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Arquivo de maio de 2012

Corinthians 1 x 0 Vasco – Libertadores-12

quinta-feira, 24 de maio de 2012

 

Foram seis segundos. Devem ter durado 101 anos para o corintiano. Aos 17min40s do segundo tempo, Alessandro perdeu tolamente uma bola na intermediária vascaína. Diego Souza ganhou o lance e seguiu adiante. Ele x Cássio + 40 mil no Pacaembu + 30 milhões pelo mundo.  Faltou gás ao vascaíno depois de correr quase o Pacaembu inteiro com a imensidão do gramado e dos 113 anos da história cruzmaltina. Sobrou o goleiro na área paulista. Cássio que largou bolas que goleiro algum de nível pode largar durante o jogo. Saiu mal no lance que Rômulo desperdiçou logo depois do gol do imenso Paulinho que classificou o Corinthians para a semifinal.

 

Cássio que, naquela bola, defendeu com a ponta dos dedos. Com a pinta de quem pode enfim gritar o que o Corinthians nunca foi na Libertadores. Mas que, depois dessa vitória, dessa defesa, daquele gol de Paulinho (7m32 de altura naquele cabeceio), daquelas bolas que não entraram mesmo com mais uma atuação preocupante de um time que tem caído de produção (mas que não leva gol mesmo assim), o corintiano pode ser o que o vascaíno foi em 1948 sem o nome de Libertadores. O que o vascaíno foi em 1998 já com o nome da principal competição sul-americano. O que o Corinthians pode ser em 2012 com a sorte que tanto faltou em outros anos.

 

O Corinthians já teve times melhores disputando a Libertadores. Um que foi campeão mundial sete meses depois de ser eliminado do torneio de 1999 nos pênaltis para o Palmeiras. Um que havia sido campeão mundial seis meses antes de ser eliminado pelo Palmeiras em 2000 novamente nos pênaltis. Mas eles não foram o que este pode ser. Apesar da qualidade e da história de rivais em 2012 num futebol tão nivelado. Como foram os 180 minutos contra o Vasco que chegou o mesmo número de vezes num jogo equilibrado. Decidido numa bola parada. E numa bola rolada demais por Diego Souza.

 

Creditar apenas ao meia-atacante carioca e ao goleiro paulista a decisão a respeito dos dois jogos é fulanizar e finalizar uma história sem fim do futebol. Mas o crédito moral com que saiu o Corinthians do Pacaembu é do tamanho da América.

 

A dor vascaína, essa não tem tamanho. Se desse a lógica no lance capital, premiando a boa atuação do time de Cristovão, o Vasco teria aberto o placar, e o gol de Paulinho, na hipótese rasteira do jogo, não teria sido definitivo. Se a sorte fosse vascaína no Pacaembu, na sequência da defesa de Cássio, no escanteio cobrado pela direita, Nilton não cabecearia a bola no travessão corintiano.

 

Acontece. E a favor dos times que têm aquilo que teve o Corinthians.

Corinthians 0 x 1 Fluminense

domingo, 20 de maio de 2012

 

Num clássico igual, sem graça e com os times reservas, uma bola parada definiu um jogo que pode ser decisivo ao final das contas

 

 

Corinthians de Antonio Carlos e Marquinhos x Fluminense de Wellington Carvalho e Marcos Júnior. Um grande clássico no Pacaembu. Em 25 de janeiro de 2012, decisão da Copa São Paulo de Juniores. Não o de ontem, na primeira rodada do BR-12, que terminou num gol de Leandro Euzébio, depois de escanteio de Marcos Júnior, aos 26 do segundo tempo. Culpa da CBF que esqueceu e esvaziou o clássico que, quando foi definida a tabela, era possível imaginar que tivesse as duas equipes ainda na Libertadores. Como estão. E que provavelmente estarão até o final do BR-12 disputando ponto a ponto o título. Pontos que foram perdidos como a tarde de elencos – corretamente – poupados na rodada inicial do Brasileirão.

 

Tite e Abel tinham de preservar. Os moleques lançados são de bom nível. Mas sem entrosamento, com a pressão da estreia, e com a cabeça em outro torneio, o resultado em campo e no placar não poderia ter sido outro. O empate sem gols no primeiro tempo e com duas buas chances apenas para cada lado foi previsível. Como a má forma de Douglas e Liedson, e que não foi compensada pelo esforço de Willian e Gilsinho. Tite avançou Ramirez para a linha de três do 4-2-3-1 e plantou Douglas mais atrás, quase um volante. Mas, sem ritmo, não teve jogo. O Fluminense foi bem quando apostou nos garotos de bom nível como Marcos Júnior, Matheus Carvalho e Lanzini alimentando um isolado Samuel, no 4-2-3-1 usual de Abelão.

 

Na segunda etapa, o desgaste natural e o desentrosamento criaram mais oportunidades. Mas não tantas. Abel sacou Lanzini, avançou Fábio como meia central, colocou Jean para marcar. O Flu melhorou um pouco, também pela má forma física que foi pregando Douglas e Liedson. Numa bola cruzada, o Flu fez o terceiro gol de cabeça dos últimos quatro anotados. Conseguindo um senhor resultado num campeonato que promete ser muito equilibrado. E, se a bola quiser, melhor que um jogo entre reservas.

 

P.S. – Teve um pênalti do Carleto no Willian no primeiro tempo. Lance que não vi na cabine do estádio.

 

Santos 4 x 2 Guarani – Tricampeão paulista

domingo, 13 de maio de 2012

 

 

Era Neymar. É tri. Será muito mais

 

 

O árbitro apitou o fim de Santos 4 x 2 Guarani. Todo o time santista estava no campo de defesa e quase toda a equipe se ajoelhou no gramado celebrando o tri. Apenas Neymar estava no campo de ataque. Ele celebrou sozinho no apito final. A imagem do título. Do tri. De Neymar. “Sozinho”, ele fez o Santos ainda mais Santos. E, meia hora depois do título, ele ficou driblando repórteres e fotógrafos aos gritos de “olé” no gramado do Morumbi. Gênio até na celebração e no marketing.

 

O time de Pelé só não ganhou três títulos estaduais entre 1958 e 1969. Com Pelé em campo, e ao menos duas gerações brilhantes, começou a ficar sem graça a justa lógica dos pontos corridos no Paulistão. Desde então foram criadas fórmulas para deixar a disputa “mais emocionante”. Ou, quem sabe, menos santista naqueles dias dourados do futebol brasileiro tricampeão mundial.

 

Mesmo com os perigos do regulamento besta do inchado e chato SP-12, o Santos entrou em campo na finalíssima no Morumbi para enfrentar o bravo Bugre como o maior favorito da história do Paulistão. Em nenhuma outra decisão se viu tamanha vantagem técnica e regulamentar. Mais ainda. Com tamanho Neymar.

 

O time de Muricy fez em 2012 uma campanha do tri típica de um time inspirado por um gênio da órbita do planeta de onde veio Pelé. E de um Ganso voltando a ser um armador digno do Santos Dele – Pelé -, e, também, de Antoninho, Del Vecchio, Jair Rosa Pinta, Pita e Diego. Um Santos com uma defesa discutível como bobeou na partida decisiva, com laterais nem sempre consistentes, com centroavantes em fase irregular.

 

Nas primeiras três partidas era o time reserva. No primeiro clássico, derrota para o Palmeiras, de virada. Mas, depois uma sequência de sete vitórias (três goleadas), até a derrota para o Mogi Mirim (campeão do interior em 2012). Derrota para o São Paulo no Morumbi com arbitragem polêmica, e partidas em que o time alternava o brilho de Neymar com a má fase de Borges e a inconstância de Ganso.

 

Mas talvez fosse o inferno astral do centenário. O primeiro dos gols dos próximos 100 anos foi obra prima de Ganso. E ele não parou mais. O Santos, também não. Vitória consistente sobre o Mogi, show de Neymar contra São Paulo e Guarani, e a confirmação do título com oito gols da Joia em quatro decisões. Repetindo 1969. E, se Neymar quiser, indo além em 2013.

 

Parabéns aos tricampeões paulistas.

 

Só pode ser tricampeão estadual em 2012 quem escalou Rafael; Henrique, Edu Dracena, Durval e Juan; Arouca; Elano e Ibson; Ganso; Alan Kardec e Neymar. E Aranha, Fucile, Maranhão, Crystian, Bruno Rodrigo, Vinicius Simon, Rafael Caldeira, Leo, Emerson, Pará, Paulo Henrique, Adriano, Alan Santos, Anderson Carvalho, Felipe Anderson, Breitner, Tiago Alves, Tiago Luís, Borges, Renteria, Dimba, com Tata e Muricy Ramalho no comando.

 

Só pode ser tricampeão paulista quem foi bicampeão em 2011 com Rafael; Jonathan, Edu Dracena, Durval e Leo; Adriano; Elano e Arouca; Ganso; Zé Eduardo e Neymar. E Aranha, Vladimir, Danilo, Pará, Crystian, Bruno Rodrigo, Vinicius Simon, Alex Sandro, Emerson, Charles, Rodrigo Possebom, Rodriguinho, Moisés, Anderson Carvalho, Alan Patrick, Robson, Felipe Anderson, Maikon Leite, Tiago Alves, Keirrison, Diogo e Dimba, dirigidos por Adilson Batista, Marcelo Martelotte e Muricy Ramalho.

 

Só pode ser tricampeão estadual quem foi campeão em 2010 com Felipe; Pará, Edu Dracena, Durval e Leo; Arouca e Wesley; Marquinhos, Ganso e Neymar; Robinho. E George Lucas, Maranhão, Bruno Aguiar, Bruno Rodrigo, Luciano Castán, Serginho, Wesley Santos, Roberto Brum, Rodrigo Mancha, Germano, Rodriguinho, Breitner, Marquinhos, Madson, Alan Patrick, Giovanni, Zé Eduardo, Marcel, Maikon Leite, Zezinho, dirigidos por Dorival Júnior.

 

Guarani 0 x 3 Santos – Visão de jogo

domingo, 6 de maio de 2012

 

Guarani no 4-2-2-2, quase um 4-3-1-2 sem a bola; Santos no 4-2-2-2, quase um 4-2-1-3, com Elano mais espetado pela direita

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ainda não é. Mas será

 

 

NEYMAR, GANSO E CIA. Santos vence Guarani por 3 a 0 com muita tranquilidade e bota as duas mãos e os dois pés na taça de Tri paulista

 

 

Neymar cavou dois amarelos no primeiro tempo, deu apenas uma arrancada de Neymar, fez um lançamento de Ganso nos primeiros 45 minutos, fez um bom desarme na lateral direita, e não fez muito mais no primeiro tempo. Mas se não teve tanto de Neymar até então, o Santos é ainda muito mais por ter Ganso. A rigor, ele não teve um lance para lembrar. Mas, aos 42, o santista vai ter mais um golaço para celebrar e rememorar. Lance pela esquerda, confusão na área, e a sobra para o camisa 10, na entrada da área. A imensa maioria não colocaria a bola como Ganso colocou. E raríssimos fariam o golaço que fez chutando acossado pela boa marcação bugrina em um primeiro tempo equilibrado.

 

O jogo não foi fácil para o Santos. O Guarani não sentiu tanto a ausência de Fumagalli e Oziel. Bruno Peres foi bem no apoio. Medina deu velocidade ao Bugre, mas, por vezes, exagerou na pressa, no 4-2-2-2 com a bola, um 4-3-1-2 sem ela. O Santos alternou o 4-2-2-2 com um 4-2-1-3, liberando Elano pela direita. Aos 34, um lance discutível de pênalti de Domingos em Alan Kardec poderia ser marcado.

 

O Bugre atingiu a trave no primeiro minuto do segundo tempo. Manteve-se no jogo até ser desequilibrado por craques. Juan e Ganso prepararam o lance que Neymar finalizou com a categoria de um camisa 11 como João Paulo, com o faro de gol de um artilheiro como Serginho Chulapa, aos 19. E, aos 46, Neymar desmaiou como Chulapa no gol do título do SP-84, depois de mais um golaço de técnica e frieza. Quando se igualou na artilharia pós-Pelé a João Paulo e Serginho.

 

Quem duvida que Neymar não irá superá-los, e de muito, já no próximo jogo? Quem duvida que o Santos não está muito próximo de ser tri paulista e de ir além?

América, 100

terça-feira, 1 de maio de 2012

 

Decacampeão no Sudeste só tem um. Só terá o América Futebol Clube de 1916 a 1925. América Mineiro para se diferenciar dos outros Américas que fizeram o Brasil, foram muito mais fortes do que são, e, hoje, parecem civilizações pré-colombianas, de rica e comovente história, mas que virou “apenas” história.

O América era o maior de Belo Horizonte e dos maiores do Brasil quando Minas dominava o país com São Paulo no acordo político do “café com leite”. Dos anos 70 para cá, ou desde a inauguração do Mineirão, em 1965, com a ascensão do ex-americano Tostão com a camisa estrelada da Via Láctea do Cruzeiro de Dirceu Lopes, Raul, Zé Carlos e bela companhia, o América quase virou café com leite. Minguou. Murchou. Micou. Não procriou títulos e torcedores como o Coelho da mais bela das camisas brasileiras.

Derrocada que acontece no futebol, na economia, na sociedade, na vida cada vez mais competitiva. Onde até os amores que serão felizes para sempre têm fim, onde as promessas e juras de amor cobram promissórias e juros com correções monetárias e matrimoniais.

Mas torcer pelo América, como incita a campanha do centenário do clube, é “para poucos”. São mesmo cada vez menos americanos em Minas e no Brasil. Mas são poucos e ótimos. Fidelíssimos apaixonados. Amantes de um clube que pode dar alegrias como as de domingo, e pode até fazer mais na final contra o melhor e mais poderoso Atlético. Rival do Clássico das Multidões. Que não tem sido mais de duas “multidões”. Mas continua sendo clássico.

Como o América continua sendo o mesmo clube há 100 ano. Já teve dias e decacampeonatos melhores, que não devem voltar. Mas o amor do seu torcedor também não tem volta. É o que faz um bando de coelhos pingados bradar no Independência que não se perca pelo nome, no Mineirão onde começou a perder o nome, em cada canto de cada campo onde haverá ao menos um americano que valerá em paixão por tantos atleticanos e cruzeirenses.

Ele é América e ponto inicial. Como poderia ser Tymbiras. Arlequim. Guarany. Outros nomes que em 30 de abril de 1912 entraram no sorteio que deu nome ao clube de jovens da elite mineira. Contestador quando, entre 1933 e 1943, virou vermelho de luto (e de raiva) pelo profissionalismo que tomou conta do futebol, nem sempre do próprio clube.

O América abraçou além da conta o amadorismo. Nenhum outro grande se mostrou no futebol brasileiro tão contrário às relações profissionais. Talvez isso explique muitos erros desde então pelo excesso de amadorismo na pior acepção do termo. Mas, também, explica a paixão de seu torcedor. Ele é amador. Ele ama. Até na dor.

Amor não se explica e nem justifica. Amor se ama.  Amor é América.