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Arquivo de outubro de 2011

Corinthians 2 x 1 Avaí

domingo, 30 de outubro de 2011

É mais gostoso

DE VIRADA… Deu a lógica no Pacaembu. O líder venceu o vice-lanterna por 2 a 1. Mas com aquele corintianíssimo sabor de que é tudo mais difícil. E foi demais, com um a menos

Avaí melhor no primeiro tempo, Timão corintianíssimo na virada na raça e na bola

Emerson (o melhor em campo) mandou escrever na saída do intervalo depois de uma atuação nervosa e acanhada corintiana com a derrota parcial para o organizado Avaí: “Vamos voltar e virar o placar”. Dito, jogado e muito bem feito. Mesmo com a expulsão de Castán aos 5 do segundo tempo, o Timão foi Corinthians, empatou num golaço de Emerson aos 16 (em bela enfiada de bola de Willian), virou num gol corintianíssimo de Liedson aos 32, e aproveitou-se da bagunça que virou o Avaí. Perdido na marcação, sem saber segurar a bola, acabou devastado por um Timão que retomou a ponta com gostinho de quero mais e sensação de que tem mais um jogo para guardar nos olhos.

O primeiro tempo foi avaiano desde o gol de Robinho, aos 12, num cochilo geral da zaga, e num lance bem executado por Lincoln e William. Com Júnior Urso anulando Danilo, Diogo Orlando travando Paulinho mais à frente, o eficiente 4-2-3-1 de Toninho Cecílio fez o time de Tite não se achar no espelho tático. Apesar da movimentação de Willian, Danilo e Jorge Henrique, a afobação paulista emperrou tudo. Ainda que tenha criado mais chances no final do primeiro tempo de muita chuva e total apoio da arquibancada.

Mas veio a lesão do armador pela esquerda Jorge Henrique, e a entrada de Emerson. Danilo foi jogar mais aberto, Emerson se achou melhor por dentro, e fez crescer Liedson, com velocidade e inteligência. Nem a expulsão de Castán mudou o jogo. Ralf virou zagueiro, Danilo volante, e, num 4-2-2-1 ofensivo, o Corinthians parecia ter três a mais no ataque. Multiplicou-se e achou uma vitória para guardar na mente quando as coisas estiverem mais difíceis num campeonato cada vez menos complicado. Mesmo quando se bobeia contra um Avaí que melhorou no BR-11. Mas deve ficar pelo caminho.

Bahia 0 x 2 Vasco

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Equipes espelhadas taticamente no 4-3-1-2, mas a superioridade técnica vascaína fez a diferença

 

Foi 2 a 0.  Deveria ter sido muito mais. Não apenas pelo gol mal anulado de Diego Souza, ainda no início do jogo quente no Pituaçu. Mas pelo modo como o Vasco se portou na Bahia. Como se estivesse em São Januário. Não jogando. Mas treinando.

Não que o Bahia tenha atuado mal, não foi o caso. Fernando Prass, mais uma vez, foi muito bem.

Mas é que o Vasco atuou com tamanha autoridade, mesmo sem uma referência de área, mesmo sem Juninho Pernambucano, mesmo que ainda sem um companheiro ideal para Dedé, que parecia que era só um time jogando. E muito bem.

Não à toa voltou à ponta. Não à toa estará disputando o título até o final.

Internacional 1 x 1 Corinthians

domingo, 23 de outubro de 2011

 

* ESCALADO PELO LANCE! E PELA RÁDIO BANDEIRANTES, COMENTEI DO ESTÚDIO O EMPATE ENTRE GAÚCHOS E PAULISTAS, NESTA SEGUNDA-FEIRA NAS PÁGINAS DO NOSSO LANCE! *

  

EMPATAÇO! Corinthians perde a liderança para o Vasco, mas o empate heroico no Beira-Rio por 1 a 1 com um a menos dá outro sabor à façanha alvinegra que mantém o time muito vivo

 

Inter teve mais bola, mais chances, mais gente, e não soube definir o clássico

 

Alex não celebrou o golaço de falta contra o ex-clube, aos 43 finais. Empate por 1 a 1 que tirou o Corinthians da ponta. Mas manteve, pela superação, o espírito elevado. Até mais do que na vitória contra o Cruzeiro, quando jogou muito menos, o Corinthians não deixou o gramado tão satisfeito. Superou a infantilidade de Alessandro na expulsão tola aos 41 (depois de um lance que o árbitro não viu puxão em Danilo dentro da área) e conseguiu empatar um jogo que o Internacional não soube e pareceu não querer ganhar.

Duas equipes espelhadas taticamente no 4-2-3-1, os duelos individuais fariam a diferença. O Timão melhor no início foi cedendo espaço a partir dos 10 minutos, quando Andrezinho, D’Alessandro e Oscar passaram a não deixar Jô tão isolado no ataque. O gol do Vasco na Bahia saiu aos 19 minutos do jogo no Beira-Rio. Naquele instante o time paulista perdia a liderança. Mas não a tranquilidade. Ainda que o Inter errasse as finalizações, parecia mais afobado que o rival. Mas menos que Alessandro ao ser expulso.

Inter no segundo tempo no 4-2-3-1, com Andrezinho recuado; Corinthians no 4-4-1 de praxe, com Alex e Danilo pelos cantos

Na volta do intervalo, Dorival agiu certo ao recuar Andrezinho para o lugar de Bolatti, que pedia para ser expulso, e ganhou velocidade com João Paulo pela esquerda. Tite recompôs a defesa com Welder na lateral, e optou por Danilo e Alex pelos lados, no 4-4-1 básico. O Inter demorou a se acertar, e só se achou quando Kleber colocou na cabeça de Nei a bola do gol, aos 22.

Mas daí faltou contundência para o Inter se manter à frente. Um lance de ataque colorado foi impedido por erro da arbitragem. Outros foram perdidos por intranquilidade. Que mais uma vez faltou a D’Alessandro, que fez falta tola, mereceu o segundo amarelo, e criou a chance para Alex bater de longe a falta. Muriel não quis barreira cheia para não dar a referência ao ex-companheiro. Não adiantou. O Corinthians empatou com gosto de goleada. Continua vivo. Muito vivo. 

 

Diretas anteontem nos clubes

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

 

São mais de 13 milhões de palmeirenses pelo mundo. Os, digamos, verdadeiros palmeirenses, que torcem pelo futebol do clube.

São mais de 12 mil associados da Sociedade Esportiva. Sócios, nem todos palmeirenses. Que elegem 152 conselheiros (não necessariamente palmeirenses de coração e/ou de cabeça) que, juntamente com até 148 “vitalícios” (alguns muito vivos, outros que, de verde, só vegetam) elegem o presidentes do clube.

No frigir dos votos: uns 300 (não de Esparta, nem sempre do esporte, alguns muito espertos) decidem por 13 milhões. Como em muitas sociedades, sim. Mas quase nenhuma tão popular, participativa e democrática como a paixão futebolística.

Esse amor que não tem medida e que, a cada mudança de estatuto, está ficando mais evoluído. Assim foi no Corinthians, Flamengo, Vasco e Santos que, agora, diretamemente, terão sócios elegendo seu presidente (não mais um feitor, um caudilho, um dono). Assim poderá ser no Palmeiras, se o Conselho for mais torcedor palmeirense e menos, digamos, conselheiro palmeirense, na assembleia do dia 24.

Mas não basta apenas propor e votar a eleição direta (e direita, correta e coerente) para presidente. É preciso revitalizar os vitalícios (ou simplesmente mandá-los para outras dependências do clube, chamando mais gente independente). É preciso cobrar mais profissionalismo e menos política (com p e pessoas minúsculas) em muitas áreas do futebol. É preciso repensar a administração do futebol. Ou minimamente pensá-la.

Além de discutir amplamente a ideia do conselho gestor. Um conselheiro eleito e ao menos um vitalício fariam parte do triunvirato que cuidaria de todo o futebol palmeirense. Mas no mínimo por dois mandatos. E sem limites de reeleições…

Resultado: em vez de um novo-velho Mustafá na presidência, um ainda pior velho-novo continuísta mandando e desmandando no futebol.

Uma sacada que pode ser interessante para trazer novas ideias e ideais. Mas será que tem realmente gente no Conselho assim capaz? E, ainda mais, três que não batam tanta cabeça? E cabeçadas fortes, registre-se…

Em tese, despresidencializar o futebol de um gigante como o Palmeiras é bom.

O problema é que muitos palmeirenses que podem fazer isso não são nada bons.

Maracanicídio

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

 

Então a Seleção pentacampeã só entrará no palco mundial de fato e de direito do futebol brasileiro se Neymar e boa companhia nos levarem até a final? Quer dizer que Fortaleza, inegavelmente das mais apaixonadas (e apaixonantes) cidades do futebol pode assistir a dois jogos da Seleção anfitriã, e o Rio de Janeiro só terá o privilégio de abrir as portas e os braços do Redentor numa decisão, com todo o peso atômico, histórico e histérico do Maracanazo de 1950?

De fato, e mais que nunca agora, tenho a certeza absoluta: foram os cartolas brasileiros que fizeram a tabela. Só eles para não pensarem no absurdo de não levar a Seleção ao menos uma vez para o Rio. Ou é a profana prepotência brasuca quando se trata de futebol (nunca é o Brasil que é derrotado, é a Seleção que perde…), ou é mesmo a santa burrice que impera em nossa administração imperial – para usar o termo mais ameno que veio à cabeça.

Fazer política e média é esporte nacional e internacional. Mas não levar ao menos um jogo do país-sede para o estádio principal só aconteceu em 1974. Deu Alemanha, então, no Olímpico de Munique, só visitado na decisão. Que a história se repita como festa – para os brasileiros.

Em todas as demais Copas, pelo menos uma vez o país-sede jogou no palco da final. Em 1930,  o time do Uruguai foi campeão no Centenário de Montevidéu ganhando da Argentina por 4 a 2. Em 1934, a Itália venceu a Copa na prorrogação, batendo a Tchecoslováquia por 2 a 1 no Nazionale PNF de Roma. Em 1938, a França atuou no Colombes, de Paris, onde a Itália foi bi mundial.

Em 1950, o Brasil só não jogou no Maracanã a segunda partida da Copa – empatou por 2 a 2 com a Suíça, no Pacaembu. Na final, contra o Uruguai…

Em 1954, a Suíça atuou no Wankdorf de Berna, onde a Alemanha estragou a festa húngara, na decisão. Em 1958, a Suécia perdeu a Copa para o Brasil no Rasunda de Estocolmo. Em 1962, o Chile atuou só uma vez fora do Nacional de Santiago, onde o Brasil foi bi. Em 1966, a Inglaterra jogou todas em Wembley, em Londres, até ganhar na prorrogação da Alemanha, por 4 a 2.

Em 1970, o México foi eliminado na capital federal, no Azteca, palco do tri brasileiro.

Só em 1974 a Alemanha não atuou no palco da decisão. Até 2014, foi a única vez que o anfitrião não conheceu anteriormente o local da volta olímpica.

Em 1978, a Argentina foi campeã vencendo a Holanda, na prorrogação, por 3 a 1, no Monumental de Núñez, em Buenos Aires. Onde só não jogou mais vezes porque ficou em segundo lugar no grupo. Em 1982, na segunda fase, a Espanha foi eliminada pelos alemães no Santiago Bernabéu, em Madri, palco da vitória italiana. Em 1986, o México não chegou até a decisão no Azteca, mas lá atuou. A Argentina ganhou a Copa no primeiro estádio a receber duas finais  – o Maracanã será o segundo.

Em 1990, a Itália foi eliminada na semifinal, em Napoli. Mas sua casa era o Olímpico de Roma, onde a Alemanha foi tri mundial. Em 1994, os EUA jogaram no Rose Bowl, palco do nosso tetra. Em 1998, a França fez a festa no Stade de France, em Saint Denis, ganhando do Brasil por 3 a 0.

Em 2002, o Japão atuou no estádio de Yokohama, onde o Brasil foi penta. Em 2010, a Alemanha jogou ainda na primeira fase no Olímpico de Berlim, onde a Itália foi tetra. Em 2010, a África do Sul estreou no Soccer City de Johanesburgo, palco da conquista espanhola.

No frigir das bolas, o anfitrião ganhou em 1930, 1934, 1966, 1974, 1978 e 1998. E ainda foi finalista em 1950 e 1958. Em 19 copas, 8 vezes o dono da festa participou da mesma. Não é muito. Pode não ser nada. 

Em 2014, se tudo estiver pronto, ainda que custando os olhos da cara-de-pau das autoridades, só veremos o Brasil no Maracanã se Deus quiser. Porque os diabinhos…

Cruzeiro 0 x 1 Corinthians

domingo, 16 de outubro de 2011

 

* ESCALADO PELO LANCE! e PELA RÁDIO BANDEIRANTES, A VISÃO DO JOGO QUE ESTARÁ NAS PÁGINAS DE NOSSO JORNAL, NA SEGUNDA-FEIRA *

 

Um bonito gol de Paulinho, chegando na área adversária depois de belo lance de Alex às costas de Diego Renan, aos 19 do segundo tempo. Foi o que precisou o líder do campeonato para manter-se na ponta. Foi o que bastou para a maior decepção do Brasileirão seguir ameaçado de inédito rebaixamento num campeonato equilibrado. Onde não é preciso ter um esquadrão para ser campeão. Mas é dever sempre respeitar um time que enfrenta outro grande, aguenta a pressão na casa rival, e consegue vitória reabilitadora depois do tropeço no Pacaembu diante de um Botafogo cada vez mais vivo.

O calor infernal do primeiro tempo disputado absurdamente no horário solar das três da tarde travou as equipes tanto quanto os esquemas mais precavidos dos técnicos: Mancini deixou Montillo muito isolado na armação, com o trio de volantes esperando um Corinthians que prendeu demais Alex pela esquerda, pouco adiantou Danilo por dentro, e sofreu com Liedson sem ritmo, apesar do esforço.  Substantivo ainda mais abstrato quando se pensa em Keirrison. Atacante de talento que só deu sangue quando ele escorreu da testa num choque com Ramón.

O Cruzeiro criou mais oportunidades num primeiro tempo igual. Na segunda etapa, o calor foi minando as equipes. O jogo ficou mais aberto. Tite fechou o time sacando o cansado Willian e colocando mais um volante. Mal deu tempo de Edenílson se achar em campo quando saiu o gol. O Cruzeiro se atirou à frente e ganhou um pênalti inexistente (ou “menos pênalti” que um sofrido por Paulinho, no primeiro tempo). Pênalti que o heroico Montillo, exemplo de pessoa, profissional e jogador, isolou, deixando o Corinthians ainda na ponta apesar de ter um jogo a mais que o Botafogo. Mas com mais um jogo para lembrar que é grande como foi decisivo Júlio César na pressão celeste. Mais um jogo para o Cruzeiro repensar a vida.

Os esquemas iniciais das equipes em Sete Lagoas. Cruzeiro no 4-3-1-2; Corinthians no 4-2-3-1, mas com Alex muito atrás.

Irresponsáveis

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

 

Os presidentes de São Paulo e Corinthians falam demais. O do Palmeiras, de menos.

Juvenal e Andrés podem manter sua discussão de boteco nos urinódromos de bares, mas não devem trazer seus ressentimentos pessoais, suas picuinhas profissionais e seus negócios para a mídia e para o torcedor sem modos e meios. Mantenham fora do foco e do fogo os estultos que cobram de reservas dos reservas pelo mau futebol e pelos problemas do Palmeiras, por exemplo.

Cada palavra envenada e com querosene dos presidentes de Corinthians e São Paulo pode incendiar torcidas e pavios curtos. Andrés, ao menos, admite normalmente quando erra e quando detona pólvora. Juvenal, soberbo e jactante, encastelado em seu feudo, evidentemente não se mistura. E não admite que suas preconceituosas declarações não enriquecem o debate, não corrigem injustiças, e não trazem nada de positivo ao futebol – a não ser fios desencapados e audiência para a imprensa.

A irresponsabilidade de Juvenal e Andrés é proporcional ao silêncio e omissão da gente que tenta administrar o Palmeiras e não consegue. Não apenas pelos problemas que o próprio clube cria. Mas pela falta de um pulso mais firme, de uma língua mais dura para enquadrar quem se perde com a bola, com as boladas, com a língua, com a torcida, com as comissões, com tudo.

Andrés tem razão em exigir mais dos cartolas e atletas quando jogador é agredido apenas por ser um jogador de um time em má fase crônica. Mas é o mesmo dirigente que pouco fez quando o próprio clube foi atacado depois da derrota para o Tolima e outras atitudes tão absurdas quanto a que sofreu João Vítor – ainda que também ele aparentemente não tenha sido apenas vítima. É o mesmo cartola que cita salários e luvas de um atacante de um co-irmão que poderia ir para outro co-irmão. Dirigente que, como fundador da Pavilhão 9, deveria conhecer o poder que as torcidas profissionais têm.

Se comentarista fosse, e seria dos bons, porque entende de futebol, negócios e muitas coisas, Andrés poderia falar. Mas Andrés só é ouvido por ser presidente do Corinthians. Precisa pensar e se portar como tal. Como também deveria fazer o mesmo o Juvenal que atira a torto e sem o menor direito, achando-se superior aos pares, e acima das questões, inclusive as legítimas e legais.

Tirone entraria no  balaio de ferro do trio se estivesse há mais tempo na jogada. Ou se minimamente se manifestasse. O que não faz nem no mínimo. Nem no máximo. Nem na média. Ou apenas na média.

Claro que a encrenca com João Vítor não tem a ver com o que costumam brigar presidentes de São Paulo e Corinthians, e com o que não costuma lutar o presidente do Palmeiras. O que falei no “Jogo Aberto” da Band (e que gente que não quer raciocionar troca as bolas com a mesma facilidade com que jogador troca de clube) é que muito da intolerância entre eles acaba levando ao absurdo que se vê em campo, nos CTs e, agora, também nas ruas.

Defender o seu sem atacar o do outro é atitude cada vez mais rara na vida e no futebol. As gratuitas (porém caríssimas) agressões virulentas, verbais, vernaculares e verorissímeis entre presidentes servem para quê?

Estão todos errados. Uns mais, outros menos. Mais ou menos como Felipão e Kleber, no Palmeiras. O treinador palmeirense não tem sido o que foi. Kleber, desde o e enrosco com o Flamengo, ainda menos. Mas, ao menos, um sempre quis ficar no Palmeiras. Outro, que sempre quis retornar ao clube, parece jamais ter se contentado em voltar. Ou ficar.

Não é preciso dizer quem o Palmeiras deve escolher. E, quem permanecer, que deve ser Felipão, precisa também mudar. Melhorar. Para não perder o pouco de elenco que tem a favor. O que não é problema incontornável. Telê Santana, multicampeão pelo São Paulo, entre 1991 e 1994, sempre teve parte do elenco contra. Alguns que estarão na homenagem a ele a ser feita em 10 de dezembro, na reinuaguração do estádio do Ibirapuera, não gostavam do treinador que hoje idolatram.~

A bola resolveu as questões. Problema que o atual elenco do Palmeiras parece distante de conseguir. Ainda mais porque também tem gente de chuteira virada em relação a Kleber dentro do elenco. Outro que, do nada, em pouco tempo, conseguiu perder um jogo que ganhava de goleada.

Administrar grupos é assim mesmo. Tem gente que trabalha comigo e não gostaria de estar ao meu lado. Como tem gente com quem eu não faço questão de trabalhar ao lado. E, mesmo assim, estamos todos juntos. É assim a vida.

Só não pode ser a morte que irresponsáveis alimentam e aumentam quando pensam com os cotovelos e fígados. Se pensam.

(Ah, sim, e o termo “pensar” não faz referência ao português mal tratado por Andrés, que é inculto, mas muito inteligente; e também não pode ser usado em deferência a Juvenal, culto e inteligente, mas que usa o cérebro como a imprensa usa as declarações dele: sempre para o pior lado).

E, sim: Andrés e Juvenal estão entre os maiores presidentes da história dos clubes que bem dirigem. E até nisso eles usam algumas vezes para o pior lado.

Corinthians 0 x 2 Botafogo

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

 

Se tudo der muito certo para o Botafogo, que há meses tem jogado o futebol mais bonito do BR-11 há um ótimo tempo, haverá um jogo que será determinante na trajetória alvinegra rumo ao título nacional. A espetacular vitória de 2 a 0 sobre o Corinthians, ainda líder do Brasileirão, ainda um dos maiores favoritos ao título.

Mas um Timão que não conseguiu jogar no primeiro tempo porque o time de Caio Júnior não deixou. Não apenas porque o ótimo e promissor goleiro Renan fez no Pacaembu o que o titularíssimo Jefferson havia feito na véspera pela Seleção. Não apenas porque Antonio Carlos e Fábio Ferreira, mais uma vez, fizeram uma partida notável, por cima, por baixo, em todos os lugares. Não apenas porque Marcelo Mattos, além de dar poucas chances a Danilo, salvou pelo menos três lances como se fosse um goleiro com os pés e com qualquer parte da anatomia.

Também porque, com a bola, o Fogão quis jogo. Os três meias Elkeson, Felipe Menezes e Maicosuel chegaram bem e a todo momento em Loco Abreu. Nos primeiros 15 minutos, o Botafogo atacou como se estivesse não no Engenhão, mas treinando. E só não abriu o placar aos 4 minutos porque o experiente assistente Fifa Alessandro Mattos marcou um impedimento absurdo numa bola recuada da linha de fundo (!?!). Lance que prejudicou demais o Botafogo. Mas que manteve a serenidade, a bola no chão, até o gol de Abreu, aos 17, num lançamento do inesgotável Renato.

Equipes espelhadas taticamente no 4-2-3-1. Botafogo melhor nos duelos

Numa bola igualmente desviada, aos 33, o placar seria definido, num chute de Maicosuel que bateu no Moradei que voltou ao normal. Como o Corinthians foi menos do que voltaria a ser no segundo tempo. Partindo para cima, ganhando a expulsão discutível de Cortês, criando ao menos 11 chances de gol, mas parando na superação carioca. Exemplo de abnegação, aplicação e muito bom futebol.

Um clássico de 200 pontos. Que pode, até o final, definir o BR-11. Pela qualidade de Botafogo e Corinthians. Em qualquer ordem.

Sem Cortês, Gustavo quebrou muito bem o galho na lateral, e Renato ajudou a fazer de tudo. Corinthians empilhou jogadores e chances

São Paulo 1 x 2 Flamengo

domingo, 2 de outubro de 2011

* VISÃO DE JOGO – O JOGO QUE COMENTEI DA CABINE DO MORUMBI PELA RÁDIO BANDEIRANTES  E ESCREVI ESTE TEXTO PARA A EDIÇÃO DE SEGUNDA-FEIRA DO LANCE *

Nove chances para cada lado. Quatro grandes defesas de Rogério e de Felipe. Pelo menos uma de cinema para cada um (uma de ficção científica de Ceni). Lucas e Willians expulsos com o mesmo critério rigoroso pelo promissor Fabrício Correa. Mas um chute de Renato Abreu, aos 38 finais, que desviou em Carlinhos matou o melhor em campo (Rogério) com as mãos (e até com as pernas). Definindo a grande vitória carioca do time dos melhores pés – Ronaldinho, com alguns lances de brilho. Jogo que tendia também à igualdade no placar que mais parecia empate quando, cinco minutos antes, Dagoberto acertou um chutaço indefensável, recebeu amarelo por arrancar a camisa, e só não levou o vermelho em seguida porque o árbitro quis deixar tudo igual. Algo que a sorte não quis. E ela está lançada com o Flamengo de volta à luta. E o São Paulo ainda vivo.

Adilsonb se espelhou taticamente no Flamengo, usando o mesmo 4-3-2-1. A novidade tricolor foi a formação mais ofensiva com Cícero pela esquerda, chegando mais à frente que Carlinhos. No mais, o esperado: Lucas e Dagoberto vindo de trás, com o estreante Luís Fabiano no comando de ataque. A mesma formação rubro-negra dos melhores momentos em 2011: Thiago Neves e Ronaldinho chegando de trás para criar para Deivid. Marcando e armando pelos lados Willians e Renato Abreu. Na cabeça da área carioca Aírton. Na paulista, Denilson.

Igual taticamente, mas  melhor para o São Paulo no início, com Luís Fabiano saindo bem da área, mas, como ele mesmo disse, se sentindo “pesado”. E sem a ajuda devida de Dagoberto, que se mexeu pouco na nova função. Lucas entrou bem em diagonal, e deu opção, como Cícero. Mas Casemiro errou muito, os laterais, preocupados com Thiago Neves e Ronaldinho, apareceram pouco. O Flamengo abusou da ligação direta e errou quase todos os passes como Willians e Renato Abreu. Ronaldinho, aos poucos, foi fazendo a diferença. Criando dois lances sensacionais para Deivid e Ronaldinho.

A chuva parou aos 8 minutos. O jogo só acelerou. O Flamengo melhorou no final da primeira etapa e cresceu com a expulsão de Lucas. Luís Fabiano foi sacrificado aos 14. Adilson recuou demais o Tricolor com Carlinhos, em vez de apostar em Rivaldo. O Flamengo aproveitou e fez de cabeça, com Thiago Neves, aos 18. Mais sete minutos até a tolice de Willians. Tudo igual, e o recuo excessivo carioca castigado com um São Paulo mais ofensivo deram no golaço de Dagoberto, aos 33. Tudo levava ao empate até o chute desviado que Renato Abreu, diferentemente de Dagoberto, mal comemorou.

Diferentemente do rubro-negro que pode refazer contas.