu de canhota, por cima. Primeira boa chance espanhola na segunda etapa. Mérito também da marcação mais adiantada e forte de Cavém em Di Stéfano.

21min – Falta bizarra do central Santamaría, que meteu a mão na bola na entrada da área. Parece mais que perdido o Real Madrid.

21min – GOL. 5 X 3 BENFICA. EUSÉBIO. FALTA. PÉ DIREITO. Coluna rola para Eusébio encher o pé direito e acertar rasteiro a mesma barra de sustenção do canto direito da meta rival. Ninguém marcou Eusébio no lance manjado do Benfica. Só Di Stéfano tentou chegar perto.

22min – Eusébio voa em campo. Passou por três e só parou no goleiro rival. Só dá Benfica. Cheiro de goleada em Bruxelas.

23min – Casado segue mancando em campo. Benfica realmente com praticamente um a mais.

24min – Gento acerta uma bomba, de sem-pulo, para ótima defesa de Costa Pereira. Apenas a segunda chance do Real no segundo tempo. São 4 oportunidades do Benfica.

25min – Não dá mais para Casado. Real Madrid com 10. O médio-direito Felo vira lateral pela direita.  Del Sol vira um médio pela direita, dando um pé ao médio-esquerdo Pachín. Di Stéfano fica à frente deles, como vértice de um triângulo. Puskás segue como centroavante. O WM (3-2-2-3) vira algo próximo a um 3-3-3. Ou 3-2-1-3.

Sem o machucado Casado, Real passou a adotar um 3-2-1-3, ou mesmo um 3-3-3

26min – “Grandes combinações do Benfica”, exulta o narrador português. Com razão. Joga muito o campeão português. Ainda mais com a movimentação de Eusébio, agora ocupando mais o lado direito da armação, dando mais espaço e saída para o gigante Coluna.

28min – Di Stéfano tentou cavar um pênalti. Na confusão estabelecida, o árbitro tentou afastar o bolo de jogadores e o apito saiu voando da mão dele. Del Sol estava esperto e o devolveu ao juiz.

30min – Simões joga e dribla muito e apanha demais. Juizão nada marca. E a partida fica ainda mais violenta, também por conta do mau apito.

32min – Puskás recebeu livre de Di Stéfano e perdeu boa chance. Como destacou o narrador português, “La Saeta Rubia (a Flecha Loira) é um poço de energia”. Não para Di Stéfano. Mas o time dele, sim.

34min – Gento também não para. Corre demais. Mas a ausência de Casado, com um a menos diante de um gigante como o Benfica, deixa o envelhecido Real Madrid prostrado.

37min – Mais uma bobagem da muralha uruguaia Santamaría deixa Coluna pronto para marcar. Mas goleiro merengue salva gol certo.

44min – Cinco fotógrafos tiram fotos do banco do Benfica, esperando de costas para o gramado a festa que acontece segundos depois, quando o árbitro toma a bola antes que o goleiro Costa Pereira pudesse bater um tiro de meta, iniciando a invasão do gramado.

FIM DE JOGO – Uma bela atuação encarnada na segunda etapa, criada por Coluna e executada por Eusébio garante a justa festa do Benfica, a despeito do quarto gol nascido em pênalti inexistente (compensando o gol mal anulado encarnado, no lance anterior). O melhor e mais jovem time venceu em Bruxelas.

PLACAR VIRTUAL 2O. TEMPO – BENFICA 5 X 3 REAL MADRID

PLACAR VIRTUAL – BENFICA 10 X 10 REAL MADRID

 

Site do Benfica

O time bicampeão na Holanda. Um show de técnica e juventude: Angelo, Cruz, Cavém, Mário João, Germano e Costa Pereira; José Augusto, Eusébio, Águas, Coluna e Simões

ATUAÇÕES

BENFICA – Um primeiro tempo com marcação deficiente, mas com grande qualidade na armação e na intensidade do jogo. Coluna por vezes disputava o mesmo espaço com Eusébio; mas, na segunda etapa, com o definhamento físico do Real Madrid, e com a perda de Casado, a tarefa ficou facilitada para o melhor time da história benfiquista. NOTA 9

COSTA PEREIRA – (Ver o perfil dele no texto da decisão de 1961). Uma grande atuação. Se demorou a sair no primeiro gol merengue, onde também pouco poderia fazer, foi essencial na sequência da partida. NOTA 8

MÁRIO JOÃO – (Ver o perfil dele no texto da decisão de 1961). Vida dura ter de marcar Gento. Mas, na primeira etapa, até que não se saiu mal. NOTA 5

GERMANO – (Ver o perfil dele no texto da decisão de 1961). Um dos maiores zagueiros da história do futebol europeu. Se teve problemas com Puskás no primeiro tempo, na segunda etapa garantiu a invencibilidade da meta lusitana. NOTA 8

ÂNGELO – (Ver o perfil dele no texto da decisão de 1961). Deu pouco espaço ao perigoso Tejada. NOTA 6

CAVÉM – (Ver o perfil dele no texto da decisão de 1961). Um golaço no primeiro tempo, e marcação eficiente sobre Di Stéfano na segunda etapa. Foi ponta-esquerda em 1961, e médio-direito em 1962. NOTA 8

CRUZ – (Ver o perfil dele no texto da decisão de 1961). Del Sol não deu muito trabalho. Também por isso poderia ter sido menos discreto o médio-esquerdo. NOTA 6

COLUNA – (Ver o perfil dele no texto da decisão de 1961). O Monstro fez de tudo. No primeiro tempo, um tanto menos. Como Eusébio atuou mais à esquerda, teve menos espaço. Na segunda etapa, rodou mais. E, de novo, foi seminal. NOTA 9

EUSÉBIO – A Pantera Negra de Moçambique (então colônia portuguesa, quando ele nasceu, em 1942), foi o novo Pelé da Copa de 1966, quando terminou em terceiro lugar, defendendo Portugal. Ponta-de-lança (e não centroavante), foi artilheiro da competição. Se não chegou a tanto quanto o E.T. Pelé, Eusébio não esteve tão longe. Até pela posição, estilo, instinto, força, velocidade (fazia os 100 metros em 11 segundos) e técnica. Um assombro. Craque europeu de 1965, na decisão de 1962 tinha apenas 19 anos. Para o excelente ponta-esquerda Simões, “com Eusébio em campo o Benfica poderia ter sido tricampeão europeu; sem ele, talvez não tivéssemos sido nem campeões nacionais”.  Eusébio quase jogou no São Paulo, que não o quis contratar, em 1960. Bauer, o Monstro do Maracanã, que o havia visto atuar em Moçambique, então o indicou ao amigo Béla Guttman, que trabalhou no Tricolor, em 1957. No Benfica jogou de 1960 a 1975 pelo Benfica. Na seleção portuguesa, de 1961 a 1973. Na decisão, definiu tudo no segundo tempo, com seu chute forte e chegada à área impressionantes. Era um assombro pela objetividade e ofensividade. NOTA 9

O maior jogador da história da Península Ibérica nasceu na África

JOSÉ AUGUSTO – (Ver o perfil dele no texto da decisão de 1961). Não tão brilhante quanto na decisão de Berna, mas ainda muito importante taticamente. Não era o “Garrincha português” como diziam. Mas era um baita jogador. Moderno até hoje. NOTA 8.

ÁGUAS -  (Ver o perfil dele no texto da decisão de 1961). Meio tosco, mas bom de área. Destoava pela qualidade do restante da formação ofensiva. NOTA 7

SIMÕES – Ponta-esquerda brilhante. Veloz, técnico, driblador, inteligente, de bom chute e faro de gol. Completo. Foi Benfica de 1961 a 1975. Tinha apenas 18 anos na decisão de Amsterdã. Jogou de 1962 a 1973 por Portugal. Fez o primeiro gol contra o Brasil na vitóriapor 3 x 1, na Copa de 1966, e não pôde ajudar os Tugas na decisão da Minicopa de 1972, vencida pela Seleção de Zagallo e Jairzinho. Foi o melhor do Benfica no primeiro tempo. NOTA 9

BÉLA GUTTMAN – (Ver o perfil dele no texto da decisão de 1961). Mais do mesmo mago em Amsterdã. Fundamental no intervalo para melhorar a marcação e ganhar o jogo, abusando da qualidade e juventude da equipe. NOTA 8

REAL MADRID – Nenhum time com Puskás e Di Stéfano pode ser desprezado. O Benfica jogou tanto que superou um rival com Puskás marcando três gols, e Di Stéfano jogando tanto, marcando tanto, fazendo tudo. Mas até Gento, no primeiro tempo, não foi o craque que foi. Uma equipe envelhecida, e com uma defesa sem muita qualidade.

ARAQUISTÁIN – O goleiro merengue pulava tarde, não pulava… Basco, jogou apenas por dois anos pela seleção espanhola. Foram 7 anos de Real Madrid, com seis títulos nacionais conquistados. NOTA 5

CASADO – O lateral-direito merengue atuou por 10 anos do Real Madrid. Uma só vez defendeu a Fúria. Na decisão de Amsterdã, fez número em quase todo o segundo tempo, por se lesionar sozinho. Antes disso, levou um baile de Simões. NOTA 4

SANTAMARÍA – (Ver o perfil dele no texto da decisão de 1960). Até o grande zagueiro central uruguaio não foi o de sempre. Se não teve tanto trabalho com o centroavante Águas, sofreu demais com Eusébio. NOTA 6

MIERA – O lateral-esquerdo madridista atuou 8 anos pelo clube, e fez um só jogo pela seleção. Foi treinador de 1974 a 1998. Treinou a seleção espanhola em 1991, e foi campeão olímpico em 1992, em Barcelona. Em campo, um bom primeiro tempo, tapando José Augusto, também pela impostação física. Depois, foi atropelado pela avalanche encarnada. NOTA 5

FELO – Foram quatro anos de Real. Em Amsterdã, foi médio direito e, depois, com o problema de Casado, virou lateral-direito. Pelo sacrifício, NOTA 5. Até porque tentar marcar Eusébio, com Coluna vindo de trás, no primeiro tempo, e, depois, Simões, é tarefa hercúlea. Mas, na primeira etapa, mais à frente, deixou espaço demais para Eusébio.

PACHÍN – (Ver o perfil dele no texto da decisão de 1960). Lateral-esquerdo em 1960, foi o médio-esquerdo em 1962. Se só foi sofrer com Eusébio na segunda etapa, não aportou grandes soluções. NOTA 5

DEL SOL – (Ver o perfil dele no texto da decisão de 1960). Partida discretíssima. Teria de acompanhar Coluna. Não o fez. E pouco ajudou na armação com sua boa dinâmica. NOTA 5

DI STÉFANO – (Ver o perfil dele no texto da decisão de 1960). Um monstro. Até porque foi muito mais um meia-esquerda que o centroavante que rodava o campo. Para não dizer que não foi mesmo um terceiro volante. Na segunda etapa, teve dificuldades com Cavém, que o marcou melhor. NOTA 7

TEJADA – Nove anos de Barcelona (incluindo um gol na inauguração do Camp Nou, em 1957) antes de passar três temporadas em Madri, e ainda encerrar a carreira no Espanyol. Jogou apenas 8 vezes pela Espanha, marcando 4 gols (todos num 6 x 2 contra a Irlanda do Norte). Era um ponta-direita goleador, de bom drible e velocidade. NOTA 7.

PUSKÁS – (Ver o perfil dele no texto da decisão de 1960). Outro gênio. E goleador. Foi centroavante em Amsterdã. E foi nota 10 no primeiro tempo. Na segunda etapa, isolado pelo time, poderia ter assumido mais a bronca e responsabilibade. Mas fica, claro, com a NOTA 9.

GENTO – (Ver o perfil dele no texto da decisão de 1960). Jogou pouco do muito que sabia na primeira etapa. No segundo tempo, o craque de sempre. NOTA 7

Um dos maiores pontas de todos os tempos: Gento. Seis vezes campeão europeu de clubes

MIGUEL MUÑOZ – (Ver o perfil dele no texto da decisão de 1960). Montou e remontou um senhor time. Talvez pudesse ter caprichado mais no sistema defensivo. Algo que sabia fazer como homem de meio-campo, enquanto jogador.

LEO HORN (Holanda) – Árbitro anulou um gol legal do Benfica e, logo depois, criou um pênalti para Eusébio. Mal no aspecto disciplinar. NOTA 3

PARTIDA – Outro jogo espetacular. Oito gols, Eusébio + Coluna x Puskás + Di Stéfano. Um show. NOTA 9

 

A ideia desta série é de ANDRÉ ROCHA e de GUSTAVO ROMAN, que providenciaram análises, informações e imagens.

Quer ver o jogo na íntegra?

Procure gugaroman@hotmail.com

 

8 ou 80 – 02/10/2002 a 15/10/02

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

 

O blag retoma textos de 8 anos atrás, publicados na minha coluna diária de então, no jornal “Agora São Paulo”, ou no portal America Online, empregos que acumulava juntamente com a TV Record.

Por que oito anos? São duas Copas. Período em que muda muita coisa. Ou nada muda.

 

15 de outubro de 2002

Uma equipe supera qualquer bloqueio

Giovane brincava com os colegas de Brasil nos treinos. “Eu vou fazer um ace decisivo!”. A sorte não brincou no serviço do campeão olímpico e mundial. Um ace cheio de efeito que nenhum russo acreditou e nenhum brasileiro conseguiu ver a bola no chão. E que solo! Argentino, portenho. Só em sonho.

Mas é real. A prata de 1982 no Luna Park virou ouro no Mundial em 2002. Aquele geração maravilhosa de Bernard e Renan, que deu na de Marcelo Negrão e Tande, deu na de Nalbert e Giba, e deu sempre com Maurício e Giovane.

Foi nos braços de Bernardinho, levantador reserva de William há 20 anos, que Giovane caiu depois do ponto decisivo. Não poderia ter ninguém melhor para levantar esse abraço, essa bola brasileira, esse caneco.

Bernardinho levantou os meninos como erguera as meninas do vôlei. Fez do Brasil um time na melhor acepção. O melhor atacante do Mundial, André Nascimento, e o melhor levantador do mundo, Maurício, ficaram no banco nos sets decisivos. Os reservas Anderson e Ricardinho jogaram por eles, e por nós.

Os dois pontos finais foram do reserva Giovane. Se é que “suplente” existe nesse time de Bernardinho, se é que esse sentimento de “reserva” passa por esse time. Um belíssimo exemplo de equipe para qualquer esporte, especialmente aquele onde todo “craque” se sente um ser especial, único, individual.

Você sabe qual é. Mas eles, não. Poucos são os que fazem como Nalbert, que pediu sempre a bola do jogo, da decisão, da responsabilidade. Um capitão de tarja, de fardo, de taça.

13 de outubro de 2002

Como o 13 de outubro de 1977 para o corintiano. Como o 12 de junho de 1993 para o palmeirense. Em breve, pelo visto e pelo jogado por essa molecada do Santos, saberemos qual será a data do santista.

12 de outubro de 2002

[N.R. em 2010: Suhzy Fraud era uma "pseudóloga" que havia criado para "responder" a leitores atormentados... Pseudóloga era uma falsa especialista em qualquer coisa. E, no texto abaixo, E.M. era Eurico Miranda, todopoderoso vascaíno; N.A.C. era Nabi Abi Chedid, patrono do Bragantino; W.H. era Wadih Helu, ex-todopoderoso corintiano. Todos não reeleitos deputados]

Os esquecidos e a pseudóloga

“Dona Fraud, o que nós vamos fazer agora? E.M., N.A.C., W.H., etc.”

Deputados depostos, pena que não há tapetão em eleição. Também acho que alguns colegas de vocês inventaram esse coeficiente eleitoral. Parece fórmula do Brasileirão! Candidato com 100 mil votos perde pra outro com 275?!

Pensem positivo. São Januário está de portões e alambrados escancarados pra você, E.M. O seu afilhado do Parque São Jorge te espera, W.H. O Bragantino está… bem, o Braga consegue estar pior que você, N.A.C.
Da próxima vez, vossas ex-excelências, façam como o Dualib, o Mustafá e o Farah, os três reis magos: descubram um método sem erros de reeleição. Sei que o eleitor brasileiro é menos conversável que um conselheiro de clube ou um cartola de time de futebol, mas, quem sabe? Ou façam como aquele condenado a 652 anos de cadeia que…

DIREITO DE RESPOSTA: Este texto foi interrompido pelo T.R.E. por conter observações levianas, injuriosas, caluniosas, difamatórias, criminosas, lesivas, conspiratórias, imorais, amorais, discriminatórias e genocidas sobre fatos e/ou pessoas que disputaram as últimas eleições na condição de candidatos.
Ninguém está autorizado a espezinhar pela imprensa deputados que não conseguiram ser reeleitos. Bastam as urnas. Aliás, basta de urnas! Indiretas-já!
Coronel Erasmo. FIM DO DIREITO DE RESPOSTA.
(Suhzy Fraud perdeu algumas linhas do texto, mas não perde a linha com o seu novo milk-shake de soja e aspargo. Ligue já!)

11 de outubro de 2002

Milagres?

Roberval Davino foi demitido do Figueirense com três derrotas e dois empates. Era o lanterna, com reles 13% de aproveitamento, e nenhum gol marcado.

Muricy Ramalho assumiu. Ganhou 6 jogos, perdeu 3, empatou um. Tem 63% de aproveitamento. Com esses números, seria o líder do BR-02.

O time? Chegaram Thiago Gentil, que mal servia ao Palmeiras, e Lino, que tropeçava na bola no São Paulo. O resto é igual. Até a disposição tática. Mas a disposição, no sentido mais amplo, quanta diferença!

O Figueirense que empatou com o Corinthians parecia disputar a própria vida em cada dividida. Melhor: em cada multiplicada. O Figueirense sacou: ou o time se entrega em cada bola, ou a equipe será devolvida depenada à segundona.

De favoritíssimo rebaixável ao delírio da classificação. É o Figueirense.

08 de outubro de 2002

[N.R - Lula ganhava o primeiro turno para ser presidente do Brasil pela primeira vez - mas apenas no segundo turno, semanas depois. E veja como as coisas mudam em 8 anos...]

Todos por todos e ninguém por um só

Não é o velhobobismo dos engajados que torciam contra a seleção em 1970 para não dar força à ditadura, nem o neobobismo dos que torceram contra o penta em 2002 para não dar bola à turma de Ricardo Teixeira.
Muito menos uma tentativa de botequim para analisar a derrota rotunda do malufismo, quercismo, brizolismo e outros caciquismos, com todas as distinções possíveis entre as tabas e tribos.

Mas a política brasileira repete o sucesso da seleção do penta.
Foi a vitória, ou melhor, a goleada do coletivo sobre o individual(ismo).
Não foi uma goleada do Lula, mas do PT.
Ninguém veste a camisa do “sapo barbudo”, segue o rastro da estrela do partido.
Se Lula é um candidato quase tão velho quanto outros caciques destronados, o partido que o carrega é muito maior que o nome que elege.

Voltando à teoria de botequim, é como o Brasil pentacampeão.
Belos nomes que formaram uma belíssima frase, no mínimo uma fase dourada.
Foi o todo que ganhou tudo, não um ou outro que ganharam por todos.
Como nessa urna eletrônica, os números contaram mais que os nomes.

O eleitor repudiou (enterrou?) o bloco do eu-só. Não é o Fulanuf que faz viaduto sozinho, não é só o Beltrola que guia um povo, não é apenas o Sicuércia que muda tudo que aí está.
São todos que entram em campo, que ganham, que empatam, que perdem. Que jogam por todos, não por bandeiras isoladas.

O Brasil irá pra frente quanto todo o time quiser bater o pênalti, e não só o presidente.

Felipão
Candidato pelo PMDB a deputado estadual por São Paulo, um tal de Felipão conseguiu não receber um voto sequer. A família Scolari não é mais a mesma.

Denílson
“Denílson o Amigo do Povo” (sic) era um tal candidato a deputado estadual em São Paulo pelo PDT. Foi driblado pelos “amigos” e não ganhou um votinho de seu povo.

06 de outubro de 2002

4-2-3-1

Ronaldo vai estrear no Real Madrid lugar de Guti. Figo (à direita), Raúl (por dentro) e Zidane (à esquerda) completam o ataque do Real, que joga num 4-2-3-1.

Santos

Em números, o Santos de Leão joga no mesmo 4-2-3-1 merengue. Além da técnica, claro, Figo, Raúl e Zidane se mexem por todos os lados. Elano, Diego e Robinho, não

Zico, Careca… Gente que fez meu novo livro, que lanço semana que vem

terça-feira, 9 de março de 2010

 

Você já sabe, e meu fake no twitter, o mauro_beting, não cansa de postejar, na próxima terça-feira, 16 de março, lanço meu novo livro, AS MELHORES SELEÇÕES ESTRANGEIRAS DE TODOS OS TEMPOS, pela Editora Contexto, na Saraiva, do Shopping Eldorado, em São Paulo. Eu e Milton Leite estaremos autografando nossas obras. A dele, AS MELHORES SELEÇÕES BRASILEIRAS DE TODOS OS TEMPOS, também pode ser comprada na livraria, e em vários endereços de internet, como livrosdefutebol.com, saraiva.com.br, por exemplo.

Meu livro só foi possível de ser feito em menos de três meses com a inestimável ajuda dos amigos:

GUSTAVO ROMAN

http://www.futebolpitacos.blogspot.com/

dono de absurdo acervo de filmes de futebol.

DASSLER MARQUES

http://dassler.blogspot.com/

um dos que fizeram o excepcional trabalho de observação, reportagem, entrevista e pesquisas. O outro foi

ANDRÉ ROCHA

http://blogs.abril.com.br/futebolearte

O André está postando em seu blog parte do grande material por ele coletado, pesquisado, entrevistado, observado.

Acesse e leia a íntegra de entrevistas com Zico, Falcão, Careca, Alemão e tantos com quem André conversou.

 

HISTÓRIA EM JOGO – COPA-82 – BRASIL 4 X 1 Escócia

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

A Escócia não era um mau time. Não era tão boa quanto a URSS de Blokhin. Certamente, não era como o Brasil de 1982. Nas palavras de Michel Platini à revista Placar, um ano depois da conquista do tetra, em 1994:

- Do time campeão mundial nos Estados Unidos, só lembro de Romário, Bebeto, Aldair… Como é mesmo o nome daquele goleiro? Sim, Taffarel. Posso até escalar o time todo, com mais calma. Já a seleção de 1982, essa eu tenho na ponta da língua. Assim como a de 1970.

Foi o Brasil de 1982. Um time que não ganhou a Copa, mas conquistou o mundo. Desde a excursão em 1981, quando a Seleção venceu Inglaterra, França e Alemanha, lá na Europa. Jogando o fino. Até mais do que apresentou na Espanha, um ano depois.

Para a segunda partida, em Sevilla, Telê já tinha Toninho Cerezo para escalar no meio-campo. Dirceu pouco jogara contra a URSS, torto pela direita. Paulo Isidoro entrara muito bem, na segunda etapa. Mas não havia como não jogar com o volante atleticano. Muito menos sacar Falcão, Sócrates e Zico. Éder jogara muito na estreia, pela esquerda. Serginho, nem tanto. Sacar o centroavante do São Paulo e adiantar Sócrates era um jeito de manter Paulo Isidoro quase como um ponta, com Éder do outro lado. Mas Telê queria uma referência na área. E um rodízio entre Sócrates, Zico, Falcão e Cerezo pelo lado direito.

Mais dessa história gloriosa você pode ler no livro de MILTON LEITE, “AS MELHORES SELEÇÕES BRASILEIRAS DE TODOS OS TEMPOS” (Editora Contexto), que será lançado em 16 de março, terça-feira, a partir das 18h30, na Saraiva do Shopping Eldorado, em São Paulo. Lá também estarei, autografando meu novo livro, primo daquele, chamado “As Melhores Seleções Estrangeiras de Todos os Tempos”.


Lançamento em 16 de março, na Saraiva do Shopping Eldorado, em São Paulo


No blag, na sessão HISTÓRIA EM JOGO, vamos contar o que vi então, e o que estou revendo agora, com a inestimável ajuda de Gustavo Roman (www.futebolpitacos.blogspot.com), que disponibilizou as imagens, e de André Rocha (http://blogs.abril.com.br/futebolearte), que inspirou a série.

PARA VER MELHORES MOMENTOS, com Luciano do Valle, pela Globo –

http://www.youtube.com/watch?v=bOpo6O1UT6M

ONDE? QUANDO? QUANTOS? POR QUÊ? – Estádio Ramón Sánchez Pizjuán, Sevilla. 18 de junho de 1982. 21h15 locais. 32º. Segundo jogo do Brasil na Copa-82. Grupo 6. 47.379 presentes.

PLACAR VIRTUAL 1o. TEMPO – BRASIL 3 X 1 ESCÓCIA

PLACAR VIRTUAL 2o. TEMPO – BRASIL 7 X 1 ESCÓCIA

PLACAR VIRTUAL FINAL – BRASIL 10 x 2 ESCÓCIA

BRASIL

4-1-4-1

4-2-3-1

Telê Santana

Valdir Peres-1

Oscar-3

Luisinho-4

Leandro-2

Júnior-6

Cerezo-5

Falcão-15

Zico-10

Sócrates-8

Éder-11

Serginho-9

ESCÓCIA

4-4-2

Jock Stein

Rough-1

Narey-14

Miller-6

Hansen-5

Gray-3

Wark-10

Strachan-7

Souness-4

Hartford-16

Archibald-18

Robertson-11

COMEÇOU – Brasil ataca à esquerda do televisor. E já começa cavando escanteio com Éder. Júnior vai bater fechado, pela esquerda, com Zico na primeira trave, Chulapa na segunda. Mas o lateral do Flamengo não consegue bater rapidamente porque, mais uma vez, os fotógrafos estão quase em cima da linha de fundo…


O time do Brasil em Sevilla: na formação clássica de foto, Sócrates era o ponta-direita. Não foi.

2min – O primeiro drible muito bonito, rente à lateral, é de Wark. A Escócia sabia jogar. E o Brasil estava tentando aprender a marcar. De início, Zico ocupava mais o lado direito, aberto, com Sócrates um pouco mais atrás, por dentro.

3min – Cerezo chega pela meia direita e bate forte, à direita de Rough. Belo lance com Chulapa, com Falcão se oferecendo para o jogo. Teoricamente, os dois volantes apareceram na área como atacantes. Na prática, o Brasil começa num 4-1-4-1: Cerezo é o volante, Falcão se junta por dentro à armação. O problema é que Zico começa muito aberto à direita, distante da meta rival.

4min – O ótimo Souness dá o troco, mandando à direita de Valdir. Chegou fácil, e por dentro, sem marcação.

7min – Impressiona a movimentação brasileira. Zico sai da direita e articula por dentro, com Cerezo passando. Éder recua e é seguido pelo lateral Narey. A Escócia também quer jogo, e o ótimo meia Strachan causa problemas.

8min – Cerezo isola a bola. Mas é muito boa a dinâmica brasileira. Zico fechou por dentro, Sócrates abriu pela ponta, fazendo parceria com Leandro. Do meio para frente, e com a chegada constante dos laterais Leandro e Júnior, é um time que se assemelha ao holandês, de 1974. Mérito também da exaustiva preparação física, a cargo de Gilberto Tim.

11min – Éder bate a falta da meia esquerda. Bem de longe. Mas ela passa perto ao travessão escocês. Rivais sentem a pressão brasileira.

13min – Cerezo arranca por dentro, tabelando com Zico. O volante do Galo dá grande velocidade ao time. Sobretudo quando o Galinho deixa o lado direito e roda mais o campo. Melhor seria abrir o Sócrates por ali, em vez de prender tanto Zico. Leandro e o Doutor parecem melhor ambientados. E o poder de fogo do Galinho precisa ser melhor explorado, próximo ao gol, não à linha lateral.

13min – Sócrates aparece sozinho, no segundo pau, e cabeceia na rede lateral escocesa, falta magistralmente cobrada por Zico. PLACAR VIRTUAL – BRASIL 1 X 0.

14min – Rough se antecipa a Falcão e evita o primeiro gol, depois de lindo lançamento de Zico. De novo, o Brasil criou mais com o craque flamenguista por dentro. E só não consegue mais porque Júnior também é seguido pelo ótimo winger-direito Wark. Falcão fica um pouco mais plantado, pela esquerda. Agora, é praticamente um 4-2-3-1.

Valdir Peres-1

Oscar-3

Luisinho-4

Leandro-2

Júnior-6

Cerezo-5

Falcão-15

Zico-10

Sócrates-8

Éder-11

Serginho-9

17min49s – GOOOOOOOL. 1 X 0. ESCÓCIA. NAREY. PÉ DIREITO. MEIA DIREITA. Souness lançou da esquerda para a direita para Wark ajeitar de cabeça para a chegada do lateral. Mesmo acompanhado por Éder, e à frente de Falcão e Luisinho, ele conseguiu esticar a perna e bater no ângulo esquerdo de Valdir. Belo gol. PLACAR VIRTUAL – BRASIL 1 X 1.

19min – Cera dos diabos dos escoceses, já vaiados pelo estádio de Sevilla. Eles conseguem dar uma esfriada trocando bem a bola, seguindo a tradição secular do jogo de passes escocês. Brasil joga como se não tivesse levado o gol. Archibald fica mais isolado. Dá para dizer que Escócia também passa a atuar num 4-2-3-1. Como bem explicado em ESQUEMAS CLÁSSICOS –

http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://1.bp.blogspot.com/_bd9qkB1ubUA/Sm6NLtACb4I/AAAAAAAAAcs/4LwuHeA9YUw/s400/Brasil-Escocia-1982-2.png&imgrefurl=http://esquemasclassicos.blogspot.com/2009/07/esquemas-classicos-brasil-4×1-escocia.html&usg=__ZN0rBVkNKs01VnXb8BqGiTvWDRg=&h=400&w=286&sz=67&hl=pt-BR&start=1&um=1&itbs=1&tbnid=ZWLZ_CV4W-DDBM:&tbnh=124&tbnw=89&prev=/images%3Fq%3Dbrasil%2Besc%25C3%25B3cia%2Bcopa%2B82%26hl%3Dpt-BR%26rlz%3D1T4GFRE_pt-BRBR366%26sa%3DN%26um%3D1

Rough-1

Narey-14

Miller-6

Hansen-5

Gray-3

Strachan-7

Souness-4

Wark-10

Hartford-16

Robertson-11

Archibald-18

24min – Éder cruza (ou teria chutado?) e encobre a meta escocesa. Lance de perigo. Mas é pouco. Brasil começa a errar passes e afunilar demais o jogo. Zico fecha, como deveria, mas ninguém dá opção pelo lado direito. Nem Leandro.

26min – Lindo chapéu de Zico na intermediária inicia grande lance com Leandro e Júnior, desarmado na entrada da área rival. Entrosamento do Flamengo ajuda demais o Brasil. Mas ainda estamos chutando pouco. E Serginho sente ainda mais a boa marcação escocesa.

32min – Arrancou Cerezo por dentro até cavar ótima falta na entrada da área. Para Zico. Para Éder. Para Sócrates. Qualquer um deles.

33min07s – GOOOOOOOOOOL. 1 X 1 BRASIL. ZICO. PÉ DIREITO. QUASE NA MEIA-LUA. GOLAÇO. Zico, com a tradicional qualidade, jogou no ângulo esquerdo de Rough, que só olhou a bola ainda bater na parte interna da trave. Belo e merecido gol brasileiro. PLACAR VIRTUAL – BRASIL 2 X 1


Zico, na TV, celebra o empate. Cortesia de Esquemas Táticos

34min – Serginho cabeceia para fora, à esquerda, depois de precioso passe de Éder, em contragolpe criado pela retomada de bola de Cerezo. O jogo é esse. E o time, também. Ainda falta um rodízio melhor pela direita. Apenas isso. PLACAR VIRTUAL – BRASIL 3 X 1

35min – Outro desarme de Cerezo e uma arrancada sensacional do volante brasileiro. Como seria bom se os volantes de hoje soubessem sair para o jogo como o do Atlético Mineiro… Não é só desarmar. É também jogar com o time.

36min – Escócia ataca. Só Chulapa no campo de ataque. Era um time que sabia se defender. Ou ocupar espaços.

39min – Serginho também se mexe e dá opções. Mas está jogando muito abaixo do normal. Questão técnica.

40min – Valdir se antecipa bem e defende aos pés de Archibald. Pelo lado esquerdo do Brasil, a Escócia tem ganho todas pelo alto.

45min00 – Apita o árbitro. Fim de um primeiro tempo abaixo da excelente média brasileira. Também pelo mérito escocês na marcação. Brasil precisa melhorar o rodízio pela direita e centralizar mais Zico, aproximando-o de Serginho. Ainda assim, a Seleção segue favorita em campo.

RECOMEÇOU –

3min- GOOOOOOOOOL. 2 X 1 BRASIL. OSCAR. CABEÇA. Escanteio da esquerda batido por Júnior e criado em belo lance de Sócrates. Bola no primeiro pau, o zagueiro do São Paulo se antecipa à zaga escocesa e vira o placar, em lance muito ensaiado pelo Brasil. PLACAR VIRTUAL – BRASIL 4 X 1.

5min – Brasil merece a vantagem e busca ampliá-la. Cerezo sai mais, pela direita, e Falcão fica como primeiro volante. Zico inverte mais de posição com Sócrates, que passa a abrir também pela esquerda, como no lance que originou o gol de Oscar.

6min – Torcida canta “Olé, olá, o Brasil tá botando pra quebrar”. Saudade do jogo, desse jogo brasileiro, e até desse canto. Pode me chamar de saudosista.

11min – Sensacional lançamento de Éder para a entrada de Zico, que divide com o goleiro Rough. Bela troca de bola brasileira tira um pouco a Escócia do nosso campo. Serginho recua para armar o time, e, por vezes, deixa o ataque sem ninguém. PLACAR VIRTUAL – BRASIL 5 X 1.

12min – Zico, de canhota, em lance rápido bate rente à trave esquerda. Belo contragolpe brasileiro. PLACAR VIRTUAL – BRASIL 6 X 1.

14min – Zico pega um rebote de uma atarantada zaga escocesa e manda rente à trave direita. Grande jogada de Éder com Cerezo. O entrosamento do Galo ajuda o Brasil. Cheira à goleada. PLACAR VIRTUAL – BRASIL 7 X 1.

15min – Cerezo, pela enésima vez, passa como um trem pela direita e dá opção de jogo ao Brasil. Ele vai ao fundo como ponta e cruza para a zaga escocesa aliviar. Bela troca de bola brasileira. Dribles, toques de primeira, inversão de bola… A Seleção joga o fino. E não para fazer firula. Apenas para fazer gol.

19min – GOOOOOOOOOOOL. 3 X 1 BRASIL. ÉDER. CANHOTA. DENTRO DA ÁREA. GOLAÇO. ASSISTÊNCIA DE SERGINHO. Falcão saiu com a bola sem ser molestado pelos escoceses. Achou Sócrates livre. O Dr. avançou, tocou par Chulapa que deu belo passe à esquerda para Éder. Livre, viu o goleiro escocês saindo, e tocou por cobertura, com imensa categoria. Golaço. PLACAR VIRTUAL – BRASIL 8 X 1.


A celebração de Éder, na imagem da TV Globo, com a assinatura do ponta-esquerda.

20min – MUDA ESCÓCIA – DALGLISH-8 X Strachan-7. Entra, enfim, um dos maiores jogadores da história do futebol escocês, o meia-atacante do Liverpool, inexplicavelmente na reserva. Dalglish encosta mais em Archibald.

21min – Um show. Leandro e Júnior fintam como querem os rivais e a equipe só toca de primeira.

22min – Telê chama a atenção do time que exagera na saída de bola na entrada da área, arriscando desnecessariamente alguns lances. Se eles tivessem ouvido…

23min – MUDA ESCÓCIA – McLEISH-13 X Hartford-16. Entra para dar um pouco mais de agressividade.

27min – Linda jogada do ótimo Robertson, que passa por dois e arrisca de longe, raspando o travessão. PLACAR VIRTUAL – BRASIL 8 X 2

29min – Serginho cabeceia torto para fora. Seleção tira o pé do acelerador. Mas ainda se mexe bem, fazendo melhor o rodízio pela direita.

30min – Éder, em vez de cruzar da ponta, bate direto. Luisinho, como se fosse um centroavante, chega um tanto tarde. PLACAR VIRTUAL – BRASIL 9 X 2

32min – O chapéu de Falcão em Dalglish… Não há dúvida. Paulo Roberto Falcão é um dos 11 jogadores mais elegantes da história do futebol mundial.


Falcão mata no peito depois de chapelar o melhor jogador da Escócia desde 1960

34min – Falcão vai até a linha de fundo, desarma sem fazer força um rival, finta o outro, e é aplaudido. Não só está jogando muito o Brasil. Não está deixando jogar a cansada Escócia.

35min – MUDA BRASIL. PAULO ISIDORO-7 X Serginho. O meia gremista vai atuar aberto pela direita. Sócrates vira o atacante isolado do 4-2-3-1 brasileiro. Zico faz a de Sócrates.

Valdir Peres-1

Oscar-3

Luisinho-4

Leandro-2

Júnior-6

Cerezo-5

Falcão-15

P.Isidoro-7

Zico-10

Éder-11

Sócrates-8

38min – Pela trilionésima vez, Oscar ganha um lance de cabeça na área. Já foi assim em 1978, na Argentina.

41min – GOOOOOOOOOOOL. 4 X 1 BRASIL. FALCÃO. MEIA DIREITA. PÉ DIREITO. ASSISTÊNCIA DE SÓCRATES. GOLAÇO. Linda trama brasileira. Éder para Cerezo, que tocou a Sócrates, que rolou atrás para o inesgotável Rei de Roma, que bateu de primeira a bola que bateu na trave direita e entrou. Belo gol. PLACAR VIRTUAL – BRASIL 10 X 2

44min59s – APITA O ÁRBITRO. Se não foi bom o primeiro tempo brasileiro, abaixo da excelente média da equipe, o segundo fez jus à fama que até hoje perdura. Um concerto de bola.

Nota partida – 7

Nota Brasil – 8

Escócia – 5

NOTAS

BRASIL

[1] Valdir Peres – Nada poderia fazer no gol. Atuação tranqüila [nota 6]
[2] Leandro – Desarmes com técnica excedente, apoiou menos que o usual. Mais seguro defensivamente, menos notável [7]
[3] Oscar – Além do gol, notável no jogo aéreo e nas antecipações, com posicionamento e velocidade [8]
[4] Luisinho – Mais técnico que Oscar, mas menos eficiente. Liberado por Telê, avançou bem [6]
[6] Júnior – Menos ofensivo que contra a URSS, ainda assim técnico e vistoso. Uma ala poderosa com Éder [7]
[5]Toninho Cerezo – Mais atrás no primeiro tempo, mais ofensivo no segundo, vibrante, inesgotável e brilhante [9]
[15] Falcão – Mais solto no primeiro tempo, mais preso no segundo, elegante, inesgotável e brilhante. O melhor [9]
[10] Zico – Sacrificado taticamente no 4-2-3-1 de Telê, ficou muito distante da meta no 1o. tempo, aberto à direita. Melhorou no segundo. Mas ainda abaixo do que pode [7]
[8] Sócrates – Mais solto por dentro que na estreia, caiu bem pelos lados, e conduziu a equipe com inteligência [7]
[9] Serginho – Luta, sai da área, tenta abrir espaço, finaliza. Mas está mal tecnicamente. Destoa da equipe [5]
[Paulo Isidoro-7 – Entrou e deu mais gás ao time [6]
[11] Éder – Armou, cruzou, passou, driblou, marcou, assumiu a criação, pediu a bola. Fez de tudo, e um gol magnífico [9]
TELÊ SANTANA – Acertou ao escalar Cerezo. Poderia ter adiantado Sócrates e aberto Paulo Isidoro. E não foi feliz ao deixar Zico muito preso à direita. Ainda assim, tudo que professava naquele time estava em campo. E brilhando [8]

ESCÓCIA

[1] Alan ROUGH – Partick Thistle, 30 anos – Atrapalhado. Meio louco. Mas nada poderia fazer [5]
[14] David NAREY – Dundee, 26 – Um belo gol. Mas foi duuuuuro marcar Éder [6]
[6] Willie MILLER – Aberdeen, 27 – Bom duelo com Serginho. Mas perdeu [5]
[5] Alan HANSEN – Liverpool-ING, 27 – No mesmo nível do companheiro de zaga [5]
[3] Frank GRAY – Leeds-ING, 27 – Melhor quando apoiou que quando marcou [6]
[10] John WARK – Ipswich-ING, 24 – Muito bom jogador, melhor quando pela direita [6]
[7] Gordon STRACHAN – Aberdeen, 25 – Ótimo armador, cansou no fim [6]

[8] Kenny Dalglish – Liverpool, xx – Entrou tarde. E mal. Sem nota

[4] Graeme SOUNESS – Liverpool-ING, 29 – Bom organizador de jogo, foi engolido pelo Brasil [5]
[16] Asa HARTFORD – Manchester City-ING, 31 – Ajudou atrás, mas não à frente [5]

[13] McLeish – Sem tempo. Sem nota.

[11] John ROBERTSON – Nottingham F.-ING, 29 – Ponta abusado, foi o mais perigoso escocês [6]
[18] Steve ARCHIBALD – Tottenham-ING, 25 – Isolado e apagado [4]

Árbitro – Luís Paulino Siles (Costa Rica) – [5] Jogo não foi difícil de ser apitado. Mas ele não se impôs disciplinarme

HISTÓRIA EM JOGO – COPA-82 – Brasil 4 x 1 Escócia

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

A Escócia não era um mau time. Não era tão boa quanto a URSS de Blokhin. Certamente, não era como o Brasil de 1982. Nas palavras de Michel Platini à revista Placar, um ano depois da conquista do tetra, em 1994:

- Do time campeão mundial nos Estados Unidos, só lembro de Romário, Bebeto, Aldair… Como é mesmo o nome daquele goleiro? Sim, Taffarel. Posso até escalar o time todo, com mais calma. Já a seleção de 1982, essa eu tenho na ponta da língua. Assim como a de 1970.

Foi o Brasil de 1982. Um time que não ganhou a Copa, mas conquistou o mundo. Desde a excursão em 1981, quando a Seleção venceu Inglaterra, França e Alemanha, lá na Europa. Jogando o fino. Até mais do que apresentou na Espanha, um ano depois.

Para a segunda partida, em Sevilla, Telê já tinha Toninho Cerezo para escalar no meio-campo. Dirceu pouco jogara contra a URSS, torto pela direita. Paulo Isidoro entrara muito bem, na segunda etapa. Mas não havia como não jogar com o volante atleticano. Muito menos sacar Falcão, Sócrates e Zico. Éder jogara muito na estreia, pela esquerda. Serginho, nem tanto. Sacar o centroavante do São Paulo e adiantar Sócrates era um jeito de manter Paulo Isidoro quase como um ponta, com Éder do outro lado. Mas Telê queria uma referência na área. E um rodízio entre Sócrates, Zico, Falcão e Cerezo pelo lado direito.

Mais dessa história gloriosa você pode ler no livro de MILTON LEITE, “AS MELHORES SELEÇÕES BRASILEIRAS DE TODOS OS TEMPOS” (Editora Contexto), que será lançado em 16 de março, terça-feira, a partir das 18h30, na Saraiva do Shopping Eldorado, em São Paulo. Lá também estarei, autografando meu novo livro, primo daquele, chamado “As Melhores Seleções Estrangeiras de Todos os Tempos”.


Lançamento em 16 de março, na Saraiva do Shopping Eldorado, em São Paulo


No blag, na sessão HISTÓRIA EM JOGO, vamos contar o que vi então, e o que estou revendo agora, com a inestimável ajuda de Gustavo Roman (www.futebolpitacos.blogspot.com), que disponibilizou as imagens, e de André Rocha (http://blogs.abril.com.br/futebolearte), que inspirou a série.

PARA VER MELHORES MOMENTOS, com Luciano do Valle, pela Globo –

http://www.youtube.com/watch?v=bOpo6O1UT6M

ONDE? QUANDO? QUANTOS? POR QUÊ? – Estádio Ramón Sánchez Pizjuán, Sevilla. 18 de junho de 1982. 21h15 locais. 32º. Segundo jogo do Brasil na Copa-82. Grupo 6. 47.379 presentes.

PLACAR VIRTUAL 1o. TEMPO – BRASIL 3 X 1 ESCÓCIA

PLACAR VIRTUAL 2o. TEMPO – BRASIL 7 X 1 ESCÓCIA

PLACAR VIRTUAL FINAL – BRASIL 10 x 2 ESCÓCIA

BRASIL 4-1-4-1 4-2-3-1 Telê Santana
Valdir Peres-1
Oscar-3 Luisinho-4
Leandro-2 Júnior-6
Cerezo-5
Falcão-15
Zico-10 Sócrates-8 Éder-11
Serginho-9
ESCÓCIA 4-4-2 Jock Stein
Rough-1
Narey-14 Miller-6 Hansen-5 Gray-3
Wark-10 Strachan-7 Souness-4 Hartford-16
Archibald-18 Robertson-11

COMEÇOU – Brasil ataca à esquerda do televisor. E já começa cavando escanteio com Éder. Júnior vai bater fechado, pela esquerda, com Zico na primeira trave, Chulapa na segunda. Mas o lateral do Flamengo não consegue bater rapidamente porque, mais uma vez, os fotógrafos estão quase em cima da linha de fundo…


O time do Brasil em Sevilla: na formação clássica de foto, Sócrates era o ponta-direita. Não foi.

2min – O primeiro drible muito bonito, rente à lateral, é de Wark. A Escócia sabia jogar. E o Brasil estava tentando aprender a marcar. De início, Zico ocupava mais o lado direito, aberto, com Sócrates um pouco mais atrás, por dentro.

3min – Cerezo chega pela meia direita e bate forte, à direita de Rough. Belo lance com Chulapa, com Falcão se oferecendo para o jogo. Teoricamente, os dois volantes apareceram na área como atacantes. Na prática, o Brasil começa num 4-1-4-1: Cerezo é o volante, Falcão se junta por dentro à armação. O problema é que Zico começa muito aberto à direita, distante da meta rival.

4min – O ótimo Souness dá o troco, mandando à direita de Valdir. Chegou fácil, e por dentro, sem marcação.

7min – Impressiona a movimentação brasileira. Zico sai da direita e articula por dentro, com Cerezo passando. Éder recua e é seguido pelo lateral Narey. A Escócia também quer jogo, e o ótimo meia Strachan causa problemas.

8min – Cerezo isola a bola. Mas é muito boa a dinâmica brasileira. Zico fechou por dentro, Sócrates abriu pela ponta, fazendo parceria com Leandro. Do meio para frente, e com a chegada constante dos laterais Leandro e Júnior, é um time que se assemelha ao holandês, de 1974. Mérito também da exaustiva preparação física, a cargo de Gilberto Tim.

11min – Éder bate a falta da meia esquerda. Bem de longe. Mas ela passa perto ao travessão escocês. Rivais sentem a pressão brasileira.

13min – Cerezo arranca por dentro, tabelando com Zico. O volante do Galo dá grande velocidade ao time. Sobretudo quando o Galinho deixa o lado direito e roda mais o campo. Melhor seria abrir o Sócrates por ali, em vez de prender tanto Zico. Leandro e o Doutor parecem melhor ambientados. E o poder de fogo do Galinho precisa ser melhor explorado, próximo ao gol, não à linha lateral.

13min – Sócrates aparece sozinho, no segundo pau, e cabeceia na rede lateral escocesa, falta magistralmente cobrada por Zico. PLACAR VIRTUAL – BRASIL 1 X 0.

14min – Rough se antecipa a Falcão e evita o primeiro gol, depois de lindo lançamento de Zico. De novo, o Brasil criou mais com o craque flamenguista por dentro. E só não consegue mais porque Júnior também é seguido pelo ótimo winger-direito Wark. Falcão fica um pouco mais plantado, pela esquerda. Agora, é praticamente um 4-2-3-1.

Valdir Peres-1
Oscar-3 Luisinho-4
Leandro-2 Júnior-6
Cerezo-5 Falcão-15
Zico-10 Sócrates-8 Éder-11
Serginho-9

17min49s – GOOOOOOOL. 1 X 0. ESCÓCIA. NAREY. PÉ DIREITO. MEIA DIREITA. Souness lançou da esquerda para a direita para Wark ajeitar de cabeça para a chegada do lateral. Mesmo acompanhado por Éder, e à frente de Falcão e Luisinho, ele conseguiu esticar a perna e bater no ângulo esquerdo de Valdir. Belo gol. PLACAR VIRTUAL – BRASIL 1 X 1.

19min – Cera dos diabos dos escoceses, já vaiados pelo estádio de Sevilla. Eles conseguem dar uma esfriada trocando bem a bola, seguindo a tradição secular do jogo de passes escocês. Brasil joga como se não tivesse levado o gol. Archibald fica mais isolado. Dá para dizer que Escócia também passa a atuar num 4-2-3-1. Como bem explicado em ESQUEMAS CLÁSSICOS –

http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://1.bp.blogspot.com/_bd9qkB1ubUA/Sm6NLtACb4I/AAAAAAAAAcs/4LwuHeA9YUw/s400/Brasil-Escocia-1982-2.png&imgrefurl=http://esquemasclassicos.blogspot.com/2009/07/esquemas-classicos-brasil-4×1-escocia.html&usg=__ZN0rBVkNKs01VnXb8BqGiTvWDRg=&h=400&w=286&sz=67&hl=pt-BR&start=1&um=1&itbs=1&tbnid=ZWLZ_CV4W-DDBM:&tbnh=124&tbnw=89&prev=/images%3Fq%3Dbrasil%2Besc%25C3%25B3cia%2Bcopa%2B82%26hl%3Dpt-BR%26rlz%3D1T4GFRE_pt-BRBR366%26sa%3DN%26um%3D1

Rough-1
Narey-14 Miller-6 Hansen-5 Gray-3
Strachan-7 Souness-4
Wark-10 Hartford-16 Robertson-11
Archibald-18

24min – Éder cruza (ou teria chutado?) e encobre a meta escocesa. Lance de perigo. Mas é pouco. Brasil começa a errar passes e afunilar demais o jogo. Zico fecha, como deveria, mas ninguém dá opção pelo lado direito. Nem Leandro.

26min – Lindo chapéu de Zico na intermediária inicia grande lance com Leandro e Júnior, desarmado na entrada da área rival. Entrosamento do Flamengo ajuda demais o Brasil. Mas ainda estamos chutando pouco. E Serginho sente ainda mais a boa marcação escocesa.

32min – Arrancou Cerezo por dentro até cavar ótima falta na entrada da área. Para Zico. Para Éder. Para Sócrates. Qualquer um deles.

33min07s – GOOOOOOOOOOL. 1 X 1 BRASIL. ZICO. PÉ DIREITO. QUASE NA MEIA-LUA. GOLAÇO. Zico, com a tradicional qualidade, jogou no ângulo esquerdo de Rough, que só olhou a bola ainda bater na parte interna da trave. Belo e merecido gol brasileiro. PLACAR VIRTUAL – BRASIL 2 X 1


Zico, na TV, celebra o empate. Cortesia de Esquemas Táticos

34min – Serginho cabeceia para fora, à esquerda, depois de precioso passe de Éder, em contragolpe criado pela retomada de bola de Cerezo. O jogo é esse. E o time, também. Ainda falta um rodízio melhor pela direita. Apenas isso. PLACAR VIRTUAL – BRASIL 3 X 1

35min – Outro desarme de Cerezo e uma arrancada sensacional do volante brasileiro. Como seria bom se os volantes de hoje soubessem sair para o jogo como o do Atlético Mineiro… Não é só desarmar. É também jogar com o time.

36min – Escócia ataca. Só Chulapa no campo de ataque. Era um time que sabia se defender. Ou ocupar espaços.

39min – Serginho também se mexe e dá opções. Mas está jogando muito abaixo do normal. Questão técnica.

40min – Valdir se antecipa bem e defende aos pés de Archibald. Pelo lado esquerdo do Brasil, a Escócia tem ganho todas pelo alto.

45min00 – Apita o árbitro. Fim de um primeiro tempo abaixo da excelente média brasileira. Também pelo mérito escocês na marcação. Brasil precisa melhorar o rodízio pela direita e centralizar mais Zico, aproximando-o de Serginho. Ainda assim, a Seleção segue favorita em campo.

RECOMEÇOU –

3min- GOOOOOOOOOL. 2 X 1 BRASIL. OSCAR. CABEÇA. Escanteio da esquerda batido por Júnior e criado em belo lance de Sócrates. Bola no primeiro pau, o zagueiro do São Paulo se antecipa à zaga escocesa e vira o placar, em lance muito ensaiado pelo Brasil. PLACAR VIRTUAL – BRASIL 4 X 1.

5min – Brasil merece a vantagem e busca ampliá-la. Cerezo sai mais, pela direita, e Falcão fica como primeiro volante. Zico inverte mais de posição com Sócrates, que passa a abrir também pela esquerda, como no lance que originou o gol de Oscar.

6min – Torcida canta “Olé, olá, o Brasil tá botando pra quebrar”. Saudade do jogo, desse jogo brasileiro, e até desse canto. Pode me chamar de saudosista.

11min – Sensacional lançamento de Éder para a entrada de Zico, que divide com o goleiro Rough. Bela troca de bola brasileira tira um pouco a Escócia do nosso campo. Serginho recua para armar o time, e, por vezes, deixa o ataque sem ninguém. PLACAR VIRTUAL – BRASIL 5 X 1.

12min – Zico, de canhota, em lance rápido bate rente à trave esquerda. Belo contragolpe brasileiro. PLACAR VIRTUAL – BRASIL 6 X 1.

14min – Zico pega um rebote de uma atarantada zaga escocesa e manda rente à trave direita. Grande jogada de Éder com Cerezo. O entrosamento do Galo ajuda o Brasil. Cheira à goleada. PLACAR VIRTUAL – BRASIL 7 X 1.

15min – Cerezo, pela enésima vez, passa como um trem pela direita e dá opção de jogo ao Brasil. Ele vai ao fundo como ponta e cruza para a zaga escocesa aliviar. Bela troca de bola brasileira. Dribles, toques de primeira, inversão de bola… A Seleção joga o fino. E não para fazer firula. Apenas para fazer gol.

19min – GOOOOOOOOOOOL. 3 X 1 BRASIL. ÉDER. CANHOTA. DENTRO DA ÁREA. GOLAÇO. ASSISTÊNCIA DE SERGINHO. Falcão saiu com a bola sem ser molestado pelos escoceses. Achou Sócrates livre. O Dr. avançou, tocou par Chulapa que deu belo passe à esquerda para Éder. Livre, viu o goleiro escocês saindo, e tocou por cobertura, com imensa categoria. Golaço. PLACAR VIRTUAL – BRASIL 8 X 1.


20min – MUDA ESCÓCIA – DALGLISH-8 X Strachan-7. Entra, enfim, um dos maiores jogadores da história do futebol escocês, o meia-atacante do Liverpool, inexplicavelmente na reserva. Dalglish encosta mais em Archibald.

21min – Um show. Leandro e Júnior fintam como querem os rivais e a equipe só toca de primeira.

22min – Telê chama a atenção do time que exagera na saída de bola na entrada da área, arriscando desnecessariamente alguns lances. Se eles tivessem ouvido…

23min – MUDA ESCÓCIA – McLEISH-13 X Hartford-16. Entra para dar um pouco mais de agressividade.

27min – Linda jogada do ótimo Robertson, que passa por dois e arrisca de longe, raspando o travessão. PLACAR VIRTUAL – BRASIL 8 X 2

29min – Serginho cabeceia torto para fora. Seleção tira o pé do acelerador. Mas ainda se mexe bem, fazendo melhor o rodízio pela direita.

30min – Éder, em vez de cruzar da ponta, bate direto. Luisinho, como se fosse um centroavante, chega um tanto tarde. PLACAR VIRTUAL – BRASIL 9 X 2

32min – O chapéu de Falcão em Dalglish… Não há dúvida. Paulo Roberto Falcão é um dos 11 jogadores mais elegantes da história do futebol mundial.

34min – Falcão vai até a linha de fundo, desarma sem fazer força um rival, finta o outro, e é aplaudido. Não só está jogando muito o Brasil. Não está deixando jogar a cansada Escócia.


35min – MUDA BRASIL. PAULO ISIDORO-7 X Serginho. O meia gremista vai atuar aberto pela direita. Sócrates vira o atacante isolado do 4-2-3-1 brasileiro. Zico faz a de Sócrates.

Valdir Peres-1
Oscar-3 Luisinho-4
Leandro-2 Júnior-6
Cerezo-5
Falcão-15
P.Isidoro-7 Zico-10 Éder-11
Sócrates-8

38min – Pela trilionésima vez, Oscar ganha um lance de cabeça na área. Já foi assim em 1978, na Argentina.

41min – GOOOOOOOOOOOL. 4 X 1 BRASIL. FALCÃO. MEIA DIREITA. PÉ DIREITO. ASSISTÊNCIA DE SÓCRATES. GOLAÇO. Linda trama brasileira. Éder para Xerezo, que tocou a Sócrates, que rolou atrás para o inesgotável Rei de Roma, que bateu de primeira a bola que bateu na trave direita e entrou. Belo gol. PLACAR VIRTUAL – BRASIL 10 X 2

44min59s – APITA O ÁRBITRO. Se não foi bom o primeiro tempo brasileiro, abaixo da excelente média da equipe, o segundo fez jus à fama que até hoje perdura. Um concerto de bola.

Nota partida – 7

Nota Brasil – 8

Escócia – 5

Nota partida – 7

Nota Brasil – 8

Escócia – 5

NOTAS

BRASIL

[1] Valdir Peres – Nada poderia fazer no gol. Atuação tranqüila [nota 6]

[2] Leandro – Desarmes com técnica excedente, apoiou menos que o usual. Mais seguro defensivamente, menos notável [7]

[3] Oscar – Além do gol, notável no jogo aéreo e nas antecipações, com posicionamento e velocidade [8]

[4] Luisinho – Mais técnico que Oscar, mas menos eficiente. Liberado por Telê, avançou bem [6]

[6] Júnior – Menos ofensivo que contra a URSS, ainda assim técnico e vistoso. Uma ala poderosa com Éder [7]

[5]Toninho Cerezo – Mais atrás no primeiro tempo, mais ofensivo no segundo, vibrante, inesgotável e brilhante [9]

[15] Falcão – Mais solto no primeiro tempo, mais preso no segundo, elegante, inesgotável e brilhante. O melhor [9]

[10] Zico – Sacrificado taticamente no 4-2-3-1 de Telê, ficou muito distante da meta no 1o. tempo, aberto à direita. Melhorou no segundo. Mas ainda abaixo do que pode [7]

[8] Sócrates – Mais solto por dentro que na estreia, caiu bem pelos lados, e conduziu a equipe com inteligência [7]

[9] Serginho – Luta, sai da área, tenta abrir espaço, finaliza. Mas está mal tecnicamente. Destoa da equipe [5]

[Paulo Isidoro-7 – Entrou e deu mais gás ao time [6]

[11] Éder – Armou, cruzou, passou, driblou, marcou, assumiu a criação, pediu a bola. Fez de tudo, e um gol magnífico [9]

TELÊ SANTANA – Acertou ao escalar Cerezo. Poderia ter adiantado Sócrates e aberto Paulo Isidoro. E não foi feliz ao deixar Zico muito preso à direita. Ainda assim, tudo que professava naquele time estava em campo. E brilhando [8]

ESCÓCIA

[1] Alan ROUGH – Partick Thistle, 30 anos – Atrapalhado. Meio louco. Mas nada poderia fazer [5]

[14] David NAREY – Dundee, 26 – Um belo gol. Mas foi duuuuuro marcar Éder [6]

[6] Willie MILLER – Aberdeen, 27 – Bom duelo com Serginho. Mas perdeu [5]

[5] Alan HANSEN – Liverpool-ING, 27 – No mesmo nível do companheiro de zaga [5]

[3] Frank GRAY – Leeds-ING, 27 – Melhor quando apoiou que quando marcou [6]

[10] John WARK – Ipswich-ING, 24 – Muito bom jogador, melhor quando pela direita [6]

[7] Gordon STRACHAN – Aberdeen, 25 – Ótimo armador, cansou no fim [6]

[8] Kenny Dalglish – Liverpool, xx – Entrou tarde. E mal. Sem nota

[4] Graeme SOUNESS – Liverpool-ING, 29 – Bom organizador de jogo, foi engolido pelo Brasil [5]

[16] Asa HARTFORD – Manchester City-ING, 31 – Ajudou atrás, mas não à frente [5]

[13] McLeish – Sem tempo. Sem nota.

[11] John ROBERTSON – Nottingham F.-ING, 29 - Ponta abusado, foi o mais perigoso escocês [6]

[18] Steve ARCHIBALD – Tottenham-ING, 25 – Isolado e apagado [4]

Árbitro – Luís Paulino Siles (Costa Rica) – [5] Jogo não foi difícil de ser apitado. Mas ele não se impôs disciplinarmente

HISTÓRIA EM JOGO – COPA-82 – Brasil 2 x 1 URSS

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Meu irmão ficou dez anos sem ir a estádios depois de 5 de julho de 1982. Como escreveu João Moreira Salles, é indigno de compaixão quem, ao menos uma vez, achou que não valia a pena viver depois da derrota do Brasil na Copa da Espanha. Não apenas a derrota da melhor seleção brasileira desde 1970. A derrota do próprio futebol. Por anos, e ainda se pensa e se age assim, passou a ser preferível jogar feio e ganhar a tentar jogar bonito e, eventualmente, perder. A praga pragmática entrou de sola nos campos planetários. Com a derrota brasileira, perdeu o futebol bem jogado, expulso de campo a pontapés nada gentis, tudo Gentile.

Meu pai, para ficar em família, gosta de dizer que o Brasil perdeu jogando feio em 1974, 1978 e 1990. Perdeu, tentando jogar bonito, em 1982 e 1986. Ganhou, jogando feio, em 1994. Ganhou, jogando bonito, em 1958, 1962 e 1970. Façam as contas. Escolham seus times.

Ou faça como um treinador campeão do mundo. Para o argentino Cesar Luis Menotti, vencedor pela Argentina, em 1978, Telê é o único técnico do mundo que pode reclamar da sorte. Porque merecia tê-la em 1982. Na história que contaremos a partir deste post. A campanha brasileira na Espanha.

Não por acaso, a única equipe nacional que não foi campeã do mundo que está muito bem apresentada no livro de MILTON LEITE, “AS MELHORES SELEÇÕES BRASILEIRAS DE TODOS OS TEMPOS” (Editora Contexto), que será lançado em 16 de março, terca-feira, a partir das 18h30, na Saraiva do Shopping Eldorado, em São Paulo. Lá também estarei, auografando meu novo livro, primo daquele, chamado “As Melhores Seleções Estrangeiras de Todos os Tempos”.

Lançamento em 16 de março, na Saraiva do Shopping Eldorado

Lançamento em 16 de março, na Saraiva do Shopping Eldorado

No blag, na sessão HISTÓRIA EM JOGO, vamos contar o que vi então, e o que estou revendo agora, com a inestimável ajuda de Gustavo Roman (www.futebolpitacos.blogspot.com), que disponibilizou as imagens, e de André Rocha (http://blogs.abril.com.br/futebolearte), que inspirou a série.

PARA VER MELHORES MOMENTOS, com Luciano do Valle, pela Globo –

http://www.youtube.com/watch?v=MTpPzU4096I

http://www.youtube.com/watch?v=jaxgnEPAtO0

ONDE? QUANDO? QUANTOS? POR QUÊ? – Estádio Ramón Sánchez Pizjuán, Sevilla. 14 de junho de 1974. 21h15 locais. Primeiro jogo do Brasil na Copa-82. Grupo 6. 68.000 presentes.

PLACAR VIRTUAL 1o. TEMPO – BRASIL 7 X 4 URSS

PLACAR VIRTUAL 2o. TEMPO – BRASIL 8 X 1 URSS

PLACAR VIRTUAL FINAL – BRASIL 15 x 5 URSS

BRASIL – 4-2-3-1

Valdir Peres-1 (São Paulo)

Leandro-2 (Flamengo); Oscar-3 (São Paulo), Luisinho-4 (Atlético-MG) e Júnior-6 (Flamengo);

Falcão-145 (Roma-ITÁ) e Sócrates-8 (Corinthians);

Dirceu-21 (Atlético de Madri-ESP), Zico-10 (Flamengo) e Éder-11 (Atlético-MG);

Serginho Chulapa-9 (São Paulo).

TÉCNICO – Telê Santana

BANCO – Paulo Sérgio (Botafogo), Edevaldo (Internacional), Edinho (Fluminense), Renato (São Paulo) e Paulo Isidoro (Grêmio).

O time da estreia contra a URSS

O time da estreia contra a URSS

URSS – 4-3-3

Dasaev-1 (Spartak Moscou, 25, anos, russo);

Sulakvelidze-2 (D.Tbilisi, 25, georgiano), Chivadze-3 (D.Tbilisi, 27, georgiano), Baltacha-5 (D.Kiev, 24, ucraniano) e Demyanenko-6 (D.Kiev, 23, ucraniano);

12-Bal (D.Kiev, 24, ucraniano), Bessonov-8 (D.Kiev, 24, ucraniano) e Daraselia-13 (D.Tbilisi, 24, georgiano);

Shengelia-7 (D.Tbilisi, 25, georgiano), Gavrilov-9 (Spartak Moscou, 29, russo) e Blokhin-11 (D.Kiev, 29, ucraniano)

TÉCNICO – Konstantin Beskov (russo)

[Cinco ucranianos, quatro georgianos, dois russos]

BANCO – Chanov, Andreev, Oganesian, Brovskiy, Susloparov

COMEÇOU – Brasil ataca à direita.

1min – Sevilla aplaude a bela troca de bola entre Falcão, Dirceu, Leandro e Sócrates, no campo de defesa brasileiro. URSS responde com drible-da-vaca de Shengelia em Luisinho, pela ponta direita.

2min – Zico arranca por dentro, tabela com Chulapa, e bate da entrada da área para boa defesa do excelente Dasaev, que manda a escanteio. Primeiro contragolpe brasileiro. PLACAR VIRTUAL – 1 X 0 BRASIL.

3min – Serginho toca de cocoruto, mas não consegue vencer o goleiro soviético, que saiu mal depois do escanteio cobrado da direita pelo canhoto Éder. Típico lance do time de Telê: escanteio fechado no primeiro pau. Zico sempre por ali, Serginho Chulapa na segunda trave. PLACAR VIRTUAL – 2 X 0 BRASIL.

5min – O excelente Blokhin (melhor jogador da Europa em 1975) escapa pela esquerda, passa por Leandro e cruza no segundo pau para a cabeçada de Bal, que passa à direita de Valdir Peres. Jogo franco e aberto. Excelente. PLACAR VIRTUAL – 2 X 1 BRASIL.

6min – Contragolpe idêntico ao primeiro bom ataque brasileiro. Zico desta vez serve Júnior, que bate para boa defesa de Dasaev. Mais uma saída errada do nervoso time soviético facilita o trabalho nacional. Mas também é mérito da equipe que deixa apenas Chulapa à frente, com Dirceu e Eder abertos pelos lados, Sócrates um pouco mais atrás, e Zico com mais liberdade de ação. É quase um 4-1-4-1, variável para um 4-2-3-1 com o recuo de Sócrates. Falcão, pela ausência do suspenso Toninho Cerezo, é sacrificado como único volante. PLACAR VIRTUAL – 3 X 1 BRASIL.

7min – Serginho recebe às costas de Baltacha, e de canhota, da entrada da área, isola a bola maravilhosamente lançada de trivela por Júnior, em sensacional contragolpe brasileiro. Lindo lance. Mais um. Serginho foi um baita artilheiro. Maior goleador da história são-paulina, maior artilheiro pós-Pelé no Santos… Mas, naquele timaço de Telê, destoava tecnicamente. PLACAR VIRTUAL – 4 X 1 BRASIL.

9min – URSS escapa pela esquerda com o meia Daraselia. É o buraco verde-amarelo. Dirceu, torto pela direita, não o acompanha. A única deficiência do espetacular lateral Leandro era a marcação. Apenas Falcão era volante naquela formação. O Brasil corria risco assumido.

17min – Pênalti não marcado para a URSS. O ótimo atacante Shengelia, veloz e abusado, escapa no mano a mano por dentro, supera Luisinho na corrida, mas é seguro pelo braço pelo excelente zagueiro atleticano. O árbitro espanhol Lamo Castillo nada marca, e é vaiado por boa parte do estádio. PLACAR VIRTUAL – 4 X 2 BRASIL.

17min – Linda tabela de Serginho com Zico. Dentro da área, o bom zagueiro e capitão soviético Chivadze divide com o goleador, e a bola sai longe da meta. PLACAR VIRTUAL – 5 X 2 BRASIL.

19min – Falcão é derrubado na ponta esquerda. Impressionante a movimentação e a volúpia ofensiva brasileira. O único volante apoiou como se fosse ponta, coberto pelo próprio Éder, e também por Sócrates, mais um segundo volante que iniciava o jogo brasileiro que o quarto armador do time de Telê.

20min – Éder manda um canudo da ponta, numa bola que deveria ser cruzada. Era o cartão de visita do grande ponta atleticano.

21min – Brasil exagera nos chuveiros para Chulapa. Dasaev sai bem em quase todas. E a Seleção vai ainda melhor quando apoia com Júnior, mal marcado por Bessonov. Como Leandro, ele arma o time por dentro, não pela lateral. Característica utilizada desde 1980 no enorme Flamengo então campeão mundial, sul-americano e brasileiro.

25min – Sensacional arrancada de Sócrates desde o campo de defesa. Até o Magrão corria!

26min – Chulapa entra na área, divide com a zaga, e quase abre o placar. PLACAR VIRTUAL – BRASIL 6 X 2. Outra boa jogada brasileira.

29min – Brasil toca de primeira, com qualidade, e arranca aplausos. Mas exagera na filigrana. E corre riscos defensivos desnecessários.

31min – Leandro faz bem a cobertura pela direita e salva contragolpe rápido do ótimo time soviético. Mais uma vez a zaga estava exposta.

32min – Sócrates manda de canhota, por sobre a meta, depois de rebote de mais um escanteio cobrado com violência e efeito por Éder.

33min – GOOOOOOOL. 1 X 0 URSS. BAL. PÉ DIREITO. FORA DA ÁREA. Rápido contragolpe soviético, boa troca de bola e o chute na dividida de Bal. Valdir Peres já pensava no que fazer com a bola e nem se agachou para fazer a defesa correta. Levou um gol que o marcou para sempre. Uma pena, pois foi um baita goleiro. Três brasileiros davam o bote no volante soviético, mas não foram felizes. Uma pena. Mas não uma injustiça – um pênalti não havia sido marcado em Shengelia. PLACAR VIRTUAL – BRASIL 6 X 3.

35min – Juizão espanhol compensa o pênalti não marcado em Shengelia inventando um pé alto na área soviética em vez de marcar mão na bola de Baltacha. Absurdo. Em vez do pênalti, marcou tiro livro indireto para o Brasil.

38min – Shengelia limpa o lance no meio de três brasileiros, pela ponta esquerda. Parte da torcida em Sevilla passa a torcer pelo ótimo time soviético.

39min – Gavrilov dá um rolinho sensacional em Sócrates, no grande círculo. Xiiii…

41min – Leandro pega duro em Shengelia. Era para cartão amarelo, juizinho espanhol fingiu que não era com ele. Xiiii…

42min – Bessonov manda na trave esquerda de Valdir Peres, depois de rolo na atrapalhada grande área brasileira. Diriam os entendidos, “momento psicológico” do jogo para o Brasil. Xiiii… PLACAR VIRTUAL – BRASIL 6 X 4

45min – Serginho receba na meia lua, vira rápido como de costume, e bola passa perto da meta de Dasaev. PLACAR VIRTUAL – BRASIL 7 X 4

INTERVALO – Brasil melhor contra ótimo rival até levar o gol em falha de Valdir. Sentiu o golpe e terminou o tempo pedindo para acabar logo a partida.

SEGUNDO TEMPO – MUDA BRASIL. PAULO ISIDORO-7 X DIRCEU. A lógica. Torto pela direita, o meia do Atlético de Madri não marcou, não ajudou Leandro, e quase nada criou. Telê deveria ter iniciado com o Tisiu Paulo Isidoro. Para Falcão e Zico, entrevistados por Milton Leite no livro “AS MELHORES SELEÇÕES BRASILEIRAS DE TODOS OS TEMPOS” (Editora Contexto, que será lançado em 16 de março, em São Paulo, juntamente com o meu novo livro, “AS MELHORES SELEÇÕES ESTRANGEIRAS DE TODOS OS TEMPOS”), todo mundo estranhou a entrada inicial de Dirceu no lugar de Paulo Isidoro, que vinha atuando pela direita havia quase dois anos. Mas tinha a ver com a intenção de Telê em preparar o time para o quarteto de meio-campo que seria formado com Toninho Cerezo (Atlético Mineiro) voltasse de suspensão.

2min – Leandro corta para dentro, bate de canhota, e Dasaev faz mais uma boa defesa. Lance lindo iniciado na defesa, em troca de bola de primeira entre Júnior e Falcão. Não era só um time que criava bastante e que gostava de jogar à frente, com os laterais como se fossem meias (e tinham qualidade técnica para tanto. Era uma equipe que adorava jogar bonito. PLACAR VIRTUAL – BRASIL 8 X 4

4min – Gavrilov recebe livre, às costas de Falcão, e bate de canhota bola que explode no peito do inseguro Valdir Peres. Brasil se expõe mais. Falcão deixa a entrada da área, Sócrates é cada vez mais o quarto armador brasileiro, por dentro, com Paulo Isidoro e Éder bem abertos, e Zico mais próximo de Serginho Chulapa. PLACAR VIRTUAL – BRASIL 8 X 5.

5min – Linda tabelinha brasileira até o desvio da zaga soviética. Leandro e Júnior se mandam, Éder começa a articular por dentro. Grande jogo.

6min – Gavrilov deixa o comando de ataque e recua para combater Éder; o ponta vai ao fundo e cruza, Dasaev não só sai bem da meta como lança no campo de ataque, no contragolpe, pela esquerda, o ótimo Blokhin. Que goleiro!

9min – Éder lança Chulapa, que ajeita de cabeça para a tentativa de bicicleta de Zico. URSS começa a recuar demais, sem sair no contragolpe.

10min – Brasil nervoso. Júnior desce até o vestiário para buscar mais rapidamente a bola que caiu no túnel.

11min – Pela segunda vez seguida, Éder arrisca de longe, da meia esquerda, um chute fraco à direita de Dasaev. Não era o caso. O Brasil até pode chutar mais. Mas não demais.

13min – Leandro avança e manda o pé na bola que desvia no capitão Chivadze. Brasil aperta. Já merece o empate. URSS sufocada em seu campo não consegue mais explorar Shengelia e Blokhin pelos cantos. Gavrilov se junta aos três do meio para acompanhar Falcão. É ataque contra defesa.

Zico à frente de Bessonov

Zico à frente de Bessonov

16min – Éder cruza para Luisinho, Chivadze isola. Até os zagueiros brasileiros aparecem lá na frente. Na prática, Valdir Peres fica na meta, Oscar acompanha Shengelia, e o resto se manda, com Paulo Isidoro e Éder bem abertos, Chulapa e Zico dentro da área, Leandro, Sócrates, Falcão e Júnior organizando o jogo brasileiro.

17min – Júnior recua bola marota para Valdir. Estádio faz um “oohhh” de preocupação com a defesa. Infelizmente, o gol de Bal na falha do ótimo goleiro são-paulino baqueou o time e o torcedor.

18min – Escanteio para a URSS. Só quatro deles na nossa área.

19min – Falcão arranca pela esquerda num lance que termina com Chulapa batendo de canhota, à direita de Dasaev. Brasil exagera no chuveiro. Mas tem criatividade para rodar todo o ataque. PLACAR VIRTUAL – BRASIL 9 X 5.

21min – Bela tabela entre Júnior e Paulo Isidoro, aberto pela esquerda, mas o excepcional lateral flamenguista se atrapalha com a bola. A URSS não destaca alguém para segui-lo. E explora as costas dele até mesmo com Blokhin, que sai da esquerda para a direita.

22min – Éder mete a bomba, da meia esquerda, por sobre a meta rival. Zico sai mais da área para tentar chamar a atenção soviética. Márcio Guedes, comentando pela TV Globo, fala com propriedade: “Zico precisa chutar mais”. Fato. Até pela fase excepcional que vivia o Galinho – o que é quase um pleonasmo.

23min – Zico arranca pela esquerda, mas o incansável Bal o segue e alivia.

24min – Éder avança pela meia e bate firme para Dasaev espalmar para escanteio. PLACAR VIRTUAL – BRASIL 10 X 5.

25min – Paulo Isidoro quase empata de peixinho, no segundo pau, depois de escanteio pela esquerda. Primeira falha de Dasaev na saída da meta. PLACAR VIRTUAL – BRASIL 11 X 5. Seguimos criando e perdendo gols. Como torcedor, estava desesperado nesse momento, lá em 1982, do baixo dos meus 15 anos.

26min – Leandro cruza. Dasaev fica com ela. Sócrates se mandou para ficar mais próximo à área, até para aproveitar o 1m91. Ele vinha muito bem no desarme. Mas o Brasil, agora, precisa dele mais próximo de Chulapa. Zico sai da área para articular o time.

27min – Blokhin ganha na velocidade e na categoria sobre Luisinho. Brasil mais exposto.

29min – MUDA URSS – SUSLOPAROV-18 x Gavrilov-9. Um meio-campista para fechar ainda mais a marcação soviética. À época, eram apenas duas alterações. E só cinco atletas no banco.

29min – GOOOOOOOL. 1 X 1 BRASIL. SÓCRATES. PÉ DIREITO. FORA DA ÁREA. GOLAÇO. Zaga soviética se atrapalhou sozinha, com direito a um balão para cima, e dois na mesma bola. O Doutor dominou a bola na entrada da área, passou pelo primeiro – Susloparov -, desviou do segundo, e emendou um canudo no ângulo direito do gigante Dasaev, que ainda tocou na bola antes de ela raspar o travessão. Um gol espetacular de um jogador idem. O Brasil não merecia perder do bom time soviético. E merecia ao menos o empate com um golaço desse tipo. PLACAR VIRTUAL – BRASIL 12 X 5.

31min – Zico entra de carrinho e toca à direita. Éder cruzou da esquerda no segundo pau para Chulapa, que ajeitou para o Galinho chegar um pouco atrasado. Segunda vez que deu certo o lance bem ensaiado. PLACAR VIRTUAL – BRASIL 13 X 5. Maldade ficar só no 1 a 1.

34min – Leandro, como centroavante (?), tenta de bicicleta… Brasil até exagera na volúpia pelo gol e na movimentação.

35min – Pênalti não marcado pela fraca arbitragem espanhola. Mais uma vez Luisinho. Tocou deliberadamente o braço esquerdo numa bola levantada para a ponta direita. Se não deu para o árbitro ver, foi na cara do bandeirinha número um. Não só os deuses da bola são brasileiros. Alguns diabinhos também. Dois pênaltis não marcados para os soviéticos. Parte do estádio vaia o soprador de apito.

37min – Éder cruza pela milésima vez. Dasaev sai bem da meta pela bilionésima. Ele só não bate os tiros de meta, executados por Baltacha. O resto fica tudo nas mãos do goleiro russo da URSS.

39min – Belo lance de todo o Brasil até uma bomba de canhota de Falcão, bem defendida pelo goleiro soviético.

41min – Shengelia recebe livre e teria feito o segundo gol soviético. Aparentemente lance bem anulado pelo bandeirinha. Parece que ele estava adiantado. Mas como essa arbitragem era nossa…

43min – GOOOOOOOOL. 2 X 1 BRASIL. ÉDER. PÉ ESQUERDO. MEIA DIREITA. ASSISTÊNCIA DE PAULO ISIDORO + CORTA-LUZ DE FALCÃO. GOLAÇO. Paulo Isidoro (por que não entrou desde o início?) pegou um rebote rente à linha lateral. Tocou para dentro para Falcão, que abriu as pernas e deixou a bola limpa para Éder. Pela segunda vez no segundo tempo, apareceu pela meia direita para levantar a bola e bater de sempulo, de canhota, à meia altura de Dasaev, que só olhou o golaço da emocionante virada brasileira. Havia três soviéticos em linha à frente do goleiro. Quando ele enxergou a bola, já estava quase dentro da meta. Golaço. Merecido. PLACAR VIRTUAL – BRASIL 14 X 5.

44min – MUDA URSS. ANDREEV-15 x Shengelia-7.

45min – Falcão apareceu dentro da área e quase ampliou. O único volante estava dentro da área rival depois do gol da virada… Não tinha jeito. Era uma seleção com vocação irrefreável para o gol. Não é que não sabia segurar o jogo. Gostava tanto dele que adorava jogá-lo.

46min – Mais uma vez Falcão se mandou para dentro da área soviética…

47min – Lindo lance de Zico com Chulapa. Serginho bateu cruzado e o Galinho quase fez de carrinho. PLACAR VIRTUAL – BRASIL 15 X 5.

47min – Balãozinho de Sócrates no grande círculo. E lá vai o Brasil buscar o terceiro gol… Só não fez porque o árbitro terminou a partida com Falcão sozinho à frente de Dasaev… Por três vezes o único volante foi à frente como se não houvesse amanhã. Impressionante. E seria preocupante mais à frente.

FIM DE JOGO – E que jogaço. Tanto do Brasil quanto da URSS. Seleção muito aplaudida ao final da partida.

NOTA PARTIDA – 9

NOTA BRASIL – 8

NOTA URSS – 7

NOTAS

VALDIR PERES – 4 – Uma falha terrível e uma dúvida por quase toda a Copa.

LEANDRO – 8 – Problemas na marcação na primeira etapa. Muito melhor quando jogou livre, explorando o imenso talento que tinha, no segundo tempo.

OSCAR – 8 – Um senhor zagueiro. Veloz, bem posicionado, contra um ótimo ataque rival.

LUISINHO – 5 – Outro senhor zagueiro, muito mais técnico que Oscar. Mas menos confiável. Cometeu dois pênaltis. E teve dificuldades com os excelentes Shengelia e Blokhin. Como toda a zaga, exposta por um time e um esquema ofensivos.

JÚNIOR – 8 – Problemas com Blokhin e Shengelia. Mas muitas soluções ofensivas, com parceria com Éder pela esquerda, ou armando por dentro.

FALCÃO – 8 – Sacrificado como único volante, rendeu mais, como todo o Brasil, quando teve mais a bola. Ainda assim, notável pela elegância rara.

SÓCRATES – 8 – Irretocável exibição. Um gol magnífico, frieza para conduzir o time como capitão, e o mais sacrificado taticamente, atuando praticamente como um segundo volante. O melhor do Brasil.

DIRCEU – 4 – Torto pela direita, sem ritmo e entrosamento, teve dificuldades para ajudar Leandro, e foi engolido por Demyanekno e Blokhin.

(PAULO ISIDORO – 7 – Entrou muito bem, aberto pela direita, se movimentando bastante, e criando o lance do gol da virada).

ZICO – 6 – Pelo potencial, pela liderança, pelo talento, pela fase que vivia, esperava-se mais. Mesmo quando saiu mais da área, na parte final do jogo, errou mais do que a excepcional média de um gênio.

ÉDER – 8 – Quem mais chutou. Quem mais cruzou (até demais). Quem mais arriscou. Quem mais assumiu o time quando ele perdia. Recompensando pelo golaço.

SERGINHO CHULAPA – 6 – Pela luta merece mais pontos. Tática e tecnicamente, a melhor opção para Telê no comando de ataque seria o lesionado Careca. Chulapa se virou e criou bons lances.

TELÊ – 8 – Tudo de ótimo em suas equipes esteve na estreia em Sevilla. O gosto pelo bom jogo, a vontade de atacar, a sanha em buscar sempre mais e render acima do limite. Mas ainda faltava definir o lado direito do ataque. Uma defesa menos exposta. Uma equipe mais, digamos, copeira, que não passasse tantos sustos.

URSS

Dasaev-8 – O Brasil merecia vencer. Ele não merecia ser derrotado. Era o melhor goleiro do mundo na época.

Sulakvelidze-5 – Sofreu demais com Éder e Júnior.

Chivadze-7 – Um senhor zagueiro, travou grande batalha aérea com Chulapa.

Baltacha-6 – Batia os tiros de meta. Mas não batia além da conta.

Demyanenko-6 – Bom primeiro tempo contra Dirceu, quando apoiou mais, e apuros com Paulo Isidoro, depois.

Bal-7 – Não só pelo gol, mas pela obstinada marcação em Zico, no segundo tempo.

Bessonov-7 – Sabia armar e também marcar.

Daraselia-5 – Marcava e jogava menos. Morreu ainda em 1982, num acidente automobilístico.

Shengelia-8 – Sofreu um pênalti, estava no lance do segundo pênalti, fez um gol bem anulado, e jogou e correu demais.

(Andreev- sem nota)

Gavrilov-6 – Muito técnico, também tático, tanto foi o terceiro atacante quanto o quarto homem no meio. Cansou antes pelo calor e pelo ritmo brasileiro.

(Susloparov – Entrou para fechar o time. No primeiro lance saiu o empate o Brasil…)

Blokhin-8 – O craque do time armou grandes contragolpes. Faltou apenas finalizar um pouco mais. Como Zico, se esperava um pouco mais. Mas foi melhor que o Galinho.

TÉCNICO – Konstantin Beskov – 8 – Conseguiu segurar os tantos talentos brasileiros e só levou gols de fora da área.

Árbitro – AUGUSTO LAMO CASTILLO (ESPANHA) – 3 – Ruim na parte disciplinar, ainda pior na técnica. Dois pênaltis não marcou para os soviéticos.