É de sonho e de pó o destino de um só. Um sonho que caiu no pé de Romarinho, na primeira bola que o atacante recebeu, com quase um tempo de atraso (ele deveria ter substituído Jorge Henrique, que fez muita falta ao sair lesionado, aos 38 minutos do primeiro tempo, dando mais espaço para o crescimento xeneize na segunda etapa).
Feito eu perdido em pensamentos sobre o meu cavalo. Feito fiéis ganhando a noite em sentimentos sobre o cavalo de São Jorge, branco como o uniforme corintiano na Bombonera que pulsou. Mas não fez o pior Boca finalista deste século superar suas limitações. E vencer o Corinthians de Tite. Um time duro de ser superado pelo que faz. E pela fortuna de um vencedor que não toma gol de nenhum jeito. Nem na bolada no travessão e o rebote perdido na pequena área no último lance em Buenos Aires.
É de laço e de nó, de gibeira o jiló, dessa vida cumprida a só. Dessa romaria alvinegra que deixou o Brasil para fazer história na Argentina. Não eram tantos dos loucos do bando. Mas eram muitos que não se sentiram sós. Até porque esse é time solidário. Sem rei-Sol. Sem alguém que decide só. Com um time de fato. Com um Timão. Com espírito de equipe. Com alma de Corinthians.
Sou caipira, Pirapora Nossa Senhora de Aparecida. O caipira de Palestina. Não a pátria sem território. É uma terra paulista. Como o Corinthians que nunca esteve tão perto de fazer a América. Um time que ilumina a mina escura e funda. O trem da minha vida. E da vida de milhões.
O meu pai foi peão, minha mãe solidão. Meus irmãos perderam-se na vida em busca de aventuras. Esse time e seus irmãos de fé não se perderam na Boca e na aventura argentina. Cássio defendeu quase tudo e, quando não deu, a sorte ajudou. Paulinho foi tudo. Ralf, nem sempre. O time caiu no final. Mas faz parte do jogo e da vida.
Descasei, joguei, investi, desisti. Se há sorte eu não sei, nunca vi. Mas o corintiano está vendo desde a estreia. Não existe campeão azarado. E, desde 1978, se der Corinthians, como pinta dar, vai dar o primeiro invicto da Libertadores desde então.
Me disseram porém que eu viesse aqui. Na Bombonera. Pra pedir de romaria e prece paz nos desaventos. Pra pedir Romarinho sendo Romário no empate com vento de vitória. Pra tocar por cobertura na saída escorregadia do goleiro.
Como eu não sei rezar, só queria mostrar meu olhar, meu olhar, meu olhar. O de esperança. O de fé. O de Corinthians.
O time de Romarinho. Aquele que eu achava que não valia a pena apostar tanto quando chegou ao Parque São Jorge. Aquele que fez o que fez contra o Palmeiras. Fez o que calou o Boca. Fez o que pode soltar da garganta o grito de campeão.
P.S: Agradeço ao amigo e ídolo Renato Teixeira pela inspiração e pela letra de “Romaria”, das mais belas canções brasileiras, das mais bonitas preces em qualquer língua, de qualquer religião.
Não sei por qual time torceu o imenso coração santista de Renato na primeira decisiva na Libertadores. Não sei se ele foi Corinthians como disseram ser Neymar e o craque-propaganda da Libertadores — Pelé. Só sei que o tanto que Renato sabe de música ele conhece de futebol.
E quem sabe dos dois tem ciência que o coração pode pender para qualquer lado. Como a final ainda está aberta. O Boca tem sido melhor fora da Bombonera. Mas ninguém tem sido melhor que o Corinthians nesta Libertadores.
(O TEXTO ESTÁ EDITADO NO LANCE! DESTA SEXTA-FEIRA)






















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