Foram seis segundos. Devem ter durado 101 anos para o corintiano. Aos 17min40s do segundo tempo, Alessandro perdeu tolamente uma bola na intermediária vascaína. Diego Souza ganhou o lance e seguiu adiante. Ele x Cássio + 40 mil no Pacaembu + 30 milhões pelo mundo. Faltou gás ao vascaíno depois de correr quase o Pacaembu inteiro com a imensidão do gramado e dos 113 anos da história cruzmaltina. Sobrou o goleiro na área paulista. Cássio que largou bolas que goleiro algum de nível pode largar durante o jogo. Saiu mal no lance que Rômulo desperdiçou logo depois do gol do imenso Paulinho que classificou o Corinthians para a semifinal.
Cássio que, naquela bola, defendeu com a ponta dos dedos. Com a pinta de quem pode enfim gritar o que o Corinthians nunca foi na Libertadores. Mas que, depois dessa vitória, dessa defesa, daquele gol de Paulinho (7m32 de altura naquele cabeceio), daquelas bolas que não entraram mesmo com mais uma atuação preocupante de um time que tem caído de produção (mas que não leva gol mesmo assim), o corintiano pode ser o que o vascaíno foi em 1948 sem o nome de Libertadores. O que o vascaíno foi em 1998 já com o nome da principal competição sul-americano. O que o Corinthians pode ser em 2012 com a sorte que tanto faltou em outros anos.
O Corinthians já teve times melhores disputando a Libertadores. Um que foi campeão mundial sete meses depois de ser eliminado do torneio de 1999 nos pênaltis para o Palmeiras. Um que havia sido campeão mundial seis meses antes de ser eliminado pelo Palmeiras em 2000 novamente nos pênaltis. Mas eles não foram o que este pode ser. Apesar da qualidade e da história de rivais em 2012 num futebol tão nivelado. Como foram os 180 minutos contra o Vasco que chegou o mesmo número de vezes num jogo equilibrado. Decidido numa bola parada. E numa bola rolada demais por Diego Souza.
Creditar apenas ao meia-atacante carioca e ao goleiro paulista a decisão a respeito dos dois jogos é fulanizar e finalizar uma história sem fim do futebol. Mas o crédito moral com que saiu o Corinthians do Pacaembu é do tamanho da América.
A dor vascaína, essa não tem tamanho. Se desse a lógica no lance capital, premiando a boa atuação do time de Cristovão, o Vasco teria aberto o placar, e o gol de Paulinho, na hipótese rasteira do jogo, não teria sido definitivo. Se a sorte fosse vascaína no Pacaembu, na sequência da defesa de Cássio, no escanteio cobrado pela direita, Nilton não cabecearia a bola no travessão corintiano.
Acontece. E a favor dos times que têm aquilo que teve o Corinthians.














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