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Arquivo de março de 2012

Ah, é o Edmundo!

quarta-feira, 28 de março de 2012

 

 

 

Em um ano, de 1992 a 1993, ele saiu da reserva do time sub-20 do Vasco para ser a maior estrela contratada pela via láctea que a Parmalat montou no Palmeiras. Foi campeão do Rio e tirou da fila de 16 anos o novo clube na nova cidade que o acolheu aos berros de “animal” e onde viveu dias e noites de amor incondicional ou ódio amplo, geral e irrestrito das arquibancadas, tribunas e gerais.

 

Ele pisou muito na bola que tratou como poucos nos últimos 20 anos. Ele desandou demais fora dos campos do Brasil e Itália. No gramado, se não tivesse a excepcional técnica, ainda poderia ser um grande jogador por ter nascido um atleta forte, resistente e veloz, imune à dor e as pancadas. Por ter nascido um sujeito que saía da balada para o treino como se não houvesse amanhã. Ou como se tudo fosse uma longa noite de prazeres e poderes.

 

Ele foi capaz de transformar um centímetro quadrado num latifúndio redondo pelo repertório impressionante de dribles. Como é capaz de ser constrangedoramente simpático e simples na maior parte do tempo e, num mau dia, driblar quem ficar pelo caminho. Fazendo jus ao animal que ficou como elogio esportivo e como elegia de vida.

 

Bacalhau ou animal, genial e genioso, ele é um dos maiores ídolos e craques do Vasco e também do Palmeiras. Em São Januário cresceu como menino que ama a mãe de berço. No Palestra, conheceu a paixão de adulto pela amada. Para ele, a mãe uma ou outra vez o traiu; a paixão adulta, jamais. É um coração onde cabem Vasco e Palmeiras num peito que já vestiu Flamengo e Corinthians. E Santos. E Cruzeiro. E Fluminense. E Fiorentina e Napoli. E Tokyo Verdy e Urawa Red. E Nova Iguaçu e Figueirense. Até terminar no Vasco onde começou profissional. Onde hoje se despede com um físico e um futebol que poderiam ainda encantar.

 

Fez bobagens. Muitas. Casos de polícia. Coisas de uma vida difícil, com problemas em casa – como muitos. Mas com um talento para driblar em campo e fora dele – como poucos. Casos de quem foi ensinado a jogar futebol. Mas não a ser adulto. Como ele aprendeu apanhando e batendo. Na mesma proporção.

 

Tem muita gente que o detesta tanto quanto está odiando este texto. Se eu não torcesse pelo time que torço, se eu não gostasse de um atacante talentoso, se não tivesse um interesse por personalidades do tipo, se não o conhecesse há quase 20 anos, se não trabalhasse com ele há dois anos, talvez não estivesse escrevendo tudo isso. Talvez estivesse dando razão aos que não vêm razão para tanta festa e elogios.

 

Mas quem torceu pelo Animal, quem conheceu um pouco do cara fora de campo e dos problemas que ele criou, sabe que existe um cara que merece a festa que recebe do Vasco e que também merecia do Palmeiras. Sabe que errar fica mais humano com Edmundo.

Estado de sítio

terça-feira, 27 de março de 2012

 

Dois mortos. Outros tantos feridos. Poucos detidos. Logo liberados. Por falta de leis. Por falta de inteligência policial (com o perdão da expressão) para sacar que no local da barbárie marcada pela internet em São Paulo quase sempre existe treta. Nem precisa ser um “flash mob”, aqueles eventos em que a galera se une do nada. Até por já ser uma turma de “mob”. De máfia. De bandidos que se infiltram nas torcidas que também não filtram os bandidos.

 

Organizadas ainda compostas por esmagadora maioria de gente de paz, que gosta de futebol (ou do clube), que gosta da torcida (por vezes mais que o próprio clube), que gosta de Carnaval. Pena que os de sempre gostam de não gostar de nada e de ninguém. Turma que se infiltra e contamina e acaba com a reputação já terminal das torcidas. Aí, sim, facções de facões e porretes e porradas pelas ruas. Balas e bolas perdidas de torcedores de pescoços e almas, profissionais de arquibancadas e delegacias. Alguns só têm de positivo a certidão. Fazem rolo com camisetas e adesivos. Enrolam pós, paus, pedras e pistolas. Uniformizadas que desuniformizaram os estádios e, agora, estão descolorindo as ruas que ficaram com medo dos intolerantes fundamentalistas.

Não é caso de futebol. É de polícia. É de política pública. Como qualquer jornalista há 22 anos no mercado, não sei mais o que dizer. Mas sabemos que assim não pode ficar. É preciso ter vontade e coragem. E vontade política, não vontade de político e de promotor de eventos, não de Justiça.

Mas não cabe apenas às autoridades que perdem a própria a cada morte e enfrentamento. É preciso que cada torcida expurgue, expulse, exponha quem faz o que fez. Quem planeja o que executou. Quem vai continuar fazendo tudo com as pessoas de bem fazendo nada.

As torcidas que nasceram para morrer torcendo por um clube hoje matam o outro que torce pelo “inimigo”, não pelo adversário. Não são do clube – militam numa organização de apoio paramilitar. Uma aberração que mata civis e aleija militares em serviço. PM, MP, FPF, ONGs, a PQP! É jogo de empurra no MMA dos estádios e do estado de sítio das ruas. Luta livre que a mídia deixa passar. Ou passa as imagens sem pensar no resultado.

Do jeito que a coisa vai (ou não poderá mais seguir), será expressamente proibido torcer nos clássicos de uma só torcida. Ou se veste a mesma camisa, ou não se veste camisa alguma.

Exatamente o oposto da intenção das primeiras torcidas organizadas, que começaram a frequentar o Pacaembu, nos anos 40. Elas se uniam para fazer coreografias e uniformizar o torcedor. Fazer festa. Torcer pelo time. Não torcer pescoço alheio.

 

Proibir as torcidas ajuda nos estádios. Mas são os torcedores que não se ajudam. Instituir torcida única em clássicos será a institucionalização da intolerância. Não tem cabimento em nossa incompetência.

 

Eu não sei o que fazer. Eu e quem deveria saber. Ou é pago para tanto. A irresponsabilidade dos responsáveis é de doer. Mas pior são torcidas que não assumem a barbaridade e brigam ainda mais entre si para saber quem é a menos culpada, quem não seguiu o “código de conduta de brigas”, quem veio com armas a mais, quem emboscou quem, quem não seguiu a Convenção de Genebra…

 

É caso de polícia. É caso de não sair de casa.

 

Corinthians 2 x 1 Palmeiras – visão de jogo

domingo, 25 de março de 2012

* ESCALADO PELA RÁDIO BANDEIRANTES E PELO LANCE!, estou na cabine do PACAEMBU *

 

É mentira, Terta?

 

 

TIMÃO DA VIRADA Corinthians fez dois gols em seis minutos em bola parada e definiu Dérbi equilibrado que acabou com a invencibilidade de 22 jogos do Verdão

 

 

O Corinthians venceu o Palmeiras do saudoso Chico Anyiso por 2 a 1 em ótimo clássico no Pacaembu. Pantaleão, homenageado na camisa de Barcos, era das melhores personagens do humorista. Grande mentiroso que contava com a bondade da mulher Terta que dizia que era “verdade” qualquer mentira dele.

 

Se Pantaleão dissesse que o Corinthians viraria o clássico nos primeiros seis minutos depois do intervalo seria mais uma piada. O Timão nada jogou no primeiro tempo. Apático, errando passes, não criou chance alguma. Assistiu ao Palmeiras ser muito melhor e perder a oportunidade de ampliar o placar aberto num golaço de Marcos Assunção, em tiro longo desviado em Castán, aos 17. Aos 35, o árbitro Marcelo Rogério poderia ter expulsado Chicão em entrada dura em Barcos do mesmo modo que o Palmeiras poderia ter voltado acordado do intervalo.

 

Tite voltou fazendo o óbvio. Centralizou Danilo, adiantou e inverteu os lados de Jorge Henrique e Emerson, e teve a felicidade de ganhar os gols em bobagens de Márcio Araújo, que honrou o bordão de Profeta, personagem da camisa dele: “Podem ficar à vontade…” O Corinthians ficou. Foi outro time. Ou o mesmo de Tite. O centenário Timão da virada. Não deu mais espaço, e criou mais oportunidades contra um Palmeiras que sentiu os gols e mais ainda a infeliz saída de Maikon Leite para a entrada de Ricado Bueno vestido de Coalhada.

 

O 4-2-1-3 do reinício de jogo de Tite voltou a ser o 4-2-3-1 usual. Felipão voltou com João Vítor pelo lado direito, mas o Palmeiras chegou menos vezes. Ao final do jogo criou mais oportunidades de gol. Só faltou mais qualidade como falta mais elenco, ainda que em ótima fase e com boas perspectivas. O que sobrou mais uma vez ao Corinthians mais equilibrado. Mais encorpado. Cada vez mais competitivo.

 

São Paulo 3 x 2 Santos – Visão de jogo

domingo, 18 de março de 2012

* escalado pela Rádio Bandeirantes e pelo LANCE!, a crônica da segunda-feira nas páginas do nosso diário, escrita na cabine da Bandeirantes no Morumbi * 

 

Sansãocional

 

 

SHOW DE BOLA São Paulo fez melhor partida em meses mesmo com um a menos contra Santos que só jogou no segundo tempo em belo duelo entre Lucas e Neymar

 

 

 

Treze chances tricolores contra nove santistas. São Paulo 3 x 2 Santos foi até um placar magro para um dos melhores jogos em campos paulistas em muito tempo. San-São de uma promessa que voltou a ser decisivo – Lucas – contra um gênio – Neymar – que não jogou tudo e ainda assim quase decidiu um clássico que ficou nos melhores, mais motivados e mais descansados pés, no Morumbi.

 

Era melhor o Santos ter poupado os titulares que poupar futebol no primeiro tempo. O que não tira o mérito tricolor, que voou em campo. Fora dois lances alvinegros, só deu São Paulo. Casemiro e Cícero não foram marcados por Ibson e Arouca, e deram a Lucas e Luís Fabiano a sustentação que o apagado Jadson não conseguiu. E que Ganso nem imaginou o que seria, num primeiro tempo sumido. Casemiro abriu o placar num tiro que bateu em Dracena e tirou Rafael. Um a zero foi pouco.

 

Muricy deu vida ao Santos com Elano no intervalo, mantendo o 4-3-1-2 espelhado no tricolor. Num lance confuso, Edu Dracena empatou aos seis. Mais dois minutos e Rodrigo Caio enfim foi expulso por faltas em Neymar (como deveria ter sido aos 35 iniciais). O critério do árbitro foi mediar. Durval também deveria ter sido expulso pouco antes. Mas a expulsão justa de Rodrigo (que vinha bem) não mudou o São Paulo. O Tricolor parecia ter cinco a mais, e não um a menos. A grande jogada de Lucas com Luís Fabiano deu no gol de pênalti do Fabuloso, aos 19. O Santos foi amontoando gente até a desatenção tricolor dar no gol de Neymar, aos 31, em bela enfiada de Alan Kardec.

 

O Santos enfim foi à frente e estava a ponto de virar. Leão trocou o artilheiro por mais um zagueiro e foi feliz. Aos 41 saiu o gol (em impedimento) de Lucas, em lance em que Cortez pôde avançar por ter a proteção de mais um zagueiro. Leão foi feliz num clássico para louvar o futebol que ainda produz nomes como Lucas, Neymar e Ganso (quando quer).

 

P.S. – A câmera de impedimento me desmentiu. Falha minha.

O Bayern vai deixar?

sexta-feira, 16 de março de 2012

Para o bem do futebol, o ideal seria que Real Madrid e Barcelona refizessem as duas magníficas semifinais da temporada passada. Um time merengue melhor que o de 2010-11 contra uma esquadra blaugrana não tão forte (mas ainda superior). Em dois jogos no Santiago Bernábeu e Camp Nou, e com uma eventual prorrogação, teríamos o melhor do futebol mundial disputando nos dois palcos  a supremacia. Mais tempo de jogo. Mais jogos para ficar pelos tempos.

Agora, se der a lógica, Barça e Madrid se enfrentam “apenas” na decisão em Munique. Onde venha quem vier já faria um jogo histórico na Allianz Arena. Onde dê o que se espera desde agosto vai ser uma das maiores de todos os campos.

Isso, claro, se quem mais está acostumado a atuar na Allianz Arena deixar. O Bayern já era a terceira força antes de a bola rolar na UCL. Agora, então, depois da tunda no Basel, merece mais que admiração e respeito. É favorito contras o insípido Olympique de Marselha do inefável Brandão. Artilheiro que não vingou no Cruzeiro e Grêmio e reencontrou os gols na Europa.

Por mais chato que seja o Apoel, que prova que não existem mais cipriotas no futebol, não é páreo para a turma de Cristiano Ronaldo e de Kaká. A armada de Mourinho é muito favorita. E também seria em outro confronto mais equilibrado. O Chelsea que vibrou contra o ótimo Napoli tem mais time que o Benfica. Mas ainda é incógnita. Di Matteo parece ter o respeito dos velhos senadores do elenco azul. Melhora a performance do Chelsea, que esteve de mal com André Villas Boas. Digamos assim.

Dureza, mesmo, será a repetição do duelo entre Barcelona x Milan. Este ano, na fase de grupos, deu Barça, com vitória em Milão e empate no Camp Nou. É o favorito. Por melhor que seja a fase rossonera, por mais poderosa que seja a camisa milanista, não parece provável que o Barça perca o foco e o fogo.

Se tem pedreira nas quartas, Messi e companhia ilimitada terão tarefa menos complicada contra o Chelsea (acredito). Menos complicada que a hercúlea jornada do Real Madrid contra o excelente Bayern de Munique.

Mas a lógica prevê o duelo do século XXI (para não dizer do milênio passado, também) entre Barcelona x Real Madri, em Munique. Se os deuses da bola não nos darão o prazer de mais duas decisões fantásticas nas semifinais, que agora façam tudo para que possamos ver tudo na espetacular decisão.

Sai que é não é mais sua, Teixeira!

segunda-feira, 12 de março de 2012

 

 

Sargento Garcia prendeu o Zorro, na imagem do último parceiro nomeado por Ricardo Teixeira. Andrés Sanchez havia dito que o dono da CBF desde 16 de janeiro de 1989 só deixaria o trono onde defecava de montão quando o tonto prendesse o esperto. Bingo!

 

O futebol brasileiro troca 171 problemas por meia dúzia de soluções. O novo presidente da CBF é anterior ao velho. Os ímpares pares que o cercam são várias faces da mesma medalha. Medalhões do que há de pior na cartolagem desde a época em que José Maria Marin era ponta direita do São Paulo. De onde se bandeou para a ponta direita da política, como braço direito de uma mão grande e poderosa como a de Paulo Maluf.

 

Marin, quando jogava, deve ter enfrentado rivais que chutavam acima da medalhinha. Hoje são “companheiros” de pódios e palanques que pedem “medalha, medalha, medalha” como se fossem Mutleys cercando o butim de Dick Vigarista. A CBF vai continuar sem presidente como está desde 1989. É piada sem graça falar em renovação com quem chega. Sai um presidente capaz de tudo (até mesmo de alguns acertos dentro de campo e na administração das contas) e entra um político capaz de quase nada em décadas no esporte. Os muitos títulos conquistados em campo pelo genro de João Havelange são menores que os enormes títulos protestados fora dele. A lamentável administração passada e pesada é assumida pelo mais velho dos vices. Entre eles, o filho de um vice que foi tudo – José Sarney.

 

Como a Primavera Árabe, o Outono Brasileiro no futebol é para celebrar quem sai e não deveria ter entrado. Mas não necessariamente comemorar quem chega. A Copa de 2014 vai continuar com o atraso em dia. A CBF seguirá sem um interlocutor com o governo e Fifa. E o futebol brasileiro seguirá forte. Neymar poderá fazer por Marin o que Romário, Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho fizeram pelo “doutor” Ricardo.

 

Sai que não é sua, Teixeira. Cuide bem de sua saúde como você cuidou da saúde de seus empreendimentos. Imagino o quanto ela deve estar debilitada para você deixar de ser o que só você sabe o quanto lutou. O quanto nos enlutou. Se não vai para Alcatraz, o personagem vai para Boca Raton. Mantém-se vivo, que ele é vivo demais. Mas, pela saúde debilitada, vai se tratar. Enquanto a septicemia deixada no futebol brasileiro tenta curar as chagas enquanto chegam novos vírus e cartolas muito vivos.

 

Ao vencedor, as medalhas. Boa sorte, presidente. Melhor sorte, Brasil.

São Paulo 2 x 1 Portuguesa – visão de jogo

domingo, 11 de março de 2012

 

Virada fabulosa

 

 

ARTILHEIRO É… Um centroavante como Luís Fabiano. Fora de ritmo, ainda assim foi fundamental para levar o São Paulo à vitória no clássico contra a ameaçada Portuguesa

 

 

       

O último jogo completo do camisa 9 do Tricolor foi no aniversário da cidade. Voltou a jogar 90 minutos ontem, no Morumbi sob chuva no segundo tempo, quando o São Paulo venceu a Portuguesa por 2 a 1. Depois de um primeiro tempo com sol e sem gol e futebol. Mas com uma segunda etapa melhor pela presença de um goleador que longe do ideal ainda deixa muita gente distante da qualidade dele.

 

O belo gol de virada de canhota e da virada no clássico foi aos 26 minutos, depois de outra boa enfiada de Jadson, autor do empate aos 4 minutos – aproveitando a bobeada do zagueiro improvisado como volante Leandro Silva. Sem parentesco com o zagueiro tricolor Edson Silva, autor (não) intelectual do gol de cabeça de Ricardo Jesus, um minuto antes. Quando o zagueiro são-paulino assistiu à bola bem cruzada por Ananias cruzar a própria área.

 

Se o segundo tempo teve gols e boas chances, quase sempre são-paulinas, a primeira etapa foi para esquecer. A Portuguesa foi melhor no começo, no 4-3-2-1 que liberava Boquita para articular com Henrique e Ananias. O São Paulo disperso e marcando tão mal quanto passava a bola só se arrumou quando Cícero foi liberado para articular com o apagado Jadson. Mas, chances, mesmo, só no final do primeiro tempo.

 

Na segunda etapa, Leão foi mais uma vez feliz com Fernandinho pela esquerda. Do misto de 4-3-1-2 com 4-2-2-2 no início, o São Paulo passou a usar um ofensivo 4-2-1-3, com Jadson mais centralizado, Cícero dando um pé na marcação e saindo para armar o jogo pelos lados. As mexidas de Jorginho não foram tão felizes, como não tem sido boa a campanha da Lusa. Também pela falta de melhores opções. O que sobrou ao São Paulo que ainda pode crescer no campeonato se arrumar para a defesa as soluções que o ataque tem. Com Luís Fabiano ou com Willian José.

7 de Março – O Dia do Gol

quinta-feira, 8 de março de 2012

Há duas semanas discutimos a exaustão o bizarro gol perdido de Deivid. Espero que a imprensa dê o mesmo espaço aos gols de Messi e Neymar no Dia do Futebol. Ou dia do Gol. O 7 de março de 2012. Não por acaso, 51 anos e dois dias depois de Pelé driblar todo o Fluminense e marcar no Maracanã o Gol de Placa idealizado pelo pai (então repórter de “O Esporte”) deste que baba ovo pelos três gênios aqui citados.

Não só eu: os rivais e a bola se rendem. Muricy: “Nunca trabalhei com um craque como Neymar”. Guardiola: “Sou um homem de sorte por dizer que um dia eu treinei o Messi”. Falamos todos: obrigado, Pelé, por nos dar a felicidade de poder comparar a dupla aos grandes nomes do futebol.

Enquanto se discute o que é pior (a permanência de Ricardo Teixeira na CBF ou os nomes que se apresentam na sucessão), podemos divagar a respeito de quem irá mais longe. Se o Messi que ainda não está no auge (e nem imaginamos qual será o ponto máximo da carreira) ou se o Neymar que ainda está distante do tudo que será – e ainda poderíamos incluir Cristiano Ronaldo nessa história, que fica ainda mais rica quando se pensa em Ganso como parceiro de Neymar, e Iniesta, Xavi, Fábregas e companhia ilimitada do Barcelona.

Se desde o início do ano passado entendo que Messi será maior craque (não ídolo) que Maradona (ganhar uma Copa sozinho é quase uma questão menor na qualidade de ambos), tenho certeza que Messi x Neymar será o o duelo Pelé x Di Stéfano do Século XXI (que Pelé x Maradona não atuaram ao mesmo tempo em alto nível). Com a vantagem de que podemos compará-los até em treinos pela tecnologia. Com o imenso prazer de discutir se Gisele Bundchen é mais bonita que Angelina Jolie.

VISÃO DE JOGO – SANTOS 1 X 0 CORINTHIANS

domingo, 4 de março de 2012

 

 

 

No campo inteiro

 

 

GANSO E CIA. Santos venceu o Corinthians por 1 a 0 com o time menos desfalcado e com um meio-campo que valeu pelo ataque que não anda tão bem das bolas

 

 

       

Santos foi melhor contra o Corinthians que se superou apesar dos seis desfalques

 

 

 

 

Corinthians sem Alessandro, Chicão, Castán, Danilo, Liedson e Paulinho (só entrou no fim). Mas ainda um time muito forte, sobretudo para marcar o Santos praticamente sem desfalques de volta ao santuário de gramado novo. Time que sofre com a seca de gols de Borges. Mas que venera o reencontro de Ganso com o futebol. A partir do 10 que honra a camisa e o número, o Santos criou mais oportunidades e mereceu vencer o clássico com um golaço de Ibson, aos 12 do segundo tempo. Numa enfiada de Ganso que o Corinthians não soube marcar desde o início, quando os volantes Arouca e Ibson se soltaram sem a marcação devida da intermediária corintiana.

 

O primeiro tempo foi bom, mas com poucas chances. O Santos no usual 4-3-1-2, com Henrique protegendo a zaga com laterais que se projetaram pouco. Também pelo bom trabalho de Willian e Jorge Henrique no 4-2-3-1 corintiano, que não deixava o Santos sair pelos lados. A alternativa foi por dentro. Alex não esteve bem, Adriano foi o Adriano dos últimos anos. Sobrou espaço para Ibson e Arouca armarem. Até por que Edenílson, por mais que se esforce, não é Paulinho.

 

Talvez tenha faltado mais de Neymar. Mas ele é tão talentoso, tão acima da média, que mesmo uma partida apagada de um gênio cria lances bonitos, jogadas de efeito. Com o espaço maior dado no segundo tempo pelo calor e falta de entrosamento do misto corintiano, o jogo fluiu melhor. Como o passe que Ganso deu para Ibson definir o placar. O Corinthians cresceu, mas Elton foi apenas a versão mais magra e menos qualificada que Adriano. O jogo ficou melhor. E mais a caráter ao contragolpe santista. De um time que foi um tanto afobado e não conseguiu ampliar o placar. Mas que mostrou estar cada vez mais pronto para sonhar com tudo que vier a disputar. Tanto quanto o desfalcado e fortíssimo rival batido.