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Arquivo de julho de 2012

Brasil 3 x 1 Bielorrúsia

domingo, 29 de julho de 2012

 

Brasil no ataque, o jogo todo, no 4-2-3-1; Bielorrússia muito defensiva no 5-3-1-1.

 

Uma bola cruzada, desatenção do volante, não chegaram os zagueiros, gol brasileiro. Mas de Renan Bressan, o catarinense que virou bielorusso. Um a zero para eles, aos 7.

 

Uma bola cruzada por Neymar, não chegaram os cinco zagueiros do 5-3-1-1 rival, e Pato mostrou sua qualidade para cabecear e empatar em um dos poucos lances dos primeiros 45 minutos. De um jogo em que o time europeu marcou e só chegou em bolas longas ou cruzamentos tortos contra um Brasil que avançou os laterais, mas pouco criou.

 

Mano montou um 4-2-3-1 mais típico que o da estreia. Voltou com Hulk pela direita, cortando pra dentro, na dele. Com Oscar (o melhor) organizando por dentro. Com Neymar na primeira etapa ainda tímido e individualista, pela esquerda, mais caindo que Diego Hypolito em Olimpíada.

 

Mas, na segunda etapa, o genial santista fez a diferença. Não apenas na bola parada, criada pela habilidade de Pato, que cavou a falta que Neymar jogou no ângulo do bom goleiro bielorrusso, aos 19 do segundo tempo. Também nas arrancadas espetaculares dos últimos 15 minutos. Numa delas, aos 48, fez sensacional lance para Oscar definir o placar e a classificação antecipada, merecida e mais que esperada num grupo onde as maiores encrencas já foram superadas.

 

O Brasil teve paciência para superar a armada adversária. Mano teve inteligência para voltar a usar os três da linha de armadores nas posições em que mais se identificam. Foi feliz ao escalar Ganso no lugar de Sandro para dar mais qualidade na armação pouco antes da virada, trocando um volante por um armador, o 4-2-3-1 por um possível 4-1-4-1. Faltou ainda um pouco mais de movimentação dos três da armação. Um pouco mais de atenção nas bolas cruzadas. Muito mais de Ganso.

 

Mas parece faltar pouco para o sonho dourado. Até por faltar mais aos adversários.

Doutor, eu não me engano

sexta-feira, 27 de julho de 2012

 Magrão,

 

neste sábado você vai virar estátua no Corinthians.

 

Ao lado do Neco, Cláudio, Luizinho, Baltazar.

 

O santista que virou corintiano em 1978.

 

O gênio que nos deixou no dia em que seu novo time virou pentacampeão brasileiro, em 2011.

 

O craque que inspirou o calcanhar de Danilo para o gol do título da Libertadores-12.

 

O Sócrates Brasileiro de Belém que toca o sino e a bola como raros. De costas, de calcanhar, ninguém jogou melhor que você. Como disse o velho amigo Cachaça, que não se perca pelo nome, “Sócrates é um artista: chamam de craque um cara que só tocava de costas; chamam de doutor um médico que nem galinha operou”.

 

Mas, Cachaça, o Magrão precisava de bisturi e de chuteira para ser um dos maiores craques e ídolos do Corinthians? Só o que o Brasileiro fez com o Corinthians da Democracia na redemocratização do Brasil já era para bater palmas quando mais se batia continência. Nunca tantos foram corintianos. Porque alguns poucos corintianos gritaram por um tantos brasileiros que ficariam mais livres, mais leves, mais soltos. Como esse magrelo que fez do Botafogo da Ribeirão Preto de adoção um senhor time. Como esse gênio que capitaneou o Brasil que não ganhou a Copa de 1982, mas até hoje conquista corações pelo mundo com o respeito e o resgate ao que tem de mais bonito no futebol: o jogo jogado, não marcado; o futebol sem posições fixas, mas posicionamentos firmes; o jogo que, por definição, pede riscos.

 

Todos os riscos que você, rico de vida, quis tomar. E como tomou pelos campos e bancos da vida que levou.

 

Queria ter aprendido mais de tudo com você. Até das coisas que discordava. Porque ninguém defendeu com mais paixão ideias como você. Não há utopia em você. Há sonho.

 

Você é um jogador. Em tudo. E se joga pela vida buscando a sombra que teu pai reclamava desde o Santa Cruz, quando você fugia do sol para pensar o jogo. Mesmo. Essa pesada cruz que você carregou pelos campos por querer ser craque, não necessariamente atleta. Com o pulso erguido e firme de quem não se verga. De quem enverga sem vergonha causas perdidas como quem veste uma camisa vencedora. Campeoníssima pelo Corinthians. Não campeã em 1982.

 

O que importa é que você jogou. Melhor: ainda joga. Me recuso a lamentar que você é passado. Você foi um presente para o nosso futuro.

 

Saudade de você em campo – mesmo acabando com meu time muitas vezes.

 

Saudade de você na vida – mesmo tendo te visto pouco no final.

 

Talvez tenhamos tido craques maiores que ele em campo.

 

Mas é possível que nenhum Brasileiro jogou melhor pelo país que ele em todos os campos. Até os minados que foram iluminados pela inteligência e bravura de um senhor jogador. De um senhor cidadão.

 

 

De coração, em nome dos fiéis de todos os credos e cores, obrigado, Sócrates.

Brasil 3 x 2 Egito

quinta-feira, 26 de julho de 2012

 

Brasil trocou o 4-2-3-1 usual por algo próximo ao 4-2-2-2 (com a bola).

Não podemos supervalorizar o ótimo primeiro tempo brasileiro como faz a emissora com direitos que vende Londres-12 como se fosse a Copa Intergaláctica.

 

Muito menos ignorar a boa estreia brasileira (e os problemas defensivos do segundo tempo contra o bom time egípcio) como fizeram algumas emissoras sem os direitos de tranmissão. Mas que não poderia ignorar o dever de informação como fizeram feio. Mais uma vez.

 

Estamos todos mais errados que o sistema defensivo egípcio que assistiu ao time de Oscar enfiar uma bola para Rafael abrir o placar. Que não viu o chutão da zaga sobrar para Oscar dar o segundo gol a Leandro Damião. Nem acompanhou Neymar iniciar o lance que Hulk  devolveu na cabeça dele. O Brasil fez fácil o primeiro tempo que começou complicado pela marcação adiantada de dois atacantes e dois meias egípcios. Mas a falta de qualidade rival para marcar, e a sobra de talento brasileiro compensaram. Tanto quanto a movimentação do ataque brasileiro. Oscar (de novo a partir da direita), Hulk (do outro lado) e Neymar centralizado e mais próximo de Damião fizeram do usual 4-2-3-1 algo próximo de um 4-2-2-2 brasileiríssimo com a bola. E um 4-4-2 britânico sem ela. Oscar e Hulk fizeram linha de quatro com Rômulo e Sandro e não deram os espaços que o Egito nos concedeu.

Sem a bola, no ótimo primeiro tempo, o Brasil se fechava num 4-4-2 ortodoxo

Na segunda etapa, Salah entrou às costas de Marcelo. O Egito diminuiu numa bola parada, aos 5 minutos, e voltou a ser o time do início do primeiro tempo. O Brasil parou de atacar, recuou muito, e não marcou como vinha fazendo. Infelizmente, Juan seguiu o de sempre, e Salah fez o gol que merecia, aos 30. O Brasil só criou perigo no fim. E sofreu mais do que deveria. Valeu como resultado. E lição.

 

 

Galo mineiro

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Não é cavalo paraguaio o melhor líder depois de 11 rodadas do Brasileirão por pontos corridos.

É o Galo Mineiro. O time bem bolado por Cuca, muito bem armado por Bernard, e bem finalizado por toda a equipe.

Ah: E tem que o Ronaldinho Gaúcho.

O genial camisa 49 já jogou muito mais. Mas mesmo longe do ideal, e até em função pouco usual (o meia centralizado do 4-2-3-1), ele é mais um que faz do Atlético o melhor time do BR-12. Disparado.

Se vai ficar pelo caminho depois de grandes campanhas, como em 1977 e 1987, para citar as mais doídas e doidas, essa é outra história.

Mas que pinta melhor que qualquer outro dos 19 adversários, essa é a história que o Galo está fazendo.

O Vasco segue muito bem, mas precisa substituir Diego Souza e mesmo Fágner.

O Fluminense tem muito potencial, mas ainda patina em jogos que não pode.

O Botafogo vai crescer. Como o Grêmio pode se manter entre os bambas, como o São Paulo pode se acertar, como o Inter ainda tem chance.

Mas fica difícil dizer qualquer coisa.

Tanto quanto agourar o grande líder.

Histórias campeãs da Copa do Brasil

sábado, 14 de julho de 2012

 

O doutor Luc era otorrinolaringologista. Uma hora de consulta era meia hora de Palmeiras. Ele cuidava da garganta que arde da família. Do ouvido que há muito não ouvia os rojões campeões. Do nariz que não sentia o sabor de um título desde 2008. O doutor não pôde ver o Verdão voltar do infernal Couto Pereira como bicampeão da Copa do Brasil. Morreu na véspera de ver o Palmeiras dele como Palmeiras. Campeão. Como ele sempre foi na medicina e na arquibancada mais vazia sem um coração verde para bater como sempre. No enterro, horas antes da final, a família estava verde de luto. Muitos vestiam camisas do Palmeiras. Da bandeira que cobriu o caixão com o “orgulho” que só quem não é Palmeiras acha que o torcedor perdeu. (Colegas de imprensa de outros credos e cores: ninguém perde “orgulho” quando perde um campeonato ou deixa de vencê-lo por tanto tempo. Quem torce por um time – como vocês também têm os seus – não torce por títulos. Torce por amor).

 

Meu tio Chico Flávio me levava com o filho Alessandro e os primos ao estádio para ver o nosso time campeão ano sim, ano não, nos anos 70. Mesmo quando as coisas não andavam e não jogavam bem, o Fafo acreditava. Enchia o portamala do Fiat 147 para ver malas que nos infelicitaram nos anos 80. Meu tio agora está no hospital se recuperando de uma intervenção no coração que suportou os 90 minutos de um Coxa nervoso e amuado demais contra um Palmeiras que jogou melhor em Curitiba. Mesmo perdendo Thiago Heleno (o melhor até sair lesionado, aos 36), mesmo se arrastando com Luan lesionado nos 20 finais, o invicto campeão empatou com um gol de Betinho, no único lance que acertou no clube.

 

Rafa é filho do Sérgio, amigo velho de busão, colégio, festas e Palestra. Ele está no hospital fazendo quimioterapia para se recuperar de uma doença que irá vencer. Como o time dele superou erros próprios, desconfianças, destemperos, desfalques, suspensões, limitações, adversidades grandes como os adversários.

 

 

Em suas camas de hospital, Chico Flávio e Rafa vibraram mais do que deveriam pelas suas convalescenças. Mas há corações que suportam tantas dores e dissabores seguidos. Eles venceram. O time deles, também. Tudo se recupera. Tudo se supera. Tudo volta a ser o que é. Como em algum tempo o Flávio e o Rafael vão estar com o Palmeiras. Como o Palmeiras. Um colosso que pode adoecer, pode se prostrar, merece ser protestado. Mas é potestade que vence qualquer tempestade. É torcedor que joga com o coração quente como a testa do febril Henrique, colosso no Alto da Glória. De mais um Marcos que garante a Assunção palestrina. Do time que não é mais. Não é menos. É Palmeiras. Basta.

 

+ Verdão!

 

 

Os atletas da Adidas do Palmeiras entraram em campo nos dois jogos da decisão com chuteiras com uma frase por mim sugerida, extraída dos cantos das torcidas: “Minha vida é você”.

 

Está desde quinta-feira na internet e no portal da empresa um vídeo que, a partir dessa ideia, conta um pouco das decisões e muito do espírito de equipe e do time atual, sob o ponto de vista do roupeiro do clube desde 1991, o paraibano Joãozinho. Ideia básica deste que vos tecla, narração de Joelmir Beting (monstro que só não soube educar os filhos no trabalho), trilha sonora de Iggor Cavalera, com grande trabalho e edição da Habilil Produções.

 

Uma honra ter feito parte desse time que contou um pouco da história daquela equipe campeã de 2012.

 

 

+ Coxa!

 

Bravo Coritiba. Duas vezes vice-campeão da Copa do Brasil. Em ambas vendendo caro a vitória no jogo decisivo. O critério de desempate derrubou grandes campanhas de outro clube que aprendeu demais ao cair e voltar muito melhor. Vai longe.

 

Tivesse um ataque mais eficiente, e o pênalti não marcado em Tcheco em Barueri, talvez fosse outra a história. Mas ainda merece todos os elogios pelo clube e pelo ótimo trabalho de Marcelo Oliveira.

 

Palmeiras, nossa vida é você – Onze vezes campeão nacional

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Quiseram diminuir o Palmeiras. Fora e dentro do clube. Quiseram demitir Felipão. Fora, dentro, e nas redações. Quiseram minar o grupo com bombas de efeito retardado. Quiseram. Mas não conseguiram. Querer não é poder quando se tem a força de um Palmeiras.

 

O Palestra é enorme. Maior que os próprios erros. Muito maior que as limitações de banco e de campo. Infinitamente superior aos que acham que o futebol é uma ciência exata. Ou, em alguns casos, uma paixão clubista imprecisa. Gente que acha que o Palmeiras se apequena tem miopia histórica. Gigantes tropeçam. Caem para aprender a se levantar. O clube e o time e a diretoria e a comissão técnica erraram demais nos últimos tristes tempos. Mas nem eles conseguem diminuir paixão tão forte como a que o levou além das limitações.

 

O Palmeiras foi grande na Copa do Brasil 2012. Foi Palmeiras. Superou na decisão um Coritiba que pintava como favorito, e até foi melhor na primeira partida, em Barueri – mas perdeu por 2 a 0, na única chance palmeirense na primeira etapa, e, no segundo tempo, na bola parada dinâmica de Marcos Assunção. O Coxa não conseguiu reverter a desvantagem na finalíssima e foi um bravo bivice-campeão da Copa. Perdendo a decisão para um ainda mais bravo bicampeão: o Palmeiras de Felipão. Campeão em 1998 com uma Via Láctea armada pela Parmalat, que daria o passaporte para a Libertadores enfim conquistada em 1999; bicampeão invicto do torneio com um Palmeiras de vacas magras e elenco enxuto. Mas vencedor. Como o clube.

 

Palmeiras que reconstrói o Palestra e, por ainda estar sem casa, é um time errante e que erra demais. Muitas vezes tem se perdido. Mas se encontra no palmeirense que o acolhe. Ajudando a reencontrar o caminho que ninguém conheceu melhor no século passado. Verdão que estreou em 2012 vencendo duas vezes o Coruripe, mandando o segundo jogo em Jundiaí, em mais um lar de aluguel, onde o time se sentiu em casa pelo palmeirense que não escolhe lugar. Na fase seguinte, com dois gols de Leandro Amaro, eliminou o Horizonte, no Ceará, por 3 a 1, cancelando a volta. Nas oitavas, ganhou bem do Paraná por 2 a 1, em Curitiba, e goleou por 4 a 0, em Barueri. Nas quartas-de-final foi prejudicado pela arbitragem contra o Atlético, no Paraná, no empate por dois gols. Em Barueri, convincente vitória por 2 a 0 sacramentou classificação para as semifinais.

 

O Grêmio parecia favorito contra um Palmeiras que começara mal o BR-12 depois de um pífio final de Paulistão. Mas dois gols nos últimos minutos de Mazinho e Barcos em Porto Alegre deixaram o Verdão em ótima condição para decidir em Barueri. Numa partida em que muitos não conseguiram chegar ao estádio, de tanta gente que não tinha mesmo cabimento no pequeno estádio para tamanha paixão, o Palmeiras superou a violência do rival para empatar por 1 a 1 e voltar a uma decisão nacional.

 

Superando as desconfianças internas e externas como grande que é. Passando do céu ao inferno como Valdivia, que fazia tudo até se perder por nada. Enorme como foi Bruno, da Academia de goleiros palmeirenses. Eficiente como a dupla de zaga protegida por Henrique, testa quente como o coração no Alto da Glória. Letal como a bola parada de mais um Marcos que garantiu a Assunção verde. Decisivo como mais um Mazinho campeão palmeirense. Histórico como um Betinho que só acertou uma bola. A do título. Invicto.

 

Palmeiras que sofreu com joelho operado de Wesley, com apendicite de Barcos, com tornozelo torcido de Maikon Leite, com Luan se arrastando nos 20 finais, com Henrique superando tudo. Vários nomes muito comuns e ainda mais próprios reescreveram com sangue, dor e amor a história do Palmeiras duas vezes campeão da Copa do Brasil, oito vezes campeão brasileiro, primeiro campeão da Copa dos Campeões.

 

Não foi por acaso. Sim por ser Palmeiras.

Alegria

quinta-feira, 5 de julho de 2012

 

 

Não teve “chupa”. Teve alegria. Orgulho. Corinthians.

Zoado por décadas, o fiel campeão da América (não, não é mentira…) não saiu por São Paulo gritando contra os rivais que tanto o apoquentaram. Buzinou e soltou rojão na mais longa das noites para ele – e para os que não dormiram. Mas não devolveu no berro o que tantos gritaram contra ele e sua paixão.

Era alegria. Imensa. Era alívio. Eterno. Era um sentimento que não tem palavra. A não ser Corinthians. Ser Corinthians.

É isso. O sorriso que se abriu como o choro é de algo que não se pode medir ou falar. Ou aquilo que expressou Ronaldo Giovanelli, 601 jogos pelo Corinthians dele, que disse horas depois do título invicto que estava mais cansado e dolorido que depois das tantas partidas que fez pelo Timão.

Mas nunca foi tão fácil para quem adora dizer que tudo é mais difícil. O Corinthians não sofreu contra o maior campeão deste século. O Boca foi minguante expressão do que já foi. Foi Riquelme. Que se despediu dizendo que não pode seguir no clube do coração jogando meia bola. Um quarto de Boca.

O Corinthians foi coração toda a Libertadores. Foi também cabeça. Foi muito corintiano ao não ter um time de estrelas. Mas o melhor time. Com futebol competitivo. Campeão. E, sim, Tite: sorte campeã.

Concordo que tem gente que desmerece o trabalho de um vencedor só falando da fortuna. Mas o Timão teve a felicidade que faltou em outros anos. E que sobrou na campanha irrepreensível. A partir da defesa de Cássio na bola de Diego Souza. Quando Alessandro deixou de ser o Guinei modelo 2012 para ser o capitão campeão da América.

Quando ali, estava na cara que só poderia dar Corinthians. Com futebol e sorte de campeão.

Também por isso o corintiano foi enorme na celebração. Não zoou. Porque ninguém pode contestá-lo.

Não mandou ninguém chupar.

Até porque, no fundo, e falo por mi e por muitos, os rivais ficaram como em 13 de outubro de 1977.

Era hora do Timão.

Foi, Corinthians.

S.C. Corinthians Americano

quinta-feira, 5 de julho de 2012

 

Alguns disseram que o Homem não conseguiria pisar na lua. Quando pisou no satélite, acharam que era coisa de cinema. Muitos disseram que o Corinthians não faria a América. Que a Libertadores prenderia o coração corintiano para sempre. Mas o longa metragem que começou dia 4 e terminou em 5 de julho, trinta anos depois do Sarriá, sorriu para o corintiano. Quando Alessandro levantou o caneco, parecia coisa de cinema.

 

E foi. Em 3D. HD. D+. Foi obra de realismo fantástico para os fiéis de filmes em preto e branco não mais mudos – no máximo roucos. Um bando de loucos roucos pelo Brasil e pela América agora corintiana. Foi um filme de terror para infiéis multicoloridos. Os que não creem. Os que não sabem. Por vezes, nunca souberam.

 

Os infiéis podem já ter sido campeões. Bi. Tricampeões da América. Até podem não ter conquistado o continente. Muito menos o mundo. Mas torceram como nunca – ou como sempre – contra o sucesso do time de Tite. Um Timão com espírito de equipe. Um elenco com a alma do Corinthians.

 

Sócrates morreu no dia do penta brasileiro. Na noite da conquista da América, ele reviveu no calcanhar de Danilo para o gol de Emerson Sheik, o artilheiro dos jogos decisivos da Libertadores. Quando eram 23h13, o sonho marcou hora com a história. O segundo gol do Emerson que foi mais veloz que o Fittipaldi calou o Boca e liberou o berro dos maloqueiros não mais sofredores.

 

Acredite: campeão da Libertadores é o Corinthians. Não é ficção, não é o armagedon. É fato. É feito. É foda. É eles. Não “é nóis” que não sou deles. Sou dos tantos times que torceram contra e que perderam a piada pronta. Da imensa torcida que fez do Boca “o Brasil na Libertadores”. Como o próprio corintiano foi xeneize em 2000, 2001, 2003 e 2007. Porque o futebol é assim. É amar os seus e não gostar dos outros. Quando muitas vezes é preferir ver o outro perder a se ver vencedor. A desgraça alheia é mais saborosa que a própria fortuna.

 

É a graça do futebol. Esporte abençoado que não permitiu por 52 anos que um colosso como o Corinthians chegasse a uma decisão. Disputa maravilhosa que deixou tantas dores se transformarem na epopeia de Cássio, na romaria de Romarinho, na bola de Castán, Ralf, Paulinho e Danilo, nas histórias tão inverossímeis que parecem futebol. Parecem Corinthians.

 

Campeão invicto da Libertadores. Vencendo nas quartas o primeiro campeão sul-americano de clubes em 1948 – o Vasco. Vencendo nas semis o atual campeão continental – o Santos de Neymar. Vencendo na decisão o maior campeão deste século – o Boca de Riquelme. Não perdendo. Só vencendo. Só ganhando o que diziam que seria impossível. Que só aconteceria quando o mundo acabasse.

 

O planeta segue vivo, pulsando como o coração corintiano. O mundo pode até acabar em 2012. Mas, se acontecer, ficará para a história que o campeão da América é o Corinthians.

 

Coisa de outro mundo. Do lugar onde está cada corintiano. Olhando lá do espaço para a América e pensando com os botões da camisa preta e branca: “essa terra é nossa. Ali é Corinthians”.

 

Eles são de um bando louco por ti, América.

 

P.S: José Costa é Zé como tantos, é Costa como muitos, é Corinthians como um bando. Teve um câncer no cérebro em 2010. Não falava. Não enxergava. Não andava. Teve infecção hospitalar. Teve embolia nos pulmões. Teve quase tudo. Tinha menos de 0,5% de chances de sobreviver.

 

Em 4 de julho de 2012, estava tudo funcionando com seu José Costa. Principalmente o coração corintiano que bateu como nunca. Especialmente a voz que não sussurrava há dois anos e que berrou a plenos e recuperados pulmões com o título que parecia tão impossível quanto a recuperação física dele. Sem nenhuma sequela. Com toda alegria pela Libertadores.

 

Parabéns pelo seu Corinthians no 4 de julho da independência da América do Norte em 1776, ops, da conquista da América da Sul, em 2012. Parabéns pelos 84 anos completados nessa quarta-feira de glória.