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Arquivo de abril de 2012

São Paulo 1 x 3 Santos – Visão de jogo

domingo, 29 de abril de 2012

 

Segundo tempo, São Paulo no 3-3-1-3, e Santos no 4-3-1-2

Neymar, Neymar, Neymar!

 

BUSCA DO TRI Santos fez 3 a 1 no São Paulo no Morumbi em mais um show de Neymar, que superou o desgaste e mostrou força do time

 

 

Neymar. Ele joga outro esporte no futebol sul-americano. É um gênio de 20 anos que parece enfrentar um time de firma Sub-50. Qualquer que seja o rival. No primeiro tempo, fez oito lances de Neymar. Converteu o pênalti cometido por Paulo Miranda em Alan Kardec, aos três. Aos 31, depois de mais uma saída errada tricolor, Ganso serviu Neymar para passar Paulo Miranda como se fosse um bólido da F-Indy contra um velotrol e fez 2 a 0 Santos. Celebrando o gol como se fosse Juari, que tanto fez pela equipe alvinegra na conquista estadual, em 1978. Aos 35, Neymar driblou Piris cinco vezes até ser levantado pelo lateral tricolor. Agora, o santista homenageou Robinho contra o lateral corintiano Rogério, na final do BR-02.

 

Firula? Pouca. Provocação (muita) visando ao cartão para o rival. Faz parte do jogo. E que jogo faz Neymar. Ele foi o diferencial do clássico. É o diferencial de qualquer partida no continente. O São Paulo não jogou mal no primeiro tempo. Veio no 4-3-1-2, quase um 3-4-3, ao liberar Cortês pela esquerda e segurar Piris. O Santos o espelhava taticamente, liberando Neymar para encostar em Alan Kardec. As equipes tiveram o mesmo número de chances. Mas o Santos tinha Neymar.

 

O São Paulo voltou no 3-3-1-3, com Fernandinho na ponta, Cícero na de Jadson. O Tricolor empilhou chances e diminuiu o placar no único erro da arbitragem, aos 18, quando o impedido Willian José diminuiu. Como o fôlego santista. A viagem a Bolívia fez o Santos perder o gás. O São Paulo teve mais chances: 15 contra 8, quatro delas bem defendidas por Aranha, que entrou muito bem na meta. Diferentemente de Dênis, que aceitou um chute forte de Neymar, aos 33, e fechou o placar merecido para quem tem o maior talento dos últimos 15 anos. Para não dizer o maior dos próximos 15.

O Sarriá do Camp Nou

quarta-feira, 25 de abril de 2012

 

O 24 de abril de 2012 foi o 5 de julho de 1982.

O “Sarriá” da melhor Liga dos Campeões do século – e de outro, também – aconteceu no outro estádio da capital da Catalunha – o Camp Nou. Onze do melhor time que vi contra 10 bravos do IncrediBlues e com a vantagem de 2 a 0 que classificava o campeão mundial de 2011… Barcelona que, agora, ao ceder o empate no final, não será campeão da Europa e nem da Espanha em 2012. E, ainda pior, será discutido como se fosse um time qualquer. Coisas do futebol – que esse time joga mais que qualquer outra ainda. Coisas desse espetáculo que, como já havia dito na véspera Fernando Torres, o algoz terminal, “pode ser vencido pelo pior time”.

Em 180 minutos foram 26 chances do Barça contra apenas cinco do Chelsea. Quatro bolas na trave catalãs. Um pênalti perdido. Uma desclassificação por pontos e por gols pelo time que menos jogou. Mas que venceu o duelo.

O futebol é imbatível como espetáculo e esporte por não ter times imbatíveis. O futebol permite que um time que joga para se defender possa ganhar no ataque. Mas o futebol é muito mais o que fez e que faz o time catalão (mas que já fez muito mais) que o que fez (e pode fazer mais) o time inglês. O esporte que se quer é o que joga o Barcelona, não o que não deixou jogar o Chelsea.

Sou fanático por esse Barcelona. Mas não pelo clube. Pelo futebol desse Barça. Seria fã se esse time jogasse com a camisa do Real Madrid, do Bayern, do Chelsea, do Coronel Bolognesi. E até se fosse o time do Corinthians ou do São Paulo (embora, pelo mesmo clubismo dos que atacam o “Farça”, seria evidentemente menos torcedor). Sou apaixonado por um time que dá gosto de ver e prazer de torcer e privilégio de ganhar e orgulho de ser campeão. Mas não sempre.

Lamento apenas que uma derrota como essa pode levar mais gente a pensar que não vale a pena tratar bem a bola, ficar mais tempo com ela, tocá-la com engenho e arte, respeitar o rival, marcar à frente, jogar o jogo, correr os riscos que o esporte incita e excita. Temo que treinadores, atletas, torcedores e jornalistas se impregnem da praga pragmágtica que entrevou o espetáculo e o esporte depois da tragédia brasileira em Sarriá, em 5 de julho de 1982, com a derrota do Brasil de Telê para uma Itália azul como o Chelsea. E ainda melhor que o time inglês. Que jogou o jogo possível para as limitações do time. E para as qualidades do adversário.

Torcedores do Santos, Fluminense, Internacional, Corinthians e Vasco tinham mais de torcer contra Messi, Xavi e Iniesta para não os enfrentar no  Mundial. Quem não gosta de argentinos e é torcedor do Real Madrid e do Espanyol também podiam adorar a história quase inacreditável da terça negra no Camp Nou.

Agora…

Quem não gosta do próprio time recheado de volantes, quem acha seu treinador retranqueiro, quem prefere o jogo jogado ao jogo marcado, quem é escravo do placar não pode vibrar pela derrota do Barcelona. Ou do futebol desse time.

Santos 5 x 0 Catanduvense

domingo, 15 de abril de 2012

 * Escalado pelo LANCE! e pela Rádio Bandeirantes, a visão de jogo desta segunda-feira no diário *

 

Feliz 200 anos, Santos

 

 

FUTURO GARANTIDO O primeiro gol do segundo centenário santista foi digno dos primeiros 100 anos e da camisa 10 alvinegra. Neymar completou o show

 

Aos 24, a bola foi parar na esquerda para Neymar. Como o gênio santista não para, fica difícil para qualquer um marcar. A pior equipe do Paulistão, mais ainda. Mas se é difícil jogar contra esse Santos (e muitos outros em 100 anos), fica muito “fácil” o futebol com um talento como o de Ganso.

 

Ele recebeu na entrada da área e tocou por cobertura. Deve ter sido a bola mais lenta que já entrou num golaço. Mas não houve demérito do goleiro Felipe. Houve apenas um 10 do Santos honrando a camisa 10 do Santos. Um gol em câmera lenta. Um gol com a velocidade do passado. Um gol para curtir no futuro. Para ser visto em qualquer tempo.

 

Depois Neymar escapou aos 32 e serviu Borges para ampliar. Neymar que não fez gol no primeiro tempo. Mas ao menos quatro lances foram dignos de Neymar e do Santos. Até uma bicicleta espetacular que, segundo ele, é o único lance que ainda falta ao seu repertório cada vez mais rico e impressionante. Mesmo que se saiba que Neymar seja cada vez mais difícil de definir e elogiar. E cada vez mais difícil de parar também pela velocidade e explosão. O torque dele é de máquina. Não fosse tão talentoso ainda seria um grande jogador pela capacidade física.

 

O que o levou ao terceiro gol, servido por Henrique, no segundo tempo. Quando o jogo serviu mais para testar Adriano como lateral-direito, substituindo o lesionado Fucile ainda no primeiro tempo. E para Ganso e Borges ampliarem o placar. No mais, foi um treino de luxo de um Santos quase pronto para ganhar quase tudo em 2012. Enquanto a equipe de Catanduva vai fechar os vestiários e esperar que o futuro possa trazer dinheiro e estrutura. Ou, quem sabe, com sorte, o que durante 100 anos tem chovido na Vila Belmiro. Talento e gols.

Tudo em 89 segundos

sexta-feira, 13 de abril de 2012

De tanto pisar na bola, na língua, na defesa desconjuntada e na armação de problemas extracampo maior que a criação de lances dentro, o Flamengo parou antes que o esperado na Libertadores-12.

Era sabido desde o gol no último lance na partida anterior no Equador que a classificação seria difícil. Não pela necessidade de vencer o Lanús no Engenhão (parada definida aos 4 do segundo tempo, em ótima atuação de Ronaldinho Gaúcho), mas pelo necessário resultado combinado em Assunção. Olimpia x Emelec não poderia haver um vencedor. Quem ganhasse estava classificado e o Flamengo, eliminado.

Deu a lógica no Engenhão, com a atuação esperada do Flamengo em toda a fase – ou vista até aquele empate maluco no Rio contra o Olimpia. Quando os últimos 15 minutos foram praticamente fatais. Como os cinco minutos finais em Quito. Ou 89 segundos inacreditáveis na quinta-feira.

Já havia sinais de crueldade futebolística com o gol do Olimpia saindo logo depois do apito de final do primeiro tempo no Engenhão. O Flamengo saíra de campo aplaudido e classificado e voltava do intervalo eliminado. Mas, aos 23, parada definida para o time carioca, o estádio explodiu com o empate equatoriano. O 3 a 0 merecido rubro-negro, mais o 1 a 1 justo no Paraguai, e o Flamengo repetia a classificação suada de 2010.

Mas, aos 44, uma bela jogada do Emelec virou o jogo e a tabela. O Flamengo estava eliminado. Por menos de um minuto: exatos 54 segundos depois, em lance bem ensaiado, o Olimpia empatou por 2 a 2. Para ele não servia nada. Para o time equatoriano era a mais doída eliminação. Para o Flamengo…

Não deu tempo de completar a frase. Escanteio (estranho e discutível) batido, gol de cabeça do Emelec. Em 35 segundos virou tudo de novo. Emelec 3 a 2. Flamengo de novo eliminado.

Que fosse 3 a 0 para o Lanús no Engenhão. Ou 81 a 0 para o Emelec, 1895 a 0 para o Olimpia. Mas não desse jeito. Não nesse tempo. Não com essa dor.

Já se viu (pouca) coisa assim. Ainda veremos algo do tipo. Mas ninguém merece nada disso. Se o Flamengo é exemplo de ganhar títulos maravilhosos como os de 1981, também faz tudo errado e dá tudo certo, como no BR-09.

Mas nenhum torcedor merece sair do inferno ao céu e voltar ao armagedon em 89 segundos. Nenhum.

Por mais que este Flamengo merecesse alguns trancos para ver se leva jeito, o rubro-negro não merecia tamanha dor.

Corinthians 1 x 0 Paulista – Visão de Jogo

domingo, 8 de abril de 2012

* Estou na cabine da Rádio Bandeirantes. Escalado pelo LANCE! e pela Rádio, escrevo para o diário e para o LANCENET!

 

 

Corinthians no 4-2-3-1; Paulista no 4-3-2-1. Willian foi o nome alvinegro; Wagner, o tricolor

 

Vitória de Libertadores do Corinthians. Vontade e aplicação desde o início, e gol no fim de Willian. Merecia mais que o 1 a 0, mas teve tranquilidade em campo e na arquibancada para mais uma vez fazer o dever de casa.

 

Tite trocou novamente os nomes, mas manteve os números táticos que são os mesmos desde Mano: um 4-2-3-1 com meias que se mexem bem. E que, aos 30 minutos, quase sempre mudam de lugar. Willian começou pela esquerda e teve duas das três chances corintianas no primeiro tempo. Ramirez iniciou aberto pela direita e foi caindo pelo meio, trocando de função com Danilo. Os primeiros 10 minutos foram corintianos. Os 10 minutos seguintes foram do Paulista. Os 25 restantes foram iguais. Luiz Carlos Martins prendeu um pouco mais Bruno Formigoni e fechou mais o meio-campo, liberando Dener e Chiquinho para encontrar a velocidade de Richely. O Paulista acabou chegando mais, enquanto o Corinthians errava passes e perdia força.

 

No segundo tempo, Tite voltou com Willian pela esquerda para cima de Samuel Xavier, avançou Danilo por dentro para encostar em Liedson, soltou um pouco mais Paulinho e os laterais. O Paulista não manteve a mesma força na marcação e, a rigor, só foi ter uma chance depois de levar o gol de Willian, aos 34 do segundo tempo, em belo cruzamento-passe de Fábio Santos no primeiro pau para o atacante marcar seu terceiro gol de cabeça pelo Corinthians em dois anos.

 

O Timão só não fez mais nas 11 chances que teve em 90 minutos pela ótima atuação de Wagner, mais uma boa revelação de goleiro lançada pelo Paulista nos últimos 10 anos. Mas não suficiente para segurar um Corinthians eficiente e que, desta vez, merecia mais que o placar magro no Pacaembu. A oitava vitória por um a zero em 2012.